Os Segredos dos Seus Braços
3 Uma salada de morangos e uma eterna dor de cabeça
Notas iniciais
Capítulo 03 – Uma salada de morangos e uma eterna dor de cabeça
Biloxi, Mississipi
Sala de estar constrangedora
Alice ficou estática.
Isso resumia seu estado.
Parecia muito castigo, muita má sorte na vida de uma única pessoa. Talvez até estivesse pagando seu calvário antes mesmo de morrer!
O dia em que quase fora morta por aquele forasteiro sulista dos cabelos desajeitados e seu enorme cavalo, voltaram a sua mente, assombrando-a. Ele parecia estar vendo a mesma coisa em sua cabeça, pois ele mal respirava enquanto seus olhos estavam fixos nela.
_ Acho que eles se adoraram – alguém sussurrou bem longe, porem Alice nem quis retrucar. Estava a ponto de espetar algo nela mesma só para ver se não estava tendo outro pesadelo.
_ Não acredito...
__... nisso! – Jasper sussurrou pesaroso. “Por todos os santos do céu!”, ele gemeu em pensamento. De todas as belas moças que tinha naquela cidade, seu pai tinha mesmo que escolher aquela?
Diga, tinha mesmo?
Ele abriu a boca para pedir para seu pai esquecer aquela loucura e irem embora tomar um vinho em casa, pois, a julgar pela mandíbula trincada da moça e seu olhar mortal para ele, ela não ofereceria objeção.
Eles inconscientemente travaram uma batalha silenciosa pelo olhar. Talvez tentando descobrir quem estava mais chocado com aquela situação e o mais irritado.
Alguém pigarreou.
— Filho? – Felix, o pai de Jasper, chamou sua atenção, divertido. Jasper enfim parou de encarar a garota do outro lado da sala para olhar seu pai – Ela é linda, não?
Como se finalmente fosse conferir o que seu pai dissera, Jasper voltou a olhar para ela. Ela era mais baixa do que a ultima mulher por quem se engraçara, mas seu rosto parecia compensar. Seus belos cachos compridos e negros caiam sobre seus ombros, evidenciando sua delicada pele demasiada branca. Era estupidez negar, a moça era realmente linda.
Porem, mais irritante do que Ramos com forquilhas nos cascos.
_Sim papai, é muito bela – ele limpou a garganta, dando alguns passos à frente, tentando ser o mais educado que poderia.
_ Mary, certo? – Felix perguntou.
_ Alice.
_ Mary-Alice – Esme intrometeu-se prontamente, sorrindo de maneira receptiva para os convidados, disposta a não deixar que Alice os espantasse.
Os pais da garota pareciam realmente motivados para que aquele casamento fosse acertado e acontecesse tudo nos conformes.
_ Oh, mas é um prazer muito grande conhecer os Sr’s Witlock – Esme disse, apontando para as costas do homem – Acomodem-se, por favor.
Todos se sentaram como se estivessem incrivelmente confortáveis com aquela situação. Alice se sentou contrariada, com as mãos em punhos sobre o colo a todo momento.
Jasper tentou segurar o riso.
Tudo bem que não gostara muito da idéia de ter que se casar e nem que, ao menos, não pudera escolher a noiva, porem a moça, bufando do jeito que estava, claramente estava desejando morrer.
_ E como anda os negócios, Sr. Withlock? – o pai de Alice iniciou a conversa. “Tinha mesmo que começar com aquele assunto?”, Alice pensou. Quer dizer, seu pai sempre perguntava isso.
_ Sem formalidades exageradas, caro amigo – o barbudo homem riu à gargalhadas. Parecia adorar fazer aquilo. Os pais de Alice acompanharam, como se fosse seu dever – Pode me chamar apenas de Felix. E, quanto aos negócios, vão me enriquecendo, ah se vão! Vende-se muito café, amigo.
_ Oh, que ótima noticia! – o pai de Alice estendeu as mãos para o céu, animado – E Jasper lhe ajuda nos negócios?
Jasper sorriu educadamente para o homem, parecendo querer falar de outras coisas mais interessantes do que negócios.
_ Faço o que está a minha altura, Sr.
_ Ah, pare de modéstias, filho – Felix deu um fraco tapinha nas costas do filho – Esse homem logo tomará conta de tudo o que é meu! Está aprendendo bem a arte de negociar.
_ Achei que os homens já deveriam nascer com essa arte – a voz de Alice entrou na conversa tão naturalmente que era como se já tivesse falando há muito tempo. Todos pararam de falar para olhá-la – Bom, é isso que papai sempre diz – ela sorriu, levando sua xícara de chá à boca.
Os olhos de sua mãe quase saltaram das órbitas e a expressão de Jasper ficara dura. Ele a olhou tão duramente que Alice quase riu.
Por incontáveis segundos, a sala mergulhou no silencio. Apenas o barulho de Alice degustando seu chá era ouvido. Porem, Felix dera outra gargalhada, pegando todos de surpresa
_ Eu a adorei! Ela é realmente encantadora!
O clima pareceu seguir a descontração do barulhento homem, pois os pais de Alice sorriram junto.
_ Adorável! – Jasper murmurou rispidamente, tentando não ofender nenhum dos presentes ali com alguma das palavras que pairavam em sua cabeça.
_ Temos torta de amoras, quem gostaria?
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_ E então a tal da Meningite aguda a atingiu. Trágico.
_ Achei que esse mal estivesse desaparecido – o pai de Alice comentou, engolindo uma costela quase inteira.
_ Ah, mas vez ou outra aparece um novo adoecido – Felix deu de ombros – E esse foi o caso dela. Não tinha muitos recursos, sabe? E então a doença fora mais forte.
Felix e Jasper trocaram um olhar rápido, como se dessem forças um para o outro com aquele ato.
_ A Sra Witlock deveria ser encantadora – Esme disse sentida. Esses assuntos mexiam com ela, realmente mexiam – Eu sinto muitíssimo!
_ Ah, ela era. Mas não se abata sobre isso, Sra. Cullen – Felix começou a degustar outra asa de frango – Faz um longo tempo, já.
Maria e Charlotte entraram com outras diversidades de arroz com adornos. Entravam em silencio, saiam em silencio. E a conversa fluía.
_ Jasper serviu o exercito por um tempo – Félix respondeu a uma pergunta feita pelo pai de Alice.
Alice se pegou fixada na conversa, de repente, querendo saber se entendera bem.
_ Fala com seriedade? Oh Céus!
_ Pois ele já quase alcançava o posto de Major, quando teve que voltar! – Felix enchia o peito para citar as qualidades e feitos do filho – Não sei o que há com esse rapaz, mas todas as pessoas caem aos seus pés! O Capitão do Exercito, cujo nome não me lembro...
_ Capitão Newton, meu pai – Jasper interrompeu seu pai calmamente – Carlisle Newton...
Algo caiu no chão.
Todos olharam para a direção da Sra. Cullen quando seu talher caíra.
_ Algo errado, mamãe? – Alice indagou, finalmente abrindo a boca para dizer algo.
Esme abriu a boca e a fechou novamente. Passou as mãos pelos cabelos, dando um curto sorriso.
_ Peço desculpas. Acho que é a emoção pela noite.
_ Ah, certamente que é uma noite de tamanha importância! – Felix levantara sua taça para demonstrar sua felicidade. Logos as atenções saíram dela e voltaram às conversas altas e efusivas.
Porem, Alice encarou sua mãe, enquanto esta tentava não a olhar.
_ ...os noivos pouco falaram, nesta noite – Alice, então, olhou para seu pai, Felix e um Jasper com a expressão indiferente no rosto – Nem parece meu filho, este. Deveriam ver como ele fala muito. Fala muito e bonito!
Todos riram, até mesmo Jasper.
_ Não exagere, meu pai.
_ Pois vocês não imaginam Alice! – o pai de Alice apontou o garfo em sua direção, fazendo-a afundar um pouco na enorme cadeira – Gosta realmente de falar, essa menina.
_ Certamente eu imagino – Jasper dissera baixo antes de sorrir para a moça.
Que, claro, o olhou torto.
Mas então ela sentiu o pé de sua mãe lhe ameaçar chutar as canelas por debaixo da mesa. Certo, era para ela tentar conversar com aquele rapaz.
Algo muito difícil de se tentar.
Porem, Alice virou-se para ele, um sorriso fingidamente doce para seu noivo.
_ Por que fora expulso do Exército, querido?
Todos na mesa ficaram em silencio, apenas para apreciar a conversa.
Jasper semicerrou os olhos astutos para ela. Iria participar daquele ritual ridículo junto com ela, mesmo que não gostasse das coisas que saiam de sua boca.
_ Não fui expulso – ele esclareceu um pouco ríspido, pois não gostava que tocassem no assunto do Exercito – Tive que pedir retirada voluntaria, minha querida.
_ Oh, eu sinto tanto – ela disse tão teatralmente que apenas Felix não percebeu sua ironia.
_ Acredito que sinta, pois é uma donzela tão sensível, não? – ele usou do mesmo tom com ela, começando a gostar daquela batalha – Tão sensível quanto um vestido de renda.
Alice perdeu sua tão treinada expressão e deixou a raiva fluir por seus olhos. Assim como ela, Jasper pegara em cima da ferida.
_ Ah, mais que elogio tão encantador! – Esme interferiu, conhecendo sua filha bem o suficiente para saber que Jasper corria perigo – Deus, você é muito amável, tenho certeza que fará minha filha muito feliz!
Alice olhou chocada para sua mãe, enquanto risos ecoavam na mesa. Esme, definitivamente, contava com isso.
_ Oh, filho, você tem toda a razão! – Félix Witlock exclamou, batendo as mãos com força na mesa, rindo – Mas creio que essa não seja uma característica somente da encantadora Srta. Cullen, e sim de todas as mulheres, não?
Todos na mesa assentiram, rindo. Parecia que as coisas ficariam mais amenas, agora.
Ou não.
_ Sim, certamente meu pai – concordou Jasper – Mas creio eu que essa seja a função de vocês, não? – ele sorriu cordialmente para a Sra. Cullen, já que ela estava bem à sua frente. Ele era bom em elogiar mulheres – Serem delicadas e sensíveis, nem mesmo necessitam serem mais.
Mas nessa categoria, ela fazia questão de excluir Alice Cullen.
_ Deus, vocês fazem parecer que as mulheres são bonecas intocáveis e frágeis! – Alice resmungou alto, descordando veementemente daquela opinião.
_ E a Srta. discorda? – Jasper se dirigiu à ela inquisitoriamente. Era óbvio que Alice não concordaria com aquilo, pois era completamente o oposto à ela – Discorda que as mulheres são muito mais frágeis e sensíveis?
_ Certamente que sim – ela disse convicta, inconscientemente se inclinando em sua direção, assim como ele já fazia – Pois os homens são tão frágeis e sensíveis quanto, se não dirá mais.
Jasper a olhou perplexo, enquanto seu pai ria, junto com o Sr. Cullen.
_ Ah, pois é mesmo? – ele deu um seco sorriso de deboche – Experimente entrar para o Exército e guerrear – ele arqueou as sobrancelhas para ela.
_ Pois experimente engravidar e dar à luz – ela rebateu.
Jasper até abriu a boca para dizer algo, porém viu que seria estupidez e se calou novamente, enquanto seu pai ria à gargalhadas ao seu lado, caçoando certamente de sua cara.
Jasper a encarou duramente, enquanto ela não deixou de furá-lo com os olhos castanhos vivos.
E, ao lado, Esme viu que a noite seria longa demais.
Depois de alguns minutos, Sr. Félix se controlou bebendo muito vinho, e assim fluía o jantar. Jasper preferiu ficar quieto, admitindo que ela poderia, possivelmente, ter razão.
Estava um tanto sem jeito diante de sua presunção.
Porém, o Sr. seu pai parecia muito receptivo quanto àquela moça.
_ Bom, conte nos mais sobre você, Srta. Cullen? – Felix dirigiu-se para ela, sorrindo. Alice não conseguiu evitar ficar sem jeito diante de todos os olhares que pararam sobre si – O que faz diariamente?
Esme ficou tão apreensiva paralelamente àquela conversa que suas mãos suavam em bicas.
Alice armou sua expressão hostil, disposta a matar de vez a calma de sua mãe.
_ Bem, eu acordo e me banho – ela começou, enquanto vários olhares foram trocados – E então eu tomo o meu café e ajudo em alguns afazeres. Arrumo minha cama e separo meus vestidos para serem lavados. Também jogo água nas flores do jardim e alimento os gatos. Gostaria que eu continuasse? Por que o restante de meu dia não se passa muito diferente.
Jasper pigarreou para disfarçar uma risada enquanto os pais dela ficavam brancos.
_ Hãn... – Felix balbuciou, procurando em que parte da conversa ele perdera o rumo. Ele não conseguia acompanhar o ritmo de Alice.
_ Desculpem minha filha – Esme disse em um quase choro, desculpando-se, antes de dar um olhar repreensor para a moça – Ela ajuda, Sr. Witlock, nos afazeres que estão á sua altura, como na cozinha, pois creio que uma moça em seu nível não deva fazer o serviço exaustivo que minhas serviçais fazem – ela esclareceu. Félix sorriu, dando um aceno leve com a cabeça.
Jasper, por outro lado, não esboçou reação alguma perante aquele fato.
Ele apenas continuou comendo o acompanhamento do jantar, uma salada de morangos, pacientemente, como se pouco ligasse para o que ela fazia ou deixasse de fazer; para ele, continuaria sendo mais uma metida e fresca moça daquela cidade.
Pois, se ele parasse para pensar naquelas coisas, a deliciosa salada de morangos perderia o incrível sabor que tinha.
_ Ah, foi ela mesma quem colheu e preparou essa salada de morangos para o jantar, Jasper – Esme continuou, como se tivesse necessidade de fazer aquilo.
_ Sim, fui eu mesma – disse Alice, então um sorriso perigoso brincou em seus lábios no momento em que se virou para Jasper, que comia de boa vontade – Apenas sinto-me na necessidade de dizer que os lavei com a água do vasilhame dos gatos sem querer – disse inocentemente.
Jasper sentiu o bolo em sua garganta endurecer e o ar lhe faltar no mesmo segundo. Começou a tossir bruscamente, tentando não perder o pulmão, ficando vermelho vivo.
_ Oh Deus! – Esme e o Sr. Cullen se levantaram, assombrados – Você está bem?
_ Claramente que ele não está bem, não é Esme, ele está engasgado! – vociferou o Sr. Cullen, apontando desesperado para um Jasper vermelho, cobrindo a boca, tentando para de tossir.
_ Calma, filho, calma – Félix deu algumas batidas nas costas de Jasper, tentando ajudar o filho a não morrer.
_ Alice, vá pegar um copo de água! – Esme ordenou quando ouviu as risadas de Alice atrás de suas costas.
_ Não! – Jasper a intercalou no mesmo segundo com uma dificuldade na voz sempre grave; os olhos levemente arregalados – Ela não!
_Oras, Major, não tem com que se preocupar, pegarei a da torneira, mesmo – ela garantiu. Porem, pelo olhar que ele lhe lançou, ficara claro que ele não acreditava naquilo – Sim, de verdade – ela sorriu para ele – Até por que utilizei toda a água dos gatos nos morangos – ela disse antes de se virar.
Quando Alice voltara com a água e Jasper bebera, as coisas pareceram se acalmar, pois ele desengasgara e parara de tossir.
E seu pulmão continuava em seu devido lugar.
_ Oh, Jasper, eu sinto muitíssimo – mesmo na sobremesa, Esme ainda pedia desculpas — Você tem certeza de que está bem? Humm?
_ Sim Sra. Cullen – ele disse em tom calmo, pois sua hostilidade era apenas de Alice – Não tem por que se preocupar.
Esme assentiu, tentando não chorar pelo certo cancelamento do casamento.
E quando a mesa ficava em silencio outra vez, ela não se segurava.
_ Você tem certeza mesmo? Posso pegar uma torta de amora para você?
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Depois de três horas longas e torturantes, era chegada a hora de terem os acertos finais para que cada um pudesse continuar com suas vidas tristes ou inertes.
Reunidos na sala de estar, rodeados de velas e de bules e xícara de chás, Sr. Witlock e Sr. Cullen, com muitos palpites da Sra. Cullen, determinavam o dia, os convidados, o tamanho da festa e, certamente, cuidavam do patrimônio do jovem casal para depois que já estivessem devidamente casados.
Importante era os dois nem abrirem a boca para palpitar.
Alice estava amuada em um canto, a ponto de mandar todos daquela sala comer capim. Sabia que, a noite, sozinha em seu precioso quarto, sua raiva se converteria em lágrimas.
Nada do que fizera naquela noite a havia feito se sentir melhor.
_ Creio que ambos estamos satisfeitos com esse matrimonio, não? – Felix Witlock indagou antes de dar uma tragada em seu charuto irlandês, enchendo a sala de uma fumaça grotesca.
_ Oh, certamente que estamos! – Esme fora a primeira a se pronunciar, não deixando nenhuma grama de sua empolgação e satisfação resguardada – Não poderia desejar melhor partido para a minha Mary!
_ Alice.
_ Mary-Alice – a Sra. Cullen ignorou a filha outra vez, mantendo sua pose perante os convidados.
_ Bom, tenho certeza que Jasper aprovara essa jovem assim como eu – ele se inclinara na direção de Alice, a barba deveras grande encobrindo seu sorriso – Será uma honra tê-la em minha família, Srta. Cullen.
Alice olhou fugazmente para o filho do homem, logo atrás dele. Sua expressão camufladamente irritada dizia que ele não achava tanta honra assim.
_ Alice? – Esme depositou a mão sobre o ombro da filha, chamando sua atenção.
Alice voltou-se para Felix, porem não disse nada, muito menos escondeu sua insatisfação. Deu um aceno discreto, o que pareceu deixar a situação meio incômoda.
_ Hãn... – Sr. Witlock pigarreou, colocando seu chapéu a muito depositado na mesa de centro, em sua cabeça – Deixaremos, então, Sra. Cullen, os preparativos em suas capazes mãos.
_ Ah, mas certamente que podem deixar! Começarei a cuidar de tudo amanhã mesmo!
_ Bom, nos vemos em breve! – Felix se levantou e, como se imitassem ele, todos se levantaram também – Tenham uma ótima noite.
_ Boa noite, Sr. e Sra. Cullen – Jasper acenou discretamente com a cabeça, também colocando seu chapéu, seguindo seu pai até a entrada.
_ Oras, filho – Felix virou-se para trás antes que eles saíssem pela porta – Não se despedirá de sua noiva?
Jasper e Alice ficaram estáticos. Uma mão em um chapéu, uma boca levemente entreaberta, o desgosto ardendo em seus estômagos.
_ Não acho que seja preciso – os dois indagaram juntos.
_ Oras, mas é claro que é! – Felix insistiu, lançando um olhar significativo para o filho. Não que fosse uma ordem, pois Jasper já não era mais criado dessa maneira, mas como se ele cobrasse os modos ensinados para ele.
Sem saída, Jasper praguejou internamente e se virou. Deus, aquela realmente parecia ser a parte mais desagradável daquela noite.
Ele se aproximou dela, vendo-a completamente sem ação. Fuzilando-a com o olhar, ele pegou sua mão com pouca vontade, pois ela claramente não desejava aquilo, também.
Pequena com relação à sua, ele notou fugazmente.
E como se estivesse tomando um rum vencido, ele praticamente apenas roçou os lábios em sua mão pequena e incrivelmente delicada.
Apenas outro detalhe que ele não gostou muito de ter reparado.
_ Boa noite, Srta. – ele disse para ela. Era meio humilhante ter que ser gentil e educado com uma moça que o ofendera durante toda uma degustação de costelas e tortas de amora.
_ Boa noite – ela devolveu mecanicamente o cumprimento dele. Puxou sua mão no mesmo segundo, para que ele não notasse o tremor que ela se tornou.
Então, os dois cruzaram a porta, o jardim e finalmente o portão, pondo fim à terrível noite de Mary Alice Brandon Cullen.
_ Que avaliação faz sobre essa noite, querida? – o pai de Alice indagou, um tom de satisfação na voz, dirigindo-se a Esme – Creio que me satisfiz em saber da importância que tem esse homem!
Esme não conseguia conter o sorriso largo em seu rosto. Ela suspirou, depositando a mão sobre o peito.
_ E eu que esse rapaz é perfeito para nossa filha! – ela olhou para uma Alice carrancuda. Porem, isso não diminuiu a alegria dela.
_ E quanto a você, minha filha?
Alice soltou as presilhas do cabelo, começando a subir as escadas em direção aos seus aposentos.
_ Que infelizmente eu sobrevivi à ela.
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Biloxi, Mississipi
1901
“Amanhã”, Alice pensou com desespero. Cobriu a face com sua manta, sem muito ânimo para levantar e se atirar janela a baixo.
_ Alice? – uma voz baixa chamou do outro lado da porta.
_ Hmmm – Alice gemeu sob o travesseiro.
A porta se abriu e segundos depois duas marmotas pularam em cima dela.
_ Oh Deus! – ela tentou gritar, porem fora amassada contra o colchão.
_ Quantas saudades, minha irmã!
Alice reconheceu a voz de Isabella, sua irmã mais velha. Seu peito encheu-se de uma saudade cortante, imaginando que a segunda pessoa remexendo-se em cima dela, fosse Rose.
_ Bella! – ela exclamou quando as duas sentaram-se na cama e a deixaram respirar – Rose! – enlaçou os dois pescoços na mesma hora com os braços finos. Estava tão feliz em ver suas irmãs que até mesmo a infelicidade de saber que estaria casada na noite seguinte perdera espaço em seus pensamentos.
Quando ela as soltou, acariciou o rosto de cada uma com carinho. Parecia que não as via por séculos.
E elas pareciam mais belas do que eram de costume.
_ Céus, quantas saudades! – Bella sorriu largamente, olhando para as duas irmãs à sua frente.
_ O que andaram fazendo? – Alice indagou, a testa franzida devida a repentina curiosidade – Suas peles estão ótimas! Tão macias quanto a porcelana do bule da mamãe!
Bella e Rose se entreolharam fugazmente, antes de trocarem um sorrisinho cúmplice.
_ Logo você saberá, minha irma – Rose lhe garantiu, vendo a expressão de Alice tornar-se demasiadamente perplexa.
_ Ah, não! Parem de ter segredos comigo!
_ Descobrirá sozinha, Alice – Bella afirmou, seu tom parecendo definitivo – Afinal, logo será uma Sra. casada.
Alice arqueou as sobrancelhas, irritantemente confusa.
_ E de que maneira esse infeliz evento vem ao caso?
Bella depositou a mão em seu rosto, enquanto, ao seu lado, Rose segurava o riso.
_ Ah, você saberá, Alice – disse – Saberá quais são as razões para se ter uma pele assim.
_ È, pois daqui há semanas nos veremos outra vez, e você já carregará um sobrenome novo! – Rose sacudira levemente a irma pelos ombros, extasiada com aquela idéia.
Alice bufou, fechando a cara.
_ Não me lembre desse fato – resmungou, brincando distraidamente com o bordado da colcha.
_ Ainda com essa contrariedade ao casamento, minha irma? – Bella suspirou, começando a pensar que, talvez, Alice não se concertasse nunca.
_ Bella, saberia por que estou nesse estado se houvesse conhecido o perfeito símbolo de traste-grosseirão que mamãe arranjou para mim! Céus, Bella, ele é terrível!
Bella a olhou como se não desse tanta credibilidade no que ela dizia.
Bom, conhecia absurdamente bem sua irma.
_ Alice, mamãe nos contou sobre ele – Rose anunciou, vendo o rosto de Alice contorcer-se em uma careta – Disse o quanto ele é encantador.
_ Pois mamãe que case-se com ele, uma vez que fora ela quem escolhera! – Alice não queria deixar a raiva tomar conta do espaço de seu corpo, pois assim não aproveitaria bem a companhia de suas irmãs. O bom era que elas entendiam aquele argumento dela.
Alice não admitia que pudessem escolher alguém para ela amar.
_ Bom, o importante é que Rose e eu fomos designadas à levá-la até a loja de vestes para escolhermos seu vestido. Portanto, levante-se dessa cama, arrume esses cabelos desgrenhados e, pelo amor de Deus, tire essa expressão de enterro!
Alice fechou os olhos e gemeu profundamente, implorando para ter a chance de pular a janela outra vez.
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Biloxi, Mississipi
1901
A loja do centro da praça estava sempre cheia de flores nas janelas e perto dos vidros. O cheiro característico e uma musiqueta de harpas tocando no canto deixavam Alice enjoada.
_ Temos mesmo que ficar aqui? – Alice reclamou quando o olhar severo de algumas atendentes, que lhe reconheceram, lhe atingiu.
_ Alice, seu casamento é amanhã. Precisa de um belíssimo vestido – Bella argumentou, tamborilando os dedos em diversos tecidos.
_ Um que faça a Srta. Volture ficar muda – Rose completou, sorrindo.
Alice revirou os olhos.
_ Nada tem o poder de fazer a Srta. Volture ficar muda – disse, suspirando – Então, será que podemos usar meu lençol, fingir que é um belo vestido e sermos felizes longe daqui?
Rose e Bella se viraram para Alice, seus olhares ainda mais severos do que os das atendentes.
_ Por que agrada à todos me olhar assim? – ela resmungou, passando por suas irmãs e indo em direção ao armário de véus.
_ Alice, você está se casando primeiro do que Jane Volture! – Rose gesticulou impacientemente com as mãos. Aquele fato era realmente algo para se considerar – Tem que mostrar a ela que ela está enganada ao seu respeito, minha irmã.
_ Sabe – Alice franziu a testa – Até hoje me intriga o fato da herdeira Volture ainda não ter desposado.
As três começaram a caminhar pela loja, remexendo em vários modelos, buscando o mais perfeito.
_ Jane sempre quer o melhor – Bella disse com um tom mais baixo do que o usual. Não era muito educado ficar falando das pessoas por suas costas – Quer o noivo mais belo, o mais rico, o que, para ela, esteja à sua altura. E, como acha que ainda não encontrou nenhum dos pretendentes à sua altura, ela não aceita nenhum.
Alice tentou ver lógica na maneira de Jane pensar. Alice também queria o melhor.
Porem, haviam diferenças nos melhores delas.
_ Pois essa busca pelo melhor lhe está dando rugas.
-
A noite já queria cair quando as três se puseram de volta para a casa dos pais. Rose e Bella conversavam animadas sobre a festa do dia seguinte, enquanto Alice olhava para as estrelas, buscando uma que brilhasse mais do que as outras. E, quando encontrasse, procuraria outra ainda mais brilhante.
Fora assim desde o inicio de seus tempos.
Foi seguindo suas irmãs pelas ruas que, tão de repente quanto ela piscara, ela viu ele.
Jasper Witlock.
Ele estava ao longe, porem ela já era capaz de reconhecer aqueles cabelos loiros inigualavelmente fora de ordem. À porta de um centro de músicas e danças, ele conversava com alguém. Uma jovem. Uma jovem loira.
Jane Volture.
Alice parou, semicerrando os olhos para tentar ver melhor. Definitivamente, eram os dois, e conversavam como se discutissem algo importante, pois estavam pouco distantes.
Ela viu seu pé inconscientemente dar um passo para frente.
“O que...”
_ Alice? – Alice se virou para suas irmãs, enquanto elas mantinham o portão aberto.
Ela olhou mais uma vez para os jovens conversando. Depois, fora ao encontro de suas irmãs e entrou pelo quintal silenciosamente. Mesmo que detestasse aquele homem e que dedicasse a ele toda a culpa por aquele casamento estúpido, ainda assim era esquisito pensar em como ele parecia íntimo de Jane.
Sendo, infelizmente, seu noivo, ele não deveria parecer encantado por aquela moça.
Ainda mais sendo a qual Alice sonhava arrancar os cabelos desde que aprendera o que era cabelo e quem era Jane Volture.
_ Alice, você está bem? – Bella indagou, começando a desembalar o vestido cheio de pedrarias que comprara para a irmã.
Alice assentiu, sorrindo.
Pensou logicamente. Talvez Jasper desistisse do casamento e quisesse casar-se com Jane. Era uma boa saída para o temor e a raiva dela.
Ela fora até a janela, para ver e conseguia ver os dois outra vez. Porem, a porta do centro de danças jazia vazia, só. Na penumbra noite que se abatia sobre a pequena cidade de Biloxi, Alice não encontrou mais ninguém.
Fora dormir pensando na noticia do cancelamento que receberia no dia seguinte. Por mais que fosse aquilo que quisesse, perder o noivo para Jane Volture lhe deixava com um sentimento de derrota, fracasso, inferioridade.
Mas ela não tinha que pensar naquilo. Afinal, ao que parecia, Jane havia, enfim, encontrado alguém á altura.
E não era Alice que lhe seria imposição para tal fato.
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