Os Outros
8 Desculpe-me
Notas iniciais
Corri na direção de Lucy, meus pés deslizando no gelo. Quando cheguei até ela, enfiei minhas mãos na água gelada, mas não conseguia alcançá-la. Estava com meus braços totalmente submersos e quase congelados, mas ainda não conseguia pegá-la. Não tinha nenhuma outra escolha, mergulhei de cabeça na água e nadei o mais rápido que podia, peguei sua mão e comecei a puxá-la para fora da água, quando finalmente voltei, eu a coloquei em cima do gelo e depois que estava fora da água eu a puxei para dentro da floresta, longe do frio do gelo. Apertei seu peito, tentando ressuscitá-la ela tossiu e cuspiu água, depois de um tempo ela acordou e me abraçou, suas mãos tremiam.
– Riley! — Ela riu e passou a mão pelo meu cabelo.
– Me desculpe por não ter te salvado aquele dia. Me perdoe.
– Riley, claro que eu te perdôo. Mas... Você precisa me perdoar também.
– Por quê? — Ela se inclinou para frente e por um segundo pensei que ela me beijar, mas apenas encostou a testa em meu ombro, ela suspirou.
– Obrigada. Por tudo. — Ela sussurrou um nome, mas não consegui entender.
De repente tudo começou a sumir e voltei para o mesmo lugar que o sonho havia começado, mas dessa vez Lucy estava de joelhos no chão e nem eu ou meus pais estavam no lago. Comecei a andar na direção de Lucy, que encarava o gelo. Ela levantou a cabeça na minha direção, ele usava um vestido azul medieval, seu cabelo está preso por uma trança, havia várias flechas atravessando-a, uma em seu pescoço, outra no ombro e uma em seu peito. Ela olhou para mim e deu um sorriso fraco.
– Lembra-se disso, Emily? — Sua voz estava distante, como se estivesse perdendo a voz. — Claro que não... Você já estava morta quando isso aconteceu não é?
– Shh... — Ajudei ela a se deitar. — Lucy. Sou eu, Riley. Não há nenhuma Emily aqui.
– Pois você se engana — Ela passou a mão pelo meu cabelo. — Emily está aqui. — Ela colocou a mão sobre o meu coração. — E em todo o seu corpo. Riley, Emily é você.
Lucy se transformou em uma cópia minha, mas usava um vestido preto de empregada. Ela sorriu para mim, o mesmo sorriso que dou quando estou sendo sarcástica.
– Eu sou você. Você é eu.
Senti o gelo vacilar e quando vi, eu e Emily estávamos afundando no lago. Olhei para Emily e percebi que era Lucy novamente, nadei até ela e quando abracei seu corpo, ela já estava morta. Queria levá-la de volta para a superfície, mas algo me fez ficar ali junto dela, eu abraçada com o corpo dela na água gelada, cada vez mais longe da superfície. Não senti medo, apenas algo leve dentro de mim, me dizendo que estava fazendo o que era certo.
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Riley ficou três dias inconsciente. Lembro quando eu fiquei no mesmo estado que ela, uma semana inteira sonhando com Emily e com sua morte, demorou muito para eu conseguir me consolar e finalmente sair do transe. Lilly ficou apenas algumas horas, ela disse que o que tinha que fazer já havia feito. Sarah e Logan ficaram em transe por quatro dias e quando acordaram, Logan começou a chorar e Sarah, não parava de rir, sempre me perguntei o que eles viram, mas nunca me contaram.
Quando Riley acordou ela não disse nada, simplesmente colocou sua capa e saiu. Pensei em segui-la, mas a mestra pediu para apenas ficarmos em casa. Eu tentei, juro, mas a cada hora que passava ficava mais preocupada com Riley, ela acabou de sair do transe e não sabemos ainda se ela sabe usar seus poderes, se o transe realmente funcionou.
Era meia noite, fugi de meu quarto com a ajuda de Sarah e depois pulei a janela da sala. A rua estava vazia, o primeiro lugar que fui foi o cemitério onde os pais de Riley estavam enterrados, mas ela não estava lá então fui até o lago onde ela morreu e ela também não estava lá. Olhei em volta e percebi que havia um caminho de gelo que saia do lago e ia para dentro da floresta, acendi minha lanterna e segui o caminho, estava tão nervosa que conforme andava derretia o gelo que estava no chão. Depois de horas andando vi um muro destruído pela metade. Assim que toquei a pedra uma imagem do salão de bailes do meu antigo castelo veio a minha mente. "Como ela encontrou esse lugar!?". Saí correndo pelas ruínas e encontrei a escada que levava ao meu quarto. Algumas partes da escadas estavam quebradas e tive que pular um parte da escada apara conseguir subir, quando cheguei no andar de cima encontrei Riley deitada no chão no lugar que estaria minha cama. Corri até ela e percebi que dormia. Relaxei e sentei ao lado dela, depois de um tempo acabei dormindo.
No meio da noite acordei com Riley me encarando, ela havia acendido uma fogueira e estava enrolada em sua capa como se fosse um cobertor. Me espreguicei e sentei ao lado dela, minhas mãos abertas para o fogo, me esquentando, havia esquecido de como meu quarto era frio. Riley se aproximou de mim e encostou a cabeça em meu ombro. Tentei não ficar muito dura com a aproximação dela, podia sentir minhas bochechas queimarem. Estávamos no mesmo lugar em que tudo começou e o mesmo lugar em que tudo terminou.
– Como encontrou esse lugar? — Tentei deixar minha voz normal, mas estava a beira da emoção. Riley se levantou e puxou minha mão, me chamando. "Parece que ainda está em transe".
Ela me puxou pela meu enorme quarto, ela andava sem olhar para o chão, no meio do caminho havia um enorme buraco, mas ela simplesmente continuou andando, pensei que ela fosse cair, mas uma ponte de gelo foi se criando conforme ela seguia em frente, arrisquei pisar no gelo e ele não derreteu. Ela continuou me puxando até chegar em uma enorme parede, havia um enorme quadro coberto por um pano preto, de luto. Ela puxou o pano preto, revelando o enorme quadro. Era o quadro original do que eu tinha em meu quarto no esconderijo, um retrato meu e de Emily. Ela locou o rosto de Emily se virou para mim, um sorriso fraco em seus lábios. Ela abriu a boca para dizer algo, mas desmaiou.
– Riley!? — Vou até ela. Ela abre os olhos de vagar e sorri para mim.
– Olá, Lucy. Desde quando você está aqui? — Ela olha em volta. — Onde estamos?
– Riley! — Eu a abraço, o que faz ela rir.
– Meu deus, o que foi?
– Nada, só... Você finalmente acordou. Ficou andando de um lado para o outro igual a uma sonâmbula!
– Ah! Jura? Que estranho... Não me lembro de nada.
– Venha, vamos voltar para casa. O que você viu? Sabe, no seu teste.
– No teste? — Seu rosto ficou ligeiramente branco antes de ela sorrir. — Ah! Nada de especial. Vamos?
Quando voltamos para casa estava quase amanhecendo, eu a escoltei para seu quarto. Ela parou na porta do seu quarto e olhou para mim.
– Obrigada por me trazer de volta, Lucy. — Ela se inclinou para frente e me beijou. Fiquei sem reação por um tempo antes de responder. Ela se afastou e sorriu, suas bochechas vermelhas. — Boa noite!
Ela entrou no quarto rapidamente e fechou a porta. Fiquei ali parada por um tempo, queria abrir a porta, mas tudo o que fiz foi encostar minhas costas contra a porta, que estava muito fria, ela provavelmente congelou a porta pelo lado de dentro.
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Sinto a porta ficar quente contra as minhas costas e sei que Lucy está encostada contra ela também. Lucy... Ou melhor, Lucinda. Princesa Lucinda. E eu... Emily.
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