Os Segredos dos Seus Braços

9 Uma semana de silêncios e uma manta no fim do dia.


Notas iniciais
Olá minhas lindonas!
Queria pedir desculpas por que nao deu pra responder as reviews do ultimo cap por que eu tive plantões essa semana no serviço :/ (serviço de merda)
E, tambem, meu pai se acidentou essa semana e ficou muito mal :(. Mas, agora, está melhor (graças a Deus).
Mas eu promento que respondo!

Tenho que dar um obrigada mais que especial para a NandaMello. Ela deixou uma recomendação pra fic e me deixou MUITOOOO feliz. Gostei de saber que ela está gostando tanto da fic; tambem pelo review que ela deixou no cap. passado. Obrigadaaaaa linda, fiquei SUPER feliz :*

Bem, boa leitura.

Cap. 09- Uma semana de silêncios e uma manta no fim do dia.

Biloxi, Mississipi

Whitlock's Coffee Farm

A reunião enfim havia chegado ao fim e todos já estavam voltando outra vez para a sala de estar; suas expressões satisfeitas e risonhas.

Alice ficou alguns minutos, ainda, dentro da biblioteca, repensando no que havia acabado de acontecer. Ao fundo, ela podia escutar as vozes altas e as risadas, assim como as pesadas botas contra o assoalho. Ela deduziu que fosse a hora de mexer-se outra vez.

Alec já havia saído dali um momento antes, quando viu que Alice não falaria mais nada. Logo que a porta da biblioteca se fechara atrás dele, Alice sentiu-se enojada de si mesma. Deveria ter previsto a tempo de impedir o que Alec faria.

“Oh Deus”, ela bufou, passando as mais meio trêmulas pelos cabelos.

Com um incômodo infundado, Alice saiu também, seus olhos ansiosos para encontrar Jasper e sentir-se melhor.

Não sabia como, mas sabia que iria.

Mas quando chegou na sala, não o encontrou de imediato. O que encontrou foram todos os homens, que falavam alto sobre café e outros negócios, e não conseguiu evitar encontrar Alec.

Encarando-a, de um jeito demasiadamente profundo.

Era como se com o sorriso que ele dera, ele enviasse para ela uma mensagem secreta, lembrando-a que ele havia acabado de estar em seus lábios, e aquele era o segredo sujo dos dois. Mesmo que ela não tivesse culpa, ainda assim sentia-se culpada.

Suspirando, Alice tratou de esquecer Alec e procurar seu marido.

Porém, quando o encontrou, notou de imediato que havia algo errado. Jasper estava encostada em uma pilar de madeira, as mãos nos bolsos, o olhar distante.

Alice se aproximou dele com um pouco de hesitação. Sua expressão estava diferente demais do que ela se habituou em ver em Jasper, mesmo que por vezes estivesse distante; usualmente fria ou indiferente. Não, daquela vez era algo muito fechado, duro, quase brutal. Isso ela sentiu quando chegou bem a sua frente.

E, pior de tudo, foi o olhar que ele lhe lançou.

_ Jasper, o que aconteceu? Você está bem? – ela perguntou em tom baixo, preocupando-se com ele, como se fosse uma conversa particular, apenas dela e de seu marido.

E pensar daquele modo lhe deu arrepios.

Ele se demorou um pouco para responder, enquanto sua expressão não se alterava, perdido em algum ponto de seu rosto.

_ Por que eu teria alguma coisa? – ele perguntou tão secamente que Alice até se desestabilizou por um momento. Ele não mudou de olhar, de tom e muito menos de posição. Parecia irritado apenas em olhar para ela.

O sorriso que ele lhe dera há algumas horas atrás, o qual ela esperava receber outra vez, parecia que não daria o ar de sua graça novamente.

_ Hãn... – Alice deu um passo para ficar um pouco mais próxima dele. Mas Jasper não esboçou reação alguma diante de sua aproximação. Se antes Alice estava hesitante, agora estava realmente apreensiva. Não estava entendendo a maneira com que Jasper a estava tratando – È sobre os negócios? Por que... bom, pelo que te conheço, tem algo realmente incomodando você – ela deu um sorriso nervoso, querendo tirar aquele pesado clima que estava no círculo em que se encontravam apenas os dois e ninguém mais.

Alice viu Jasper morder uma mandíbula na outra, como se se segurasse, sua raiva trincando-a.

_ Talvez você não me conheça– ele murmurou curta e diretamente e Alice sentiu um impacto diferente nela mesma, fazendo-a abaixar o olhar. Era claro que ele encerrara o assunto.

_ Jasper! – ela exclamou baixo, seu tom mais desconcertado do que chocado – O que há com você, Santo Deus!?

Jasper não a olhou e isso deixou Alice mais magoada. Ele simplesmente a ignorou e, no segundo seguinte, saiu de sua frente, dirigindo-se para um grupo de Sr.’s que conversavam sob o batente da porta, deixando Alice para trás com um nó na garganta.

Ela o acompanhou se afastar dela, como se sua presença fosse perturbadora demais para ele agüentar.

Foi automático um sentimento ruim de tristeza a invadir.

Ela ficou ali parada, quieta e muda, olhando sem realmente ver para todos, perdida em pensamentos. Mas seus olhos, como se já soubessem seu destino certo, paravam vez ou outra no loiro alto e estupidamente belo, que conversava sem sorrir com diversos outros homens.

Alice ficou pensando na forma com que ele a tratara antes de ter entrado naquela sala de reuniões. Estava, a seu modo, atencioso, prestativo e parecia querer cuidar dela enquanto estivesse ali, rodeado por tantos outros sexos masculinos, zelando por algo que o pertencia.

Alice deu um sorriso fraco com aqueles pensamentos, sentindo um gostoso reboliço no estômago ao pensar que isso poderia acontecer novamente.

Mas seus pensamentos morreram secos quando ela o olhou outra vez e seus olhares se cruzaram. Morreu, também, seu aplausível frisson de excitação e, em seu lugar, uma pesada pedra de gelo tomou conta.

~•~•#•~•~

_ Voltaremos à Biloxi em breve, caro Sr. Witlock – Sr. Hale recolocou seu chapéu em sua cabeça parcialmente coberta. Parecia satisfeito com o desenrolar das conversas, assim como os demais importantes homens que entravam em suas carruagens e carros de rodas de madeira, a nova modernidade do Mississipi.

Jasper e seu pai, Sr. Witlock, acenavam discretamente do alto da escadaria da área. Alice ficou um pouco atrás, observando tudo e sorrindo quando isso lhe era exigido pela etiqueta. Ela não parou para olhar e ter certeza, mas sabia que um dos Black a encarava, pouco distante dela.

E, fosse qualquer um que fosse, ela estava indiscutivelmente desconfortável.

Agora era descartada a proteção de Jasper, o único modo que ela teria para intimidá-los.

Esses olhos, cujo o dono ela não fazia idéia, continuaram encarando seu perfil e ela se remexeu, inquieta, no batente da porta. Era mais forte o medo de se aproximar de Jasper e ser ignorada outra vez. Então ela ficou em seu lugar, esperando que se dirigissem para ela.

Por fim, todos os homens já haviam ido e os Sr’s Black se preparavam para fazer o mesmo.

_ Nos vemos por aí, caro Félix – Fortunato declarou, mas podia-se quase perceber a pouca vontade com que falava. Na verdade, havia pouca vontade em Fortunato Black ao se dirigir a qualquer um.

_ Claro, claro – Félix respondeu usando seu não-habitual tom profissional – tão logo precisarei dos serviços do banco, certamente.

Fortunato sorriu fugazmente para os dois – Felix e Jasper – e, então, olhou para Alice.

Um arrepiou involuntário passou pela espinha dela ao receber aquele olhar.

Porém, tão logo ela se zangou.

Haviam quatro tipos de olhares diferentes dirigidos a ela, naquele momento.

_ Espero que nos vejamos outras vezes, Sra. Witlock – ele parecia tentar ser o menos cordial que o título dela – casada – lhe permitia. Entretanto, Alec parecia querer ser muito mais íntimo do que isso; apenas mantinha uma distancia segura de Jasper e seu olhar penetrante – Deveria levar sua encantadora esposa para futuras reuniões, deixar as coisas mais belas, Jasper.

Jasper não devolveu o sorriso amigável de Fortunato, tampouco conseguiu escondeu nem refrear sua irritação pela primeira vez na vida. Ele não se aproximou de Alice nem depositou sua mão em suas costas, como fizera antes.

Nem mesmo a olhou.

Mas ela se acalentou em ouvir sua voz outra vez se referindo à ela.

_ Nós devemos apenas cuidar de negócios, caro Sr. Black, pois de minha esposa eu cuido em casa – seu tom forçadamente cordial não pareceu enganar nenhum dos presentes ali. Todos presentes naquele terreiro, envoltos pela brisa suave das folhagens de café, ficaram quietos, em um clima estranho.

Fortunato pigarreou, quebrando aquele clima hostil que pairou entre ele e Jasper.

_ Certamente que sim – ele lhe sorriu pela ultima vez antes de se virar – Até a vista.

Alec não o seguira de imediato, permanecendo em seu lugar, olhando para Alice de longe.

Um olhar de cobiça, desejo e satisfação.

_ Vamos, Alec – Fortunato o chamou com uma voz séria, autoritária, a meio caminho de sua carruagem.

Alec deu um aceno, este diretamente direcionado à Alice. Alice percebeu que ele, agora, fazia pouco para ser discreto com relação à seus sentimentos por ela. Ele parecia querer mostrar a Jasper ocultamente, que havia beijado sua esposa.

Alice o fuzilou por isso.

Ela não havia deixado claro o suficiente para ele que sua relação continuaria a mesma? Que ele não estava mais intimo do que antes? Que ele não teria outro tipo de liberdade com ela?

Alec parecia pouco convencido de tudo aquilo e Alice viu que as coisas não terminariam ali.

Mas por fim, os dois entraram na carruagem e aos poucos foram sumindo no horizonte, sendo engolidos pelas folhagens verdes do plantio.

_ E quanto a vocês, meu filho? Você e Alice? – Felix, agora, voltara a ficar a vontade – Ficarão um pouco mais na companhia desse velho homem? Ou... – ele parou dando um sorriso malicioso – Ou preferem ir para casa de vocês e aproveitar a companhia muito melhor um do outro?

Alice corou violentamente quando Félix terminara de falar, não querendo realmente pensar no que poderiam fazer, eventualmente, sozinhos em sua casa.

Mas, enquanto Alice ficava constrangida com aquele comentário, Jasper, por outro lado, ficou calado e sério, como se aquela idéia o incomodasse apenas em ser considerada.

Alice sentiu o peito dar uma guinada tão forte que, de repente, sentiu vontade de entrar dentro da biblioteca e chorar. Deus, o que fizera à Jasper para ele estar daquele jeito? Alice se perguntou o que teria acontecido dentro daquela sala, enquanto ele estava em reunião. Imaginou se Fortunato Black teria comentado algo sobre o encontro deles mais cedo.

Inventado algo sobre ele, na verdade.

Ela apenas parou de pensar nisso quando escutou Jasper falar novamente.

Era incrível como estava atenta à sua voz.

_ Acho melhor irmos embora, meu pai – ele disse com uma voz profunda, que parecia um pouco sem vida. Alice se preocupou mais com esse fato do que com o dele nem sequer olhar para ela – Está tarde.

_ Bom – Félix deu de ombros – Então até a vista. E, Jasper, pense na venda que você tem que fechar, sim? Quero que você a consiga, está me ouvindo? Estou falando serio, meu filho – a ordem no tom de voz de Félix fizera Jasper apenas assentir, pensativo.

Quando o Sr. Witlock se virou para entrar na casa, quase trombou em Alice, incrustada na porta.

_ Oh, você está tão quietinha que nem percebi sua presença aí atrás! – ele sorriu para a moça. Alice lhe devolveu um de volta com a força de uma pena – Há algo errado com você? – ele franziu a testa, pegando Alice de surpresa com sua pergunta – Jasper, o que você fez para minha adorável nora? – ele se virou, divertido.

Por um curto segundo, Alice o viu, finalmente, parar seus olhos nela, quando aquelas palavras zombeteiras de seu pai pareceram terem tido algum efeito nele. Ela não conseguiu identificar o que encobriu os belos olhos verde-envelhecido dele, mas parecia uma luta interna da qual ele parecia relutar.

Mas então, para a decepção de Alice, ele desviou o olhar novamente dela, olhando para o nada.

Ele nunca sustentava aquele olhar e Alice sentiu-se, de novo, o estorvo.

_ Eu não fiz nada – ele murmurou e Alice não deixou de notar a ênfase que dera.

Félix pareceu não notar nenhuma dessas coisas, pois apenas passou os longos e ossudos dedos pelo bigode antes de dar de ombros.

_ Bom, tenham uma boa viajem de volta – ele desejou, dando um aceno para o filho antes de beijar a mão de Alice rapidamente, se pondo para dentro da enorme casa velha.

Ambos ficaram parados em suas posturas desconfortáveis. Alice estava sentindo-se estranha, agora, ficando sozinha na presença de Jasper, algo que já estava perdendo desde que passaram a dividir a mesma casa, o mesmo aposento e o mesmo sobrenome.

E descobrir aquilo a fez sentir-se estranha.

Ela o deixou seguir à frente até a carruagem, desistindo de esperar que o clima se estabilizasse outra vez. Estava intragável a forma com que ele estava a ignorando.

O pior de tudo, era que ele não a dava abertura para que ela sequer lhe dirigisse a palavra, indagasse do por que parecia querer distância de sua presença, do por que seu olhar a queimava quando chegava a si.

Era a primeira vez que necessitava saber o que se passava na cabeça de seu marido.

Não estava esperando mais nada vindo de Jasper, a não ser sua frieza, mas, mesmo com uma expressão de poucos amigos e amigos nenhum, quebrando o chão de terra dura com suas passadas grosseiras, ele, ainda sim, parou na porta de carvalho da carruagem, esperando-a chegar até ele, a expressão amarrada enquanto ele evitava olhar para ela.

Alice franziu a testa ao se aproximar, porém por dentro uma excitação a fez respirar com força, quando ela imaginou que ele voltaria a falar com ela.

_ O que...- porém, quando ela começou a dirigir-lhe a palavra, ele rapidamente lhe estendeu a mão, em um gesto brusco.

Ele a estava oferecendo ajuda para subir na carruagem.

Alice balançou a cabeça descrente, vendo que jamais se acostumaria com as atitudes de Jasper. Ele poderia estar arredio com relação à ela, a odiando, naquele momento, muito mais do que o seu de costume, mas ainda sim ele comportava-se como um perfeito cavalheiro diante de uma mulher.

Ela se perguntou para onde havia ido aquela imagem de grosseiro e mal educado que ela havia formado para si desde o seu primeiro encontro.

Alice quase riu diante daquilo, mas estava com um estado de espírito tão baixo que não conseguiu.

E talvez aquilo piorasse as coisas já terríveis.

Ela apenas se permitiu usá-lo, usufruir do pequeno momento de baixa dele, inteiramente dedicado à ela.

Ela aceitou timidamente sua ajuda. Seu “passado inconsciente” imaginou-o tirando a mão no exato momento, e ela caindo de traseira na terra dura e áspera. Mas a julgar pelo clima do momento, isso não aconteceria, nem mesmo para fins zombeteiros.

E ela se perguntou, lá no fundo, se não preferia aquela realidade tão adormecida em um passado pouco distante.

_

As sombras das enormes árvores passavam pelo teto da carruagem como se estivessem em uma animada corrida infinita. As folhas, no topo das mesmas árvores, se remexiam junto com a brisa, em uma dança graciosa.

O perfume de tudo aquilo brincava com os sentidos de quem passava.

A única coisa que não estava animada ou graciosa era o clima dentro da carruagem. Apenas o trote dos cavalos logo a frente, o assobio despreocupado de Ernest e as rodas contra as pedras da estrada eram ouvidas.

Alice acomodou-se no banco, envolvendo-se com seu xale, pois a noite já começava a cair e o vento a ficar friorento.

Enquanto tentava se esquentar, ficara pensando se não havia sido algum produto de sua mente o que estava acontecendo anteriormente entre ela e Jasper.

Mas suas sensações poderiam contradizer aquilo.

Aquele dia estava chegando ao fim mais perturbador do que qualquer outro. Jasper não disse quase nada durante o caminho todo, sentado do outro lado da janela, longe demais do normal.

Ela realmente queria estender a mão e tocar-lhe o ombro, apenas para fazê-lo olhá-la.

E decidiu que era melhor tentar falar com ele outra vez. Se fosse ignorada outra vez, seu orgulho apenas diminuiria um pouco mais.

Ela mordeu os lábios antes de estender vagarosamente a mão em direção à seu corpo.

_ Jasper? – ela murmurou, tocando de leve seu ombro. Mas ele se retesou diante de seu toque, não parecia querer o toque dela de forma alguma.

A reação dolorosa que aquele ato causara em Alice fora pior do que um tapa em sua face. Não era acostumada com desprezo bruto como aquele de Jasper.

E entendia muito bem de desprezos.

Ela apertou aos lábios em uma afina linha dura, sentindo os olhos arderem.

_ O que eu lhe fiz, Santo Deus!? – ela perguntou com uma voz baixa, de uma forma que jamais falaria com Jasper. Não queria realmente mostrar o agudo de sua voz, que estava fora do normal.

Estava trancando fortemente seu orgulho dentro de si. E jamais fizera isso.

_ Eu preferiria que não insistisse em falar comigo ou mesmo tocar-me. Não agora, Sra. – ele disse com a voz transbordando uma rudeza áspera em direção à ela. Alice indignou-se tão profundamente com aquilo que nem sequer conseguiu pronunciar seu discurso grosseiro que estava disposta, agora.

Desviou o rosto do dele, mantendo-se o mais afastada que poderia, como se ele a tivesse agredido fisicamente, antes que seus olhos traiçoeiros a fizessem chorar na frente dele.

Um misto de mágoa e raiva crescente.

Ela apertou os braços em volta de si mesma, tentando suprir o desconforto. Jasper despertara nela sentimentos tão sufocantes que ela não ligou mais com o quanto ele estava passando como um búfalo por cima de suas estruturas.

Quando o caminho até sua casa estava chegando ao fim, Alice conclui que, se fosse para ele agir como se ela fosse uma doente e que ele não pudesse ficar perto dela, agora, ela preferia que ele não a tivesse tratado tão cordialmente como fizera no começo daquele dia.

_

Quando chegaram em sua casa, naquele dia, eles não se falaram mais. Apenas um baixo boa noite fora trocado por ambos, enquanto o clima dentro do quarto parecia diminuí-lo de tamanho. Aquele aposento, do tamanho que era, parecia pequeno demais para guardar os dois ali.

No dia seguinte, Alice acordou como se nem tivesse dormido. A noite passara como uma brisa e já era dia outra vez. Alice não gostara realmente daquele fato, já que durante a noite, ao menos, eles não precisavam se topar nem ter a infelicidade de terem os olhares cruzados, sem querer.

Quando ela se sentou na cama, viu que ele já não estava mais no quarto. Ela colocou as pernas para o lado, deixando-as pendentes, olhando tudo em volta. A colcha que ela havia arrumado para ele dormir, pela primeira vez, não parecera o melhor caminho que ela já arranjara em sua vida.

No chão, sob um tapete e próximo demais da janela frienta. Certamente, não gozava de um conforto mínimo.

Alice sentiu-se estúpida. Talvez fosse aquele o motivo de Jasper estar tão irritado com ela. Talvez ele havia se cansado de toda aquelas irritantes formas de agir com relação à ele e aquele casamento. Quer dizer, ele tinha tanto direito naquela cama quanto ela.

Em um segundo de brigas internas, Alice decidiu que poderia oferecer, finalmente, o lado destinado a ele... a ele.

Talvez aquilo fosse mesmo o certo a se fazer, ela pensou. Poderia descer até em baixo e dizer a ele que ele poderia deixar de dormir no chão e passar a dividir a cama com ela.

Apenas não poderia passar nervosismo muito menos desespero demais em sua comunicação.

Vestindo seu penhoar, ela desceu a passos determinados e trêmulos em direção à mesa.

_ Jasper, eu... – ela parou quando encarou a mesa de café da manhã.

Vazia.

_ Disse alguma coisa, Sra. Witlock? – Lilly aparecera ali ao escutar sua voz, limpando as mãos em seu avental.

_ Onde está meu marido? – ela perguntou com uma voz sem muita fé. Sabia que as chances de que Jasper houvesse saído para trabalhar ainda à noite, apenas para não ter que lhe dirigir a palavra nem olhar cara a cara, eram muitas.

Lilly parecia perspicaz demais. Vira a expressão um tanto magoada de Alice ao se dar conta de que o marido parecia se importar muito pouco com ela.

_ Sinto muito, Sra., mas o Sr. seu marido desceu bem cedo, tomou seu café a fora para a fazenda.

Alice assentiu, pouco impressionada. Ao mesmo tempo em que parecia Jasper, não parecia ele de forma alguma. Algo que ela fizera o havia remexido inteiro.

_E, bom, por algum acaso.... – ela apertou o penhoar em volta do corpo, um pouco desconcertada – Ele deixou algum recado para mim? – no fundo, ela queria que sim. Mas ela não era tão tola a esse ponto.

Lilly maneou a cabeça, o olhar sensibilizado.

_ Ele não disse absolutamente nada, Sra.

Alice assentiu novamente, vendo como aquilo estava virando uma mania. Deu um sorriso para a mulher superatenciosa e virou-se, perdendo a fome, o sono e a esperança de que Jasper, a essa altura, quisesse dividir a imensa cama.

_

O dia todo, Alice ficou na sala, fazendo bordados em um lenço, distraindo-se do tédio que estava se tornando sua vida. O que pensara a vida toda sobre o casamento estava sendo posto à prova, agora.

Ela sempre estivera certa.

Alice continuou passando a finíssima agulha de bordado pelo pano branco e delicado. Fazia os repetitivos movimentos tão devagar, que tivera a certeza que ficou no mesmo ponto por mais de minutos.

Quando o sol poente adentrou a imensa janela da sala de estar, ela sentiu sua costumeira ansiedade pelo cair da noite. Sabia, por aquele sol, que estava quase na hora de Jasper chegar.

Mas ela não queria se importar com ele, muito menos ficar na expectativa que Jasper já estivesse a tratando como alguém novamente.

Alice resmungou algo, balançando a cabeça, desejando que seu delicado tecido fosse Jasper, enquanto ela afundava rispidamente a agulha nele.

Então, de repente, alguém batera na porta principal. Duas batidas fortes, determinadas. Alice parou o que estava fazendo, dividida entre a curiosidade de saber quem era, e a confusão de saber quem era que visitava as pessoas naquela hora.

_ Alguém à porta, Sra.? – Consoelo, o quase-muda serviçal da casa, aparecera na sala. Alice assentiu para a mulher, desconfiada de sua tão incomum visita.

Temeu que estivesse mais uma vez certa.

Ela ficara atrás de uma pilar, atenta à voz do lado de fora. Uma sensação de calafrio se apossou de sua espinha ao lembrar-se do sol poente e do que ele significava.

_ Sim? – Alice escutou Consoelo falar com a pessoa na porta, certamente não sabendo, ao certo, de quem se tratava – Posso ajudá-lo?

Um homem, Alice ofegou.

_ Eu gostaria de ver a Sra. Alice – Alice, automaticamente, reconhecera a voz de Alec. Ela fechou os olhos, desejando estar tendo um sonho deveras perturbador.

_ Ah, a Sra. Witlock – Consoelo corrigiu-o com paciência, sua voz sempre baixa demais. Alice quase sorriu ao imaginar a expressão de Alec diante daquilo.

_ Sim, essa mesma. Vá chamá-la e deixe-me passar– ele disse aparentemente impaciente. Ou talvez fosse apenas pelo fato de estar falando com alguém que, para ele, merecia pouco sua atenção.

Alice não conhecia aquele lado de seu velho amigo.

E, de uma forma surpreendente para ela mesma, ela não ficou tão surpresa com aquele fato.

_ Aguarde um momento aqui, Sr. – Consoelo impôs aquilo diante da autoridade que Alec quis impor na casa de seus patrões.

Alice admitiu, mais uma vez, que realmente gostava de suas criadas.

_ Vá chamá-la de uma vez! – ele ordenara outra vez, a voz elevando-se – E deixe-me entrar!

Alice mordeu os lábios, pensando que aquilo não poderia estar acontecendo. O que Jasper faria se a visse conversando com Alec bem em sua sala de estar? Deus, ele passaria a morar no estábulo, junto com seus cavalos, ao invés de dividir a casa com ela.

Alec tinha que ir embora naquele momento.

Com uma apreensão que não teve como controlar, Alice quase aparecera na porta para mandar Alec ir embora de uma vez por todas, usando de toda a arrogância que aprendera com seu pai, com o Sr. Black e, agora, seu ex-melhor amigo de infância, Alec.

Mas, aí sim que ele insistiria em falar com ela.

E Alice tinha quase que absoluta certa do que ele queria comentar.

“Aquele maldito beijo que...” Alice sentiu algo estalar em sua cabeça ao se lembrar daquele dia; os olhos perdendo o foco de repente “Será que...”

Ela se desencostou da pilar no mesmo segundo, desejando ardentemente estar errada, pois começara a pensar que, talvez, Jasper soubesse daquilo.

Ela olhou para Consoelo, ainda parada à porta, com os olhos em choque. Maneou a cabeça vagarosamente à ela, indicando claramente o que ela tinha que fazer.

Não, a ultima coisa que queria era ver Alec.

_ Desculpe, Sr., mas a Sra. Witlock não está em casa – ela mentiu, bloqueando a visão de Alec do interior da sala – Está fazendo bordados.

Alice assentiu para a mulher, que a olhou de soslaio, incentivando-a a continuar com a deixa.

_ Mas que diabos! – ela ouviu a voz de Alec pouco se importando em ser cortez diante de uma mulher.

Alice ficou bem atrás da porta, esperando escutar mais alguma coisa.

_ Tem certeza que ela não se encontra? – ele perguntou, parecendo levemente desconfiado.

Consoelo hesitou por um segundo, querendo olhar para sua patroa, receber suas ordens. Mas ela conseguiu perceber Alice maneando a cabeça novamente. Com um suspiro, a mulher colocou uma máscara de sinceridade e convicção.

_ Sim Sr. ela não está aqui.

Do outro lado da porta, Alec ficara em silencio. Alice sentia-se mal ao encarar a estranha relação que começara a ter com Alec. Sentia falta dos tempos em que eram apenas crianças que viviam penduradas em muros, manchados de amora.

Mas, há muito tempo, aquela Alice e aquele Alec não existiam mais.

Fora apenas depois de incontáveis minutos que Alice começou a escutar os passos dele se distanciando pela escadaria de madeira, pela passarela do jardim, o portão ranhoso de abrindo e, então, ela não escutou mais nada.

_ Mas que moço mais empinado, Santo Deus! – ela escutou Consoelo voltar para a cozinha resmungando com seu pano de prato.

Alice saiu do canto da sala e fora receosa em direção à janela. Não se permitiu levantar a cortina de um pano quase transparente. Encarou a rua embaçada e pouco visível do outro lado daquilo.

E o vira.

Alec estava indo na rua, seu olhar sobre a enorme casa dos Witlock. Alice não saiu dali, encarando-o.

E, de uma maneira ou de outra, ela sabia que ele a via.

-

Alice ainda olhava pela janela, mas já não encarava ninguém, quando Jasper abrira a porta da sala. Quando ele largou seu casaco no lugar dedicado a ele, ela lhe surpreendera com um boa noite.

Jasper pareceu não esperar vê-la tão cedo.

_ Boa noite – respondeu, pouco lhe olhando, continuando a ser o Jasper que pouco se importava com ela.

Alice, então, voltou-se para a janela, pensando em coisas muito antigas que estavam guardadas em sua memória.

Quando era mais feliz.

_ Alice? – ela se sobressaltou quando escutou seu nome.

Pela boca dele.

_ Sim? – ela voltou-se novamente para ele, um pouco mais excitada do que queria aparentar.

Jasper abrira a boca para falar algo e Alice percebeu suas mãos se remexerem, antes de se fecharem em punhos.

Fosse o que fosse dizer, ele desistira.

_ Vou estar trabalhando na biblioteca, caso precise de mim – disse ele e, sem mais nada mais reconfortante para dizer, ele saiu, dando-lhe as costas, deixando-a só.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

Uma semana depois

A semana inteira havia se passado da mesma forma e Alice já começava a acostumar-se.

Aceitar e tentar entender já era mais complicado.

Ela mal havia visto Jasper, pois ele chegava tarde e logo ia para a biblioteca, sempre cheio de coisas demais para fazer. Alice ficava em dúvida se tudo aquilo para fazer era apenas uma desculpa para ele não precisar ficar em sua companhia.

Depois que ela percebeu que ele só subia quando ela já estava deitada, ela presumiu que poderia, sim. Mas, também, via como ele estava com uma aparência cansada demais.

Nunca o vira assim.

Ela não pôde evitar ficar preocupada. Queria realmente pedir para ele parar um pouco e dormir. Ela logo garantiu para si mesma que ofereceria a cama para ele.

Até mesmo seu travesseiro.

Ela parou para pensar a respeito de sua idéia. Será que... que talvez a cama ficaria com o cheiro dele que tanto lhe atormentava a mente? Ela apertou a mão no pescoço, imaginando como seria dormir a noite sentindo-o...

_ Oh, Deus... – ela murmurou abruptamente, sentindo sua cabeça embaralhada demais. Nada mais parecia estar no lugar – Estou ficando... – o cheiro dele em seu travesseiro a noite toda... – LOUCA! – ela exclamou para si mesma, assombrada com aqueles pensamentos.

Ela decidiu que tomar um banho demorado e tentar fugir da realidade fosse uma boa maneira de esquecer aqueles pensamentos.

E assim o fez.

_

Alice estava ajudando Consoelo e Lilly a arrumar a mesa principal, comprida e amadeirada, com as toalhas, os pratos e o jantar, quando Jasper aparecera.

Sua presença austera fez as três mulheres, que não se falavam enquanto faziam o que estavam fazendo, embora sorrissem vez ou outra, pararem.

Por muitos motivos diferentes.

_ Boa noite – ele cumprimentou a todas. Bem, Alice deduzira que fora para ela também.

Mas não tinha como não se sentir ressentida por não ganhar um cumprimento só para ela.

Alice detestou ver em si mesma aquela mudança absurda.

Estava tão tola e sensível como as personagens estúpidas de seus livros que ela praguejava tanto. Mas a fim de não pensar mais no modo infeliz que estava sua vida, ela apenas devolveu cordialmente o cumprimento dele, como Consoelo e Lilly, e voltou-se para seus pratos e talheres, tentando concentrar-se em sua arrumação.

_ Pensei que não estava em casa – ela o escutou falar atrás de si e ficou horrorizada em ouvi-lo falando com ela. Virou-se bem hesitante em sua direção, pouco crendo naquilo.

Mas a expressão dele continuava com a dureza de rocha e a frieza que machucava e, então, ela voltou-se para a mesa novamente, achando estupidez alimentar esperanças irreais.

_ E por que deduzira isso? – ela indagou, a voz sem muita empolgação. Sentiu-se orgulhosa de si mesma por não encará-lo, por mais que quisesse fazê-lo.

_ Por que não a encontrei no quarto – ele disse apenas e parara ali, retirando sua gravata.

No meio da sala de jantar.

Alice sentiu um arrepiou em sua nuca ao lembrar-se dele sempre fazendo aquilo na presença dela dentro do quarto, quando ele ainda se permitia ficar lá dentro.

Foi só então que Alice percebera que Consoelo e Lilly já não encontravam-se ali.

Ela parou para analisar o que ele falara e reprimiu um sorriso ao pensar que, pelo jeito, ele sempre percebia sua presença no quarto, por mais que fingisse não notá-la.

_ Decidi que era muito ruim ficar tão solitária apenas no quarto. A solidão da sala de estar e daqui também têm seus atrativos – ela disse calmamente, dando de ombros. Apenas depois que suas palavras saíram de sua boca fora que ela se deu conta.

Havia acabado de jogar uma indireta cortante nele?

Ela não queria ter que dizer aquele tipo de coisa. Por alguns momentos, ela chagara a pensar que eles teriam uma boa relação.

Mas algo desandara novamente.

Mas, bom, aquilo não importava realmente. Jasper não se importava. E, assim, quando ela não disse mais nada, ele saiu da sala de jantar, subindo escada acima, deixando muitas lacunas frente àquela mesa.

-

Depois de ajeitar a mesa, Alice sentou-se esperando a Jasper para jantar. Mesmo que não conversassem, ela ainda prezava aquilo.

Ela ficou fazendo desenhos bobos na toalha da enorme mesa, contornando o desenho disforme que havia ali. Só depois de um tempo fora que ele aparecera, cheirando deliciosamente à óleos de banho e suor limpo.

O cheiro típico dele.

_ Ainda não se serviu? – sua voz indiferente a perguntou enquanto ele se sentava na mesa. Alice na entendeu por que a sua surpresa.

_ Bom, eu estava esperando-o — ela respondeu inocentemente, como se não houvesse necessidade aquela pergunta que ele fizera.

_ Pois não deveria. Coma quando sentir fome. Não é obrigada a me esperar, bem sabe disso.

Alice engoliu em seco, fechando os olhos por alguns segundos. Ela sabia daquilo, droga! Sabia que todos daquela casa se importavam com sua alimentação mais do que necessitavam e que ele pouco se importava com sua companhia, mas...

Alice piscou várias vezes para conseguir espantar as lágrimas que quiseram cair, naquele momento.

Ela nada respondeu à ele, mas também não começou a comer.

Assim como ele.

Em um único movimento, Jasper suspirara, passando as mãos com força no rosto, resmungando alguma coisa.

_ È exatamente por isso que lhe digo isso. Eu tenho muito trabalho para amanhã. Preciso ir para a biblioteca.

Alice perdeu a fala ao escutá-lo dizer aquilo. Ele nem sequer jantaria e já iria voltar à trabalhar? Logo estaria doente; um conjunto de um enorme esqueleto e dentes.

_ Como quiser – ela murmurou, largando seu talher na mesa vagarosamente.

Era bom o fato de que ela nem mesmo tinha fome.

Mas, contrariando o que ele próprio dissera, ele não saíra da mesa, dividindo com ela um silencio tão mais gritante do que constrangedor. E, por mais que Alice estivesse encarando o desenho de flor na toalha de mesa, o qual ela contornava com a ponta do dedo, ela podia sentir que ele a encarava.

Alice não conseguiu levantar o olhar. Sabia que se fizesse isso, choraria. Isso por que sabia que os sentimentos que ele estava, certamente, expressando por aquele olhar, eram de raiva, repulsa, indignação e uma insatisfação gritante.

E ela tinha certeza que eram tudo para ela.

Afinal, até mesmo ela sentia uma certa repulsa de si mesma desde que Alec havia a beijado inesperadamente na biblioteca. E, pensando sobre isso, Alice tentou se convencer que, talvez, devesse contar o que havia acontecido à Jasper.

Mas seu coração gelava ao pensar na reação dele.

Certamente, ele a odiaria muito mais do que já o fazia. Mas, com um medo que quase a paralisava, Alice decidira dar ouvidos aos seus conceitos, à sua consciência, fazendo o que sabia que era o certo, e que deveria ser feito. Iria pagar por algo que nem sequer planejara fazer. Porem, não conseguiria viver o resto da vida com Jasper sabendo que um dos homens que ele mais detestava a beijara e ele pouco fazia consciência daquilo.

Mesmo que ele pudesse nem ao menos ligar.

Mas de repente, quando ela abriu a boca tremulamente para dizer a ele, Jasper levantou-se e saiu em direção á solidão da biblioteca. Alice levantou-se no mesmo segundo.

_ Jasper, espere – ela o chamou logo atrás dele e Jasper parou de imediato. Ela soltou o ar preso no pulmão, aliviada em ver que ele não a ignoraria e continuaria andando.

Ele parara... de imediato.

Mas virou muito lentamente para ela, a expressão que era um misto de confusão e surpresa.

Também irritação.

_ O que foi? – ele perguntou com sua voz morta. Tão fria quanto sempre.

Alice umedeceu os lábios, obrigando a si mesma a olhá-lo cara a cara, como sempre fizera com todas as pessoas.

_ Eu... eu preciso lhe contar... – ela foi sentindo gradativamente as palavras sumindo de sua mente, dando um claro sinal de que seu inconsciente não estava querendo contar o que ela sabia que deveria. Mesmo que sempre dissera que não devia satisfações para ele, ela estava ali as dando — ... preciso lhe contar uma coisa.

Assim que aquelas palavras saíram de sua boca, ela sentiu Jasper enrijecer, como se ela houvesse xingado-o. Ela quase sentiu a rajada tensa que ele liberara, e estranhou aquilo mais do que tudo.

Era como se sua palavras, que antecediam a terrível confissão que ela iria fazer,

transtornasse à Jasper.

Alice estava a ponto de perguntar se ele estava bem quando ele dera um passo em sua direção, o pé receoso contra o assoalho. Seu olhar se fixara nela de uma maneira tão diferente que Alice arquejou.

Devagar, ele começou a se aproximar mais, como se a espreitasse, seguisse suas reações e seu comportamento. Como se estivesse a analisando de maneira intensa.

O coração de Alice começou a disparar quando ele se encontrava tão perto que suas roupas se tocaram e a parede parou seu passo incerto para trás.

E o olhar dele não se desviava dela.

Mas foi quando ele apoiara suas mãos na mesma parede que ela, seus braços cercaram sua cabeça, que ela sentiu o coração acelerar como uma bomba relógio. A garganta de Alice, no mesmo segundo, ficara seca, quando, assim como com Alec, ela percebeu o que iria acontecer. Mas com ele — Jasper — ela não sentiu-se estranha, muito menos quis sair do circulo de seus braços.

E pensar daquela maneira a fez perder o ar ainda mais do que já havia perdido.

Deus, ela não deveria pensar em ser beijada por ele com tanto vigor como estava pensando, não deveria acontecer com ela nada do que estava acontecendo.

Ela deveria... voltar ao normal!

_ Sr. Witlock, tem uma correspon... Oh meu Deus, me desculpem! – Lilly arregalou os olhos, completamente desconcertada ao entrar na cozinha.

Jasper distanciara-se novamente e Alice respirou fundo uma vez, completamente sem jeito. Porem, Lilly estava tão vermelha que Alice quase teve pena dela.

Quase, pois sua interrupção distorcera seu ânimo.

_ De quem é a correspondência, Lilly? – Jasper perguntou inclinando o braço para a mulher. Sua voz voltara a estar fria e completamente indiferente à qualquer coisa, como o que quer que tivesse acontecido a minutos atrás entre eles houvesse perdido completamente a essência.

Alice suspirou saindo da sala de jantar, deixando Jasper, Lilly, sua refeição e a correspondência para trás.

-

No ponto alto da noite, Alice trocou de roupa e colocou sua costumeira camisola. Já era tarde o suficiente para Jasper já ter subido. Mas, no entanto, ela ainda se encontrava sozinha ali em cima, do mesmo modo dele, lá embaixo.

E ela presumiu que ainda demoraria mais.

Alice se sentia tão esgotada com o rumo que sua vida havia tomado, que o que ela mais queria era dormir para poder fugir de tudo aquilo. Deitou-se na cama e fechou os olhos, entregando-se a escuridão.

E não o ouviu entrar no quarto antes que perdesse os sentidos.

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~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

No amanhecer do dia

Jasper acordou mais dolorido do que a primeira vez que dormira no sofá. Seu pescoço doía tanto que ele pensou que já não poderia se dar ao luxo de passar outra noite naquela biblioteca.

Mas as montanhas de papéis disposta à sua frente sob aquela mesinha lhe gritavam o contrario.

Jasper suspirou, uma terrível vontade de voltar a fechar os olhos e não abri-los mais.

Já não agüentava mais.

E, também, tinha a outra razão para suas noites em claro.

E ela se intitulava Alice.

Ainda estava com uma mágoa e uma raiva tão crua dela que só de pensar em ficar no mesmo aposento que ela lhe revirava o estômago, tamanha sua indignação. E, ele tinha certeza, se ela continuasse com aqueles Boa noite e Tenha um bom dia, com aquela voz e aquele tom, ele tinha certeza que ficaria disposto a esquecer tudo.

Mas não queria esquecer.

Quase se perdera quando ela deixara a entender que lhe contaria sobre o que Alec havia feito e que ela não havia desejado aquilo, em seu interior.

Ao menos, era isso que ele desejava ouvir.

Mas Lilly ter interrompido o momento em que se entregaria aos encantos de Alice, deixando de lado seus conceitos, talvez tivesse sido o melhor caminho.

No entanto, se ela insistisse em perguntar o que acontecera com ele para que apenas a presença dela o tirasse do sério, ele bem sabia que despejaria nela tudo de uma vez, como se estivesse reclamando de algo ou implorando pela explicação dela.

E não era homem daquilo.

Só com aqueles pensamentos ele se viu bufando. Era automático aquela reação.

E era automático acordar já pensando naquilo.

A fim de esquecer aquilo, Jasper esfregou os olhos, desencostando vagarosamente da poltrona para que não entortasse mais nada em sua coluna com movimentos bruscos.

Fora só então que percebera. Havia uma manta sobre seu corpo. Grossa o suficiente para que o frio da noite e da madrugada não congelasse seus rins.

Jasper franziu o cenho, pegando a barra do bem trabalhado tecido, puxando pela memória o momento em que aquilo fora parar sobre o seu corpo.

Mas ele não se lembrava de nada. Nem de ninguém entrando ali. Não tinha a menor idéia de quem teria se importado com ele daquela maneira.

“Alice...”, por um momento, aquele fora o nome que sua mente gritou. “Será que ela...?”

Jasper apertou o pano entre os dedos, a curiosidade e a excitação lutando em seu peito ao se esforçar para lembrar de algo durante a noite.

Mas nada.

Quem quer que tivesse sido, ele não saberia se não perguntasse. Jasper se pegou tão instigado em saber quem teria deixado aquela manta ali que esquecera-se até mesmo de sua fome.

Mas, por mais que sua mente pensasse automaticamente em Alice, ele sabia que era muito absurdo. Alice não se importava com ele, pouco se daria ao trabalho de sair de sua tão confortável cama para cuidar dele daquela maneira.

Jasper levantou-se bruscamente, uma frustração ardeu em seu peito, outra vez. Sua esposa jamais faria aquilo.

Com passadas duras, ele saiu da biblioteca, indo para o banheiro. E a manta, cujo seu emissor era desconhecido, ficara repousada no braço da poltrona de Jasper, guardando o mistério da pessoa que lhe teria levado até ali.

Notas finais
Eu sei que TUDO PARECE TER VOLTADO AO COMEÇO.
Mas não, Srta's. skapskpaks
Na verdade, é apenas assim que eles vão s entender, viu? Entao, paciencia, pequenos gafanhotos (principalmente a
AliceWhitlock, que eu acho que está MUITO zangada comigo skapskapkspa). Calminha, os capitulos que vem depois desses compensa. E nao, NAO VAI DEMORAR PARA ELES SE ENTENDERM.
Estão vendo só? Eu fico aqui, contando pra voces o que vai acontecer e acabo com a surpresa, só para que voces nao me odeiem,entao...NAO ME ODEIEM.
Bem, espero que tenham gostado!!!!!
Ansiosa para postar o cap. seguinte!!!! :D