Notas iniciais
Terceiro capítulo dessa história com um casal que deveria ser mais agraciado com fanfics e fanarts pois são um amor. Espero que com a animação da Amane e mais do passado deles os artistas façam mais artes com os dois ♥ Espero que gostem. Alerta: Esse capítulo contém alguns spoilers do mangá.

Ludus é o amor mais divertido, alegre e ligado ao prazer; por ser definida pela falta de compromisso, não pode durar por si próprio para sempre.

Quando Amane conheceu Kagaya, ela era quase uma adulta, tendo já seus dezessete anos, entretanto, o menininho tinha apenas treze, mas era tão maduro e uma aura gentil para sua idade que foi impossível para a mulher não se afeiçoar á ele ao primeiro encontro. Os dois sabiam a respeito do casamento arranjado entre eles, e que aquele encontro antes da cerimônia era para que eles pudessem não se estranhar no dia do casório, além de, claro, tentar aproximá-los um pouco. A princípio, foi um real estranhamento por parte de Amane ter um noivo mais novo do que ela; mesmo que soubesse das condições da família Ubuyashiki e da maldição que seus descentes carregavam, sendo essa ligada diretamente ao senhor dos demônios. O pai do rapaz havia falecido a não muito tempo, entretanto, sua mãe estava viva e fora quem havia planejado o casamento entre eles, visto que as duas famílias tinham fortes ligações desde tempos antigos.

Apesar de serem noivos, ainda iria levar um tempo para se casarem, um ano para ser exato – quando Amane estivesse com dezoito e Kagaya com quatorze, então eles ainda teriam muito tempo para se conhecerem e se tornarem próximos, eles iriam ser marido e mulher e teriam de arcar com muitas responsabilidades, então era necessário que soubessem como se apoiar um no outro e amar ao outro de forma sincera. No entanto, ali, de pé um frente ao outro, eles eram apenas duas jovens pessoas estranhas. Kagaya foi o primeiro a quebrar o silêncio, convidando a moça a darem uma volta pela residência dos Ubuyashiki e depois comerem melancias enquanto observavam os patinhos no pequeno lago nos fundos; Amane concordou. Ao primeiro momento, a mulher estranhou o comportamento do menino; o pedido proposto por ele não parecia algo que um garoto de treze anos diria, no entanto, ela não desgostou e achou intrigante e interessante o seu jeito não muito convencional, Amane por si só gostava de coisas diferentes do comum.

Kagaya ia contando histórias para sua bela convidada e vez ou outra fazendo elogios a sua pessoa de forma nada invasiva ou que pudesse deixa-la desconfortável, o que só fazia Amane sorrir contida pela preocupação do menino em ser o mais cavalheiro possível; haviam homens mais velhos do que si que raramente tinham tal preocupação. Seu sorriso, apesar de não ser realmente necessário, não era forçado, o jovem garoto parecia realmente contente em ter Amane como sua companhia e desejava que ela se sentisse bem em sua presença. Ao chegarem no jardim dos fundos, sentaram-se sob o piso de madeira do corredor de fora e em poucos momentos uma empregada veio deixar uma bandeja com melancias cortadas; Kagaya ofereceu as frutas a moça que pegou um dos pedaços e comeu.

Por longos minutos, os dois ficaram sentados um ao lado do outro em um silêncio amigável observando o lago com patinhos nadando por ele. Amane, ao que sentia-se satisfeita, se levantou e foi para perto da água, ficando agachada em frente aos filhotes e achando eles seres adoráveis. Antes que pudesse perceber, Kagaya estava ao seu lado com um pedaço de pão; naquela proximidade, eles podiam notar com mais clareza a cor dos olhos de cada um; Kagaya possuía olhos cor de magenta, enquanto Amane tinha íris púrpuras, e era impossível para o menino não se encantar com a beleza da moça a sua frente. Colocou parte da franja de fios alvos atrás da orelha da jovem que ficou meio tímida, mas agradeceu e passou a dar migalhas de pão aos filhotes de pato. Aquele ato foi a faísca que acenderia o pavio do amor entre os dois.

Depois desse primeiro encontro, Kagaya e Amane continuaram se vendo por semanas na residência do rapaz; ele vivia pedindo perdão por sua grosseria de fazer uma dama como sua noiva se dirigir até sua casa e ele mesmo não ir fazer nenhuma visita na moradia da mulher, no entanto, Amane sabia que ele não deveria sair da mansão protegida tanto por glicínias quanto por espadachins para que nenhum oni ousasse invadir a casa, e por causa da maldição que assola o corpo do menino – mesmo que ainda não tivesse dado início de manifestação, não seria bom para sua saúde se esforçar tanto. Porém, Amane não se importava realmente em ir de sua casa para a de seu jovem noivo, dava a ela tempo para pensar no que poderia discutir nas horas que fossem ficar juntos e como ela estava se encantando mais por Kagaya a cada dia que se passava; ele realmente havia conquistado seu coração.

Tanto Amane quanto Kagaya ainda eram jovens e, mesmo com o peso de suas responsabilidades pesando nos ombros, quando estavam juntos, eles praticamente nem se lembravam das barbaridades que assolavam o mundo; eram apenas eles, dois jovens apaixonados que gostavam de passar um tempo juntos se divertindo e não desejando que nada mudasse. Mas a realidade era outra e sabiam disso, não poderiam permanecer como crianças ignorantes ao mundo para sempre. E quando o dia do casamento entre eles chegou, ambos puderam sentir o peso de guiarem uma geração de caçadores em vitória contra os demônios.

Mas ali, em seu quarto, se observando frente ao espelho, Amane estava mais preocupada com sua aparência. Ela estava com as vestes cerimoniais para o casamento; seu cabelo estava feito, a roupa bem passada e a maquiagem estava impecável, mas ela teimava em achar algum defeito em sua aparência e tentar ajeitar por conta própria, mas parava no meio do caminho com medo de acabar estragando o trabalho das empregadas que a produziram. Soltou um suspiro até escutar uma batida na porta, quando permitiu a entrada de seja quem for, seu noivo – também pronto para o casório – entrou pela porta de correr de madeira e papel. Os dois se olharam por um momento e ficaram com as bochechas levemente vermelhas.

— Amane-dono....está belíssima. – Kagaya disse com certa vergonha, mas admiração em ver sua noiva – e futura esposa – naqueles trajes brancos.

— Oh, bem, muito obrigada. – Ela desviou o olhar constrangida. – Kagaya-sama também está muito elegante...mas eu me sinto estranha nessas roupas. – Voltou seu olhar para o espelho. – Tem certeza de que não tem nada estranho comigo? Me sinto engraçada vestida assim.

Enquanto ficava brigando com seu próprio reflexo, o jovem líder se pôs atrás da mulher e colocou as mãos em seus ombros, seus olhos se encarando pelo espelho.

— Você está deslumbrante minha querida noiva. Ubuyashiki Amane é a mulher mais bonita de todo o Japão, e mesmo que um dia eu fique incapacitado de ver, terei sempre em mente o rosto da mulher que se tornou minha mulher. Não se esqueças disso, certo, esposa? – Suas palavras soaram de forma tão calma e gentil que qualquer insegurança no coração da mulher se foi. Tudo o que restou em seu rosto era um sorriso doce e apaixonado.

— Certo, perdoe-me, meu querido marido. Bom, está quase na hora, pronto para nosso casamento? – Ela se virou e se levantou, vendo como ainda era mais alta que o rapaz – algo que sabia que iria mudar em poucos anos.

— Estou tão nervoso quanto você, haha. – Kagaya riu sem graça. – Mas estou ansioso por isso.

Eles sorriram largamente para seu cônjuge e deram as mãos, saindo do cômodo e andando juntos para o lado de fora, onde por fim iriam dar adeus a um romance sem preocupações para dar início a um caso de amor profundo e duradouro. Até que a morte os separasse, ou, quem sabe, se reencontrassem e continuassem sua história de amor no pós-vida.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo e desculpa qualquer erro. O próximo capítulo será retratado o amor de Hakuji (Akaza) e Koyuki. Ou seja, spoilers. Até amanhã :)