Os Três
4 As criaturas do lago.
Os nossos infames heróis andaram algo como quinze minutos, subiram uma colina e avistaram um lago um tanto quanto pequeno, cercado por uma mata densa com folhas escuras. O ambiente era perfeito para emboscar animais que procuravam água. Rapidamente Faen pulou sobre Spilth e foi deslizando na outra encosta da colina, queria ser o primeiro a chegar lá. Brihandur foi descendo com muito cuidado, ele, que tinha medo de altura, ficou enjoado com a vista do lago e estava um tanto quanto abalado.
Tudo corria bem, inclusive alguns lobos, que no momento observavam aquele gigantesco pedaço de carne descer a encosta lentamente. Spilth já tinha descido e estava ao lado de Faen, que voltara do lago com algumas frutinhas em mãos gritando “Isso é muito bom!”. Tudo aconteceu muito rápido, antes mesmo que Spilth pudesse pegar uma das frutas que Faen estava entregando. Quatro grades lobos pularam dos arbustos no pé da colina e rodearam o nosso gordo guerreiro.
Este, que já estava mais seguro com relação a altura deu um berro, jogou o bolso no chão e procurou por sua espada na bainha, puxou-a e pegou o escudo das costas. Ele estava lá, preparado pra qualquer investida dos lobos que o rodeavam. Faen estava dividido, atacar ou guardar aquelas deliciosas frutas que tinha encontrado. Spilth? Ele estava aterrorizado. Levantou o cajado com medo e gritou alguns feitiços que não fizeram mais do que brilhar a ponta da raiz de árvore e desaparecer logo.
Isso é algo que vocês podem não saber, mas um mago precisa estar incrivelmente concentrado para conjurar magias, não é algo tão natural quanto balançar uma espada pelos ares. Um dos lobos pulou para frente e tentou agarrar a espada de Brihandur, uma ideia idiota, convenhamos. Se Brihandur não tivesse tão apavorado quanto estava nosso guerreiro não teria mais um braço, mas ele balançou a espada no ar como uma criança brincando. Foi uma boa ideia, ele acertou em cheio o focinho do lobo e arranhou o olho da criatura.
O lobo recuou, com dor, e ficou mais atrás. Faen enfiara todas frutas na boca e pegou suas flechas, ele esticou o arco com toda força que tinha e soltou uma flecha que acertou o traseiro de um dos outros lobos. O lobo tomou um susto digno de horas a fio rindo na taverna e saiu correndo, talvez esse lobo era tão corajoso quanto nossos heróis.
Sobravam dois, o mago puxou seu robe e saído correndo pra acertar umas cajadadas nos lobos, algo tinha que ser feito e conjuração não estava funcionando, por falha dele. Ele pulou ao lado do guerreiro e logo percebeu que não era uma boa ideia. Definitivamente não era uma boa ideia. Ele já não sabia o que fazer e começou a falar mais magias esperando que as luzes do cajado assustassem os outros lobos. Falhou. Falhou de uma maneira colossal, pra ser preciso. Ele atraiu a atenção dos três lobos que ainda estavam ao redor.
Brihandur extasiado por ter acertado o golpe pulou pra cima dos dois lobos que não tinham sido atingidos ainda. Pulou, sim, ele se jogou nos lobos. Aparentemente eles perceberam que ficar por debaixo de algo tão pesado quanto ele era mortal e desviaram.
Faen puxou outra flecha, mirou, soltou e já estava pronto pra cantar vitória quando percebeu que acertou justamente o centro, com força, do escudo de Brihandur. Ah mas nossos heróis não estavam tendo uma tarde fácil e essa seria apenas a primeira de várias flechas que Faen atiraria nos lugares errados.
Fale com o autor