Os Protegidos
6 Provisão
A dispensa da casa de Cristina estava vazia. Dona Irene, sua mãe, preocupada, demonstrava tristeza. Aquela seria uma semana difícil. Sem dinheiro, sem comida e o pai, único provedor de uma casa com cinco crianças, estava confinado na cama depois de ter sofrido um acidente.
Cristina sabia que não teriam o que comer durante aquela semana e ninguém sabia bem o que fazer. Durante muito tempo eles sobreviveram com o mínimo; havia dias em que cada um na casa só podia comer um único pão, se não, o outro ficava sem. Algumas vezes, chegaram a passar fome.
Dona Irene e sua filha estavam sentadas em frente à sua casa, sem nada dizer, pensando no que poderiam fazer para arrumar comida quando um homem, segurando duas enormes sacolas com muita dificuldade, se aproximou e parou em frente às duas.
As mulheres levantaram os olhos desanimados para o estranho. Este, por sua vez, parecia perdido. Olhou em volta e pousou os olhos nas duas mulheres.
—Err... Olá. Vocês... vocês querem essas sacolas?
— Por quê? — perguntou Cristina, estranhando o comportamento do estranho.
— Bem... Eu não sei... — O homem olhou para as sacolas. — Eu fiz uma enorme compra hoje, mas, quando cheguei a minha casa, descobri que minha esposa já havia feito uma enorme compra antes de mim. A questão é que somos apenas nós dois e não tem espaço na minha dispensa para guardar tanta comida.
— E por que está oferecendo isso a nós? — Dona Irene perguntou com desconfiança.
— É uma boa pergunta, — disse o homem, parecendo tão confuso quanto as duas. — Vocês estão ai, sem fazer nada... Eu não sei, só quero me livrar desse excedente, senão isso vai estragar e eu detesto jogar comida fora. Aliás, vocês parecem precisar disso mais do que eu.
Dona Irene e Cristina se entreolharam. Não havia muito tempo para discussão. As duas concordaram, pegaram as duas sacolas e às levaram para casa. O homem, por sua vez, disse que precisava voltar para casa.
— Que coisa estranha, — Dona Irene falou.
— É, mas veja, tem comida para passar mais de uma semana inteira, mãe.
— Senhor... Só pode ser Deus!
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