Os Relatos de Mike
4 Somos todos um só.
Notas iniciais
7:40 A.M.
Hoje completa dez dias desde a última anotação que fiz neste caderno. Desde o dia dos lobos, muitas coisas aconteceram. Vamos começar com o que segundo a espiã, um fedorento disse sobre a tal da "rebelião azul" que havia invadido uma base. Pois é, antes que não tínhamos dado importância para isso, agora precisamos dar importância total. Num dia comum de caçada, o saqueador estava como sempre pegando os objetos alheios das casas abandonadas, até que viu pregado numa parede um pedaço de papel rasgado, no qual estava escrito:
Reb. azul: manter distância
Reb. verde: procurada
Reb. amarela: eliminada
Nós pensávamos que caso nós sejamos uma dessas rebeliões, provavelmente seríamos a rebelião azul. Mas na verdade somos a rebelião verde. Além de sabermos que já fomos "registrados", estamos também sendo procurados pelos fedorentos. E agora sabemos que também têm mais sobreviventes à esse inferno.
As cores segundo o cérebro não são baseadas no vestuário das pessoas das rebeliões, mas sim na área onde se situam. Pelo que ele me contou, os fedorentos que nos "catalogaram", viram-nos numa floresta há muito tempo. Nós lutamos com eles porém fugiram. Nós, a rebelião verde(por causa da floresta), não vivemos na floresta como pensam, mas sim aqui perto dos escombros.
A rebelião azul deve ser próxima do mar, que é a uns 100 km daqui. A amarela já está dizimada como diz o papel, então já não importa mais.
11:50 P.M.
Acabou o dia. Tivemos que tomar medidas drásticas em relação ao nosso armamento. Agora temos duas ameaças. A Rebelião Azul e os Fedorentos. Não sabemos se essa rebelião será nossa inimiga, mas temos que andar alertas contra qualquer um deles. Se os Fedorentos já estão apanhando pra eles, imaginem nós.
Hoje logo depois que acabei de escrever a primeira parte aqui neste caderno, o guerreiro me chamou com sangue nos olhos, fiquei assustado até. Chegando lá, eles estavam conversando.
— Médica, você vai andar com uma mochila camuflada nas costas com muito medicamento. Você vai aposentar sua pistola e vai ganhar uma melhor. O facão vai continuar, mas você precisa dar uma afiada nele. — disse o cérebro — Guerreiro, você vai andar agora com duas espadas, e vai andar camuflado. — continuou — Espiã, você vai andar com seu machado afiado — ele deu ênfase na palavra afiado — e continuar do jeito que está. Você vai ser agora a responsável pela ordem enquanto eu não estiver junto de vocês.
— Ei! — reclamou o guerreiro.
— Calado — disse cérebro — é ela agora, e ponto final. Fugitiva, você vai andar com uma faca na sua bota. Não dá mais pra ficar só com as algemas igual o saqueador.
— Tudo bem.
— Saqueador, você tá ótimo do jeito que está. Porém precisa de camuflagem.
Sobre a camuflagem, mandarei as idosas da toca costurarem roupas para vocês. E por último, fantasma, você não vai ficar só com as faquinhas e pontapés. Vai usar uma sniper silenciada e uma faca de combate.
— Tudo bem.
— Saqueador, você vem comigo para o estoque de armas.
— NÓS TEMOS UM ESTOQUE DE ARMAS? — perguntei gritando — COMO ASSIM?
— Todas as armas que conseguimos vão para lá. Desculpe-me por não ter falado antes.
— SACANAGEM ISSO.
Passaram 30 minutos e o saqueador estava junto com o cérebro carregando muitas armas. Distribuíram para cada um as devidas armas, e as roupas também ficaram prontas. Estávamos vestidos com roupas verdes e pretas, iguais as do exército, porém as idosas estavam reclamando conosco que havia acabado os materiais de costura portanto não poderiam fazer o seu tricô diário.
Agora sim estávamos igual guerreiros. Todos guerreiros. Queremos mesmo é fazer uma aliança com a rebelião azul, mas provavelmente não vai ser possível.
Fale com o autor