Os Sete Amores
7 Ágape
Notas iniciais
Ágape é o amor incondicional, considerado divino e incondicional; esse amor é o maior de todos ao sentir uma forte conexão com a natureza, a humanidade e o universo.
Para Yushiro, Tamayo-sama era como uma divindade para si; um ser iluminado, grandioso, perfeito. A mulher havia salvado sua vida quando estava à beira da morte e lhe deu a oportunidade de viver mais um pouco mesmo que como demônio, mas isso não o incomodava nem um pouco; a oportunidade de ficar ao lado de Tamayo-sama era o suficiente para si. Ela era tão centrada, gentil e delicada, um doce de pessoa; sem falar de sua beleza que parecia crescer a cada dia que se passava. Yushiro nunca sentiu seu peito se aquecer apenas em estar na presença de uma pessoa, mas isso sempre acontecia quando via o rosto da oni, que lhe sorria gentil e lhe pedia ajuda para algo. O rapaz começou a escrever um diário, relatando tudo o que Tamayo-sama fazia em seus dias, detalhando ao máximo os acontecimentos, sempre prestando atenção na mulher, a forma como se movia, falava, pensava...ela era uma perfeita representação de uma deusa, não tinha como ser outra coisa.
E Yushiro era devoto a essa divindade chamada Tamayo. A forma como ela se sentava em sua mesa e fazia suas pesquisas sobre o sangue de outros demônios e sua feição de foco era encantadora, fazia Yushiro querer registrar aquele momento com uma câmera fotográfica, ou quando ela estava nos jardins acariciando os pelos de Chachamaru enquanto observava os vaga-lumes era de fazer seu coração disparar e suas bochechas ficarem vermelhas em ter o vislumbre de tanta beleza que o agraciava. Toda noite, ele e Tamayo-sama andavam pelas ruas das cidades em que haviam se realocado em busca de humanos para ajudarem e para que a mulher pegasse sangue para si e um pouco para Yushiro, e quando retornavam para a residência escondida, ela dizia o quão fascinante o rapaz era por conseguir se manter com apenas um pouco de sangue, e tais elogios mexiam com o espírito do jovem demônio, que agradecia com vergonha e sorria como raramente fazia em frente a outras pessoas; seus sorriso eram unicamente dirigidos a Tamayo.
Certa vez conheceram uma menininha que fez uma pergunta á Yushiro que, na hora, ele gelou e não soube responder; “você ama da Tamayo-san?”— Foi a pergunta da garotinha. Yushiro passou longos minutos pensando nisso com as pálidas bochechas pintadas em carmesim, o que fez a mulher perguntar se ele estava bem, o que deixou o rapaz constrangido e respondeu que sim, e ao ir apressado para seu quarto, fechou a porta e respirou fundo. Amar a senhorita Tamayo? Ele nutria esse tipo de sentimento por ela? Yushiro gostava muito da mulher, ela salvou sua vida e era muito boa para si, lhe deu um lugar para viver, um propósito para usar suas habilidades e a possibilidade de conhecer coisas e vivenciar experiências que nunca teria se não fosse ela, então era óbvio que nutria fortes sentimentos por ela, mas amor? Que tipo de amor ele sentia por Tamayo? Existiam outras formas de amor? De paixão? Ele nunca foi ensinado sobre essas coisas de sentimentos, mas sabia que sempre que olhava para os olhos violetas de Tamayo, ele sentia que ela era alguém na qual morreria por; ela era importante demais para si e isso nunca mudaria, não importava quantos anos se passassem.
Tamayo o ensinou muitas coisas que, caso tivesse sobrevivido a sua doença e permanece humano, nunca teria tido a chance de aprender. Coisas relacionadas a história do mundo, religião, a humanidade, ciências e o próprio universo, mostrando que Tamayo era um poço de conhecimentos variados e esforçada em sempre aprender coisas novas para ajudar as pessoas, ao mesmo tempo que buscava uma forma de destruir as células de Muzan e transformar onis de volta em humanos. Yushiro estava nessa busca junto a mulher e nada faria ele se desviar desse caminho. O rapaz amava a mulher não de forma romântica, nem fraternal ou como ama a gata que cuida ou como amigos se amam; não, Yushiro a amava da mesma forma que pessoas religiosas amam o Deus a que são devotos. Ele nunca havia pensado muito nisso em seus anos de existência, mas depois da pergunta da garotinha, pode colocar seus sentimentos em ordem.
— Yushiro-san, viu Chachamaru por aí? Está na hora de comer mas ela não apareceu ainda. – Tamayo bateu na porta aberta do quarto do rapaz, que lia um livro de anatomia. Os olhos violáceos miraram a mulher que tinha uma feição preocupada por não encontrar sua gata. Yushiro riu baixinho.
— Ela está aqui Tamayo-sama. – Ele se levantou com a gata deitada confortavelmente em seus braços – anteriormente em seu colo. A colocou no chão, vendo a felina se espreguiçar e miar em direção a mulher.
— Ainda bem, temia que ela tivesse saído novamente. Oh, estudando anatomia? – Tamayo se aproximou do garoto que afirmou com a cabeça. – É tão estudioso Yushiro, isso me deixa contente. – Ela sorriu e acariciou os cabelos do rapaz, que corou violentamente e se afastou com vergonha.
— O-obrigado Tamayo-sama. E-está quase na nossa hora né? Vou pegar nossas coisas. – Yushiro passou pela mulher apressado, sendo que ela riu divertida e o acompanhou.
Tamayo era um ser considerado por muitos como terrível, um monstro apenas por ser uma oni, algo que ela nunca gostou de ser. Yushiro sabia que a mulher se assemelhava mais á uma divindade de tão gentil, generosa e dedicada á ajudar os outros que era. Tamayo não era realmente uma deusa, mas Yushiro a via com esses olhos e nunca iria mudar sua ideia, a amava como ela era e para sempre seria assim.
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