Os Segredos dos Seus Braços
27 Um brinde especial
Notas iniciais
Ao menos, eu espero. E pode deixar Day, se eu precisar de proteção, eu vou contar com voce, viu? skapska
Bemmmmm, aqui está o cap. PArticularmente, EU ADORO ELE.
Espero que voce tbm gostem :)
Ah, eu já falei o quanto eu DETESTO a maneira como o Nyah desconfigura TUDO no meu capitulo? tsc tsc...
MAs enfim, né? :/
Boa leitura.
;*
Cap. 27 — Um brinde especial
Biloxi, Mississippi
1901
_ Pare de reclamar, Jasper – Alice murmurou enquanto ensaboava seus braços. Atrás de si, Jasper ainda resmungava sobre a próxima festa de casamento ao qual ele teria que participar.
_ Oras, mas por que Jessica e Lauren não se casaram no mesmo maldito dia? – indagou ele, desencostando-se parcialmente da borda da banheira para aproximar de seu ouvido, indignado – Teríamos passado por aquele pesadelo de festa uma única vez – disse, voltando a se encostar na borda gelada da banheira – Mas agora, temos que ir de novo.
_ Jasper! – Alice o repreendeu aos risos, enquanto remexia-se entre suas pernas e movimentava a água espumante para todos os lados – Tenho certeza que o Sr. sobreviverá!
Jasper resmungou uma palavra pouco cortez antes de balançar a cabeça para os lados.
_ Não sei, não – disse com um tom transbordando drama – Tenho certeza de que eu terei quebrado o pé, até lá.
Alice riu antes de jogar água por sobre o ombro. Em suas costas, Jasper desemburrou no mesmo segundo ao vê-la rindo, e entrou na brincadeira. A abraçou forte, de modo que ela não conseguisse escapar, e afundou ambos para dentro da banheira, espalhando água perfumada para todos os lados do assoalho de madeira...
~•~•#•~•~
Biloxi, Mississipi
1901.
Uma semana depois...
Jasper galopava de volta à sua casa ao fim do dia. Era calmo, como todos os outros, e os ventos pareciam de bom humor, naquele crepúsculo.
Inclusive seu estado de espírito estava um tanto mais ameno.
Isso porque havia exatos 3 dias que começara a acertar o tratamento de Alice na Capital com o Dr. Billy Swan, o mesmo que havia cuidado dela há tempos atrás.
O mesmo que havia dado a noticia à Jasper sobre a doença que se abatera sobre ela.
O mesmo que havia desacreditado-o.
O médico passara todo o orçamento que Jasper precisaria desembolsar para pagar todos os médicos, estadias, remédios e tudo o mais.
Infelizmente para ambos, aquela era uma doença pouco conhecida.
E cara.
Porem, ele também já estava cuidando quanto à isso. Desembolsara tudo o que tinha no banco em seu nome, o que, para seu sistema de alerta ficar ligado, era apenas o que ele ganhava trabalhando na fazenda de café.
Pois, pelas leias, a herança ainda era de seu pai Félix.
Mas ele contara, também, com o dinheiro da hipoteca da propriedade em que viviam.
Esta que estava em nome de sua falecida mãe, Elizabeth, como um presente para ele.
Porem, ainda faltavam boas moedas de prata.
E, até o fim do tratamento dela, Jasper teria que pedir ao seu pai.
E, para isso, teria que comunicar a família toda.
Assim que chegara ao portão de sua casa, ele tentou parar de pensar em todas as suas preocupações. Sua cabeça não poderia estar cheia daquelas angustias quando ele estivesse perto dela.
Alice merecia toda a sua atenção, agora.
Quando soltou Ramos em seu quintal, ele retirou seu chapéu e respirou fundo.
Não seria tão difícil fingir que estava tudo bem quando olhasse para ela.
Apesar de que as olheiras, a palidez, a fraqueza e a insistente tosse o lembrassem do contrario.
Abrindo sua enorme porta talhada, Jasper voltou para a realidade feliz de sua casa.
Já sentia falta de sua companhia.
Porem, assim que abrira a porta, Jasper estalou os olhos para o que vira, como se eles o reconhecem de imediato.
E a raiva o dominou.
_ O que este homem faz aqui!? – ele indagou, um tanto nervoso. Alec Black jamais o deixaria em paz?
Ele jamais entenderia que Alice era dele?
Os dois, tanto Alec quanto Alice, que conversavam um frente ao outro na sala de estar, levantaram-se enquanto olhavam para Jasper.
E Jasper reconhecia os dois tipos de olhares que foram dirigidos para si.
Alec empinou um tanto seu nariz demasiadamente afinado, encarando Jasper com um ar de superioridade que surpreendera até mesmo ele.
Porem, Jasper parou de importar com Alec quando a expressão de Alice pairou sobre ele, assim que ele entrara porta a dentro.
Alice jamais tivera um olhar tao magoado quanto o que apresentava naquele exato segundo.
Jasper nem mesmo conseguira dizer coisa alguma, pois havia sido pego de surpresa.
E o silencio entre os três parecera maior do que os limites da sala de estar.
_ Alec trabalha no banco – Alice foi a primeira a cortá-lo. A voz, sempre tão leve e malditamente doce, mostrara-se dura e amargurada. Aquela não era Alice – Ele veio a trabalho, Jasper – continuou, enquanto cruzava os braços sobre o peito, encarando Jasper de uma forma distante que ela jamais encarara – Ele precisa de sua assinatura para deixar a casa em poder do banco como garantia caso você não pague pelo empréstimo estrondoso que você fez– com um sorriso triste e irônico, ela voltara-se para Alec – Se me der licença, Alec.
Alice fizera a respeitosa reverencia de retirada, mantendo seus olhos baixos os tempo todo antes de virar-se, em direção á Biblioteca.
E as pernas de Jasper o prendiam em seu lugar.
Mas quando sua mente voltou a trabalhar, ele percebeu que ela estava estranha com ele. E que estava indo embora.
_ Alice! – ele a chamou imediatamente, antes que ela chegasse ao corredor. Ele fora em sua direção a fim de fazê-la olhar para ele – Alice, espere!
Porem, Alec se projetou em sua frente.
_ Sua assinatura, Jasper – exigiu ele, pressionando a enorme pasta cheia de papéis em direção à Jasper.
Era a primeira vez que Alec dirigia-se a ele com tanta presunção na voz.
Porem, Jasper sabia que, desta vez, ele tinha razão. Ele não poderia lutar contra Alec.
Afinal, ele realmente precisava assinar aqueles documentos.
Por Alice...
Bufando, ele pegou os papeis e as canetas das mãos de Alec com tamanha má-educação e começou a assiná-los.
Pouco se importou com o olhar duro com que Alec o encarava.
Estava se sentindo realmente disposto à provocar Jasper daquela maneira.
_ Você é um miserável – Alec disse, de repente. Jasper levantou os olhos dos papéis para fuzilá-lo peito-à-peito – Não deveria enganá-la desta maneira!
Jasper apertou os olhos para ele, trincando a mandíbula.
_ Enganá-la? – indagou ele com dureza – O que você sabe sobre isso? –deu um passo em direção á Alec.
Que recuou.
_ Sei o que todos que já estivera em Michigan sabem – disse ele, dessa vez com a voz tremula – Que você jamais foi homem de uma única mulher – ele tremeu o canto do olho esquerdo – Que ainda não é e que certamente você tem tantas amantes quanto seu pai tem pés de café!
Jasper fora cegado pelas palavras de Alec e a raiva que estava tentando reprimir saira.
Quando vira, já empurrava Alec para trás com força.
_ Não diga essas coisas insanas, seu miserável! – rosnou ele, tão ameaçadoramente que até mesmo Alec, no alto de sua nova superioridade, vacilou por poucos segundos.
_ Saiba que ela e eu sempre nos gostamos – Alec disse e, de repente, um sorriso malicioso brotou em seus lábios – E quando tínhamos sete anos fizemos uma promessa! Que quando crescêssemos nos casaríamos e saiba que ela sempre acreditou nisso!
Jasper fechou as mãos em punhos, seu peito inflando de acordo com as lufadas de ar que ele soltava a cada palavra pronunciada por Alec.
_ Vou convencê-la de que é melhor acabar com essa farsa que é o casamento de vocês – ele pronunciou isso com uma pausa detalhada, encarando Jasper bem nos fundos olhos.
E este perdera de vez a cabeça.
_ Cale-se, seu verme! – rosnou Jasper, empurrando Alec pelo peito com ainda mais forças, até fazê-lo cair contra a poltrona de coro e ali ficar, estático diante da raiva dele — Quando tinham sete anos ela se importava tanto com casar-se quanto se importava em fazer bordados! – esbravejou ele, apontado de dedo no nariz afinado de Alec- Não vai fazê-la desistir de nada, seu grande merda!
Alice soltou um “oh” surpreso diante do palavrão de Jasper.
Era tão indigno falar aquele tipo de coisa que ele se assombrou.
Mas Jasper não o esperou recuperar-se de seu susto, pois saíra da sala de estar um segundo depois, atirando os papeis no colo de Alec e se dirigindo à biblioteca.
Seu estado de nervos estava tao grande que ele nem ao menos percebeu a distancia entre a sala e a porta da biblioteca.
Já a abria aos impulsos quando percebera.
Alice estava parada, os braços em volta de seu tronco, olhando para algum ponto além da janela.
De longe Jasper pôde notar seus brilhantes olhos castanhos marejados.
Ele se aproximara sorrateiramente com o coração aos solavancos. Tudo acontecera tao rápido que ele havia perdido o poder das palavras.
Diante da dor de Alice, ele tornava-se mínimo demais.
_ Por que pegou todo aquele dinheiro do banco, Jasper? – Alice disse em meio ao silencio que haviam criado. Sua voz ainda parecia triste demais – O que queria com esse dinheiro?
_ Alice, eu...
_ Era para comprar alguma jóia? – ela virou-se de repente, os olhos querendo derramar as lágrimas que ela claramente tentava evitar. A rispidez que ela já não tinha mais com ele, voltando – Ah, quem sabe uma propriedade longe para se encontrar com alguma mulher! – ela cuspiu aquela acusação contra ele, impedindo-o de falar qualquer coisa.
_ Alice, pare, eu...
_ Talvez sejam algumas mulheres, não? – ela sorrira ironicamente, enquanto a lágrima salgada marcava sua pele translúcida. Jasper vira quando um arrepio passara por seu corpo e a arrepiara por completo. Ele tentou reprimir o impulso de ir até ela e abraçá-la.
_ Por favor – ele tentou dizer enquanto ela fazia uma pausa em suas acusações para tapar a boca, certamente por conta de mais uma enxurrada de tosses – Me escute. Eu não....
_Creio eu que costumes antigos jamais morrem, Jasper – ela o cortou outra vez. E, agora, ela tinha apenas um fio rouco de voz.
Jasper bufou, dando um passo em sua direção. Suas mãos se perderam no ar antes de conseguir tocá-la.
_ Não sabe o que está dizendo! – ele argumentou, desesperado diante do choro que ela mostrava tentar controlar – Eu não...
_ Eu o odeio! — ela exclamou bruscamente, calando o ambiente completamente. O grito de dor que saira por suas palavras calaram Jasper com um tapa em sua face.
Ele jamais pensara que algo dentro dele se partiria ao escutar algo daquela magnitude dela outra vez.
Antes, não fazia diferença. Agora, ele pensava treze mil coisas ao mesmo tempo.
_ Não diga isso...
_ Eu sempre vou odiá-lo! – ela quase gritou, grasnada. E, tao rápido quanto um raio, ela começou a tossir descontroladamente.
Mesmo destruído por dentro como Jasper começou a se sentir, ele não evitou e se aproximou dela, a fim de ajudá-la com aquela maldita tosse.
Porem, ela o afastou bruscamente, como se ele fosse o mal que ela já não quisesse por perto.
_ Não toque mim! – ela puxou seu braço enquanto tapava a boca com seu xale.
De seus olhos, Jasper jamais pensara enxergar tanta amargura.
A frieza daquela biblioteca fora demais para ambos. Enquanto se encaravam, a brisa calma que entrava pela alta janela fazia mais barulhos do que os dois.
O silencio que havia desaparecido entre os dois há tanto tempo.
Com uma batida de coração, Alice desviou o olhar do dele, piscando varias vezes a fim de espantar o choro. Passou por ele sem nem ao menos deixar que o perfume natural de sua pele a afetasse.
E saiu porta a fora, fechando-a em um ruidoso e perturbante baque.
_
Jasper estava deitado em seu lado da cama, encarando o teto que o distraia. Ao seu lado, Alice havia virado-se de costas para ele e pegado no sono cedo demais para ser verdade.
Certamente devido à sua fraqueza, combinado com o tanto que havia chorado dentro da casa de banho.
Não havia mais dirigido a Jasper um único olhar ou um único sorriso.
Seus dedos formigavam em tocá-la, ali, tao perto e com os ombros descobertos outra vez.
Ah, como ele queria que ela o escutasse...
Porem, ele não podia negar que entendia o ódio que ela estava sentindo dele. Qualquer outra mulher, por mais sensata que fosse – como a própria Alice era – pensaria que ele havia feito aquilo, mesmo.
Tanto dinheiro em empréstimo que ele não sabia explicar.
O problema era que ele sabia explicar. Ele apenas não podia explicar. Apesar de que ele via, a cada dia, o momento que teria que revelar para ela que ela estava gravemente doente, se aproximar.
E que ele escondia aquilo dela apenas para protegê-la.
Jasper passou as mãos nos olhos ao imaginar o quanto Alice se chatearia com ele quando ele lhe contasse que estava escondendo aquilo dela.
Ele apenas rezava para que ela entendesse.
Porem, enquanto esse momento não chegava, ele sabia que precisava contar aquilo ao menos para as irmãs dela, pois tao logo ela se queixaria com elas e Jasper não teria o apoio nem de Bella muito menos de Rose.
Quem sabe o Sr. seu pai também pudesse clarear seus pensamentos.
Virando a cabeça para o lado, ele decidiu que contaria para elas, apenas para prepará-las para dias difíceis que se aproximavam. Tentou se ajeitar no colchão de um modo que não a acordasse, e branqueou sua mente de tudo.
Naquela noite tão pesada, ele dormira encarando a curva de seu pescoço.
~•~•#•~•~
Biloxi, Mississippi
Tarde do dia seguinte
1901
Jasper se virou para todos que estavam naquela sala.
_ Alice teve uma grave constipação a algumas semanas atrás – disse ele com a voz morta. Reunira na sala da fazenda Bella, Rose, Edward, Emmett e Félix, seu pai, para contar-lhes o tamanho do peso que estava enfrentando – O medico disse que é provável que ela tenha desenvolvido Tuberculose. Sabem, aquela peste que está assolando muitos lugares por aí – ele engoliu em seco enquanto remexia em seu chaveiro.
O silencio dentro da sala estava absoluto ate Rose fazer um som com a boca muito parecido com uma exclamação chocada.
_ O...O que? – Bella indagou, dando um passo à frente. Parecia transtornada.
_ È isso mesmo, Bella – Jasper repetiu com um tom tao pesado na voz que era ele quem parecia doente. Ele olhou para ela, sentindo as olheiras começando a se formar nele, também – Alice está doente.
Rose virou-se para Emmett para abraçá-lo e começar a chorar alto. Dentro da sala, o silencio estava tao pesado quanto o peso sobre os ombros de todos, agora.
_ E quando pretendia nos contar isso? – Félix indagou, a voz firme, enquanto Bella acompanhava Rose em um choro alto.
_ Bem, eu apenas não queria que Alice soubesse – ele murmurou, colocando as mãos dentro dos bolsos, perdendo seu olhar em outra coisa – Ao menos não agora. E, quanto mais pessoas soubessem, era mais fácil alguém cometer um deslize.
_ Jasper, você tem que levá-la daqui – Edward disse com pressa na voz. Ate mesmo ele estava surpreso com aquela terrível noticia – Não pode esconder isso dela para sempre.
Jasper estalou a língua, virando-se de costas novamente.
_ Eu sei, eu sei – disse ele – Mas estava esperando ver alguma melhora nela para contar.
Quando ele calara-se antes de terminar suas palavras, alguém pigarreou.
_ E.... ela não melhorou para que você contasse – Emmett murmurou, deduzindo. Quando todos assimilaram aquilo, houve novamente um cortante silencio.
_ Não realidade, Alice está piorando – disse ele, piscando os olhos e controlando a frustração que estava evidente em si – Acho que são as amostras. Ela deve estar ficando resistente.
_ Oh Santo Deus, Jasper! – Félix exclamou, indignado, jogando as enormes e rechonchudas mãos para o céu.
_ Precisamos contar para nossa mãe! – Rose exclamou com a voz embargada. Desencostou-se do peito de Emmett para encarar seu cunhado – Precisamos contar para ela, Jasper!
_ Não! – Jasper espalmou as mãos no ar, abruptamente – Não conte para Esme agora, por favor.
_ E por que não? – Bella indagou, dando um passo em direção à ele.
_ Esme acabaria por desesperar-se e iria atrás de Alice – ele respondeu, trazendo á tona o resto de sensatez que ainda tinha – Contaria à ela antes que eu a levasse para a capital.
Novamente houve silencio diante de suas palavras.
Até Rose cortá-lo novamente.
_ E quando você pretende levá-la para lá? – ela sussurrou, piscando os olhos vermelhos.
Jasper suspirou, voltando a colocar as mãos nos bolsos do casaco.
_ Logo depois da festa de casamento de Jéssica e Jacob – disse ele com o mesmo tom morto de antes – Ela está animada para ir – quando lembrara-se dela rodopiando pelo quarto à duas noites atrás depois do banho que haviam tido juntos, ele sorriu fracamente.
Oh Deus, quando sua vida havia se complicado tanto?
_ Conte-nos sobre esse tratamento, Jasper – Edward perguntou com calma. Acariciava vez ou outra as costas de sua Sra, a fim de acalmá-la.
Jasper começou a andar pela sala. Jamais se fixava em uma única coisa.
_ Há três dias que eu estou conversando com Dr. Swan, da Capital – disse – Ele tem me passado todo o protocolo, o que ela precisará tomar, o que precisará fazer e... bem, o quanto custará.
Todos na sala se entreolharam, preocupados.
_ E quanto será isso? – Bella sussurrou, um pouco mais controlada do que sua irma Rose.
Jasper olhou para a cunhada com os olhos caídos.
_ Mais do que eu tenho no momento – suspirou ele, sentindo-se tão patético quanto perdedor – Mas eu peguei boas moedas de prata do banco e... bem, hipotequei a casa para começar a pagar.
_ Você o que? – Félix exclamou de repente, cortando todos dentro daquela sala com sua voz gutural.
Tanto Jasper quanto os outros se viraram para ele, confusos.
_ Por que esta cara, meu pai? – Jasper indagou, depositando as mãos nas cinturas – Eu hipotequei a casa que mamãe havia me dado – ele enfatizou bem aquela palavra, relembrando à seu pai que ele não tinha poder sobre ela.
Coisa que sua mãe havia deixado claro, em vida.
Félix, bufando, se virou de costas, tremendo o canto do olho.
_ Que grande presente à memória de sua mãe – resmungou ele para si mesmo.
Se Jasper não estivesse tao preocupado com a vida de Alice, teria iniciado uma tempestuosa discussão com seu pai.
_ Acha que se você contar á ela, Alice deixará o orgulho falar mais alto em relação a você cuidar dela? – Bella indagou, aproximando-se novamente de Jasper – Que piorará por se sentir uma fraca?
Jasper assentiu, feliz em ver que alguém entendia seu lado.
_ Por isso temos que manter segredo por enquanto – disse ele enquanto encarava todos — Todos nós.
Bella, Edward e Emmett assentiram ante suas palavras.
Porem, Félix e Rose não.
_ Essa cidade tem segredos demais, Jasper – murmurou ela, os olhos marejados.
Jasper se aproximou de Rose, entendendo seu desespero diante daquela noticia. Ele próprio estava tao desesperado quanto.
Porem, mantinha friamente o controle.
_ Rose, por favor – ele murmurou, olhando bem fundos nos olhos dela – Não conte nada à ela por enquanto.
Mesmo desestabilizada como estava, Rose assentiu, antes de cair em prantos novamente.
Todos passaram a pensar consigo mesmos, analisando o quanto a situação era grave. O silencio pairou enquanto tudo ficava muito desconfortável.
Jasper era o mais distante entre todos.
Porem, se tudo ficasse apenas no clima desconfortável, ainda poderia ser lidado facilmente. Mas Félix o quebrou com as palavras muito bem selecionadas.
_ Jasper? – ele o chamou, andando pela sala de estar de modo pensativo. Quando o mesmo – juntamente com todos os outros – o olharam, ele continuou – Você já pensou... já pensou em colocar Alice em... em um daqueles lugares indicados para as pessoas com essas enfermidades, filho? – ele encarou Jasper com um brilho diferente nos olhos, pensando consigo mesmo como sua sugestão seria interpretada por cada um ali.
Tanto Jasper quanto os outros pareceram parar por instantes para analisar as palavras de Félix. Edward e Emmett se entreolharam enquanto Jasper encarava seu pai com um semblante estranho.
Ele tentava entender de que lugar seu pai falava. Em que tipo de hospital se internavam pessoas com doenças graves.
Puxando pela memória, ele se lembrava das conversas com seus padrinhos negociantes e amigos de seu pai, onde comentavam muito sobre as pessoas internadas em espécies de sanatórios para se recuperarem.
Mas... seu pai estava sugerindo para que ele a colocasse lá?
Não fazia sentido, oras!
_ Jamais! – ele exclamou franzindo o cenho e engrossando a voz – Jamais, meu pai, o Sr cogite essa possibilidade outra vez. Eu não vou internar minha mulher em um daqueles sanatórios imundos, por Deus!
Félix afinou os lábios, ainda olhando para seu filho. Jasper pareceu não entender aonde ele queria chegar.
_ Não precisa ser você – disse ele sugestivamente. Deu um passo em direção à Jasper na sala de estar – Eu posso fazer isso, Jasper. Vai ser melhor para todo mundo, até mesmo para Alice – ele continuou, observando atentamente cada mudança do semblante dele – Você sabe, o governo manda essas pessoas doentes para lá.
Ainda com uma expressão severa, Jasper se vira analisando aquilo novamente. Lembrava-se muito bem de uma das conversas, em que seu amigo dizia-lhe que seu filho, mandado para um desses sanatórios do governo por conta de sua Meningite, jamais voltara.
Haviam muitos boatos de que as pessoas que iam para lá, era apenas para adiantar a morte.
Todo seu corpo congelara no mesmo segundo.
Seu pai jamais deveria sugerir algo tão absurdo para si. Jamais.
E, além do medo repentino de ver Alice indo para lá – fosse pelas suas mãos ou pelas mãos de seu pai -, a raiva o dominou.
O instinto de proteção falara mais algo do que o controle.
Quando Jasper e qualquer um naquela sala de estar perceberam, ele já pegava seu pai pelo colarinho do paletó.
_ Se relar em Alice meu pai, esquecerei dessa sua condição comigo e nos entenderemos no punho! – rosnou ele, queimando seu pai com suas palavras e com seu olhar mortal.
_ Jasper, acalme-se! – Bella e Rose exclamaram juntas, horrorizadas com repentina briga. Edward e Emmett puxaram Jasper pelos braços antes que ele perdesse a cabeça com Félix.
Ele livrou-se das mãos de seus cunhados para encarar todos, semicerrando os olhos para cada um.
Aquele pensamento não poderia fortificar-se na mente de nenhum deles.
_ Ninguém, entenderam? Ninguém tocará em Alice – disse ele entre os dentes, apontando para todos os rostos perturbados – Nenhum de vocês a mandarão para qualquer lugar que seja.
Assim que todos ficaram estarrecidos com a magnitude da ameaça de Jasper, o silencio imperou novamente. Com o coração batendo à mil, Jasper saiu dali pisando duro, deixando todos para trás.
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Biloxi, Mississippi
Dia seguinte
1901
Jasper assinava algumas papeladas, concentrado e terrivelmente mal humorado, quando Consoelo batera discretamente na porta de seu escritório. Ele apenas levantou o olhar para ela sem sair de sua posição.
_ Sim?
_ Desculpe Sr. Witlock – disse ela pigarreando enquanto encarava o tapete – O Sr. seu pai está aqui.
Antes que a Sra. saísse da frente da porta, Félix aparecera logo atrás, com seu usual ar de seriedade e seu enorme casaco de couro preto.
Jasper fechara a expressão ainda mais quando vira seu pai ali.
_ O que quer aqui? – indagou ele com dureza, largando a caneta e o tinteiro sobre a mesa bruscamente.
Félix olhou para Consoelo antes de responder, esperando que a mulher saísse. E, quando o fez, ele começou a retirar o casaco com naturalidade, como se nenhum clima estranho tivesse permeado por ali.
_ Vim ver como você está – deu de ombros.
Jasper não amenizou sua expressão, voltando a pegar a caneta e ignorar com frieza a presença de seu pai.
_ Como acha que estou? – perguntou retoricamente. A maneira como seu pai havia sugerido o absurdo de internar Alice no sanatório, tão casualmente como se falasse de qualquer outra pessoa, o havia mexido por dentro.
Felix suspirou colocando as mãos nos bolsos. Detestava a forma como Jasper continuava a fazer seu trabalho sem encará-lo.
_ Não olhará mais para mim? – indagou ele, parando.
Apenas por isso Jasper levantou o olhar, parando por um curto tempo.
_ No momento, seu olhar me enraivece, papai – disse monotonamente, lembrando-se de Alice lá em cima, deitada novamente.
Que, por sinal, ainda não voltara a falar com ele.
_ Onde está Alice? – perguntou Félix, parecendo que também lembrara-se de Alice.
E Jasper se armou no mesmo segundo.
_ Fique longe dela – ameaçou ele, levantando-se automaticamente de sua enorme poltrona.
Félix parecera surpreso com a hostilidade de Jasper.
A única mulher que ele defendia daquela maneira tão bruta era sua mãe, quando ainda era viva.
Mas prometera jamais lembrar Félix sobre seu passado, quando este perdia a cabeça tão facilmente e tentava descontar em Elizabeth...
_ Calma, homem! – disse ele soltando uma nervosa risada. Há muito tempo ele havia se convencido de que já não poderia mais ganhar lutas físicas com Jasper – Não farei nada contra ela. Na realidade, vim apenas para esclarecer a você que não tenho nada contra Alice. Absolutamente nada!
_ Ontem não me pareceu isso – retrucou Jasper, acusando-o.
Félix abaixou o olhar novamente, parecendo levemente envergonhado.
_ Sinto muito — murmurou ele – Vim também para lhe pedir desculpas. Não era minha intenção zangá-lo.
Jasper, que parecia pronto para iniciar uma guerra particular com seu pai, vacilou ante seu pedido de desculpas. Quer dizer, até mesmo Félix Witlock poderia desculpar-se por algo, certo.
_ Bem... – Jasper pigarreou, incomodado – Tudo bem, meu pai. Esquecemos aquilo.
Félix sorriu pela guarda de seu filho parecer estar abaixando. Era muito mais fácil lidar com Jasper quando ele não o odiava.
Principalmente com o que ele diria agora.
_ Mas eu preciso deixar-lhe uma coisa clara – disse ele, colocando a mascara de seriedade em seu rosto novamente. Por mais que detestasse negar aquilo ao filho – coisa que jamais negara – ele achava realmente necessário.
_ Diga – Jasper espalmou as mãos na mesa de madeira, olhando seu pai com igual seriedade.
Quando Félix andou de um lado para o outro, Jasper ficara preparado para qualquer coisa que pudesse ser.
_ Não lhe ajudarei com nenhuma moeda.
E foi exatamente como ele imaginava.
De um modo ou de outro, contava com a ajuda de seu pai para os custos do tratamento caríssimo de Alice, afinal todo o dinheiro ainda era dele.
Porem, Félix deixara muito bem claro, desde a ultima reunião, que sua ultima intenção era ajudar Alice.
E a decepção marcou seu peito novamente.
_ Eu já esperava isso do Sr., meu pai – murmurou ele asperamente, voltando a sentar-se e remexer em seus papeis.
Ao menos ele tinha o dinheiro da hipoteca.
_ Jasper, filho, entenda! – Félix andou até frente à mesa de Jasper, esquecendo o bom senso e mostrando o quanto estava indignado – Comprar remédios, pagar médicos particulares e tratamentos caríssimos... isso tudo é tempo perdido!
Jasper voltou a olhá-lo perigosamente, como se passagem a mensagem de que, se ele não parasse de insinuar que era tempo perdido tratar de Alice, ele realmente esmurraria seu pai.
_ Será que terei que dizer novamente que eu mesmo cuidarei de minha mulher? – indagou ele retoricamente – E ela ficará bem!
Já se enchera de toda aquela ladainha.
Félix bufou, colocando as mãos na mesa, assim como Jasper fizera.
_ Jasper, pense racionalmente filho – Félix sabia que seria difícil mudar os pensamentos de Jasper, como sempre fora, porem ele havia pensado sobre o pedido de Sr. Volture. E sabia que Jasper sempre havia desejado aquilo também – Sabemos que essa doença ainda é muito nova para que o tratamento funcione certamente! Sabemos que... infelizmente Alice tem poucas chances... – ele falou cada palavra devagar, não querendo desenfrear a fúria de Jasper novamente.
Mesmo que não se importasse em qual fosse a esposa de seu filho, também não desejava o mal à Alice.
Jasper engoliu em seu seco, errando a linha do papel em que escrevia.
_ O Sr. está completamente insano! – exclamou ele, um pouco agudamente demais. Não cometera o erro de encarar seu pai, pois sabia que ele veria em seus olhos o quanto aquela idéia também passava por sua cabeça.
E o quanto aquilo o deixava vulnerável.
Félix maneou a cabeça efusivamente, aproximando-se um pouco mais de seu filho.
_ Você também sabe que ela... ela acabará por... morrer – murmurou cuidadosamente – E você também sabe que logo terá que encontrar outra esposa para que tenha herdeiros – mesmo que visse o quanto suas palavras estavam ferindo Jasper de uma maneira irreversível, ele não hesitou em continuar – Vê? Essa é a sua oportunidade de se casar com Jane Volture, como quisera desde o começo! – seu sorriso fora tão largo que enrugara toda sua face.
Lembrava-se perfeitamente da conversa que haviam tido no começo de tudo aquilo, quando Jasper irritara-se profundamente com a idéia de ter que casar-se com Alice.
E não com Jane.
Entretanto, com a reação de Jasper, ele vira que aquela não era mais a realidade que imperava no coração do filho.
Algo realmente grande havia mudado, ali.
_ Para o inferno Jane e todas as outras moças estúpidas, burras e fúteis que tem nessa cidade de merda! – ele quase gritara, espalhando os papeis por todos os lados para que não corresse o risco de rasgá-los completamente diante de sua tamanha raiva – E se você, meu pai, dizer outra vez que Alice não se recuperará e que eu tenho que abandoná-la à sorte, tenha em mente que cortarei nossos laços para sempre.
Félix batera bruscamente o punho na mesa, fazendo tudo sobre ela vibrar.
Detestava quando não era escutado.
_ Deus, quando você se tornara tão estúpido? – exclamou ele duramente.
_ Pouco me importa se me considera estúpido ou não – ele retrucou na mesma altura, no mesmo tom – Eu mesmo cuidarei de Alice. Darei um jeito e cuidarei – cerrou os dentes, estendendo-se em pé – E, se não for pedir muito, gostaria que se retirasse.
Félix bufou como um touro, fuzilando Jasper. Pensara que desenvolveria algo com aquela visita, mas vira que a motivação de Jasper era maior do que suas insanas palavras.
Derrotado, ele buscou seu casaco de couro preto, a carranca tão evidente que até mesmo assustara.
Diante do olhar de Jasper, ele se virou.
Porem, antes de tomar a saída, o olhou por sobre o ombro.
_ Me desculpe, filho – murmurou ele, sentindo seu peito apertar. Elizabeth, definitivamente, fazia-lhe falta – Cada pai pensa em seu filho – continuou, agora seu tom abaixando drasticamente – E eu estou apenas pensando no meu.
Jasper abaixou o olhar para o pequeno brilho cansado dos olhos de seu pai. O entendia. Detestava o que entendia, mas... entendia.
Félix acreditava mesmo que Alice morreria de Tuberculose.
Ele e o resto do mundo.
Não disse absolutamente nada para seu pai, mas assentiu para ele, mostrando que estava tudo bem.
Não o odiaria por pensar erroneamente como pensava.
Mas mostraria que estava completamente errado...
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Biloxi, Mississipi
Dois dias depois
1901
Alice já não falava com ele há quase dois dias.
E Jasper sentia o mau humor nele próprio quase se tornar físico.
Ela descia quando ela já havia saído e dormia sempre mais cedo. Deitava-se o mais afastada que o colchão permitia, cobrindo até os ombros para que ele não pudesse nem ao menos olhar sua pele.
Deus, ele estava por morrer de tanto que a desejava.
Não sabia o que se passava pela cabeça dela, mas tinha a noção de que ela o imaginava tendo casos com outras mulheres, assim como ela havia deixado claro, enquanto discutiam na biblioteca.
E era exatamente aquilo.
Alice não conseguia mudar o pensamento, que a atormentava segundo à segundo. As tardes inteiras imaginando Jasper dando prazer à outros corpos como fazia majestosamente com o seu.
E, se ainda por cima, ele sentisse... algo por alguma dessas mulheres?
Sim, pois apenas aquilo explicaria o tanto de dinheiro que ele pegara do banco. Fechando os olhos com força, ela tentou reprimir o choro novamente. Era a primeira vez que ela pensava ter algo somente dela.
Mesmo que fosse Jasper, seu marido. Aquele que ela sempre detestou.
Mas, que agora, não conseguia ficar longe, mesmo que fosse em pensamento.
Mas, todo esse tempo, ela enganara-se. Era uma tola seriamente, e todos pareciam saber daquilo, menos ela própria.
E, sempre que pensava naquilo, a raiva fluía em seus olhos em forma de grossas lagrimas.
Assim como acontecia naquele exato momento. Ambos se preparavam para dormir, já devidamente vestidos. Seu penhoar rosa fora depositado com vagarosidade sobre o criado mudo, enquanto ela mantinha a cabeça baixa.
Ignorava toda e qualquer coisa que Jasper dissesse.
Aos poucos, ele parecia desistir de tentar.
Do outro lado, ele tirara a camisa, como fazia todas as noites, ficando apenas com sua calça de algodão.
Ah, tão tocável que ela quase se rendia à necessidade de perdoá-lo apenas para tocá-lo novamente, a necessidade de ser dele outra vez.
Mas ela estava chateada demais, magoada demais com suas verdades.
Se ele queria as outras, que fosse procurá-las, então.
E Jasper pareceu não suportar mais o silencio dela, naquela noite. Quando ela pareceu abatida demais, ele tentou outra vez. Estendeu a mão até tocar seu braço fino para virá-la para ele.
_ Alice, por...
_ Não toque em mim! – ela afastou-se bruscamente, assustada e surpresa com a nova tentativa dele.
Estava tão deprimida e fraca que nem pensou em suas atitudes e palavras.
E quando ele a olhou tão intensamente, ela teve vontade de chorar. Em um ato desesperado pela dor, ela puxou as laterais de sua camisola e a tirou, ficando completamente despida ao calor das velas.
Via o desejo nos olhos dele, e aquilo a perturbava demais.
Afinal, era o dever dela, certo? Dar ao seu marido tudo o que ele desejasse de si.
Fora ensinada assim.
O olhar dele vacilou ante seu corpo exposto, como sempre fazia. Tão linda e delicada, com as extremidades prontas para ele.
Talvez por vergonha, ou igual desejo.
Porem, nesses momentos, ele sorria. Sorria ao ver que tudo o que via era dele. Entretanto, agora, seus olhos pareciam tristes demais, chocados ante a atitude inesperada dela.
_ Tome logo o que quer, Jasper – ela se inclinou para traz na cama com rispidez, segurando as lagrimas enquanto o olhava e entreabria as pernas – Tome e não olhe mais para mim. – sua voz falhou. Pensara que ele a queria só para aquilo. Afinal, em seu casamento, era isso que tinham todos os dias.
Mas era coisa de momento, de desejo. Não havia... amor entre eles e pensar naquilo a fazia ter ainda mais uma vontade desesperadora de chorara até secar.
Deus, o que estava sentindo por ele que a enfraquecia tanto?
E Jasper ficara em choque que ver como aquele ato dela demonstrava claramente o que ela sentia por ele.
Nojo.
O ressentimento que abatera seu peito o fez dar um passo para trás.
Era um sentimento impagável.
Não podia negar que vê-la daquela maneira lhe ascendia tudo que abaixava enquanto estava longe dela. Porem, não queria tomá-la quando ela fazia parecer uma obrigação.
Apenas uma satisfação dele próprio. Queria que estivessem juntos, naquilo.
Como sempre.
Mas, naquele momento, queria mesmo era conversar, fazê-la acreditar em suas palavras quando dizia que o dinheiro do banco não tinha nada a ver com mulheres. Que, para sua surpresa, não pensava mais em Srta.’s nenhuma.
_ Não quero isso... – ele suspirou, enquanto o olhar imensamente sofrido de Alice fincavam-se nele. Ela parecia querer chorar descontroladamente e suas bochechas pareciam um pouco coradas. Mas ele entendia que deveria ser pela tamanha exposição, pela tamanha intimidade em que expusera à ele.
Ela segurava as lagrimas, tinha uma pose de forte demais, e, sendo assim, não poderia chorar na frente dele.
Não a Alice.
Jasper suspirou, vendo que poderia piorar a situação caso tentasse falar qualquer coisa que fosse. Não tinha como conversarem.
– Eu... – ele se afastou um pouco mais da cama em que ela ainda permanecia, segurando os olhos para não rolar eles por seu corpo. E então ele decidiu — Eu vou para outro quarto.
Ele se dirigiu para a porta em silencio. Seus ombros pesavam mais do que mil elefantes e isso ajudou ele a não notar o espanto repentino nos olhos de Alice.
Ela não esperava, realmente, que ele fosse para outro quarto.
Jasper parou com a porta entreaberta e olhou para ela, deitada na cama e respirando erroneamente.
E saiu, então.
Um dos quartos de hóspedes era no fim daquele mesmo corredor e ele não tardou à chegar lá. Era pequeno e abafado, pois as janelas dificilmente eram abertas.
Mas ele pouco estava ligando para o conforto.
Jogou-se na cama como um peso morto, e fora lá que começou à pensar. Eram apenas poucos metros que o separava dela
Porem, entre seus corações, havia um abismo do tamanho do mundo.
~•~•#•~•~
Biloxi, Missipi
1901
Havia chegado, finalmente, o dia do casamento da segunda Stanley – Jessica – com o primeiro Halle – Jacob.
E a cidade toda não falava de outra coisa.
Alice, que estava tão animada para ir à outra festa a dias atrás, já não mostrava-se mais daquela maneira. O clima entre ela e Jasper não havia melhorado nenhuma miligrama e ela sabia que demoraria muito para que melhorasse. Era difícil demais olhá-lo de longe – e notar seu olhar entristecido – e não correr para dizer que o perdoava.
Apenas para que ele a beijasse.
Porem, aquele sinal eminente de rendição era deprimente de tão estúpido. Não podia dar o braço á torcer e perdoá-lo tão facilmente.
Não se ele não dissesse para que usara todo aquele dinheiro.
Mesmo que fosse para dizer-lhe o que suspeitava.
E aquele clima estava matando Jasper pouco à pouco. Pouco entendia aquela necessidade absurda de esclarecer tudo com ela e fazê-la falar com ele outra vez. Porem, não podia dizer a verdade.
Não naquele dia.
E era exatamente aquilo que pensava enquanto a carruagem se dirigia para o salão de festas dos Stanley.
Outra vez.
Alice estava sentada do outro lado do banco, calada, enquanto olhava pela janela as pessoas passarem.
Inclusive seu perfume o perturbava.
_ Se sente bem para ficar em uma festa? – ele perguntou, rompendo o silencio. Não podia evitar aquela corriqueira pergunta. Não gostaria de vê-la passando mal durante a festa apenas para levantar falatórios entre as pessoas sobre seu estado de saúde.
As pessoas descriminavam muito pessoas doentes.
_ Não lhe interessa – ela murmurou rispidamente, pouco se dando ao trabalho de olhar para ele. Apenas apertou sua mão em seu vestido, controlando-se, ele deduziu.
Ele não tentou falar novamente.
Dentro do salão, a decoração imitava a primeira, e Jasper viu poucas coisas novas.
E as mesmas coisas entediantes.
Seguiu Alice pelo caminho de pessoas, não opinando em onde iriam se sentar. Mas, quando avistara seu pai, Félix, sentado na mesa principal juntamente com Sr. Stanley e o prefeito de Michigan, Sr. Halle, ele já sabia em que estavam destinados.
Tocou o ombro de Alice para mostrar-lhe que já tinham destino certo. Mesmo que fosse discretamente, ela desviou de seu toque.
E ele apenas suspirou, esperando por aquilo.
Se encaminharam em silencio até a mesa em que estavam sentados. Ao centro e em evidencia.
_ Ah, grande Jasper! – Sr. Halle levantou-se assim que eles se aproximaram, levantando os curtos braços para pegá-lo em um abraço – Como você cresceu, seu filhote de mamute! – gargalhou alto, assim como todos os outros homens que estavam por perto, enquanto apertava os ombros de Félix.
_ Olá, Sr. Halle – Jasper cumprimentou, porem muito menos efusivamente.
_ E quem é essa belíssima moça, hãm? — indagou o homem assim que Alice saira de trás de Jasper com sua mudez.
_ Essa é Alice, minha esposa – respondeu ele, temendo tocar-lhe nos ombros outra vez e outra vez ela afastá-lo.
Afinal, ninguém precisava saber que estavam em crise.
O homem sorriu largamente, pegando a mão de Alice para beijá-la respeitosamente.
_ Mas vamos, faço questão que se sentem aqui comigo – ele os pressionou à sentarem juntamente com a família Stanley na enorme mesa principal.
Não fora a melhor opção de Alice, a julgar pelo olhar de Lauren, no canto oposto.
Mesmo que toda a vida houvesse sido ideal para provocar as irmãs Stanley.
Porem, seu estado de ânimo não estava para piadas, brincadeiras muito menos provocações.
Naquela noite, ela estava vulnerável.
_ E como está a vida lá em Michigan? – Félix iniciou a conversa, falando alto o suficiente por conta da música que tocava.
Alice passou a olhar para enorme salão aos pés da mesa principal. Todos dançavam e sorriam, assim como havia sido a festa de Lauren. Se fosse em outro momento, lhe alegraria imensamente dançar.
Porem, ela precisaria de Jasper para isso e era claro e evidente que ela não se aproximaria dele para tanto.
Afinal, ele até já havia ido para outro quarto. Certamente havia dormido perfeitamente, assim como fazia todas as noites, ela pensava. Nem passava por sua cabeça egoísta o quanto ela lutou para conseguir dormir.
Como sua presença em suas costas a fazia falta, agora...
Enquanto olhava para os convidados, ela avistou sua família sentada em uma mesa quase à frente da mesa principal. Todos.
Inclusive Emmett voltava a comer.
Ela sorriu quando sua mãe lhe acenou a mão. Suas irmãs não pareceram tão animadas ao olharem para ela, mas ela deduziu que fosse por conta do lugar onde ela estava.
Era tão ridículo ficar exposta daquela maneira.
Alice mordeu o lábio ao olhar para a mesa de sua família e ver a cadeira que ela e Jasper deveriam ocupar.
Como se a chamasse.
Mordeu o lábio, encostando-se em sua cadeira.
Não seria deselegante, seria?
Afinal, ela havia sido deselegante sua vida inteira. Não havia motivos para ela não voltar a ser.
Era sua natureza, ela murmurou para si mesma.
_ Jasper? – ela o chamou, um pouco a contra-gosto. E quando ele se virou imediatamente para ela, certamente surpreso por escutá-la chamando seu nome outra vez, ela vacilou e quase cedeu.
Ah, o olhar dele era tão profundo quando a olhava que era impossível não amá-lo...
“Quer dizer, amar os olhos!”, ela pensou de imediato, sussurrando uma palavra não culta que aprendera com seu marido. Agora, ela vivia tendo que corrigir seus próprios pensamentos, pois variavam disso entre coisas mais absurdas.
_ Sim? – ele indagou, parecendo ansioso em saber o porquê ela havia voltado a falar com ele.
Ela até repensou se o frustraria daquela maneira, mesmo.
“Jasper e as outras mulheres...”, a voizinha irritante de seu inconsciente lhe lembrou novamente, apenas para mostrar como ela era patética em se preocupar tanto com ele.
Ele certamente não pensava nela quando comprava jóias para as mulheres com quem ele se encontrava.
Logo, sua carranca voltara para o lugar e o amargo em sua voz também.
Novamente, ela não era a Alice.
_ Irei sentar-me na mesa com minha família – disse ela secamente, virando-se para sair de seu assento antes que ele a fizesse ficar.
_
_ Vamos, Alice, tome um pouco desde vinho! – Emmett lhe empurrou uma taça, cansando de vê-la tão quieta e distante.
Ela sorriu um pouco, preferindo aceitar ao ter que explicar um mantra para seu cunhado que o convencesse a largar de seus calcanhares. Ela bebericou, correndo os olhos pela mesa principal.
Tentava inutilmente evitar.
Ele ainda permanecia lá, respondendo, com o mesmo sorriso forçado que viera demonstrando durante toda a festa, o que seu pai e Sr. Halle perguntavam à ele.
Mas, assim como ela, seu olhar também voltava para aquela mesa.
Eram os fugazes segundos que seus olhares se encontravam que a remexiam o estomago. Santo Deus, não deveria fazer tanto mal à ela o poder que aquele par de olhos verde-envelhecido tinha.
Mas, ele não o sustentava por muito mais que segundos, pois sua expressão mostrava o quanto ele parecia... atento. Ele olhava para o redor daquela mesa, como se cuidasse quem se aproximaria ou não.
Ela sabia que ele procurava por Fortunato Black.
E, de certo modo, aquilo a confundia e confortava. Quer dizer, ela tinha tanto receio daquele homem quanto Jasper, e saber que ele estava atento à qualquer coisa que acontecesse à ela, lhe aliviava como nada mais conseguia fazer.
Porem, se ele sustentava seu vicio em ter tantas outras mulheres, por que se importava tanto com ela?
_ Atenção! Atenção! – a voz, vinda da mesma mesa principal, cortara os pensamentos de Alice e os de qualquer um. Sr. Halle fizera um impaciente gesto com a mão para que se cessasse as musicas e ele conseguisse falar. Quando assim o fizeram, ele levantou sua taça para o alto- Eu gostaria de propor um brinde!
Todas as pessoas pararam e seu voltaram para a mesa principal, imitando seu gesto e erguendo suas taças.
_ Pois proponha, grande amigo! – Sr. Stanley o incentivou.
_ Bem, eu quero desejar vivas e felicidades pelo segundo casamento de meus herdeiros! Que sejam tão bons para suas Sra’s como todos vocês são!
O salão se encheu de vivas e urros, enquanto um enorme e agudo tilintar de cristais ecoou.
_ Viva! – Sr. Stanley gritou, sendo seguido por Félix.
_ Viva! Viva!
Logo, todas as outras pessoas gritavam vivas juntamente com eles.
_ Agora – ele continuou – Quero deixar esse salão livre para todos que também quiserem fazer um brinde. E, por favor, não se acanhem.
Aos risos, algumas pessoas começaram a gritar do meio do salão, dando vivas.
_ Eu quero oferecer um brinde aos negócios! – foi o que gritara Sr. Cullen.
_ E eu a cidade de Biloxi, tão bela e receptiva! – um Sr. do Texas brindou.
Emmett brindou pelos Quibes e Sr. Félix pelo café.
James pelo amor e Lauren ao Exercito.
_ Quero propor um brinde pelo mais novo casal da cidade! – felicitou Sr. Stanley, finalmente conseguindo falar algo com sua voz anormalmente baixa e esganiçada.
Enquanto todos riam e bebiam, alguém também levantara sua taça para um brinde.
Fora Jasper, calando momentaneamente as pessoas, que esperavam por mais um.
_ Eu quero oferecer meu brinde ao Sr. Félix Witlock, meu pai – disse ele, seu tom imparcial. Entretanto, não era para seu pai que ele olhava, naquele momento.
Estranhamente, era para Alice...
Notas finais
Hmmm, o que será que Jazz vai brindar????
Ahhhh....
Espero que tenham gostado :D
Até semana que vem...
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