Notas iniciais
Ano de 2715 d.C, 500 anos após a extinção da humanidade e a criação das novas 5 raças

Era uma noite calma, os céus dos Campos de Guerra tinham a fama de serem os mais brilhantes do reino. Os anciões diziam que cada ponto luminoso no céu representava um guerreiro que morreu de forma valorosa, defendendo seus ideais. Não havia nuvens no céu, a lua brilhava imponente, e esse brilho dava à Claudio um ar misterioso. Em outra era sua aparência não teria nada de especial. All-star surrado, jeans azul claro, e moletom preto com touca. Seus traços eram bem mundanos, olhos castanhos beirando o negro, pele clara, seus cabelos eram castanhos liso, porém havia uma mecha amarela de nascença na franja. Mas nesses tempos atuais não havia ninguém como ele. Já o confundiram com um Lee sem pelos, e também já pensaram que fosse um vampiro bronzeado. Havia muitas duvidas em sua mente, "Quem ou o que sou eu?" "E esses poderes? Ainda não os controlo bem mas parecem instintivos, como se fizessem parte de mim, eu nasci com eles? ou será que sou uma aberração ou experimento?"

Por enquanto ele havia descoberto apenas uma flecha da sua aljava de poderes. Tinha conhecimento apenas da força bruta e velocidade. Já houve casos onde derrubou carvalhos adultos com socos, e um episódio no qual desviou de uma flecha atirada a menos de 5 metros de distância, e tudo isso o assustava. Se não fossem os treinamentos de autocontrole que fez enquanto morava com os Lees, Claudio estava certo de que já teria ferido alguém gravemente.

Todas as suas angustias seriam sanadas no dia em que descobrisse quem realmente era, a unica memoria que tem é o rosto de sua mãe, mas ele não se lembra de suas feições, e sim do sentimento daquele momento. mas uma coisa é certa, ele fara o possível e o impossível para que esse dia chegue. Seu alvo era Hope, ele entraria na cidade e pediria ao conselho dos Cinco Lordes permissão para adentrar o Campus, pois sabia que la encontraria as respostas para seus demônios internos.

Chutando alto ele estava no máximo a cinco quilômetros da capital, mesmo de tão longe podiam se ver a singularidade da cidade. Suas muralhas tinham quase 50 metros de altura, vermelhas como sangue. Seu portões tinham em torno de 30 metros, negros como ébano. As lendas diziam que eram encantados, pois continuaram intactos mesmos após provarem o fogo azul de Tayutá, o Ultimo Dragão Branco.

Durante a caminhada ele tirou os olhos da cidade pois algo lhe chamou a atenção. A leste havia um buraco três vezes maior que a cidade, mas não um buraco qualquer, era chamado de Prisão das Bestas, pois os antigos diziam que era a porta para o inferno, e que no fim dos tempos, quando o sol se apagasse, demônios sairiam de la trazendo caos e morte.

A caminhada foi longa, Claudio sabia que podia ter vencido aquela distancia em segundos, mas furtividade era tudo naquele momento, deveria chegar na cidade sem causar nenhum alarde para que seu plano desse certo.

Ao chegar aos portões foi abordado por um guarda Simeão, além dele haviam centenas de arqueiros em cima das muralhas, e dezenas de guardas em torno dos portões. todos usavam as mesmas vestimentas, cota de malha com camisão de lã preta por cima com um cinto de couro para segurar as armas. O guarda era pequeno para um Simeão e claramente fora de forma:

–Seu nome e intenções forasteiro?- disse com um tom autoritário, deveria ser o comandante no local.

–Meu nome é Claudio, da casa Lee, vim apenas conhecer sua cidade senhor, e venho desamado- Curvou-se em reverencia.

– Desarmado- riu como se isso se tratasse de uma piada- tipico dos lees, pode entrar garoto- Os Lees acreditam que seu corpo é sua melhor arma, e na maioria das vezes eles estão certos.

O comandante fez um gesto com as mãos e dois guardas abriram uma pequena porta do lado esquerdo do portão para que Claudio entrasse. Mesmo àquela hora da noite a cidade era magnifica. Bem no meio da cidade havia um prédio de vidro preto com no minimo 20 andares cercado por muros com quase tantas sentinelas quantas haviam no portão de entrada da cidade. Dando mais atenção ao seu redor, reparou que todas as casas eram diferentes, as cores iam do amarelo canário ao azul turquesa e vermelho escarlate. Mesmo que as cores se repetissem, seus modelos eram diferentes e vice-versa.

Estava distraído observando a paisagem, porém não o suficiente para deixar de notar o que se passava a sua volta. Havia muito movimento, ruas e ruas lotadas de vampiros. Ele se sentia a vontade entre eles pois os vampiros eram os seres mais parecidos com ele, pelo menos fisicamente. Havia alguns com trajes de guarda e outros de amaduras leves ou couro cozido que deveriam ser mercenários, mas grande parte vestia túnicas de cetim preta com detalhes vermelhos que era uma vestimenta comum entre os Alhéks de baixo nascimento.

No meio de tanta diversidade nosso herói a vê. Ela está olhando fixamente para ele sorrindo como se o conhecesse, aparentava ter no máximo 20 anos, seus cabelos eram negros como ébano e sua pele clara como marfim. Aquilo era incomum, mesmo para um vampiro olhos lilás não eram fáceis de achar, apenas alguns membros da realeza os possuíam, e com certeza era disso que se tratava dada suas roupas vermelhas decoradas com fios de ouro.

Ela veio em sua direção caminhando sem pressa alguma, mas sem nunca desviar o olhar. Ao chegar a menos de meio metro de Claudio, ela parou e o cheirou lentamente, assim como um tigre faz com sua presa:

–Não é Vampiro, Simeão, Lee ou Lycan. Nunca senti esse cheiro. O que é você?

–Vejo que é uma nobre. Desculpe-me princesa, mas nem mesmo eu sei responder a tal pergunta- Havia em sua voz um misto de melancolia e frustração.

–Aonde estão meus modos? Sou Camilla Alhék, filha do lorde Gabriel Alhék- Ela estendeu a mão para que Claudio beija-la. Ele a ignorou totalmente beijando seu rosto e sussurrou em seu ouvido.

–Sou Claudio Lee, filho adotivo do mestre Donye Lee.

Camilla corou, ninguém em todos os seus oitenta anos jamais tinha chagado a esse ponto de intimidade:

–O que foi isso?- A moça ainda estava vermelha.

–É uma demonstração de carinho e confiança, desculpe se a constrangi alteza- Disse sorrindo.

O que era aquilo? Suas mãos estavam geladas e suas pernas tremiam, ninguém nunca a deixou desse jeito. O que esse rapaz tinha de especial?

–Pode me chamar apenas de Camilla. Então Claudio o que te traz aqui? Creio que não deve ter vindo apenas admirar a cidade e beijar moças inocentes- Suas palavras tinham um ar malicioso.

Claudio avistara seu alvo assim que pôs os pés em Hope. Ele viera atras do Conselho, onde é feita toda a parte administrativa e burocrática da cidade.

–Vim atras de uma audiência com o conselho. Preciso de acesso para o Campus, lá eu encontrarei respostas sobre quem realmente sou. E você vai me acompanhar.

–Mal nos conhecemos e recebo um convite desses, é pra acabar com o coração de qualquer dama- Camila corou novamente e sorriu tímida- Mas meus guardas vão conosco.

Claudio não havia reparado, mas bem atras dele haviam duas figuras, verdadeiros gigantes. Porém não pôde ver detalhadamente pois uma terceira figura veio como um raio e aplicou uma giratória. Claudio conseguiu se abaixar e assim esquivou do golpe que foi tão violento que mesmo sem acertar nada gerou uma corrente de ar que balançou as vestes de Camilla.

–Atento como sempre, irmão- disse golpeador. Era um Lee, em torno de 1,60, pelagem marrom avermelhada e olhos castanhos, se vestia como um nobre Lee, com calça de seda preta e colete preto com detalhes em amarelo vivo do mesmo material.

–Jack Lee!!! A quanto tempo irmão- Disse isso abraçando Jack que correspondeu com o mesmo afeto.

–Nunca contou que tinha um irmão Jack- interrompeu Camilla.

–Desculpe Camilla. Mano, vou te apresentar os gigantes Dwayne "ele é mudo" — cochichou Jack. Dwayne apenas acenou para os dois como quem diz oi- E Golias nossos musculos.

Dwayne tinha no minimo 2,10 de altura, seu corpo era esguio e feito totalmente de pedra, com exceção de seu coração que é a parte mais vulnerável do corpo de um elemental. Mesmo sendo de pedra seus olhos pareciam muito vivos, eram de uma especia de pedra azul celeste, duas profundas e brilhantes pedras azuis.

Golias era pouco menor que Dwayne, porém era mais largo e encorpado, seus pelos eram brancos como a neve e sua pele cinza como fuligem. Sua armadura era simples, placa de aço sem adornos, calças e botas de couro preto e grosso, e manoplas de ferro que cobriam apenas até os nós das mãos para manter mobilidade, e portava duas machadinhas, uma de cada lado da cintura.

–Boa noite senhor Claudio- Disse estendendo sua mão em saudação, nosso herói parecia um filhote perto desse monstro, mas aceitou o cumprimento e fez o mesmo estendendo a mão. Porém ao se tocarem o gorila usou de toda sua força para esmagar a mão de Claudio, vendo que não era o bastante ele adicionou a segunda mão fazendo ainda mais pressão, mas Claudio permanecia imóvel. Já exaurido, o gigante se ajoelha vermelho pelo esforço, 500 quilos de Simeão vencidos por 70 quilos do Lee adotivo.

–O senhor é tão forte quanto seu irmão me contou- sua respiração ainda ofegava.

–Não vou te dizer que foi uma tarefa fácil conter sua força.

–Além de tudo é forte. Que cartas ainda esconde na manga?

–Com o tempo descobrirá- Havia uma nota de provocação em seu tom, junto com um sorriso malicioso.

–Amanhã haverá uma reunião do conselho pela manhã. será uma oportunidade de ouro pois os cinco lordes estarão reunidos no mesmo local. Falando nisso, tem aonde passar a noite?

–Para ser franco não ainda.

–Então será muito bem vindo em minha casa, Claudio.

–Eu agradeço imensamente a gentileza princesa.

–Apenas Camilla.

Os dois sorriram e se juntaram aos demais rumo a casa de Camilla. Havia muitos assuntos que Claudio e Jack tinham que tratar, e muito que todos queriam saber sobre suas histórias. E assim foram os cinco adentrando a cidade na esperança que aquela noite continuaria pacata e tranquila, mas isso é apenas um desejo, bem diferente do que realmente aconteceu...