Notas iniciais
Oláá
Oláááá
OLÁÁÁÁÁÁÁ
"Como estão vocês, frutinhas?"
(espero que isso nao afete a nossa relação)
Bem, como é de costume, responderei TODOS os reviews do ultimo cap., ainda hj.
Mas, o que é importante comentar, é o quão FELIZZZZZZZ eu fiquei com a recomendação que a fic recebeu da tathajovi, uma das minhas leitoras mais fiéis e fofas *__________*
Obrigada pela recomendação, coração, mesmo mesmo!!!!
Ah, e valeu tambem pelos reviews de Ways :D. Assim que der, vou responder os de lá, tambem!
E quanto ao cap., ai está ele.
Espero que gostem.
Boa leitura...

Cap. 16-Um ponto final

Michigan

Uma guerra de 1901

Ramos corria velozmente em direção ao vale. A areia do deserto castigava a visão e as fumaças de fogo dificultava ainda mais. No alto, acima da cabeça de Jasper, os zunidos de bombas arremessadas, flechas cortando os céus.

Segurando seguramente as rédeas de Ramos, Jasper ia enfurecendo-se a medida que ia se aproximando. Isso por que conseguia ver muitos de seus homens machucados, outros caidos ao chão.

Então, vindo a toda velocidade em sua direção, um homem barbudo e bem vestido, porem completamente sujo. Trazia nas mãos uma enorme espada, cuja ponta estava alaranjada devida a brasa que queimava lentamente em sua ponta de ferro.

O coração de Jasper começou a bater freneticamente enquanto suas veias fervilhavam. Todos os sentidos dele se aguçando enquanto ele se preparava para evitar a morte.

E dá-la para ele.

Como um encontro de tormentas, um ruido tilintante de lâminas ecoou entre os gritos e explosões da volta. Jasper girou com seu cavalo simultaneamente ao homem mal encarado e enfurecido de sua frente. Entao, de repente, com um urro, o homem levantara sua espada e a desferira contra Jasper com toda a força de seus braços.

Jasper segurou com força a corda de Ramos, temendo cair com o impacto das espadas no ar. Com a rapidez de um raio, o homem voltou a desferir sobre ele outro golpe e fora por milimetros que a arma não entra pelo torax de Jasper e atravessa-o nas costas.

Jasper sentiu o coração disparar ainda mais, a testa suar, os cabelos pregando-se ali sem cerimônia. Porem, encarou o homem com os olhos astutos, as mãos agarrando-se na ponta de sua espada com tanta força que sentiu os dedos começarem a ficar brancos. Entao, ambos foram para cima um do outro outra vez, as espadas no ar.

Era certamente o golpe final.

Com rapidez, o homem dera dois golpes em direção à Jasper, uma velocidade que o raciocinio não acompanhava. Ramos relinchou bruscamente, levantando-se nas patas traseiras enquanto Jasper rosnou entre os dentes trincados, encurvando-se sobre ele mesmo.

Um dos golpes antingira parcialmente seu braço.

Com a raiva fervilhando as veias, fora a vez de Jasper desferir contra o selvagem homem e sua espada. O homem girou com seu cavalo rapidamente.

Porem, com a rapidez que adquirira com anos de treinamentos e experiencia, Jasper pegara o homem em seu giro, sentindo sua espada afundar-se em sua carne.

Com um grito esganado, o homem caira pesadamente de seu cavalo ao chão, segurando as vestes manchadas de sangue com lamúrias altas.

Com a respiração errônea, Jasper engoliu em seco enquanto desviava o olhar do do homem caido ao chão, para seu cavalo bege, que correu para longe em meio as tempestades fracas de areia.

Com o sangue ainda quente, Jasper parou para verificar seu braço rapidamente. Em sua veste, havia uma fenda rasgada e, em sua pele, outra, gotejando sangue.

Porem, era algo muito superficial para tirar-lhe a concentração.

Logo, levantou o olhar para o vale, onde podia ver um misturado de homens seus.

E inimigos.

Impulsionando Ramos outra vez, Jasper se pôs a correr, a toda a velocidade, em direção à eles. Vira muito fugazmente Carlisle, lutando no meio de todos aqueles bravos homens, sua experiencia em combates e vitorias mostrando-se evidente entre os que o rodeavam.

Satisfeito por não ter que se preocupar com seu capitão e com sua integridade, ele cravou sua espada nos homens que tentavam acertá-lo.

E os que tentavam acertar seus companheiros.

As coisas aconteciam rápido demais, o barulho era intenso. Não se podia escutar nada ali no meio se não urros e tilintares frenéticos de ferro contra ferro.

Como flashes mortais, Jasper desferia golpes e desviava perigosamente de outros. Porem, haviam aqueles dos quais sua agilidade falhava e ele ganhava um novo arranhão, um novo corte.

Uma nova mancha de sangue fresco.

Tudo aquilo começava a ganhar suas horas, já, e o fim do dia já anunciava-se horizonte afora. Para a crescente excitação do exercito de Jasper, haviam muito mais homens deles.

Milagrosamente, estavam ganhando.

Porem, as coisas poderiam mudar a qualquer momento, o que significava que eles deveriam ignorar os ventos, ainda mais fortes à noite, e o cançasso que castigava todos os corpos ali presente.

Então, quando o sol já estava sendo encoberto pelas montanhas daquele deserto, os homens começaram a recuar, as expressões cansadas, derrotadas, furiosas. Suas vestes rasgadas e ensanguentadas já nao os deixava mais tão intimidadores quanto pareceriam no começo de tudo aquilo.

Por fim, restaram apenas poucos homens, que Jasper tivera que admitir, a contra gosto, que eram bravos e até perseverantes. Chegou um momento em que ele descera de Ramos e o inticara para longe dali, enquanto ele encarava seus inimigos cara a cara.

Aos poucos, a base do acampamento parara de atirar bombas e fechas de fogo pelo céu. Agora, apenas os barulhos secos das tempestades de areia que, vez ou outra, passavam por ali; o impacto das espadas e os silvios raivosos.

Mas fora apenas quando, a alguns metros, Carlisle dera um ultimo golpe em um Sr. aparentemente russo, ao mesmo tempo em que Jasper desferia a sua espada contra um robusto homem que tentara o acertar, que aquele parecia ter sido o fim.

Como raposas amedrontadas, o restante dos homens descera colina abaixo, onde se encontrava mais dezenas deles segurando as engenhosas armações de atirar bombas, os arcos lambuzados de polvora que haviam usado para tacar as fechas de fogo contra o exercito de Jasper, com as expressões caídas, que variavam entre indignação e vergonha.

E então todos se foram.

Pondo-se um a um no alto do vale onde os sinais finais daquela guerra ficara, todos os muitos homens do exército de Michigan. Em seus semblantes, a satisfação e a tremenda felicidade pela vitória.

E como um trovão estourando nos céus, o vale se tornou um enorme deserto barulhento e ruidoso.

Todos gritaram ao mesmo tempo em uma explosão de excitação e inevitável alegria. Os braços se levantarm, urros vibraram, os punhos fechados em sinal de força.

Sorrindo, Jasper fora pêgo por braços que não conseguiu reconhecer, assim como acontecia com muitos outros homens, pois de repente todos começaram a se abraçar fortemente.

_ Conseguimos, seu bastardo! Conseguimos! – Peter exclamou exultado para um Jasper com um sorriso largo.

_ Conseguimos! – ele exclamou de volta, dando um forte tapa de cumprimento no amigo, como fazia desde sempre.

Ainda que Jasper não gostasse do cenário final nem do sentimento ruim que significava uma guerra, ele não podia deixar de ficar realmente feliz em ver a satisfação nas faces robustas e esperançosas de seus amigos.

Havia acabado.

Eles voltariam para suas vidas corriqueiras e desumanamente felizes e, agora, muitos deles tinham um espaço apenas para eles, onde contruiriam suas casas e plantariam o que quisessem plantar.

Era o inicio de uma nova história.

Porém, como uma lei, o divertimento e a glória comemorada ali, no meio daquele vale destruído fora pelos ares quando, de repente, um homem sacara uma pequena, mas perigosa faca do meio da detruição e correra em direçao às costas de Jasper.

Ainda abraçado a ele, Peter vira o que iria acontecer e seu corpo todo estremeceu.

_ Oh Deus, Jasper, cuidado! – ele gritou, assombrado, e todos os rosto, de repente, viraram-se para o homem que vinha enfurecido nas costa de Jasper.

Jasper se virou sem muito entender e, a meio caminho, reconhecera o homem barbudo que havia lhe dado um incômodo corte no braço que, como se reconhecesse seu dono, começara a latejar.

Porem, os músculos de todos presentes ali responderam tarde demais.

Inclusive os de Jasper.

Quando percebeu, o homem já estava bem à sua frente, os olhos arregalados, como se algo o possuisse. Entao, um último tiro alto e agudo ecoou pelo deserto, assustando os gaviões que sobrevoavam ali perto.

Mike atirara contra as costas do homem, tirando dele as últimas forças, os últimos urros secos.

Durante alguns segundos, o cenário ficara paralisado. Então, vagarosamente, o homem fora dobrando-se, caindo... E quando chagara ao chão, já estava sem vida.

Porem, depois que todos os olhares atentos sairam do homem ao chão e voltaram para Jasper, o coração de todos gelara.

E a tensão pairou no ar como no inferno.

Os olhos de Jasper estavam desfocados, sua respiração estranha, intercalando-se em pausas. Ele estava branco como a neve e não parecia com os sentidos perfeitamente em ordem.

E, entao, todos viram.

Em seu abdomem sugira uma enorme mancha de sangue fresco, enquanto a faca ainda permanecia no exato lugar onde o homem enfincara em Jasper.

_ Oh demônios! – Peter gritou em pânico e todos circularam Jasper no mesmo segundo, notando como ele perdia a força das pernas pouco a pouco.

_ Não! Não! Não! – pessoas gritavam freneticamente muito perto dos ouvidos dele, porem Jasper já nao conseguia mais diferenciar rostos, timbres de vozes nem mesmo as palavras.

Em sua volta, todas as cabeças iam ficando brancas, assim como todo o resto. Sua barriga doia profundamente e ele sentia como seu suas veias tivessem sido rasgadas e espirrasse seu sangue por todos os lados, pois estava fraco como uma geléia.

Suas pernas, muito vagarosamente, foram perdendo suas forças. Seus olhos, o tão importante foco. Sua mente, a consciencia.

E enquanto nada mais estava fazendo sentido e a dor o cegava, Jasper desejou estar nos braços dela...

_

Michigan

13:00 hs depois.

A garganta arranhava. As pálpebras estavam pesadas. E a dor fincava-se em seus póros. Sentindo, além de tudo isso, os músculos rígidos, Jasper respirou profundamente. Podia facilmente sentir sob suas costas o lençol úmido, certamente pelo seu suor. Tambem, o colchão fino, o qual ele já começava a se acostumar.

_... a faca que quase chegou ao osso dele!

Jasper tentou abrir os olhos e as imagens disfocadas de muitos rostos em volta de sí o perturbou.

_ Não seja mentiroso, Mike, ela mal alcançou meu rim – Jasper grasnou, limpando a garganta e rindo fracamente.

Em volta dele, todos sorriram, tambem. Certamente aliviando o clima quase funébrico de seus amigos.

Tentou se sentar na cama, porem uma das mulheres enfermeiras gritou quase que automaticamente, assutando-o e fazendo-o ficar em seu devido lugar.

_ O que... o que aconteceu? – ele perguntou, agora seus sentidos começando a dar o ar de suas graças novamente.

_ Bem, um louco mal matado golpeou-lhe com uma faca – respondera Calisle, os olhos castanhos voltando a ter sua vivacidade que Jasper se lembrava – Sorte fora que ela era pequena e seu machucado nao foi profundo. Porem, você perdeu bastante sangue, filho – ele suspirou antes de dar um sorriso fraco – Entao, depois de tratá-lo com remedios e um belo curativo, Leah preparou algo e fizemos voce comer, embora certamente voce nao se lembre de nada.

Jasper sentiu a cabeça latejar fracamente quando tentou se lembrar de algo, entao decidiu deixar aquela historia de lado.

O que queria naquele momento, era estar em sua casa.

_ Você devia ver – Mike, sentado ao lado de Peter na cama ao lado da de Jasper, disse – Leah custurou esse seu machucado com se estivesse custurando a barra de uma calçola! – ele fez uma careta e riu, acompanhado de Peter, ambos voltando a juntar-se para zombar das desgraças de seu amigo.

_ Fico satisfeito, entao, pois as calçolas de Leah são impecáveis – murmurou, um bom humor malicioso. Os tres riram juntos, a boa sensação de tudo ter acabado.

Porem, era apenas olhar para o lado, onde diversos outros homens tambem recebiam tratamentos, que ele nao se permitia desfrutar tanto daquilo. Alguns deitados nas camas ensanguetadas, gemendo de dor por algum machucado mais profundo.

Outros apenas levando custuras assim como Jasper recebera.

Com um suspiro resignado, Jasper agradeceu mentalmente por essa guerra nao ter sido das grande, pois assim não teria sido tao baixo o numero de sem vidas.

Pensou nas coisas de Ramon que deveriam ser encaminhadas para sua Sra...

Pensar aquilo o deixava realmente com o coração apertado. Por isso, ele tratou logo de espantar aqueles fatos e voltou para a conversa com seus amigos.

_ E então, como está lá fora? – ele perguntou, ajeitando-se da maneira que seu curativo permitia e a dor podia ser suportada.

_ Bem, está terrivel – Peter disse, o olhar voltando a ser serio – Muita destruição, corpos, flechas pegando fogo...

Os tres calaram-se, de repente, cada um fazendo sua imagem mental.

_ Mas há muitos lá fora com a alma leve, tambem – Mike disse levemente entusiasmado. De todos, Mike sempre conseguia ver o lado positivo de absolutamente tudo o que acontecia – Agora, esse monte de gente tem terras para viver, plantar, fazer novas vilas, pequenas cidades…

Jasper sorriu diante da empolgação de Mike e, tao logo, Peter tambem entrou no clima.

_ Sim, estão falando até mesmo de costruir ferrovias para ligarem-se as cidades maiores, as capitais! Vão abrir até mesmo pequenas fábricas, trabalhar juntos, construir juntos!

Jasper riu, imagindo como as viagens seriam muito mais faceis, agora, e, como se fosse automatico, ele logo imaginou trazendo Alice para passear por outros lugares longe de Biloxi.

Ela iria adorar.

Diante daquela constatação, Jasper sorriu novamente, dessa vez para o nada. E, enquanto Peter e Mike conversavam animadamente sobre algo, Jasper passou os olhos despreocupados por toda a tenda branca e organizada, armada com precariedade para servir os doentes e feridos.

E entao a viu.

Maria estava recostada a uma das armações de ferro, o mais distante de Jasper que poderia.

Porem, ela o olhava.

Certamente, ela nao havia cuidado dele, Jasper presumiu. Isso por que o olhar dela era de tanta mágoa e indignação que por poucos segundos ele se sentui culpado.

Porem, ela já deveria ter entendido, muito antes de existir Alice, que ele nao a tomaria em casamento.

E entao, como se lesse seus pensamentos, ela saiu de onde estava, indo para fora.

E Jasper não a viu mais durante todo aquele dia.

~•~•#•~•~

Michigan,

Novembro de 1901

Depois de ficar um dia inteiro deitado, passando ervas curativas e com poder cicatrizador, Jasper tivera a permissão contrariada de Leah para poder se levantar e andar novamente.

Andava junto com Carlisle e Sam que, agora, além do mindinho, tambem faltava-lhe um pedaço da orelha.

“Sam está deixando seus pedaços espalhados pelo deserto” , ele se lembrou de Mike caçoando do enorme e moreno soldado, e quase riu novamente.

A detruição já nao era mais tao arrasadora. Restara, agora, apenas alguns homens que haviam se juntado para arrumar tudo aquilo que sobrara e recuperar o que dava para recuperar.

Haviam muitas fogueiras espalhadas, terminando de queimar o resto que a guerra nao queimara.

_ Carlisle – Jasper o chamou um momento, parando sob o enorme e escaldante sol.

_ Sim?

_ Acho que já voltarei para Biloxi – disse, sentindo-se culpado por já estar fora a tempos sem dar noticias a Alice. Deus, ela deveria estar roendo seus dedos, pois as unhas certamente já haviam ido a muito.

Carlisle franziu a testa.

_ Mas por que tanta pressa, meu rapaz? – ele perguntou, um leve sorriso – Fique um pouco mais e curta os frutos conosco.

Jasper passou as mãos pelos cabelos, sabendo como eles costumavam comemorar.

Com vinho e com mulheres.

Ficara tentado a aceitar, porem sabia que se o fizesse, sucumbiria as tentações carnais que tinha e se deitaria com alguma das belas mulheres que sempre tinham nessas comemoraçoes.

Era muito injusto e cruel deixar Alice ficar mais preocupada do que já estava, pensando que ele estaria morrendo tentando desviar de canhoes, enquanto ele estaria na cama com outra mulher.

Nao, voltaria para Biloxi e a deliciosa privação sexual que tinha em sua casa.

E quando Jasper nao disse nada, Carlisle riu.

_ É por causa de uma mulher, estou certo? – Carlisle tinha um senso perceptivel que encantava a Jasper.

_ Sim, o Sr. está certo, Capitão – ele disse com um discreto sorriso constrangido.

Carlisle colocara a mão sobre um dos ombros dele, como se compreendesse sua ansiedade em voltar para casa.

_ Sim, vá soldado, pois jamais devemos deixar uma mulher angustiada. Vá e tranquilize o pobre coração desta moça que conseguira o feito de conquistá-lo – ele piscou para Jasper, mostrando para ele que se lembrava muito claramente dele nas comemorações passadas e seu deprendimento com as mulheres, jamais pertencendo a uma só.

Porem, Jasper ficou confuso quando o olhar de seu capitão parecera, de repente, distante e triste.

_ Algo errado, Sr.? – ele perguntou, imitando o gesto do homem, pois de repente era ele quem precisava de apoio.

Carlisle olhou para as montanhas e suspirou. Jasper podia ver em seus olhos as lembranças de algo passando por ali.

_ È um homem de sorte, Jasper – disse ele, sem realmente olhá-lo – Voce, Peter, Jerad e os outros que podem voltar para quem os espera – Jasper franziu a testa diante de suas palavras aparentemente amarguradas. Nao sabia muita coisa sobre o passado de Carlisle, porem sabia que ele incluia um amor perdido nas linhas do tempo e que, certamente, ainda o perturbava – È agraciado em saber que ela estará lá quando voce voltar – ele sorriu e, entao, voltou-se para Jasper outra vez, voltando para aquele momento sob o sol – Entao, faça uma boa viagem de volta.

Jasper assentiu, ainda mexido demais com o repentino estado de Carlisle. Porem, dera de ombros, sabendo que apenas remoeria aquela historia sem que jamais soubesse a sua versão verdadeira.

_ Bem, venha em minha casa visitar-me quando puder, Capitão – ele disse – Voce tambem, Sam. Todos. Ficarei muito feliz em oferecer-lhes uma boa refeição.

Sam sorrira largamente, os olhos brilhando pela menção da palavra refeição, algo que eles nao viam decentemente fazia dias.

Então, finalmente, Jasper virou-se em direção à sua tenda novamente, agora satisfeito em estar encerrando sua viagem.

_

Fim do dia

Novembro, 1901

Jasper terminou seu banho em uma velocidade que ia além do habitual. Certamente pelo fato da água ser escaldante e quase queimar o tutano de seus ossos. Também, lhe doía os mesmos ossos quando a água escorregava entre seus ferimentos e arranhões.

Terminando de enxugar seus cabelos que, naquele momento, estavam mais embaraçados e reboliços do que sempre, ele entrou dentro do dormitório sob a enorme e comprida lona velha e empoeirada erguida com dos destroços que sobrara.

“Mas até que parece bem ajeitada”, Jasper pensou consigo.

Lá fora, todos os soldados, amigos seus e muitos dos imigrantes novos, recolhiam estilhaços, corpos, balas e todos os sinais da destruição que restara.

E jogavam tudo em pequenas fogueiras no meio do campo deserto.

Jasper, por mais que estivesse muito sentido por tantas perdas – tanto materiais quanto pessoais – ele estava tranqüilo por terem saído com a vitória e, agora, muitas terras estavam sob o domínio das pessoas de maior necessidade. Estava orgulhoso, certamente, de todos os bravos homens que lutara ao seu lado e que, fatalmente, não haviam conseguido sobreviver àquela guerra, porem eram verdadeiros soldados, honrados e heróicos.

Também, além de tranqüilo e orgulhoso, estava satisfeito, pois estava voltando para sua casa e, assim, poderia tranqüilizar Alice.

Não havia conseguido evitar ficar pensando em como ela estaria. Deus ajudasse e ele não precisasse mais ter que sair assim, separar-se, afastar-se.

Não podia ficar pensando em Alice no meio de um tiroteio, certo?

Jogando a toalha sobre sua cama de ferro, ele respirou fundo. Definitivamente, estava com... saudades dela. De ficarem conversando no meio das refeições e de poder roubar-lhe os beijos que gostava tanto de roubar.

Só para... irritá-la.

Jasper riu, pensando que era exatamente isso que faria. Então, a fim de chegar logo de volta à Biloxi, ele começou a juntar suas coisas. As pouquíssimas coisas que ele levara.

Com uma velha camisa branca, a única que restara inteira, ele ajeitou tudo depois de cerca de quinze minutos. Restava apenas pegar o xale rosa de Alice para ir embora.

Fora bem embaixo do travesseiro o lugar que escolhera para guardá-lo. Assim, durante a noite, ele puxava, bem discretamente, um pedaço dele e sentia o cheiro suave de flora que ela tinha por todo o corpo, e dormia pensando nela.

E tudo isso sem ser rechaçado pelos amigos.

Porem, quando levantou o fino travesseiro, não havia mais nada sob ele. Jasper parou alguns instantes em sua posição, como se procurasse pelo xale invisível bem em sua frente, não confiando em sua própria visão.

Ele tinha absoluta certeza de que o deixara exatamente ali.

_ Oh.... DIABOS! – ele jogou o travesseiro de volta na cama, puxando o lençol menor do que o colchão esfrangalhado. Debaixo dele também não havia nada.

Subiu um repentino frio na espinha de Jasper ao imaginar como Alice receberia a noticia de que ele havia roubado seu xale e, agora, ele estava desaparecido.

Ele olhou para os lados procurando-o nas outras camas e beirais.

Nada.

Não contando realmente seus passos nem seus movimentos, Jasper se ajoelhou no chão a fim de procurar debaixo da cama. Mas não havia nada ali parecido com um xale.

Muito menos rosa.

_ Não – ele gemeu, revirando sua pequena bolsa – Aquela porcaria tem que estar em algum lugar! – resmungou, avançando para a cama de seus amigos. Estava quase que evidente que eles haviam feito uma traquinagem com ele, escondendo o xale de Alice em algum lugar alto e de difícil acesso.

Jasper estava decidindo os golpes que iria dar em cada um.

_ Porcaria! – resmungou outra vez quando não o encontrou debaixo de nenhum travesseiro daquela ala, nem dos colchões nem das camas – Porcaria! Porcaria!Porcaria.

_ Perdeu sua paz de espírito, Jasper?- Jasper virou-se e viu Peter, devidamente pronto para sair também, roendo os restos de uma maça. Ele se encostou em um armário de medicamentos e armas enquanto estampava um sorriso tranqüilo – Só isso explicaria esse pânico todo.

Jasper parou de olhar para o amigo e continuou a procurar o pedaço de pano super importante de sua esposa.

_ Acho que a perdi, sim – respondeu Jasper de mau humor, jogando varias fardas do cabide, no chão. Peter riu – Digo seriamente Peter. Perdi o xale de Alice! Onde está? Diga-me, pelo amor que tem pelos seus santos, que você o viu?

Peter franziu a testa, parando de roer sua maça.

_ Xale? — perguntou se aproximando vagarosamente de Jasper — Você estava com o xale de sua esposa?- ele colocou o resto roído de sua maçã debaixo do travesseiro de Mike e, enfim, chegou perto de Jasper, que ainda procurava em todos os lugares possíveis.

_ Não me faça perguntas agora – disse ele, lembrando-se que não tinha nenhuma desculpa para dizer o porquê estava com o lenço de Alice – Apenas mexa-se, Peter! Vamos lá, ajude-me a encontrar. Ele é rosa – disse com a cabeça debaixo da cama de Sam.

Peter parou no mesmo instante encarando Jasper seriamente.

_ Oh, diabos, é pior do que eu pensava – foi a vez dele resmungar, indo em direção às bolsas dos outros soldados.

Ambos começaram uma procura frenética por todo o alojamento. Até mesmo fora, em outras tendas, sob outros travesseiros.

Mas ele não parecia estar em lugar algum.

Quando a procura já beirava os quarenta minutos, até mesmo Peter já estava irritado.

Uma hora ele parou, uma mala nas mãos, e olhou de cara amarrada para Jasper.

_ Tenho apenas uma pergunta para lhe fazer, Jasper – disse – Por que diabos você trouxe aquela porcaria pra cá?

_ Não chame de porcaria, Peter – Jasper retrucou impacientemente. Não queria a ajuda de Peter para conversas tolas e que, certamente, ele não entenderia – Ele é um xale que ela ganhou de sua estimada avó e o preza muito.

Peter olhou para Jasper como se não reconhecesse seu amigo. Quase revirou os olhos, mas tratou de deixar sua voz irônica o suficiente para que ele entendesse que o estava assustando, apesar de tudo.

_ Tudo bem, irei reformular minha pergunta. Por que diabos você trouxe aquela porcaria velha pra cá?

Jasper levantou cansado, mas devolveu a Peter um olhar intimidador, daqueles que Alice lhe dirigia quando queria repreendê-lo.

_Cale-se e continue me ajudando a procurar, Peter – ele disse outra vez, jogando a mala de Billy em sua direção com demasiada força.

Peter bufou.

_ O que estão fazendo? – Mike entrou na tenda calmamente, olhando, completamente confuso, para os dois soldados quase engolidos pela bagunça. Atrás dele, Sam, Jared, Billy e outros dois, que tinham que chutar as coisas do chão para conseguir andar.

_ Jasper está procurando o xale rosa da Sra. dele- resmungou Peter, olhando os bolsos de um casaco enorme – E eu estou desperdiçando minha tão estimada vida ajudando-o!

O bando de homens parou, os olhos semicerrados diante das palavras de Peter.

_ Um o que rosa, Jasper? – Sam indagou com um deboche evidente. Todos estavam se perguntando em que pedaço de Biloxi morrera o velho Jasper.

_È um xale, Sam – Jasper respondeu automaticamente, sem realmente olhar para quem perguntava- Você o viu?

Sam, o que não tinha mais o mindinho, e Mike se entreolharam arqueando as sobrancelhas.

Aquilo estava começando a assustar.

_ Obviamente que não!-ele respondeu estupefato, jogando as mãos para os lados, uma confusão de merda – O que você quer com aquilo?

_ È, eu pensei que a sua cor preferida fosse roxo-púrpura – Mike zombou e,como sempre, arrancou risos de deboche de todos os amigos deles.

_ Oh, não, ele é da... – Jasper parou no meio de suas palavras encarando todos ali dentro, se dando conta de que estava perdendo seu tempo –Oras, parem de dizer besteira e ajudem a procurar, também! –ralhou impacientemente — Ou eu chutarei o traseiro de vocês daqui até o inferno!

Contrariados, todos os homens de dentro daquela tenda puseram-se a procurar a delicada peça rosa, como se todos os lugares já não tivessem sido vasculhados.

Impaciente até os nervos, Jasper esfregou os olhos com sofreguidão, sendo tomado pela dolorosa certeza de que teria que ir embora sem levar o xale de Alice.

E, Deus o livrasse, ela estapearia ele por um mês inteiro.

Então, enquanto olhava, desolado, por uma fresta da tenda, Jasper a viu. No meio do deserto, envolta de muitas outras fogueiras, estava Maria.

Estava com seu vestido sempre branco, reluzindo ao sol da tarde, enquanto algumas labaredas chamuscavam em frente ao seu corpo.

Seu olhar naquele momento combinava perfeitamente com o cenário que a rodeava, Jasper deduziu. Isso por que muitas outras fogueiras, ainda mais ferozes, queimavam os restos daquele cenário desolador de guerra, onde a única cor que se via era o marrom-alaranjado do deserto, do sol e do fogo.

Seu olhar também era desolador.

Então, quando a imagem de Maria frente aquele fogo, seus cabelos agitando-se fracamente junto com o vento enquanto seu vestido branco acompanhava, o abandonou, Jasper viu algo que o paralisara.

Nas mãos dela pendia o pano que ele movera todos seus amigos, soldados do Exército, para procurar. O xale de Alice ia e vinha suavemente junto com o vento, o rosa de seu tecido contrastando com toda aquela cor morta.

Jasper sentiu seus dedos gelados e, inconscientemente, ele balançou a cabeça de um lado para o outro, cético. Nem mesmo vira quando saíra da tenda, deixando para trás a busca de seus amigos, e correu pela poeira do deserto até parar a uma certa distancia de Maria, do fogo e do xale.

De perto, Maria não carregava apenas tristeza e magoa. De perto, Jasper podia perceber sua agonia, sua indignação contida. Sentimentos esses, que ele vira poucas às vezes na bela mexicana. E, como sempre, sentiu-se culpado.

Sempre soube que machucaria o coração de alguma mulher, qualquer dia.

Os segundos que passaram-se em silencio, gritavam a tensão que, verdadeiramente, existia ali.

Maria ergueu a mão.

_ Maria... – Jasper murmurou, sua atenção voltada para os movimentos de Maria. Sua cabeça passou a latejar ao invés de pensar e ele dera um passo a frente suspendendo a mão no ar – Não faça... não faça isso.

Fora como se as palavras de Jasper houvesse ferido a mulher mais do que qualquer outra coisa. Com os lábios trêmulos devida a raiva, Maria o encarou por incontáveis minutos, parecendo refletir se acatava aquele pedido ou não.

Porem, ignorando qualquer coisa, ela fizera o que ele temeu, o que ele previu, e o que qualquer outra que ele conhecera teria feito.

Maria soltara, sem qualquer sinal de remorso, o delicado tecido de Alice nas labaredas do fogo.

Por reflexo, Jasper correra as poucas passadas que faltava para chegar frente a Maria e a fogueira. Olhou, desolado, para as chamas consumirem sem cuidado, sem piedade e sem esforço algum o xale que ele roubara.

O fogo apagava o cheiro de Alice que ele tivera.

Com um olhar desanimado, Jasper ficou em silencio, as mãos na cintura, olhando, assim como Maria, para as chamas desaparecendo com o tecido. Já não tinha mais sentido ele dizer coisa alguma. E então Maria se virou e andou, contando os passos, para longe dele.

Aquela fora a ultima vez que Jasper a vira.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississippi

1901

Alice abotoou o ultimo botão de seu delicado vestido azul. Seu olhar passou rapidamente pela praça de Biloxi, ato que já lhe era comum.

No último mês, sempre fazia isso através de sua enorme janela.

A calmaria daquela cidade a irritou outra vez.

Estava com muitas saudades das feiras livres.

Afinal, ela precisava de alguma coisa para passar seus contados dias. Havia uma semana que ela estava tentando controlar seus ataques de pânico e, conseqüentemente, sua choradeira.

Fazia um mês que Jasper havia partido sem dar qualquer noticia.

Com o coração mais uma vez apertado, Alice engoliu corajosamente o choro preso na garganta. Prometera para suas irmãs que não iria chorar e que manteria a fé.

Porem, aquilo já estava ficando terrivelmente difícil.

Todas as noites, Bella, Rose, Emmett, Edward e um amigo ou outro de cada um vinham para dormir com Alice e as serviçais. Desde o dia em que a propriedade havia sido invadida, eles não haviam faltado nenhum dia se quer.

Alice sentia, pouco a pouco, segura novamente.

Porem, a falta que Jasper fazia naquela casa era quase dolorosa. Ela passava noites inteiras remoendo a certeza de que Jasper já estava morto. Bastara aquele mês infernal, para ela perceber que não era a pessoa forte que sempre se denominou.

Com um suspiro pesado, Alice lembrou-se do que sempre fazia quando a angustia a fazia querer chorar de novo e outra vez.

Fora automático em direção à sua vela.

Com precisão, ela acendeu em seu improvisado altar. Ao redor da nova vela, outras já queimadas jaziam. Era praticamente uma luta encontrar um lugar vazio.

Por alguns segundos, ela observou a vela queimar silenciosamente, como se estivesse esperando pelas palavras de sua oração. Então, suspirando, Alice terminou de ajeitá-la, que estava um tanto torta, para que iniciasse suas orações.

Fora nesse momento que a porta de seu quarto se abriu com um fraco ruído. Alice logo pensara ser Lilly ou Consoelo, que vinham de tempos em tempos até seu aposento para arrumar uma coisa ou outra.

_ Fique a vontade – ela disse sem desviar os olhos de sua vela, que teimava em não ficar reta. Era como se a estivesse desafiando-a.

_ Você quer mesmo que eu fique a vontade?

A cabeça de Alice virou-se quase que de imediato para a soleira de sua porta de madeira. Aquela voz não era de Consoelo muito menos de Lilly e aquele cheiro não se comparava.

Parado, com um sorriso torto e os cabelos revoltos, estava Jasper. Inteiro, vivo e mais absurdamente lindo do que sempre.

O coração de Alice dera um salto até no céu quando seus olhos o focalizaram. Sua vela fora esquecida por ela e acabara por cair por cima da cera das outras. Naquele momento, a atenção de Alice não poderia ser disputada.

Era ele.

Ele realmente havia voltado.

Exatamente como havia prometido.

_ Olá — disse ele simplesmente.

Por alguns segundos, a mente de Alice ficara paralisada, talvez absorvendo a surpresa que acabara de ter. Já estava quase aceitando a morte iminente de Jasper e não esperava sua volta assim, tão de repente.

_ Oh... meu... Deus! – ela exclamou e não conseguiu conter um sorriso resplandecente em seu rosto.

E, então, a ansiedade fizera ela correr a eterna distancia que havia entre seu altar e a soleira da porta.

Entre ela e a presença física de Jasper.

Como se ele fosse quase um milagre, ela chegou até ele chocando-se ao seu corpo robusto, os braços envolvendo sua cintura. Nem mesmo pensara quando o abraçou com todas as forças que tinha, como se ela tivesse acabado em encontrar algo que havia perdido.

_ Você está bem? Está machucado? Está inteiro? Está... vivo! – ela rira nervosamente, seus dedos fechando-se com força na camisa suja dele. Um pouco acima de sua cabeça, ela escutara Jasper rindo também e seus braços a puxaram ainda mais para ele próprio.

Era o segundo abraço que se davam na vida.

_ Sim, minha cara, estou vivo – disse ele aspirando profundamente. Não tinha necessidade de contar a ela os diversos arranhões e as costuras que herdara – Como eu disse que estaria.

Apenas naquele momento, Alice se permitiu respirar. Talvez assim conseguisse fazer seu coração parar de bater tão freneticamente quanto batia. Deus, não o deixaria mais fazer aquilo com seus nervos nunca mais em sua vida miserável!

_ Diga-me – ela desencostou-se dele por um momento para encará-lo, sua voz saindo tão rápida de sua boca que ela não conseguia entender a si própria – Diga-me tudo! Tudo o que aconteceu lá e evidencie-se nos detalhes! Quero saber de absolutamente tudo e não ouse me esconder nada! Nada! Nada, entendeu?

_ Bem, com..

_ Não, espere! – ela o intercalou nervosamente. Sua cabeça estava uma confusão tremenda e as batidas de seu coração não paravam de bater e bater e bater – Não! Não conte-me nada! Acho que não agüentarei saber esses detalhes– ela murmurou no mesmo segundo. Suas emoções estavam tão misturadas que ela já nem mesmo sabia o que queria saber.

Incapaz de se conter, Jasper riu alto. Nenhuma outra mulher tinha as características únicas de Alice.

Era tão estranho admitir que sentira tanta falta dela naquele tempo que quase doera.

Então, como ela se recusava em saber como havia sido a terrível guerra da qual ele acabara de voltar, ambos ficaram calados enquanto seus braços continuavam no corpo do outro.

_ Aquela vela é para que? – Jasper perguntou um momento, quando a existência esquecida dela o intrigou.

Quer dizer, ainda era dia.

Sentiu, ainda em seus braços, Alice enrijecer. Como se houvesse incorporado em uma pedra de gelo, ela afastou-se dele um passo, as bochechas levemente rosadas.

_ Eu... eu apenas acendi para clarear – ela murmurou superfulamente, os olhos não parando em Jasper outra vez.

E Jasper entendera.

De alguma maneira, admitir o real motivo daquela vela a constrangia. Certamente, ele deduziu, era algo relacionado à ele, pois Alice preferia a morte á admitir que pensava nele o mínimo que fosse.

Certeiramente, Jasper emoldurou sua bochecha corada em sua mão, virando seu rosto delicado para ele outra vez.

_ De dia? – ele arqueou uma sobrancelha para ela, como se a desafiasse a mentir para ele.

Com um suspiro resignado, Alice parou de tentar mentir para ambos o tempo todo. Ela deveria admitir, de uma vez por todas, que se importava tanto com ele que quase definhara naquele mês.

E não apenas naquele mês.

_ Eu estava rezando – disse ela por fim. Seus dedos soltaram-se de sua camisa apenas para subir pelos botões de seu peito, distraindo-se – Rezo todos os dias, na realidade.

Jasper abrira a boca duas vezes, porem nada saíra. Era muito estranho o modo como estava sentindo-se. Era estranho e desconhecido, porem tão forte que o fez sentir seu estomago revirando de inquietação.

_ Reza? – ele perguntou, demasiadamente instigado em saber mais sobre aquela confissão.

Estava muito admirado e empolgado em ver que as paredes invisíveis que Alice usualmente tinha em torno de si, haviam sumido.

_ Sim – disse ela, agora mais segura do que em qualquer outro momento – Sim, pois tenho um marido estúpido, insensível e completamente insolente e suicida! – ela o acusou duramente, jamais perdendo a oportunidade de repreendê-lo. Porem, a expressão de ansiedade dele ante as palavras dela a fizeram amolecer como uma maria-mole – E... e eu rezava para ele não morrer por ser leal e corajoso, também – ela sorriu sinceramente para ele, o peito inflando diante do sorriso bobo que ele apresentara – Rezava, também, pelos outros que estavam lá. Seus amigos, não?- ele assentiu silenciosamente – Sim... rezava por eles, também.

Surpreso até a alma, Jasper não conseguiu soltá-la, pois suas palavras o pegara de surpresa. Sua Alice não era generosa e muito menos sensível daquela maneira. Quer dizer, ao menos a antiga.

E ele entendeu por que queria tanto beijá-la, naquele momento. Entendeu, também, por que tentou não morrer em momento algum enquanto estava no meio da guerra.

Ele realmente queria voltar, daquela vez.

Sabia que tinha alguém que estava esperando-o bem.

_ Você parece cansado – ela murmurou com a voz preocupada. Ele parecia que estava em pé apenas por não ter encontrado algo grande o suficiente para cair. Em um impulso, ela tocou de leve a bochecha empoeirada dele, notando pequenos arranhões e leves olheiras – Veio à cavalo?

Jasper apenas maneou a cabeça, seus olhos jamais deixando de olhá-la.

_ Não – disse – Vim de carruagem com alguns companheiros que iriam passar por aqui para seguirem seu caminho – ele ocultou o real motivo. O motivo de que tinha um machucado recente demais em seu abdômen para agüentar galopar – Peter trará Ramos para mim.

Alice assentiu descendo sua mão para o pescoço quente dele.

_ Por que não dorme um pouco? – ela sugeriu – Parece que cairá a qualquer momento por cima de mim e, se o fizer, nenhum dos dois sairá mais do chão – ela brincou e os dois riram agradavelmente – Pode deitar-se na minha cama. Não irei me importar.

Mordendo os lábios, Alice o encarou. Queria muito ver como seria ele deitado no local que ela deitava todos os dias. Quer dizer, vê-lo dormindo em sua colcha era uma coisa, porem vê-lo dormindo em um canto que era apenas dela a deixava com uma boa sensação de posse, de que, ao menos por um tempo, tivesse a Jasper apenas para si e... Céus, com aqueles pensamentos absurdos e perturbadores rondando a mente de Alice a tanto tempo, ela entraria em colapso a qualquer momento.

Sentindo-se esquisita e levemente irritada, ela esperou sua resposta.

_ Bem, obrigado – disse ele com um longo suspiro. Deixou sua bolsa em um canto, sentindo os ossos doloridos. A cama de Alice era tudo o que desejava, naquele momento. Macia, quente e confortável.

Porem, seria uma idéia muito mais simpática se Alice viesse de brinde àquela sugestão.

Ela, por sua vez, estava decidindo se saia do quarto ou não para que ele ficasse a vontade.

Oh, mas queria tanto vê-lo...

E ela decidiu realmente ficar quando ele lhe dera um inesperado beijo no canto de sua boca, como se dissesse boa noite.

Mas, de repente, Jasper tirara a camisa e ficou prestes a tirar suas calças quando Alice se deu conta.

Ele estava ficando nu!

Inesperadamente surpresa e chocada, Alice lembrou-se de que ele sempre dormia apenas com uma calça folgada de linho e algodão.

E lembrou-se, também, que ele pouco se envergonhava de se despir frente a ela.

_ Bem, lhe deixarei a vontade – ela murmurou nervosamente e se virou no mesmo segundo para a porta. Porem, não contou o quanto perto estava e batera com tudo contra ela, quase quebrando seu precioso nariz – Au!

Jasper, que vestia apenas suas calças de baixo, o que deixava quase que ele inteiro exposto, se virou para ela.

_ Você está bem? – perguntou, imaginando como ela fora acabar cara-a-cara com a porta.

_ Sim – disse ela, a vergonha doendo mais do que seu nariz – Descanse, Jasper. E grite se precisar de alguma coisa.

“Vou gritar para que venha deitar-se comigo aqui” Jasper pensou, mordendo-se para não verbalizar aquilo, claro e evidente, para deixá-la a par de tudo o que ele estava começando a sentir.

Porem, não era momento para aquilo. Pois se suas mãos encontrassem o corpo dela outra vez, só Deus e os santos sabiam o que ele iria fazer.

Então, ele apenas assentiu, sorrindo para ela quando ela se virou e saira porta a fora sem olhar mais para trás.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

Ao cair da tarde.

Alice estava ansiosa até os poros. Não conseguira parar quieta durante todas as horas daquele longo dia. Jasper estava dormindo a horas a fio e, por mais que parecesse egoísmo, ela o queria acordado.

Oh, Deus, sentia tanta falta de conversar com ele!

Algumas vezes ao dia ela havia ido até o quarto, apenas para fins de saber se ele precisava de alguma coisa, ela repetia para si mesma em sua mente inquieta.

Agora, o sol já estava se pondo outra vez e a noite dava seus primeiro sinais de vida. Sentada em seu sofá, bordando um belo sapatinho para Reneesme, a filha de Bella, Alice distraia-se. Sua cabeça sempre voltando-se para o alto da escada de tempos em tempos.

E, enquanto Jasper não acordava, ela ficava pensando em ir lá, apenas para averiguar se ele não havia morrido.

Com um sorriso solitário, Alice pensou que seu pobre marido dormiria até o verão... E então Alice parou, de repente.

E se Jasper não acordasse naquele dia?

Quer dizer, onde ela iria dormir? Sim, por que jamais dividira a cama com um homem e suas pernas tremiam como bambus só de imaginar aquilo. Talvez devesse acordá-lo e pedir, educadamente claro, que ele fosse para sua colcha.

Mas, analisando sua intenção, era meio rude pedir aquilo para ele.

O coração de Alice começou a bater freneticamente ao começar a imaginar os dois dormindo na mesma cama, apenas com suas camisolas finas cobrindo seus corpos sob o cobertor.

Ela soltou o ar, até então preso nos pulmões, e sentiu toda a sua espinha gelar de antecipação àquilo. Oh, Deus, o acordaria, ao menos, para adverti-lo para manter as mãos longe dela.

Porem, ela poderia dormir em qualquer uma das camas de hospedes que tinha. Não era enorme nem confortável como a cama principal, porem era uma solução para que ela não precisasse dividir a cama com ele e todo aquele seu tamanho... que certamente esquentaria seu colchão inteiro...e que ela não precisaria se preocupar com as mãos dele escorregando por debaixo da coberta e indo parar em seu corpo... e muito menos em como seria ele respirando em suas costas... e, o pior de todos os maliciosos pensamentos que estava tendo, ele sofrer outro impulso ou, quem sabe, acordar no meio da noite com o desejo de irritá-la, e a beijasse como se atrevera certas vezes, bem em sua cama, no meio da noite e da solidão que estaria o quarto apenas com os dois...

Alice balançou a cabeça freneticamente para todos os lados, colocando a mão no peito a fim de fazer seu coração descontrolado parar de bater daquela maneira. Jesus do céu, era a primeira vez que formava as imagens daqueles pensamentos impróprios em sua cabeça e aquilo a assustou tanto que Alice pensou estar sofrendo de asma.

_ Mas a cama é minha – ela murmurou, ponderando consigo mesma. Tremia tanto que formulou a primeira geniosidade que viera em sua cabeça – Esqueça, Sr. Witlock, não sairei de minha tão preciosa cama por causa do Sr. – resmungou com o nariz empinado.

Estava sendo ela mesma outra vez, pois estava odiando-o naquele momento por estar querendo roubar a cama dela.

E ele nem sequer estava acordado enquanto fazia isso...

Então, enquanto ela mergulhava em devaneios, alguém batera à porta. Ainda um pouco desajeitava, Alice a abrira com um certo de receio, pois já estava beirando a noite.

Mas eram suas irmãs, à porta.

_ O que fazem aqui? – ela perguntou com a testa franzida.

Seus convidados, que iam de suas irmãs à seus cunhados, se entreolharam confusos, talvez pensando consigo mesmos que Alice cruzara os limites da loucura de vez.

_ Oras, minha irma, nós viemos aqui todas as noites, lembra? – Bella lembrou-lhe do pedido que Alice mesma fizera, de que eles ficassem com ela todas as noites enquanto Jasper estivesse fora.

Porem, Jasper voltara.

_ Oh, claro! – Alice riu de si mesma, pensando em que parte do dia ficara tão distraída – Entrem, por favor!

Vagarosamente, todos adentraram sua enorme e aconchegante sala de estar.

_ O que aconteceu-lhe, Alice? – Rose indagou – Parece tão sorridente.

Alice tentou conter-se e parecer menos previsível. Porem, ela deveria estar com um incrível contraste entre agora e o que apresentara semanas atrás.

_ Bem, não aconteceu-me nada – ela sorriu novamente, contrariando a si própria – Mas eu preciso dizer-lhes que não será mais necessário que durmam aqui.

Novamente, todos se entreolharam. Era automático.

_ E por que?

_ Bem, por que Jasper já retornou! – ela apertou as mãos juntas no peito, rasgando o rosto com um sorriso. Aquela novidade era muito emocionante para ela, ainda.

Edward e Emmett falaram rapidamente algo entre si, um pouco mais aliviados ao receberem aquela noticia. Porem, Bella e Rose entreolharam-se rapidamente, um sorriso curto, porem cheio de significados.

_ Que ótima noticia! – Emmett, o enorme Sr. McCarty exclamou – E onde está o grande soldado?

Alice dera um passo na direção deles, como se apenas naquele momento se lembrasse de que ele estava dormindo e eles não deveriam fazer muito barulho nem falar em vozes muito perturbadoras.

_ Está dormindo – disse ela – Estava exausto!

_ Oh, pobre coitado o Sr. meu cunhado! – Rose compadeceu-se da possível exaustão do marido de sua irma. Imaginava alguém voltando de uma guerra e isso a fez estremecer.

_ Bem – fora a vez do Sr. Masen se pronunciar, pois aquele homem realmente falava pouco – Podemos ficar aqui até ele estar em condições de ficar em alerta – ele abaixou o tom de voz, pois, sendo o mais centrado de todos, ele tinha plena noção de que não seria bom Jasper acordar escutando aquilo – Pois seria terrível se aquele ocorrido acontecesse outra vez enquanto ele encontra-se tão vulnerável!

Todos assentiram em concordância.

_ Apenas gostaria de pedir-lhes que não contem à ele... – Alice parou por um momento quando as lembranças vívidas daquele dia a invadiram, outra vez – Que não contem a ele que invadiram a casa, sim?

_ Como é que é?

Todos se viraram imediatamente para a nova voz no alto da escada. Jasper abotoava o ultimo botão de sua camisa com as sobrancelhas franzidas.

A tensão pairou quase eu instantaneamente naquela sala enquanto Jasper descia a passos determinados, os degraus.

Bella, Rose, Emmett e Edward olharam para Alice, como se esperassem sua reação, pois nenhum deles estava querendo tomar a frente das explicações. Sem saída, Alice decidiu que não podia esconder dele algo daquela magnitude.

_ Tentaram entrar aqui, Jasper – ela disse, olhando-o diretamente nos olhos.

_ Não, não tentaram, Alice – Bella a interpolou, corrigindo-a naquele pequeno detalhe – Eles entraram aqui.

Alice olhou rapidamente para sua irma antes de voltar-se para ele.

_ Sim, tudo bem, eles entraram aqui dentro – ela repetiu, novamente lembrando-se – Deveriam ser saqueadores, eu não sei.

A expressão de Jasper ficara perplexa. Talvez sua mente ainda estivesse devagar demais, pois ele não estava conseguindo engolir aquele acontecimento.

_ Meu Deus! – ele exclamou, esquecendo seu ultimo botão e, em um piscar de olhos, estava frente à Alice, ansioso — E aconteceu alguma coisa com você? – ele perguntou atropelando a própria língua. Fora automático segurá-la pelos ombros – Lhe machucaram ou lhe ameaçaram? Deus, Alice, fizeram alguma coisa com você? Qualquer coisa?– ele analisou-a por inteiro, conferindo se não faltava-lhe nenhum pedaço de pele.

_ Oh, não, pois eu liguei rapidamente para eles – ela apontou para suas irmãs e seus cunhados – E eles vieram prontamente ate aqui ficar comigo e com as serviçais por todas as noites enquanto você estivera fora. Mas não se preocupe, eles aparentemente não levaram nada.

_ Oras, não diga tolices, mulher! – Jasper a repreendeu duramente. Seu estomago estava revirando em sua barriga devido a magnitude daquele acontecimento – O que importa é se fizeram algo á você!

Alice maneou a cabeça, ocultando apenas para ela que o homem daquela terrível noite parecia estar atrás única e exclusivamente dela. Porem, Jasper não precisava de mais preocupação e terror.

_ Oh, não, nem a mim e nem a Lilly e Consoelo, pois eu procurei um lugar para nos esconder – ela respondeu prontamente.

Jasper assentiu roboticamente, preso em suas próprias conclusões. Estava tão chocado com aquilo que deixou para outra hora seu ataque de fúria e indignação.

Nenhum estranho tinha o direito de entrar em sua propriedade aproveitando de sua ausência, para amedrontar sua mulher e suas serviçais, indefesas e vulneráveis.

Então, diante da repentina tensão de seu corpo, ele a puxou pelos ombros para debaixo de seus braços, embalando-a levemente.

_ Esperto – disse ele, porem com os olhos longe – Isso foi realmente muito astuto, Alice, estou orgulhoso.

Sendo abraçada por ele, Alice sorriu, porem manteve-se em silencio.

_ Obrigado, Sr’s. – ele agradeceu a Emmett e Edward por terem acudido Alice e as serviçais em um momento de puro pânico.

_ Imagina, somos todos irmãos, aqui – Edward disse prontamente, enfiando as mãos nos bolsos fundos – Uma família.

_ Sim, Jasper – fora a vez de Emmett pronunciar-se, segurando sua esposa, Rose, pelos ombros – Sempre cuidamos de nossas mulheres.

Jasper assentiu para eles, porem soube exatamente que os dois tinham algo a dizer.

E que não diriam na companhia das três.

_ Escute, Alice – Jasper a chamou. Ela se desencostou dele para poder fitá-lo – Por que você não vai com suas irmãs até a cozinha e verificam o que Consoelo e Lilly estão fazendo para o jantar, hum? — ele dera uma rápida olhadela para os dois homens – Preciso conversar algo com o Sr. Masen e com o Sr. McCarty.

_ Tudo bem – ela disse. Virou-se devagar para dar as costas à ele e se encaminhar a cozinha.

Porem, Jasper a puxou fracamente de volta pelo pulso. E, enquanto ela o encarava confusa, ele elevou sua delicada mão até sua boca, depositando um casto beijo em sua palma. O contato visual que eles mantiveram por fugazes segundos fora o suficiente para Alice quase ver muita coisa invisível que existia entre eles dois.

Mas, então, Jasper a soltara novamente e saiu da sala de estar juntamente com Edward e Emmett. Balançando a cabeça, Alice fora para a cozinha acompanhada de suas irmãs enquanto os homens chegavam à varanda.

_ Digam-me tudo o que Alice não quer me dizer – Jasper perguntou antes de qualquer coisa, assim que chagaram do lado de fora, permitindo que sua dureza aparecesse.

_ Quando chegamos aqui, Jasper, estava tudo revirado – Emmett contou-lhe com um sussurro confidencial – Eles haviam conseguido entrar aqui, entende?

_Mas não levaram absolutamente nada – Edward continuou sugestivamente. Jasper o olhou de imediato enquanto Emmett assentia.

_ E isso nos leva a crer que... – disse Emmett.

_ ... que o que procuravam... – Edward continuou, deixando claro e evidente aonde ambos queriam chegar.

Compreendendo, Jasper fitou a noite além de seu portão. Com os olhos semicerrados, ele murmurou friamente:

_ ...que o que procuravam estava escondido em algum lugar da casa....

Notas finais
E entaoooooo?
Esse ferimento do Jazz foi essencial para seu destino, hein?
Bem, espero que tenham gostado *____*
Bjsssssssssssss e até o proximo!!!