Os Três
3 O juramento do herói.
Muito tempo se passara e os nossos heróis já não eram mais crianças, tinham crescido – e no caso de Brihandur crescido muito. Os três encrenqueiros já não podiam ser controlados e então foram expulsos do vilarejo, não que eles se importassem, era uma ótima desculpa para sair em uma aventura.
Brihandur carregava consigo uma espada, um tanto cega, e um escudo antigo, já arranhado por muitas lâminas. Usava uma cota de malha que envolvia-o por inteiro, exceto o peito, pois não consegui furtar essa peça do vestiário de seu antigo mestre. Faen por sua vez, andava com as mesmas roupas de pano preto que sempre usou. Porém agora tinha um arco longo em suas mãos e algumas flechas cegas no aljave. Spilth, o nosso grande piromante, andava com um robe verde, que era grande demais para seu corpo. O excesso de pano fazia ele tropeçar constantemente. Ele tinha em suas mãos um bastão, que ele dizia ser mágico, mas, na verdade, era só uma raiz de uma árvore que tinham cortado a algum tempo.
Na saída do vilarejo os três se entreolharam e ao mesmo tempo gritaram do fundo de seus pulmões “Aqui vamos nós!”. Os três, não tão fortes, não tão rápidos e não tão sábios, partiram por uma estrada de pedra que ia até o mar, com esperança de encontrarem algum barqueiro que pudesse levá-los até a capital.
Brihandur estava com fome, e não tinha se passado nem três horas desde que saíram do vilarejo. Faen estava cansado, não tinha físico pra andar tanto e Spilth já tinha caído e tropeçado tanto que é um milagre não ter quebrado nenhum braço ainda. Sentaram na beira da estrada e se deram conta que não tinham suprimentos. Traziam livros, moedas de cobre, corda, algumas pedrinhas, uma faca sem fio e a porcaria de um pão, tão podre que já infestava o ar com um cheiro horrível.
Precisavam caçar e achar água, ou não durariam nem metade do caminho até a costa. Rapidamente Faen mandou Brihandur ir atrás de um porco ou algum outro animal, ele não queria ter que caçar, é muito cansativo. Spilth começou a desenhar um mapa da área no chão com um graveto, levantou, e apontou com o cajado na direção leste. “Ali existe um lago, podemos ir até lá e beber água fresca”. Ele tinha salvado o dia, água atraí animais e animais são comida. Pelo menos era nisso que eles acreditavam.
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