“Por que ela veio me ver?...” pensou Orochimaru, logo após ver a sua amada adentrar o laboratório.

Akari era o seu nome e já tinha seus 45 anos. Ela era baixa, sua pele era escura como a noite, seus cabelos curtos e ondulados eram de um tom azul claro que parecia ser branco, seus olhos pareciam o oceano. Ela era muito alegre e animada, era muito bondosa e gentil, sempre via o lado bom da vida e era mais emocional que racional. Sim, ela era o total oposto do Orochimaru, tanto fisicamente quanto de personalidade. Mas eles tinham duas coisas em comum: a dor da perda e o amor que sentiam um pelo outro.

Eles se conheceram no cemitério, Orochimaru estava visitando o túmulo de seus pais quando encontrou Akari no meio do caminho. Duas coisas chamaram a atenção do moreno: a beleza surreal da garota e o fato de que ela ria enquanto chorava na frente de um túmulo. Curioso, Orochimaru foi conversar com a garota, que não havia notado a sua presença e se assustou. Acontece que no túmulo, onde seu pai estava enterrado, estava escrito uma piada interna da família. Seu pai foi morto por ninjas inimigos da Folha. Orochimaru contou a ela que seus pais também foram mortos da mesma maneira quando ele era criança. Depois daquele dia, eles se encontraram mais vezes e se tornaram grandes amigos. Mas a atração que sentiam um pelo outro era forte demais, então os dois começaram a namorar. No entanto, tudo terminou quando Orochimaru traiu Konoha e fugiu, mas, antes de fugir, ele deixou uma carta para Akari. Era um pedido de desculpas, por decepcioná-la. Eles nunca mais se viram, até agora.

— Oi… — disse a mulher, quebrando o silêncio.

Ele não disse nada, estava assustado com a presença da mulher. Só conseguiu olhar para os lindos olhos dela. Depois de alguns segundos se encarando, Orochimaru começou a falar.

— O que faz aqui? Depois de tudo o que eu fiz? — perguntou, a sua cabeça estava confusa demais.

— Eu… Queria te ver. — respondeu, contendo as lágrimas. — Senti tanto a sua falta… — não aguentou segurar as lágrimas e chorou.

— … Eu também… — sentiu os olhos começarem a lacrimejar.

Orochimaru se aproximou de Akari, que ainda chorava, e pensou em abraçá-la, era muita saudade que sentia dentro do seu peito. Mas não fez o ato, pensou que não podia fazer isso, não depois que tudo o que fez. Ele fechou os olhos frustrado. De repente, sentiu alguém o abraçando fortemente. Ele abriu os olhos e viu Akari o abraçando, chorando menos que antes. Orochimaru retribui o abraço sem pensar duas vezes. Pela primeira vez, depois de tantos anos, se sentia seguro, acolhido e, finalmente, em casa. Uma pequena lágrima caiu de seu olho, fazia anos que não chorava e por isso se sentiu estranho, mas um estranho bom.

E eles ficaram assim, abraçados por longos minutos. Mas para eles parecia que eram segundos. Não queriam se desgrudar, parecia que, se fizessem isso, se afastariam novamente. Coisa que eles não queriam de jeito nenhum.

— Me promete uma coisa? — Akari perguntou, com a voz embaçada de tanto chorar.

— Hum. — murmurou o moreno, com a cabeça enfiada no pescoço da mulher. Sentia falta do cheiro dela.

— Me promete que nunca mais vai me abandonar?

— Prometo. — sorriu, continuando a ficar agarrado a ela. Ele nunca mais faria algo do tipo com ela.

Passou-se um mês e todos os dias Akari visitava Orochimaru, já que ele estava preso. Os dois contavam um para o outro como havia sido a vida deles, contaram seus segredos vergonhosos e obscuros. Orochimaru fez questão de falar para Akari tudo o que ele tinha feito de errado em sua vida, queria que ela ficasse ciente de tudo o que ele fez. E se ela não quisesse ficar com ele, ele iria entender. Mas mesmo assim a mulher o perdoou e continuou a ter contato com ele. Não havia segredos na relação deles. Em um dia, Orochimaru perguntou a Akari se ela queria ter uma família.

— Eu sempre quis ter… Depois que você saiu de Konoha eu não consegui me relacionar com mais ninguém, não conseguia te esquecer. — Orochimaru sorriu com a declaração de Akari. Não gostava de pensar que ela poderia ter se relacionado com outros homens, a ideia o deixava enciumado. — E depois de alguns anos eu descobri que… não posso ter filhos. No fim, acabei não formando uma família. Bem, pelo menos eu posso adotar. — pensou positivo.

Akari nunca adotou uma criança porque queria primeiro ter um marido, para assim poder adotar. Ele sempre pensou que, para ter um filho, a criança precisaria de um pai. Akari cresceu sem uma mãe, sempre quis ter uma, e não queria que um filho seu passasse por algo parecido com o que ela passou.

— Você… gostaria de formar uma família comigo? — disse sério, acreditava que ela não iria aceitar.

— O quê?! — gritou surpresa. — Você está falando sério? Não está brincando?

Orochimaru assentiu levemente com a cabeça. Um pequeno rubor surgiu em seu rosto pálido. Ele se sentia envergonhado por fazer uma pergunta dessas, sentia que estava expondo os seus sentimentos demais. Mas ele não queria perder a sua amada, não cometeria esse erro novamente. Os olhos de Akari brilhavam como diamantes diante da confirmação de Orochimaru, sentia borboletas em seu estômago.

— Sim, sim, sim! Claro que sim! — exclamou alto, com um grande sorriso em seu rosto.

Ela o abraçou com grande alegria e ele retribuiu o abraço, com um sorriso. Era o máximo que conseguia demonstrar de amor e alegria, mas se encontrava da mesma maneira que Akari.

— Vamos adotar quantas crianças? — se afastou um pouco para ver o rosto do moreno.

— Que tal eu criar uma? Descobri uma forma de criar humanos sintéticos, podemos ter um filho com nossas características.

— Não sei não… — o olhou desconfiada.

— Pense no lado positivo.

— Poderia você me dizer isso?

— Gosto quando você fala o lado positivo. — declarou, fazendo um carinho na bochecha de Akari.

— Bem, nesse caso… — disse com um pequeno sorriso, ficou corada pelo carinho. Orochimaru sorriu, vendo que conseguiu o que queria. Ele amava quando ela falava algo positivo. — Podemos escolher o nome. Todas as crianças na adoção tem um nome.

— Você pode escolher o nome.

— Hum… Para menina eu nunca pensei em um nome, mas para menino sim. Pensei no nome do meu pai como homenagem… Mitsuki.

— É um belo nome. Então estamos de acordo?

— Só você para me convencer mesmo. — colocou uma de suas mãos na cabeça, não acreditava que teria um filho que seria um humano sintético. — Mas antes de termos um filho, a gente tem que conversar sobre casamento.

— Estou gostando de onde essa conversa está indo. — ele umideceu o seus lábios e sorriu.

Eles começaram a fazer planos para o casamento. Data, preparativos, convidados. Nessa parte, Orochimaru ficou desconfortável. Ficou preocupado sobre o que pensariam sobre ele se casar com Akari, ficou com medo de fazerem a cabeça dela e ela desistir dele. Mas ela o tranquilizou, dizendo que nunca o abandonaria. A lista de convidados era pequena em comparação a outras: Tsunade, Sasuke e sua namorada (Sakura), Karin, Suigetsu, Juugo, Kabuto, e alguns amigos de Akari.

Antes de se casarem, eles se prepararam para Akari morar com Orochimaru. Ele estava preso e não poderia morar ir para outro lugar, então Akari decidiu que moraria com ele. Ela se mudou com um mês de antecedência do casamento e transformou todo o lugar, dando mais vida e cor para ele. Orochimaru não a impediu em nenhum momento, queria que ela se sentisse confortável naquele lugar e ele mesmo achava que precisava de um pouco de cor em sua vida.

Demorou um tempo, mas, enfim, eles se casaram. Todos os convidados apareceram, ficaram interessados na união dos dois. No início, pensaram que era algum plano de Orochimaru, mas logo depois perceberam que tudo ali era real. Tsunade viu algo diferente em seu velho amigo, um brilho que pensou que jamais iria ver. Ela ficou feliz pelo amigo, pois ele finalmente tinha voltado para o lado certo. Um pequena lágrima caiu de seu rosto

“Jiraya iria adorar ver isso…” ela pensou, sorrindo.

No fim, todos aprenderam duas lições valiosas. Os opostos, de fato, se atraem e que o amor pode transformar até a pior das pessoas em uma pessoa boa.


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