Os Portais de Órion Woody
4 O Fardo – part. 1
Notas iniciais
Mark ajudou Ellie a colocar Órion sentado em uma cadeira de madeira dentro da casa de treinamento. O garoto ofegava e sentia o seu rosto queimar com a necessidade do choro vir já que a sua perna não parava de sangrar. Todos começaram a formar um circulo em volta de Órion, mas ele não tinha coragem de olhar para ninguém ali, não queria que o vissem chorando ou parecendo fraco.
Martin olhou para a perna de Órion e em seguida para todos, pedindo gentilmente que se retirassem dali para que o garoto tivesse os cuidados necessários. O mais velho sabia que ele sentia dor, mas provavelmente teria que sentir algo bem pior quando a bala precisasse ser retirada, pois aquele tipo de arma fora feita para matar especialmente a sua raça. Os integrantes da casa subiram para os seus quartos e esperaram até que tudo acabasse.
Lá de cima era possível ouvir os gritos de Órion, o garoto se debatia em cima do sofá da sala de estar, mas Yalex e Martin eram firmes para tratar do seu ferimento, o limpando e passando certas plantas que eles conheciam e ajudaria na cicatrização daquilo. Quando os gritos pararam, todos desceram novamente e encontraram Órion deitado, apenas dormindo como se nada tivesse acontecido. Ellie era a que mais se sentia culpado, e nem mesmo a garota sabia o motivo.
– Eu quero que me diga exatamente o que aconteceu. – Martin falou olhando severamente para Ellie que baixou os seus olhos e os subiu novamente tentando se recompor.
– Bem, eu passei no corredor para a minha aula e um dos amigos de Órion me perguntou onde ele estava, e eu não soube responder. Achei estranho porque estava quase na aula dele, então resolvi procurar por toda escola. Acabei chegando até o segundo andar e de longe o vi no estacionamento lutando contra três homens, então desci para ajudar. – ela ofegava para falar e em seguida olhou para os outros que estavam na sala.
– Eu disse que isso era errado. Falei que não tinha necessidade nenhuma de vocês irem para uma escola. – Hélio quem falou olhando para a irmã e em seguida para Yalex e Martin.
– Hélio Baudelaire, você queria que eu crescesse burra? Yalex e Martin não podem perder tempo nos ensinando. Órion não tem culpa de nada. – Ellie rebateu totalmente indignada com o irmão.
– Não tem culpa de nada? Está falando do mesmo Órion? Aquele que quase teleportou os meus cabelos uma vez? E eu juro que se isso tivesse acontecido eu teria arrancado cada fio da barba inexistente dele. – Isabelle falou com o seu típico jeito grosseiro.
– Galera, estamos falando do Órion. Quando se trata da escola, ele é sim responsável. – Mark começou a falar. – Eu conheço esse garoto, ele não faria nenhuma besteira. – o rapaz concluiu.
– Concordo com o Mark. O guri nunca causou problema para nós. – Jimmy tentou esboçar um sorriso, mas não surtiu efeito em ninguém além de Mark.
– Parem de ser tão hipócritas. Sabemos sim que Órion nos trás problemas. Estamos sempre o protegendo e ele está sempre se metendo em confusão. Não se lembra de Nova Orleans? Queridinho, ele atraiu a polícia inteira atrás de nós. E você sabe quem está com a polícia? C-A-Ç-A-D-O-R-E-S! – Isabelle revirou os olhos e subiu para o seu quarto.
Martin bufou e colocou a mão na face, em seguida ergueu o olhar mais uma vez.
– Está decidido! Nós não vamos ficar mais aqui. Temos que ir embora. E isso vai acontecer amanhã cedo. Já tomei a minha decisão. – o homem gritou para os adolescentes e Hélio se assustou.
– Como assim sair daqui? Nós criamos uma vida aqui. Nunca gostamos tanto de um lugar quanto este. Isso aqui se tornou a nossa casa, finalmente nós temos uma e agora vamos abandonar tudo? – disse Hélio com a face tão vermelha quanto a da irmã que agora começava a chorar baixinho.
– Eu já decidi, mocinho. Não temos mai–
Yalex foi interrompido por uma voz que vinha do sofá.
– Ele está certo. – disse Órion. – Não podem abandonar a vida que construíram aqui por mim. Vocês podem não acreditar, mas eu não tive culpa no ataque de hoje. Eu juro pelo meu nome. Mas não seria justo que saíssem daqui, e eu também me apeguei a esse lugar. –
Hélio olhou para Órion e revirou os olhos, deu as costas para o garoto e se retirou.
– Eu já tomei a minha decisão. – Martin deu uma leve tapa no ombro de Órion e saiu dali junto com os demais deixando o garoto e Ellie sozinhos na sala de estar.
– Olha... Eu... D-descul... UNF! – Ellie não conseguiu terminar sua frase, pois Órion a beijou na bochecha esquerda, sentindo a lágrima salgar seus lábios e as maçãs de seu rosto, que ganhavam um tom escarlate.
O garoto exibia um sorriso fino nos lábios rosados deixando suas sardas ainda mais destacadas.
– Obrigado – ele disse beijando-a na testa. – Por ter salvado a minha vida. E desculpe por ter posto a sua em perigo. – completou Órion e enxugou as lágrimas de Ellie com o dedão. A garota não conseguiu dizer nada para ele, então apenas deixou que o mesmo subisse para o seu quarto.
Órion não se sentia bem quando todos estavam achando que ele era o problema, que ele era o parasita daquele grupo. Sabia que Martin e Yalex havia jurado proteção aos seus pais, mas os homens também haviam se abdicado de uma vida normal para cuidar dele, ele estava sempre ali para atrapalhar tudo. Nunca desejou ser um Spinner, nunca desejou acordar um dia e ter que lhe dar com uma notícia de que conseguia abrir portais no espaço de um lugar até outro. E pior, nunca desejou que fosse um ser especial dentro disso tudo, pois sim, os Caçadores não estavam o perseguindo só por ser Spinner, tinha algo por trás disto.
Não queria ficar em um lugar onde todos o olhassem torto, pois sabia que isso iria acontecer. Queria poder sair e ir para qualquer canto desconhecido, deixaria que o seu corpo fosse para qualquer espaço que não se parecesse com aquela casa. Então Órion Woody vestiu a primeira roupa que viu no guarda-roupa junto com uma calça larga e mancando olhou para o horizonte que se intensificava atrás da sua janela.
– Para qualquer lugar. – ele sussurrou e abriu a mão esquerda liberando um portal. Sem nenhuma palavra, entrou no mesmo.
Estava em um parque escuro e com casas altas e luxuosas. Atrás dele tinha uma garota loira que já vira antes.
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