Onde o vento sopra forte e os passáros cantam seu suplício

Assombra-os uma sombra que perpetua esse domínio

Onde é monotono e o tempo é paradoxo, vivem no ninho

Pobres passáros que se acostumam com o ninho e não pulam para o voo

Pobres passáros que se alimentam do que vem da escuridão do solo

Se perguntam se existe um mundo novo, fora do ninho redondo e seguro

Mas não se atrevem a pular e voar com medo da aguiá os matar

Acomodados passáros que vivem ao respirar mas não sabem o que é o ar

Só ira lhes ensinar a mãe-passáro que sabe como sonhar e buscar

Só ira lhes ensinar se for permitido cair e machucar

Só ira sair do ninho se com suas asas fazer seu voo traçar

A mãe-passáro nesse tempo ira chorar e em mil coisas ira pensar

Mas nas mãos da luz do dia sabe-se que seus filhos-passáros voaram para brilhar

Pois na sombra eles não vão ficar se souberem como pensar

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