Os Seus, Os Meus (os Deles)E Os Nossos 2
2 Cap. 1 – Minha garotinha
Notas iniciais
Poucos coments no cap passado hm* Não estão gostando? mimi'
Próximo capítulo, veremos um pouquinho de Beth e LeRoy e sua vidinha amorosa *----*
Sam P.O.V
Mercedes estava colocando Ileina e Kai para dormir e eu ainda podia ouvi-los chorando, sem conseguir se conformar com a morte dos pais, tal como eu mesmo. Eu embalava Kaila, quase adormecida em meus braços, quando vi pela porta da varanda um vulto sentado sobre o muro, olhando o mar.
Fiz minha filha adormecer rapidamente e a acomodei no sofá, cobrindo com uma manta e apanhando outra. Apesar de nunca fazer realmente frio no Havaí, em certos dias o vento é realmente forte, então quando me sentei no muro ao lado de Ailika, a primeira coisa que fiz foi jogar a manta em suas costas.
_ Obrigado. – murmurou ela, sem me olhar.
_ É lindo né? – perguntei encarando o mar.
_ É... – concordou ela – Mas eu quero entender porque algo tão lindo levou meus pais de mim.
Eu a olhei enternecido. Sabia que na cabeça de uma criança de sete anos, nada fazia muito sentido, assim como em uma de cinco e até mesmo na de Kai, que só tinha três anos. Eu passei meu braço por seus ombros e ela se apoiou em mim.
_ Sam... – chamou ela após um tempo – O que o dr. Coruja veio fazer aqui hoje?
_ Dr. Coruja? – pensei – Oh sim, Michael, do conselho tutelar. – ri da comparação com o senhor gordinho e de cabelo estranho que realmente lembrava uma coruja – Bom, ele veio falar comigo e Mercedes sobre você e seus irmãos.
_ Eles vão nos separar? – espantou-se ela e eu neguei.
_ Não, claro que não. Jamais deixaria que fizessem isso. – afirmei e ela relaxou – Como vocês não têm parentes, não há quem fique com vocês... Então eu e Mercedes pensamos em, bom, adotá-los.
_ Adotar? – perguntou ela, me encarando – Tipo, virar nossos pais?
_ Bom, é. – admiti corando – Entenda que não é nossa intenção tomar o lugar de seus pais, mas nós queremos cuidar de vocês e ajudá-los, tal como seus pais fizeram conosco quando nós chegamos aqui.
Ela ficou algum tempo me encarando, pensando e analisando o que eu havia dito, antes de sorrir e me abraçar.
_ Você me disse que o seu cunhado, o Puck, tinha dois kãnes não é? – perguntou ela e eu assenti – Então... Eu também vou ter.
Eu sorri, a apertando mais contra mim e beijando sua testa.
_ Eu prometo ser o melhor kãne do mundo. – assegurei a ela.
_ Kãne? Papai? – eu ouvia a voz a distância, mas não conseguia realmente raciocinar. Grávida? A única coisa que eu pensava era naquela menininha minúscula e indefesa no meu colo para conseguir ir mais fundo no mar e agora ela me dizia que estava... Grávida?
_ Tio Sam, o senhor está bem? – perguntou Leo e sua voz me tirou dos devaneios.
_ Seu desgraçado. – rosnei, avançando em direção a ele, que recuou alguns passos. Dois braços espalmaram meu peito e vi Finn e Puck, agradecendo-os mentalmente – Ela tem 15 anos.
_ Foi um acidente. – choramingou Aili e eu bufei.
_ Tenho certeza que você não considerou que isso poderia acontecer enquanto estava abrindo as pernas. – retruquei nervoso – Até parece que não lhe demos educação.
_ Larga ele. – pediu Quinn e logo os dois me soltaram – Vem Sam.
Minha irmã me puxou pelo braço e eu fui, sabendo que se ficasse só traria problemas ou faria algo de que fosse me arrepender.
_ Por favor, não me faça sentir culpado. – pedi a ela, sentando perto do lago.
_ Não farei... – garantiu ela – É compreensível que você esteja assim, apesar de eu saber pelo que ela está passando.
_ É exatamente isso Quinn. – retruquei e ela me olhou inquisitória – Poxa, ela já ouviu tantas vezes tudo que aconteceu, como foi difícil cuidar dos gêmeos enquanto ainda estudávamos e por Deus, hoje todo mundo sabe sobre camisinha e outras coisas assim. Como algo assim acontece?
_ Olha Sam, você tem seis filhos, acho que conhece bem o processo. – brincou ela e eu revirei os olhos – Não adianta pensar nisso agora maninho... A Aili precisa de você, assim como eu precisei do papai.
Eu sabia que ela estava certa.
Mercedes P.O.V
_ Você está decepcionada mamãe? – perguntou Ailika em voz baixa, enquanto eu acariciava seus cabelos.
_ Decepcionada não meu bem. Surpresa, claro, mas eu nunca ficaria decepcionada. Essas coisas acontecem, é parte da vida. Não digo eu não preferisse esperar uns aninhos para ser avó, mas se não tem jeito. – brinquei e ela sorriu de canto.
_ O papai ficou. – sussurrou ela, os olhos se enchendo de água.
_ Seu pai só foi pego de supetão. – afirmei, secando seus olhos – Ele te ama querida. Você, Ileina, Kaila e Kali são as princesinhas dele e de repente, saber que a garotinha dele não é mais dele é um golpe forte.
_ Eu vou ser sempre a garotinha dele. – garantiu ela, sentando e me encarando.
_ Eu sei que vai. – ouvimos alguém na porta e viramos, dando com Sam encostado na porta, as mãos nos bolsos da calça. Ailika o encarou, aparentemente sem saber o que fazer, e ele estendeu a mão – Vamos dar uma volta princesinha.
Ailika P.O.V
Descemos em direção a beira do rio, papai ainda segurando minha mão, mas sem dizer uma palavra. Ele me levou a um ponto especifico e fez sinal para que nos sentássemos.
_ Eu estava aqui, dezenove anos atrás, atirando pedrinhas no lago, quando sua mãe apareceu. – começou ele, encarando as pedrinhas no chão – Ela ficou aqui apenas alguns minutos, atirando pedrinhas comigo, mas foi o bastante para eu me apaixonar por ela... Eu tinha quinze anos, que nem você. Na noite seguinte, sua tia nos contou que estava grávida.
_ Papai eu... – tentei falar, mas ele me impediu.
_ Não vou dizer que os meses seguintes foram um inferno, mas também não foram um mar de rosas. – continuou ele, olhando o lago e depois dando uma risada – Pensando bem, foi aqui que eu disse que amava sua mãe também...
Comecei a encarar aquele lugar de outra maneira, vendo uma versão mais nova de meus pais sentados ali, ambos envergonhadíssimos como mamãe me disse que eles estavam quando começaram a namorar.
_ Eu quero que esse lugar seja um pouco nosso também Aili... – continuou meu pai – Assim como é meu e de sua mãe, quero que seja meu e seu. Eu firmei aqui uma promessa com ela, dezenove anos atrás, e vou firmar uma com você.
Ele se virou para mim e eu vi as lágrimas escorrerem de seus olhos, enquanto ele segurava minha mão.
_ Eu prometo ficar do seu lado em todos os momentos, exames, problemas... Prometo estar lá para ver meu netinho nascer e para te dizer que você está fazendo um ótimo trabalho, apesar de saber que você vai estar muito ocupada xingando o Leo. – eu ri e ele também – Eu prometo que vou ser o melhor avô do mundo.
_ Você já é o melhor pai, não vai ser difícil ser o melhor avô. – sussurrei com a voz embargada e ele me puxou para si, me abraçando como quando eu era pequena – Eu te amo muito kãne.
_ E eu a você princesinha. – retrucou ele com a voz rouca – Você vai ser sempre a minha garotinha.
Notas finais
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