Os Outros
17 Pedidos
Notas iniciais
Giro o amuleto na minha mão, na minha cabeça fico repetindo os mesmos versos da música de novo e de novo. Alguém bate na porta. Guardo o amuleto e vou até a porta. Riley e Emily entram no meu quarto, não consigo diferenciar as duas direito, mas sei que Riley usa o cabelo solto. Emily, que usa o cabelo preso em uma trança, senta em um pequeno sofá, ao lado da irmã. Vou até a poltrona em que estava sentada antes.
"Riley... Sei que nunca fui muito legal com você, mas..." Respiro fundo e mordo meu lábio inferior. "Eu já ouvi você cantar... Sua voz é bela e macia. E voz é a única coisa que eu não tenho"
— Onde está querendo chegar, Lilly? — Ela me observa com curiosidade.
"Riley, você me emprestaria a sua voz?" Encaro-a nos olhos. Emily cai na gargalhada, mas logo se controla.
— Como assim?
"Eu..." Pego o amuleto e o mostro para elas. "Eu sei como salvar a cidade, mas não posso fazê-lo. É necessário ditar um feitiço, uma canção na verdade".
— Por isso você não queria fazer o feitiço antes? Por ser... muda?
"Antes eu não sabia como salvar a cidade!" Aperto o amuleto em minha mão até as juntas dos meus dedos ficarem brancas. "Preciso que alguém cante A Canção do Oceano¹ no meu lugar. Assim, poderemos salvar Atlântida".
— Canção do oceano?
"Antes de... Eu morrer, recitei um feitiço e as pessoas que ouviram, transformaram ele em uma canção, para honrar os sete filhos. Eu sei de cor essa canção, estive cantando ela faz dias, mas o mar não voltou, ele apenas se aproximou mais".
— E-Eu não sei se consigo...
"Por favor Riley!" Pego suas mãos. "Eu consigo sentir a barreira rachando" Coloquei a mão no peito "Eu sinto bem aqui, toda vez que ela se racha... Sinto mais dor. Preciso de alguém em que confie"
— Chame Lucy então.
"Lucy está totalmente perdida. Ela está muito depressiva por sua causa e não tem o auto controle suficiente. Você por outro lado, tem um controle maravilhoso sobre seus poderes"
— Eu não sei...
"Atlântida precisa de você. Eu preciso de você".
— Vamos, maninha. — Emily a cutucou com o cotovelo — Ninguém vai se importar se você desafinar em algumas notas.
— Não é por isso que estou preocupada... E se não der certo?
— Claro que vai dar certo. — Emily sorriu. — Eu vou estar lá, assim como todos nós. Todos estarão lá por você... E por Lilly.
Ela ficou em silêncio por um tempo, a tensão crescendo no ar. Abri a boca para dizer algo até que Riley levantou os olhos para mim.
— Tudo bem. Irei fazê-lo.
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Observei enquanto Emily, Lilly e Riley conversavam no jardim. Fazia uma semana desde que Riley anunciou algo para Mestra Gallia que a fez pular de alegria. Desde então, o trio não se largava. estava borbulhando de raiva. Voltei para dentro do meu quarto e fui até uma garrafa de cerveja. Bebi dois generosos goles e me joguei na cama. Não estava a fim de lidar com ninguém.
Lyra surgiu no meu quarto, provavelmente usou um portal de Sarah para entrar. Ela sentou na minha cama e colocou a mão na minha testa, depois desceu a mão até o meu peito, bem onde ficava o coração. Ela fechou os olhos e respirou fundo.
— Seu coração pede por algo. E você sabe exatamente o que é, mas não quer admitir. — Não respondi. Ela pigarreou e continuou: — Sei que não quer saber, sei que você acha que já sabe, mas ás vezes o coração precisa de uma informação vinda de fora. Riley te ama? Sim, ela te ama. Emily te ama? Bom... Emily está se virando em te esquecer. Lilly te ama? Não mais, posso te garantir. Tudo isso todos já sabem, mas a grande questão é; — Ela aproximou a boca do meu ouvido e sussurrou. — Por quem você está apaixonada, Lucy?
Senti um arrepio na espinha ao ouvir a pergunta. Ela se afastou de mim. Abri a boca para dizer algo, mas ela a tampou com um dedo e sorriu.
— Antes de me responder, pense sobre isso e pare de beber. É muito perigoso uma usuária de fogo beber tanto álcool.
Ela afastou o dedo e me encarou no olhos. Pisquei e quando voltei a abrir os olhos, ela havia sumido. Sentei na cama e olhei em volta, onde ela havia se sentado estava um pequeno embrulho, ao abri-lo, dei de cara com um pequeno pingente em formato de um floco de neve. Encarei o pingente antes de sentir lágrimas nos olhos. Cobri a boca com a mão para abafar os soluços. Não queria que ninguém ouvisse meus lamentos. Lamentos por alguém que amava, mas não queria admitir.
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