Os Segredos dos Seus Braços

31 Uma moeda pelos seus pensamentos...


Notas iniciais
Olaáááá minhas lindas!!!
Meninas, nao tive tempo para corrigir erros, entao desculpem por qualquer um, ok?? :)
Respondendo a pergunta que me fizera em um dos comentários, a Esme se casou com 16 para 17 anos, no tempo atual da historia, ela estaria com 31 para 32 anos.
A, e quanto a outra fofa que comentou que viu uma das minhas historias com o nome de outra autora, aquela é uma conta muito, muito, muitoooo mesmo, antiga que eu fiz naquele site, antes de descobrir o nyah e suas (eventuais) facilidades.
Enfim, chega de papo furado.
Espero que gostem do capitulo.
:*

Cap. 30-Uma moeda pelos seus pensamentos...

Biloxi, Mississipi

1901

Esme soltou gradativamente a respiração ainda parcialmente presa nos pulmões. Em seus mais íntimos sonhos, o reencontro dos dois era envolto em todo o amor que ambos ainda alimentavam. Mas era apenas isso... um sonho. Um sonho mal sonhado, um amor alimentado por uma simples lembrança. Carlisle era apenas uma de suas lembranças.

E há muito Esme deixara de viver de lembranças.

Na realidade, ela sucumbira à cólera no momento em que tivera que dizer adeus à tudo o que vivera com ele. No momento em que jogaram veneno em seus sonhos e desejos, como jogava-se nas plantações para matar pragas..

No momento em que ele se tornou alto utópico em sua cabeça.

_ Eu voltei por você – ele disse, seus olhos agora pareciam brilhantes, quase marejados. Esme engolia em seco, não querendo ceder ao desejo que reascendera em seu coração como uma tocha. Necessitava, como em um vicio, do calor do abraço dele, coisa que ela lembrava-se nitidamente – Eu voltei como disse que voltaria – continuou ele, e suas palavras a destruíam por dentro – Eu apenas....

_ Cale-se! – ela o cortou, elevando o tom de voz. Era nítido que o choro estava prestes a estourar e ela precisou comprimir os lábios um contra o outro por um tempo – Você mente! Eu escutei isso uma vez, Carlisle, e não vou acreditar em suas palavras mentirosas outra vez! – ela grasnou, virando-se de costas para ele, limpando uma grossa lagrima que escapara de seu olho – E depois de todo esse tempo você vem me dizer que voltou por mim? – cuspiu as palavras, como se fossem amargas demais para que agüentasse em sua boca – Você morreu!

Carlisle balançava a cabeça negativamente em suas costas, a adrenalina em contar a verdade a ela e fazê-la acreditar em si outra vez falando mais alto dentro dele. Ele tocou seu ombro, fazendo-a virar-se de imediato.

_ Como pode dizer uma coisa dessas? – ele perguntou, olhando diretamente dentro de seus olhos castanhos, como se vislumbrasse toda a sua alma.

Dessa vez, as lagrimas se sucederam, e ela esqueceu a cerimônia que tentara fazer para esconde-las.

A dor começava a sair outra vez.

_ O que você queria que eu dissesse? – ela retrucou com a voz mais alta. Estava se tornando embargada e quase inaudível – Você foi para outra maldita guerra e simplesmente esqueceu-se de avisar que não tinha sido estourado por outra bomba? – a acidez em sua voz de modo algum combinava com ela e essa era a pior parte de se escutar – O que queria que eu pensasse? O que queria que eu fizesse? – ela soluçou alto – Ficasse esperando por você por toda a vida? Lamentou desapontá-lo, Sr. Soldado, mas eu tinha uma vida para viver – ela cruzou os braços sobre o peito, voltando-se para si mesma outra vez. A dor ainda cortava seu coração, fazia sua alma em pedaços – Minha mãe me fez seguir em frente – ela sussurrou de repente, desviando os olhos dos dele, engolindo em seco a amargura que carregava de sua mãe.

_ Sua mãe destruiu a sua vida dando-a em casamento para o Cullen – ele desprezou, fechando as mãos em punhos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos – E a minha também...

Ela riu ironicamente, maneando a cabeça.

_ Você foi embora, Carlisle – disse, a voz agora um pouco mais controlada – Você sumiu quando eu mais precisei de você! – ela o acusou novamente, uma raiva desconhecida aflorando – Você prometeu me levar embora dali! Disse que jamais deixaria eu me casar... com quem quer que fosse... que não fosse você... – seu tom perdera gradativamente a força e ela soluçou outra vez.

_ Esme, escute – ele se aproximou de si, umedecendo os lábios com rapidez, as mãos tremeluzindo á luz – Naquela noite, na noite em que a deixe em sua casa... recebi uma carta de meus tios.... meu pai estava morrendo – a voz dele também diminuira, e ele acabara por recolher as mãos, segurando a camisa contra o peito – Eu precisei viajar às pressas, por isso não consegui.... não consegui lhe dar noticias... – ele se permitiu olhá-la nos olhos uma vez mais, sua sinceridade acompanhando cada palavra que saia de sua boca – Eu.... jamais a deixaria... eu...

_ Pare! – ela o interpelou, agora realmente se entregando ao choro – Não quero acreditar nisso! Você poderia ter voltado! Poderia ter cumprido o que me prometera... Mas você não voltou... – suas palavras se perderam no silencio que se seguira.

Carlisle respirou profundamente, refletindo consigo mesmo, repassando as memórias reavivadas que tinha. A historia dos dois era maior do que aquilo.

_ Eu voltei, sim – ele respondeu com um fio de voz, como se fosse apenas o grasnado do próprio silencio, ecoando nas paredes da cabeça dela – Votei em exata uma semana... Eu... eu estava lá...

Ela balançou a cabeça outra vez, o olhar tao fixo nele que parecia magnetismo. O que Carlisle dizia... não fazia sentido algum. Ela se lembrava de cada minuto daquele infinito dia. Cada sentimento de mágoa que se apossava de suas fibras.

E ele não estivera lá para cessar aquilo.

_ Não, não estava!

_ Sim, eu.... – ele esfregou os olhos, deixando-se ser tomado pelas lembranças daquele dia, sendo levado de volta para a igreja... a marcha nupcial ecoando por aquelas paredes... entrando por seu ouvido e fazendo seu coração sangrar – Eu corri à cavalo por quase o estado inteiro! Mal parava para beber água enquanto tentava chegar aqui á tempo de impedir a maior desgraça de minha vida... – a vida deixou de existir nas palavras de Carlisle, e, agora, mal parecia um mero pronunciar de uma historia que martelava em seu peito – E... e eu consegui! Consegui chegar – ele sorriu fracamente, porem havia tanta tristeza naquele simples ato que Esme sentiu o coração apertar como se estivesse para estourar. Quando ele levantou os olhos para ela, tudo aquilo se confirmou — Foi o seu pai e os capangas do Cullen que me interceptaram. Estava a um passo de entrar naquela capela de cavalo e tudo – dessa vez, seu sorriso continha um pouco mais de vivacidade, enquanto ele lembrava-se de si mesmo cavalgando desesperadamente em direção àquela pequena e íngreme igreja. Mas, com a mesma rapidez com que surgira, seu sorriso e o fio solto de animação desapareceram dos olhos de Carlisle outra vez – Mas eles me pegaram.

Esme franziu a testa, tentando organizar seus pensamentos, uma tormenta de fatos não mencionados anteriormente.

_ Pegaram voce... co... como pegaram você?

Ele colocou as mãos nos bolsos, olhando-a por cima.

_ Me seguraram, me amarraram... me amordaçaram – ele murmurou, longe – Me mantiveram atrás da janela mais distante, queriam me obrigar a observar você se casando...

Esme sentiu o coração pesado dar um solavanco forte demais para que ela agüentasse e sua visão se nublou um pouco. Fora inevitável dar dois passos para trás, parecendo que o chão virara uma pasta gelatinosa sob seus pés.

_ Oh.... Deus.... – ela sussurrou tão inaldivamente que ela própria duvidara que tinha dito.

O minuto que se seguira fora de um impermeável silencio. Havia hiatos naquela sala de estar que meras palavras não podiam preencher.

Porem, Carlisle não sentia necessidade em rodeios. Não sentia necessidade de esconder fatos que guardava, ainda, em seu coração. Olhar para ela devolvia seu sorriso sereno ao rosto.

_ Voce estava linda com.. – sussurrou, semicerrando os olhos para ela — ... com aquela margarida nos cabelos.

Esme, ainda com a mao depositada apertadamente sobre o coração, levantou o olhar lentamente para ele, como se, apesar de tudo o que ouvira, ainda não conseguisse acreditar.

_ Você... você lembra daquela margarida? – indagou ela, incrédula, em seu fio grasnado de voz.

Ele sorrira novamente, cansado de reviver aquilo.

_ Estava lá – murmurou – Morrendo por desejar ser eu... morrendo por ter que assistir, parado, você se casando com outro.

Ela sustentou o olhar dele por um tempo que nem fazia idéia. Parecia que voltava a reconhecer aqueles olhos que amara por toda a vida.

Ele jamais havia mudado.

_ E o que fez depois? — perguntou, não importando-se mais em deixar transparecer a raiva e a amargura que sentia. Talvez, esses sentimentos já não fizessem mais tanta questão.

Ele respirou profundamente, encarando o carpete marrom do centro da sala de estar dos Witlock.

_ Depois disso, me convocaram para a guerra e eu precisei ir. Você se lembra como as guerras eram mais freqüentes naquele tempo – ele dera de ombros — Quando voltei você já não estava mais na cidade – ele levantou os olhos novamente, relembrando.

Esme lembrou-se, quase que automaticamente, da partida deles daquela cidade, na manha seguinte à lua de mel....

“_ Como pode demonstrar tamanho desinteresse como o que demonstra? – Sr. Cullen, agora Sr. seu marido, indagou com as sobrancelhas arqueadas. A impaciência em sua voz fazia a jovem suspirar de desgosto, enquanto passava nostalgicamente as mãos pela trança de seu cabelo castanho, acompanhando-o porta a fora.

_ Não estou demonstrando coisa alguma – ela murmurou, sentindo o calor daquela cidade tocar sua pele como fogo.

_ È exatamente isso – ele rebateu, um pouco mais mal-humorado. A olhou por sobre o ombro, descendo os degraus com rapidez. Estava claro e evidente o quanto queria deixar aquela cidade, como um cão fugido – Não demonstra titica nenhuma! Parece quase uma samambaia de tranças! – resmungou ele, voltando-se para frente, carregando sua maleta em direção ao portão.

Esme o fuzilou com o olhar, desejando que ele tropicasse nas pedrarias do caminho e desse de focinho no chão de terra batida.

Porem, enquanto isso não acontecia, ela caminhava tristemente em direção à carruagem, sentindo o peito apertar, carregado. Ali, deixava para trás toda a sua infância, sua vida, suas memórias. Estava virando a pagina de um capitulo que ela não queria encerrar.

De uma historia que não tinha merecido seu final.

Enquanto se lembrava dele em seu cavalo de enormes crinas, ela sentiu uma fina e solitária lagrima escorrer por seus poros. A limpou rapidamente, antes que seu marido visse e se alterasse por conta de uma nova onda de choradeira.

Era irreversível e irrecuperável.

Assim que ambos estavam devidamente sentados na carruagem, o cocheiro começou a dirigir-se pela estrada principal, o sol escaldante das duas da tarde refletindo no horizonte, fazendo ondas no ar. Quando faziam a curva para deixar tudo aquilo para trás, Esme virou-se, olhando pela fresta da cortina traseira, seu único olho bom. Tudo se distanciava e ganhara um tom marrom e febril na paisagem.

Marrom e febril, também, em seu coração.

Fora um amontoado de galhos secos de uma figueira velha quem encobrira sua pequena cidade atrás sobre seus olhos.

Aquela fora a ultima vez que vira um garoto e uma garota correndo pelas ruelas de terra cascada...

Ela fora puxada de volta para a realidade quando escutara a voz gutural dele preenchendo o ambiente outra vez. Automaticamente, ele voltara-se para ele outra vez.

_ Eu apenas consegui encontrá-la novamente mais de um ano depois – continuou ele, mais naturalmente, agora – Você se lembra? Foi em...

_ Michigan – ela completou.

“_ Rosi, meu amor, não pode comer seus cabelos! – Esme tirara gentilmente os cachos da pequena garota de dentro de sua boca, enquanto ela fazia caretas de irritação pelo transtorno.

_ Fale para essa menina que isso não é macarrão – Sr. Cullen disse, zombeteiro, enquanto bebia alegremente, dançando ao ritmo da muito animada que tocava na feira livre – Isso é seu cabelo, Rosalie, seu cabelo.

Crianças desvairadas passavam correndo por entre as pessoas, que comiam, dançavam e conversavam sobre a vida alheia. Esme ajeitava o vestido, que Isabella insistia em desarrumar, enquanto Rosalie comia seu cabelo.

Sr. Cullen continuava a beber como se nunca mais fosse ver um copo daqueles na vida.

Suspirava vez ou outra, lembrando de como se divertia, assim como aquelas inúmeras crianças para o outro, quando também era uma delas. Carlisle sempre estava junto de si, suando em bicas e sujando as roupas novas de feiras. Roubavam maças carameladas das barracas e amendoins em saquinhos que os feirantes vendiam.

Riu sozinha, enquanto embalava Bella em seus braços, a fim de acalmá-la, pois chorava desvairadamente, querendo tirar as sapatilhas e correr descalço. Sr. Cullen pouco conversava com ela, apenas cantava alto, como se fosse um excelente rouxinol.

Seu estomago embrulhava só de estar próximo.

Assim, a feira livre se estendera por toda aquela tarde. O por do sol pudera ser visto, ainda, por muitas pessoas, enquanto as serpentinas pareciam não acabar nunca. Rosalie estava adormecida dentro de seu carrinho, enquanto Isabella acabava de fechar seus brilhantes e grandes olhos.

O Sr. seu marido ainda bebia, conversando animadamente com outros figurões bêbados. Riam alto, enquanto suas esposas permaneciam a parte, esboçando leves sorrisos constrangidos.

A uma certa altura da noite, Esme se cansara de tudo aquilo. Seu espírito ainda era jovem e ativo, e permanecer ali era como estar acorrentada à uma cruz. Com uma coragem passageira, ela deixara suas filhas sob os cuidados do marido – o que, alguns anos depois, ela sabia que decidiria ter sido uma péssima idéia, além de arriscada e perigosa, uma vez que Sr. Cullen não conseguia cuidar nem mesmo de si – ela se retirara rapidamente para ir ao “lavabo”.

Afina, ela precisava jogar uma água no rosto, lavar a alma.

Ou vomitar com todo o aroma de bebida que inalara perto de seu marido.

Andando calmamente por entre as pessoas, ela deixou que seus cabelos se soltassem da trança mal feita, balançando-os no ritmo da brisa suave do inicio da noite.

Ao que tudo indicava, ela seria fria outra vez.

Enrolando a ponta dos cabelos, ela pouco se dera conta do caminho que tomava, tamanho a distração de seus pensamentos. Estava ficando repetitivo demais pensar apenas em uma única pessoa.

Pensava tanto em Carlisle que, as vezes, não conseguia disfarçar. O Sr. seu marido quase a esbofeteara noite passada, quando ela se recusara, outra vez, a estar com ele da maneira intima de casal. E ele sabia, embora fosse uma lepra as vezes, que ela se negava por conta dele, de antigo amor.

Pensava nele, e suspirava por ele e chorava por ele...

Mas ela tinha esse ato, que lhe causava constantes brigas e empurrões, servia para ela não deixar que as lembranças dele lhe fugissem como ele havia feito... Que os detalhes de rosto, sua voz, seu cheiro permanecessem preservados nos confins de sua mente.

E, mesmo que lembrar dele lhe causasse sofrimento ao coração, ela não conseguia diminuir, nem minimamente, a intensidade de amor por aquele rapaz.

Quando vira, já soluçava outra vez. Uma coisa boa era que, ao menos, não estava cercada de olhos curiosos e fofoqueiros. Estava só, em um dos “esconderijos secretos” que ela e Carlisle faziam em todos os lugares que já haviam passado. Michigan continha o esconderijo preferido dos dois, por ser o local onde sempre passavam as festividades de fim de ano, cada um com suas respectivas famílias.

Ali, esconderam-se a maior parte da infância de suas mães, enquanto comiam amoras, riam e apaixonavam-se cada vez que iam crescendo mais.

O perigoso caminho sem volta.

_ Oh, Carlisle, por que fez isso comigo? – ela sussurrou para o nada. Dentro daquela espécie de galinheiro abandonado, onde a sujeira, que há muito eles haviam retirado, já impregnada outra vez, os fenos e os fardos de arroz forrados com palha e grama, jaziam inertes em seu devido lugar, o canto mais afastado. Uma espécie de santuário para memórias mortas. Ela não sabia mais se magoara-se com ele por ele ter abandonado-a ou por ter feito ela amá-lo com todas as suas forças.

_ Eu sinto sua falta – ela sussurrou outra vez, correndo os olhos por todo aquele lugar abandonado e cheio de pó.

_ Eu também sinto a sua – uma voz morta murmurou, de repente, atrás dela.

Esme virou-se abruptamente, os olhos levemente arregalados, o coração palpitando tanto que ela tivera que por a mao sobre o peito.

Ele estava lá, alto e belo como em seus sonhos. A barba por fazer deixava-o aparentar mais idade do que realmente tinha. As roupas surradas indicava que ele acabava de voltar de uma luta.

Esme ficara petrificada por um momento, absorvendo a noticia muda de que ele estivera em outra maldita guerra.

_ Eu deveria saber que você viria para cá – disse ele e o sorriso mais belo do mundo estampou seu rosto outra vez – De um modo ou de outro, eu sabia que a encontraria aqui.

Carlisle virara um homem, bem diante de seus olhos.

Fora automático ela começar a chorar descontroladamente. Todo seu interior respondia à simples presença dele, e a amargura parecia evaporar, dando lugar apenas à saudade e ao amor, tao forte que era impossível controlar.

Ele via tudo isso refletido nos olhos dela, aqueles que ele aprendera a interpretar tao bem. Ele se sentia exatamente do mesmo modo.

Estendera os braços em sua direção, convidando-a para seus braços com toda a ternura que sentia por aquela jovem.

Era irresistível demais para não deixar-se ganhar. Esme esqueceu-se do mundo inteiro e correra para os braços dele, apertando-se no tecido de sua camisa esfarrapada com tanta força que ele sentia suas unhas em sua carne como um estilete.

_ Oh, Deus, eu sinto tanto a sua falta, tanto, tanto! – ela dizia tropegamente, enquanto beijava seu pescoço e rosto. As lagrimas salgadas davam um gosto naquele ato.

_ Eu amo você – ele sussurrou em seu ouvido, segurando-a apertado em seu abraço, não querendo deixá-la sair dali de forma alguma. Sentia tanta abstinência do cheiro de seus cabelos, de sua pele... do calor, da maciez, que ficava inerte quando em contato com tudo isso.

Queria-a desesperadamente para ele para sempre.

Ela desencostou-se dele parcialmente, apenas para poder olhar seus olhos, sentir sua respiração contra a sua. Era mais forte do que os dois.

Era irracional negar ou tentar parar aquilo.

Com a doçura com que ele sempre fizera aquilo, ele encostou seus lábios nos seus, doces como cerejas frescas, e a beijou. O gosto de ambos misturando-se. O calor de seus corações os esquentando por dentro. Esme se agarrou aquele pequeno fio de felicidade, beijando-o com o fervor com que ele próprio fazia.

Sentia muitas saudades de seus beijos proibidos.

Quando se afastou dele para puxar ar, ele passou a beijar-lhe a pele do pescoço, eletrizando seu organismo inteiro, como uma corrente de eletricidade ligando-a.

Ela se lembrava exatamente das sensações que aquilo lhe proporcionaria. Ela havia se entregado à ele na flor de suas 16 primaveras, poucos meses antes de ser dada em casamento ao Cullen.

E almejava aquilo outra vez.

Porem, Carlisle entendia que, agora, Esme era uma Sra. casada... não suportava aquele tipo de ato. Afastou-se um pouco da tentação que era aquela jovem. Seu rosto juvenil não passava as informações reais.

Ela não parecia casada, muito menos mãe de suas crianças pequenas.

Ele lhe tocou as bochechas com os dedos queimando. A desejava tão ardentemente que era quase físico. Mas não poderiam mais fazer aquilo... Não enquanto ela não fosse totalmente dele. Se eles fugissem, fossem para bem longe viver o amor que alimentavam um pelo outro, talvez.

Mas não naquelas condições.

_ Fuja comigo! – ele murmurou, exasperado. Beijou rapidamente seus lábios outra vez – Vamos embora daqui!

Seu coração dera um solavanco no peito, enquanto ela se preparou para um inevitável e surpreendente “sim”.

Porem, a imagem de Rose e Bella viera em sua cabeça como um flash.

As coisas era diferentes, agora.

Carlisle, muito possivelmente, não sabia da existência das duas.

E ela temeu acabar com o encanto que ele tinha por si contando aquilo.

Assim, permitiu-se ficar calada. Mas a dor da negação não doera apenas nela.

_ Não podemos.... – ela sussurrou, sofrida – È tarde demais...

As lagrimas esquecidas voltaram a cair, molhando suas bochechas coradas outra vez.

Carlisle tentou colocar para fora as palavras da pergunta, do “porque”. O que havia mudado tanto para que ela se recusasse a ir embora com ele?

Mas a resposta estava ali.

Ela estava certa, era tarde demais. Ela era casada, agora, com um Sr. razoavelmente importante. Ela tinha uma vida, um futuro.

Tinha muito mais oportunidade de ter uma vida plena e feliz, livre de contratempos e dificuldades estando ao lado daquele homem.

Seu coração ficara pequeno dentro do peito.

Em todos os aspectos, ele parecia destroçado.

Nostalgicamente, ele a beijou outra vez, apenas sentindo a textura. Era como se estivesse se despedindo, como se estivesse memorizando tudo aquilo.

Não estava pronto para deixá-la ir, mas também não estava pronto para torná-la uma simples recordação.

_ Me faça sua – ela sussurrou, quase em desespero. Segurou seu rosto pálido entre as mãos e o encarou, olho a olho.

_ Esme...

_ Me faça sua outra vez – seu timbre agora era falho devido ao choro preso na garganta. Seus olhos desfocaram-se, seus lábios tremeram levemente.

Seu coração parara de bater momentaneamente.

Com a calma que já pertencia a ele, deslizou suas mãos pelas mãos dela, entrelaçando seus dedos. Voltou a beijá-la com vagarosidade, desejo, paixão...

Estava claramente rendendo-se aquele pedido.

Aos poucos, suas vestes foram para fora de seu corpo, e o constrangimento já não tinha espaço entre os dois. Os fenos e sacos de palha e grama receberam seus corpos entrelaçados com amistosidade, sendo cúmplices do amor deixado ali naquela ultima noite. O mesmo cenário, a extrema intimidade e a intensidade com que se envolviam um com o outro. Como se fosse um bis de algo já vivido, entre os mesmos corações, as mesmas almas e o mesmo desejo de que nunca mais acabasse outra vez.

Se amaram outra vez, deixando para trás o mundo “engolido e mastigado” que viviam.

Como se tivesse sido ejetada de um tubo do tempo, Esme voltara para sua realidade. Seus olhos arderam e ela precisou piscar diversas vezes para retomar toda e qualquer concentração.

Carlisle ainda permanecia ali, olhando-a, como se a admirasse. Ele ainda cultivava este antigo costume.

Sempre olhá-la daquela maneira.

_ Naquele dia, o dia em que te reencontrei, não houve tempo para explicações, pedidos de desculpas ou rancor... – disse ele, assim que ela voltara a concentrar-se nele – Havia mais... saudades do que qualquer outra coisa.

Esme umedeceu os lábios, sabendo que jamais poderia discordar dele acerca daquilo. Não havia se passado praticamente 18 anos desde a ultima vez em que haviam se visto.

Não houvera tempo para ela levantar hipóteses desastrosas sobre o que ele tinha lhe feito, sobre a forma como ele havia a abandonado.

_ Eu.... – ela começou, em um sussurro perdido — ... eu lembro que o esperei voltar ali por todo aquele mês. Ia lá todos os dias, esperava por horas, como uma completa tola...

Suas palavras se perderam em seus lábios, enquanto ele deixava de olhar para ela e passava a encarar a paisagem alem da janela de madeira.

_ No dia seguinte, eu fui informado de que havia estourado uma guerra perto do Texas – ele abaixara a cabeça, dando um passo para o lado. As mãos não saiam de dentro dos bolsos de seu casaco – Fui convocado imediatamente. Havia todo um pelotão mal-treinado naquele inverno, e eu precisei levá-los imediatamente para reforçar nosso exercito naquele combate – seu discurso era conciso, serio – Muitos morreram... os mais velhos de hipotermia... outros estourados por bombas e canhões. Os mais resistentes terminaram sem braços ou pernas – ele dera de ombros – As vezes me pergunto o que me motivara tanto para me manter vivo o maximo que conseguia.

_ Sinto muito as coisas terem chegado a esse ponto – o General Swan lamentou enquanto segurava o ombro de Carlisle, ferido naquele local por uma fecha de fogo. Talvez não houvesse sido um bom movimento de seu general, pois o jovem rapaz fizera uma careta, tentando se esquivas – Todos aqui também temos outras coisas fora dessa zona de guerra.

Carlisle permanecera calado, enquanto a espécie de carroça coberta por tecidos de tendas chicoteava para todos os lados, passando pelos declives e bifurcações do caminho deserto e empoeirado por onde passavam.

O velho Texas.

A paisagem era desoladora. Apenas um marrom em pó para todos os lados, levantando pequenos redemoinhos ao norte, quase encobrindo as montanhas ao fundo.

Como uma pintura de alguém sem muitas expectativas.

_ Eu não tenho para quem voltar – ele murmurou, então, passando os olhos cansados e secos devido ao constante sol por todos os outros soldados que ali voltavam para base junto com ele.

O General pareceu confuso diante da expressão e falta de excitação de seu jovem. Isso por que ele vivera a vida toda de exercito falando sobre uma bela jovem de cabelos castanhos e sorriso puro.

_ E quanto à jovem dona de seu coração? – perguntou ele, sorriso amigavelmente, como se assim tentasse animar o rapaz.

Ele passou as mãos pelos cabelos empoeirados e duros, lembrando-se do ultimo mês em que estivera com ela. Por mais que seu desejo fosse desesperado, e ele se visse tentando a seguir por toda a Michigan, ele sabia que era um devaneio total.

Ele abaixara até a madeira do reboque e pegou nas mãos a areia e a terra levemente avermelhada que caíra das solas das muitas botas dali. Suavemente, deixou que ela saísse por entre as fendas de seus dedos, brincando com o vento que passava e as arrastava para longe, de volta para a poeira do deserto, onde era o seu lugar. Quando sua palma ficara vazia, ele voltou seu olhar desolado, não apenas pela guerra, para o General Swan, que o encarava com a severidade de um pai ou um avô.

_ Foi isso que aconteceu, Ulley — disse apenas, e suas palavras pareceram acompanhar os grãos de areia com o vento.

_ Quando voltei para Michigan e impulsivamente procurei você, me informaram que você havia se mudado com seu marido e.... suas filhas para outro lugar e então eu nunca mais havia visto você – ela notara o leve estremecimento da voz dele. O fato de ter descoberto que ela havia tido duas filhas de Cullen notavelmente o abalava até aquele momento.

Quando ele desviara o rosto e era claro e evidente que não diria outra coisa, ela adiantou-se, pondo-se de pé.

_ ...havíamos vindo para cá, para Biloxi – murmurou, agora menos abalado ou chocada. Agora, repentinamente, as coisas faziam certo sentido — ... foi aqui que Alice nasceu e...

Ela parara, de repente.

Engoliu em seco, quando algo tomara sua cabeça, o sentimento de inquietação que ela reprimia. O coração, que ela conseguira fazer bater quase normalmente outra vez, disparara, como acontecia sempre que ela pensava sobre aquele assunto.

A gravidez de Alice.

Ela ajeitou os cabelos com nervosismo, procurando por seu lenço rendado.

_ O que houve? – ele indagou, quando notara a forma repentina que ela mudara sua postura. Esticara a mao para toca- la, ato já automático nele.

Porem, ela se esquivara, com a rapidez de uma águia, e começou a procurar sua pequena bolsa de mao.

_ Eu.... e-eu preciso... preciso ir embora...

Antes que ele pudesse pensar em reagir, ela já abria a porta e colocava-se mansão à fora.

_ Esme, espere...!

_ Esme? – a voz de Alice surgira do corredor, ao lado da sala de estar.

O pé que ele colocara para fora retrocedido e ele se voltou para trás, a tempo de ver uma Alice distribuindo sorrisos, embora não houvesse cor em seus lábios, aparecer no ambiente.

_ Estava falando de minha mae? – perguntou ela, curiosa – Ela estava aqui?

Carlisle limpou a garganta, afetado. Enquanto Alice ia até a janela, a tempo de ver sua mãe do outro lado da rua, afastando-se apressadamente, Carlisle sentara-se no sofá, soltando todo o peso do corpo no móvel.

_ Ela passou apenas para dizer umas palavrinhas.

Disse ele.

Enigmático.

E estranhamente perturbado.

_

Esme rolava pela cama há. Na realidade, desde que se deitara, antes mesmo da noite adentrar no céu de Biloxi. O choque de ter reencontrado o amor de toda uma vida, saber que ele tinha laços tão próximos com o marido de sua filha...

Oh Deus, Alice...

Ele estava na casa dela, certamente haviam se dado bem, pois ele parecia à vontade em sua sala de estar.

Pareciam saber, também, sobre as desconfianças dela.

Porem, mesmo que aquela revelação fosse perturbante, um pequeno sorriso aparecera em sua face, o primeiro depois de tanto tempo.

Um dos poucos verdadeiros.

Depois de tudo o que ele falara para ela naquela estranha tarde, ela sabia que algo já havia mudado. Talvez, para a certeza de que tudo realmente acabara.

Talvez para a certeza de estava apenas recomeçando.

E, estranhamente, como se apenas naquele momento se desse conta de tudo o que acontecera, ela chorou.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

1901

Dia seguinte

Alice selecionava as melhores laranjas da cesta de Lilly e Consoelo para a laranjada e o bolo que fariam naquela tarde. Jasper adorava bolos de laranja.

Na verdade, Jasper gostava de qualquer tipo de bolo. Era como uma formiga de cabelos cacheados.

_ As laranjas estão melhorando, não? – ela comentava vez ou outra com as serviçais, enquanto ajeitava um cesto único.

Era um dia calmo, brilhante. Jasper saira para seu trabalho cedo e Carlisle continuava a fumar na sala de estar. Alice, até certo ponto, estranhara tal comportamento, uma vez que seu marido Haia lhe dito o quanto ele era um homem articulado.

Porem, ela não fizera objeção ao seu rito de silencio. Era indelicado.

E indelicada era a ultima coisa que ela era.

_ Sra. Witlock, me permite fazer uma pergunta? – Lilly comentou, enquanto lavava as laranjas que sua patroa colocava à seu dispor.

_ Claro, Lilly.

A mulher hesitou um momento, perguntando-se se deveria mesmo verbalizar aquilo ou não. Mas sua curiosidade era maior do que seu bom senso.

_ O que aconteceu com o Sr. amigo do Sr Witlock? – indagou, mordendo levemente o lábio inferior, semicerrando os olhos.

Até mesmo Consoelo parou, observando Alice.

Esta, por sua vez, enrugara a testa antes de olhar para Lilly.

_ Está fazendo mexericos, Lilly? – indagou aparentemente séria.

Rapidamente, a mulher negara com a cabeça.

_ Não, longe de mim, Sra! Mas apenas fiquei preocupada –deu de ombros – Quer dizer, ele ficou ontem, o dia todo até agora, neste exato momento, sentado naquela sala, quieto, olhando fixamente para o mesmo vaso de cristal da mesinha de fotografias – ela apertou os olhos já miúdos, até passar seu ar de desconfiada — Não sei não, Sra., mas, ou ele quer roubar seu vaso de cristal ou aconteceu alguma coisa, é isso que eu penso – ela levantou as mãos, como se se defendesse.

Alice pensara que ela realmente tinha razão. Mas era algo particular de Carlisle.

Que ela discutiria com Jasper mais tarde....

_Mas você não tem que pensar, neste momento, e sim lavar laranjas, Lilly-Mexeriqueira – ela advertiu em um leve tom de brincadeira, enquanto desviara a atenção das duas.

Porem, era um bichinho tão curioso quanto aquelas duas e, uma hora ou outra, entraria naquela sala e daria seu jeito de descobrir o que se passava com aquele homem.

_

Os pés de Carlisle balançavam, um cruzado no outro, enquanto ele permanecia quieto de palavras, por que de pensamentos haviam diálogos inacabados.

Bem ele sabia que havia algo de familiar demais em Alice para que fosse apenas coincidência. Porem, ele jamais imaginaria que Jasper se casara justo com a filha dela. Sua imaginação não era tão criativa daquela maneira.

Era um tremendo golpe do destino.

Mas ele sentia o peito estufar-se quando pensava em como aquilo era cômodo. O fizera, de uma forma ou de outra, aproximar-se dela outra vez.

A única parte que o irritava era saber que Sr. Cullen, marido dela e pai de Alice havia morrido.

Queria acertar contas com aquele homem, certamente que queria.

Com um longo suspiro, Carlisle bebeu mais um pouco de seu café, tentando reunir motivos suficientes para pedir à Alice o endereço de sua mãe. Não sabia se poderia despejar-lhe a verdade, uma vez que não tinha idéia do quando ele existira na historia que Esme pudesse ter contado às filhas.

Não poderia fazê-la odiá-lo mais uma polegada que fosse.

Porem, estava decidido que, de uma forma ou de outra, iria atras de Esme.

E, dessa vez, prometeu à si mesmo que não deixaria absolutamente nada em seu caminho.

Se pusera de pé, procurando seu chapéu pela sala, distraído diante de sua determinação. O casaco repousava no braço da poltrona carmim, enquanto o charuto ainda permanecia esquecido em seu bolso interno.

Carlisle o pegou sem muito perceber seus movimentos, rodando nos calcanhares para sair dali. Porem, assim que ficara frente à porta principal, a figura mediana e ofegante da jovem mulher parada contra a luz do dia que irradiava porta adentro, o fizera parar.

Ela fazia de novo. Pegá-lo de surpresa.

_ Esme... – disse ele, e a estabilidade de sua voz surpreendera até mesmo ele.

Ela não viera preparada com palavras. Tampouco armada para uma briga ou uma acusação amargurada.

Algo dentro de si mostrava que aquela parecia ser sua segunda chance.

Uma segunda chance de um destino impiedoso.

Ela fechou a mente. Se pensasse, tudo que ela conseguira reunir desde as ultimas horas da tarde passada até aquele momento se perderia.

Assim, ela apenas deixou que o fraco e fino filete de lágrima escorresse bochecha abaixo. Aos poucos, ela esticou sua mão em sua direção, enquanto ela mantinha-se fechado em punho.

_ O que....

Gradativamente seus tendões foram sendo manipulados. Suas frágeis articulações moveram-se e seu dedos começaram a se abrir.

Carlisle acompanhou aquele movimento fixamente. Dentro de seu punho, ao meio de sua palma, havia uma pequena e velhamente dourada moeda.

Enquanto o fraco choro dela começava a ecoar distante, ele ofegou ao reconhecer aquela velharia de tamanho valor sentimental.

“... O jovem, do outro lado, parou para encarar a moça. Franziu a testa, como se pensasse em algo.

_ Então eu lhe dou meu maior tesouro – disse ele e, antes de qualquer coisa, colocara a mão dentro do bolso esfarrapado por conta de sua farda de segunda mao, e remexera um pouco ali. A jovem o olhou fazer aquilo intrigada. E, quando ele tirara de lá uma brilhante e dourada moeda, ela segurou um sorriso – Tome – disse ele, jogando para ela a pequena moeda de ouro, fazendo-a cruzar o riacho, refletindo para todos os lados quando passara pelo sol, até alcançar as mãos da jovem, do outro lado – È da sorte. È muito importante. È quase um tesouro, mesmo.

A jovem sorriu enquanto rodava a pequena moeda entre os dedos, analisando-a.

Parecia demasiadamente bem cuidada.

_ Fique com ela.

_ Mas eu não posso lhe dar algo valioso em troca – lamentou a jovem, fechando a moeda em volta da mao com tanta força que quase sentira sua moldagem na palma — Não tenho nada em mim que me seja valioso.

O rapaz apenas sorriu para a lamentosa jovem, sabendo que ela não precisava lhe dar nada em troca....”

Quando aquela doce e esquecida lembrança sumira, ele gesticulou os lábios, pretendendo dizer alguma coisa. Porem, apenas o silencio saira de lá.

_ Você não havia morrido de verdade, para mim – sussurro ela, voltando a apertar a moeda com toda a força que ainda dispunha – Eu amei a sua lembrança por todo esse tempo.

Ele jamais se imaginara chorando. Talvez por puro machismo ou egocentrismo masculino. Mas, naquele momento, isso era maior do que ele. Seus olhos nublaram-se e seu coração disparara no peito.

Seus sentimentos não havia voltado.

Seus sentimentos apenas re-acordaram de um sono.

Não cabia mais palavra no vão daquele silencio seguinte. Não havia mais o que se pensar.

Era apenas deixar-se levar por algo muito mais forte.

Esme não tivera tempo de prever. Quando se dera conta do que acontecia, Carlisle a segurava nos braços, procurando por seus lábios com sofreguidão.

Ela apenas facilitou sua vida.

Seus braços rodearam seu pescoço, como já havia feito diversas vezes, no passado. A sede de décadas sendo encerrada naquele beijo. Suas línguas já se conheciam bem o suficiente para não haver qualquer sinal de rejeição.

O coração dela batia desesperado, enquanto suas respirações saiam dos conformes unidas. Ambos sentiam tanta saudade dos lábios um do outro que era impossível diminuir a intensidade com que beijavam-se.

Era irracional.

Mas, de repente, o tic-tac de saltos contra madeira velha parara.

Agora, haviam mais de duas pessoas dentro daquela pequena sala de estar.

_ Oh meu Deus! – a voz dela exclamara quase esganada. Os olhos de Alice arregalaram-se enquanto ela estancava, completamente chocada – O que diabos está acontecendo aqui? – perguntou automaticamente.

Os dois corpos foram obrigados a interromperem o que faziam para encararem a figura miúda de Alice no corredor.

Se instalou a tênue linha do silencio e do constrangimento entre os três.

No canto, alguém pigarreou.

Notas finais
E entaoooo?????
Espero que tenham gostado!!!
Vou tentar postar o quanto antes, okk?
BJssss
:*