Os Poderes Perdidos

23 Capítulo 23:Sou acusado de traição


COMO FILHO DE ZEUS, eu saí saltando perante as pedras e correndo a toda velocidade, enquanto Selina e Pedro corriam com cuidado, um tentando ultrapassar o outro. Corri mais um pouco e olhei para trás. Selina estava a frente de Pedro que corria desesperadamente. Volto a visão para frente e consigo pular no ultimo segundo; o chão acabou. Pulei e consegui cair em um gramado que estava bem distante das pedras. Selina se apavorou, arregalou os olhos e logo os fechou antes de pular. Ela quase caiu, mas eu a puxei para o gramado a ajudando a subir.

– Vamos sa... – Não completei a frase. Ela puxou uma das asas da sua coruja de prata e esta se transformou em uma de suas laminas fascinantes. Ela cortou meu braço. Me afastei surpreso e então tive que desviar de seus golpes contra a minha cabeça. – O que está fazendo?

– Ah, não me venha com essas conversas, traidor! – Ela disse com raiva.

Ficamos nos encarando por um tempo. Poucos segundos, mas se percebe muito em um olhar. Ela me olhava com ódio, decepção, tristeza e até mesmo um pouco de... duvida.

– Erick! – Pedro gritou e uma de suas flechas quase atingiu o corpo de Selina e quase atingiu a minha mão. Não entendi direito. Selina me atacou e me chamou de traidor. Pedro atirou uma flecha em direção a nós. Quem ele queria acertar? A mim, ou a Selina? Bem, eu não que ia ficar para descobrir. Depois de ver Pedro pular para o gramado e encarar Selina com os mesmos olhos que ela me encarou, eu corro para a floresta.

As arvores arranharam meu rosto e o chão de terra um tanto molhado e desnivelado me fez tropeçar e cair. Não senti a queda, talvez por causa dos poderes. Talvez eu não sentisse mais dores por eles. Rezei para estar certo quando uma flecha caiu fincada na terra ao lado do meu rosto e em seguida escutei os passos de Pedro e Selina correndo até mim; com raiva e querendo me matar.

– Ela é traidora, acabe com ela – Pedro gritava

Me levantei e logo escorreguei novamente em um barranco de terra. Rolei algum metros e machuquei o braço em um galho, mas antes mesmo de eu me por de pé ele já havia curado. Assoviei um coro para chamar meu pegaso. Seria um tã dã dã tã dã em assovio. Ele não respondeu. Eu praguejei. Onde diabos ele estaria agora que eu mais precisava? Virei para correr quando as raízes de uma arvore se enrolaram em meus braços e depois em minhas pernas e começaram a ir em direção ao meu pescoço.

– Muito obrigada – Selina disse pegando o cristal e saindo de perto correndo pela direita. Uma flecha cortou uma das raízes. Não foi proposital pela cara que Pedro me olhou.

– Eu vou atrás dela – ele disse como uma explicação.

Com a mão livre eu me livrei do resto das raízes e saí em disparada atrás deles. Não demorou muito para eu alcançá-los. Pedro atirava flechas constantemente contra Selina que corria e desviava delas. Uma das flechas passou de raspão em seu pé. Ela caiu no chão e se virou com os olhos... extremamente azuis e elétricos. Ela esticou a mão para Pedro e eu fechei os olhos. Ele não foi atingido (e nesse momento nem sei mais se isso é bom ou ruim), mas a arvore ao lado dele quase caiu com o impacto e o estrondo foi horrível. Selina voltou a correr, sem olhar para trás.

Eu e Pedro a perseguimos até ela se encurralar entre pedras. Nós lutamos. Nós dois. Ela desferiu golpes contra meu corpo. Eu desviei e investi contra seus braços e acertei um golpe. Certeiro! Bem no compartimento do cristal! Os poderes caíram no chão, nós dois o olhamos, mas Pedro nos impediu chegando e pisando em cima do cristal.

– Já chega – ele disse. Estava com um corte feio na testa e me perguntei se não foi Selina que o machucou. Pedro pôs a sua... espada? Sim, era a primeira vez que o via com uma, no peito de Selina, que pôs uma de suas laminas de coruja em meu pescoço. Eu ponho a espada dourada contra o peito de Pedro. – O que? Você está louco? Ela é a traidora, não percebe?

– Cale a boca, idiota – Selina protestou – O principezinho é que nos enganou!

– Eu? – disse assustado – Eu sou o principal alvo do demoniozinho aqui – pressionei mais minha espada contra o peito de Pedro e ele fez o mesmo que eu em Selina. – Como eu posso ser o traidor, vocês sabem que tenho a marca de Ares e já provei que sou filho de Zeus. Como eu poderia?

– Não venha com essa. – Selina disse com raiva – Eu confiei em você, sabia? E eu não posso ser a traidora, em todas as visões sempre foi um homem! E ainda tenho as duas marcas para comprovar isso!

– Tem a de Atena, pode ser falsa – disse Pedro pra ela. Nos estávamos como um triangulo. Um com a espada no outro.

– Você por acaso está duvidando da minha inteligência? – Selina disse com os olhos raivosos que apenas agora estão voltando ao verde musgo de sempre.

– Eu sou filho de Apolo, eu fui possuído pelo tal espírito e ainda sei muito bem usar um arco! – Pedro justificou

– Você me chamou de príncipe! Você tentou dar uma de coitadinho sempre, mas na verdade era você que estava nos traindo o tempo todo – Eu gritei

– Você até que finge bem, tomadinha – Selina disse e baixou a lamina até o ponto onde senti meu coração parar de bater. – Eu teria acreditado em você se não tivessem me aberto os olhos.

– Cale a boca traidora – Pedro gritou

– Quem te abriu os olhos? – disse tremulo.

– Ora, o único amigo que tive pelo jeito! Mas não te interessa!

– Espera... – Pedro começou – Também me abriram os olhos.

– Eu... – eu disse – Quem disse a vocês?

– Bruno – Selina disse – Ele disse que Erick era o traidor, ele me convenceu disso.

– Bruno disse que você era traidora – Pedro falou confuso – Ele disse que já desconfiava de você.

– Ele também me disse que você era traidor, Pedro. – abaixo a espada. Meu sangue ferve. Flashs e lembranças me vem a mente fazendo com que tudo faça sentido – E isso só quer dizer uma coisa: Bruno é filho de Hades.