Os Segredos dos Seus Braços

32 Um farfalhar no capim seco


Notas iniciais
:O você de novooo Poli?? Sim, eu de novo ^^ Mais acho melhor eu nem brincar muito que devem ter algumas pessoas zangadas comigo por aqui. Embora eu ache que nem tenho mais leitoras haha... Todas as desculpas do mundooo por ter parado de postar a fic. Estou no ultimo ano da faculdade e isso diz por si só. Mas eu detesto começar as coisas e não terminar e essa situação me deixava agoniada. Eu estou acabando a fic já, e já sei o que vai acontecer até o fim, só me restava escrever, e o tempo não deixava. O tempo que eu tinha não tinha cabeça para escrever. Enfim, eu estou um pouco folgada nesse início de penúltimo semestre pois a metade dos estágios clínicos não começaram ainda...então eu vou tentar escrever tudo o que resta da fic (e acho que vou conseguir, pq me empolguei de novo o/) Bem, espero que o capítulo esteja bom. Se tiver alguém ai para ler ainda, até as notas finais haha :*

Cap. 32

Biloxi, Mississipi

Mansão Whitlook

1902

O pé de Alice batia incansavelmente na madeira do assoalho. As mãos, fechadas em punhos, apoiadas na cintura de forma autoritária lembrava para Esme ela própria quando estava prestes a dar outra bronca em Alice.

Ela andava de um lado ao outro, batendo seus sapatos com uma força desnecessária. Jasper, que chegara no momento em que o constrangimento ainda imperava em sua sala de estar, estava muito tranquilamente apoiado em uma das pilares da sala, observando os dois mudamente sentados no sofá, e sua delicada esposa bufando frente-os.

Sabia que Alice não estava zangada, de alguma forma. Mas o choque de ter visto aquela cena e a confusão em tudo aquilo a guiava. Apenas esta constatação o fazia ficar muito bem calado, pensando consigo mesmo, tentando disfarçar o riso quando seu olhar e o de seu ex-capitao se cruzavam.

Se ele se deixasse rir, sabia que seria a próxima vitima de Alice.

_ Mamãe! – ela chamou seriamente, assim que parara de andar de um lado para o outro e decidira começar o interrogatório – Mamãe! Me explique agora mesmo o que estava acontecendo nesta sala! Que descompostura sem igual a Sra. estava se prestando?

Por debaixo das pálpebras, Esme desviou o olhar para o lado de Carlisle, sentindo as bochechas corarem.

_ Oras, pois, mas parem de ficar olhando para seus próprios pés! – Alice pontuou, batendo o pé no chão, ato que já havia parado de fazer à um tempo – Me diga agora mesmo o que foi aquilo que acabamos de presenciar!

Jasper coçou queixo, ato que usara para disfarçar a risada. Desencostou-se da pilar, colocando as mãos dentro dos bolsos da calça caqui.

_ Alice, minha querida, todos aqui sabemos o que estava acontecendo, não? – pontuou ele, tentando ser o menos invasivo que conseguia, pois Alice, mesmo doente, ainda era perigosa como o inferno.

Ela o fuzilou, franzindo os lábios em um bico mal-humorado.

_ Mamãe, eu...

_ Ele é ele, Alice – Esme cortou o suspiro de Alice com a voz firme. Firme o suficiente para surpreender ate mesmo Carlisle.

Olhou para a filha pela primeira vez.

_ Ele... Ele? – Alice perguntou com incerteza na voz, semicerrando os olhos levemente.

O silencio de Esme, misturado com seu meio sorriso genuíno e verdadeiramente feliz fizeram Alice soltar os braços rente ao corpo, um pouco descrente.

_ Mas... mas a Sra. não conhece o capitão Newton... – ela lamentou, os olhos confusos, indo dos olhos de sua mãe para os do capitão de seu marido.

Detestava não entender as coisas.

Detestava ainda mais quando se tratava de sua mãe.

Em sua sala de estar. Aos beijos com um desconhecido seu.

_ Sim, querida, eu o conheço – disse Esme docemente, sorrindo para a filha chocada.

_ Não, não conhece! – Alice insistia naquela contradição, pois não poderia estar vivendo tamanha coincidência. Mas, em sua cabeça, começava a ligar certos pontos antes ignorados.

Alguma coisa em seu peito bateu um pouco mais descompassado.

Esme levantou-se, após um curto suspiro e uma longa troca de olhar com Jasper e Carlisle. Os olhos ansiosos de Alice iam e vinham.

Ela estendeu a mão gentilmente até Alice tocá-la com as suas, frias e tremulas.

_ Alice eu... – ela disse, mas a língua parecia enrolada entre os dentes. Para conseguir pronunciar algo, precisou pigarrear – Alice, nós precisamos conversar.

Um pouco aturdida, Alice assentiu com a cabeça. Fora rebocada por sua mãe para fora da sala de estar, indo em direção ao escritório de Jasper. Foi automático seu olhar retroceder e, por sobre o ombro, ela encarar o homem desconhecido que sua mãe dizia conhecer tão bem...

E, por milésimos de segundos, ela sentiu um reconforto familiar.

_

_ Foi como um milagre, Jasper – disse Carlisle outra vez, estupefato diante do fato de tudo ter se encerrado tão bem, afinal de contas. Alice e Esme ainda conversavam no escritório, enquanto ele e Jasper trocavam afirmações e bons gostos na sala de estar – Um milagre, entende? – repetia ele, esfregando as mãos calejadas no rosto, rindo de forma automática.

Ambos ficaram imaginando e se corroendo por saber o que Esme estaria contando para Alice. O estomago do Capitão de Jasper reboleava por baixo da camisa enquanto ele formava a figura de Alice em sua mente, olhando-o com a intimidade que... uma filha olharia para um pai.

Não precisava nem ao menos ele ter trocado aquele tipo perguntas e respostas com Esme. Era claro e evidente que ambos levantavam suspeitas e evidencias acerca daquilo.

Por dentro, Carlisle sentia vontade de chorar.

Perdido na distração de seus pensamentos, ele nem ao menos percebera o momento em que Alice e Esme haviam retornado naquela sala de estar. Apenas quando o borrão dos movimentos de Alice despertaram seus olhos que ele as encarou.

À sua frente, a pequena, com seus cabelos negros e seus olhos avermelhados, o encarava sem piscar os olhos. O brilho que aparecera ali tirava toda a atenção que ele pudesse depositar em qualquer outra coisa, em qualquer outra pessoa.

A expressão no rosto dela era de um choque tão evidente que parecia em transe. Cuidadosamente, Carlisle levantou-se, subindo muitos centímetros à sua altura. Quase podia sentir o coração de Alice batendo freneticamente no peito, pois o seu pulava sob suas costelas igualmente acelerado.

Ela era tão linda...

Ainda parecia uma garotinha com aquelas feições tão delicadas e, em certos pontos, infantis. Restara no pobre e maltratado coração de Carlisle o sentimento de que, no fundo, não havia perdido tudo sobre Alice. Ainda tinha tudo dela para conhecer, admirar, se encatar...

Ela ainda podia ser uma garotinha...

_ Alice, eu...

_ Às vezes, mamãe dizia que eu tinha os olhos de meu pai – ela disse de repente, umedecendo os lábios avermelhados, devido ao constante ato de apertá-los com os dentes. O olhar, fixo no dele, a fez, de repente, enxergar mais daquele homem do que era realmente possível.

Com se o simples pronunciar vindo dela da palavra pai fosse fogo, o peito dele ardeu.

Involuntariamente, seus olhos nublaram-se.

_ Seu pai... – ele moveu os lábios, repetindo aquelas palavras em um ato automático.

_ Meu pai tinha olhos azuis – ela o cortou outra vez. Porem, ao final de suas palavras, um pequeno riso escapou, como se, finalmente, ela conseguisse rir daquele fato que em toda a sua vida, jamais fizera sentido.

Era como se achasse engraçado ter uma resposta.

Como se estivessem em uma gostosa sintonia, ele riu também, sentindo as bochechas queimarem um pouco. Envergonhava-se por se sentir um completo tolo, um estúpido que deveria ter se tocado ha muito tempo antes.

E era Alice quem tinha que colocar os fatos na mesa, naquele momento, por que ele pouco conseguia pensar direito.

Estancou ainda mais em seu lugar quando a vira dar um passo tímido à frente, seus olhos jamais deixando os dele. E quando estava bem á sua frente, franziu a testa, levando sua mão até seu rosto anguloso e retangular.

Como em um dos sonhos fantasiosos dele, ela sorriu.

Era um belo sorriso.

Era um belo sorriso infantil e genuíno.

_ ....e sempre foi a coisa que eu mais gostava em mim – murmurou ela, acariciando com as pontas dos dedos as bochechas rosadas dele — ....esses nossos olhos castanhos vivos...

Do canto esquerdo, uma fina lagrima escorregara pela pele alva daquele homem. Grande em tamanho, porem pequeno naquele momento.

Alice o tinha como um garotinho.

Ele não tinha mais controle sobre seus batimentos. Não tinha mais controle sobre seus pensamentos. Carlisle não tinha mais razão.

Agindo pelo desejo de tê-la sob os braços protetores que ele jamais pudera utilizar, ele a puxou carinhosamente para si, apertando-a tanto que Alice sentiu a ponta de suas costelas brigando umas com as outras.

Porem, era um abraço tão forte, apertado, caloroso e receptivo que ela quase se entregou as lágrimas, assim como ele. Seu antigo pai jamais a havia abraçado. Ao menos, não com a vontade e o desejo de realmente se abraçar que Alice sentia naquele abraço.

Era como se, pela primeira vez, conhecesse um verdadeiro abraço de pai.

~•~•#•~•~

_ Alice, o sol não ficará disposto no céu por muito mais tempo – Jasper chamou ao pé da escada, mirando os ponteiros do relógio no alto da parede principal da sala. Já passava pouco das 16:00 hrs e dali até a província próxima, um pouco antes de Pascagoula, seriam boas trotadas na carruagem.

_ Espere, não encontro meu chapéu azul – ela reclamou, a voz gritada ecoando por entre os corredores do andar de cima. Ela apareceu no alto da escada, o cenho franzido. Lá embaixo, Carlisle e Jasper esperavam a 20 minutos, prontos.

_ Minha cara, está aqui – ele suspirou, erguendo o delicado chapéu bordado de flores, ladeado de finas fitas de cetim branco. Alice tinha tantos chapéus que poderia cobrir as cabeças de toda Biloxi. Perdê-los o tempo todo já não era uma novidade para Jasper.

Alice sorriu, começando a descer as escadas. Sua mãe viera em seu encalço, abotoando um comprido casaco amarelo sobre os ombros. Quando Alice chegou aos pés da escada, estendeu a cabeça na direção de seu marido para que ele lhe colocasse seu chapéu e o amarrasse em seu pescoço. Ela gostava quando ele a ajudava a se aprontar. Embora sua coordenação de homem o deixasse um pouco desajeitado para aquilo, ele era delicado quando a ajudava. Assim como fazia naquele momento, quando encaixou simetricamente o pequeno chapéu sobre seus cabelos repicados. Até mesmo os fios da franja ele ajeitava.

Ela gostava do frio na barriga quando se olhavam de perto.

Quando ele terminou de amarrar os fios de cetim em seu pescoço, ele sorriu rapidamente.

_ Está muito bem – murmurou ele, passando de súbito a ponta dos dedos na têmpora dela. Alice sorriu encabulada diante do possível sorriso dele. Porem, a expressão dele tornou-se dura repentinamente, e a frieza que por vezes aparecia, enigmática, nos olhos dele, voltara.

_ O que foi?

Ele dera um passo para trás, franzindo o cenho e endurecendo os lábios.

_ Está com febre baixa – disse ele, a uma altura que nem Esme nem Carlisle haviam escutado – O sereno da noite não lhe fará bem.

Alice abriu a boca para indagar o motivo de Jasper estar sempre tão preocupado quando à sua saúde. Estava ciente que se esforçava muito para parecer bem, embora a sensação de fraqueza e desmoronamento apoderava-se de seu corpo, de seus órgãos e até de sua cabeça. Porem, ele não lhe dizia o que havia de errado. Ela não sabia se era por que ele pretendia esconder aquele fato dela ou por que ainda não houvera momento, mas todo aquele mistério já a cansara.

Logo, suas feições tornaram-se tão duras quanto às dele.

_ Por que? – indagou ela, aproximando-se perigosamente dele – È só uma brisa, não é? Afinal, não há nada de errado com minha saúde, certo? – frente a ela, Jasper desviou os olhos por segundos, antes de morder a mandíbula fortemente. Alice sabia que aquilo significava algo. Semicerrou seus olhos e seu tom abaixou um pouco mais – Você tem alguma coisa para me contar, Jasper?

Jasper vacilou. Precisava contar para ela o segredo que estava tentando esconder, a fim de não apavorar nem ela nem ninguém do modo como ele próprio já se encontrava apavorado. Mas nunca encontrava um momento em que pudesse jogar aquela bomba sem que a situação saísse de seu controle. O tempo sempre estava contra ele.

Por um breve segundo, as palavras chegaram até a ponta de sua língua, forçando-se a serem cuspidas. Porem, ele ainda tinha consciência da presença dos pais de Alice logo ali, na porta. Com a emoção que as revelações obtiveram em todos presentes ali, seria uma tragédia revelar aquilo para qualquer um deles.

_ Vocês dois – Carlisle chamou, rindo de algo que Esme havia lhe dito – Vamos antes que fique muito tarde, sim?

Alice ainda sustentou o olhar de Jasper por um tempo antes de virar-se para Carlisle e Esme e devolver-lhes o mesmo sorriso.

_ Vocês tem razão – disse ela, caminhando na direção deles, na porta – Vamos até Ernesto, ele já deve ter preparado tudo.

Ela apontou o gramado para eles, que saíram porta a fora. Antes de segui-los, ela olhou para trás, apenas para dizer à Jasper apenas com seu olhar, que ela sabia que ele lhe escondia alo. E que não tardaria, ela o descobriria.

_

Dentro da carruagem, o falatório era constante, sempre seguidos das risadas. Eram historias de todas as partes, com todos os tipos de tragédias hilariantes.

_ Isto é verdade? – Carlisle indagou em um momento, rindo alto. Alice lhe contava algo que acontecera a si quando ainda era uma menina.

_ Sim, isto é – ela afirmava com veemência. Sentada ao lado de Jasper, ela voltou-se para sua mãe, à sua frente, sentada ao lado do Capitão – Não é, mamãe? Diga à ele – ela riu, olhando para Carlisle para continuar a contar. Jasper via o brilho dos olhos dela. Era fraco, nada comparado à um tempo atrás, quando ainda se encontrava em perfeita saúde física. Porem, era o brilho mais lindo que ele já vira em tempos – Eu cortei meu cabelo até o topo das orelhas e os pintei de tinta vermelha – ela revirou os olhos ao se lembrar daquelas peraltices de sua infância. Ela sempre dissera que Esme garantira um lugar no paraíso – Sabe, aquelas tintas de tingir tapetes?

Carlisle ria alto, enquanto ela o acompanhava. Esme se limitava a rir junto, extasiada com o momento perfeito que estava vivenciando. Olhava de Carlisle para Alice, buscando as semelhanças que ela contava nos traços de Alice desde que ela nascera.

E eles estavam ali, marcados como sempre.

A mesma cor dos olhos grandes. O mesmo formato de lábios. Até a covinha na bochecha direita quando sorria.

Ela riu, mordendo os lábios enquanto seus olhos umedeciam gradativamente. Os trejeitos de um se refletiam no outro. O balançar de mãos e a forma de mover os dedos enquanto falavam.

E ela teve certeza.

Mesmo que jamais pudessem ter uma prova concreta, Esme sabia quem era, de verdade, a outra metade responsável por Alice existir. Seu coração de mulher, de mãe sabia disto. E com aquilo ela se reconfortou. Sorriu para o nada, acomodando-se um pouco ao ombro de Carlisle, enquanto este continuava a conversar animadamente com Alice.

E quando ela levantou os olhos por breves segundos, ela vira que Jasper reparava as mesmas coisas que ela.

E que ele sabia da mesma verdade.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississippi

Madrugada seguinte

1992

Um tic, seguido de diversos outros tic’s perturbou o sono sensível de Alice. Aos poucos foi sentindo a consciência se aproximar e os barulhos de passos contra a madeira no andar de baixo. Com um suspiro pesado, ela abrira os olhos devagar. A luz baixa vinda da fresta da porta de seu quarto chamara sua atenção.

Ainda um pouco zonza por acordar ainda com muito sono, ela apoiou-se com o cotovelo na cama, escutando vozes baixas vindas juntamente com os tic’s irritantes. Quando olhou para o lado, percebeu que seu marido não estava ali com ela.

_ Jasper? – ela chamou, embora soubesse, de uma maneira ou de outra, que estava sozinha naquele aposento.

Devagar, ela sentou-se na cama, procurando seus sapatos e seu penhoar, sempre apoiado em sua cabeceira.

Andou o corredor e viu a luz da sala ligada. As vozes ficaram mais evidentes, e ela reconheceu sua mãe, Jasper e Carlisle. Quando se pôs no alto da escada, franziu o cenho.

_ O que vocês estão fazendo? – ela indagou, a voz um pouco rouca, enquanto começava a descer as escadas enrolando seu penhoar branco em volta do corpo.

Lá em baixo, sua mãe jazia envolta a uma enorme manta marrom, os cabelos presos em um firme coque, não habitual para Esme dormir. Alias, o que Alice bem reparara foi as roupas dela, que também não eram de dormir, e sim um vestido pesado, recoberto por outras três camadas, e botas de couro.

A dúvida se pôs em sua cabeça quando ela vira aquela cena muito pouco casual. Carlisle também vestia-se como se estivesse pronto para o frio do sul na madrugada. Até mesmo uma camisa de lã que encobria o pescoço.

E era ajudado por Jasper a carregar uma mala.

_ Alice, minha querida– Esme a chamou, sorrindo brevemente. Se pôs ao pé da escada enquanto sua filha terminava de descer os degraus — Sinto frio em seu lugar. Como pode passar apenas com essa camisola fina?

Jasper colocou a segunda mala aos pés de Carlisle, próximo à porta, e virou-se para a direção de sua esposa.

_ Esme tem razão, Alice – disse ele, usando aquele tom autoritário que antes irritava Alice, agora apenas a fazia revirar os olhos – Deveria estar na cama. Ou, ao menos, vestida com algo mais quente – maneando a cabeça, ele retirou seu casaco e estendeu á ela quando ela chegara ao meio deles.

_ Não quero casaco algum – disse ela com presunção. Porem, o olhar de Jasper a fizera pegar o enorme casaco bege e vesti-lo sem muita implicância – Quero saber o que vocês estão fazendo.

Esme e Carlisle trocaram um olhar rápido.

_ Alice... Carlisle e eu... – ela começou, porem parecia um pouco incerta. O olhar confuso de Alice a fazia estremecer.

Alice franziu o cenho e passou a encarar Carlisle. Se não fosse de Esme, seria dele que ela obteria uma resposta para o que estava acontecendo naquela sala de estar.

Mas Carlisle pareceu não querer falar. Pareceu querer deixar que a própria mãe dela lhe explicasse.

_ Jasper? – Alice se referiu a ele, ao mesmo tempo em que se aproximava de sua mãe, confusa.

Jasper baixou a mala de mão de Esme e suspirou. Era injusto deixar Alice ansiosa e confusa daquela forma. O combinado era para ele conversar com ela pela manha, conformá-la. Mas uma vez que ela havia acordado e estava ali, o certo a se fazer era informá-la dos planos de seus pais.

_ Alice – disse ele sem rodeios em seu tom — Carlisle e Esme estão partindo de viajem.

Alice abriu a boca em um “o” descrente. Arregalou levemente os olhos e dirigiu-se depressa frente à sua mãe.

_ Como é? – indagou ela, sentindo o peito começar a pular – Mas Carlisle acabou de voltar! – ela apontou para ele, a voz tornando-se um agudo – Como vocês podem ir embora assim, mamãe?

Esme sorriu, baixando ao chão uma de suas bolsas de mão. Estendeu os braços e direção à sua filha, chamando-a para o interior deles com as mãos.

Um tanto hesitante, Alice se aproximou dela, rodeando sua cintura com os braços, apoiando a cabeça em sua omoplata. Alice ficou calada, conseguindo escutar o sangue que o coração de sua mãe bombeava.

Gostava muito daquele som.

_ Está na hora, minha pequena – Esme disse baixo, um tom de sorriso terno em sua voz maternal. Alice fechou os olhos ante aquelas palavras. De um jeito ou de outro, sabia o que sua mãe estava querendo dizer. Apenas não sabia se já estava preparada para ouvir – Está na minha hora – ela emendou, tranquilamente, acariciando o topo da cabeça de Alice – Finalmente eu vou... vou fugir – ela riu, sabendo que aquele discurso era inteiramente Alice a um tempo atrás – Vou embora para viver meu amor.

Alice sentiu a garganta fechar e o peito apertar dolorosamente. Levantou a cabeça para encarar Esme nos olhos.

_ Mas por que... já? – ela murmurou, a voz manhosa.

Esme sorriu, tirando um pouco de cabelo dos olhos castanhos opacos de Alice.

_ Por que já criei todas as minhas meninas – ela disse, a ternura em seu tom – Por que elas não me pertencem mais. Por que eu tenho que cuidar de mim, agora.

Alice soluçou, sentindo as lágrimas arderem atrás de sua retina. Seu coração, tão dolorido quando qualquer outra dor que ela estivera sentindo ultimamente, apertou como se estivessem espremendo-o.

_ Mas... eu preciso da Sra., mamãe – ela murmurou, tendo que limpar um pouco a garganta para que sua voz saísse audível.

_ Alice – Esme suspirou calmamente, tentando segurar seu auto-controle o maximo que conseguia – Eu queria cuidar de vocês até não poder mais – ela tocou a bochecha pálida de Alice com os dedos, tentando vê-la como sua garotinha. Sempre a mais pequena, sempre a mais frágil, sem a que pensava que podia viver de sua rica imaginação. Achando que a vida era mais além do patamar de sua janela. Mas ela já não conseguia mais ver aquela garotinha, a que ela, Esme, tinha que guiá-la para onde andar quando ela começava a dar seus passos. Na verdade, os olhos, o comportamento, os pensamentos... tudo sempre quisera mostrar outra coisa para Esme – Eu queria cuidar de você até não poder mais... queria que tivesse um bom caminho para quando eu já estivesse mais aqui, entende? – ela sorriu, como se pedisse desculpas. Finalmente, um fina e cristalina lágrima escorreu pela pele tão marcada pelo tempo – Mas eu percebi, minha querida, que você sempre foi a mais forte de todas as minhas garotinhas.

Alice soluçou alto, desta vez. O choro irradiou pelos olhos, as lágrimas grossas começaram a escorrer sem pudor. Não queria escutar aquilo de sua mãe, não se isso significasse que ela estava deixando-a.

_ Mamãe... – ela gemeu, os dedos fracos prendendo-se no tecido do casaco de sua mãe, apertando-a um pouco contra si.

_ Eu sei que você suportará minha partida sem se chocar – ela sorriu – Que você vai entender.

Alice meneou a cabeça freneticamente, negando aquele fato.

_ Eu não sou forte – ela murmurou – Eu não sou...

Esme estalou a língua, como se indicasse para ela o quanto achava besteira suas palavras.

_ Claro que é – disse ela, veementemente – Claro que é – repetiu, continuando a pentear os cabelos curtos de Alice com os dedos – Que outra garotinha defenderia as irmãs maiores de crianças ainda maiores sem se importar com o que lhe aconteceria? – ela disse aquilo lembrando perfeitamente da infância de todas as suas filhas. Mas, principalmente daquela, que ela sempre suspeitava que tivera herdade todo o sangue do pai – Que outra moça se portaria contrariamente a tudo que o restante do mundo pensa simplesmente por que não pensava igual, e não se importar nenhum pouco com isso? – ela encostou a testa na testa fria de Alice, soltando outro suspiro, um pouco melancólico – Que outra moça se tornaria uma mulher quando começa a lidar com tantas brigas, com indiferenças, com mágoas vindas do homem que ama, de seu marido, hmm? – ela sussurrou, para que apenas Alice escutasse. Esta, que havia fechado os olhos, os abriu lentamente quando escutara aquilo. Não iria contradizer, não iria indagar, não iria se desesperar ou se entregar de uma vez. Mas, mesmo que jamais dissesse aquilo para sua mãe, aquelas palavras fizeram muita diferença em sua vida.

Afinal, as pessoas passavam a falar aquilo a ela com tanta naturalidade que ela estava quase cometendo a audácia de começar a acreditar.

_ Eu sinto muito que nós jamais possamos ter certeza que eu dei a você, ao menos a você, um pai melhor – ela continuou seu tom em um sussurro, olhando rapidamente por sobre o ombros, conseguindo ver a figura distorcida de Carlisle perto da pilar.

Alice sorriu ao escutar aquilo, mordendo os lábios com força. Não importava o que sua mãe pensasse, o que todos pensassem. Ela sabia de onde era originária. Foi concebida no maior momento de amor que os dois pudessem ter vividos em sua historia curta.

Ela era um pequeno milagre.

_ Mas... vocês podem ficar aqui, mamãe – ela insistiu. Jasper deu um leve sorriso, ainda olhando de longe as duas. Sabia o quanto ela podia ser insistente quando queria evitar o incomodo da angustia e da cólera – Podem encontrar uma casinha aqui por perto, em Biloxi mesmo, podem...

Esme meneou a cabeça.

_ Não, não podemos – disse ela – As pessoas jamais entenderiam nossa historia – ela apontou para Carlisle — Eu seria apedrejada viva! — fez uma pausa – Nós jamais ficaríamos em paz aqui, Alice.

_ Mas...

_ E, também, Carlisle ainda é um Capitão de Exercito – ela sorriu um pouco, embora não tivesse sido acompanhada por Alice – Ele tem compromissos.

Alice ficou calada por alguns instantes, soluçando. Seu coração parecia que não iria parar de doer, a dor parecia cortante.

_ Eu vou sentir sua falta – ela murmurou, recomeçando a chorar – Muita! .

Esme a abraçou forte.

_ Eu também, meu amor – disse — De todos vocês, principalmente de minhas preciosas – ela levantou a cabeça de Alice, a fim de fazê-la olhá-la – Mas eu volto para ver vocês. Constantemente!

Alice encarou Esme nos olhos com tanta profundidade que ela parecia estar lendo algo ali.

_ Você promete? – indagou ela por fim. Tirou suas lagrimas que escorriam por suas bochechas com as mãos tremulas.

Esme riu. Aquilo era muito fácil de prometer. Ainda mais quando sabia que não podia mentir para Alice. Não quando prometia algo.

_ Eu prometo! – disse ela com toda a convicção que existia em seu ser – Quando você, ou Bella ou Rosie estiverem precisando de mim – parou – Eu vou voltar pra perto de vocês.

Alice assentiu depois de um tempo, sabendo que, mesmo que chorasse até secar ou que implorasse para que eles mudassem de idéia, nada os faria mudar. Afinal, era um amor que resistira a todos os obstáculos do tempo, da vida, dos destinos que nem sempre são entrelaçados do jeito que desejamos.

E era um cruel egoísmo dela repreendê-los por quererem viver seu amor em paz.

Se algum dia ela tivesse que escolher, seguiria Jasper para onde quer que ele fosse.

Apenas aquela constatação a fizera soltar sua mãe.

Olhou para Carlisle, que também tinha os olhos marejados. Mesmo que tivesse convivido pouco tempo com ele, menos ainda quando já sabia de certas coisas, era irracional pensar que era o fim. Que eles jamais se veriam outra vez.

Era absurdo.

_ Voltem sempre – ela murmurou para ele, sem sentir hesitação alguma em abraçá-lo com força. Gostava muito de abraçar aquele homem. Beijou-o o rosto por vezes seguidas.

Viu ele chorar um pouco, relutante um pouco em soltá-la de seu abraço, beijando o topo de sua cabeça.

_ Vamos sim – disse ele quando por fim se soltaram.

Jasper também se despedira de Carlisle e Esme, não tão abalado quanto Alice, pois estava acostumado com despedidas. E, também, pelo fato de saber que não era eterno, e sim temporário aquela distancia.

Ajudou-os a carregar as bagagens até a carruagem que ele próprio dera à Carlisle e Esme, como um presente. Abraçou Alice pelos ombros enquanto seguiam os dois até a porta.

Mas quando estava no meio do gramado, a voz de Alice cortou o silencia da madrugada.

_ Pai? – ela chamou, em alto, claro e bom som. Viu Carlisle voltar-se para ela com os olhos mais brilhantes do que o sol que logo daria às claras detrás das montanhas. Parecia tão emocionado em escutar aquilo que quase choraria — Não mande mais aquelas cartas para meu marido – sorriu, embora sua advertência fosse séria.

Esme, Carlisle e Jasper riram. Jasper a puxou um pouco mais contra sim, cobrindo seu ombros com o tecido do penhoar que escorregara por seu braço.

_ Certamente, madame – ele fez uma encenada reverencia, depositando a mão no peito – E, quanto à você, Jasper – ele olhou bem demoradamente para ele, como se fosse lembrar de algo tão importante que valeria a sua vida — Cuide bem da nossa menininha.

Alice sorriu quando a ultima lágrima caiu do canto do olho.

_ Sempre – ele respondeu, a mesma convicção que usava quando falava de si próprio. Acenou para eles quando eles acenaram, adentrando a carruagem – Até breve, capitão.

Alice ainda insistiu em permanecer naquela varanda até a carruagem sumir das vistas. Estava triste, embora conformada. Foi o singelo beijo dele em sua têmpora que a fizera deixar-se ser arrastada para dentro de casa.

Quando a emoção do momento passara, as dores e a fraqueza novamente voltaram a ser evidencia. Se lembrou do que acontecera em seu ultimo banho. Seu acesso de tosse.

Porem, desta vez, ela tossiu um pouco de sangue.

Não queria contar à Jasper. Não queria contar a ninguém. Temia que achassem aquilo horrível demais e se afastassem dela. Cuspir sangue não era a coisa mais bem vista pelas pessoas.

Se Jasper pensasse que ela estava doente?

Se pensasse que já estava prestes a morrer?

Afastou as imagens onde imaginava ele abandonando-a para morrer à míngua. Jasper não faria aquilo. O seu Jasper jamais faria aquilo.

_ Que cômico – ele comentou quando fechou a porta. A fez prestar atenção nele outra vez.

_ O que?

– Se você tivesse sido filha de Carlisle desde o inicio – ele a olha, os olhos sorrindo, ao mesmo tempo em que começavam a subir os degraus da escada vagarosamente – Nós dois nos conheceríamos do mesmo jeito. Talvez as coisas não tivessem começado tão desastrosamente, você teria sido menos fresca, embora tenho certeza de que seria praticamente indomável convivendo no meio de brutamontes, em mãos e lombos de cavalos, praticamente uma potranca do mato, mas ainda sim...

– Potranca do mato?! – ela disse, rindo — Potranca do mato? – repetiu um pouco descrente de que Jasper usasse aquele tipo de termo para se referir à ela. Riu um pouco alto, passando os braços por sua cintura. Era tão bom fazer aquilo.

Ele sorriu antes de puxar seu rosto para perto, passar seu polegar por sua bochecha, retirando dali um pouco do sereno que caira da madrugada. Olhar dentro dos profundos olhos castanhos vivos dela já não era uma dificuldade. Agora, era quase uma obrigação, um ritual, um hábito viciante que alimentava uma necessidade.

Como se olhar profundamente dentro dela lhe acalmasse o coração, lhe tocasse a própria alma. Se não o fizesse, algo dentro de si enfraquecia.

Todavia, ele deixou o sorriso morrer em seus lábios, quando a repentina idéia de que poderia perder tudo aquilo lhe assombrara outra vez. Toda a historia com Carlisle e Esme e a possível nova paternidade de Alice atrasara completamente seus planos. Agora precisava correr ainda mais contra o tempo.

Não iria deixar o destino levar aquilo de mais valioso que possuía naquele momento. Ou melhor.... que seu coração possuía.

Ele piscou lentamente, encostando sua testa na dela, entreabrindo os lábios para dizer alguma coisa que estava entalada em sua garganta, que ele parecia querer cuspir a muito tempo. Um revelação de algo que estava evidente a muito tempo, pelo simples fato de comportar-se quando ela estava por perto. Antes de qualquer coisa, precisava dizer aquilo em voz alta para ver se realmente fazia sentido, pois guardada apenas em sua cabeça.... e em seu coração não fazia de forma alguma.

_ O que foi, Jazz? – ela perguntou divertida, respirando em uniformidade com ele, seus narizes se tocando.

Jasper fechou os lábios outra vez. Decidiu que poderia afastá-la dizendo aquilo, que ela ficaria arredia ou desconcertada. Alice não sentia o mesmo por ele e, talvez, saber que ele...alimentava sentimentos fortes, intensos e paralisantes por si a fizesse sentir que estavam indo longe demais.

Ele a perderia?

Por covardia, Jasper calara-se outra vez.

_ Estou apenas pensando – disse, finalmente, decidindo esquecer tudo aquilo. Talvez, deixar de falar tantas coisas para Alice naquele momento lhe causasse um grande arrependimento mais tarde. Mas o tempo não pode voltar, de qualquer forma – Que você seria a selvagem mais fascinantes que o mato já vira.

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Biloxi, Mississippi

Estrada desértica

1902

Alice se protegia com seu chapéu do sol escaldante como podia. Ao seu lado, Jasper já começava a apresentar o típico bigodinho de suor. Suas vestes, culturalmente mais carregadas de tecidos grossos, certamente estavam fazendo-o sentir-se um peru dentro de um forno, era o que passava pela cabeça de Alice vez ou outra. Seu coração chegava a se apertar ao pensar que estava difícil para ele.

_ Venha aqui – chamava ela, a cada cinco passadas pelo caminho – Espero que não desmaie aqui, no meio desta estrada – riu ao passar os dedos pelo rosto dele, tirando um pouco do suor que transbordava pela pele. Seus lenços inseparáveis caiam bem naquela situação.

_ Obrigado – agradeceu ele, sorrindo um pouco. Mas, embora Alice parecesse habitualmente despreocupada, ele se preocupava pelos dois. Primeiramente por que Alice não poderia ficar se cansando daquela maneira, andando debaixo de um sol daqueles. Depois por que aquela estrada de pedras rústicas era acompanhada em suas laterais por mato, e o deserto que havia nas redondezas não era amigo – E você? Sente-se bem? – não evitou a pergunta que tanto irritava Alice.

Esta apenas o olhou com seu olhar enigmático, deixando aparecer em seus lábios brancos um meio sorriso. Meneou a cabeça, recusando-se em responder outra vez. Por milagre, havia esquecido, momentaneamente, de fazer algumas perguntas à Jasper sobre o que ele estava escondendo dela.

Jasper, silenciosamente em sua cabeça, praguejava a maldita hora em que a roda da carruagem tivera que quebrar. Ernest certamente enfartaria se tivesse que fazer a trajetória pela qual eles passavam. Porem, Jasper estava disposto em fazer, uma vez que estavam indo para a cidade vizinha, onde ele sabia que havia um hospital psiquiátrico que deveria dispor de algumas amostras do remédio de Alice. Era nesta cidade, também, que ele compraria as passagens de trem que eles fariam até a capital dali dois dias. De um jeito ou de outro, seria o momento em que teria que contar á Alice.

De qualquer forma, deixaria para pensar nisso quando fosse o momento. Sua preocupação era o quanto Alice podia ser teimosa quando queria. Insistiu em acompanhá-lo pela estrada, até onde deveria haver alguém que ajudasse no concerto da carruagem. Jasper não sabia se estava contente por ela estar sob seu olhar, ou se estava temendo que aquilo fizesse mal demais à ela.

Foi então que um farfalhar no meio do capim seco e alto, que se estendia por toda a lateral da estrada, se fez ouvir. Ele parou automaticamente, atento a todos os lados. Rolou os olhos, enquanto girava nos calcanhares.

_ Jasper, está tudo bem? – Alice indagou com uma ruga na testa, parando três passos à frente dele.

Com a atenção redobrada, Jasper chagou à Alice, segurando-a pelo braço para mais perto de si. Com aqueles tempos perigosos de Biloxi, Jasper sentia-se desconfiado de qualquer farfalhar.

Quando o silencio deles não os fizera escutar nada mais, ele recomeçou a andar, Alice imitando-o. Porém, ele ainda a segurava, agora pelos ombros. Aumentou, inconsciente, os passos, para que pudessem chegar mais rapidamente à pequena cidade vizinha.

_ Jasper, você acha que...

Alice fora interrompida pelo barulho de capim seco esmagado novamente, porém agora parecia mais perto. Jasper parou abruptamente de novo, agora puxando Alice de forma protetora. Do lado direito, os dois viram alguns capins altos caírem, de repente.

Alice se encostou mais ao corpo de Jasper, começando a ficar apreensiva. Ele, por sua vez, apertou a mandíbula com força, controlando a respiração de modo que tornou-se quase inaudível.

A estrada deserta e seca se aquietara novamente, apenas o vento empoeirado passando por ali e perdendo-se ao final do caminho, fazendo redemoinhos vacilantes. O silencio perturbou Jasper, enquanto seus instintos de lutador se eriçavam.

Um corvo guinchou à léguas de distancia.

_ Acho que não era nada – Alice sussurrou.

E, assim que ela terminara de falar, o farfalhar discreto tornara-se, de repente, uma enxurrada de estalos secos, que eram pisoteados freneticamente. Escutaram vozes, e os capins começaram sumir das vistas ao fundo do matagal.

Se aproximavam com agilidade e rapidez.

Jasper arfou, aturdido, agora. Começou a se afastar a passos incertos, na direção contrária ao que se aproximava deles.

_ Jasper! – Alice arregalou os olhos, enroscando os dedos em sua camisa.

Ele a puxou junto com ele, indo rápido para o interior do outro lado do matagal.

_ Vamos, Alice! – ele sentiu os músculos do corpo se enrijecerem, prontos para iniciarem a corrida que ele pretendia – Vamos, corra! – ele a puxou pela mão, adentrando o capim seco.

Eles começaram a correr, agora sentindo os estalidos do capim seco se quebrando sob seus próprios pés. Alice mantinha os olhos semicerrados, nem tendo noção da direção em que corriam ou pelo que passavam. Deixou-se apenas ser guiada por Jasper, que abria caminho com o braço frente ao rosto.

Ele sentia o capim fino cortar-lhe a pele por onde tocava. Mantinha-se frente à Alice, para que ela não fosse cortada impiedosamente pelo mato bruto.

Porém, Jasper não podia cobrar muito de Alice. Ela estava fraca e, certamente, não conseguia correr rápido na quiçaça em que se encontravam, muito menos acompanhar o ritmo dele.

Tão logo ele começou a escutar os sons das vozes se aproximando. O barulho dos capim seco pisoteado por eles começara a ser encoberto pelo mesmo barulho que vinha atrás deles.

Ele sentia que podia correr mais rápido, até o ponto de despistá-los. Porém, tinha Alice ali. Ele poderia parar e lutar para protegê-la até o fim, todavia não poderia exigir dela uma força e agilidade que ela não tinha. Ainda mais doente.

Assim, ele diminuiu um pouco a força de sua corrida, enquanto sentia Alice arfar às suas costas. E foi então que o que os perseguia os alcançou.

_ Parados! – uma voz grunhiu alto, e uma dezena de homens montados em enormes cavalos cercaram os dois, encurralando-os ao meio do capim seco.

Notas finais
Eai?? Quem serão? Espero que tenham gostado e que o tempo de espera valha a pena de agora em diante.. Beijinhos e até semana que vem..