Os Segredos dos Seus Braços

5 E as coisas começam a mudar


Notas iniciais
OlááááAhh, eu tou empolgada com parte da fic em que estou! HmmmmmEspero que voces estejam gostando mesmo!Só para evidenciar, sabe, a fic não é centrada NO CASAMENTO deles em sí, mas nos segredos sujinhos que muito personagens escondem, ok????Mas a parte do casamento é divertida fazer skapskBom, espero que gostem do capítulo!Bjsssss minhas lindonas e boa leitura.

Cap. 5 — E as coisas começam a mudar

Biloxi, Mississipi

A nova casa

O caminho até sua nova casa fora silencioso. Alice não era muito acostumada ao silêncio, uma vez que sempre tivera muitas pessoas ao seu redor, entre conversas e risadas. Mas não se importou muito que Jasper não disseste absolutamente nada, nem para lhe provocar, durante o caminho.

Quando a carruagem parou frente à uma enorme propriedade, ela mordeu o lábio, hesitante em levantar-se.

Era tudo tão novo e estranho.

Nem percebera quando Jasper já não estava mais à seu lado e sim do lado de fora.

“Quantos modos” ela pensou geniosa.

_ Aqui, pegue minha mão para eu lhe ajudar a descer – ele disse baixo, fazendo Alice virar-se para ele, surpresa. Não o havia visto dar a volta.

Nem lhe estender a mão.

Ela seguiu a linha de seus dedos, passando por seu braço, até parar em seu rosto, procurando algum traço de gozação.

Mas não, ele parecia apenas meio distante.

_ Vamos, Alice, não temos a noite toda – ele ralhou.

E impaciente.

Ele a ajudou a descer da carruagem em silêncio. Alice estava cansada, afinal o dia havia sido deveras longo e exaustivo. Precisava encontrar sua cama e dormir até o próximo crepúsculo, se possível. E, talvez...

Perai.

Essa seria a primeira noite deles. Quer dizer, como casados.

Iriam dividir o mesmo quarto, a mesma cama...

“Deus...” Alice ofegou. Não tinha a menor idéia do o que aconteceria, como aconteceria nem o que deveria fazer.

Sua garganta pareceu ter fechado enquanto agiam em conjunto com suas pernas, que haviam decidido falhar. Ela parou, à meio caminho da porta, hesitando.

Jasper estranhou sua súbita mudança. Bom, Alice parecia bem inconstante, às vezes, mas ainda assim o intrigava.

_ Vai ficar aí? – ele perguntou, parando.

Ela obrigou-se à voltar a realidade e fazer suas pernas obedecerem, antes que desse motivos para ele lhe chamar de louca.

Entraram na casa observando os detalhes adornados que tinham as portas, a decoração rústica das paredes e os quadros pintados à óleo. Os móveis de todos os cantos visíveis ali eram delicados e confortáveis, deixando a casa incrivelmente receptiva.

Alice encantou-se.

_ È perfeito!- ela exclamou, rodando nos calcanhares.

Jasper já tirara a farda que vestira durante a festa e, agora, encontrava-se apenas com uma camisa branca, recheada de botões.

_ Eu apenas queria saber onde é o quarto – ele disse, encaminhando-se até as escadas, não falando realmente com ela.

Alice pouco escutou ele. Estava mais preocupada em olhar todos os detalhes do corrimão; dos castiçais com velas brancas e grossas; dos tapetes que guiavam todos os corredores.

Só parou quando chagaram à uma porta. Ambos pareceram ficar desconfortáveis na mesma hora. As pernas de Alice voltaram á se rebelar assim que Jasper abrira a porta, limpando a garganta baixo.

_ È esse, ao que me parece.

Alice deu poucos passos para dentro do ambiente quente. As paredes tinham as mesmas pinturas do resto da casa, porem a enorme cama disposta bem no centro do aposento capturava toda a atenção.

Seus cobertores aparentemente macios estavam encobertos por um mosqueteiro finíssimo de cor clara. Diversas velas iluminavam o ambiente e a brisa suave que entrava pela janela entreaberta não deixava que o quarto repousasse em um calor maçante.

Com penteadeiras, criados-mudos, armários e espelhos por todos os cantos, o quarto era duas vezes maior do que o seu antigo.

Por um segundo curtíssimo, Alice se esquecera de seus temores.

O silêncio que ela percebeu que já estava presente, pareceu deixar até mesmo Jasper sem jeito.

Ele olhou para os lados, indo em direção aos armários, talvez procurando uma roupa para trocar-se.

Trocar-se.

Novamente aqueles tremores. E, agora, alem deles, ela sentiu suas mãos suarem, denunciando seu nervosismo aterrador.

Deus, como se deitaria com alguém que mal conhecia?

E se não fizesse certo?

E se não gostasse?

E se se assustasse e saísse correndo feito uma tola?

Durante muito tempo, ela imaginou, quando aquele momento chegasse, como seria.

Porem, em todas essas imaginações, era de uma forma carinhosa e confiante. E, a julgar pelo seu marido e o belo relacionamento que tinham, nada aconteceria daquela forma.

Alice não queria realmente ter que olhar para ele, mas chegou uma hora em que seu olhar encontrou com o dele, enquanto ambos esperavam que o outro dissesse algo.

_ O que foi? – ela indagou nervosamente quando ele não parou de olhá-la. Estava completamente na defensiva, pronta para retrucar qualquer coisa que ele falasse; pronta para negar qualquer condição que impusesse.

Pronta para pegar um travesseiro e ir dormir no corredor aconchegante.

Jasper arqueou uma sobrancelha, certamente confuso pelo tom dela. Estava começando a parecer implicância demais.

_ Estou aguardando você escolher qual dos lados vai querer. E, por favor, não reclame, pois estou sendo um cavalheiro, aqui.

Aquilo a desarmou por um ligeiro segundo. Mas, fora realmente um ligeiro segundo, pois logo ela voltou para seu estado defensivo.

Definitivamente, não dormiria com aquele homem.

_ N-não dormiremos jun-ntos. Esqueça, Sr., não me deitarei com você – sua voz falhou, mas ela ignorou esse detalhe e decidiu fingir que havia sido autoritária o bastante.

Jasper a olhou duramente. Alice não tinha certeza, mas pensou que talvez o houvesse irritado um pouco.

_ Eu nem mesmo pretendia isso – disse secamente.

O desconcerto de Alice fora visível. Ele parecia que havia desejado aquele casamento da mesma forma que ela.

_ Ótimo, então – ela retrucou, indo em direção à cama, esquecendo até mesmo de trocar suas vestes.

Ele permaneceu parado, observando ela de seu lugar.

_ Vai armar uma “tendinha”? – a bipolaridade de Jasper, de ser seco e debochado meio segundo depois, a confundia. Quando ela cruzou os braços sobre o peito, o sorriso dele sumira – Oh céus, irá mesmo armar uma “tendinha”?

Ela encostou-se na cabeceira da cama, cobrindo suas pernas com a colcha.

_ Será preciso? – perguntou, achando que ele não estava em seu perfeito estado mental, pois sua pergunta não fizera muito sentido para ela.

_Diga-me você.

_ Não, não será preciso, por que o senhor dormirá no sofá.

Jasper abriu a boca, chocado. Era incrível, mas aquela moça conseguia o surpreender.

Por conta de seus absurdos.

_ Mas essa cama é suficientemente grande! – ele apontou incrédulo para a cama na qual ela já se acomodara.

_ Para mim – ela respondeu apenas e, antes que Jasper percebesse, ela tacara uma almofada em sua direção – Tenha uma boa noite, Sr.

Ele balançou a cabeça vagarosamente, preferindo não discutir, pois estava cansado demais para tal fato. E, além do mais, ele nunca contrariava uma dama.

Mesma que as palavras dama e Alice não combinassem na mesma frase.

_ Boa noite, querida – ele murmurou amargamente, apalpando o travesseiro e tentando deitar-se no sofá, um pouco afastado.

De um modo que coubesse suas pernas.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

Manhã seguinte.

Alice despertou com um pouco de dificuldade. A noite toda ela não conseguira dormir decentemente, pois tudo ainda lhe era muito estranho. Sob um bocejo automático, seguindo de uma tentativa estúpida de enxergar com os olhos embaçados, ela sentou-se na cama.

Jasper estava frente à um espelho, arrumando suas vestes, parecendo distante. Alice quase sugeriu que ele parasse de ajeitar suas roupas e dedicasse esse tempo aos seus cabelos.

Mas quando ia dizer isso, ele disse algo primeiro.

_ Estou indo para Florence comprar um cavalo novo para a minha tropa – ele não a olhou realmente, mas Alice pôde notar sua satisfação em alimentar sua coleção de eqüídeos – Talvez eu volte para o almoço, não sei.

Ela ajeitou os cabelos, sentindo falta de um mero Bom Dia.

_ Faça o que quiser – respondeu apenas, incomodada ao se dar conta de que ainda trazia seu vestido-rosa-perfeito no corpo.

_ Você está bem? – ele perguntou diante da careta dela.

_ Sim, apenas preciso de algo mais confortável.

Jasper assentiu, pegando seu chapéu preto sobre uma cômoda.

Pronto para sair.

Alice ficou até com certa inveja. Queria poder sair, também. Quer dizer, sair de Biloxi, pois nunca tivera oportunidade.

_ Tenha um bom dia – ele disse antes que ela formulasse um jeito de pedir a ele que a levasse. E, quando ela menos vira, ele já fechava a porta.

Alice suspirou, saindo de dentro dos lençóis, um pouco desanimada.

_ Pois não desejarei o mesmo para o Sr. e sua viajem estúpida – resmungou.

~•~•#•~•~

Alice teve a companhia das serviçais, que não falavam muito, mas eram sorridentes e receptivas, durante algumas horas da manhã. Queria ir até a casa de sua mãe, ou a de alguma de suas irmãs, mas seria estranho sair para ir visitar alguém um dia depois de se casar.

Quer dizer, as pessoas esperavam passeios públicos como demonstração de felicidade e amor e não visitas à outras pessoas.

Sozinha, ainda por cima.

Mas naquele casamento não havia aqueles sentimentos e, então, as pessoas teriam que se contentar em nunca ver isso por parte do Sr. e Sra. Witlock.

Então, ela decidiu arrumar seu armário, enfileirando seus vestidos de acordo com o tecido, a cor e a importância sentimental. Depois disso, jogou água nos canteiros de plantas, no fundo do jardim. Também foi para a cozinha, onde preparou um bolo de milho, fez três jarras de sucos de uvas e também preparou um frango, recheado até com pedaços de frutas.

Com isso, manteve-se ocupada durante toda a manhã, certamente causando uma cerca irritação nas criadas, por insistir em ajudar a limpar a casa.

_ Sra. Witlock – uma das criadas foi chamá-la no quarto, enquanto ela dobrava fronhas de travesseiros – O almoço já será servido.

Alice assentiu feliz por estar morrendo de fome.

E por já ser tarde o suficiente para ser almoço.

_ Obrigada – disse ajeitando seu vestido – Oh, espere! – ela chamou a Sra. quando ela já estava no corredor – Meu marido já chegou? – ela perguntou com a testa franzida, uma sincera curiosidade.

_ Ah, Sra., o Sr. Witlock ainda não chegou – ela respondeu como se lamentasse – Creio que ele não virá para o almoço.

Novamente Alice assentiu muda. Um pouco mais desanimada, dessa vez.

Teria que almoçar sozinha.

_ Obrigada – ela tentou esboçar um sorriso para a Sra., porem não dera muito certo – Já descerei, sim?

Ela voltou para dentro de seu quarto, sentando-se em sua enorme cama, observando todas as coisas que ali repousavam.

Acostumar-se-ia com o usual silencio?

Algo nela murmurava que não.

_

Alice se sentou à mesa. Tinha comidas sobre ela que alimentariam toda a cidade de Biloxi! As mulheres que lhe haviam cozinhado, rechearam seu prato com um pouco de cada coisa, preocupando-se em serem eficientes. Alice não reclamou por que seria de pouca educação, mas sabia que não comeria nem metade de tudo aquilo.

Quando iria pedir para que elas lhe fizessem companhia, era tarde demais. Elas entraram tão de repente quanto saíram.

E, novamente, Alice ficara sozinha.

Com uma lentidão exagerada, ela terminou seu almoço e logo se viu ociosa novamente. Decidiu que, talvez, sentar-se no banco de seu jardim da frente, acompanhar a calmaria da tarde na cidade e entupir-se de brisas fosse uma boa idéia.

E assim o fez. Pegou um livro e uma maça e foi sentar-se em um pequeno banco, bem no meio da grama incrivelmente verde de seu quintal.

Aquele era um de seus livros preferidos.

Assim como todos os outros.

Achava linda a historia de Elizabeth e Sr. Darcy, no clássico Orgulho e Preconceito, que fazia parte de sua coleção pessoal e secreta. Quer dizer, sua personalidade e sua mania de ser geniosa iam de encontro com seu gosto por livros românticos.

Estava tão concentrada na historia, a qual já relia pela 38º vez, que apenas notou uma repentina chegada quando o portão abria-se.

Alice levantou-se abruptamente, fazendo questão de deixar seu livro atrás, em suas mãos. Jasper estava sujo e parecia mancar um pouco, porem seu sorriso abobado estava esculpido no rosto. Alice mal percebera que Jasper chegara junto com a despedida da tarde, já.

_ Olá – ela cumprimentou, feliz por poder dizer aquilo pela primeira vez ao dia. Deus, estava sufocando com todo o silencio daquela casa.

Só então Jasper pareceu perceber sua presença. De imediato, pareceu estranhar a estadia dela no meio do gramado. Mas deu de ombros, parecendo não se importar muito.

_ Olá – ele respondeu.

Alice sentiu seu sorriso perder força em seu rosto. Acompanhou com os olhos Jasper ir em direção à porta, pronto para entrar em casa.

_ Vai dormir no gramado, hoje? – ele perguntou alto, já que não estava tão mais perto dela.

Alice suspirou, pegando sua maçã, comida pela metade e escondendo seu livro no xale, e o seguiu.

_ Estou faminto – ele comentou, enquanto subiam a escada – Teria voltado na hora do almoço, não fosse a selvageria daquele cavalo. Passei a tarde inteira a tentar montá-lo!

Alice fechou a porta do quarto, mais por costume do que por privacidade.

_ È por isso que está a mancar? – ela indagou, feliz por parecer que se seguiria uma conversa.

_ Certamente – ele respondeu indiferentemente. Parecia que pensava em muitas outras coisas, e essas coisas não incluíam perguntar como havia sido o dia dela.

Ficaram em silencio, com tipos de pensamentos e emoções diferentes em seus corpos.

Com talento, Alice conseguiu esconder seu livro novamente debaixo do travesseiro, tentando ficar ciente em guardá-lo junto com os outros, mais tarde.

Jasper pegara uma roupa dentro do armário e foi tomar um banho, a fim de tirar a poeira e o cheiro de cavalo e capim que trazia impregnado no corpo. Ele ficara lá por um bocado de tempo.

Pelo menos para Alice.

Quando saiu, Alice viu seus cabelos, tão usualmente rebeldes, caídos sobre seus olhos; seus cachos dourados desmanchados por conta da água.

_ Você descerá? – ela virou-se para ele, surpresa por ele ainda estar no quarto.

E estar falando com ela – Para jantar.

_ Hãn... – ela balbuciou, não entendendo por que aquela pergunta a havia afetado – Claro – empurrou as palavras boca à fora, indo em direção à porta que ele mantinha aberta.

Desceram as escadas sem muito o que falar. Alice já não sabia mais se esse jantar seria muito diferente do almoço que tivera.

_ Sinto muito que tenha tido que almoçar sozinha, hoje – ele disse uma hora, quando os dois já começavam a comer.

Aquilo a surpreendeu. Estava começando a se acomodar com a irritante falta de interesse em conversas, dele.

_ Está tudo bem – ela respondeu, imitando sua indiferença – E como fora em Florence?

Jasper deu de ombros, tomando um pouco de sua bebida.

_ Foi um árdua luta contra aquele cavalo selvagem – ele sorriu um pouco. Apenas diante daquele fato. Jasper adorava cavalos mais que tudo na vida – Mas o peguei. Ele me parece muito com Ramos – refletiu – Embora seja marrom.

Ela deu um sorriso fraco para ele, procurando em seu prato algo pequeno o bastante para ela comer. Não estava com muita fome. Parecia que o tanto de comida de a fizeram comer no almoço, ainda repousava intacta em seu estômago.

Durante todo o tempo do jantar, eles não trocaram muitos diálogos e, os poucos, pareciam que sempre tinham que vir acompanhados de alguma indireta zombeteira.

_ Você parece estranha – ele disse quando estavam subindo as escadas, prontos para dormir.

Cedo demais para um domingo.

_ Estou perfeitamente bem – ela respondeu meio rudemente. Ela não entendeu muito sua súbita irritação, mas pensou que tivesse muito a ver com a indiferença de Jasper desde que acordara.

_ Ótimo – ele resmungou atrás dela – Agora eu tenho que adivinhar o que lhe chateia.

Ela virou-se para ele bruscamente, trombando em seu peito.

E não fora uma boa idéia

. Ele tinha um cheiro bom de suor limpo misturado com uma colônia fraca. Porem ela não quis se deixar distrair com aquele fato.

E, também, com o fato de ele ter um peitoral muito tocável.

_ Não precisa adivinhar coisa alguma, Sr. – ela lhe apontou o dedo, como uma desculpa para impor uma distancia entre seus corpos outra vez – Seria bom que nem me dirija mais a palavra, pois não estou interessada em sua vida assim como o Sr. não está interessado na minha!

Ela virou-se novamente para frente, a fim de terminar de subir a escada, entrar em seu quarto, se deitar e fingir estar dormindo para não ter que escutar a voz dele.

E Jasper ficara lá, parado e confuso, repassando as mínimas horas que tivera com ela e as ainda mais mínimas palavras que trocara para que ela já estivesse irritada com ele.

Entrou no quarto à passos largos, abrindo com rispidez os fechos de seu cinto.

_ Por algum acaso eu pisei em seu pé? – ele perguntou grosseiramente — Ou estraguei outro de seus 80 vestidos de renda prediletos?

Alice semicerrou os olhos para ele, inflando as narinas, fechando as mãos em punhos.

_ O Sr. deveria começar à dormir no estábulo, pois assim poderia ficar mais tempo com seus preciosos cavalos! – ela quase gritou em resposta para ele – Quem sabe conversar com eles sobre a Srta. Volture!

Jasper rosnou baixo, se segurando para não elevar demais sua voz. A vizinhança não precisava de um escândalo.

_ Como foi que meus cavalos chegaram nesta conversa? E a Srta. Volture, então?

Alice não gostou do desgosto que sentiu ao vê-lo defendendo aquela moça outra vez. Se ele a conhecesse, saberia o quanto a maldade a rodeava!

_ Por que você não pega a Srta. Volture e faz uma boneca de cera de velas? – Alice o furou com os olhos, não se importando com os vizinhos como Jasper

_ Deus, por que você está mais hostil do que nos últimos dias? – Jasper parecera ter controlado a voz, terminando de tirar seu cinto.

Alice abriu a boca para responder, porem nada saira dali. Como poderia estar zangada com ele sendo que ele nem ficara na propriedade aquele dia todo?

Bom, talvez aquele fosse mesmo o fato. Ela passara o dia inteiro olhando para vespas rodeando as flores do canteiro, querendo ter alguma companhia, enquanto a única companhia que poderia ter, seu marido, não estava ali.

Mesmo que não fosse realmente culpa dele, sua chateação.

_ Esqueça – ela murmurou, cobrindo-se com o lençol, fechando os olhos para a luz do quarto – Boa noite, Jasper.

Jasper piscou, meio desnorteado. A pergunta que pairava em sua cabeça era única: Que casamento era aquele?

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Biloxi, Mississipi

Manhã seguinte

Alice não dormiu realmente, naquela noite. Ficou pensando em sua casa.

Em sua antiga casa.

Sentiu a falta dos jantares com suas duas irmãs faladeiras, sua mãe repreensora e seu pai muito amigo das taças de vinho. Sorriu fracamente para o travesseiro que lhe encarava, imaginando que Rose e Bella deveriam sentir a mesma falta que ela.

Entretanto, Rose e Sr. Emmett McCarty sempre sorriam um para o outro, além de sempre andarem de braços dados. Bella e seu marido, o Sr. Edward Masen, viviam trocando conversas baixas entre si, parecendo que sempre se divertiam juntos.

E quanto à ela e ao Sr. Witlock?

Um não conseguia ficar no mesmo ambiente que o outro por um sempre acabar ofendendo algum parente.

Foi só pensar em seu nome, que percebera que ele andava em silencio pelo quarto. Sem mover-se muito, ela o espiou por entre os cílios semi-abertos, achando-se uma perfeita idiota por aquela atitude.

Ele calçava suas botas, parecendo distraído. Certamente, estava aprontando-se para ir trabalhar. Ele era um dos negociantes de café na fazenda de seu pai.

Incapaz de continuar fingindo que estava dormindo, ela sentou-se na cama, arrumando do jeito que pôde os cabelos em sua trança desfeita.

_ Bom dia – ela disse baixo, quando vira que ele não diria antes dela. Soltou um bocejo involuntário, sentindo o verdadeiro sono querer ganhar espaço.

Jasper finalmente a olhou, parecendo surpreso em ouvi-la, antes de voltar-se para sua bota.

_ Bom dia – ele respondeu baixo.

_ Já está indo trabalhar? – ela perguntou para ele, olhando de relance para o relógio do alto da parede – È cedo, não?

Jasper levantou-se, buscando seu casaco sobre uma cadeira.

_ Sim, é – ele respondeu – Apenas fiquei sem sono – deu de ombros, olhando para ela, de verdade – Mas quanto a você, ainda me parece com ele – ele comentou com um tom de indiferença na voz, analisando as inéditas olheiras dela – Volte a dormir –sugeriu, achando que aquelas olheiras pareciam intrusas demais no rosto sempre intacto e liso de Alice .

Alice alisou os cabelos notando o pouco causo com que ele sugeria aquilo. Ela bem sabia que ele pouco se importava.

_ Não me diga o que fazer – ela resmungou, sua chateação querendo aparecer. Parecia que a luz clara da manhã limpara seus pensamentos, pois ela soube, no exato momento em que o vira se aprontando para ir trabalhar, o motivo de estar tão zangada com ele.

Em seu íntimo, mesmo que fosse irreal demais admitir isso mesmo para si mesma, queria a sua companhia durante aquele longo dia.

Jasper suspirou afastando-se dela e indo em direção à porta.

_ Então vamos tomar café – disse austeramente. Mas aquele tom já era de seu natural, afinal lidava com homens o tempo todo desde os 15 anos de idade, conseqüentemente sua voz sempre tinha uma natural dureza. Mas, bastava um olhar cortante de Alice para lembrá-loque ela se impunha muito mais do que todos eles – Se assim desejar – ele emendou rapidamente.

_

Alice passou mel em uma torrada, talvez começando a se acostumar com as poucas palavras que trocavam. Jasper não parecia fazer muita questão de falar com ela.

Bom, era isso que Alice imaginava.

Ela o olhou enquanto ele remexia seu café. Jasper era belo.

Mais belo do que deveria ser, na verdade.

E, alem de incrivelmente bonito, era inteligente e culto. Olhando por esse lado, era fácil entender por que ele fazia pouco causo da companhia dela. Quer dizer, alguém que já conversara com Jane Volture, não encontraria atrativo nenhum em uma conversa com ela.

Aquela mesma que o impediu de se casar com sua escolhida.

Alice suspirou, detestando o modo como ficara sentida com aquilo.

_ Oh, estava esquecendo de dizer – Jasper falara de repente. Alice conseguiu se voltar para sua torrada encharcada de mel antes que ele percebesse sua expressão – Chegou uma encomenda para o Sr. Cullen, esta madrugada.

Alice franziu a testa.

_ Encomenda de madrugada? – indagou – Quem envia encomendas de madrugada?

Jasper deu de ombros e um sorriso torto brotou em seus lábios.

_ Seu pai tem negócios com muitas pessoas, não? Quer dizer, a carta veio de uma cidadezinha à milhas daqui!

Alice ficara incomodada com aquela informação. Quer dizer, seu pai nunca contava nada para a família. Seus negócios se resumiam à ele e seu chapéu.

_ E sabe quem lhe enviou?

Jasper maneou a cabeça.

_ Mas eu já mandei o cocheiro enviar para a casa de seus pais.

“Droga”, Alice pensou. Se a encomenda ainda estivesse ali, ela poderia dar uma espiadela.

Ela murmurou algo e ambos ficaram em silencio novamente. O barulho das torradas sendo mastigadas já começava a ficar irritante. O relógio batendo fracamente no alto da parede da sala de jantar, também.

_ Hãn... – Jasper começou a se preparar para sair, pondo fim ao café-da-manhã – Bom, eu já vou trabalhar – ela balançou a cabeça, deixando sua torrada pela metade em seu prato – Tenha um bom dia.

_ Tenha um bom dia, também – ela retribuiu seu desejo, porem com uma voz baixa, sem muita empolgação.

Ela não olhou para cima, onde ele estava em pé bem ao seu lado, mas de uma forma ela sabia que ele lhe encarava. Ficou em pé, parecendo hesitar em fazer algo, durante um tempo.

Depois, colocou seu chapéu e saiu silenciosamente da cozinha, do mesmo modo como entrara.

_

Biloxi, Mississipi

Ao cair da tarde.

Alice estava sentada na cadeira de balanço, na janela de seu quarto. Tinha passado todo o dia praticamente ali, mergulhada em pelo menos três de seus romances muito bem guardados.

Mas depois de cerca de 8 batidas de cuco ela se enervara de ler. Ela já puxara um fino casaco de linho para cobrir-lhe os braços, pois uma suave brisa que vinha do sul junto com o começo da noite lhe arrepiava, e ficou quieta por ali mesmo.

Mas três batidas na porta de seu quarto a fizeram suspirar.

Não, não queria mais comida.

Lilly, uma das Sra’s que cuidava da casa, vivia enchendo-lhe de tortas e torradas, sempre evidenciando sua preocupação por sua magreza.

Mas ela sempre fora magra e pequena.

E, certamente, meio pálida.

_ Entre.

Escutou os passos dela, sempre discretos e quase inaudíveis, chegar até as costas de sua cadeira.

_ Sra Witlock – disse – A Sra. Masen e a Sra. McCarty estão lá embaixo à sua espera.

Alice virara para a mulher tão rápido quanto uma piscada de olho. Parecia que havia acabado de receber uma chicoteada no coração, pois ele reascendera de repente.

Céus, parecia que não via suas irmãs à centenas de anos.

_ Minhas irmãs? – ela sorriu largamente, levantando-se de sua cadeira, nem se importando com seu casaco, que caira displicente no chão.

Alice desceu as escadas de dois em dois degraus. Bella e Rose estavam bem em seu sofá, tão belas quanto sempre foram.

_ Oh céus! – Alice abraçou Bella tão apertado que sua irma quase sentiu suas costelas estalarem – Que ótimo ver vocês!

Depois de fazer o mesmo com Rosalie, elas se sentaram no sofá, a fim de conversarem como se tivessem anos de conversas para colocar à limpo.

~•~•#•~•~

_ E Edward já começou a arrumar o berço do bebê – Bella tamborilou os dedos pela barriga ainda pequena – A parteira já está devidamente avisada.

_ Ah, Bella, pois não vejo a hora de ser a minha vez! – Rosalie sorriu com a voz engasgada. Desde que souberam que Bella esperava uma criança, ela estava mais sensível à essa idéia, que a perseguia por anos.

_ Pois é – Bella sorriu – E imagina só quando Alice tiver seu filho. Uma mistura encantadora dela e de Jasper, Rose!

As duas começam a rir, empolgadas com aquela idéia.

Alice pensou que fosse apenas para caçoar de sua cara.

_ Oras, vamos Alice – Bella lhe empurrou levemente pelos ombros – Desamarre essa cara!

_ Pois sabem quando vocês verão um filho meu e daquele.... daquele...

_ Grande grosseiro, estúpido e idiota – Rose e Bella murmuraram juntas.

_ Exatamente! — Alice cruzou os braços sobre o peito, bufando apenas em se lembrar do nome dele – Só verão quando houver uma chuva de grilos do céu! Pois caso o contrario, nunca!

_ Pare de ser tão radical, Alice – Rose repreendeu a irmã – Não quer que ele peça o desquite, não é? Quer dizer, seria vergonhoso...

O tom gradativamente mais baixo de Rosalie quase fez Alice sentir-se culpada e temerosa.

_ Pois eu terei sorte se assim o fizer! – ela retrucou. Mais por gênio do que por qualquer outra coisa – Pelo menos ele poderá casar-se com Jane, como era de seu intuito – suas palavras perderam um pouco a força, e Alice se viu murmurando.

_ Ele queria se casar com ela? – Bella parecia chocada.

_ Sim – Alice respondeu com certo tom de amargura – Ele deixou claro no dia do casamento. Estava pensando em se casar com ela. Mas então surgiu papai e as coisas tomaram outro caminho – ela apontou para si mesma, suspirando – Este caminho.

As três fizeram silencio por um tempo; cada uma analisando particularmente aquele fato.

_ Mas agora é com você que ele está casado – Rose recomeçou a conversa casualmente.

_ Bom, acho que ele pedirá desquite logo logo – Alice forçou um sorriso de escárnio – Quer dizer, se levar em conta sua zanga desde que o coloquei para dormir no sofá...

Fora automático o choque chegar às expressão de Bella e Rose.

_ Oh, Deus! Você o colocou para dormir no sofá?!

Alice assentiu inocentemente, não entendendo o motivo de tamanho espanto.

_ Então.... então não dormem juntos? – Rose abaixou a voz para que a conversa se resumisse apenas á elas – Quer dizer, vocês nunca....?

Fora a vez de Alice ficar espantada.

_ Mas de forma alguma! – ela levou a mão ao peito, com um exagerado ultraje – Não quererei à Jasper nunca em minha vida! Não deixarei ele me tocar jamais!

Suas palavras traíram seus pensamentos que, como se tivessem vida própria, pararam na lembrança do peito dele e de seus braços fortes, quando ela trombou contra si certa vez.

Ela pensou como eles seriam sem a camisa que os cobriam.

Bella e Rose se entreolharam fugazmente, enquanto Alice desviou o olhar. Elas pararam sua conversa por algum tempo. O tempo de Lilly entrar na sala com garrafas de chás e biscoitos.

E logo recomeçavam animadamente.

_ Estávamos quase esquecendo, Alice – Rose interrompeu as duas à meio caminho de levar um biscoito à boca – Temos algo para lhe contar!

_ À mim?

_ Sim! – Bella sorriu largamente, empolgada com a lembrança do acontecimento estranho que as duas tinham visto — E é sobre o Sr. Black.

Alice franziu a testa, sentindo a curiosidade encher-lhe as veias.

_ O que o dono do banco teria a ver comigo? – indagou confusa. Nunca trocara mais do que acenos educados e palavras cordiais com aquele homem.

_ Não o Sr. Black – Bella revirara os olhos, enquanto continuava, impaciente – O Sr. Black. O filho dele, lembra-se?

“Alec Black”, Alice pensou, segurando as mãos para não esbofetear as irmãs. Quer dizer, teria sido mais fácil lhe dizer o nome.

_ Alec Black – Alice disse, não contendo em segurar seu sorriso sereno ao lembrar-se de seu amigo – O charmoso, educado e meu grande amigo Alec Black.

Quando terminou de dizer isso, ouviu a porta da frente ser fechada atrás de si. Em sua soleira, Edward, Emmett... e Jasper estavam parados, como se estivessem ali a todo tempo.

Alice não entendeu o frio que lhe percorreu o corpo quando viu Jasper lhe olhando. Ele havia acabado de escutá-la rasgando-se de elogios a Alec.

E seu olhar estava novamente indecifrável.

Notas finais
E entãoooo, o que acharam????Espero que tenham gostado!BJssss :*Ahhh, eu vou responder TODAS as reviews entre hoje e amanhã, viu?Não, eu não me esqueço de vocês.:*