Os Opostos Se Atraem
39 38º capítulo – Às claras.
Notas iniciais
O próximo, se não vier em uma semana, vem em duas.
Beijos.
Enjooy
Jassy encarou Brian sem nada responder. Ela não sabia o que faria. Até por que, John, nada fizera para esclarecer a situação. Ao pensar nisso, lembrou-se que no começo daquele dia ele tentara realmente falar com ela, mas a mesma simplesmente virou-se de costas.
Ainda se sentira traída, mas devido aos fatos parecia que o certo a se fazer seria ouvi-lo. Mas mesmo assim... Quais seriam as chances daquilo acontecer de novo? Quais seriam as chances de um novo mal entendido ocorrer? E quais seriam as chances de ele preferir uma loira magrela a uma rockeira de gênio forte?
Balançando a cabeça para expulsar as malditas perguntas que cismavam em atormentá-la, tentou pensar com clareza.
John não a traíra. Fora fiel a ela, e tudo era culpa da maldita líder. Brian quase tentara se aproveitar da situação, mas por fim decidira contar a verdade devido à sua expressão a ver a “traição”. Então, aquilo mostrava que o garoto havia caráter, ignorando totalmente quais eram suas intenções anteriores.
O que faria agora? Correria para John? Não... Até por que ele também tinha sentimentos. O mais certo seria esperar que ele fosse procurá-la de novo, isso se fosse, por que depois de ter virado as costas a ele daquele jeito, ficou com medo de que ele tivesse orgulho suficiente para não procurá-la mais. Talvez fosse o que a própria faria.
— Bom... Vou esperar John contar o lado da história.
— Acho que é o melhor a se fazer. — Disse Brian, abaixando a cabeça triste e suspirando.
A rockeira fitou-o e bufou. Levantou-se e foi até ele, segurando seu rosto entre as mãos, fazendo-o olhá-la.
— Hey... Obrigada. Se você tivesse feito o contrário não teria nunca mais olhado na sua cara. Logo você encontrará a garota perfeita pra você. — O garoto deu um sorriso fraco e deu um abraço apertado nela, demorando mais que o necessário.
Ela levou-o até a porta e despediu-se.
Voltando pra dentro do quarto, deitou-se na cama e agarrou o travesseiro, fitando o teto.
Então John não a traíra. Sorriu. A dor que sentira antes foi se diluindo aos poucos até que sobrara pouquíssimo dela. Fechou os olhos e contemplou o silencio e a paz de seu quarto.
Lembrou-se do primeiro beijo que deram, o gosto diferente e singular, lembrou-se da primeira vez que o vira, e não pode deixar de dar um sorriso inconsciente com a lembrança, lembrou das brigas, dos abraços, dos momentos, dos silêncios, dos sorrisos, dos ciúmes, daqueles momentos intensos que seus olhos se conectavam e nada mais precisava ser dito. Então, embalada num conforto quente de suas lembranças, lembrou-se do “eu te amo”.
Aquele que abalara a estrutura do seu ser, que fizera seu coração falhar uma batida, para logo se acelerar e seus lábios se repuxarem num sorriso. Aquele que fizera sentir-se bem e feliz.
Feliz. Pela primeira vez em anos.
Aquilo ela não podia deixar escapar. Nada daquilo poderia. Nem as brigas, nada. Por que era aquilo e muito mais que a fizera gostar e apaixonar-se pelo “nerd”
Aquilo e muito mais a fizera amá-lo incondicionalmente.
…
— Mãe! — chamou Jassy descendo as escadas parecendo eufórica.
A mulher a olhou.
— Preciso que fale com o John!
— Mudou de ideia? — a mulher tentou esconder o sorriso, o que foi despercebido pela garota, tamanha a vontade de ver o amado.
— Descobri a verdade... O Brian viu e foi tudo um engano. Preciso que ele me conte.
— Vá até ele!
— Mas...
— Nada de mas! Vai lá, antes que ele procure outra.
Jasmine não pensou duas vezes antes de sair de casa correndo e ir em direção ao garoto. Não podia esperar nem mais um segundo. Não podia perder qualquer tempo que poderia ter ao lado dele.
Parando de frente a porta dele, respirou fundo e se acalmou. Pensou e repensou no que ia dizer e tocou a campainha.
A empregada deixou-a entrar e foi chamar por ele. Tendo um pequeno deja vu ao ter se encontrado com o Brian pela manhã. A diferença é que John se surpreendeu por vê-la ali.
— Rockeirinha?
— John... Vim conversar com você. Na verdade... Vim pedir que contasse o seu lado da história.
Depois de um tempo absorvendo as palavras da garota, John suspirou aliviado que iria ter, afinal, uma chance, e contou a verdade.
Ouvindo em silencio, Jasmine soltara a respiração assim que ele terminara. O garoto observou ela ficar triste, com dor, raiva, ódio e amor. Tudo ao mesmo tempo.
— Eu vou pegar aquela vadia...
— Acredita em mim?
— Sim.
— Por quê?
— Bom... por dois motivos. Confesso que não teria acreditado com tanta facilidade, mas vejo em seus olhos sua sinceridade. E outra, que o Brian pensando que você ia fazer merda filmou e me mostrou.
Arregalando os olhos surpresos foi a vez de John ouvir a explicação de Jassy.
—Então... Devo uma a ele.
— Tenho certeza disso.
— E... a gente?
Aquela era uma pergunta que não precisava ser respondida. Como numa noite estrelada pela primeira vez em anos, os dois se olharam sentindo a magia do momento. Então, um beijo. Lento, mas desesperado para sentir cada pedacinho do outro. Não importasse que fosse apenas um dia que ocorrera a separação.
Para eles, parecia uma eternidade separados.
Mais tarde, andando de mãos dadas pela rua iluminada pela lua nova, o céu escuro enfeitado pelas constelações de estrelas, os olhos não se desviavam.
De repente John para e vira de frente a ela. Contempla sua face iluminada pela lua. Acariciando-a, ele sorri. Depois, lentamente esse sorriso desaparece.
— Jasmine? — sussurrou — me promete uma coisa?
— O que? — ela também sussurrava.
— Promete que antes de tomar qualquer decisão, para qualquer que seja o problema, promete que iremos conversar e esclarecer? — Jasmine viu nas palavras e nos gestos de John o desespero.
Este, que ela sentiu em cada parte do corpo como pontadas castigantes.
— Prometo. Iremos conversar. — Jassy então deu um abraço apertado nele e respirou fundo o perfume que provinha do pescoço do amado, gravando na memória o melhor aroma do mundo.
Andaram até encontrarem um banco, e sentaram-se.
— Quando vi aquela cena, no fundo, não me surpreendeu. Por que na verdade eu esperava isso de você. Por que você é o garoto mais bonito do colégio, e atrai as garotas como o imã mais poderoso do mundo. E, agora que voltou a ser o fodão, não me surpreenderia que me trocasse por uma loira.— bufou — O que mais doeu, foi o fato que você disse que me amava, e eu também. Eu tinha finalmente entendido e disse. E ai aconteceu aquilo… Pensei então: você foi burra. Acha que ele não disse aquilo para outras também, Jassy? — Enquanto Jasmine relatava o que sentiu, sua voz se elevava conforme a raiva. Ela não aceitava ser tão idiota. — Fiquei com muita raiva de você. — Então ela levantou os olhos tristes para fitá-lo pela primeira vez desde que começara a falar.
Demorou um pouco até ele começar a falar, pensando nas palavras da garota e numa resposta.
— Confesso que já disse “eu te amo” várias vezes, falso. Já enganei, e todo o resto. Não tenho experiências com namoros, mas posso te afirmar com a absoluta certeza que o que eu sinto por você é muito mais que um simples tesão ou atração. É amor. Talvez seja mais difícil do que parece provar o meu amor por você, mas eu provarei. Te farei a garota mais feliz do mundo. Quero ver seu sorriso toda vez que me ver, quero vê-la sorrir por coisas banais, e viver a vida o máximo possível. Quero te amar pra sempre, Jasmine. E isso é pouco tempo pra mim.
Sem palavras, só o que Jassy pôde fazer foi sorrir e beijar John. Naquele momento, o restinho da dor que ainda tinha, se fora.
— Vamos? Vou te levar. Está ficando tarde. — disse tocando o rosto da garota ao se separar do beijo.
Ela assentiu e de mãos dadas seguiram felizes para casa.
…
O dia seguinte passara rápido. Estudaram, ficaram juntos ignorando olhares, e seguiram para casa.
O único momento em que estavam separados fora quando Jassy deu uma escapada para se encontrar com a garota que beijara John na hora do intervalo.
A única coisa que falou antes de levá-la para os fundos do ginásio foi:
— Sua mãe não lhe ensinou que não se deve pegar o que se é dos outros?
Pegou-a pelo cabelo, arrastando-a para lá e ninguém mais viu a garota pelo resto do dia.
As semanas se passavam e Jasmine ia ficando extremamente ocupada com os preparativos do casamento da mãe, que seria três meses após o bebê ter nascido, ou seja, dali a poucos meses.
O ex nerd se tornara próximo do irmão da garota, seu xará. Enquanto Jasmine planejava sozinha com Daphine, os dois jogavam videogames.
Jassy havia conversado com a mãe sobre o pequeno John ter traumas e resolveram buscar ajudas de psicólogos para saber o que fazer. Haviam-nas aconselhado a conversarem sempre com o garoto e dizer a ele que as coisas mudara, que agora ele ia ser alimentado, bem cuidado, iria ter carinho e amor pelo resto da vida, e estarem sempre presentes com ele, brincando, na escola, perguntando sobre o dia e todo o resto.
Daphine superara o que sentira por John. Estava cada vez mais próxima do casal e admitia que eles ficavam muito bem juntos.
Cada vez mais que Jassy e John observava a mãe e o professor, a aposta pendia pra um lado.
A aposta era que se eles continuassem brigando depois da gravidez, durante três meses Jassy ganhava, se caso contrário, John ganhava.
O relacionamento deles estava maravilhoso. Havia muitas provocações entre os dois, um chamando o outro de coisas indesejáveis, mas no final, vinha um beijo apaixonado.
Era um relacionamento gostoso de vivenciar e não caia na rotina. Geralmente eles estavam se provocado, brincando com o pequeno John, planejando coisas, ou simplesmente namorando no parque.
O cabelo de Jassy estava cada vez maior. Parava na metade do bumbum e bem pretos. O antigo nerd adorava ficar brincando com eles entre os dedos, e a chamava de mulher cabeluda sempre que ficava contrariado.
Assim, os meses foram se passando. Cada vez mais apaixonados um pelo outro. E cada vez mais felizes.
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