Os Quatro Bruxos.
34 Uma pedra preciosa!
NARRATIVA DA SAM.
Quando nos separamos do Vini e dos outros eu comecei a ficar ansiosa, enfrentar Tifão era assustador, porem era o tipo de coisa que me fazia ficar ansiosa, me fazia ficar querendo me provar cada vez mais.
— Acha mesmo que conseguimos? – perguntou Thales a mim.
— Onde está a confiança Thales? – perguntou Matheus a ele.
— Gente chega disso. – digo. – Não importa se temos chance ou não, nós temos que conseguir, ele esta indo para Daneva, vai matar a todos se não o impedirmos, nós vamos conseguir nem que eu morra para isso.
O olhar dos dois parecia que eu já estava morrendo, e devia estar mesmo, eu estava me concentrando no feitiço que eu lançaria, o único de todo o meu arsenal que eu sabia que seria forte o bastante para manter Tifão sobre controle, o problema era que eu não sabia o efeito que ele teria sobre mim.
A cada vez que chegávamos mais perto do monstro eu sentia sua energia fluindo e tentando me atacar, e de fato atacava, porém não com tanta força quanto eu esperava, claro era forte, mas eu conseguia repelir grande parte de seus esforços com pouco.
Eu sentia que era a única que poderia derrota-lo, que eu era a única com o feitiço certo, e o tipo de alquimia certa, mas pelo jeito ele sabia disso também, e a cada metro que eu voava chegando mais perto dele mais forte ele me atacava, muito embora Matheus tendo o tipo certo de alquimia para barrar sombras, ele sozinho não conseguiria agir desta forma!
Passei a me concentrar nos meus poderes eu era uma Lendária agora, possuía todos os portões abertos, possuía os cristais de bênçãos, possuía a armadura bruxa mais poderosa entre os membros de cristais, eu podia dar um jeito nisso, mas tinha que me concentrar usar toda minha força. Essa seria a primeira vez que usaria esse feitiço, mas eu sabia que ele daria certo, mas não sabia o quanto ele exigiria de mim. Aos pouco consegui entender os poderes de minha armadura, ela me dava força, muita força física, me dava velocidade nos movimentos, e impedia que as coisas penetrassem em minha pele, e havia mais coisas que eu ainda não havia entendido, mas isso tudo era físico, nada magico e no momento eu precisava de aumento na força mágica.
Os dois que estavam comigo, eram muitos poderosos, e evoluíram loucamente durantes esses anos que passaram conosco, mas não poderiam me ajudar muito, Thales poderia talvez esmaecer as sombras que fortalecem Tifão e Matheus poderia prendê-lo com seu estilo madeira que não perpassa energia por pelo menos um tempo e barra as sombras por um longo período, me arrependi de não ter ensinado a ele tudo que eu sabia sobre os alquimistas de madeira, ele seria mais útil nessa hora.
Mas eu soube desde o momento em que parti que somente eu poderia elimina-lo e algo me dizia que isso e talvez acabasse com nós dois.
— Sam, estamos perto o bastante para podermos atacar de longa distancia. – disse Matheus a mim.
Eu sabia daquilo, mas se conseguisse chegar mais perto e dar uma boa olhada nele, poderia achar um ponto para ataca-lo, foi quando Thales me segurou pelo braço.
— Você não vai analisa-lo de perto. – disse ele serio olhando meus olhos. – Você não vai se matar. Você tem métodos mágicos para achar um ponto nele, e você sabe disso. Não seja imprudente.
Ouvir um garoto novato me dizer isso fez com que eu caísse na real, o que eu estava fazendo, não tinha que provar nada para ninguém, eu sabia que de todos os bruxos que possuem poderes de cristais eu era a mais forte, de todas as meninas da minha série eu era a mais forte, sabia que junto do Vini ninguém dali poderia nos derrotar, mas naquele momento eu não estava junto dele, mas ainda assim sabia que era poderosa o bastante para suportar aquilo.
Eu não ia morrer para aquele monstro. Muito pelo contrario eu destruiria ele e me transformaria em alguém ainda mais forte, me transformaria fantasticamente em alguém famosa e poderosa, talvez temida, eu até sorri diante disso.
— Certo. – digo, puxando a varinha. – Alquimist orbiculos olhus.
Uma copia de um dos meus olhos feito de diamante apareceu frente a mim e voou em direção a Tifão.
Neste período o feitiço em meu olho faz com que o que está no corpo não enxergue nada alem do que os outros de diamante o que faz com que eu fique vulnerável, por isso raramente lanço ele nos dois olhos e desta vez eu ainda tinha dois amigos fortes comigo.
Os olhos de diamante rodeavam a ele por completo, mas não encontravam nada, eu estava começando a ficar tonta e ficar parada não me ajudava em nada.
Desfiz o feitiço.
— Ele não tem ponto fraco! – digo, sem nenhum entusiasmo.
— Todo mundo tem. – disse Thales.
— Entendi. – disse Matheus. – você não viu o ponto fraco dele, porque o ponto fraco dele é você! Não tem uma abertura nele, você vai ter que criar!
— O que aconteceu com você? – perguntou Thales.
— Cala a boca Thales. – disse Matheus.
— Chustal! – apontei a varinha para Tifão ordenando.
Uma chuva imensa de cristais caiu em cima dele, vários cristais perfuraram a massa de energia dele causando certo dano, outros apenas passaram direto.
Eu tinha que me preocupa tanto comigo e meus companheiros, quanto com a batalha que agora rolava em baixo de nós.
Daneva estava um caos, e pelo jeito todos contavam tanto comigo quanto com os quatro bruxos e os semideuses que enfrentariam O Bruxo lendário e o Deus.
— Samantha eles estão bem lá em baixo. – disse Matheus.
— Não estarão se eles forem atingidos por meus cristais. – digo, pensando em um jeito de não atingi-los. – ainda mais caindo dessa altura.
— Você tem algum plano? – perguntou Thales.
— Estou pesando em um desde que nos separamos dos outros. – respondi, olhando para Tifão que ainda marchava lentamente para frente. – Ainda preciso finalizar, mas espero que de certo.
Ficamos em silencio por uns minutos e então Thales pigarreou.
— Certo. – disse voltando a mim. – Quero que você sinta toda essa sombra dele, e tente achar uma brecha para atacar, sugar ou sei lá o que você faz com as sombras. Matheus, de você eu quero que você fique na frente dele, com uma barreira de madeira grossa e resistente, se ele quebrar faça outra, mas desacelere-o cada vez mais!
NARRATIVA DO THALES
Eu sabia o que tinha que fazer e como tinha que fazer, eu sabia que as vidas de todos estavam em risco e dependiam de alguma forma do meu poder raríssimo, sugar sombras e torna-las minha fonte de poder.
Concentrei-me em toda escuridão que rodeava o monstro toda aquela fumaça negra e silenciosa, aquelas formas de sombras que inundavam os céus.
Quando finalmente consegui ver com clareza absoluta a sua face e seu corpo, as vigorosas mãos desse gigante trabalhavam sem descanso, e os seus pés eram infatigáveis; sobre os ombros, erguiam-se cerca de cem cabeças de um medonho dragão, e de cada uma se projetava uma língua negra, dos olhos das monstruosas cabeças jorrava uma chama brilhante, espantosas de ver, proferiam mil sons inexplicáveis e, por vezes, tão agudos que talvez nem mesmo os próprios deuses conseguissem ouvi-los, ora o poderoso mugido de um touro selvagem, ora o rugido de um leão feroz, muitas vezes até mesmo o ladrar de um cão, ou os clamores penetrantes de que ressoavam as altas montanhas.
Era assustador de mais, até mesmo para mim, alguém que foi e voltou do submundo, alguém que mora nas sombras e vê de tudo.
— Samantha! – chamei! Ela olhou para mim parecendo entender o que eu ia dizer. – Ele é imenso, um monstro horrível, assustador e sem fraquezas.
— Era só isso que eu queria saber. – disse ela.
NARRATIVA DA SAM.
Então eu estava certa o tempo todo, durante anos eu li sobre monstros que possuíam suas fraquezas nos cristais, Tifão era sim um deles.
Voei para frente mandando Matheus sair de perto, eu só tinha um único poder que sabia que podia impedi-lo de destruir tudo, mas com minha magia normal, eu não seria capaz de fazer isso em uma criatura deste tamanho e força, mas com o poder de lendária com certeza conseguia, mas uma ajudinha viria a calhar.
— Consegue sugar um pouco das sombras que ele envolve? – perguntei ao Thales.
— Vou fazer o que eu puder! – disse ele a mim em resposta.
— Peça ajuda ao Mateus. – mandei. Eu já me concentrava em todo o meu poder, eu já sentia meu manto de lendária sendo criado por cima da armadura.
O manto dourado do lendário, indicando que o bruxo está em sua total forma, e todo o meu poder apareceu com vigor em mim após alguns minutos.
A minha volta minha luz brilhava, minha magia branca me rodeava com força, iluminando a minha frente, minha traseira, e minhas laterais.
Eu sentia minha magia em um nível completamente diferente e a julgar por alguns gritos de espanto e aprovação que vinham lá de baixo eu soube que estava por completo na forma lendária.
Naquele instante minha vassoura desapareceu e eu agora voava em cima de um cristal, em pé como se fosse um skate voador.
— Ados Fogus Alquimist! – disse em teste. Eu não precisava mais da varinha, meu feitiço foi feito com apenas a menção das palavras, um imenso dragão de fogo apareceu ao meu lado, suas chamas eram contidas por uma fina camada de cristais, dos quais eu sabia que eram fortes o bastante para perfurar qualquer coisa.
O dragão atacou Tifão que graças a Thales e Matheus estava um pouco mais fraco, devido a sua sombra estar sendo sugada para uma cabaça de madeira que eu reconheci como um dos feitiços mais antigos dos usuários de alquimia de madeira, um feitiço de selamento, combinado com o poder de Thales, fantástico como os dois evoluíram.
Meu dragão atacou Tifão, cuspindo fogo nele por todos os lados que conseguia uma brecha, eu sabia que esse dragão não ia matar ele, mas me ajudaria a derrotar ele, na verdade, porque se eu for sincera comigo mesma, nem eu sou capaz de matar ele.
Mas eu precisava de mais um tempo para terminar de me preparar para lança o feitiço que derrotaria ele.
Na verdade eu sabia que o modo lendário me daria mais força para que o feitiço ficasse mais poderoso, ou seja, me consumiria muito mais talvez.
Pensar nisso me fez lembrar de meu namorado: Vini, estávamos juntos a tanto tempo que isso me assustava, imaginar ele lutando sem mim, me imaginar enfrentando a morte sem ele, esse medo não devia existir agora, meu dragão ainda lutava enquanto eu pensava e me preparava.
Eu chorava já nessa altura da batalha, todas as minhas lembranças percorriam minha mente, tudo que eu já passei, cada tormento, cada provação, cada momento feliz e alegre, cada sorriso que arrancaram de mim e cada sorriso do qual eu arranquei de alguém.
Esse feitiço é originalmente dos alquimistas de Madeira, porem eu consegui converte-lo para o meu tipo de alquimia e convenhamos, ficou muito mais forte.
— Selus Cacho Alquimist! – conjurei.
Uma pequena luz roxa apareceu em cima da cabeça do Tifão ele sentiu que aquilo seria o seu fim.
Naquele mesmo instante ele destruiu meu dragão e se voltou contra mim.
Consegui me defender de todos os ataques dos quais ele lançou.
Arremessei minha espada com toda minha força em direção a cabeça do meio dele, graças aos céus ela fincou.
— Explodo Alquimist. – gritei, a espada explodiu em “zilhões” de pedacinhos de cristais que se prenderam nos resto do corpo dele.
Estalei os dedos fazendo com que esses fragmentos crescessem e começassem a cobrir todo o corpo dele e se unindo virando um caixão.
E então eu sabia que havia acabado que eu havia conseguido.
Eu já despencava céu a baixo e meu corpo já ia se cobrindo de cristal formando um caixão igual ao do Tifão, eu seria enterrada por mim mesma e meus poderes, embora isso fosse completamente inconsciente, eu estava esgotada, sem força, fôlego e vontade.
Fechei meus olhos como se fosse dormir e meu corpo se cobriu por inteiro.
A ultima coisa que ouvi e vi fora Vini gritando meu nome e vindo voando ao meu encontro, junto com os outros, porém eu já não podia mais responder.
A escuridão me dominou e a única coisa que consegui pensar foi: Minha morte foi heroica?
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