Os Quatro Elementos
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Capitulo 2
—Agora você entende o que tinha de tão importante para falar? – ela sorriu, mas ainda concentrada ao máximo.
—Nicky era disso que eu precisava falar com você – ele pôs a mão no ombro dela fazendo-a perder a concentração e conseqüentemente levando a chama a desaparecer – eu posso fazer algo parecido – agora quem estava realmente chocada era Nicole
—Como assim!? – Nicole definitivamente não escondia nenhuma emoção
—Eu consigo controlar o vento ou o ar não consigo distinguir ainda – ele parecia perdido e sem palavras para se expressar
—Me mostra tipo agora! – Nicole segurou nos ombros dele e começou a balançá-lo para tirá-lo do seu transe pensativo
—Ok! – ele não tinha outras palavras
Max levantou e fechou a janela, em seguida ligou o ventilador, direcionando-o para a janela e voltou a sentar na cama ao lado de Nicole.
—Preparada? – Max perguntou meio sem jeito e Nicole assentiu com a cabeça
Max balançou suas mãos suavemente da esquerda para a direita e o vento vindo do ventilador seguia o seu comando, mas de forma sutil, a maior força do vento era quase imperceptível para quem não tivesse prestando atenção era como se tivessem aumentado o volume do ventilador, mas como ele ainda estava no mínimo àquela velocidade e força não fazia sentido.
Max agora fazia gestos mais rapidamente e o vento ficou ainda mais agressivo, as folhas na escrivaninha começaram a voar, mas isso não fez Max parar, na verdade fez o contrario, ele agora fazia gestos ainda mais rápidos e agressivos, e o vento começou a bater na janela como se estivesse tendo um vendaval, só que dentro do quarto, tudo que era leva agora flutuava na ventania que agora tomava conta de todo o quarto, folhas voando, cabelos balançando, roupas remexidas e o que mais tivesse de razoavelmente leve estava remexido, aos poucos Max foi se acalmando, e suavizando seus movimentos, até que o vento parasse e tudo que antes estava no ar caísse ao chão, deixando o quarto de Nicole completamente bagunçado.
Nicole estava completamente anestesiada pelo o que acabará de ver, para ela o que ela fazia era foda, mas nem de perto chegava às proporções do que Max fez, se ela era boa, ele era incrível, já Max estava parado tomando fôlego, embora não parecesse mexer com o vento o deixava extremamente cansado, nas devidas medidas.
—Max isso foi – ela pausou ainda abismada – muito, muito absurdo, mas tipo de uma forma muito foda – ela disse gesticulando
—Pois é Nicky, acho que somos super-heróis hein? – ele sorriu e depois voltou a recuperar o fôlego
—Ou algo do tipo – ela riu
O silencio tomou conta do quarto pelos próximos minutos
—Max – ela disse baixinho cutucando ele – Porque você acha que isso aconteceu?
—Isso o que? Os poderes? – ele olhava para ela de forma pensativa – Eu não tenho idéia
—É, acho bom descobrirmos – ela agora olhava para o chão
—Então vamos começar pelo começo – ele soltou um riso de alivio – quando você descobriu que podia fazer isso?
—O negocio do fogo começou há umas duas semanas, eu fui acender um cigarro e como sempre fiquei brincando com o isqueiro e de repente eu vi que ele estava se comportando estranhamente então decidi descobrir o porquê, eu tentei mexer o isqueiro, ligar e desligar, tentei de tudo, mas a única coisa que parecia funcionar era minhas mãos, eu cheguei a tentar com o forno aqui de casa para saber se não era do isqueiro, mas não, eram minhas mãos, daí em diante eu continuei a praticar até ter um controle melhor para poder te mostrar efetivamente – ela olhava para as mãos – e você?
—Eu? Tem pelo mais ou menos duas semanas também, se hoje é quarta, eu diria que domingo retrasado, tipo domingo eu notei que tinha algo estranho, mas só segunda que tive certeza – ele olhou janela a fora- eu estava saindo da loja do Dale no final da tarde, como sempre, depois de ter tido um dia de merda, eu tinha brigado com minha mãe e terminado com Alexis no domingo, então eu estava realmente puto – ele pausou para enfatizar — a rua estava vazia e não batia um vento, eu sai da loja mais calmo, mas conforme ia andando meus pensamentos iam sendo tomados por essas coisas ruins e eu ficava puto, e conforme eu ia ficando puto o vendo ia ficando mais agressivo, até atingir o auge da minha irritação e quase acontecer um mini tornado – ele estava sem palavras — é absurdo eu sei, mas não tenho outra explicação, depois disso minha raiva se tornou em medo e acabei me acalmando da raiva e eventualmente o vento se acalmou também, continuei a andar e voltei a pensar e a ficar com raiva e o vento voltou a ficar estranho, foi ai que notei que algo não estava certo, dai em diante comecei a treinar, eu não pretendia te mostrar agora, até porque eu estou totalmente perdido com isso, mas como você disse que tinha algo importante para falar eu pensei que eu poderia soltar isso logo agora – agora Max parecia um pouco abatido
—Nosso Max, que merda, desculpa – Nicole pôs o braço em volta de Max e apoiou sua cabeça em seu ombro
—Relaxa isso já passou– ele deu um riso entristecido – Então o que será que aconteceu há mais ou menos duas semanas para desencadear isso? Pensa comigo
—Duas semanas? Bom teve o festival, o velho Louis foi preso por desviar dinheiro, não sei, Davenport é uma cidade meio pequena e sem graça, nada demais acontece aqui
—Pois é, mas pensa tem que ter um motivo – Max passava sua mão no pescoço como geralmente fazia quando estava incomodado por algo – Sexta a gente voltou de Lakeland – algo parecia fazer sentido para Max agora – É isso, o acidente de ônibus, você estava lá e eu também, pensa faz sentido – ele parecia convencido
—Mas não foi nada demais, tipo domingo todo mundo já tinha sido liberado – ela pensou mais ou pouco – mas se você estiver certo então Brandon e Cameron também tem que ter algo diferente, não só eles mas também o motorista, você sabe porque ele capotou?
—Pelo que o motorista disse foi porque um cara apareceu no meio da pista do nada e para não atropelar o cara ele teve que desviar, mas acabou perdendo o controle do ônibus e capotando, ele foi o único que ficou acordado, será que ele viu algo?
—Pode ser que sim, mas Max, pensa pode não ter sido por isso
—Nicole tem ter sido por isso, tipo faz muito sentido, bom não muito, mas mais que ter sido culpa de um velho preso ou um festival, não?
—Talvez – Nicole ainda não estava convencida – Se você estiver certo mais importante do que falar com o motorista é falar com Brandon e Cameron, tipo se eles também tiverem algum "poder" vamos poder confirmar sua história e ai sim falar com o motorista, incomodar ele sem um motivo concreto não parece agradável
—Então é isso – Max estava convencido – amanhã falamos com os dois
—Veja bem Max, Brandon tudo bem, mas Cameron é uma pessoa extremamente chata de se falar
—Ok, falamos com Brandon primeiro e depois vemos se falamos com Cameron, pode ser? – Max tentava acalmar a precipitada Nicole
—De boa, quer ir falar com ele agora ou prefere deixar para amanha? Tipo, já temos muita coisa para processar num dia só
—Quanto mais cedo melhor, vamos resolver isso de uma vez só, e Nicole se preparada porque se você quiser realmente ir atrás do motivo disso tudo vai ter que estar preparada para gastar muita, mais muita energia fofa – ele disse provocando ela
—Se é assim vamos lá meu amor – ela rebateu – mas antes vamos arrumar essa bagunça porque se minha mãe chegar e vir isso ela me mata
Ambos levantaram e começaram a catar as coisas do chão e organizar o quarto de Nicole, a arrumação levou perto de 30 minutos.
—Preparada madame? – Max sorriu abrindo a porta
—Eu nasci preparada querido – Nicole ria enquanto passava pela porta
Os dois saíram da casa de Nicole para a rua, agora era noite e estava completamente vazio.
—Você sabe onde ele mora? – Max perguntou curiosamente
—Não exatamente, mas como são sete ele deve estar no xadrez, Brandon é meio clichê – eles riram
—O que ser inteligente, estudioso, não ter amigos, sofrer bullying e ainda por cima jogar xadrez? – ele riu – ele é um clichê ambulante
Eles andaram oito quadras até chegar ao clube de xadrez, e sim Davenport tinha um clube de xadrez, talvez por conta do excesso de população idosa ou qualquer outro motivo sem noção. O clube na verdade era uma casa, que funcionava como bar e clube, lá não tinha só xadrez exatamente, tinha carteado, jogos de tabuleiro e outros jogos geralmente jogados pela população mais velha.
Os dois jovens entraram no lugar e começaram a procurar por Brandon, o que não foi difícil visto que ele era um dos únicos jovens jogando xadrez numa quarta a noite.
Brandon estava sentado numa mesa um com senhor que aparentava ter perto de uns 60 anos, os dois estavam totalmente concentrados na sua assídua partida de xadrez, tanto que nem notaram Max e Nicole se aproximarem, e acredite dentro daquele lugar eles chamavam muita atenção.
—Brandon – Nicole pôs a mão no ombro de Brandon que tomou um susto
—Nicole? O que esta fazendo aqui? – ele olhava para ela de forma tímida e confusa
—Eu preciso falar com você
—Comigo? Por quê? O que houve? – ele sempre foi meio desconfiado das pessoas principalmente porque geralmente só falavam com ele quando queriam algo
—Não aconteceu nada demais, mas eu preciso conversar com você, eu não te procuraria e te atrapalharia essa hora sem motivo algum, relaxa – ela sorriu gentilmente
—É... ok — ele olhou para a mesa e em seguida para o senhor sentado a sua frente
—Pode ir depois terminamos – disse o senhor gesticulando para ele sair
—Obrigada senhor Wayne – ele sorriu e levantou – o que você precisa Nicole?
—Não preciso de nada só conversar, mas não aqui – ela apontou para saída
—Ok – ele assentiu
—Alias esse é meu amigo Maxuell, pode chamar ele de Max – ela apontou para Max
—E ai cara? – Max acenou e Brandon retribuiu o aceno
Os três jovens saíram em silencio do 'clube' para rua, do lado de fora os três se entreolharam
—Então o que você quer comigo Nicole? – Brandon estava na defensiva
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