Os Segredos dos Seus Braços
38 Ao amanhecer do dia
Notas iniciais
Cap. 38
Biloxi, Mississippi
1902
Alice sentiu os pulmões arderem conforme buscava por ar enquanto se encaminhava ao centro do salão. Se não estivesse tão desnorteada talvez houvesse sentido o quanto soluçava. Soluços que acompanhavam um choro que estava perto de emergir.
Atrás de si, Dr. Swan lhe chamava incessantemente, atraindo alguns olhares curiosos. Mas ela não estava se importando com absolutamente nada disso. Se importava apenas em encontrar seu marido e saber, de uma vez por todas, o que estava acontecendo.
_ Jasper... – ela chamou por cima das conversas altas e da música irritante que ecoava por todos os lados. Colocou um pouco mais de força na voz, elevando-a muitas oitavas – Jasper!
Mais algumas pessoas passaram a encará-la, enquanto ela empurrava outras de seu caminho, desnorteada demais para pedir por qualquer coisa.
Foi então que o avistou um pouco mais à frente, exatamente sob o luxuoso lustre que jazia no centro do teto. A luz o iluminava, deixava seus detalhes mais belos, como se fosse possível. Seus olhos brilhavam mais verdes, seus cachos loiros reluziam e seus lábios sorriam para alguém. Era quase um anjo.
Porém, Alice via além disso.
Como um anjo poderia causar uma agonia tão grande quanto a que ela sentia no peito, naquele momento?
_ Jasper! – ela o chamou quando chegou até ele. Ele conversava com Sr. McCarty e sua irma Rosalie, e ambos pararam para olhá-la quando ela parou frente à ele. Trazia os olhos rasos d’água.
_ Alice? – ele franziu o cenho ao ver sua expressão arrasada. Seu instinto de proteção aguçou-se de imediato, e ele estendeu a mão para tocá-la. Porém, Alice se retesou, negando seu toque – Alice, o que houve? – indagou ele.
_ Como pôde, Jasper!? – ela guinchou, sentindo uma fina lágrima escorrer por sua bochecha, provavelmente retirando dali sua maquiagem rosada. Podia entender agora o que significava tudo aquilo que ela vinha sentindo em seu corpo. Estava morrendo, e Jasper havia sabido disso há tempos.
_ Mas do que... – ele começou a indagar, confuso como o inferno. Porém, parou sua frase pela metade quando viu Dr. Swan chegando logo atrás de Alice, olhando-o de certa forma, assustado. E ele soube exatamente que Alice sabia de tudo — ...Alice, eu...
_ Como pôde ter escondido isso de mim!? – ela elevou a voz, chorando mais, agora. A dor de seu peito era evidente, embora não fosse apenas pelos efeitos de sua doença.
Seu coração sangrava pela traição.
_ Alice, eu sinto muito, eu pensei em contar para você, mas...
_ Cale-se! – ela grasnou tão alto que algumas pessoas pararam sua dança para olhar a cena, absortas – Não há desculpas para o que fez, Jasper!
_ Alice, não se ressinta com ele – Rosalie interveio, as mãos juntas sobre o peito. Parecia tão aterrorizada quanto ela – Estávamos pensando em sua saúde, apenas isso, nós...
_ Você também sabia que eu estava doente? – ela voltou-se, então, para Rosalie, olhando-a acusadoramente.
Rosalie engoliu em seco, olhando rapidamente à Jasper. Seus olhos ficaram vermelhos, e ela esteve a ponto de chorar.
_Sim, nós sabíamos, mas não...
_ Então sabiam todos! – ela gritou, engasgando com o choro na garganta – Sabiam todos que eu convalescia e não tiveram a decência e me contar! São todos uns traidores, é isso que são todos vocês!
Jasper deu dois passos em sua direção, pegando suas mãos entre as suas.
_ Não toque em mim! – ela o empurrou, soluçando. Sua maquiagem se fez aos regaços, enquanto mais e mais lágrimas se sucediam.
_ Alice, eu que pedi à todos eles que não dissessem nada à você – disse ele, a fim de tomar toda a culpa para si. Mas Alice precisava se acalmar para entender sua versão – Alice, vamos sair daqui, precisamos conversar com calma!
_ Não vou a lugar algum com você! – gritou ela. A música, de repente, parou, e todas as pessoas já paravam para tentar entender o que acontecia – Como tivera coragem de esconder uma coisa dessas de mim, Jasper? – indagou ela, e o sentimento de desamparo esmagou mais seu peito. Não podia contar com mais ninguém, nem mesmo com aquele em quem mais confiava – Como pôde esconder uma doença dessa de mim? Queria que eu morresse enganada?
A palavra morrer teve um impacto forte demais ao peito do rapaz, que endureceu sua face automaticamente.
_ Você não iria morrer, tampouco irá! – disse ele com tanta veemência que Alice quase vacilou. Sua voz, embora dura, transbordava cólera – Está tudo resolvido. Eu cuidei de tudo. Foi o que fiz com o dinheiro do banco – garantiu ele, trincando a mandíbula em sinal de raiva contida. Aquilo não deveria ter acontecido daquela maneira – Eu apenas não te contei para não...
_ Não me importa por que não quis me contar! – ela o cortou com a voz menos dura, agora, pois estava tão embargada que ela não podia mais tentar gritar sua raiva e sua decepção – Você era o único que não deveria mentir para mim! – ela apontou o dedo à ele acusadoramente, sentindo tanta dor em pronunciar aquilo que ela nem sentiu mais o peso da Tuberculose nos pulmões.
_ Alice, eu...
_ Não depois de tudo o que passamos juntos! – ela o ignorou, voltando a elevar a voz, enquanto todos os acontecimentos entre eles passavam por seus olhos como um slide de sua curta vida com Jasper – Eu lhe contei meus segredos! Fui sincera com você o tempo todo e lhe contei meus pensamentos mais íntimos! Você me traiu! É um traidor maldito e mentiroso! Eu o odeio, Jasper, mais do que a qualquer um! Mais do que a todos!
O homem não suportou escutar aquelas palavras tão duras sem vacilar em sua expressão. O coração deu um solavanco tão forte do peito que ele temeu que parasse. A boca do estomago se revirou.
_ Meu amor, não diga isso, eu não contei porque não queria que sofresse, que se magoasse! – disse ele, apertando os lábios em uma linha dura. Ao redor deles, uma imensa roda de pessoas chocadas com a acalorada discussão, enquanto brilhavam com suas joias caras e seus ternos de linho.
_ E como acha que estou agora!? – ela elevou ainda mais a voz, embora ela quase não saísse mais. Sentiu mais uma enxurrada de grossas lágrimas caírem mais displicentemente por seu rosto, revelando a palidez de sua pele – Como acha que estou me sentindo quando descubro que estou morrendo com Tuberculose e que você sabia de tudo!? — a dor parecia que apenas piorava enquanto ela continuava ali.
Após suas palavras disparadas ao vento, todas as pessoas de dentro daquele salão, senão os que já sabiam do que se tratava tudo aquilo, dera um passo para trás, horrorizadas.
_ Oh Deus meu! – algumas exclamaram, tapando a boca, arregalando os olhos.
O choque fora tanto que começara a se agitar como baratas em meio ao veneno.
_ Saia daqui! – algumas começaram a exclamar, apavoradas em infectar-se. As vozes começaram a ficar tao altas que ninguém mais conseguia se entender – Tirem essa doente daqui! Vai matar a todos nós!
Alice parou de encarar Jasper e rolou os olhos por todos ali de dentro, se sentindo tão humilhada que tivera capacidade apenas de voltar a chorar furiosamente. Todos a olhavam com aspereza, rejeição. Queriam-na fora dali.
_ Calem a boca! – Jasper grunhiu para todos que falavam em burburinhos, conseguindo alguns minutos de silêncios, enquanto os cochichos mantiveram-se, certamente planejavam tomar alguma atitude diante do caos que havia se estabelecido — Alice, você precisa me escutar, nós....
_ Não vou escutar mais nada que você diga à mim, seu mentiroso traidor! – ela cuspiu suas palavras maldosas, quase não conseguindo mais enxerga-lo com clareza por conta das lagrimas. Mas a fraqueza pela acalorada discussão também estivesse lhe roubando as forças – Eu quero o desquite! – gritou em um momento de total desespero. Queria sumir dali. Não queria mais encarar aqueles rostos que se enojavam dela, como se ela fosse leprosa.
Após isso, um coro de ohs se seguiu pelo salão, e logo segundos de silencio. Jasper vacilou outra vez, engolindo em seco. Temeu que Alice falasse aquilo de concretos sentimentos, e não apenas pelo calor da raiva.
Mas era uma das qualidades de Alice. Ela era demasiadamente decidida.
_ Alice, minha irmã, não... – Rosalie balbuciou, tapando a boca logo em seguida, chocada com o que havia acontecido.
Então, antes que desmaiasse frente à todas as pessoas que mais odiava naquele momento, Alice virou-se e saíra correndo em direção à saída lateral mais próxima.
_ ALICE! – ele gritou por ela, enquanto começou a correr atrás de si. Porem, o burburinhos de pessoas aumentou enquanto Alice passava por eles. Estavam todos apavorados com a possibilidade de ficarem doentes também.
_ Temos que tirar essa infectada da cidade! – as pessoas gritavam, desordenadas — Alguém vá atrás dela e mandem pro Asilo do governo!
Jasper parou instantaneamente de ir atrás de Alice e virou-se para as pessoas que já se encaminhavam atrás dela, também. Seu olhar era furioso, ameaçador e parou instantaneamente as pessoas que corriam obcecadas e obstinadas.
_ Ninguém aqui tocará nela! – ele rosnou, trincando os dentes – Eu acabo com quem fizer qualquer coisa à ela! — continuou, apontando o dedos para todos e cada um. A agonia e o desesperado de pensar em qualquer uma daquelas pessoas fazendo mal à Alice lhe fizera fervilhar de raiva – Estão me entendendo?
_ Mas ela espalhará essa doença maldita para todos nós! – alguém gritou, reacendendo a calorosa discussão.
_ Eu não vou repetir! – ele rosnou outra vez, agora mais ameaçadoramente do que podia.
Enquanto a discussão persistia do lado de dentro do salão, Alice chegou ao lado de fora e deparou-se com a chuva torrencial que caía sobre a pequena cidade. Mas naquele momento ela não se importou com mais nada. Nem com a chuva, nem com a roupa. Apenas em quanto doía seu coração.
Saiu pelas ruas, encharcando-se instantaneamente. Seu penteado se desfez, sua maquiagem terminou por desaparecer de vez. Ela conseguia apenas chorar, tanto que parou por alguns momento no meio da rua, penando que poderia cair ali e morrer naquele momento instante.
Estava tao absorta em seus pensamentos e sentimentos tumultuosos que não notou a carruagem que havia parada no meio fio. De lá de dentro, alguém saiu ao notar a presença dela, prostrada no meio da rua, no meio da tempestade.
Alec se aproximou dela, segurando um pequeno guarda chuva preto, franzindo o cenho e perguntando-se o que diabos ela faria ali.
_ Alice? – indagou ele quando chegou mais perto. Conseguiu reconhecer a amiga de infância. Chorava tanto que era possível perceber, mesmo com a chuva que caía sem piedade – Alice, o que faz ai, no meio dessa chuva!?
_ Alec... – ela sussurrou, soluçando. Deduziu que ele havia se retirado da festa antes de tudo acontecer. Não sabia o que havia acontecido – Eu....
_ Alguém fez alguma coisa à você? – perguntou ele – Jasper?
Quando escutou seu nome, ela sentiu o peito apertar mais uma vez, e uma nova onda de choro se instalou. Alec soubera que estava certo, então.
_ Pedi o desquite de Jasper – murmurou ela, chorosa – Ele me arrasou... – parou, incapaz de continuar.
Os olhos de Alec brilharam automaticamente.
_ Vamos embora daqui, Alice! – disse ele, aproximando-se dela – Estou de partida para a capital – ao escuta-lo dizer aquilo, ela percebeu uma maleta em uma de suas mãos – Venha embora comigo e deixe pra trás tudo o que te faz sofrer, meu amor! Vou cuidar de você, vou fazê-la feliz! Deixe esse miserável que apenas a faz sofrer! Desquite-se dele e venha embora comigo para longe daqui.
Alice escutou aquilo e se permitiu imaginar aquilo. Não se importava com Alec em nenhum aspecto, mas não podia permanecer ali, não podia e não queria mais encarar à Jasper, muito menos à todas as outras pessoas daquela cidade, que a queimariam viva se tivessem a oportunidade.
Afinal, não demoraria muito para que ela partisse. Era o final da linha, para ela.
Porem, quando dera um passo na direção da carruagem do homem, escutou a voz que tanto conhecia lhe gritar o nome outra vez.
_ Alice! – disse Jasper, correndo em sua direção. A chuva também o encharcara, fazendo com que sua roupa grudasse em seu corpo como se fosse outra pele. Ela olhou para o rosto perfeito de anjo que ele tinha, enquanto seus cachos desfaziam-se e caíam sobre seu rosto.
E ela soluçou outra vez, destroçada por dentro por ter perdido tudo aquilo. A decepção era maior do que o encanto.
_ Como ousa falar comigo? – gritou ela para que ele pudesse lhe escutar. Estava do outro lado da carruagem, encarando com a mesma tristeza no olhar que ela, provavelmente.
_ O que você pensa em fazer, Alice? – indagou ele, olhando de Alec para a carruagem, e da carruagem para ela – Não pensar em ir embora, não é?
_ É exatamente o que vou fazer! – disse ela – Não quero mais permanecer aqui com ninguém dessa cidade, e muito menos com você!
Jasper endureceu o olhar, segurando com demasiada força na lateral da carruagem.
_ Alice, você precisa me escutar!
_ Você não podia, Jasper! – ela não soube da onde conseguiu tirar mais lágrimas para voltar a chorar – Não podia esconder de mim que eu estou morrendo!
Jasper pareceu enfurecer-se novamente diante daquelas palavras dela.
_ Não fale isso nunca mais! – gritou ele, a voz firme e grossa, encobrindo o trovão que reclamou ao fundo – Você não irá morrer, porque eu não irei deixar! Está me entendendo? Não irei deixar!
_ Você não pode deixar ou não, você não é Deus, Jasper! – ela gritou em resposta, engolindo em seco, enquanto via ele se calar.
_ Você não pode ir embora, Alice – ele voltou a falar, mais controladamente, dessa vez – Não enquanto eu não cuidar de você – ele a encarou nos olhos – Não pode ir embora, não pode me punir dessa forma – ele apertou um pouco mais a pressão de suas mãos na madeira – Não pode me odiar tanto assim.
_ Pois eu o odeio – disse ela, seca – Você não pode me prender aqui, muito menos me obrigar à nada. Não quero que cuide de mim, e não quero ficar perto de você – ela sentia uma fisgada no peito a cada palavra daquela que pronunciava – Eu vou embora daqui, e não há nada que diga que me fará mudar de ideia.
Jasper calou-se, engolindo o que diria a seguir. Pensou em dizer que a amava, para ver se faria algum efeito nela. Se ela amoleceria a dor ao menos ao ponto de deixar a loucura de ir embora de lado e deixar que ele cuidasse de si.
Porém, as palavras dela lhe afetaram tanto que ele se calou. Ela abominava sua presença, abominava sua ajuda e abominada à ele.
O odiava mais do que a qualquer um, fora o que dissera.
E ela tinha razão. Ele não podia obriga-la a fazer nada. Se ela preferia ir embora com Alec, era de seu direito. No final das contas, ele se perguntou se Alec faria melhor à ela do que ele.
E o jovem rapaz não vira mais sentido em tudo aquilo. Havia tentado se explicar, se desculpar e faze-la mudar de ideia. Mas nada havia adiantado.
Era uma escolha de Alice, no final das contas.
_ Bem, então – ele murmurou, tentando manter o auto-controle. Porem, sua voz era fria e dura. Em certos momentos, dolorosa – Você não quis me escutar e você tem razão – continuou ele, soltando as mãos da lateral da carruagem – Não posso obriga-la nada – ele não deixou de fita-la no olhos, como se conversasse com sua alma, e não apenas com ela – Pois se você quiser, Alice, você é livre para ir. Você pode fazer tudo aquilo que você quiser fazer – ele deu uma pausa, elevando o indicador na direção de Alec, sua expressão tornando-se tão dura quanto aço. Era feroz. E ela assustou-se, pois aquele olhar dele jamais havia sido para ela – Mas se você decidir ir embora com ele – ele vacilou por alguns segundos, antes de se recuperar – Por favor, Alice, não volte nunca mais – a mágoa no rouco de sua voz destruiu o restante do coração que a jovem possuía. E ela voltou a chorar com todas as poucas forças que tinham.
E então ele virou-se e começou a caminhar rumo sua casa, a chuva encobrindo sua figura robusta. Alice o encarou se afastar com os olhos pesados.
_ Hãm... Alice, minha cara, será que poderia entrar na carruagem? – disse Alec incerto, tentando proteger sua mala e sua cabeça ao mesmo tempo – Pois estou molhando todo meu chapéu novo, hm?
_
Jasper chegou em sua casa, olhando pelos ombros a cada segundo, esperando ve-la vindo logo atrás de si. Porem, nada havia acontecido até o momento em que ele abriu a porta principal de sua residência. Parecia tão mais fria, tão maior sem a perspectiva da presença dela ali.
O choro, o que ele quase não reconhecida, estava preso em sua garganta, ardendo de tanto que ele o reprimia. Jasper caminhou até a janela, olhando pelo vidro para fora. Ao longe, conseguiu vislumbrar as formas da carruagem de Alec distanciando-se pela rua.
_ Alice... –ele sussurrou para si mesmo, sentindo os pingos de seu cabelo escorrerem por seu rosto, imitando lágrimas. Sentiu como se não houvesse dito tudo, e naquele momento não tinha mais chances. Ela afastava-se cada vez mais de si, e ele tocou o vidro com os dedos gelados, como se pudesse tocá-la, também. Os pingos fustigavam o vidro, embaçando a imagem deles afastando-se.
Naquele momento, ele precisou reprimir a vontade incontrolável de ir atrás daquela carruagem e pedir para que ela o perdoasse e ficasse por ali, ao menos ate o momento em que estivesse bem outra vez.
Aceitaria de bom grado as brigas dela por não ter lhe dito nada.
Mas nada daquilo aconteceria, e ele se viu terminado por se escorar na janela ate que a carruagem sumiu das vistas. Naquela noite, ele chorou fracamente sozinha em sua sala de estar escura.
Aquela carruagem não voltou á Biloxi pelos próximos 10 anos.
~•#•~
Jasper escutou algumas batidas na porta. Fechou os olhos com força, encostando a cabeça na poltrona. Não queria receber ninguém.
Não podia receber ninguém.
Não no estado em que estava, com a cabeça querendo explodir. Estava com as mesmas roupas na noite anterior, que haviam secado em seu corpo mesmo. Estavam amassadas e um pouco sujas. Seu olhar estava cansado pela noite que mal havia dormido, ali na sala de estar. Estava abatido, estava cansado e estava de mal-humor.
Nada poderia dar conta daquilo.
Pior do que sua aparência naquela fria manhã, era seu estado de espírito. Jasper estava destroçado. Assim, ficou exatamente onde estava, emergindo em pensamentos, repassando os flashes desastrosos da última noite, as palavras que haviam trocado.
A carruagem se afastando até sumir no fim da rua.
Mas quando ele pensara que quem quer que fosse houvesse ido embora, as mesmas batidas se repetiram. Jasper suspirou pesadamente, esfregando os olhos com os dedos duros.
Se levantou com toda a pouca vontade e a disposição de que dispunha. Queria, de fato, ir para seu quarto, deitar-se em sua cama e absorver o que havia acontecido, o que faria de sua vida agora.
Não conseguia visualizar um futuro ao qual Alice não pertencesse mais.
A dor em sua boca de estomago que aquela realidade causou o fez fechar os olhos por alguns segundo, destroçado. Até quando duraria o seu cheiro em seu travesseiro e em seus lençóis? Ele pensou, angustiado. E naquele momento, ele imaginou que não suportaria esperar para ver, que provavelmente pegaria seu cavalo e iria atrás dela até no inferno, se possível.
As batidas se fizeram presentes outra vez, com um pouco mais de pressão. E assim que elas cessaram, Jasper abrira a enorme porta de carvalho negro. Fechou a cara, para demonstrar que não queria visita. Mas quando viu de quem se tratava, seu rosto se suavizou um pouco mais.
_ Sr. Masen – cumprimentou ele baixo. Mas sua expressão não esboçava nada significativo ou caloroso além da angustia que estava sentindo. E Edward pareceu reconhecer aquilo, pois certamente já estava ciente do que havia acontecido na noite passada .
_ Jasper, eu...
_ Edward – Jasper o cortou, não querendo ouvir nada naquele momento – Desculpe. Sabe que muito lhe estimo, caro irmão, mas não quero receber visita alguma neste momento – disse, apertando as lábios um contra o outro – Ontem a noite Alice foi...
_ Para a minha casa – Sr. Masen lhe cortou com certa ansiedade, embora fosse um homem deveras controlado em suas falas e em suas ações. Viu Jasper vacilar ante suas palavras rápidas.
_ Como é? – indagou o loiro soldado, dando um passo em direção ao jovem rapaz que estava à sua porta lhe dizendo que sua Alice estava mais perto do que ele supunha.
_ Alice apareceu em minha casa ontem a noite, no meio daquela tempestade – explicou-lhe ele calmamente, embora visse em Jasper a ansiedade tomar conta de suas feições.
_ E como ela está? – perguntou Jasper com rapidez, passando uma das mãos pelos cabelos embaraçados por ter secado de modo rebelde após aquela chuva – Ela está bem?
Edward vacilou um pouco, e isso pareceu ter tido um efeito perturbante para Jasper.
_Lamento dizer que não – disse ele, e seu tom de voz e sua expressão eram sinceros. Ele realmente sentia muito, gostava muito das irmãs de sua Bella, principalmente de Alice – Alice teve febre a noite e tossiu a todo momento.... – disse ele, pesaroso – Ela... ela chamou por você incontáveis vezes enquanto dormia – confidenciou ele, e viu Jasper fechar os olhos momentaneamente e dar uma longa tragada de ar – Então eu vim lhe avisar, pois acho que você deve saber. Você sabe do que ela precisa, sabe como cuidar dela – a cumplicidade e lealdade do Sr. Masen para com ele lhe acalentou o peito pesado. O jovem homem de cabelos cor e bronze ainda o olhou com certa expectativa.
_ Aguarde só um momento, Edward, vou apenas pegar meu casaco – disse Jasper rapidamente, dando as costas para o rapaz. Mas voltou tão rápido como um flash, e tao logo eles já caminhavam a passos ligeiros em direção à casa dos Masen, dois quarteirões para frente, apenas.
Jasper mal havia fechado a porta principal atrás de si.
E, enquanto eles andavam na rua quase deserta pela hora da manha, alguém também caminhava pelo assoalho de um quarto quente. Alice cruzou a habitação, passando frente à irmã e indo na direção oposta à cama que estava deitada até poucos minutos. Mas sentia uma ânsia por voltar para lá que era quase físico.
_ Não sei Bella– disse ela, respondendo à uma pergunta dela. Piscava lentamente, enquanto os lábios se confundiam com o restante da pele branca. Ela parecia desolada, mas os motivos iam muito além da doença, apenas – Estou muito magoada com ele. Não sei se posso perdoa-lo algum dia – murmurou ela, sentindo a garganta fechar. Pensar em Jasper lhe doía o peito. Embora a vontade de ve-lo naquele momento lhe doía mais ainda.
Do outro lado do quarto, a jovem de belos cabelos castanhos sorriu francamente para a irma, como se não acreditasse, ou acreditasse muito pouco em suas palavras.
_ Você o perdoará sim porque verá que ele não fez por maldade à você – disse ela, polida de sensatez. Fez uma pequena pausa antes de continuar – E... vai perdoá-lo também por que...
Ela se calou, como se não quisesse arranjar uma discussão com a irmã, tão fraca como estava. Mas Alice apenas a olhou intensamente, como se tentasse ler seus pensamentos.
_ Continue Bella – disse para a irmã.
_ Você sabe porque, Alice – foi o que Bella lhe respondera. Os olhares das duas se prenderam um no outro, como se falassem por ali também – Depois de ter chamado por ele a noite toda, não pode negar agora.
Alice ainda sustentou o olhar da irma por um tempo, antes de desviar o rosto para encarar o nada. E Bella se surpreendeu por Alice não haver começado uma tola discussão por aquilo.
Ela havia entendido, e não havia negado.
Alguns minutos de silencio se passaram, enquanto as duas estava absortas em seus próprios pensamentos. Mas, depois de um tempo, algo ocorreu à Alice.
_ Onde está o Sr. seu marido? – indagou ela, realmente curiosa. Ele havia desaparecido há um tempo.
Mas assim que fechara a boca, a porta do quarto se abriu e ela o viu, sua expressão consternada. Porém, havia alguém logo atrás dele, e foi ao perceber isso que seu coração dera uma sinal de vida, disparando no peito. Quando Sr. Masen saiu da frente de Jasper para se postar ao lado, a mágoa de Alice vacilou mais uma vez.
Tão lindo para ser o monstro que ela havia feito dele na última noite.
E ela sentiu-se desolada quando percebeu a tristeza em seus olhos. Se deu conta de que a noite dele também não deveria ter sido das melhores.
Ele a encarou por incontáveis segundos antes de cortar o silencio maçante.
_ Me perdoe, Alice – foi tudo o que ele disse, simplesmente. Ele precisava de seu perdao, em primeiro lugar, para depois tentar explicar qualquer coisa que fosse.
Alice abaixou o olhar, respirando profundamente. Agora que o calor do momento havia passado, ela podia pensar mais claramente. Sabia que ele não seria capaz de fazer nada para ve-la mal. Não o mesmo homem que quase havia morrido para salvá-la há um dia. Ele já havia provado com centenas de formas diferentes que se preocupava com ela.
Não pensou muito, quando viu já levantava de sua cadeira e andava apressadamente até seus braços, chorando mais uma vez.
_ Eu... eu não quero morrer, Jazz – ela balbuciou, agarrando os dedos em sua camisa. Sentiu os braços calorosos e fortes dele fechando-se em torno dela como já havia feito há muito tempo.
_ Não vou deixa-la morrer – ele murmurou de volta para ela, tendo tanta certeza disso que lhe beijou o topo da cabeça – Não vou deixar que nada lhe aconteça, Alice. Confie em mim.
Alice fungou, apertando-se mais ao corpo dele.
_ Eu confio, Jazz – ela sussurrou em resposta, tendo a certeza que nem ao menos ele havia lhe escutado.
_ Eu vim busca-la para te levar de volta para nossa casa – disse ele, desencostando-a parcialmente de seu tronco para fita-la nos olhos. Rolou os dedos por seu rosto.
Ela não ofereceu objeção. Após agradecer à Bella e seu marido, Jasper levou Alice de volta para casa. No pequeno trajeto, algumas pessoas passavam ao longe, encarando-o como se ele fosse louco.
E encarando à ela com desprezo.
Alice tentava não olhar para as pessoas que passavam. Por vezes também murmuravam ofensas. Em todos esses momentos, Jasper lhe puxava para mais perto de seus braços.
Não demorou para que chegassem até a enorme casa do final daquela rua. Conseguiram enxergar, um pouco antes de chegarem, as duas serviçais esperando-os na sacada principal. Quando chegaram, nenhuma das duas falaram palavra alguma, apenas envolveram a jovem com uma manta de lã, conduzindo-a para dentro, assim como ao Sr. Witlock.
_
Naquela noite, Alice aceitou apenas uma canja rala. Era o máximo que Jasper conseguiria dela, então não a obrigou a nada mais, contentando-se com o fato de ela estar comendo algo.
Não trocaram muitas palavras durante a refeição. Tao logo subiram para o quarto, e Jasper encheu a banheira com água quente, enquanto ela terminava de se despir no aposento deles. Ele saira de lá antes de ela voltar, mas quando voltara, lá estava ela, deitada com a cabeça apoiada no beiral, o olhar distante.
Ele entrou na casa de banho, sentando-se ao lado da banheira. Ela não disse nada, mas o olhou profundamente. Até mesmo esboçara um sorriso tímido. E apenas aquele gesto foi suficiente para ele segurar sua bochecha com uma das mãos.
_ Não precisa ter medo, está bem? – disse ele, tentando tranquiliza-la com suas palavras. De fato, ele conseguir. Alice podia jurar que ele tinha o poder de acalmá-la – Não vou deixar nada de ruim acontecer com você.
Alice engoliu em seco, assentindo silenciosamente.
_ Devia ter me contando – ela murmurou, embora não o acusasse, de fato, mas o repreendesse.
_ Sim, eu deveria, e sinto muito não tê-lo feito antes – sua sinceridade era palpável — Apenas não queria que se preocupasse, se se amedrontasse e que pensasse no pior. Por fim acabaria por piorar e eu não queria que pensasse assim – ele acariciou seus lábios com lentidão, sedentos por eles – Eu já estou dando um jeito em tudo, Alice. Vai ter o melhor tratamento que dispõe na Capital.
_ Tratamento assim na Capital são demasiadamente caros, Jasper – interpôs ela, piscando devagar por um tempo.
_ Eu darei um jeito, Alice – ele disse com mais veemência – As passagens de trem de Florence até a Capital já estão garantidas. Apenas nos resta partir.
_ Nunca estive em outra cidade – ela refletiu, um pouco perdida em pensamentos. Ou estava apenas incoerente. Ela sentia-se incoerente nos últimos dias – Ainda mais na Capital – ela riu sem humor – Que sorte bastarda, quando tenho a oportunidade de tal, é porque estou morrendo.
Jasper a fulminou com o olhar, e ela se lembrou que ele não gostava que ela dissesse coisas como aquela. Acabou por murmurar um “desculpe”, para que ele não se zangasse.
_ Eu estarei lá com você por todo o tempo – ele retomou seu pensamento, enquanto voltava a acariciar seu rosto com passividade – Não sairei de seu lado ate que esteja recuperada e então... – de repente, o sorriso dele esvaeceu, sua expressão caiu um pouco e Alice percebeu sua mudança.
_ ....e então? – ela o instigou a continuar.
_E então, quando estiver bem outra vez eu lhe darei o dequite – disse firmemente, embora precisasse se controlar um pouco para isso.
Alice o olhou no mesmo instante.
_ Como? – ela indagou, desencostando do beiral da banheira para aproximar-se mais dele.
_ Bem, você o pediu ontem, Alice – ele a relembrou inexpressivamente, e o ressentimento não fora reprimido, desta vez – E não sou arcaico ao ponto de prende-la comigo se não o quer – continuou – Apenas permaneceremos compromissados enquanto você precisar de mim, e depois... bem, depois nos desquitamos como você deseja – ele desceu o olhar para a própria mão, que remexia na barra da camisa suja e amassada.
_ Oh, não diga isso – ela disse sob um folego só, pegando a mao que ele encarava entre as suas, respigando água por todos os lados com o movimento brusco – Não fale em desquite, Jasper – disse ela, e a tristeza se refletiu em seus olhos. Ao menos assim, conseguira a atenção dele outra vez – Eu disse muitas coisas ontem que não deveria – confidenciou, lembrando-se que havia gritado que era a pessoa que mais odiava no mundo – E o fiz por que estava chateada – suspirou – Eu sinto muito. Não queria magoa-lo. Eu o... – ela travou a língua antes de dizer o que não deveria. Conversar com Bella sempre deixava suas consequências.
Embora estivesse esgotada fisicamente, ele encontrou forças para sorrir, reanimado, parecendo não perceber o que ela estava prestes a dizer. Não disse nada à ela, apenas se inclinou em sua direção para roçar seus lábios nos dela.
_ Vai ficar tudo bem – foi o que disse apenas.
_
Depois de Alice tomar seu banho, Jasper fora tomar o seu. Alice, embora senti-a fraca, ela ficou sentada em sua cadeira frente ao espelho de sua penteadeira esperando por Jasper.
Ficou olhando seu reflexo, enumerando todos os sinais de que estava com aquela doença. A vivacidade de seus olhos castanhos, o brilho de seu cabelo escuro, a cor de sua boca, de suas bochechas... tudo havia sido perdido. O coração se apertou ao se dar conta de tudo o que Jasper dizia gostar nela havia desaparecido.
Talvez seu desejo por si desaparecesse também, com o tempo.
Alice suspirou, não querendo pensar em nada disso. Desviou os olhos de seu reflexo doentio e começou a escovar os cabelos, que estavam bem maiores do que quando ela havia cometido a loucura de cortá-los com a tesoura. Mas, por um segundo ou dois, ela pensou em fazer aquilo de novo.
No final, havia gostado do resultado.
Enquanto pensava em coisas banais como aquela, a porta de seu quarto se abriu e Jasper entrou na habitação com sua toalha enrolada em sua cintura. Ainda pingava agua, os cachos estavam desfeitos e os pingos caíam deles e escorriam sem vergonha pelo tronco bem marcado.
Alice o olhou quando ele entrou e lhe sorriu. O seguiu com os olhos enquanto ele se dirigia ao armário, procurando por suas roupas de dormir. Enquanto ele as procurava, ela levantou-se silenciosamente e rodou a chave na fechadura de sua porta. Entao, voltou-se para ele e sorriu, enquanto ele ainda procurava por suas calças.
Ela fora até os pés da cama, onde o que ele procurava repousava em um amontoado de tecido bege.
_Suas roupas estão aqui, Jasper – disse ela, pegando-as nas mãos. Ele sorriu, indo até ela.
_ Obrigado – disse ele, beijando rapidamente seus lábios. Porém, quando ele ia pegar as peças de suas mãos, Alice as jogou longe, encarando-o. Jasper semicerrou os olhos para ela, um pouco confuso com sua atitude – Por que fez isso?
Alice não o respondeu, apenas se aproximou de seu corpo. Seu cheiro, mesmo após o banho, era forte. Era o cheiro de homem dele que a atraía como uma abelha ao mel. O coração fraco disparou no peito ao imaginar o calor de seu corpo quente junto ao dela.
Podia faze-la esquecer da Tuberculose, mesmo que apenas por um tempo.
Estendeu a mão até o peito dele, tateando. O calor e a tensão inundaram o quarto fechado. Jasper fechou os olhos automaticamente.
_ Alice, o que está fazendo....? – ele perguntou com a voz baixa, enquanto a mão dela descia cada vez mais por seu corpo. Os pelos de seus braços e de sua nuca se arrepiaram quando as unhas dela rasparam a pele de sua barriga.
Quando ela chegou ao nó de sua toalha, ele colocou a mão sobre a sua, como se quisesse pará-la. Porém, não empregou força alguma naquilo, o que não impediu Alice de soltar a amarra de sua toalha e deixa-la cair ao chão.
A visão de sua nudez concentraram seus olhos. Degustou da bela visão. Ele parecia ficar mais belo a cada dia que se passava. Alice correu os olhos por seu corpo talhado, perfeito, até alcançar o mais íntimos dele, acompanhando a forma como se aflorava e se impunha entre os dois corpos, como se a reconhece apenas pela cheiro.
Apenas o olhar cobiçoso dela sobre seu corpo fora suficiente para deixa-lo em riste.
Depois de um tempo, enquanto ele não fazia questão de esconder a respiração sofrida, ela desatou as amarras de seu penhoar perolado. Abriu-o parcialmente, deixando uma franja extensa de seu corpo à mostra. E revelou que não usava a costumeira camisola por baixo dele.
De fato, não usava nada debaixo dele.
Jasper engoliu em seco quando fez ao corpo dela a mesma coisa que ela havia feito ao seu, queimando a pele lisa dele por todo a extensão que seus olhos alcançavam. Reprimiu um gemido rouco na garganta.
_ Alice... acho que... – ele sussurrou, enquanto ela se aproximava mais de si, encostando seu corpo nu ao dele, sentindo a extensão de seu sexo quente lhe pressionando sua barriga. Embora estivesse quase sufocado de tanto desejo em tê-la, não queria enfraquece-la mais. Temeu que a fizesse mal – Acho melhor não.... — sua voz tinha tanta força quando sua vontade em acreditar no que ele próprio dizia
Mas Alice o ignorou e, audaciosa, deslizou as mãos por seu peito liso. As dobras de seus músculos se encaixavam bem sob seus dedos. Subiu suas mãos até seus ombros e o empurrou levemente para que sentasse no colchão. Depois, em um lento movimento, pegou uma de suas mãos e colocou sobre sua barriga.
_ Quase posso sentir o cheiro de sua vontade por mim – ela murmurou, com aquela voz malditamente doce que tanto desconcertava ele – Então não lute contra o que quer Jasper, ainda mais quando se é oferecido com igual desejo.
Jasper suspirou, soltando o ar com sofreguidão. Como negar um pedido daquele, ainda mas quando era tão bem argumentado. Se era o que ela queria, ele não negaria nem em mil anos.
Juntou a outra mão junto com a que já repousava em sua barriga. Escorregou as duas por sua barriga, passando por sua cintura e se perdendo na parte de dentro de seu penhoar. Alice fechou os olhos com a pressão que faziam suas mãos em sua pele. Depois de acariciar suas costas, eles desceu por seu caminho, e seus dedos se estenderam para poder acariciar mais de sua pele. Espalmou suas mãos e a apertou quando ele passou direto por sua lombar, parando logo abaixo.
Alice engoliu em seco, gostando a forma insidiosa com que ele a tocava. Com um movimento rápido, a puxou para perto de si, tocando sua barriga com a boca, e não tardou para ela sentir o úmido e quente de sua língua, trazendo o gosto de seu corpo para sua boca, enquanto ainda a apalpava generosamente.
Enquanto ele passeava com sua língua por sua barriga, ela deixou que o penhoar aberto deslizasse por seus ombros e fosse ao chão. Ele então subiu as mãos para suas costas, acariciando-a, até que puxou sua perna para si e a fez sentar em seu colo, afundando os joelhos no colchão. Alice gemeu contra a sua boca quando ele a beijou com profundidade, brincando com sua língua, e suas intimidades se chocaram.
Alice não pôde suportar ter ele contra seu ponto de fogo, e se remexeu em seu colo, friccionando de um jeito que aumentou a excitação de ambos até quase torna-la tão descontrolada que lhes roubou o ar.
_ Hmmm – ele gemeu, agora contra seu pescoço. Desceu as mãos de suas costas e segurou seu quadril, pressionando-a para baixo com força, precisando sentir mais e mais de sua intimidade úmida contra sua excitação – Sabe como gosto disto, não é? – ele murmurou, sôfrego. Ela continuou seus movimentos, atacando seu pescoço com beijos libidinosos – Sim, Alice, mexa-se para mim – ele grunhiu fracamente, gostando da sensação de seus beijos e seu pescoço.
_ Você me enlouquece – ela sussurrou, como um sopro de ar. Em um lento movimento, ele a segurou contra seu tronco e rodou, deitando seu corpo, tão delicado como se fosse feito de porcelana, e se pôs entre suas pernas. Era o melhor lugar do mundo, abraça-la estando exatamente ali. Se encostasse o ouvido em seu peito, podia escutar as batidas de seu coração.
E aquele era o melhor som que poderia desejar escutar.
Ele apoiou-se em um dos cotovelos, liberando sua mão para que pudesse lhe tirar os cabelos dos olhos e olhar para ela.
_ Como consegue? – disse ele, descendo lentamente sua mao por seu pescoço e clavícula.
_ Consigo o que? – ela o retrucou, enroscando seus dedos em seus cachos ainda úmidos.
_ Você é linda, Alice – e rouba-me o ar ele acrescentou em pensamento, mas não verbalizou aquilo.
Sua mao continuou descendo, impedindo Alice de responder qualquer coisa que tivesse em mente. Ele emoldurou seu seio em sua mao, acariciando-o com suavidade, os dedos brincando com o rígido botão rosado que denunciava sua excitação, sua vontade de estar em seus braços e ser sua outra vez. Não resistiu e desceu sua boa ali, beijando-a.
Alice arqueou-se contra sua boca quando sentiu sua língua em movimentos circulares, antes de ele iniciar um aplausível sugar, que lhe roubou os pensamentos sãos e a respiração. Ela se remexeu, inquieta e impaciente, logo abaixo dele. Queria te-lo dentro de si, queria que ele a invadisse e a fizesse dele mais uma vez, impondo o ritmo que bem quisesse. As memorias de como aquilo terminava a deixavam em êxtase antes mesmo de começarem. Arqueou o quadril contra ele, roçando sua intimidades com luxúria e desacanhamento.
Aquilo pareceu ter mostrado à ele o quanto ela ardia de desejo por ele. Para que a completasse, preenchesse, e que proporcionasse as vibrações que ele sentia fustigar lhe o corpo excitado.
Ele a beijou longa e profundamente, dominando sua boca, enquanto deslizava com calma para dentro de seu corpo, para que ela não sentisse nada, exceto prazer. Seu beijo abafou seu gemido na garganta. E eles se repetiram com constância, enquanto ele passou de um leve e ritmado movimentar, até um estocar desesperado, frenético. O lençol se revirava abaixo de seu corpo, enquanto ambos murmuravam palavras desconexa, delirantes.
Alice cravou as unhas de suas costa de mármore, movendo seu quadril junto ao dele, como se fosse um mesmo corpo, provado com a união logo abaixo. As mãos deles passavam por seu corpo com urgência, e seus beijos se tornaram selvagens e sedentos.
Ela sentia que ele fazia amor com ela com uma necessidade que ia além do habitual.
Jasper alcançou locais profundos, fazendo a jovem arquear-se completamente quando o clímax a alcançou. Ela se agarrou aos travesseiros, fechando os olhos com força enquanto ele não parava de se movimentar sobre seu corpo, aumentando o ritmo frenético que havia imposto para o amor dos dois.
Havia um sentimento em seu peito que lhe embrulhava o estomago.
Sentia que, de certo modo, poderia ser a última noite dos dois assim. E isso não deixava com que ele a tomasse de forma menos desesperadora. Mas, se desse vazão aos pensamentos e sentimentos que sentia e pensava, não conseguiria terminar o que estava fazendo, e estava tão perto de sentir o alívio alcançando seu corpo exausto e suado.
Intensificou seus movimentos, sua boca inerte contra a sua. E quando o arrepio começou desde a base de sua coluna até sua nuca, ele gemeu roucamente, perdendo os sentidos temporariamente. Derreteu-se dentro dela de puro prazer, as forças de seus braços cedendo e ele abaixou seu corpo rente ao dela, para que pudessem acalmar as respirações sôfregas.
Ele ficou com a cabeça depositada entre seus seios, perdido em pensamentos enquanto ela acariciava seus cabelos quase secos. E, enquanto estava ali, ele podia escutar as batidas de seu coração.
Aquilo significava que ainda a tinha.
Ele descobriu que precisava muito daquele som, assim como precisava de ar para estar bem, quando pensou na possibilidade de não escutá-lo nunca mais. Seu coração se tornar mudo para sempre.
Jasper fechou os olhos, espantando para longe aqueles pensamentos, e se concentrou apenas nas calmantes batidas ritmadas. Dormiu profundamente por toda aquela noite escutando o som de vida dela.
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