Notas iniciais
Aí está, não demorei muito dessa vez. Espero que gostem.

Jamie me levou até uma gruta escura, iluminada apenas por vagalumes. Ele sentou na beira da pedra, sentei ao seu lado. Olhei em volta, o espaço era lindo demais, os vagalumes faziam um barulhinho leve e distante. Só percebi o braço de Jamie encostado ao meu quando ele o retirou para cruza-los acima do peito, cruzei as pernas e sorri para os pequenos insetos.

- é lindo aqui – sussurrei, sabia que devia fazer silencio.

- muito – sussurrou – eu sempre venho aqui, sozinho.

- Mel não vem com você? – sussurrei

Ele balançou negativamente a cabeça.

- eu sou o único adolescente aqui – falou – ou, pelo menos, era.

Sorri, ele virou o rosto para me olhar.

- você cresceu – falou

- você também – falei.

Ele sorriu, ficamos nos olhando por um tempo até ele desviar o olhar para os vagalumes.

- senti sua falta – falou – nem queria ir á escola.

- eu também não queria – falei – minha mãe disse que isso era bobagem minha, mas eu me sentia um lixo.

Ele me encarou outra vez.

- você não é um lixo – falou

Sorri, ele pareceu ficar mais leve com isso.

- sabe quantas noites eu chorei? – perguntei – quantas vezes eu chamei por você e fiquei no vácuo?

Ele baixou os olhos, deixei muito claro?

- eu sinto muito – repetiu

Dei de ombros e encarei os vagalumes.

- acho que isso não importa mais – falei – éramos crianças, nada disso continua vivo.

- eu estou vivo – falou

Revirei os olhos, vi que Jamie sorria.

- isso é bem claro – falei – mas não foi o que eu quis dizer

Ele virou de lado, ficando cara á cara comigo.

- o que você quis dizer? – perguntou – me ajude á entender.

Suspirei, Jamie esperou.

- eu quis dizer que tudo mudou, eu não sou mais aquela garotinha – falei – nem você, a distancia deve ter ajudado nisso. Mas quem liga?

Ele ficou em silencio, comecei á ficar desconfortável.

- eu ligo – falou

Olhei-o, Jamie sustentou meu olhar por bons vinte segundos.

- como? – falei

Ele baixou o olhar, antes que me desse conta, eu estava em seus braços quentes e macios.

- senti sua falta Bon – falou

- eu também Jay – respondi – muito.

Ele enterrou o rosto em meus cabelos, fechei os olhos, aproveitando aquele contato.

- desculpem! – disse alguém

Alguns vagalumes se apagaram com o susto, a pequena Peg e o surpreso Ian estavam parados bem na entrada da caverna. Separei-me de Jamie rapidamente, ele corou e fitou o chão. Ian pigarreou e sorriu para nós.

- não sabíamos que estavam aqui – falou – não queríamos incomodar

Jamie levantou, fiz-me de inocente ao aceitar sua mão como auxilio ao me levantar.

- já estávamos indo – falou – Bonnie precisa dormir

Ian sorriu, Peg desviou o olhar para os vagalumes quando passamos por eles na entrada da caverna. Jamie ficou calado até chegarmos á uma serie de portas improvisadas, ele empurrou a penúltima do corredor e indicou o interior com a mão.

- entre – falou

Sorri e entrei, tinha uma cama e uma lamparina, alguns livros descansavam debaixo da cama. Jamie entrou em seguida, suas mãos foram rápidas e discretas ao fechar a porta.

- deite-se – falou – pode dormir aqui, é meu quarto.

Olhei-o, tentando não corar.

- e você? – perguntei

- eu me viro com um colchonete – falou

- não, durma na cama – falei – eu fico com o colchonete.

Antes que ele pudesse protestar, eu já tinha me livrado do casaco, ficando apenas com uma camiseta de algodão. Sentei no chão e armei o colchonete, Jamie evitava me olhar. Deitei-me ao mesmo tempo que ele deitava, ficamos em silencio até eu bocejar.

- boa noite Jamie – falei.

- boa noite Bon – respondeu

Virei de lado e permiti que o sono me levasse.

Acordei no meio da noite, ofegando e respirando pesado. Agarrei minha própria garganta, as lagrimas me impediram de respirar. Sentei no colchonete e encostei as costas na parede fria da caverna, a visão do meu irmão fugindo para longe me assombrava á cada piscada. Eu chorava baixinho, como qualquer ser humano normal faria ao se separar do único irmão. Estaria ele vivo? Estaria ele com algum parasita nojento controlando-o?

- Bonnie? – disse alguém em voz baixa.

Era Jamie, ele acordara, mas estava sonolento e confuso. Baixei o rosto para ele não me ver chorando, ele continuou me encarando.

- tudo bem? – perguntou

Assenti, não confiava na minha voz.

- não parece – falou

Dei de ombros e fechei os olhos, não o vi sentando ao meu lado, mas senti seu braço passando pela minha cintura e me puxando para perto. Jamie deitou minha cabeça em seu ombro e encostou sua bochecha na minha testa.

- o que foi, hem? – perguntou baixinho – eu nunca mais te vi chorando.

Eu ia negar, mas Jamie começou á afagar meu braço, tentando me consolar.

- é o Daniel – falei – estou preocupada, muito preocupada.

Ele suspirou, respirei fundo.

- eu sei como se sente, já passei por isso com a Mel – falou

- só queria me sentir melhor – falei – é como se tivessem arrancado fora o meu coração e colado na cabeça do Daniel, ele se afasta, e meu coração não bate mais.

Ele assentiu, limpei uma lagrima fujona que descia em minha bochecha.

- você ama seu irmão – concluiu

- amo, mais que tudo – falei – ele é a única família que me restou, e agora, ele se foi.

Ele continuou afagando meu braço, suspirei.

- não perca a fé – falou – ele pode aparecer, como a Mel.

- eu não perdi a fé, mesmo depois de tudo isso – falei – ele vai voltar, eu sei.

Jamie beijou minha testa, meu coração bateu mais forte.

- vai dormir – falei – eu já estou bem, obrigada.

Ele não se moveu, continuou me abraçando e afagando meu braço até eu estar quase dormindo.

- está bem? – perguntou

- estou – respondi devagar, estava sonolenta.

- quer dormir? – perguntou

- quero – respondi do mesmo jeito sonolento e lento.

Ele me ajeitou no colchonete, deitei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos.

- boa noite – falou

- boa noite – respondi.

Ouvi sua risada baixa me deixar lentamente, eu já caia no sono.

Notas finais
Posto novamente em breve, espero que tenham gostado.