Os Outros
15 Emily
Notas iniciais
Estou chorando. Chorando porque fui idiota de pensar que Lucy iria me perdoar. Chorando porque estou sozinha. Chorando porque congelei meu quarto inteiro... E o quarto de Lucy. Olho em volta, estou sentada contra a minha porta, todo o meu quarto está congelado e está nevando levemente. Respiro fundo e me levanto, conforme vou andado, congelo o chão. Fecho os olhos e uma única lágrima desce pelo meu rosto. Por quê? Eu poderia ter ficado em silêncio, poderia ter escondido a verdade, mas precisava me livrar de Emily e assumir quem eu realmente sou, sou Reilly. Mestra Gallia criou aquela ilusão de que eu era Emily. Ela fez o que achava ser certo, mas eu sei o que é certo. Eu sei que Emily vai voltar. Ela vai voltar para ficar. E Lucy poderá ficar ao lado dela. Do jeito que ela queria muitos anos atrás. Respiro fundo. Alguém bate na minha porta. Vou calmamente até ela.
— Quem é? — Pergunto antes de abrir a porta.
— Seu pior pesadelo. — A voz de Emily responde. Congelo. — Abre logo, não quero que Lucy me veja.
Abro a porta e Emily entra. Ela está diferente. Emily é da minha altura, pele pálida igual a minha, olhos cinza e sem brilho, cabelo loiro preso em uma trança lateral, ela usa um vestido azul-gelo como o meu. Ela passa por mim e enquanto fecho a porta ela olha em volta.
— Você congelou o nosso quarto? — Ela cruza os braços. — Não acredito. Riley, pensei que você fosse melhor que isso.
— Cala boca. — Ela sorri e vai na minha direção. Para minha surpresa, ela me abraça e enterra o rosto em meu cabelo.
— Desculpe. — Tento conter o choro, mas acabo cedendo e abraço Emily. Enterro meu rosto em seu ombro. Ela se afasta de mim e seca minha bochecha com o polegar. — Agora, como vamos descongelar esse quarto?
— Ah... — Rio. — Verdade.
— Que tal se eu fazer esse lado do quarto, e você faz o outro?
— Ok.
Depois de descongelarmos o quarto, deitamos na minha cama. Ficamos encarando o teto em silêncio por um tempo. Me virei para Emily, ela sorriu e se virou para mim.
— O que foi?
— O que será que Lucy irá dizer? Quando te ver?
— Eu não sei. Mas só tem um jeito de descobrir.
Abri a boca para dizer algo, mas alguém bateu na porta. Olhei para Emily. Ela deu de ombros e fez um sinal para mim abrir a porta. Levantei e abri a porta. Mestra Gallia entrou.
— Estão nos chamando na sala do trono, o rei quer nos ver. — Ela finalmente se virou para mim, Emily agora estava ao meu lado. Gallia ficou ligeiramente pálida e balançou a cabeça.
— Você deve ser a Mestra Gallia. — Emily estendeu a mão. — Prazer em conhecê-la, Riley me falou muito de você.
— Emily. — Ela apertou a mão de Emily e voltou a olhar para mim. — Riley, você poderia ir chamar a Lucy? Tenho que chamar os outros.
— Não. Eu chamo a Sarah, você pode ir chamar a Lucy. — Me virei para Emily. — Você vem comigo?
— Claro, irmãzinha.
— EU sou mais velha!
Saímos do quarto rindo.
Lucy é a última a sair do quarto. Ela não olha diretamente para mim, mas quanto finalmente olha para mim ela logo desvia o olhar para Emily. Vejo seu rosto ficar ligeiramente pálido e depois voltar ao normal. Ela dá um paço na nossa, na direção de Emily e abre a boca.
— Olá... — Ela gagueja.
— Oi. — Emily cruza os braços e olha Lucy debaixo para cima, desinteressada. — Então você é a Lucy? Hum... Imaginava que você fosse melhor, já que é minha irmã namorada. Não! Espera! EX-namorada. Que pena.
— Eu...
— Pois é. — Emily se virou para mim, pegou minha mão e a beijou delicadamente. — Vamos Riley, o rei nos espera.
Quando estávamos mais longe de Lucy e do grupo, abracei Emily pelo ombro. Segurei as lágrimas. Emily riu e me abraçou forte.
— Estou com você irmãzinha. E sempre vou estar.
— Obrigada. — Nos soltamos e paramos na porta da sala do trono, esperando os outros.
Entramos na sala do trono. O rei nos encara com emoção, ele segura as lágrimas e respira cm dificuldade. Encaro ele nos olhos e pequenas imagens dele e de uma outra mulher vêm na minha mente. Respiro fundo e seguro as lágrimas. Ele ola para mim e abre a boca. Sorrio para ele e vou até ele.
— Eu sei quem você é. — Digo.
— Eu sei quem você será. — Falamos ao mesmo tempo. Ele ri e me abraça.
— Bem vinda de volta, Reilly.
— Me chame de Riley.
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