Notas iniciais
Olááá, olááááá, olááááááá Então, são minhas ultimas desculpas. Demorei tudo isso sim, algumas meninas que perguntaram sabem os problemas que tive (inclusive queimar meu hd e perder tudo dentro dele, inclusive essa historia). E, também, agora estou recé-m formada, e fiz todo o possivel para conseguir terminar essa história e dar um desfecho para todos que gostam dela e que acompanharam por tanto tempo. Obrigada. Me perdoem se há algum erro, mas eu precisei terminar com pressa, pois não tem mais pc nem internet em minha casa momentaneamente. Não pude revisar que há algum erro e tals, então me desculpem se houver. Espero que gostem. E obrigada mais uma vez por todos os fieis leitores que tiveram que esperar por tanto tempo. Um bj e um abç para todos. Poli F. :*

Cap 40 — Um novo horizonte

Capital Mississipi

1902

Casa de tratamento para enfermidades

Fazia calor naquela quarta-feira. O sol parecia se alimentar do suor das pessoas, e adentrava todos os corredores do hospital, as ruas da Capital, e qualquer beco que se escondesse atrás de uma sombra.

Fazia três dias que haviam chegado ali. Jasper e Alice, primeiramente no dia anterior suas irmãos e seus maridos haviam chegado também. Até mesmo Félix Withlock.

Talvez não fosse tanta surpresa para Jasper, afinal.

Alice estava na cama do hospital, sendo examinada por Dr. Swan e uma magrela enfermeira. Estava consciente e serena, embora fraca. Tossia constantemente, e Jasper se lembrava das pequenas bolas de sangue que ela cuspia.

Enquanto ele esperava junto com todos na sala de entrada do hospital esperando Dr. Swan voltar de mais uma análise em Alice para saber como estava o bombardeio de medicamentos ao qual ela estava sendo submetida, Jasper fechou os olhos com força, tentando manter o controle. Imaginar o corpo tão frágil de sua Alice recebendo tantas drogas daquela maneira e agüentar por muito tempo lhe dava calafrios de preocupação. Voltou a desejar silenciosamente o milagre que tanto pedia aos céus.

— Tudo vai ficar bem, meu filho – Jasper se virou para a voz de Félix, seu pai. Ele não sorria, mas tinha pingos de amabilidade em seu tom de voz – Alice ficará bem.

Jasper assentiu, gostando do incentivo de seu pai. Precisava muito de pessoas com fé perto de si.

No canto, Bella e Rosalie rezavam baixo.

— Eu lhe entendo, agora – continuou Félix, dando um passo na direção do filho antes de pegar um charuto de seu bolso de couro.

— Entende o que, meu pai? – fez Jasper, a voz transbordando seu cansaço mortal.

Félix dera uma tragada em seu charuto e baforou para longe

— Tudo que você fez por ela – deu de ombros – Vender tudo o que possuía e mais gostava. Brigar com todos, inclusive com o Sr. seu pai – fez uma pausa – Eu o conheço com a ninguém e sabia que havia algo de diferente há um bom tempo no modo em que se olhavam – riu um pouco, antes de ver Jasper encarando-o nos olhos – Ninguém luta tanto por alguém por quem não sinta algo tão profundo – Jasper percebeu que seu pai perdia em pensamentos. Deduziu, contudo, que ele lembrava-se de sua mãe.

— Umas das partes deveria amar, afinal – disse Jasper, tentando manter um bom humor, apesar de tudo – E Alice jamais daria o braço à torcer, então sobrou para mim.

Emmett e Edward sorriram com ele enquanto Félix balançava a cabeça, dando outra tragada em seu charuto.

— Entendo – disse Bella, de repente, se aproximando da roda dos homens, enquanto Rosalie continuava sua reza baixa – Mas se engana, Jasper.

Jasper encarou sua cunhada, um pouco confuso com sua afirmação.

— Pois me engano com o que, Bella, minha cara? – indagou, guardando as mãos nos bolsos da calça.

— Com Alice – disse – Com os sentimentos de Alice – ela umedeceu os lábios, tentada a contar o segredo que sua irmã havia lhe confessado há um tempo, fazendo-a prometer que morreria com ela. Mas, com Alice doente daquela maneira, com a sombra do pior pairando sobre a cabeça dela e de todos, ela precisava revelar aquilo. Jasper merecia e Alice merecia, também.

— Com...

— Alice também o ama – ela sorriu, satisfeita – Foi a primeira vez que vi minha irma apaixonada, sabe? – ela aumentou o sorriso, notando o pequeno feixe de brilho que apareceu nos olhos de Jasper.

Porém ele não era um garotinho, tolo e inocente. Não podia acreditar realmente naquilo depois de a própria senhora sua esposa ter negado aquilo à ele. Ela não seria tão cruel ao ponto de negar aquilo à ele sendo verdade.

— Isso não é verdade, Bella – disse ele naturalmente. Conseguiu até esboçar um sorriso fraco – Alice me disse que não. Ela me confirmou do contrário – continuou, enquanto via Bella menear a cabeça fracamente – Mas não se preocupe, minha cara, eu estou bem. Não culpo Alice por nada.

Bella se aproximou dele, levantando mais a cabeça para encará-lo no rosto. Jasper era significantemente mais alto do que ela para impedi-la de olhá-lo nos olhos.

— Parece que não conhece a esposa que tem – ela meneou a cabeça, descrente – Se ela lhe disse o contrário, tinha uma razão para mentir, eu acredito. Pois ela mentiu, sim – continuou, vendo-o engolir ruidosamente, apertando a mandíbula – E não fora para mim.

Jasper nunca se sentiu tão perdido em toda a sua vida. Não era homem daqueles tipos de sentimentos retorcidos. Estava tão encantado com a possibilidade de Alice também amá-lo que quis entrar no quarto onde ela estava e abraçá-la. Mas seu coração estava miúdo de tão apertado que ele ficou apenas petrificado em seu lugar.

Por que ela havia mentido para ele?

Ele havia exposto seu coração como se o tirasse para fora. E ela o havia torturado com mentiras?

Jasper abaixou o olhar para o nada, desolado. Queria ter tido mais tempo. Porém, dentro de seu peito, a alegria e a satisfação disputavam espaço. Vários minutos se passaram enquanto ele ficava perdido em seus pensamentos, suas cunhadas em rezas baixas e as demais presenças conversavam baixo sobre coisas qualquer.

Talvez muito mais do que apenas alguns minutos.

Aquela tarde de intenso calor de quarta feira se arrastava. Fora perto das 15: 45 que uma enfermeira de expressões sérias apareceu pelo corredor, segurando alguns papeis e se aproximando do grupo apreensivo de Withlocks’s, Cullen’s e afins. Não havia sido percebida sua presença até se aproximar. Mas quando notaram sua aproximação, todos a cercaram instantaneamente.

— Senhorita Clewater – Jasper indagou à frente de todos – Como está Alice? Estamos esperando Dr. Swan vir nos dizer algo, mas ele não apareceu, então nós...

— Dr. Swan me pediu para vir eu... – disse a séria mulher. Seu ar parecia pesado, áspero. Talvez fosse a situação que a deixasse daquela maneira – Vocês são os familiares da Sra. Withlock? – quando todos responderam com acenos afirmativos, ela apertou os lábios um contra o outro, rigidamente – Dr. Swan me pediu para que entrassem nos aposentos... para que pudessem ter um último momento com a enferma.

— Como é que é? – Félix Withlock indagou com sua gutural voz, fazendo-se ouvir por todas as pessoas prostradas por ali – Como podem falar como se a moça já estivesse condenada à morte? São abutres por acaso?

— Não Sr., é um procedimento comum em casos...delicados como esse – disse ela, tentando explicar-se ante todas as expressões de horror – Casos de doenças graves... como esta, no estágio em que está... entendam, é uma oportunidade de... bem, de poderem ter tido uma despedida caso o pior aconteça. E eu receio que essa seja uma das opções para o caso – ela disse vagarosamente, seu tom ameno para não causar histeria – Ou ela se curará com os medicamentos e o tratamento – fez uma pausa – Ou acabará por morrer, e precisam estar cientes que isso pode acontecer.

— Oh Bella! – Rosalie caiu em pranto outra vez, abraçando a Irma.

— Me sigam, por favor. Darei roupas especiais e panos para cobrirem o rosto. É uma área de infectados.

Todos passaram a seguir a mulher pelos corredores de cor marrom sombrio. Era uma cor morta, combinando perfeitamente com o humor de cada pessoa que passava por aqueles corredores.

Jasper arrastava os pés, enquanto caminhava mecanicamente. Talvez estivesse atônito demais com tudo aquilo para conseguir demonstrar quaisquer emoção que fosse naquele momento.

— Aqui – disse a Sra., entregando pequenas máscaras de tecido para que todos pudessem colocar no nariz e rosto. Havia muitas enfermidades contagiosas, como esta, permeando por todas aquelas paredes. Ainda mais na ala em que se encontrava Alice.

Assim que todos estavam devidamente arranjados, eles a seguiram para mais um corredor. Daquele lado, eles puderam escutar muitos gemidos de agonia. Alguns gritos de dor e até os sopros fracos de algumas pessoas. A morte parecia sussurrar por entre aquelas paredes.

E cheiro permanecia inalterado por ai, também.

Todos sentiram um arrepio gélido na nuca, embora o tempo fosse tão maçante de quente. E quando chegaram na ala em que estava Alice, Bella e Rosalie cruzaram os braços uma na outra, como se quisessem dar uma força mutua.

Ali havia cortinas brancas erguidas em volta de cada leito. O de Alice era o último, e sabiam disso por que suas sapatilhas trançadas brilhavam com a pequena pérola de sua ponta, repousadas bem ao lado da parede final, como se estivessem de guarda.

Jasper pensou que seu coração não poderia apertar mais, mas estava enganado. Quando chegou à pequena cama onde estava Alice, fraca, pálida e com os cabelos negros pregados na testa, ele precisou engolir a agonia garganta abaixo para conseguir chegar mais perto dela.

Todos pareceram momentaneamente estáticos.

— Oras, me digam alguma coisa – Alice sussurrou em um sopro, dando um sorriso fraco, tentando inutilmente amenizar o clima para eles – Estou apenas doente, ainda não morri.

— Não fale desta maneira, minha Irma, por Deus! – Rosalie a repreendeu, com os olhos marejados. Se aproximou de seu leito, tocando sua mão fria pelo suor frio que ela transpirava – Voce vai ficar boa outra vez, entendeu? – disse ela, sorrindo – E vamos festejar por uma semana toda, então.

Alice lhe acariciou a mão, sorrindo fracamente. Seus olhos não tinham todo o brilho, mas refletiam uma bela luz, que parecia lutar para se manter.

­­­_ Você diz isso só por que adora festa, Rose – ela murmurou, fazendo a Irma rir por entre o choro – Mas eu ficaria contente de festejar com você – ela continuou, mas foi interrompida por uma tosse rápida – Gosto de vê-la contente, minha Irma. Fique um pouco mais contente por mim, agora.

A visão de Rosalie nublou por conta do choro.

— Oh Ally! – ela exclamou, levantando sua mão, que ainda estava entrelaçada à dela, e beijou seu torso por debaixo da mascara.

— Querida, está tudo bem – Sr. McCarty esfregou os ombros de sua esposa, fazendo-a levantar da beira da cama para ser abraçada por ele – Sra. Minha cunhada aqui é mais forte do que você pensa que ela seja – disse ele, sorrindo para Alice. Esta piscou vagarosamente, como se estivesse sonolenta, e devolveu-lhe o sorriso – Não é mesmo Alice?

­_ Sim, é verdade, Sr. McCarty – murmurou ela – E, por favor, tente convencer Rose disso – fez uma pausa para tossir novamente, desta vez um pouco mais forte. Quando conseguira se controlar, pousou seus olhos em Bella, que a encarava com os mesmos olhos angustiados de sua mãe – Oh, Bella minha Irma, não se angustie – disse ela, erguendo um pouco a mao para chamá-la – Venha aqui mais perto para que eu segure sua mão.

Bella se aproximou, sentando da mesma forma de Rose. Pousou uma das mãos na bochecha pálida da Irma, acariciando-a. Quis guardar aquele momento, com receio de que não houvesse muitos outros deste. E esse pensamento a fizera querer chorar.

— Não chore, precisa cuidar de minha sobrinha e de nossa Irma por mim – ela sussurrou, sentindo muita dor no peito e nas costelas. Os remédios fortes demais lhe causavam um cansaço anormal – E diga à nossa mãe que a amo. E á Carlisle também, por favor. Gostaria que eles soubessem.

­_ Eles sabem, minha Irma – ela respondeu com a voz rouca pelo choro preso na garganta – E você poderá dizer à eles você mesma!

Alice sorriu fracamente, querendo muito acreditar naquilo. Mas algo dentro de si dizia que talvez ela devesse aceitar a realidade. E ao menos aquilo ela gostaria que fosse dito.

— Vá ao canteiro de tulipas que fizemos juntas há um tempo atrás na casa de mamãe – Alice sussurrou tão baixo que Bella precisou se inclinar um pouco mais em sua direção para escutá-la — Vá para lá quando sentir saudades – fez uma pausa – É para lá que eu irei também.

Bella caira em prantos ao escutar aquilo, precisando ser amparada por Edward, seu marido. Não queria perder o controle perto de Alice daquela forma, mas não pôde suportar aquela angustia muito mais tempo.

— Sr. Masen, cuide das duas por mim, sim? – ela olhou para o belo homem de cabelos acobreados – Sei que pode fazer isso.

Edward apenas assentiu calado, trocando um intenso olhar com a irmã da esposa, que fechou os olhos logo em seguida, apenas para abri-los devagar novamente um momento mais tarde.

— Sr. Withlock? – ela o chamou com a voz engasgada. Sr. Félix aproximou-se estéreo, tirando o chapéu da cabeça e segurando-o frente ao peito.

— Sim, Alice?

— Chegue mais perto, por favor.

Félix passou pelas irmãs e cunhados de Alice, e agachou-se com o ouvido perto de sua boca para poder escutá-la.

— Obrigada pelo presente que me deu, Sr. Withlock – ela sussurrou, fechando os olhos por um momento. A dor estava piorando, e um formigamento estranho se iniciou na ponta de seus pés – Obrigada por... ter escolhido à mim....

Ela não disse mais nada, mas sabia que ele havia entendido o que ela queria dizer. Talvez ele fosse a pessoa por quem ela mais tinha à agradecer.

Ele apenas assentiu, o olhar pesado, e se inclinou um pouco mais para beijar por tras da máscara a testa molhada de suor dela. E então ele se levantou e se dirigiu novamente para o fundo do grupo de pessoas.

E então todos se calaram, esperando a ultima pessoa se despedir dela.

Inconscientemente, todos deram passos para o lado, para que Jasper pudesse se aproximar de Alice. Seu olhar era sôfrego, distante. Sua postura rígida e suas mãos fechadas em punho.

Ao olhar externo, ele parecia destroçado.

— Jaz...? – ela sussurrou depois de um tempo sustentando o olhar dele preso no seu – Não quer chegar mais perto de mim?

Jasper engoliu em seco, conseguindo escutar as batidas ocas e fortes que dava seu coração dentro do peito. Pareciam bater em câmera lenta, mas tão fortes que lhe doía.

Ele se aproximou da cama dela, sentando-se ao seu lado do mesmo modo que suas irmãs o fizeram. Repetiu o gesto de Bella em sua bochecha, acariciando em círculos. Era incrível o contraste que sua grande mão fazia com os ossos pequenos e delicados de seu rosto.

Ela lhe deu um sorriso fraco.

— Prometa à mim, Jazz, que pensará a respeito do que eu lhe disse.... – ela murmurou, ambos se encarando intensamente. Ele sabia que ela se referia à ultima conversa que haviam tido, onde ela lhe dizia para seguir em frente assim que ela partisse – Por favor, eu preciso partir tranqüila, sabendo que você ficará bem.

Jasper apertou a mao dela que ele segurava, tentando manter-se sereno e absorver a tristeza que pensar naquilo lhe trazia. Mas ele acabou por assentir, para que ela se acalmasse um pouco. Ele quase podia sentir o coração dela se acelerando a cada segundo a mais que ele permanecia em silencio.

— Obrigada – ela sorriu. Ambos se calaram por um tempo, apenas mantendo o olhar um no outro. Ela desejou poder beijá-lo. Seria a forma mais perfeita de partir. Sem dor, sem angustia. Apenas apreciando um pouco do paraíso na terra que ela deixava.

Mas ela podia ver nos belos olhos verde envelhecido dele, um brilho incomum de expectativa muda. Uma pequena fagulha de esperança que se esvaecia a cada segundo silencioso dela.

Até que depois de muito tempo em que ficaram em silencio, ela se apagou.

— Eu a amo, Alice – ele disse, passando o dedo suavemente por seus lábios – Para sempre.

Alice reprimiu o choro. Saber daquilo naquele momento de sua vida era como um castigo. E não queria proporcionar para ele aquela mesma dor. A dor de saber que aquele amor se acabava ali.

— Cuide-se, Jazz – ela sussurrou, ao invés de dizer à ele o que ele queria ouvir. Viu uma decepção dolorosa arder nos olhos dele, no mesmo lugar que havia antes um misterioso e hipnotizante brilho.

Ela queria dizer, mas não havia mais tempo.

O formigamento dominava toda a sua perna, surgindo agora nas pontas das mãos.

— Bem, acho melhor vocês irem agora – disse Dr. Swan, aproximando da cabeceira de Alice. Sua voz saira abafada pela mascara – Preciso medicar Alice e ela não pode esforçar-se tanto.

Todos assentiram, dando um ultimo olhar à uma Alice fraca, porem sorridente, que se esforçava para acenar um tchau com a mão cheia de dedos finos. Um a um todos acenavam de volta, antes de virar-se e tomarem o rumo dos corredores por onde haviam passado.

Jasper parou um pouco mais na entrada da ala de Alice, olhando-a.

Ela podia ver apenas seus olhos opacos e seu nariz perfeito. Ele não parecia querer ir, então ela o incentivou. Acenou com os dedos para ele também, sentindo o coração disparar dentro do peito.

Uma sensação mortificante ia se apossando de seu corpo.

Piorou quando ele por fim virou-se e seguiu os demais, com a cabeça baixa. Quando os últimos fios loiros sumiram de suas vistas, sua respiração se alterou estridentemente.

Quando o grupo chegou novamente à entrada no local, ninguém dizia mais nada. Estavam todos em um silencio mortal, fúnebre. Essa deveria ser a pior parte, eles pensavam.

Apenas esperar que a coisa toda acontecesse.

Era mórbido, era angustiante e era triste.

— Bem, eu acho... – Sr. Félix Withlock começou a dizer algo quando alguém o interrompeu bruscamente.

— Quem é o Sr. Jasper Withlock? – a mesma enfermeira séria que havia os conduzido até o leito de Alice apareceu novamente, um pouco assustada. Todos voltaram-se automaticamente para ela, assombrados.

Principalmente Jasper.

— Sou eu, porque? – disse ele abruptamente, chegando frente à mulher em dois passos – O que aconteceu com Alice?!

— Ela está gritando pelo Sr. lá dentro.

Jasper voltou correndo pelo caminho que haviam acabado de refazer, ansioso de uma maneira bem torturante. Talvez ela estivesse com medo. Ou talvez estivesse sentindo dor.

De qualquer forma, ele não queria ver aquilo nela.

Assim que chegou à ala dela, pôde escutar o choro dela, chamando por ele. Avistou Dr. Swan próximo às cortinas que encobriam a cama de Alice, esperando por ele com uma expressão resignada.

Ele se aproximou em passadas rápidas, afastando as cortinas com pressa para se ajoelhar perto dela ao lado de seu leito. Ela parou de chamar por ele assim que o viu, e seus olhos mal enxergavam ele por conta das grossas lágrimas.

— Jazz... – ela sussurrou, engasgada.

Ele segurou suas mãos entre s dele, preocupado.

— Estou aqui meu amor, o que aconteceu? – indagou ele, falando próximo à ela para que ela pudesse escutar sua voz abafada com a máscara de pano.

— Me desculpe, Jazz – disse ela, em um sopro. Soltou uma das mãos do aperto dele e acariciou seu rosto. Havia sido estúpida e egoísta, e quando pôde encarar novamente a única pessoa no mundo que a fazia sentir-se diferente, tudo deixou de ser complicado, e passou a ser certo.

— Descul...

— Eu também amo você – ela sussurrou, a voz embargada – Eu amo você, Jasper – seu colchão fino e empapado de suor tremia por conta de seu choro desesperado. Encarou os olhos deles atônitos, enquanto eles ficavam avermelhados e brilhantes. Por que mesmo havia esperado tanto para dizer aquilo à ele? O brilho de seus olhos era belo demais para não se permitir evocá-lo – Mais do que à mim mesma. Mais do que qualquer coisa – ela chorou – Lhe juro isto... – fechou brevemente os olhos ao sentir as mãos quentes dele acariciando seu rosto. Havia sido tudo mentira o que havia dito à ele. Era apenas para faze-lo seguir em frente depois que partisse, e que aliviasse um pouco a tristeza que pudesse sentir. Mas a verdade era que não queria nenhuma outra mulher junto ao seu marido.

Queria era ela própria continuar ali com ele.

Jasper não soube definir o sentimento que era absoluto em seu peito, mas o amor que sentia encobriu qualquer outra coisa. Mas a dor também viera junto. A dor de saber que não poderia gritar seu amor por ela muito mais tempo.

Alice estava morrendo.

Ele engoliu o choro que quis explodir em sua garganta. No lugar disso, tirou a máscara que encobria seu nariz e boca e se inclinou para beijar seus lábios sofregamente. O sabor doce que antes tinha seu beijo, estava amargo desta vez devido aos remédios.

Mas, mesmo diante daquele fato, beijá-la era o que ele mais gostava de fazer. Era o que mais queria fazer. Queria ter mais tempo para beijar-lhe como a mulher que amava merecia ser beijada.

— Jasper, por favor, venha comigo agora, sim? – Dr. Swan lhe puxou pelos ombros com rapidez – E coloque essa máscara novamente, homem de Deus!

Jasper não respondeu ao doutor, tampouco lutou contra sua condução para longe de Alice. Deixou-se ser levado, não desviando os olhos da figura magérrima e convalescida que era sua mulher.

Estava em um estado de choque tão intenso que mal vira quando chegou novamente à recepção amarelada pelo sol intenso, onde todos esperavam angustiados sua volta. Assim que o avistaram arrastar os pés com o um olhar perdido, correram em sua direção.

— O que aconteceu, Jasper? – Bella indagou, afoita.

— O que Alice queria? – Rosalie também indagou, quase ao mesmo tempo da irmã – Ela piorou?

Jasper não conseguiu responder nenhuma das duas. Apenas continuou caminhando um pouco desnorteado por entre os familiares.

— Diga alguma coisa homem de Deus! – Sr. McCarty fez, agoniado pelo silencio dele e pelo choro das duas mulheres que estavam ali.

— Filho, você está bem? – Félix indagou preocupado, segurando Jasper pelos ombros. Seu filho era bem mais alto do que ele, mas seu olhar fora fixo e sério no olhar dele. Ele conhecia o filho bem o suficiente para saber que ele estava com algo preso, prestes a explodir – Fale para o Sr. seu pai.

Jasper o olhou com uma expressão de profundo abatimento. Suas pernas tremiam um pouco, e seu estomago estava revirado.

— Não... não quero que... Alice não pode me deixar, pai – ele murmurou sôfrego, e Félix viu os olhos dele se enxerem de grossas lágrimas – Ela não pode morrer, não pode! – ele grunhiu, finalmente desabando em um choro sentido. Edward e Emmett silenciaram-se automaticamente, enquanto Rosalie e Bella afagaram o braço do cunhado, chorando junto.

— Ela não vai, meu filho. Se acalme – disse Félix seriamente, e então puxou Jasper pelos ombros para apertá-lo contra seus braços. Jasper o apertou de volta, precisando muito daquele conforto e enterrou o rosto em seu ombro, chorando tanto que não demorou para que o casaco de seu pai se encharcasse – Vai ficar tudo bem...

Jasper fechou a mente para aquela frase. Ele já a havia dito demais.

~°#°~

Biloxi, Mississppi

Biblioteca da mansão Witlock

1904

Cerca de doze meses se passaram. Biloxi, Mississppi, já estava dando glórias ao ano de 1904. Muita coisa havia mudado. Muitas coisas haviam acontecido, e muitas outras haviam ido embora junto com o ano que terminava.

Aquela era outra noite chuvosa. Os pingos batiam violentamente na janela, escorrendo por sua superfície como se chorassem. Jasper estava ali há pelo menos uma hora, sem sequer mudar de posição ou desviar o olhar da performance da chuva.

Estava silencioso ali. E a forte tempestade encobria qualquer outro som que pudesse ter. Jasper suspirou, pegando novamente o copo com sua bebida. Repassava outra vez em sua cabeça o ano de 1902, quando internou sua mulher naquela casa de saúde. Seu estado era crítico, e ela havia sido tão bombardeada com drogas que, ao final, já em nada ou em pouca coisa lembrava sua Alice, cheia de vivacidade.

Jasper inclinou a cabeça para trás na poltrona, fechando os olhos por um momento. Talvez de todos, ele era o que sentia mais angustia. A dor que ela sentia era a sua própria dor. Alice suportou tudo bravamente durante 5 meses.

Para Jasper, pareceram ter durado 5 anos.

Mas ela era muito mais forte do que todos podia fazer idéia. No quarto mês com intenso tratamento, Alice passou a apresentar melhoras. Jasper lia todos os dias para ela, enquanto ela ficava em seu leito. Leu todos os romances que ela guardava debaixo da cama deles.

Ela sabia que sua voz era um pouco do remédio que ela precisava.

Suas forças vitais foram melhorando, e até mesmo a cor de seus lábios voltavam gradualmente. Com cinco meses, até mesmo Dr. Swan se surpreendeu com sua recuperação. Independente de não dizer nada, ele já havia declarado para si mesmo a morte iminente dela.

E não apenas ele.

Mas ninguém sabia, exceto os dois, que havia uma promessa de amor muito maior do que as dores de qualquer doença que fosse. Depois de se dar conta de que declarar seu amor por Jasper era a coisa certa a se fazer, ela passou a se segurar ao objetivo de estar ao lado dele até morrerem velhinhos.

Juntos.

Era como se fosse quase uma obrigação dizer que o amava e, então, demonstrar isso à ele. E a sua ultima força de vida se agarrou a esse fato. E então ela conseguiu.

Ao final de tudo, Sr. Félix ajudou Jasper a custear o restante de seu tratamento, feliz como nunca havia se sentido. A fé que seu filho tinha em ver sua mulher recuperada era a parte que o emocionava.

Em momento algum, ele desacreditou.

E ele merecia não ser enganado pelo destino. Ele custeou o que faltara, festejando a cada novo dia que ela acordava. De certa forma, lembrava-se de sua própria mulher, que não havia tido o mesmo destino generoso.

Ou talvez houvesse sido sua pouca fé.

O fato foi que Alice se recuperou, e no 8° mês já estavam de volta à Biloxi, tentando reaprumar suas vidas. Jasper trabalhou arduamente para quitar a hipoteca de sua casa e reaver sua propriedade. Mas nunca havia se esforçado tanto com tanta gana.

As coisas voltavam nos eixos. Ou talvez não.

Jasper se lembrou mais uma vez do porque estava ali, naquele momento, e dera mais um gole em sua bebida.

Havia sido nos primeiros meses de 1903. Todos estavam reunidos em sua casa, reunidos em um almoço. Os pais de Alice, o pai de Jasper, suas irmãs e seus cunhados, e os amigos de Jasper do Exército.

— Ah, que tamanho de pernis são esse?! – Exclamou Sam enquanto degustava apenas com o olhar do enorme pernil de porco que Esme e Consoelo haviam acabardo de postar sobre a mesa, enquanto ajudavam Lilly nos últimos preparativos para a refeição que logo se iniciaria. A casa estava cheia de burburinhos por todos os lados. Nessie chorava em algum canto, enquanto ouvia-se a risada alta de Peter e Benjamim na sala de estar.

— Tire esses olhos gordos daquele pernil, Sam! – exclamou Emmett logo atrás do enorme moreno que lembrava um belo índio. Desde que tudo melhorara, todos haviam se conhecido, tornado-se íntimos e por fim eram todos amigos uns dos outros – Ou lutaremos até a morte por ele.

— Gostaria de ver você tentar, seu monte de titica barata.

— Oh meu Deus do céu, vocês já vão começar a disputar pedaços de carne outra vez? – Rosalie chegou logo atrás de seu marido, as mãos portas na cintura, repreendendo os dois homens que pareciam dois postes enormes perto dela.

Bella riu a passar por ele e se dirigir até seu marido na sala de estar, perto do piano. Tocava baixo, enquanto Charlotte, a esposa de um dos amigos de Jasper do qual ela não recordava o nome, e mais algumas outras esposas de outros maridos estavam sentadas próximas, tricotando coisas triviais enquanto apreciavam a melodia que Sr. Masen tocava.

— Trouxe sua taça de vinho meu querido – disse ela, dando um estalado beijo na bochecha de seu marido e lhe entregando o copo.

— Oh, e então Bella, encontrou Sam? – indagou Charlotte

— Está na sala de jantar disputando com o Sr. meu cunhado um pedaço de pernil – ela revirou os olhos, enquanto as outras mulheres riam envergonhadas.

— Oh, então irei até o armário avisar Mike que Sam não aparecerá tão cedo... – ela murmurou, levantando-se e rodando a sala azul de vestido de babados – Pobre coitado, já deve estar morrendo sufocado.

Ela se encaminhou ao armário de utensílios de limpeza, passando pelo sofá onde estava sentado Peter, acariciando rapidamente seus cabelos pretos ao passar. Ele lhe olhou e lhe mandou um beijo, antes de voltar-se para a conversa animada que estava tendo com Jasper, James, que havia deixada sua entojada esposa em casa, Benjamim, Seth e outros rapazes.

— Pois bem lhe digo isso, Homens, aquela onça apareceu não sei daonde! – exclamou Peter, os olhos arregalados – Comeu minhas cabras e tentou fugir – estremeceu com um exagerado arrepio – Mas eu a persegui por todo o mato. E quando dei uma canseira nela, pulei nas suas costas, dei um torção no seu pescoço, segurei sua boca com os dedos firmes sabem – dizia ele, encenando como teria sido a cena que contava – E então saquei a arma do cinturão e lhe estourei os miolos moles!

Os homens se entreolhavam e riam alto, bebericando as diversas bebidas diferentes que haviam em suas canecas.

— Então você correu mais do que a onça – disse Jasper, rindo debochado.

— E segurou a boca dela, cheia de dentes que são do tamanho do seu nariz, so com as mãos! – Benjamin exclamou efusivamente, dando mais intensidade à historia de seu amigo.

— Mas ele não precisa das duas mãos para segurar a onça, Benjamim – James estalou a boca, batendo no ombro ossudo de Benjamim – É tão forte que ainda conseguiu soltar uma das mãos para sacar a arma!

— Que grande homem! – Seth deu tapinhas nas costas do amigo, que ria juntamente com os outros – E que onça colaborativa, não?

Todos riram em uníssimo, bebendo mais e mais goladas de suas bebidas.

— Oras, mas o que é tão engraçado? – perguntou Alice, chegando a sala de estar com ursinhos nas mãos. Passou o braço pelo ombro de Jasper, que a puxou pela cintura para que ela sentasse em seu colo. Obviamente, ela corou como um tomate maduro.

— Estamos escutando Peter nos contar como se tornou um Jaguar, com a força de um Aligátor do Mississippi e com as garras de uma Harpia – ele deu de ombros, enquanto Peter lhe mostrava o dedo do meio sorrateiramente.

— Eu digo a verdade, Alice – ele se defendeu – Esses bastardos é que são uns invejosos.

— Oras, pois tenho certeza que você fala a verdade, Sr. Collins – disse Alice cordialmente, sorrindo para Peter antes de picar para ele em cumplicidade – Acho que eles...

Alice não pode terminar a frase pois fora puxada abruptamente por duas mãozinhas pequenas, que estavam escorregadias de tanto creme que havia passado ali.

— Oh, Nessie, calma, assim eu vou cair – disse ela para a sobrinha, que a puxava pela sala de estar – Eu já lhe disse para parar de usar meus cremes, sua danadinha!

Nessie riu de forma atentada, virando de costas rapidamente para correr de Alice.

— Venha me pegar, titia! – gritava ela, enquanto corria em direção à porta da biblioteca.

Abriu a enorme porta de uma só vez, adentrando o ambiente que cheirava a hortelã e álcool. Carlisle e o Sr. Félix pararam de conversar e olharam para as duas, sorrindo.

— Mas olhe só quem vem nos visitar – disse Sr. Withlock, riu ele por detrás do bigode rebelde – Essa pequena daminha arteira.

— Desculpem, Nessie merece umas cintadas de cinta de couro – disse Alice, olhando severamente para a pequena ruivinha. Mas não podia ficar séria tempo o suficiente com sua sobrinha, que já abria um enorme sorriso, mostrando as covinhas herdados do pai.

— Venham todos almoçar! – Disse Esme do corredor da sala de Jantar – A refeição está na mesa.

Entao, um enxame de pessoas começou a se dirigir até a sala de jantar, cada um pondo-se em uma cadeira e começando a se servir. Principalmente Sam e Emmett. Alice ficou por ultimo na fila até a sala de jantar, pois esperou por seu marido.

Jasper a alcançou e rodeou seus ombros com um braço.

— Está contente? – indagou ele para ela, sorrindo. Depois que haviam retornado para Biloxi, o sorriso sereno dele não havia mais saído de seus lábios.

— Estou Jazz – disse ela, aconchegando-se ao braço dele – Estou muito contente. E você? Está contente também?

Jasper dera um sorriso de lado, aproximando a boca de seu ouvido.

— Estarei mais contente quando subir para nossos aposentos junto com você – sussurrou ele, arrancando dela um arrepiou que subiu desde sua nuca até o encontro sedoso entre suas pernas.

— Bem... – ela murmurou, desconversando – Acho que irei até a casa de banho rapidamente para lavar as maos. Nessie as encheu de creme.

Jasper riu de sua timidez, beijando sua bochecha.

— Vá minha cara – disse ele – E não demore, sim.

Alice dera meia volta e se dirigiu a casa de banho que ficava no andar de baixo. Não demorou muito para retornar, ainda um pouco corada. Avistou Jasper de sua cadeira de ponta, usual. Quando a viu vindo pelo corredor, ele lhe sorriu, acompanhando-a com os olhos.

E foi por este motivo que ele percebeu quando o caminhar dela diminuir o ritmo, seus olhos ficavam desfocados e ela empalideceu repentinamente. Ela escorou-se rapidamente na parede, a fim de não desabar no chão. Mas seu corpo escorregou por ela.

— Alice! – Jasper chamou alto, levantando-se instantaneamente de sua cadeira, com tanta força que a derrubou para trás, e correndo até ela. Todos pararam o que fazia para ver o que estava aconteceu.

Ele a segurou, no momento em que ela desmaiara.

— Santo Deus, outra vez não! – ele grunhiu, desesperado, enquanto a erguia em seu colo.

— Oh meu Deus, Alice! – sua mãe, suas irmãs e as outras mulheres correram até Jasper, atônitas.

— O que aconteceu?! Ela está bem, Jasper? – Indagou Carliesle, pondo-se ao seu lado instantaneamente. Colocou a mao em sua testa, vendo que havia uma fina camada de suor frio.

— Chame um médico, alguém! – disse Peter, indo até o amigo para poder auxiliá-lo em alguma coisa.

— Sim – disse Jasper, indo em direção às escadas – Esme, ligue para o Dr. Swan, por favor. O telefone está marcado em uma caderneta dentro da gaveta do criado mudo – ele gritou já do alto da escada, levando Alice para o quarto deles. Bella, Rosalie e Charlotte subiram junto.

Cerca de 30 minutos haviam se passado desde que haviam contatado Dr. Swan. Sobre a cama, Alice dizia já estar se sentindo melhor, mas nenhuma das mulheres havia a deixado levantar dali.

Jasper estava no andar debaixo junto com os amigos, o pai, o sogro e as demais pessoas que haviam ido visitá-los naquele dia, enquanto esperava o médico chegar. Estava tão agoniado e tão angustiado que não havia conseguido sentar-se ainda. Andava de um lado para o outro, estralando os dedos, que já estavam brancos e rígidos.

— Jasper, homem de Deus, acalme-se! – dizia Peter para o amigo, mas era em vão. Jasper não queria pensar que estava acontecendo tudo de novo. Havia sido quase um milagre Alice ter se recuperado. Se caísse doente outra vez, ele não tinha certeza se ela agüentaria.

E essa possibilidade estava deixando-o tonto ali.

Até que então Sr. Swan chegara e subira para o quarto, para examinar Alice. Jasper fora obrigado a ficar na sala de estar esperando, a todo o momento sendo acalmado por todos que estavam por ali, preocupados também.

Consoelo já havia lhe trazido mais de 15 copos de água com açúcar.

Até que cerca de 20 minutos depois o médico havia aparecido outra vez. Do topo da escada olhou para Jasper, que tinha o olhar desolador. Dr. Swan desceu os degraus devagar, inexpressivo, segurando sua maleta. A única coisa que passou a ser ouvida naquele cômodo fora seus sapatos em contato com a madeira.

Quando chegou ao ultimo degrau, parou frente ao enorme ex-soldado de 1, 90 m, olhando-o seriamente.

— E então Dr. Swan? – indagou ele de uma vez – O que tem Alice?

— Ela teve uma queda de pressão, filho – disse ele, estalando a língua.

Jasper soltou o ar preso nos pulmões, desolado. Olhou para baixo rapidamente apenas para pegar um pouco mais de ar. E então o olhou outra vez.

— Por favor, Dr. Swan, não me diga que Alice está doente outra vez... – murmurou ele, colocando as mãos na cintura, como se não houvesse mais nada para se fazer com elas.

Houve um silencio absoluto por alguns segundo. Segundos que pareceram horas intermináveis. Ate que Dr. Swan voltou a falar.

— Não, Alice não está doente – disse ele. E então sorriu largamente – Alice está esperando uma criança.

Jasper continuou olhando-o como se não houvesse compreendido bem. O choque inicial e a preocupação com relação à saúde de Alice pareceram tirar dele momentaneamente a capacidade de acompanhar as novidades. Ele piscou algumas vezes, congelado em seu lugar.

— Perdão, como? – ele indagou, parecendo um pouco cômico para as demais pessoas presentes naquela sala. Alguns de seus amigos riam e sorriam animados. Peter se aproximou do amigo e o segurou pelos ombros.

— Meu amigo, você vai ser pai! – disse o belo moreno, sentindo-se emocionado. Sentia-se quase um tio, afinal conhecia o chocado loiro à sua frente desde que eram pirralhos.

Jasper piscou mais algumas vezes, sentindo as vistas embaçarem um pouco. Talvez fosse pelo fato de que ele segurou a respiração e escorreu os braços pelas laterais do corpo. Era um homem forte, acostumado à lidar com as emoções, tanto dele quanto dos demais. Mas, naquele momento, desconhecia as emoções que cresciam dentro do próprio corpo. Era maior do que ele, maior do que ele lembrava, maior do que qualquer uma já sentida.

Bambeavam suas pernas e doíam peito, sempre forte demais. E quando as palavras fizeram mais sentido em sua cabeça, algumas formas em volta de si pareceram perder as formas exatas e tornarem-se um borrão branco.

— Jasper, irmão, está tudo bem...? – indagou Peter, perdendo o sorriso faceiro e preocupando-se verdadeiramente com o amigo meio pálido.

Jasper abriu a boca para responder o amigo, mas a fechou novamente ao perceber que não tinha nada para dizer. Ele espalmou as mãos no ar, empurrando palavras mecânicas para fora.

— Não, eu... eu estou bem, preciso apenas – ele deu alguns passos desorientados, sendo guiado pelos amigos à sua volta — ... preciso apenas me sentar um momento e.... e..

Ele se sentou vagarosamente, os pensamentos um turbilhão. Sempre havia se imaginado pai, e naquele momento todo um futuro já estava sendo criado, com mais e mais crianças correndo por aqueles corredores.

Teriam os cabelos pretos e cacheados, os olhos verdes e aquele sorriso encantador que tinha nela... E quando seu rosto veio à sua cabeça, de repente, ele sorriu pela primeira vez desde que havia escutado o que Dr. Swan havia lhe dito. Era ela. A mulher que amava e por quem daria a vida. Era ela que carregava seu filho na barriga, agora, e era ela quem ele protegeria para o resto de seus dias, pura e simplesmente por amá-la, e por amar o que ela daria à ele.

Não sabia que ela havia aparecido no corredor do segundo andar, e olhava-o com o delicioso brilho no olhar que ela havia recuperado e as bochechas coradas. Agora brilhava mais intensamente, mais estupidamente belo.

E ele a amou um pouco mais.

Sorriu para ela, que o retribui. Havia sido o sorriso mais cúmplice e mais verdadeiro que ele havia dado à alguém durante toda a sua vida.

Jasper sorriu sozinho dentro da biblioteca, sentindo novamente os mesmo sentimentos de euforia que havia sentido naquela noite. Embora a ansiedade e a apreensão também rondavam por ali. Estava ali dentro à quase uma hora, esperando que as mulheres – Consoelo, Lilly, Esme e a parteira – fizessem seus papeis, enquanto ele tentava manter o controle, quieto e só ali dentro.

Até que de repente, bem ao fundo, ele escutou um grito agudo, seguido de um choro insistente e estridente, quase esguelado, que percorreu por todos os cantos daquela casa enorme, alcançando com toda a força aquele aposento. Não demorou muito para três batidas darem sinal na porta de carvalho. Logo Consoelo apareceu na porta, sorrindo com seu jeito sempre tímido.

— Nasceu Sr. – disse ela – É um menino lindo.

O sorriso dele se alargou até quase rasgar a pele, enquanto seus olhos marejaram-se.

Ele correu escada acima, subindo os degraus de dois, e só parou quando chegou ao seu quarto. Esme estava lá, segurando um bebê enorme nos braços, ainda sujo de sangue, perto de uma Alice cansada, que piscava lentamente. Sua camisola estava suja de sangue, e todo o seu cabelo preto pregava-se em algum lugar de seu rosto.

Ele se aproximou, tremendo um pouco as mãos. Quando viu seu filho de perto, a água que marejava seus olhos transbordou, escorrendo por seu rosto. Riu de nada, mas era um riso muito gostoso. O bebê chorava fraco, agora, os pequenos olhos fechados, e os finíssimos fios loiros sobre sua cabeça estavam molhados de sangue e água.

Jasper morreu por segurá-lo nos braços, mas sentiu-se um desajeitado demais para isso, com todo aquele tamanho, enquanto seu filho parecia tão quebrável. Um amor diferente encheu seu coração. Ele pensou que não podia caber mais amor ali..

Mas vira que estava enganado.

— Ele parece com você – a voz fraca de Alice murmurou, sorrindo para os três à sua frente – Pelo menos no tamanho – emendou, rindo mais uma vez antes de fechar os olhos momentaneamente.

Jasper a olhou e a exaltação que tinha por ela palpitou seu coração. Suas bochechas estavam coradas mais uma vez.

— Vou limpá-lo e depois o trago para vocês, hã!- disse Esme, saindo logo em seguido cantarolando uma canção de ninar para o bebê.

Jasper se aproximou da cama e se ajoelhou perto do rosto de Alice, sorrindo.

— Eu o amo tanto! – disse ela, no alto de suas forças. Sorriu, espalmando a mao na bochecha quente dele.

— Ah, então agora você me ama? – indagou ele brincalhão, extasiado com tudo que estava acontecendo.

Alice não encarou totalmente na brincadeira, olhou-o seriamente bem dentro de seus olhos.

— Eu não sei quando a situação fugiu do meu controle – disse passivamente – Mas eu o amo antes de tudo. Desde o começo de tudo. É tão incondicional a forma como lhe amo que chega a ser físico.

Jasper gostou de ouvir aquilo. Mas não sorriu. Apenas encarou Alice como ela também fazia com ele.

— Então por que não me disse quando eu esperava ouvir? – indago ele, não ocultando o ressentimento por aquele fato. Ficara extremamente chateado, desanimado e desesperançoso ao ter revelado seus sentimentos à ela e receber a resposta que havia recebido.

Alice suspirou.

— Por que se eu não me curasse.. se.... se eu tivesse partido, seria mais fácil para você aceitar se pensasse assim e se acreditasse nisso – murmurou ela, corando as bochechas. Havia magoado à ele, sabia disso, mas pensava ser o melhor caminho. Talvez ele sofresse menos se pensasse que era um amor não correspondido e que jamais teria um futuro para o amor deles. Talvez ele nao alimentasse esperanças e superasse melhor o fim da história deles. Talvez por isso não se sentiria tão mal em recomeçar sua vida e tentar ser feliz com uma nova esposa. Uma que o amasse.

A expressão atônita dele a fez franzir a testa. Parecia descrente em acreditar que realmente havia escutado o que ela havia acabado de falar.

— Em que universo você vive, Alice? – disse ele, soltando um riso involuntário perante o absurdo que escutava. Não podia crer o quanto a mente de Alice podia criar absurdos demais. Ele estava realmente um tanto chocado – Você poderia fazer o que quisesse, dizer o que quisesse, mas jamais teria sido fácil para mim – disse ele, com uma convicção que roubou qualquer fala ou argumentação dela — Eu jamais teria aceitado e jamais conseguiria viver com isso.

Alice sentiu os olhos marejarem. Piscou várias vezes a fim de espantar as lágrimas recorrentes. Havia, de fato, se tornado a tola apaixonada que tanto repudiava nos livros que vivia lendo.

— Só queria proteger você, apenas isso – ela murmurou em contra-resposta, sorrindo um pouco envergonhada. Se fosse para protegê-lo de toda a dor e sofrimento, ela faria outra vez.

— Então, por favor minha querida, não tente mais me proteger – disse ele com uma fingida preocupação, e ambos riram. Ele se lembrava que todas as vezes que ela havia feito algo para protegê-lo, as coisas se tornavam bem difíceis para ele – Deixe que eu faço isso por vocês – sorriu ternamente, colocando seu filho na equação. Agora não pensava mais apenas nos dois. Agora eles eram uma família, de verdade.

Alice sorriu, aproximando o rosto do dele, até seus narizes se tocarem e ela poder roçar seus lábios na boca carnuda e macia dele.

— Amo você – disse ela. Ele imitou o gesto dela em seus lábios.

— É por isso que estamos aqui – disse sorrindo, e então a beijou com tanta paixão que mais uma vez ela esqueceu-se de coordenar seus pensamentos, sua respiração e os batimentos de seu coração, que batia única e exclusivamente por ele, e bateria por toda a vida em que ela vivesse.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Abraços pessoal :*