Os Segredos dos Seus Braços

7 Conhecendo o quase desconhecido...


Notas iniciais
Oláá pessoas :DMais um cap!Hmmmm, é a partir desse que muitas coisas começam a se encaminhar...Hmmm, senti falta da AliceWhitlock no ultimo cap., viu dona moça??? kspakspakBom, espero que gostem!Boa leitura!:*

Cap. 7- Conhecendo o quase desconhecido...


Biloxi, Mississipi

Ano de 1901

Alice contava os passos enquanto refazia seu caminho, de volta para sua casa. Havia ido comprar uma grande e vistosa abóbora, pois ansiava em fazer um bolo. Fora um pedido inconsciente de Jasper e, para que não perdessem a amistosidade que estavam tendo, ela empolgou-se em preparar um.

Até se estranhara por isso.

Esposas faziam esse tipo de coisa para seus maridos, ela sabia. Cozinhar, fazer companhia, remexer em seus cabelos.

Parecia bom.

Alice suspirou, sentindo seu corpo ficar solto devido ao repentino vazio que sentira novamente em seu peito.

Nunca teria algo assim

Via como suas irmãs eram aparentemente felizes e como seus maridos cuidavam delas de uma forma invejável.

Fora isso que Alice sempre quisera.

Sempre ficara pendurada em sua janela, esperando que o amor de sua vida irrompesse no horizonte de Biloxi e tomasse seu coração. A única e absoluta verdade era que queria saber como era ter um casamento com amor. Detestava admitir, mas queria saber como era amar um marido e ser feliz com ele.

Como se brincassem com sua cara, um casal passou bem diante de seus olhos, de mãos dadas; sorrisos bobos, caricias visuais...

_ Malditos estúpidos apaixonados! – ela ralhou baixo, fazendo seus pés andarem mais rápido, enquanto ela maltratava o chão com seus passos duros.

Sr. Darcy, infelizmente, não existia de verdade e ela começava a sentir a necessidade de parar de esperar que existisse.

Alice cruzou seu portão ranhoso e logo estava dentro de sua enorme casa folhada de madeiras bem trabalhadas.

_ Já regressou, Sra. Witlock? – Consoelo, que Alice conseguira fazer ficar menos muda, lhe recebeu com um amistoso sorriso.

Alice colocou seu xale e seu chapéu sobre a mesa de centro antes de sorrir para sua serviçal.

_ Oh, sim, e estou pronta para começar meu bolo de abóbora! – ela exclamou, contente, enquanto entregava a cesta pequena para a Sra. – Poderia ocupar-se em repicar essa abóbora? Preciso subir por um momento.

Ela subiu as escadas de madeira distraidamente, brincando com um de seus cachos, que ganhavam vida nos fins de seus cabelos. A idéia de ocupar-se fazendo a única coisa no mundo que era razoavelmente boa, lhe contentava.

Porem, quando abriu a porta de seu quarto, esperando encontrá-lo vazio, deparou-se com a cena que jamais gostaria de ter visto.

Era Jasper.

Mas antes estivesse nu outra vez.

Pois ele estava com três de seus livros nas mãos, olhando-os com um sorriso tão largo quanto debochado, abertos, cada um, em uma diferente página.

_ Oh Deus! – ela murmurou completamente em choque.

Aquilo não poderia estar acontecendo.

Quando ele ouviu seu murmuro, levantou sua cabeça devagar, como se quisesse controlar o tempo em que via ela desesperar-se.

_ Quanto mais pensou que esconderia isso de mim? – ele quebrou o silencio do quarto, sorrindo e semicerrando os olhos para ela.

Alice sentiu as narinas inflarem, porem sem que entrasse ar algum. Seus músculos haviam congelado ali, enquanto ela visualizava seu futuro.

Onde Jasper ria de sua cara por todo o sempre.

_ O-O que você p-p-pensa que está fazendo...? – sua voz saira como um fio, pois sua garganta também estava congelada.

Jasper colocou dois dos livros sobre o colchão da cama, evidenciando um deles.

_ Eu não fazia idéia de que era tão demasiadamente romântica, Alice – ele debochou – Como vou ter medo de suas ameaças agora?

Alice arquejou, começando à ir em direção à Jasper.

_ Eles não são meus... – ela sussurrou afetadamente, estendendo automaticamente uma mão em direção à ele – Me dê eles, Jasper...

_ Não são seus? – ele indagou, uma fingida expressão confusa – Mas estavam debaixo de sua cama, dentro de um baú cheio de véus e fotografias suas.

O desespero de Alice fora convertendo-se em uma raiva antes contida.

_ Me devolva eles agora mesmo! – ela ordenou, a voz dura e falha, o tom alto e gritante – E não diga uma só palavra!

Jasper rira alto, distanciando-se dela a medida que ela quase quebrava o chão, vindo em sua direção.

_ È por isso que me odeia tanto? – ele perguntou alto, sua voz ainda sob o efeito do deboche – “Por que não lhe roubei o coração, lento e destruidoramente; não beijei-lhe os lábios com paixão e formosidade, sentindo como meu coração reconhecia sua boca; e não disseste que lhe amava com todas as forças que possuía em meu ser, preferindo dar tudo isso à você, antes que eu seguisse vivendo...” ? – ele declamara alto uma das citações de um dos livros dela.

Jasper estava realmente admirado. Quer dizer, jamais passara em sua cabeça que Alice fosse tão romântica! Bom, não daquela maneira, pois seu baú era forrado com obras dessa categoria, mostrando à Jasper como ela lhe surpreendera mais uma vez.

Alice enfureceu-se de vez. Todo o seu sangue esquentou diante da citação de Jasper, onde ele fazia o que ela mais temia.

Caçoava de sua cara.

_ Eu odeio você! – ela esbravejou, indo para cima dele, afim de, bom, tirar-lhe a vida de uma vez.

_ Alice, acalme-se! – ele ordenou, porem não conseguia deixar de rir. Se Alice estava escondendo aquilo com medo de ele rir de sua cara enquanto ela vivesse ,ela...bom, estava completamente certa. Porem, Alice zangada era a melhor parte de tudo aquilo.

Era... engraçado, ele admitiu. Quase...encantador.

_ Eu vou matar você! – ela gritou, começando a estapeá-lo no peito, enquanto Jasper continuava rindo ao mesmo tempo em que tentava segurar suas mãos – Seu grande idiota, intrometido e estúpido!

_ Minha ex-tenente sempre me dizia isso – ele zombou, porem o tom dela não deixava margem para o dele.

Alice o empurrou para trás, querendo que estivesse perto o suficiente de seu espelho de mão.

Jasper tropeçou em um dos livros dela que estava no chão. Mas deu graças à Deus e a mãe dele, que atrás de si estava a cama, macia e receptiva. Ele caiu de costas, retrocedendo apenas à tempo de ver Alice logo em cima de si, lutando para poder estrangulá-lo.

Sem muito sucesso, claro.

_ Não tinha nada que mexer no meu baú! Eu te odeio! Odeio! ODEIO!

Jasper tentou a segurar novamente, porem Alice sentara-se sobre seu quadril, fincando os joelhos no colchão, o que dificultava o alcance de suas mãos.

_ Oras, Alice, não direi para ninguém... – ele continuou rindo, desviando certeiramente as mãos dela, que vez ou outra encontravam sua face – Zombarei sozinho!

_ ARGH! – ela rosnou, remexendo-se inquieta, tentando soltar uma de suas mãos, que ele conseguira segurar – Cale a boca, seu grande grosso!

Jasper se engasgava com suas risadas, pois quanto mais Alice zangava-se com ele, mais ele achava engraçado.

Porem, ele soube exatamente o momento em que ofegara, enquanto ela remexia-se em seu colo com rapidez, com raiva.

Tentando fugir de suas mãos, tentando bater nele com as suas próprias.

Jasper engoliu a risada enquanto sentiu seu corpo começar a responder àquela situação. Foi automático, quase inevitável, todos os seus nervos mais sensíveis começarem à agitar-se, enquanto algo dentro dele começou a ficar quente.

_ Alice, já chega... – ele murmurou, a voz rouca. A maneira como ela se remexia em seu colo, o fez sentir exatamente o momento em que algo nele dava seu sinal de vida.

Imponente e forte.

Suas vestes leves e finas não impediram que ele a sentisse no exato lugar que passou a querer.

_ P-pare, Alice! – ele ordenou, sua voz ficando mais séria, sem seu usual deboche, com uma falha inédita.

Se ela não parasse com aquela fricção terrível, ele faria uma besteira.

Foi então que Alice percebeu. Enquanto tentava estapeá-lo, algo aconteceu entre seus corpos. A expressão de Jasper estava diferente de todas as vezes que ela já vira. Mas, uma ferocidade que não dava medo.

Ela parou pouco a pouco, percebendo como os olhos dele lhe queimaram por um segundo, como sua voz se alterara.

Quando ficou parada em seu colo, Jasper segurando seus pulsos, ambos tentando normalizar suas respirações desiguais, sentiu algo a pressionando sob seus segredos.

Pétreo e quente.

_ Oh! – ela exclamou em um sussurro, chocando-se quando percebeu o que aconteceu ali. Quando sua mente focou na situação que acontecia bem onde seus corpos se encontravam, ela estremeceu.

Novamente aquela sensação de queimação que lhe subira pelo baixo ventre e quase a levava o ar.

Diante do tamanho espanto, do absurdo, ela saiu de cima dele, não colocando muita fé na força de suas pernas, naquele momento. Cambaleou desastrosamente para trás, parando apenas quando sentira suas costas baterem em sua penteadeira, derrubando alguns perfumes.

Bem diante de seus olhos, ela viu Jasper sentar na beira da cama, a cabeça baixa, os cotovelos apoiados nas pernas.

Ela presumiu que tentava esconder algo.

As respirações dele, assim como as dela, rápidas e profundas, fora o único som que passou a ser ouvido.

_ Eu não... – ela o ouviu murmurar, enquanto percebeu seus olhos fixos sobre ele. Ele parou de falar por um tempo que, para Alice, parecera décadas.

Porem, tão de repente quanto tudo o que acontecera, ele levantou-se da cama, indo em direção à porta.

_ Eu...hãn... – ele balbuciou, as mãos na maçaneta, seus olhos longe dela. De alguma maneira, ele não conseguia olhá-la nos olhos – Sinto muito.

Disse antes de sair porta a fora.

~•~•#•~•~

Jasper ficou cerca de 2 horas na biblioteca, sem nem ao menos se dar o trabalho de ascender mais do que as três velas que iluminavam o enorme recinto. Parecia que daquela maneira ele poderia encarar melhor o constrangimento que tivera. Ele podia ver a noite adentrar na cidade pela janela do canto.

Nunca havia perdido o controle daquela maneira. E, o que mais o encabulava, era o fato de Alice nem ao menos ter feito de propósito; de não ter agido com pretensão de fazê-lo chegar naquele estado. Nenhuma outra conseguira.

Ele se controlava quando queria se controlar.

_ Infernos! – ele rosnou baixo, esfregando as têmporas com força. Estava esperando que Alice já estivesse dormindo para poder voltar ao quarto sem a irritante companhia da vergonha.

Deus, eles estava virando um estúpido!

Nunca o fato de ter chegado naquele estado diante de uma mulher o havia perturbado daquela maneira.

Talvez fosse apenas o fato de ser Alice...

_ ... O que complica mais – ele resmungou, começando a ficar irritado. Aquela mulher conseguia o perturbar de todas as formas que mereciam respeito.

E as que não mereciam também.

Depois de cansar de encarar as prateleiras de livros, ele decidiu que era idiotice demais pensar em se mudar definitivamente para a biblioteca, como o seu fértil imaginário começara a pensar.

Suspirando, ele levantou-se dali, indo vagarosamente em direção ao seu quarto.

A madeira da escada rangia a medida que ele a subia. Parou com a mão na maçaneta, lembrando-se que não fazia idéia de como o clima teria ficado.

Tomando uma postura adulta e masculina, ele entrou, tentando esquecer a cena.

Pois era lembrar de Alice remexendo-se sobre seu quadril para que logo sentisse os mesmos sintomas.

Seria bom ele tentar dormir. Depois de um banho gelado, certamente.

Quando fechou a porta silenciosamente e se virou para o quarto, viu Alice virar-se para ele no mesmo segundo. Ela havia ficado sentada na beira de sua cama, remexendo em seu cabelo com uma escova enorme, durante todo aquele tempo.

Seus olhos estavam ansiosos, Jasper percebeu. Ele parou a uma distancia segura.

_ Está tudo bem? – ela se apressou em indagar. Ele notou o leve estremecimento em sua voz sempre fina e natural, percebendo como ela estava se esforçando.

Ela trazia uma leve coloração nas bochechas.

_ Hãn... sim, está – ele murmurou, achando melhor aprontar-se para dormir.

Quando ele passou por ela sem mais nada a dizer, Alice se virou novamente para ele.

_ Está zangado comigo? – ela abaixou o tom, nem querendo pensar se o havia ofendido com a cena anterior. Pois se sim, ela já podia imaginar a indiferença e a frieza com que ele a trataria dali em diante.

Aquilo o fez parar. A única pessoa que deveria ter ficado zangada naquele quarto, se ele não se enganara, era ela. Quer dizer, mesmo que eles fossem casados, aquela não era a realidade daquele casamento.

Havia sido quase desrespeitoso.

_ Não, Alice, não estou zangado com você – ele respondeu firmemente. Na verdade, estou envergonhado por querer voltar exatamente onde havíamos parado, ele emendara em pensamento, ofegando quando se pegou pensando aquilo.

Deus, precisava mesmo dormir.

. A expressão dela pareceu se suavizar esporadicamente.

Jasper segurou a boca teimosa para que não sorrisse.

_ Bom, então – ela passou as mãos pela trança aparentemente feita às pressas, antes se começar à se encaminhar para a porta, tentando pensar em seu bolo de abóbora. Mas parecia que ainda sentia o estado do corpo dele sob o seu, lembrando que fora ela que o fizera chegar nele. Ela – Preciso terminar... hãn... alguma coisa.

Jasper assentiu, louco para deitar-se e esperar aquele terrível dia acabar de vez. Nem pensou em reclamar de ainda não poder dormir no macio como ela.

Naquela noite, aquela era a melhor de todas as opções que ele dispunha.

_ Boa noite – murmurou, sabendo que ela não deveria ter escutado, pois já fechava a maçaneta atrás de si.

Foi uma noite longa para ele, como a anterior havia sido.

E aquela havia sido a primeira noite em que ela o perturbara em sonhos.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

1901

Os dois dias que se seguiram haviam sido estranhos. Nenhum dos dois fez quaisquer referencia ao acontecimento perturbador.

E recheado de constrangimento.

Jasper evitava falar muito, ao mesmo tempo em que ela evitava olhá-lo. Não estavam mais brigando, o que, considerando o inicio de sua relação que beirava o perigo mortal, havia sido um excelente avanço.

Porém, Jasper já começava a notar Alice ficando novamente um tanto abatida, mais pálida do que o normal, mais calada.

Por mais que fosse estranho admitir, mas gostava da Alice do começo de tudo aquilo. Daquela que gritava com ele e lhe rebatia as ironias na mesma altura.

Era divertido.

Jasper riu sozinho enquanto estava se encaminhando para seu trabalho, andando à galopes vagarosos sobre Ramos.

_ Lembra quando destruí aquele vestido dela? – ele perguntou para o cavalo. Ramos tinha sua maneira bem particular de resposta. Fazia um som engraçado com a garganta, balançando a cabeça de forma inteligente – Pois é, ela quase arrancou a pele de meu corpo, não?

Ele virou a ruela, chegando na fazenda de seu pai, pouco reparando na carruagem que já estava lá.

_ Ela está triste, Ramos. Acho que entediada. – ele se pegou refletindo, se sentindo estranho por logicamente ser o responsável por aquilo – Acho que... que ela sente-se muito só... –murmurou, temendo admitir aquilo e ser repreendido por seu animal. Ramos fazia muito isso, na realidade – O que você acha que eu devo fazer? – perguntou retoricamente para seu cavalo.

_ Acho que deveria descer daí e parar de falar com animais.

Jasper parou de alisar a crina de seu enorme cavalo negro quando reconheceu a voz de seu pai. Desceu de Ramos, prendendo-o na cerca da área de madeira.

_ Bom, é menos preocupante do que conversar com o cafezal, não acha? – perguntou de bom humor.

Mesmo que tivesse um fundo de ressentimento camuflado naquela frase.

_ Oras, converse com o Sr. seu pai! – Felix exclamou revirando os olhos achatados. Parecia obvio demais sua solução – Temos muito para falar sobre os negócios, filho.

O pai de Jasper começou a seguir em frente, para poder ir para seu escritório. Jasper não teve outra saída se não calar-se e seguir seu pai, esquecendo qualquer outra questão que pudesse fazer parte de sua vida, para poder falar sobre café.

_

Quando o dia estava chegando ao fim, Jasper suspirou, exultado. Depois de passar um dia inteiro naquela fazenda, negociando, ele achava sua casa o lugar mais encantador, desejável, atrativo e bom de todos os confins do mundo.

Montou seu cavalo e antes mesmo que percebesse, já galopava velozmente. Naquela tarde, estava mais ansioso para chegar em sua casa.

Não sabia por quê.

Algo lá lhe fizera uma falta incômoda no decorrer de todo aquele dia. Deus, queria não precisar trabalhar, naquela semana.

Estava cansado de tudo aquilo.

Quando prendeu devidamente as rédeas de Ramos nos fundos de sua casa, entrou a passos determinados e sempre imparciais.

_ Olá Lilly – ele cumprimentou a mulher, que ajeitava umas flores, que já davam sinais de falecimento, distraidamente na sala de estar.

_ Ah, olá Sr. Witlock.

Ele tirou seu chapéu e seu casaco, pendurando-os alinhadamente no cabide que ali ficava.

A casa estava silenciosa.

Como todos os dias.

_ E a Sra. Witlock? – perguntou quando não a avistou nos arredores.

_ A Sra. estava sentindo-se indisposta – ela informou e Jasper franziu o cenho – Mas creio que a razão tenha sido seu jejum. Ela não almoçou hoje, Sr..

Jasper balançou a cabeça antes de começar a subir as escadas. Quando menos percebera, já estava abrindo a porta de seu quarto.

Alice estava deitada de costas para a porta, respirando sem fazer um único som.

_ Alice? – ele a chamou, aproximando-se.

Alice não estava dormindo realmente, pois virou-se para ele logo que sua voz tomou sua audição.

_ Olá – ela cumprimentou, sentando-se na cama.

_ O que você tem? – perguntou um tanto rudemente.

Mas, não era exatamente com ela que estava zangado.

_ Não tenho nada – ela se defendeu, a expressão ficando amarrada.

_ Pois Lilly disse-me que você tem – ele retrucou, encarando-a como se ela fosse uma garotinha que precisasse de repreensão– Não comeu nada hoje.

Ela deu de ombros, pois sabia como Lilly não seguraria um fato daqueles.

Talvez fosse a falta de proteínas em seu organismo, mas sentiu a preocupação dele cruamente em seu tom.

_ Eu sei que você não gosta de almoçar sozinha, Alice, mas eu não consegui sair da fazenda. Amanhã um comprador de meu pai visitará o cafezal e eu precisei vistoriar tudo.

Ela se perguntou por que ele estava se explicando. Quer dizer, ele não devia satisfações à ela.

_ Tudo bem – ela murmurou, levantando-se devagar, pois sabia que seus sentidos eram traiçoeiros para com ela.

_ Sente-se nessa cama, mulher, para que não caia – ele disse com um tom quase de ordem, pois não tinha certeza se a seguraria a tempo.

Ela, mesmo não querendo, se vira obrigada a obedecer, pois ficar de pé a estava deixando tonta. Observou calada quando Jasper fora no armário e logo desaparecera porta a fora. Um tempo depois já punha-se de volta.

Sem a camisa, o cinto e o enorme colete que sempre usava.

Havia colocado uma camisa preta, que evidenciava suas formas e contrastava com sua pele e cabelo de uma maneira infernal de tão atraente.

_ Onde vai? – ela indagou, um tanto confusa. Não queria realmente admitir para si mesma que ele fosse sair. Seu peito vacilou por um miserável segundo quando imaginou para onde ele iria.

E com quem estaria.

Por segundos, sua mente se nublou e ela começou a ficar irritada, pronta para começar a ser grosseira com ele e evidenciar o quanto asqueroso ele era.

Mas as palavras dele a desarmaram.

_ Nós vamos descer para jantar.

_

As velas repousadas nos castiçais em todos os cantos da sala de jantar davam um ar colonial ao ambiente.

Lilly não escondera sua satisfação em ver Alice mastigando algo. Alice não conseguia evitar ficar incomodada com a preocupação excessiva de que ela morresse por fome.

Mas era até encantador.

Quer dizer, às vezes, lembrava sua mãe.

Eles estavam comendo em silencio, mas era um agradável. Alice não tinha muita companhia durante todo o dia, e apenas o fato de ter alguém junto com ela na mesa já era reconfortante.

Porem, por mais que a mesa repousasse no silencio, Jasper pensava euforicamente em muitas coisas ao mesmo tempo.

Com a visita de amanhã, certamente ele não poderia vir para o almoço, no dia seguinte.

Jasper largou o talher com o qual levava ervilhas à boca, e sentiu-se esquisito.

_ Você está bem? – Alice perguntou baixo, quando as sobrancelhas dele pareceram ter ganhado vida própria.

Jasper a encarou, não sabendo o que realmente dizer à ela. Quer dizer, ele não deveria se importar com seu estado, e pouco menos em como ela iria sentir-se.

Mas não conseguiu.

Enquanto ele estivesse almoçando rodeado de pessoas, no dia seguinte, ela teria apenas a companhia do castiçal, no canto da mesa.

Mas quando ele juntou aqueles dois pensamentos em um só, algo lhe ocorreu, de repente.

_ Oh! – ele exclamou, enquanto a idéia pareceu aplausível quando ele passou a pensar à respeito com demasiada satisfação – Que excelente idéia!

Alice arqueou as sobrancelhas.

_ De que você está falando?

_ Alice, gostaria de levá-la amanhã ao meu trabalho – ele sugeriu; um pequeno sorriso escapulindo entre seus lábios – Se assim lhe agradar, é claro – emendou rapidamente. Não entendeu o porquê, mas o pensamento de mostrá-la como sua esposa para todos os outros homens que encontraria amanhã, lhe deixava com um satisfatório gosto de superioridade, como se o fato de saberem que, de uma maneira ou de outra ela era dele, lhe fizesse... bem.

Alice endireitou-se na cadeira. Aquela era uma novidade estranha. Jasper nunca se dispunha à levá-la a lugar algum. Em todo o tempo em que já eram casados, nunca haviam saído juntos.

Bom, teoricamente.

Ela pensou em recusar de imediato. Talvez Jasper estivesse manipulando um plano maquiavélico e fosse de seu intuito livrar-se dela no meio dos silenciosos pés de café...

_ No que está a pensar? – ele perguntou depois do momento de reflexão dela, parecendo ficar preocupado com seu longo silencio.

Alice sentiu-se um tanto culpada. Bom, ele não parecia mal o suficiente para fazer algo daquela maneira.

Parecia querer ser apenas... gentil, ela tratou de pensar.

Porem, ela imaginou-se sendo apresentada aos amigos do pai de Jasper como a feliz esposa dele.

E não era algo dotado de verdade.

Como sentir-se-ia sob os olhares curiosos dos Sr’s sobre si quando notassem a falta de intimidade dos dois, a distancia que mantinham um do outro, a falta de carinho?

Certamente, ela viraria o motivo central dos pensamentos deles.

_ Bom Deus, lhe desagrada tanto passar algum tempo comigo em meu trabalho? – ele voltou a falar parecendo um tanto ofendido com o extenso silencio dela – Pode deixar de mão esse assunto, então, Sra. – ele emendou friamente, voltando-se para suas ervilhas.

_ Eu irei – ela disse naturalmente, estranhando o fato de sua boca ignorar seus pensamentos e não manter-se fechada.

E então sorriu.

_ Me agradaria imensamente – emendou, apenas.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

O amanhecer do dia.

Alice ficara perdida dentro de seu enorme armário. Tinha inúmeros vestidos ali, um mais preferido do que o outro.

_ Deus, ainda tem o cabelo! – ela pensou, um tanto desesperada. Suas pernas e seus pés se moviam rápidos dentro do quarto, enquanto ela sentia o coração bater rapidamente.

Negou o fato de estar realmente ansiosa.

_ O que vou fazer com essa tremenda palha? Qualquer dia desses, vou me livrar de metade dele!ela parou poucos segundos para se analisar no enorme espelho de sua penteadeira. Por todos os deuses, lhe faria imensamente feliz, naquele momento, ter nascido com os cabelos platinados de Rosalie!

_ E quanto à essas bochechas! – ela apontou para si mesma no espelho, desesperando-se – Pareço doente! Deus, pareço quase morta!

_ Não, não parece. Você é apenas sempre exagerada – Jasper irrompeu tão silenciosamente pela porta que Alice até assustou-se com sua voz calma no interior do quarto.

_ Ah, desculpe, não percebi que estava aí –ela inconscientemente passou as mãos pelos cabelos, corando. Homens deveriam achar entediante e inexplicável o ritual das mulheres de vestir-se.

_ Bom, eu percebi –ele deu um sorriso torto antes de continuar – E quanto à você estar preocupada com sua aparência, creio que você será a mulher mais bela daquela fazenda.

Dessa vez, todo o sangue que Alice tinha no corpo escondera-se em suas bochechas. Ela corou violentamente, enquanto suas mãos formigaram.

Ele dissera tão naturalmente quanto dizia bom dia.

_ Quer dizer, se levarmos em conta o fato de que você será a única mulher – ele emendou, seu sorriso alargando-se. Ele certamente esperou Alice dirigir-lhe um nome não muito belo, tacar-lhe alguma coisa e o detestar um pouco mais diante de sua brincadeira.

Porem, ela ainda estava se sentindo meia trêmula por dentro.

Por trás das palavras dele, ela sentira algo sincero.

_ Bom, poderia dar-me licença? – ela murmurou antes de evidenciar-lhe suas vestes na mão – Para que eu possa me trocar.

Jasper sorriu um pouco antes de assentir e começar a tomar o caminho de saída. Aquele era um fato meio intragável.

“O marido ter que sair para a esposa se vestir...”, ele pensou com rispidez.

Mas ele logo tratou de se lembrar de como era o seu casamento.

Nada era muito normal.

Muito aceitável.

Muito fácil de acostumar-se.

~•~•#•~•~

Pela primeira vez, Jasper não estava indo com Ramos para a fazenda. Alice quase implorara, depois de impor, claro, que eles fossem de carruagem, pois assim não desandaria com seus cabelos.

Conforme passavam entre enormes pés de café, em um caminho verde que era deslumbrante aos olhos, Alice se encantava mais.

_ Gostou? – Jasper perguntou um momento, enquanto Alice vez ou outra soltava expressões de encantamento e surpresa.

_ Oh, sem dúvida! – ela exclamou, olhando para ele por uma fração de segundos – São tantos, não?

Jasper riu, e passou seu braço momentaneamente pelos ombros dela.

_ Sim, são. E, olhe – ele apontou para uma camada de um verde mais intenso ao horizonte – Pouco além daqueles pés, há um riacho realmente encantador. Posso lavá-la lá algum dia, se assim desejar.

Alice sufocou um grito na garganta, mas dera um sorriso deveras longo quando virou-se para ele.

_ È tão.... – ela parou sua frase ao meio quando viu que ele estava próximo demais, enquanto seu braço ainda passava por seus ombros, apontando o riacho. Por um segundo, perdera as palavras de sua boca — ... amável. – murmurou.

Foi impossível não ficar perdida momentaneamente nos olhos dele. Eram tão profundos.

De uma maneira instigante.

Jasper também não disse nada durante aquele momento, pois o perfume de flores dela o atingira de repente.

Alice não conseguiu deixar de notar que os lábios dele eram tão bem feitos, com uma cor viva e extremamente quente, como sua memória tratou de reviver para ela.

Fazia tanto tempo que ele a havia beijado, naquele altar.

Alice sentiu o peito dar um solavanco quando começou a sentir algo parecido demais com uma vontade de fazer aquilo de novo.

Foi como se algo a puxasse timidamente cada vez mais para perto dele, esquecendo naquele momento todas as outras coisas que os rodeavam. Mesmo que algo em sua cabeça gritasse para ela que não deveria beijá-lo, era inevitável ignorar a eletricidade de suas veias excitadas em imaginar aquele ato...

Mas então a carruagem passara bem em cima de uma enorme pedra disposta no centro do caminho. A carruagem fizera um movimento brusco, quase fazendo os dois caírem pelas laterais.

Porem, bateram as testas tão fortemente que quase fundiram as cabeças.

_ AU! – eles exclamaram juntos, levanto suas mãos até o local, talvez para averiguar se não havia se partido.

_ Oh, me desculpe, Sr. e Sra. Witlock – Ernest, o cocheiro, virou-se para traz com um desespero estampado, enquanto segurava as cordas as rédeas dos cavalos – Machucaram-se?

Jasper fez uma careta experimentando algo bem mais parecido com frustração contida do que com dor em si, enquanto Alice soltava fracas lamúrias, a cabeça baixa.

_ Você está bem, Alice? – ele perguntou de imediato, tendo a certeza que o fato de sua cabeça ser mais dura do que a dela, a havia feito sofrer mais do que ele próprio.

Em um ato automático, ele tirou a mão dela, que encobria a testa, para verificar.

_ Hãn... – ela gemeu um pouco, enquanto levantou a cabeça devagar – Tudo bem, não se preocupem – ela disse, dirigindo-se principalmente para o desesperado cocheiro, que ela tinha certeza que não dormiria em paz sem que ela garantisse aquilo.

_ Oh, graças aos deuses! – o homem murmurou, voltando a andar com a carruagem.

_ Você tem certeza? – Jasper olhou para o vermelho bem na lateral de sua testa – Está meio vermelho...

Mas Alice não o respondeu, apenas ficou encarando-o. Jasper estava a ponto de perguntar a ela o que havia de errado, quando ela irrompeu em uma gargalhada não habitual.

~•~•#•~•~

A agradável tarde de Setembro se abatia sobre a fazenda. O vento trazia um delicioso aroma, vindo dos fruto se das folhas da plantação. E Alice respirava profundamente.

A carruagem parou bem diante da enorme área de madeira da casa. Ela ajeitou as luvas nas mãos enquanto Jasper descia e dava a volta. Quando parou ao seu lado na carruagem, lhe estendeu a mão cavalheiramente.

_ Eu lhe ajudo – ele murmurou e Alice fechou seus finos dedos na dura e quente mão dele. As sensações da proximidade que havia tido na estrada ainda estavam bem conscientes em sua memória e ela pensou que fosse esse o fato que lhe fez estremecer quando ele segurou fortemente sua mão. Não conseguiu evitar olhá-lo enquanto ele a encarava, ajudando-a a descer.

Jasper tinha traços angulosos, duros, marcantes e estupidamente belos.

Quando ele segurou timidamente sua cintura quando ela firmou os pés no chão, algo invisível por fora de seu corpo lhe chamou atenção.

_ Obrigada – ela disse tentando inutilmente deixar sua voz estável o suficiente. Todas aquelas reações esquisitas que estava começando a ter quando ficava na presença austera dele lhe estavam começando a irritar.

_ Vamos entrar, pois creio que já estão todos aí – ele disse e Alice detestou ver o quanto ele desviava concentradamente seu olhar de sua direção.

Ela abaixou a cabeça ligeiramente ao se dar conta, novamente, o quanto ela era insignificante para Jasper.

Ele lhe ofereceu, como a educação pregava, o braço. Eles entraram pelo caminho de madeira rangente, enquanto vários serviçais passavam, calados, ao redor deles.

_ Ah, olá Sr. Witlock – uma baixa mulher, que usava vestes mal passadas até demais, apareceu na sala de estar da casa.

“Tudo nesse lugar cheira a café”, Alice pensou “Até mesmo os quadros da parede, presumo”. Ela sorriu discretamente, planejando tirar essa dúvida em um momento oportuno.

_ Olá Sra. Webber – Jasper cumprimentou, assumindo uma postura demasiadamente séria – Essa é a Sra. minha esposa. Alice – ele apontou discretamente para ela.

A mulher sorriu.

_ Olá – Alice sorriu de volta, tentando sentir-se a vontade.

_ Oh, mais é encantadora! – a mulher bateu as mãos na altura do peito.

_ Sim, realmente é – ele disse rápido demais para o gosto de Alice, como se achasse o fato de dizer aquilo indiferente demais – Meu pai está aonde, Ângela?

_ Está no escritório, juntamente com os Sr.’s com quem o Sr. e o Sr. seu pai fecharão negócios.

Jasper assentiu friamente antes de começar a tirar seu pesado casaco marrom.

_ Poderia guardar isso para mim, Ângela? – ele pediu. Alice mal reparou quando ele se virou para ela, parecendo voltar momentaneamente para sua usual agradável voz – Gostaria de pendurar seu xale também?

_ Oh sim, claro – ela concordou rapidamente, tirando-o e entregando para a mulher – Obrigada.

A mulher sorriu antes de sair por um corredor no fim da sala.

_ Alice, eu preciso conversar com meu pai por um instante. È demasiadamente importante.

Ela deu de ombros, como se estivesse realmente a vontade com aquele fato.

_ Bom – Jasper pareceu meio afetado com a rápida e desprendida resposta dela, mas logo retomou com sua compostura – Logo poderemos almoçar e então lhe apresentarei a todos para que não fique perdida – ele lhe garantiu – Por hora, fique a vontade por aqui.

Alice apenas assentiu dando um enfraquecido sorriso. Mesmo parecendo meio relutante, Jasper sumiu por uma porta ao lado esquerdo.

Alice tentou agir como ele incentivara.

Mas era uma tentativa quase ridícula.

Ela tentou se concentrar nos desenhos das madeiras das paredes, tentando decifrar seus significados. Imaginou se aquela fora a casa onde Jasper crescera. Pois, se sim, ele certamente teria passado a vida toda criticando aqueles desenhos esquisitos.

Alice riu sozinha na enorme sala e antes que segurasse a mão, esticou-a e tocou de leve um dos desenhos incrustados na madeira.

_ Belíssimo relevo, não? – Alice assustara-se quando uma voz surgiu logo atrás dela. Se virou, com o coração meio acelerado, apenas para vislumbrar a figura do Sr. Black, o famoso dono do Banco Central de Biloxi.

E o intocado e intimidador pai de Alec.

Seu olhar não deixara Alice tão a vontade quanto gostaria de ter ficado...

Notas finais
:OEsse Sr. Black cheira a encrenca, cheira não? skjapoksakoaEae, sol's da minha clorofila (?) ?Gostaram?Hmmm?HMMMMMMM?