Os Sete Pecados de Elizabeth

1 Capítulo 1 - Ainda uma boa garota.


Notas iniciais
(Aberta a sugestões de nomes para as personagens).

AS LUZES DA CIDADE parecem brilhar mais que o normal. É uma sexta feira por sinal muito quente, e eu estou acompanhada daquele que parece ser o mais belo garoto que já vi, seu nome é Harry Stone, os olhos extraordinariamente verdes me olham fixamente enquanto a única coisa que eu posso fazer no momento é sorrir. Harry sempre foi muito bonito, os mesmos traços que lhe pertenciam quando criança ainda contornam sua face, seu olhar doce, confidente e sincero seus lábios esses sim também continuam os mesmos, de um contorno forte e de um sorriso encantador Harry é com toda a certeza lindo.Ele mais uma vez olhou para mim, desta vez sua expressão doce deu lugar a um lindo sorriso, foi quando ele me disse passando as mãos em meus cabelos castanhos claros:

- O que vai querer comer esta noite?

Eu franzi a testa.

- Ouvi dizer que este restaurante tem o melhor pudim da cidade.

Harry levantou uma sobrancelha.

- Sim, você esta certa. Mas presumo que a sobremesa seja para o fim do jantar.

Balancei a cabeça suavemente.

- Por que temos que deixar o melhor para o fim?

Harry sorriu mais uma vez e como era de praxe um arrepio me subiu as costas. Ele fez um sinal para o garçom que rapidamente se dirigiu a nossa mesa.Ate o momento eu não havia reparado no quão belo era aquele restaurante, rústico, mas ao mesmo tempo muito aconchegante, o chão era todo revestido de madeira e nas paredes quadros na sua maioria retratando paisagens belíssimas, sobre nossa mesa se encontrava uma toalha vermelha e sobre ela um arranjo de tulipas vermelhas dentro de um vaso com motivos geométricos, mas muito charmoso. O garçom se dirigiu a Harry com um sorriso tímido no rosto, era nítido que ele acabara de ser admitido pelo restaurante.

- O que os senhores desejam?

Harry olhou para mim e logo em seguida dirigiu-se ao garçom.

- Dois pudins por gentileza.

O garçom evidentemente ficou surpreso com o nosso pedido.

- E para acompanhar?

Eu interrompi a fala de Harry dizendo ao garçom.

- Uma água tônica para o rapaz e para mim um suco de laranja, por favor.

- Obrigada. Vejo que já sabe muito a meu respeito.

Respondeu Harry com um sussurro muito fraco.

- Mais do que você imagina, mas gostaria de saber mais. – Declarei.

Harry assobiou baixo.

- Evidentemente não fico para trás quando o assunto é Elizabeth Hibett. Cabelos castanhos claros, olhos castanhos escuros, mas no sol ficam esverdeados, sorriso lindo e cheiro de pêssego.Todos acham que a cor favorita é amarela, mas na verdade é azul porque te lembra à água seu elemento favorito, falando em água fez parte do clube de natação por dois anos e meio, mas atualmente esta se dedicando inteiramente aos estudos. Odeia maça e é viciada em doces, mais especificamente bolo de chocolate feito pela sua mãe. Estou certo?

Olhei para ele fixamente, sorri e respondi com um tão sarcástico.

- Não se esqueceu de nada?

Ele riu alto o que aparentemente chamou a atenção de duas jovens que estavam sentadas em uma mesa ao lado da nossa. Ele pareceu ficar sem graça. Me respondeu com o mesmo tom sarcástico:

- Ah, como pude esquecer! Você só usa shampoo de lavanda. E também me esqueci de acrescentar que você adora laços.

Deparei-me com ele olhando para o meu vestido, eu estou usando um vestido preto com um grande laço no busto, no comprimento do joelho, na barra do vestido uma serie bordados singelos.É definitivamente meu vestido favorito. Ele sorriu no canto da boca, ele sempre sorri desse jeito quando sabe que esta certo, isso me irrita profundamente.

- A senhorita tem algo a declarar?

O garçom interrompeu nossa conversa, colando a taça de pudim diante de nós junto com nossas bebidas.

- Obrigada.

Eu disse ao garçom e ele balançou a cabeça positivamente no mesmo instante que se dirigia novamente a cozinha.

- Infelizmente, tenho que admitir que esta correto.Por que afinal resolveu gastar seu tempo me estudando?

Eu respondi a Harry. Que me olhou enquanto se atrapalhou com o pudim que quase caiu em sua camiseta branca, camiseta que mostrava detalhadamente seus largos e musculosos braços. Eu sorri.

- Não, não “gastei” meu tempo. — Ele deu ênfase na palavra “gastei”. ­– Na verdade só o aproveitei, da melhor maneira possível para ser sincero. Eu só precisava saber um pouco mais sobre você, então simplesmente comecei a te observar.

-Hum, eu sempre soube que você tinha uma quedinha por mim. – Retruquei.

- Uma quedinha por você? Ora, você nunca soube ser discreta não é mesmo Elizabeth?

Respondeu ele com tom de humor. Eu corei.

- Mais um ponto para você.Digamos que a discrição é uma das características que eu não possuo. Mas por que afinal você precisava saber mais a meu respeito?

Desta vez foi Harry quem corou.

- Bem, não vejo nada de mais em querer saber mais a respeito de alguém que você ache interessante.

Eu sorri.

- Então você me acha interessante?

Harry parecia envergonhado. Passava a mão nos cabelos encaracolados e extremamente escuros, mordia o canto dos lábios e me encarava com um olhar doce, doce e lindo.

- Sim, eu te acho mais do que interessante Elizabeth.

- Defina esse “mais”. – Retruquei.

Houve uma breve pausa. Eu esperei que ele falasse alguma coisa, enquanto eu bebia meu delicioso suco de laranja.

- Eu te acho linda. Mas não pense que é apenas isso que lhe torna especial Elizabeth, são todos os seus pequenos gestos, o seu sorriso, o jeito como coloca a mão no pescoço quando esta nervosa, ou quando enrola os cabelos quando esta ansiosa ou até mesmo o jeito que você fala, o jeito como você fica linda quando fica corada. Tudo me parece mais que especial em você.

Nós dois já havíamos terminados de comer nosso pudim, Harry já havia tomado sua água tônica há muito tempo e o meu suco já estava no fim. Depois da declaração de Harry eu me silenciei e ele fez o mesmo.Éramos eu e Harry nos encarando. No mesmo instante tive vontade de lhe dar um beijo, descobrir o gosto de seus lábios, e parecia que Harry gostaria de fazer o mesmo. Interrompi nosso silencio e chamei o garçom que mais uma vez veio rapidamente a nossa mesa. Ele nos entregou a conta e Harry pagou sem se quer esperar que eu pegasse minha carteira. Harry se manteve em silencio até chegarmos ao carro. Harry abriu a porta de sua picape para que eu entrasse, eu sorri para ele, mas Harry nem se quer me sorriu de volta. Resolvi quebrar o gelo.

- Harry, esta tudo bem?

Harry hesitou.

- Sim, esta tudo bem.

Harry que ainda não havia ligado o carro. Ele me olhou enquanto começou a se aproximar de mim e a cada centímetro que nos aproximava, mais tremulas e adormecidas ficavam as minhas pernas. Foi quando Harry tocou meus lábios que os meus braços involuntariamente se enrolaram em seu pescoço enquanto suas mãos apertavam meus cabelos. O gosto de seus lábios eram de um sabor que eu jamais havia provado. Meus olhos mesmo fechados me levavam a visualizar, como em um filme, nós dois naquele carro enquanto a lua nos iluminava a partir das janelas que estavam abertas. Não tive muito em que pensar naquele momento, parecia tão natural, parecia que eu e Harry éramos feitos um para o outro, não havia maldade em nosso beijo era algo especial.Harry voltou a sentar no banco do motorista, seguro o volante e logo em seguida foi virando a cabeça em minha direção me olhou enquanto eu permanecia parada, como uma estatua perplexa, e perguntou.

- Você sabe o que acabamos de fazer?

E olhei para ele e disse.

- Sei. – Foi à única coisa que eu pude responder.

Permanecemos em silencio a viagem inteira. O carro parou na frente da minha casa. Branca com janelas de madeira pintadas na cor azul, dois andares, na entrada um jardim de flores silvestres e uma passagem de pedras que davam na escadaria da enorme sacada de madeira, um deck de onde se podia observar um lago que passava por trás da casa.

Harry desceu do carro e abriu a porta para que eu pudesse sair e me acompanhou até a porta de casa. Harry já estava próximo do carro quando eu chamei pelo seu nome e olhou para mim.

- Vou sentir sua falta, mais do que você pode imaginar.

Harry abaixou a cabeça e longo em seguida correu em minha direção. Nós novamente nos beijamos, desta vez porém, senti que essa seria a ultima vez que meus lábios se encontrariam com os dele.Harry entrou em seu carro,e eu, de imediato, senti como se meu coração houvesse ido com ele. Entrei em casa e me deparei com os meus pais sentados no sofá da sala. Minha mãe olhou para mim surpresa.

- Filha, já estava preocupada.

Abracei minha mãe, e no calor de seus braços eu chorei.

- O que houve filha? - Perguntou ela com seu tom doce, mas no momento parecia preocupada.

- Ele me beijou mãe, nós nos beijamos. Eu estou apaixonada por ele. – Fiz uma pausa. – E agora mãe? Não posso deixá-lo.

- Ah filha!

Minha mãe me abraçou com mais força. Em um canto da sala se encontravam algumas caixas empilhadas e duas malas, elas iriam viajar comigo no dia seguinte logo cedo. Já faziam duas semanas que eu havia recebido uma carta de Boston, nela uma proposta: Uma bolsa para estudar em uma das melhores escolas do país. Para uma garota do Arizona, uma proposta irrecusável, é claro que eu não pude recusar. Meu pai observou do sofá, se levantou e foi se aproximando lentamente.

- Elizabeth, você estudou muito para chegar onde chegou. Você só tem dezesseis anos filha, sua vida não terminou só acabou de começar. Se esse garoto, gosta mesmo de você então ele vai te esperar meu amor.

Meu pai sempre teve uma palavra de consolo para me dar, eu me perguntava o que eu faria sem ele, sem meu pai, sem meu herói. Ele ainda acariciava meus cabelos quando me soltei dos braços da minha mãe, enxuguei minhas lagrimas e sorri para eles. Subi as escadas, segui o corredor e fui em direção ao meu quarto. O observei atentamente, o chão revestido de tacos e as paredes em um tom azul bebe que eram ocupadas por murais com dezenas de fotos, encostada na parede se encontrava a minha cama, branca, forrada com uma cocha de retalhos, e logo ao seu lado um criado mudo da mesma cor, em cima dele um despertador e alguns dos meus livros favoritos, do outro lado um guarda roupa acompanhando o restante dos moveis, no fundo do cômodo uma janela com uma persiana branca. Deitei em minha cama e logo adormeci.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.