Notas iniciais
Esse é um capítulo um pouco triste para alguns, mas espero que não fiquem chateados comigo porque o que ocorreu nesta parte, vai acontecer muitas outras vezes. Dedico este capítulo para o leitor Valdir Araujo de Almeida e Jean Ramos.

Órion voltou o seu corpo para as pessoas presentes em seu quarto e ergueu as sobrancelhas. Queria dizer alguma coisa, mas antes que conseguisse foi interrompido por Jimmy.

Você está excitado? – perguntou o rapaz o olhando fixamente.

É a primeira coisa que consegue perceber porque já tem vasta experiência nisso com as suas saídas tendo a companhia com Mark, não é? – provocou Isabella.

O que quer dizer com isso? – perguntou Mark.

Você sabe muito bem o que eu quero dizer. Todo mundo sabe da relação de vocês dois! – Isabelle sibilou.

Esperem! – gritou Ellie. – Órion, levante a sua calça. – a garota pediu.

Mas por quê? – Órion não entendia o motivo, porém fez o que ela pediu depois de receber o seu olhar sério. Ao erguer a calça percebeu que o ferimento da bala já não estava mais lá, não tinha ficado nem mesmo uma cicatriz.

Como isso é possível? – Hélio questionou. – Uma bala de Caçador faria um estrago e tanto na sua pele, na menor das possibilidades ficaria uma cicatriz gigantesca. – o rapaz ergueu a sobrancelha direita.

Para quem você pediu ajuda, Órion Woody? – Isabelle ergueu o corpo, cerrando os punhos, ela não confiava em Órion e isso ficava bastante claro.

Eu não pedi ajuda para ninguém! – o garoto rebateu ficando levemente assustado, afinal também não sabia como o ferimento havia curado tão rápido. – Não sei como isso aconteceu, simplesmente parou de doer. – completou dando um suspiro e sentando em sua cama.

Certo, estamos esquecendo o ponto principal dessa reunião. – disse Hélio.

Isso é uma reunião? – Órion questionou. – Para debater...?

Talvez o fato de que vamos nos mudar daqui amanhã? Ou você estava felizinho demais para esquecer isso? – respondeu Isabelle.

Pode parar de ser ácida ao menos um pouco, Isabelle? – Ellie disse olhando torto para a garota e em seguida virou-se para Órion. – Nós estamos debatendo um plano para que a nossa partida não aconteça. Criamos uma vida aqui, não é justo sairmos por conta de alguns caçadores intrometidos que acham que podem nos deter.

Na verdade eles podem. – respondeu Isabelle. – Mas é fato que nenhum de nós quer sair daqui, contudo eu acho que se vamos tentar alguma coisa contra eles, devemos fazer o mais simples possível.

Provavelmente porque eles esperam uma estratégia superelaborada da gente com milhões de portais que levam até a lua, então teremos que fazer algo simples. – Órion disse.

Primeira vez que diz algo inteligente, Órion Woody. – Isabella deu um sorriso irônico.

A conversa seguiu com as conclusões do plano, eles decidiram que não seria nada grandioso, tentariam fazer a coisa mais simples do mundo e com isso conseguiriam pegar os Caçadores de surpresa. Não deixariam que Martin e Yalex decidissem as coisas assim tão facilmente. Precisavam tomar uma atitude e mostrar que conseguiam ser forte o suficiente para combater qualquer um, afinal os seus instrutores haviam ensinado tudo o que podiam para os alunos.

Naquela noite, Órion tivera um sonho estranho. Via uma mulher realmente bonita, ele tentava tocar a sua face, mas os seus braços eram curtos demais para alcançar a região, então o choro vinha na sua garganta e ele não conseguia controlar. Virou o seu curto pescoço e percebeu a presença de um homem forte e alto ali. Mas onde era ali?

Pelo que percebeu, era uma casa velha e cheia de poeira, com algumas cartas de tarô espalhadas pelos poucos cômodos e a pintura de uma Medusa estampada na parede. As estantes eram todas de madeira e tinham algumas estatuetas de deuses Hindu e Gregos. A visão de Órion dentro do sonho não era boa, via alguns vultos que não deviam estar na imagem que tremulava em sua frente.

A imagem mudou, agora via um borrão de uma velha falando com o homem musculoso. A mulher era baixa e com a pele negra, tendo cabelos arrepiados em formato de tigela. Ela apontava para Órion e sibilava algumas palavras que o garoto não conseguia entender. Ergueu o olhar para a mulher que o segurava e via o horror em seus olhos. Ouviu um sibilar que se resumiu em uma palavra: Karma. A velha apontava para ele falando a mesma coisa enquanto o homem musculoso erguia o dedo para contestar.

Os olhos de Órion se abriram. Ele soava frio e sua respiração pesava ao sair da garganta, jogou o cobertor para o lado e revelou a sua calça moletom. Respirava pesadamente colocando a mão no peito algumas vezes tentando recuperar o fôlego, mas este sumia sempre que se lembrava do seu sonho. Nunca havia sonhado algo assim, jamais imaginaria que um sonho poderia ser tão realístico quanto aquele. Então novamente o sono invadiu a sua mente e ele voltou a dormir.

Quando o sol bateu na janela de Órion, o garoto abriu os olhos com a claridade. Estava na hora do seu plano. O relógio marcava cinco horas da manhã, então era cedo o suficiente para ele ir até a escola antes que Martin ou Yalex acordassem. Tomou um banho e trocou de roupa, pondo uma jaqueta preta por cima da camisa azul e uma calça jeans seguida por um all star. Ergueu a mão e abriu um portal para a ruela mais próxima da escola, entrando no mesmo e desaparecendo de vista. Teria que esperar alguns minutos até avisar Jimmy dando o sinal para ele.

Aquela era a Rua Bridge, não ficava muito longe da escola, mas era o ponto combinado. Olhou para as casas amontoadas que ficava naquela rua estreita, tentando perceber o mínimo de movimentação. Percebera de longe a mão de Jimmy rodando uma pulseira prateada no pulso que reluzia à luz do sol formando um sinal. Aquela era a hora. Todos acordaram cedo para que o plano fosse bem sucedido. Estava decidido o que iriam fazer e tudo daria certo.

Órion se pós a andar, chegando até o pátio da escola que ainda mantinha as portas fechadas. Cruzou o portão de ferro e olhou para os lados, aparentemente ninguém estava lá além das cadeiras vermelhas e amarelas.

Ouviu um barulho rápido no portão de ferro e olhou na direção do mesmo, antes que percebesse qualquer coisa, ali em sua frente estavam três homens. Todos magricelas. Era a postura de um Caçador, Órion sabia disso, e eles chegavam de forma tão surda que poucos conseguiriam perceber a sua presença.

Audácia a sua voltar aqui. – disse um dos Caçadores.

Ainda mais sozinho. – completou o magricela do meio.

Quem disse que eu estou sozinho? – Órion ergueu a mão e um portal abriu na frente do homem, porém nada saiu de lá, o que fez o mesmo ri alto e ser acompanhado por seus colegas. Eles riam abertamente achando que Órion estava louco, então rapidamente um portal abriu em suas costas e um machado atravessou a cabeça do Caçador 1. Era Jimmy que chegara ali e em seguida entrava em seu portal novamente.

Cuidado! – gritou um dos Caçadores, mas era tarde demais, pois um portal aparecia em cima dele e uma garra de prata atravessava a sua cabeça, o matando rapidamente.

Agora só sobrara um Caçador e este logo apontou a sua arma para Órion.

Agora você morre seu vagabundozinho! – o homem cuspiu as palavras no garoto.

Órion ergueu a sua adaga e lançou na direção do Caçador, mas errou miseravelmente fazendo com que a faca passasse.

É isso o que sabe fazer? – sibilou o Caçador e ele estava pronto de atirar. Porém um portal laranja se abriu em suas costas e uma mão segurando a adaga apareceu, cravando a arma em sua nuca e fazendo o sangue espirrar.

Os portais começaram a aparecer e todos estavam ali rapidamente.

Eram só esses? – disse Isabelle jogando a adaga de Órion de volta.

Acho que sim. – Órion respondeu.

Não. Foi fácil demais. – Ellie estava certa, pois naquele momento uma Van invadiu o pátio e a sua porta se abriu, tirando de lá cerca de sete Caçadores bem armados.

Mesmo plano. – Hélio falou e abriu um portal.

Ellie ergueu o seu chicote e o lançou na direção do pé de um dos Caçadores, o empurrando e lançando-o ao chão, em seguida Hélio apareceu de um dos portais e cravou o seu soco inglês no nariz do Caçador caído e sumiu mais uma vez. Isabelle corria na direção de um Caçador magricela e o homem ergueu um bastão eletrizado para ela tentando acertá-la no peito, mas a garota era rápida e esquivou para o lado cravando as suas garras de prata no baço do Caçador.

Dois Caçadores se destacavam ali. Um era alto, forte e o seu pescoço mostrava a sua pele negra, com um olhar penetrante e a mão fechada em punho. Outro era baixo demais para ser um Caçador e não era magro. Seu corpo tinha curvas. Provavelmente era uma mulher. Jimmy correu na direção do Caçador-negro e tentou cravar o seu machado no peito do homem, mas este o parou com a mão esquerda, segurando a sua arma sem demonstrar muita força, então levantou o seu pé e disparou um chute potente no peito de Jimmy que voou longe, batendo suas costas em uma das paredes do pátio.

Ellie e Isabelle dispararam na direção da Caçadora que aparentemente era uma mulher, contudo a mesma era rápida o suficiente para desviar dos golpes que lhe eram lançados. Isabelle investiu com as suas unhas na direção da face da Caçadora e esta parou o golpe com a mão esquerda, dobrando o braço de Isabelle e a fazendo rodopiar no ar. Ellie tentou proferir um chute usando a tática de surpresa ao vir por trás da Caçadora, mas não fora o suficiente já que ela desviou e lançou-lhe uma rasteira que fez a Spinner cair no chão.

Black Moutain. – disse a Caçadora, retirando de um pequeno compartimento da sua bota, uma pistola mediana. Ela tinha uma voz ligeiramente familiar para Órion, contudo não era fácil para o garoto se lembrar disso quando estava prestes a morrer.

Mamba Negra. – o Caçador-negro retirou uma arma da sua cintura e entregou para a parceira. Ambos ergueram suas armas e apontaram para cada Spinner que estava ali. Eles estavam imobilizados, não podiam fazer mais nada, afinal, apenas aqueles dois haviam conseguido derrotar cada um presente. Estavam mortos.

Um portal se abriu atrás de Black Moutain e uma espada cortou-lhe a nuca o fazendo cambalear para o lado, contudo antes que ele tivesse qualquer outra reação, a espada voltou a ser apontada e perfurou a sua testa. Ao ser puxada o sangue espirrou e Black Moutain caiu morto no chão. Do portal saía Yalex com o seu olhar severo caindo sobe os garotos que já estavam rezando para todos os deuses pedindo que eles o salvassem da morte eminente. E pelo visto, o pedido havia sido atendido. Martin também saiu de um portal, este erguia uma espada igual à de Yalex.

Para a surpresa de todos, Mamba Negra não recuou. Com a máscara que a mesma usava tudo o que podia ser visto eram os seus olhos verdes que não emitiram nenhum contato com o corpo morto do seu parceiro. Ela tornou a guardar sua arma no mesmo lugar e das costas, ergueu um cacete de ferro e ergueu o pescoço. Ela estava desafiando os instrutores.

Como eles chegaram aqui? – Hélio perguntou.

Acho que Ellie pode responder isso. – disse Isabelle.

Deixei um bilhete. Imaginei que chegaríamos antes que eles vissem. Podem me agradecer. – sim, ela estava com um ar triunfante enquanto os outros a olhavam com certa raiva por ela não ter confiado em suas próprias forças.

Mamba Negra esperava pelo ataque, uma investida vinda dos instrutores, contudo eles não o fizeram. Colocaram as mãos dentro da jaqueta que usavam e lançaram pequenas adagas que voaram na direção da garota. Órion viu as adagas voarem, ele sabia que não tinha escapatória, ninguém seria rápido o suficiente para isso, sem contar que as técnicas dos instrutores não eram superadas tão facilmente.

Uma adaga passou pela lateral da máscara de Mamba Negra, rasgando e mostrando a sua pele branca manchada pelo vermelho escarlate do sangue, contudo a segunda adaga, a Caçadora havia parado entre os dedos e em um movimento único lançou-a de volta certeiramente no peito de Martin. A adaga atingira o seu coração. Uma mira certeira, tal como o veneno de uma Mamba Negra.

A surpresa fora enorme. Todos se olharam como se um grande monstro tivesse acabado de pisotear Tenebra. Yalex via o corpo do amigo cair ao chão e não conseguia mover nada para agarrar, nem mesmo atacar Mamba Negra que provavelmente estava sorrindo em baixo da máscara que usava. Um dos Caçadores que olhava a ação correu para fora do pátio e lá estava uma van branca, ele subiu na mesma e ergueu uma arma que tinha um gancho no gatilho, então atirou fazendo com que o gancho enroscasse na coxa de Yalex, e antes que o homem fizesse qualquer coisa, se viu sendo arrastado pela rua até que foi posto dentro da van.

Órion sentia o sangue correr no seu corpo mais rápido do que o normal. Conseguia ouvir os seus batimentos. Via o corpo de Martin no chão com uma adaga em seu peito, conseguiu perceber Mamba Negra correr e sumir das suas vistas, então a única coisa que ele ainda tinha em seu campo de visão era a Van que carregava Yalex. O garoto não podia deixar que o seu único instrutor fosse embora. Era a sua única família. O seu guia. Ele não deixaria que tudo acabasse tão facilmente.

O garoto sentia o seu peito queimar, o seu corpo estava totalmente em chamas. Os seus olhos tremulavam um vermelho sangue, então as suas mãos se abriram liberando um portal avermelhado. Órion sentiu o seu corpo tomar um impulso próprio, como se fosse atraído pelo portal. Ao longe conseguiu ouvir um sibilar negativo de Ellie, mas quando percebeu já havia entrado no portal.

Estava agora uma grande capital, com naves voando no céu e um grande telão de imagem 3D, era como a Times Square, contudo muito mais tecnológica. Via hologramas de uma mulher loira indicando as horas e a temperatura ambiente. O sol parecia potente, mas não fazia calor e muito menos frio. As pessoas usavam pequenos carrinhos voadores para se locomover e estavam sempre conversando com alguém através do telefone que também projetava um holograma.

Órion ergueu a sua cabeça e olhou para frente, só então percebera que estava caído no chão e alguns já tinham notado a sua presença ali. Todos usavam trajes estranhos como blusões cinza e penteados coloridos bastante futurísticos. Mas algo realmente estranho estava ali, exatamente na sua frente. Era uma espécie de cópia... Uma cópia de algo que Órion conhecia muito bem. Era uma cópia sua. E esta, ao perceber a presença do garoto cresceu os seus olhos. Estavam ambos assustados.

Notas finais
Por favor, se encontrarem algum erro eu peço que me comuniquem. Mesmo mesmo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.