Os Segredos dos Seus Braços
13 Era uma vez um belo xale rosa
Notas iniciais
Olá!
Olá!
Na parte em que estou escrevendo da historia, já deu mais de 330 páginas de word. E ainda falta muita coisa, o que me leva a concluir que essa historia será bem mais longa do que as outras;
Essa é uma boa noticia? :D
Se voce não gostou da noticia, por favor, nao me diga (traumas, traumas). kspakspaks
Bemmm, aqui está mais um cap. Espero que gostem minhas fofuras!!
Cap. 13 – Era uma vez um belo xale rosa
Biloxi, Mississipi
Quarto principal
Alice sentiu suas mãos começarem a suar repentinamente pelo nervosismo que se apossou de seu corpo diante da pergunta de Jasper. De algum modo, sentia como se fosse quase uma acusação.
Ela pensou se mentiria ou se falaria sua verdade, o que fora algo que sempre fizera, pouco se importando em quem fosse receber. Mas parou para analisar essa sua verdade.
Qual seria ela, dessa vez?
No começo de tudo aquilo, ela afirmaria veementemente que preferia a morte à se casar com Jasper. Mas ela não podia mentir, a essa altura da vida, que jamais pensara, mesmo que por fugazes momentos, que cogitara a possibilidade de se casar com Alec.
Mas havia muita coisa que já não fazia mais sentido na cabeça de Alice. E a idéia de estar casada com Alec, agora, lhe era tão absurda que ela se arrepiava em imaginar tal coisa. Olhando para Jasper bem ao seu lado, com uma expressão tão indecifrável que a fez sentir-se intimidada, e tão mais lindo do que o resto dos homens, ela não podia pensar em outro fazendo seu papel.
Talvez já houvesse se acostumado com a idéia, ela pensou.
Era isso que deveria ser, mesmo. Sabia que não sentia nenhum sentimento profundo por ele. Tinha certeza absoluta disso.
Afinal, nunca sentira nada por ninguém e não tinha nada para comparar o significado de tudo o que sentia quando estava perto demais dele.
Então, analisando tudo que era possível analisar em sua cabeça, Alice chegara a conclusão de que já estava acostumada em estar casada com Jasper e já não imaginava outro como marido.
Era apenas isso, ela afirmou para si mesma.
_ Bom, eu... – porem, quando ela iria respondê-lo, a luz do lustre dera uma piscada e, então, tudo tornou-se uma imensa e impenetrante escuridão – O meu Deus! – Alice exclamou, assustada, dando um pulo em seu lugar. Não ousou se levantar.
A sua frente, apenas a janela aberta e a pouca luz que vinha da lua, parcialmente encoberta por nuvens. Parecia que todo o Mississipi estava na escuridão.
_ Diabos... – escutou quando Jasper resmungou e ele começou a remexer-se ao seu lado. Ela apenas podia sentir sua presença ou notar apenas pouco dos contornos de seu corpo pela pouca claridade.
_ O que... o que aconteceu com o lustre? – ela perguntou, se sentindo miseravelmente desnorteada devida a momentânea falta da visão.
Aquilo incomodava.
Ela não ousou sair de seu lugar, mas sentiu que Jasper se levantara e andara até um lugar que, bem, ela jamais saberia qual era.
_ Acho que a luz acabou – disse ele, não parecendo surpreso – Nunca confiei nessa luz feita – ele resmungou outra vez, voltando-se a passos arrastados e incertos ao lado de Alice – As velas, ao menos, apagamos e acendemos quando temos vontade.
Alice riu, olhando para ele ao seu lado sem realmente conseguir enxergar. De certa forma, aquilo fora bom.
Ao menos ela poderia ficar fixada em sua direção sem que ele notasse.
Mas ela não podia ver sua face nem absolutamente nada dele, então não fazia muito sentido.
Ela riu novamente, achando-se muito estúpida.
_ Do que está rindo? – a voz profunda de Jasper cortou a escuridão que estava aquele quarto, assim como a cidade de Biloxi além da sacada do quarto deles.
Aquilo mexeu com os sentidos de Alice. Era como se ela tivesse que procurar sozinha onde ele estava, de onde o som de sua grave voz vinha, onde estava sua boca enquanto dizia aquelas palavras... Como uma caçada.
Alice sentiu os pelos da nuca de arrepiarem com aquela nova e inesperada situação. Virou a cabeça em sua direção, como se apenas assim ele pudesse escutá-la, ou ter certeza de que ela estava realmente ali.
_ Estava apenas pensando em como a falta de claridade aguça outros sentidos – ela murmurou, a estranha sensação de que falava sozinha.
E riu novamente.
Jasper recostou a cabeça na cama, fechando os olhos por segundos. Deus, o som da risada dela era tão claro e nivelado que quase parecia uma cantiga.
Quase... cristalino.
E sua voz — Jasper estremeceu levemente – sua voz era suave. Pois, quando ele não tinha a delicada beleza de seus olhos castanhos e suas bochechas naturalmente coradas para lhe tirar a concentração, ele podia perceber mais o ritmo de sua voz, apreciá-la, degustá-la.
A voz dela murmurada tão perto dele tinha o poder de fazê-lo perder a estruturas.
O deixava quase... vulnerável. Aliás, ele não podia mentir que Alice sempre parecia desestabilizá-lo um pouco.
E ele sabia que fora assim desde quando a viu pela primeira vez, quando ela pretendia matá-lo.
_ E que sentidos seus ela aguça, neste momento? – a voz de Jasper estava mais rouca do que o normal e Alice notara. Engoliu em seco, perdendo levemente o ar. Aquela não parecia mais ser a segura conversa que estavam tendo, antes.
Ela umedeceu os lábios, lembrando de todas as sensações que sentira ao mesmo tempo com o beijo que ele havia lhe dado em um momento de impulso.
Todos os sentidos que ela sentiu ao mesmo tempo. Os estava sentindo novamente...
_ Aguça... meus ouvidos – ela murmurou, pouco a pouco perdendo a voz. Era terrível olhar para o escuro, mesmo sabendo que havia alguém ali – Posso ouvi-lo melhor... sei o quão distante está de mim, nesse momento.
Jasper segurou um gemido na garganta. O modo como ela falava o fez esquentar-se gradativamente, tornando-a sensual demais para seu pobre controle.
_ E qual é a minha distancia de você? – ele indagou, olhando para as formas da cabeça e dos ombros dela que a escuridão permitia.
Alice respirou com um pouco mais de dificuldade antes de responder.
_ Seus ombros... seus ombros estão a um palmo de mim – ela disse baixo. Se o quarto não estivesse tão silencioso, nem mesmo ele teria escutado – Sua cabeça está a dois palmos da minha...
Jasper aproximou um pouco sua face da escura face dela, diminuindo a distancia para um palmo, apenas.
_ Não posso ver você... – Alice sussurrou, sentindo a respiração dele mais perto da sua, fazendo-a perder o ar de vez – Onde... está?
Jasper percorreu com as pontas dos dedos o braço dela, até alcançar sua macia mão. A pegou e a sentiu um pouco trêmula. Sorriu, gostando das reações que poderia causar em Alice.
_ Estou bem aqui – ele sussurrou de volta antes de colocar a mão dela sobre seu rosto, sentindo-a tatear sua bochecha muito timidamente.
Não conseguindo conter-se, Jasper se inclinou um pouco mais em sua direção, a ponta do afinado nariz dela recostando no seu, como se estivessem se conhecendo.
_ Jas...asper – ela balbuciou, a boca, de repente, enchendo-se de água, esperando por algo que ela tinha idéia que estava muito perto de acontecer.
_ Quer saber onde estou agora? – ele perguntou com um fio de voz e, mesmo que não pudesse ver e apreciar, sabia que estava a centímetros de sua boca – Estou bem aqui... – disse ele e, então, encostou seus lábios nos dela, pela primeira vez em uma torturante semana.
E sentiu o impacto de seu beijo diretamente sobre si.
Fora como na primeira vez, mesmo que esse fosse completamente diferente. Era quente, era macio e era doce. Era tudo isso junto que tirava de Jasper a capacidade de se controlar e ele a segurou pela nuca.
Mas Jasper ainda sentiu-a um pouco defensiva, como se temesse aquilo que estavam fazendo, assim como o primeiro beijo que a dera.
Mesmo que tenha sido apenas um leve roçar de lábios.
Jasper separou sua boca poucos centímetros, não gostando da forma unilateral que aquilo estava acontecendo. Brigava friamente com a decepção e a vontade de mandar tudo para o inferno e continuar tomando dela aquilo que ainda estava com vontade.
Mas a resposta dela àquela recuada dele fora melhor do que ter continuado a beijá-la. Alice soltou o ar como se bufasse, demonstrando uma frustração que ela não conseguiu esconder. Abriu os olhos castanhos e, mesmo que ainda estivesse escuro, Jasper a sentiu fulminando-o.
No meio da escuridão, ele riu.
Como se aquele ato dela houvesse sido um convite, ele tomou sua boca outra vez, puxando-a contra ele. Não era tão delicado como ele fizera na primeira vez, mas não era assustador, também.
Ele não podia perder aquilo assustando-a com sua impulsividade.
Incapaz de se conter, Jasper se inclinou levemente para cima dela, rodeando seus ombros com o braço livre. Ele quase podia escutar o pulsar frenético do coração de Alice e seu ego masculino gostou realmente daquilo.
Mas quando Alice depositou sua mão sobre o alto músculo do pescoço dele, a mente de Jasper não comandou mais suas ações. Ele respirou com força pelo nariz, demonstrando a ela que gostava de suas mãos sobre seu corpo. E, fazendo as veias dele fervilharem, ela fez o mesmo com sua outra mão, rodeando-as pelo pescoço de Jasper até elas se encontrarem em seus cabelos loiros.
Ele se inclinou ainda mais sobre Alice, fazendo-a imprensar as costas na lateral da cama.
Ele não a daria saída.
Alice estava tão fora de si enquanto ele a beijava, que apenas sentia o corpo dele apertando-a contra a madeira talhada de sua cama, deixando seu corpo estremecer, com uma sensação de eletricidade jamais sentida por ela antes. Ela sentiu, por onde as mãos de Jasper passavam em seu corpo, sua pele queimar, ansiando seu toque em outros lugares, com mais pressão, com mais delicadeza... Ele escorregou sua mão até a cintura dela, apertando levemente o tecido de seu vestido. Ele continuava apertando-a contra a madeira, e mais e mais ela sentia o corpo dele juntar-se ao dela.
Com um ofegou quase desesperado por mais do beijo dele, Alice entreabriu os lábios, pois sabia, de uma maneira ou de outra, que aquilo poderia melhorar ainda mais.
E, talvez, ela tivesse razão, pois Jasper grunhiu com aquilo, entreabrindo seus lábios como o dela, encaixando-se perfeitamente ali. Sugou sensualmente seu lábio inferior entre os seus, deixando Alice completamente derretida.
Ela gemeu contra sua boca.
Ali, contra a lateral da cama, no completo escuro, o quarto principal da mansão Witlock estava transbordando um calor diferente, com respirações alteradas e corações acelerados. Quando Jasper passara uma das pernas por cima das dela, Alice puxou um pouco mais seus cabelos, e sentiu seu joelho roçar algo que ela já sentira antes.
Naquele mesmo estado.
Mas a falta da claridade ajudara a nenhum dos dois pararem aquilo que estava acontecendo. Jasper não ficara sem jeito. Alice não corara.
Era tudo muito verdadeiro e cru.
Mas de repente, o enorme lustre do teto acendera, dando ao quarto a amarelada luz que sempre tinha. Tudo voltando a ter cor, a ter uma identidade. Além da sacada, a cidade fora ascendendo preguiçosamente.
Os dois se separaram no mesmo segundo, como se tivessem levado um terrível susto. Jasper bateu novamente suas costas em sua parte da lateral da cama, respirando com uma força exorbitante.
Ao seu lado, Alice também buscava por ar e tentava inutilmente ajeitar seus cabelos.
O corpo dela ficara gelado devido ao choque da realidade. E, sem seguida, corou tão violentamente que quase tornara-se um pimentão.
_ Droga – ela praguejou sob o fôlego – Não... faça... isso... outra vez! – ela ralhou, colocando uma fé com pouca credibilidade em suas palavras. Ele não disse nada. Talvez pelo fato de estar tentando respirar, ainda. Alice não ousou olhar para ele.
Nem para o que se encontrava rigidamente no encontro de seu torneado conjunto de pernas.
_ Nunca mais... em minha vida ....eu andarei sem ...um maldito castiçal!
_
Havia uma única vela queimando dentro do quarto. O silencio poderia supor que os dois corpos estivessem dormindo.
Mas era um terrível equivoco.
Alice estava de costas para a colcha de Jasper, revivendo e revivendo cada segundo em que ele a mantivera em suas mãos, sob seus lábios. As fibras de seu corpo ainda estavam em uma espécie de transe elétrico.
Fechando os olhos com força, ela tentou dormir.
Mas Jasper não fazia questão daquilo. Estava com os olhos muito bem abertos para o teto, repassando tudo o que estava acontecendo entre eles desde o momento em que havia chegado àquela casa como casados.
O que mais lhe faltava?
Oh, aqueles beijos! Jasper nem sequer pensava mais em Alec nem no modo como ele tinha sentimentos carnais em Alice, também.
Jasper tinha absoluta certeza de que Alice não podia ter as mesmas reações com ele.
Inclusive quando ela, por instinto, separara levemente um lábio do outro, ele quase fora arrematado para outro ponto em questão.
Logo, sua obsessão não seria mais apenas beijá-la. Ele precisava tomá-la.
Ele sorriu maliciosamente ao se lembrar de que ela permitiria que ele aprofundasse aquele beijo. Ela separara os lábios por ele. Esteve a ponto de permitir que sua língua desobedecesse a ele e adentrasse naquele doce e receptivo caminho entreaberto de sua boca.
Conhecê-la-ia daquela maneira, sua língua degustando de um sabor completamente novo em seu paladar.
Biloxi, Mississipi
Uma terça-feira qualquer de 1901
O sol parecia que havia se escondido naquela agradável terça-feira. Por conta disso, Alice e Jasper haviam resolvido ir ao almoço na casa de Rose sem a carruagem.
Alice pedira aquilo por sentir falta de andar.
Agora voltavam, conversando agradavelmente sobre as conversas que haviam saído em mais um almoço animado entre as irmãs Cullen’s e seus maridos.
Haviam rido muito lembrando do Sr. McCarty imitando os escoceses dançando.
_ Oh, eu acabei de me lembrar! – Alice parou a caminhada lenta deles de repente, batendo as mãos nas laterais do corpo.
_ O que houve? — Jasper arqueou uma sobrancelha, achando engraçado, pelo menos agora, o ataque irritadiço de Alice.
_ Esqueci meu xale na casa de Rose! – ela choramingou, lembrando de seu adorável xale rosa repousado no sofá de sua irmã, esquecido e sozinho.
_ Alice, é apenas um xale – Jasper ponderou, parando um pouco a sua frente. Temeu que despertasse a ira de Alice com seu desprendimento.
Sabia que havia uma relação que os homens jamais entenderiam entre as mulheres e seus conjuntos de adornos, mas... era apenas um xale.
_ Não é apenas um xale! – Alice retrucou, segurando-se para não bater o pé no chão – Eu o ganhei de minha avó quando eu tinha apenas 8 anos, Jasper!
Jasper uniu a outra sobrancelha à arqueada, pronto para dizer novamente que era apenas um xale, acrescentando a parte do demasiadamente velho.
Mas o ameno olhar de sua esposa estava longe de se parecer com aquele que ela lhe estava dirigindo.
_ Eu vou voltar lá para buscá-lo – disse ela, depois de um tempo estranhamente calada.
Jasper suspirou.
_ Posso lhe comprar um novo – sugeriu, não querendo deixá-la voltar todo o caminho por causa de um pano.
Os olhos castanhos dela brilharam fugazmente, enquanto uma excitação tomou conta de seu corpo.
Jasper sorriu, entendendo que acabara de descobrir um ponto fraco nela.
_ Bom, você poderia, se quisesse. Na alfaiataria do Sr. Simpson tem um azul-céu encantador... – ela disse, dando de ombros, como se não se importasse muito, realmente. Mas, por dentro, sabia que Jasper a entendia – Mas, de qualquer forma, eu adoro aquele xale, Jasper.
Jasper olhou para os seus lados com lentidão. A muita proximidade em vias publicas, assim, onde qualquer um pudesse ver, não era muito bem vista naquela época. Mas, ignorando esse fato, Jasper chegou perto dela, colocando uma mão em seu ombro.
_ Tudo bem – disse e, com uma delicadeza que roubou a concentração de Alice, ele acariciou levemente sua pele com o dedão. Ele pouco se importou que alguém pudesse ver e repreende-lo. Ela era sua esposa e aquele era o seu dedão.
E as pessoas da sociedade primitiva de Biloxi não tinham absolutamente nada a ver com aquilo.
_ Então vá para casa que eu mesmo volto para buscá-lo.
Alice se sentiu impressionada com suas palavras, gostando do cavalheirismo e da gentileza dele.
Mas ele não precisava refazer todo o caminho por conta de um capricho dela.
Então, mesmo que quisesse a companhia dele de volta até a casa de Rose, ela preferiu deixá-lo ir para casa e descansar, pois ainda tinha que ir para a maldita fazenda.
_ Tudo bem, Jasper – disse ela, sendo desprendida pela primeira vez em toda a sua vida – Eu mesma volto. Afinal, você precisa ir para a fazenda ainda, lembra-se? – ela sorriu um pouco e, antes que se desse conta, começou a arrumar o colarinho do paletó dele, ajeitando os botões – Vá descansar.
Jasper nem sequer escutou suas palavras direito. Estava aproveitando o pouco tempo em que as mãos dela estavam sobre si, cuidando dele como sua mãe fazia com seu pai, na época de maior harmonia de sua casa.
E ele gostou mais do que deveria daquela comparação.
_ Então voltemos juntos – disse ele com um tom natural, encontrando a perfeita solução para seu impasse. Afinal, não estava se importando muito se ainda tinha que ir trabalhar.
Quer dizer, preferia a companhia de uma bela mulher do que a de seu pai, turrão e barbudo.
Alice sorriu para ele, esperando algo mais dele do que o sorriso que ele lhe estava lançando.
Seus olhos baixarem para a boca dele, um pouco distante demais da dela, lhe deram a resposta de o que era.
Com vergonha de sua mente cobiçosa e cheia de pensamentos impróprios, ela desviou o olhar do rosto exuberantemente perfeito dele, afastando o poder masculino que praticamente fluía da pele dele até a dela.
_ Alice, por que seus olhos são castanhos? – Jasper perguntara de repente no meio do silencio, franzindo a testa por aquela curiosidade. Adorava a intensidade e a cor viva dos olhos castanhos de Alice, mas gostaria de saber de quem ela herdara.
Ele já havia visto aqueles olhos em algum lugar, em algum momento de sua vida.
Alice voltara-se para ele confusa. Não entendeu a repentina pergunta de Jasper, mas sabia que era apenas questão de tempo alguém perguntar aquilo.
Ela própria já se perguntava desde que aprendera a falar e pensava que os adultos soubessem de tudo.
_ Bom, eu sei que é absolutamente estranho – ela remexeu as mãos, e Jasper reconheceu seus claros sinais de ansiedade, confusão e nervosismo – Quer dizer, foi Bella quem puxou os olhos verdes de minha mãe e fora Rosalie quem puxara os azuis de meu pai e, bem, nem mesmo meus gatos tem olhos castanhos na casa onde eu nasci... – ela franziu a testa, fazendo uma careta que fez Jasper sorrir – Mas minha mãe me disse, uma vez, que a prima de sua bisavó tinha belíssimos olhos castanhos e que certamente eu herdara os meus dos dela – ela sorriu calorosamente para Jasper, com uma inocência que ele nunca tinha visto antes.
Aquela historia não convencera Jasper. Na família de Alice, existiam certas coisas que não se encaixavam, ele vivia pensando.
_ Mas, bem, então eu voltarei para buscar meu xale – disse ela depois de um tempo, dando dois passos para trás – Vá para casa.
Jasper a segurou pelo pulso antes que ela se virasse. Por instinto e por impulso, Alice puxara a mão rapidamente.
Não gostava de ser o centro das atenções e quando as pessoas vissem Jasper a segurando daquela forma, certamente voltariam a falar da vida dela.
Mas ela se arrependera quase que imediato de ter feito aquilo. Jasper recolhera a mão um pouco sem jeito, claramente pensando que ela rejeitava seu toque.
Alice abriu a boca para dizer o contrario, mas ele disse antes dela.
_ Vá – disse, sem aparentar raiva em sua voz, apenas um controle novamente sendo posto a risca – Eu irei me sentar no banco da praça. Esperarei por você.
Alice sentiu-se tão desolada pelo que havia acontecido juntamente com o que ele falara. Seu coração ficou do tamanho de uma ervilha. Mas não tinha como explicar por que recolhera a mão, nem mesmo falar que ele podia tocá-la, sim, e que ele poderia fazer exatamente naquele momento, se quisesse.
Mas seria estranho explicar que queria que ele segurasse seu pulso outra vez.
_ Certo, então – ela engoliu saliva, enquanto ela desceu rasgando um pouco sua garganta – Eu não demorarei.
Jasper deu um sorriso para ela antes de assentir e começar a se encaminhar para praça.
Alice ainda o observou ir em direção à praça, o andar sempre acima do comum. O andar de Jasper era imponente e determinado, Alice pensou.
Exatamente como ele.
Ela sorriu sem conseguir desviar seu olhar da figura grande e encorpada de Jasper andando.
Seus ombros, inclusive, eram tão belos em contraste com sua cintura.
Ela sorriu novamente enquanto os pêlos de seus braços se arrepiavam e ela teve que trocar o peso e uma perna para outra.
Jasper virou-se um pouco para trás, apenas para verificar se estava tudo bem com Alice em seu caminho. Mas a viu parada, exatamente no mesmo lugar em que ele a deixara.
Ele franziu a testa, parando.
_ Por que está parada aí? – sua evidente confusão fez Alice despertar.
Um pouco tarde demais.
_ Hãn... – ela desconversou, suas bochechas da mesma cor de seu esquecido xale rosa – Nada, eu... eu estava verificando se você.... bem, se você iria mesmo me esperar lá.
Jasper sorriu, lembrando-se que Alice era um poço de desconfiança.
Mas não era por menos.
_ Vou ficar – ele lhe garantiu, achando improvável ele voltar para casa sem ela – Tranqüilize-se, minha cara. Esperarei por você.
Alice sorriu novamente para ele, sentindo como gostava quando ele a chamava de minha cara. Sentindo, também, a verdade nas palavras dele.
Jasper sempre transmitia verdade no que dizia.
Assim, ela virou-se e voltou o caminho, seu xale perdendo espaço em sua cabeça.
Então, depois de cerca de cinco minutos, ela se encontrava à porta da casa dos Masen, sua batida sempre tímida. Lá dentro, ela escutou os sapatos apressados de Bella, previsivelmente os bege, contra o piso.
Alice riu, achando aquela cena repetitiva, pois era surreal o modo como Bella lembrava sua mãe.
_ Alice? – ela indagou, a testa franzida, assim que abrira a enorme porta talhada. Parecia não entender a presença de sua irmã ali tão já – Aconteceu algo?
_ Sim – Alice disse nostalgicamente — Esqueci meu xale-rosa – e então sorriu.
_
Alice colocou o xale em volta dos ombros, segurando-o tão apertado como se ele fosse sair voando. Refez seu caminho em passadas modestamente rápidas, a fim de encontrar Jasper a ambos poderem ir para casa.
Ela pensou que poderia preparar-lhe as vestes, ou ajudá-lo com as abotoaduras do colete. Alice nem percebera quando levara a unha à boca, mordendo-a e sorrindo para o nada, enquanto a idéia de fazer aquilo para ele lhe pareceu tão certa.
Surpreendeu-se consigo mesma ao notar que, assim como Jasper sugerira, ela estava abaixando a guarda.
Passando os dedos pelas pontas do comprido cabelo negro, ela virou a esquina da praça, uma ansiedade de chegar até ela que ela, agora, começava a saber explicar.
Mas, então, como se estivesse sendo enganada pelos seus olhos, ela parou em seu lugar, encarando o banco da praça central de Biloxi.
Jasper estava sentado no banco e Jane Volture estava ao seu lado, segurando uma sombrinha toda rendada, mesmo que o sol estivesse á milhas de distancia de Biloxi, naquela infeliz terça-feira.
“Não... pode ser...” ela murmurou para si mesma em pensamento.
Suas pernas pararam no lugar em que estava, seus olhos fixados na imagem de Jane conversando com Jasper, toda sorridente diga-se de passagem. Os olhos de Alice ferveram de raiva e por eles ela sentia como se transbordasse uma indignação desenfreada.
Por que Jane sempre aparecia em sua vida para estragá-la? Era a pergunta incessante que Alice fazia para si mesma repetidas e repetidas vezes. Pois, quando ela pensava que Jasper não pensava mais em Jane de modo algum, lá estava ela outra vez, mostrando para ele que ela ainda estava ali.
Mas isso era a realidade que a irritava. Porem, a que magoava, era Jasper sorrir para Jane como se vislumbrasse cada traço de seu rosto, com uma atenção e uma quase fascinação que era absurda de tão evidente.
Alice sentiu um soluço escapar de sua garganta ao perceber que era uma guerra perdida. Jasper jamais deixaria de olhar para Jane Volture com aquele olhar de quem gostaria de continuar olhando por quanto o tempo permitisse. Ela, quase que repentinamente, lembrara-se que ele desejava casar-se com ela.
E uma dor amarga a fez querer chorar.
Mas ela não desperdiçaria mais nenhuma lágrima por Jasper. Não daquela maneira. Não por ele preferir uma dama, à ela, uma completa teimosa, orgulhosa e desprovida de modos.
Como se houvessem lhe chutado o estomago, Alice recomeçou a andar, tomando uma direção diferente daquela que a levaria até a praça central. Tomaria um caminho no qual não precisaria ver aquilo de perto, no qual não atrapalharia a conversa deles dois.
A ruela que escolhera ficava nos fundos da alfaiataria, a apenas algum pedaço de distancia de sua casa. Segurando seu xale com mais força do que antes e segurando, também, a magoa em seu peito, ela se encaminhou para os fundos de seu jardim.
Não demorara muito ela já estava lá. Abrira a porta da cozinha com rispidez, pisando duro até a escadaria da sala.
_ Sra. Witlock? – Lilly lhe chamou, completamente confusa com o comportamento dela – A Sra. está bem?
Alice jogara seu xale na enorme poltrona da sala, dirigindo-se para as escadas em passadas apressadas e duras.
_ Não, Lilly, não estou bem – ela disse, a voz rouca – E, por favor, eu não necessito de nada! – a autoridade em sua voz fez sua serviçal assentir, um pouco assustada, agora.
Mas ela voltou calada para sua cozinha e seus panos de prato.
Quando chegara ao quarto, Alice abriu a porta em um rompante, fechando-a atrás de si com demasiada força.
Imaginou que ela fosse Jane Volture. Ou que o nariz dela estivesse em seu caminho.
Ela apoiou-se em sua penteadeira, a respiração alterada, o coração acelerado.
A mente a mil.
Queria chorar, queria esmurrar algo, queria... queria que Jasper não fosse tão deslumbrado naquela maldita mulher. Não na mulher que implicava com ela desde sempre. Não com a mulher que sempre falara mal de suas roupas, de sua pele e de seus malditos cabelos negros.
“- Cabelos pretos não possuem atrativo algum, Alice”, ela disse uma vez, em uma de suas aulas de chá “- São os cabelos dourados como os meus, e os olhos claros como os meus, e a maneira delicada como os meus que são atrativos para os rapazes.”
Alice se lembrava de sua expressão enfurecida no rosto quando haviam tido aquela guerra particular. Suas brigas com Jane sempre foram cheias de etiqueta.
Até Alice sempre estourar e partir para cima e, assim, sempre ficar com a culpa de encrenqueira.
“_ Não são os meus, são as minhas, sua estúpida – Alice murmurou entre dentes, fuzilando Jane no alto de seu colar de rubis e seu vestido de linho.”
“_ Não, Alice, você não tem maneiras – ela retrucou com um ar de superioridade. Alice até abrira a boca para evidenciar o quanto Jane Volture era uma gozação.
Mas era muito provável que ela também não entendesse.”
E, agora, Jane conseguia atingi-la em um ponto que Alice jamais pensara que doeria tanto.
Estava tentando roubar-lhe seu marido!
E Alice estava tão impotente quanto sempre fora. Pois jamais conseguiria segurar Jasper consigo. Seu reflexo no espelho a fez se enfurecer ainda mais. De que lhe serviam aqueles cabelos que ela sempre tentava deixar o mais bem arrumado que conseguia? Sempre aparados e bem lavados, e sempre com o cumprimento que a sociedade exigia como sinônimo de beleza?
_ Grande porcaria de cabelo! – ela rosnou para si mesma, puxando sua delicada presilha de borboleta dourada ao lado. A jogou com raiva contra seu reflexo no espelho, seu peito se apertando contra o tecido do vestido.
Uma indignação e uma raiva a cegara naquele exato momento e ela não pensou mais racionalmente. Não se importava mais em como as pessoas a veriam. Não tentaria mais agradar a ninguém que fosse, nunca mais em sua vida.
Em um impulso descontrolado, Alice pegou a tesoura de sua gaveta e, antes que sua consciência voltasse para o lugar, ela puxara seus cabelos e passara a tesoura sem remorso pelos cachos desfeitos.
Uma chuva de fios caíram no assoalho, outro monte caira sobre a penteadeira, emoldurando-a com longas e finíssimas linhas negras. As pontas que haviam ficado retas demais, Alice passou novamente a tesoura, deixando uma repicada linha que seguia seu ombro esquerdo, passava por sua nuca e parava no ombro direito.
Depois que fizera isso, Alice jogara a tesoura novamente na penteadeira, sua respiração errônea, seus olhos cheias de raiva e desespero.
Agora, só lhe restava chorar.
Mas ela não se permitiu mais aquilo, e assim usou de todo o seu auto-controle para impedir a si própria de derramar uma só lágrima.
Na verdade, ela nem sequer deveria se importar com quem Jasper se interessava.
“Mas... ele se importara com Alec e aquele maldito beijo...” a mente esperançosa de Alice lhe sussurrou aquilo, deixando seu peito em uma confusão infernal.
Se Jasper se importava tanto com quem ela pudesse se interessar, por que ele mostrava-se tão vislumbrado com a Srta. Volture? Não fazia muito sentido, Alice pensou, estalando a língua.
Mas de repente, a porta de seu quarto se abrira de uma única vez e Jasper aparecera em sua soleira, um olhar tão confuso quanto zangado.
_ Mas o que está fazendo aqui? – ele perguntou para ela, adentrando alguns passos para dentro do quarto – Eu estava te esperando feito um tolo naquela praça até agora! — ele a acusou apenas com o olhar, odiando o fato de que ela estaria arranjando algum motivo para brigar com ele.
Alice o fuzilou, as narinas inflando devido a sua raiva.
_ Oras, mas de que está reclamando? – ela indagou, sua voz transbordando uma acidez que confundiu Jasper. Quer dizer, ele é quem deveria estar zangado, certo? — O Sr. me pareceu gostar muito de sua companhia, naquele banco – ela cruzo os braços sobre o peito, pouco se importando com sua voz acusatória.
Jasper franziu a testa. Nem mesmo poderia fingir que estava completamente interado da indignação dela.
_ De que está falando?- ele perguntou impacientemente.
Pensando que ele estava fazendo-se de desentendido, Alice lhe empurrou pelo peito, sentindo que talvez seria difícil controlar-se.
_ Estou falando daquela Srta. loira, sofisticada, herdeira dos Volture e a moça mais fingida e maldosa de todo o estado! – ela explodiu, a voz falhada enquanto ela subia de oitavas – O Sr. faltava absorvê-la com os olhos!
Encarando-a, Jasper ficou calado. Para ele, o acesso de raiva de sua finíssima esposa era completamente desnecessário, mas então ele lembrava-se que não lhe contara o segredo que guardava com relação a Jane Volture e, então, o comportamento de Alice era completamente aceitável.
Apesar de não fazer sentido algum para Jasper.
Colocando as mãos nos bolsos, ele riu.
_ Diz da Srta. Jane Volture? – ele perguntou, mais para ver seu olhar maligno para ele do que por qualquer outra coisa – Bem, eu estava esperando você na praça quando ela passou e me viu, sentando-se no banco ao meu lado – ele deu de ombros – Eu não poderia ser grosseiro, não concorda? Quer dizer, eu fui educado para ser educado. – ele arqueou as sobrancelhas para ela – Não poderia simplesmente a ignorar, não é Alice?
Alice fechara a boca em uma linha dura. Não queria admitir que ele estava certo.
_ Não seja ridículo – ela balançou a mão em direção a ele, não querendo dar o braço a torcer. Não para Jasper – O Sr. não faz questão alguma de esconder o quanto é encantado com aquela.... aquela... ARGH! — ela rosnou, virando-se de costas para ele, pois não gostava do impacto que o olhar austero de Jasper tinha sobre ela.
Mesmo que Jasper não entendesse a cisma de Alice por ele admirar e ser tão encantando com Jane Volture e seus graciosos modos, ele tinha que admitir que... gostava.
Dando um passo para se aproximar dela, apenas para provocar, Jasper parou. Desde o momento em que entrara naquele quarto, sabia que havia algo muito diferente em Alice, mas, como todo homem, não conseguia identificar o que era.
Mas no momento em que seus olhos desenharam suas costas e ele se aproximara mais dela, pôde notar que metade de seu longo cabelo negro repousava no chão e não no lugar que ocupava antes.
Os cabelos de Alice estavam na altura dos ombros, as pontas disformes e finas, apontando graciosamente para todas as direções.
Chocado, Jasper aproximou os olhos de seu cabelo, como se estivesse tendo problemas para acreditar em sua visão.
_ Oh.... meu....Deus! – ele murmurou perplexo – O que diabos você fez? – perguntou com a voz grasnada.
Alice enfim se lembrou novamente de seu cabelo e se virou para ele no mesmo segundo, os olhos levemente arregalados pelo pavor. Agora que o calor do momento e a raiva cega a abandonara, ela via que havia feito uma loucura. Deus, se já não atraia a Jasper antes, imaginava agora.
Com um gemido contido, Alice manteve-se friamente firme.
_ Decidi cortar um pouco meu cabelo – disse com os olhos longe dele. Por fora estava tão calma quanto uma lhama pastando, mas por dentro estava querendo gritar de pavor e remorso. Ela era, definitivamente, a sua pior inimiga.
Depois de Jane, obviamente.
_ Cortar um pouco? – Jasper retrucou, seu espanto claro e evidente – Por Deus, não seja generosa, você cortou metade dele!– ele apontou para ela, claramente indagando-se internamente sobre a sanidade de Alice.
Diante do espanto de Jasper, o qual ele pouco fez questão de esconder, Alice enfureceu-se novamente. Ela sabia que estava terrivelmente destruída, agora, e que suas fracas tentativas de ficar mais bonita haviam acabado, mas ela não queria escutá-lo e nem mesmo vê-lo deixando aquilo claro.
_ Sinto muito que meus cabelos não estejam mais tão bonitos quanto os de Jane – ela murmurou secamente, conseguindo depois de muito tempo olhar para ele. Não conseguiu evitar uma certa mágoa – Ao menos agora o Sr. poderá apreciar apenas os dela.
Jasper a olhou como se tudo o que ela dissesse não fizesse muito sentido, como se fosse absurdo demais, até mesmo para Alice. E, tentando dar alguma razão para ela pensar daquela maneira e sentir aquilo, ele deduziu que fosse apenas uma rixa entre as moças. Quer dizer, mulheres muito belas sempre tinham desavenças entre si.
Bom, ao menos as daquela sociedade.
Porem, Alice não era o tipo de moça que pudesse ter inveja de outra. Claro que ela parecia admirar o que suas irmãs tinham de mais belo, mas não que a fizesse fervilhar de raiva.
Como acontecia quando o nome da Srta. Volture era pronunciado a um raio de 25 km dela.
Principalmente pela boca de Jasper.
Quando pensou aquilo, Jasper sorriu. Começou a pensar que, talvez, ela pudesse alimentar um certo... ciúmes. Mas ele não gostaria de ser enganado por si mesmo, deduzindo coisas irreais demais, pois Alice jamais sentiria ciúmes dele.
Ou... sentiria?
Um calor plausível fora crescendo dentro de Jasper enquanto a certeza daquela possibilidade foi ficando mais fixa. Suas mãos ficaram frias, de repente, e ele não conseguiu refrear sua língua.
_ Você, por algum acaso, tem ciúmes da Srta. Volture, Alice? – ele perguntou, os olhos semicerrados e o vestígio de um riso preso nos lábios. Mesmo que parecesse irreal, lhe dera um reconforto no meio do peito que ele não soube explicar.
Alice ficou imóvel em seu lugar por segundos que pareceram décadas, enquanto ela digeria o que ouvira dele e sua cabeça trabalhava para formular uma resposta contraria àquilo.
Ela não sentia ciúmes de Jasper.
Mas, contrariando o que afirmou para si mesma, ela sentiu o coração disparar, as pernas ficarem um pouco tremulas, e o assombro tomar conta de seu ser. Jane poderia viver fora da cabeça de Alice todo o tempo, mas virava o motivo de sua raiva quando o assunto incluía Jasper. E...
Oh, Deus, ela sentia ciúmes de Jasper.
Engolindo em seco, Alice amarrou a cara. De repente, aquele aposento ficara pequeno demais e abafado demais para ficarem os dois ali.
_ Não diga asneiras, seu tolo presunçoso e estúpido! – ela rosnou com uma voz aguda e grasnada. Nunca, jamais, de forma alguma e de jeito nenhum ele iria saber que despertara um grama de ciúmes nela – Não sinto ciúmes do Sr., tampouco com Ja-Jane Volture.
_ Ah, sinto-me muito mais aliviado em saber disso, pois agora posso lhe confessar como acho aquela Srta. muito bonita sem deixá-la zangada – ele disse analisando a reação dela minuciosamente.
E fora exatamente como ele esperara.
Alice o lançou um olhar mortal, sua postura ficando armada para estapeá-lo.
_ Idiota! – ela exclamou batendo o pé no assoalho, incrivelmente irritadiça – Idiota! Idiota! Id...
Jasper a puxara pela cintura para calá-la com um beijo.
Ambos ainda não pareciam perfeitamente acostumados às sensações fortes e arrebatadoras que ambos sofriam quando Jasper a beijava. Jasper a puxou de encontro ao seu tronco, erguendo-a um pouco para que facilitasse seu acesso à macia, doce e intocada boca dela.
Ele sempre a beijava com um toque de possessão que o surpreendia.
Ele desencostou seus lábios dos dela apenas para pressioná-los outra vez, com mais intensidade, enquanto entreabria-os.
Alice respirou com força, segurando-o pelos ombros com as mãos gélidas.
E, quando ela também abrira os lábios para ele, Jasper passou levemente a língua ali, sentindo uma anestesia gostosa que o fez querer tomá-la toda de uma só vez, sentindo a necessidade de aprofundar aquele beijo de uma maneira que tiraria o ar de Alice de vez.
Mas vagarosamente, ele abandonou sua boca para sorrir.
_ Você se irrita quando eu faço isso? – ele perguntou, um bom humor nunca expressado antes. Aos arquejos, Alice lhe olhou perplexa.
Jasper sempre a pegava de surpresa.
_ Obviamente que sim – ela murmurou com certa dificuldade.
Jasper riu com o rosto acima do dela, ainda segurando-a pela cintura.
O fato dos dedos de Alice não terem soltado sua camisa não lhe passara despercebido.
_ Fico satisfeito, então – disse ele, soltando sua cintura – Pois eu lhe beijo exatamente para irritá-la –mentiu. Ou mentiu parcialmente, pois além de gostar de irritá-la daquela maneira, ele satisfazia os seus próprios desejos para com ela.
Como uma bela desculpa.
_ Bem.... – ela passou as mãos nervosamente pelos cabelos, agora, curtos e repicados, tentando inutilmente manter a compostura e a classe – Pois o Sr. definitivamente consegue a isto. Agora saia, por favor, pois eu gostaria de me trocar.
Com um suspiro, Jasper virou-se para ir em direção à porta. Ainda não gostava de ter que sair de seu próprio quarto para a sua própria esposa vestir-se.
Mas estava de muito bom humor para discutir com Alice.
Então ele parou, a mão na maçaneta, um curto sorriso ameaçando esticar suas belas bochechas encobertas por uma barba finíssima, pronta para querer renascer.
Certamente um charme que o deixava ainda mais desejável.
_ Um dia, Alice, eu lhe contarei um segredo que guardo.. – ele disse em um tom natural, abrindo a porta e saindo para o corredor –... sobre a Srta. Volture. – e a fechou logo em seguida, pouco se importando com a curiosidade gritante que tomara conta da expressão de Alice.
E quando já se encontrava no corredor, escutou algo sendo acertado contra a porta.
_
Biloxi, Mississipi
Novembro, quarta-feira, 1901
Como se despertasse meia hora depois de ter se deitado, Alice sentiu-se extremamente disposta a continuar na cama até muito mais tarde. Mas a luz da manhã que entrava imponente pela janela larga bem à sua frente lhe dera outra opção.
De má vontade, ela levantou-se, fora ao banheiro, trocara de roupas e, quando fora arrumar os cabelos, lembrou-se que não os tinha mais. Com um suspiro resignado, ela passou apenas os dedos por eles, ajeitando-os rapidamente.
Ao menos havia praticidade, ela encarou o lado positivo.
Jasper comia preguiçosamente uma rodela de pão-trançado, sua xícara de café fresco levantando uma fumaça pela temperatura, quando Alice chegou à mesa. Ela estava usando um leve vestido todo florido, com um plano de fundo amarelo.
Ficava muito graciosa, ainda mais naquela estação.
_ Bom dia – ele a cumprimentou, escondendo seu olhar sobre ela com a xícara de café.
A viu passar a mão pelo rosto inchado, parecendo levemente cansada enquanto respondia baixo ao seu comprimento. Mas o que não tirou a atenção dele fora os cabelos repicados caindo sobre seus ombros e sua testa, o contraste preto deles com sua pele branca, ainda mais pela manhã.
Mesmo que ela tivesse feito aquilo em um impulso, movida por um sentimento de raiva, ele chegou a pensar que havia sido um ótimo resultado. Querendo ou não, ela estava parecendo uma personagem de conto de fadas.
Certamente a Branca de Neve americana e não a alemã, ele pensou com um sorriso.
Jasper a havia achado ainda mais bela com aquela revolução. Agora, ele ficava em dúvida se falava para ela ou se a deixava se martirizar em silencio.
Pois ele sabia que ela se remoia em arrependimento.
Isso por que nenhuma moça tinha os cabelos tão curtos e com as pontas espetadas em todas as direções como o dela. Deus, ele nem queria imaginar o falatório que aquilo não daria.
_ Por que está me olhando desse jeito? – ela resmungou, certamente havia amanhecido com os ânimos revirados – Não olhe para mim desse jeito.
_ Desculpe – ele sorriu, ainda olhando para ela. Alice estava rodando uma rodela de pão-trançado na mão, decidindo se estava com fome ou não — Deveria comê-lo – disse ele naturalmente, tirando-a de sua guerra particular. Ele não gostava absolutamente de ver Alice comendo tão pouco – Está realmente muito delicioso – disse, incentivando-a.
Mas Alice colocou seu pão-trançado em seu pires, segurando o queixo com as mãos enquanto o olhava comer.
_ Mas você acha tudo delicioso – ela riu – Não confio no Sr., nesse ponto.
Jasper arregalou os olhos fingidamente chocado.
_ Deus, que punhalada em meu orgulho – disse enquanto Alice riu alto, encantando a Jasper outra vez com o som de sua risada, que ele gostava tanto.
Enquanto conversavam casualmente, Alice esqueceu-se de seu chá, pois se recusava a tomar café, e de seu pão-trançado – que acabara dando à Jasper.
Inclusive seu pedaço de bolo de fubá que Jasper cortara para ela quando aceitara seu pão.
_Jasper, eu precisarei de uma boca um palmo maior para comer esse enorme pedaço de bolo – ela reclamou empurrando levemente seu pires em direção à ele.
Mas se fosse para ser teimoso, Jasper se igualava a ela. Ele empurrou novamente seu pires com o intocado pedaço de bolo novamente para ela.
Com um garfo em cima.
_ Pronto – disse ele com a voz abafada, pois estava com a boca cheia de pão – Coma com o garfo.
Alice o fuzilou antes de pegar o garfo, vencida, e começar a picar em pequenos pedaços o enorme pedaço de bolo.
Nesse momento, Lilly adentrou a sala-de-jantar com leite e chocolate para completar o café da manhã recheado. Enquanto Jasper comia com muita satisfação, Alice mastigava o primeiro pedaço que picara.
Lilly deixou os braços caírem nas laterais do corpo, indignada.
_ Sra. Witlock, poderia comer o bolo sem luta? – ela pediu enquanto Alice fazia uma careta e Jasper concordava com Lilly em um aceno com a cabeça.
_ Olhe o exagerado pedaço que o Sr. meu marido colocou para mim! – ela apontou para o bolo, chocada, como se aquele ato de Jasper houvesse sido um cúmulo.
Lilly a olhou com um olhar levemente repreensor.
_ Pois o Sr. Witlock já comera três desses, Sra.
Jasper concordou outra vez, bebericando seu café, agora.
Alice revirou os olhos para sua serviçal, quase rindo de seu exagero.
_ Ele sim necessita, não é Lilly, olhe o tamanho desse homem! – ela riu, apontando para ele. Ele trocara com ela um olhar cúmplice e um sorriso torto que fizera a pulsação de Alice subir levemente. Se fosse levar em conta o porte físico e o tamanho de Jasper, ele certamente necessitaria de mais a forma inteira.
_ Mas a Sra. não se alimenta o suficiente! – Lilly continuou fazendo Alice suspirar, cansada de tanta preocupação por parte dela. Começava a pensar que talvez sua mãe pagasse para ela insistir tanto – Está mais magra do que o de costume!
Jasper ficou apenas observando a discussão das duas, jamais deixando seu pão-trançado repousar por muito tempo em seu pires. Quase riu das duas mulheres tentando dialogar para chegar a uma única razão.
_ Oras, Lilly, estou tão magra hoje quanto estava ontem! – Alice exclamou indignada. Tentou mostrar para Lilly que não havia motivos para ela se surpreender tanto com seu corpo mirrado e certamente contendo poucas curvas, como ela mesma evidenciara. Ainda assim, Lilly não deixava ser convencida, continuando a enumerar todos os problemas que Alice poderia ter comendo tão pouco, como ficar fraca, perder os dentes e morrer.
Nesse momento, até mesmo Jasper rira, ainda à parte da conversa.
_ Pois para mim está linda hoje – ele disse de repente, como se estivesse no meio da conversa delas à todo momento.
E continuou concentrado em seu delicioso café da manha.
Suas palavras calaram as mulheres de imediato. Alice o encarou como se duvidasse que ele havia dito mesmo aquilo.
Mas ele havia dito sim, pois até mesmo Lilly ouvira!
Alice notara como sua pulsação acelerou com suas tão naturais palavras. Suas bochechas coraram enquanto ela desviava a atenção. Pigarreou, sorrindo largamente por dentro, mas por fora mantinha uma mascara de seriedade e racionalidade.
_ Bem... preciso repetir que...hã, estou igual à todos os dias, Já-Jasper – ela se praguejou por dentro quando sua voz falhou no ultimo segundo.
Mas Jasper não riu de sua expressão nem de como ela parecia tão mais avoada do que o natural.
Ele apenas dera de ombros.
_ Talvez por que esteja linda todos os dias – disse ele sem levantar o olhar, como se sua refeição fosse mais importante do que evidenciar algo óbvio.
Dessa vez, Alice deixou cair seu garfo contra a mesa, trêmula por suas palavras soarem tão verdadeiras vindas dele.
Ele acabara de dizer que ela era linda.
Linda.
LINDA.
Alice soltou uma risada repentina pelo nervosismo, piscando várias vezes para não parecer tola demais.
E o café da manhã terminara em um delicioso silencio cheio de significados.
_
Biloxi, Mississipi
Dia seguinte
O dia seguinte àquela quarta-feira tão agradável começava a demonstrar que poderia ser exatamente igual.
Alice estava sentava em seu banco, bem no meio do gramado, sendo beijada pelas borboletas que zig-zagueavam pelas flores do jardim. Um de seus romances repousava em seu colo, enquanto ela tentava absorver o máximo que o calor do sol poente podia oferecer. Tudo na mais perfeita harmonia, na mais perfeita ordem.
Tão perfeitamente calmo que deveria levantar desconfianças.
No fim da enorme rua, ela via a imagem de Jasper, vindo em um galope vigoroso e belo aos olhos, sobre Ramos.
Mesmo de longe, ela podia ver seu sorriso.
Conforme ele se aproximava mais de sua casa, Alice se levantou, como se esperasse a muito tempo sua chegada e não pudesse mais fazer isso.
No portão, Jasper pulou de cima de seu cavalo de estimação mais estimado dentre todos e adentrou o enorme jardim puxando-o pelas rédeas.
_ Olá – ele acenou com a cabeça, evitando chegar muito perto dela, pois Alice cheirava bem demais para ele, que estava suado e cheirando a folhas e animais.
Alice acenou timidamente com uma mao, enquanto a outra segurava fortemente seu livro sem razão lógica.
_ Olá – respondeu ela, lutando contra a vento, que insistia em jogar seus cabelos contra seu rosto, tapando ele de sua visão.
Mas Jasper gostava do que via. Com os últimos raios do sol contra sua pele e seus olhos castanhos, Alice ganhava um tom amadeirado tão delicado e belo que roubou a compostura de Jasper por um tempo.
Tão... linda.
Assim, sem artifícios, sem forçar, sem pretensão alguma, ela alcançava uma beleza tão natural e perfeita aos olhos dele. E os cabelos contra seu rosto em um movimento de ondas lentas que pareciam combinados.
Ele memorizou aquela imagem, sabendo que não conseguiria uma substituição.
_ Vamos – chamou ela, saindo do meio da grama e se aproximando dele.
Não se importava com seu terrível estado ao fim do dia.
Dentro da mansão, ele tomara banho e desceu para jantarem. Tudo como uma rotina chata de casamento, mas que agradava aos dois como deveria agradar desde o começo.
Mas fora no meio da noite, enquanto conversavam na sala de estar, que toda a perfeição do dia evaporara como uma gota de água ao fogo. Isso logo depois que um envelope entrara pelo vão da porta, como todas as correspondências.
Com a testa franzida, Jasper se levantou e apanhou a pequena carta entre as mãos, encarando-a como se ela o intimidasse.
Mas viu no canto superior um selo de Michigan e automaticamente sorriu.
_ È de Michigan – disse ele abrindo a carta com ansiedade e começando a ler com empolgação. Mas, então, tudo perdera as cores quando ele viu do que se tratava.
A expressão de Jasper tornar-se repentinamente séria demais, o papel pesado demais entre seus dedos.
Alice se levantou, começando a estranhar a repentina mudança.
_ O que foi, Jasper? – ela perguntou, aproximando-se dele, colocando a mão em seu ombro – De quem é a carta?
Jasper olhou para ela com um ar pesado, olhos tão frios e mortos que Alice se arrepiara.
_ È do meu ex-capitão, Alice – disse ele, a voz acompanhando sua expressão – Estourou uma guerra – por mais que ele não quisesse assustá-la, ele não podia deixar de passar a seriedade que aquilo significava. Com um aperto no peito que o sufocou, ele terminou de dizer – E ele está me pedindo para guerrear com eles.
Notas finais
Os proximos cap. são mais serios, viu? Até pq eu SOU uma pessoa seria!
Eu acho...
Bem, gostarammmm????:D
Olha, pelo menos grande ele é, nénão? (a day e a Garotaerrada ficam satisfeitas assim, né?) ksapska
Ahh, estarei respondendo as reviews do cap. passado ainda hj, tá?
Espero que as leitoras novas dos cap.'s passados voltem nesse...
Bem, bjssss minhas fofas
:*
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