Os Poderes Perdidos
9 Capítulo 9: Tenho uma visão comprometedora
Dias se passaram, eu ainda me recuperava e ficamos treinando enquanto, não tinha nada para fazer a não ser dar 5 voltas no acampamento todos os dias, 2 vezes ao dia, treinar a defesa, o ataque, a mira, tudo isso com Aron e Quíron nos guiando. Imaginei como tudo estaria agora se o demônio Junior não tivesse estragado tudo. O campo devia continuar lindo como estava na visão antes do ataque dos monstros, as cabanas deviam estar construídas e com muitos semideuses felizes passando as férias de verão. Os campos deviam estar intactos com cheiro das arvores e da plantação de uvas, hortelãs, e abacaxis que ainda haviam resquícios que eu identifiquei agora. Eu não tive a oportunidade de explorar mais os local porque Aron deixou as regras claras, seus limites são os bosques, temos guardas por todo o perímetro!
Não sabia quais eram os guardas mas também não quis arriscar. O Aron era chato, não deixava a gente fazer muito coisa, não deixava visitar os rios ou os campos do local, não deixava a gente se misturar muito com as outras equipes, no fundo eu acho que ele e Quíron fazem meio que uma competição, quero dizer, minha turma é melhor que a sua. Mas por mais que o sátiro fosse chato eu gostava dele, ele cuidava da gente as vezes, vinha ver como eu estava enquanto fiquei doente. Para falar a verdade ele estava sendo o mais perto de um pai que eu já tive. Pelas minhas contas fazia uma semana que eu estava preso. Uma semana sem minha mãe. Pensei nela, será que ela estava bem? Será que estava morta? Não, disse a mim mesmo, pense positivo, você vai sair vivo dessa. Pensei em minha avó e meu primo, o que será que eles estavam pensando? Quero dizer, a uma semana atrás eu e minha mãe devíamos ter chegado lá e agora desaparecemos. Havia alguma coisa perto da casa da minha avó, minha mãe me mandou ir para lá quando fomos atacados pelo Cérbero. Agora fazia sentido minha avó me dar livros sobre mitologia de presente, ela estava me preparando.
Mas se só eu e David ganhávamos livros, quer dizer que ele também... de qual deus será que ele é filho? Será que ele já sabe? Será que ele já veio para cá? Minha avó sempre disse que éramos especiais, mas eu não pensava que fosse deste jeito. Comecei a pensar quem protegia ele, Mar... Ares me protegia, era meu irmão (e as historias dele geralmente não são muito boas), mas quem protegia David? Qual dos meus tios é o parente verdadeiro? Já que ele é um semideus um dos pais dele tem que ser... “falso”. Mas por mais que David fosse meu amigo, ele sempre foi meio bobo. Um garoto gordinho, um ano mais velho que eu, cabelos loiros meio ruivos, muitas acnes no rosto, altura media. Ele não parecia o tipo de gente que você vê com armas em punho e desafiando monstros. Ele é bem medroso para falar a verdade, tem medo de tudo. Quanto a Ares, bem os mitos o retratam diferente de como ele apareceu para mim, bem diferente. Nos mitos o Ares é um deus sanguinário, impaciente, egocêntrico, estressado e raivoso, por isso ele sempre perde para Atena (que também é uma deusa da guerra, mas ela é da guerra estratégica e Ares é da devastação sanguinária, para resumir), mas o que me assustou foi que Ares me pareceu exatamente assim no Olimpo quando perdeu o controle e quis brigar com Atena.
***
Nesses últimos dias eu andava livre dos pesadelos, mas não sei se isso era bom ou ruim, afinal eu não via mais o traidor e não tinha mais pistas. Desejei ver Marte antes de dormir, talvez se eu falasse a ele que o culpado fosse Hades e ele e os outros deuses conseguissem detê-lo e salvar a mim, minha mãe e meus amigos. Mas quando dormi apareci em lugar diferente, uma caverna. Estava completamente escuro, eu não enxergava nada além do fogo, das tochas e dos olhos de quem eu via. Do nada, umas 10 tochas se ascenderam a minha volta e vi uma cena que... bem, me atormentou um pouco e me deixou com vergonha até mesmo sendo visão: estava eu, Pedro, David e Selina na caverna, mas o constrangedor é que... bem, eu e ela estávamos de mãos dadas, mas aposto que deve ter tido um bom motivo, como... sei lá, um bom motivo! Bom continuando, um enorme monstro apareceu as nossas costas e depois abriu seus olhos extremamente laranjas. Eu me vendo, me viro rapidamente, empurro eles para trás e transformo Alfa rapidamente, bem a tempo de me defender de uma rajada de fogo. Logo depois os outros chegam, Bruno e os verdes, os amarelos e o resto dos azuis (um dos azuis era David que já estava conosco). Todos eles são cercados de fogo e, quando estou prestes a ver eles morrerem o cenário muda e apareço no mundo inferior. O submundo não mudou nada desde a minha ultima visão. Hades e seu filho conversavam, como sempre em meus sonhos.
– Pai – disse o traidor – o garoto não desconfia de mim. Se desconfiava antes, agora tenho certeza que conquistei a confiança dele.
– Quanto a seus outros amigos?
O traidor ajeita o capuz negro em sua cabeça, depois estrala os dedos e tenho que certeza que se pudesse ver seu rosto ele estaria sádico e sorrindo com maldade.
– Eles estão me ajudando sem saber, estão confundindo o príncipe. Ele deve morrer amanhã, quando sairmos a procura do cristal da água.
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