Os Opostos Se Atraem

35 34º Capítulo - Minha… somente minha culpa.


Notas iniciais
Eu sei, eu sei. Estou muito em falta com vocês, nem respondo os reviews. Gente, estou muito atarefada. Desculpa mesmo, tá?! Mas eu vou tentar, de coração, ser mais presente com esse meu bebê.
E olha, me emocionou mesmo cada review do capítulo anterior. Amei saber que eu emocionei vocês, que inspirei vocês, que dei esperança. Nossa, nunca pensei que pudesse fazer algo assim. Vamos viver a vida, minha gente, por que viver a morte não dá, né?! shausha (ou dá? '-')
Enjoy
34º Capítulo — Minha… somente minha culpa.

Your tears don't fall they crash around me

Her conscience calls the guilty to come home

Your tears don't fall they crash around me

Her conscience calls the guilty to come home

Suas lágrimas não caem, elas quebram ao meu redor

A consciência dela chama a culpa de volta para casa

Suas lágrimas não caem, elas quebram ao meu redor

A consciência dela chama, o culpado a vir para casa

Jassy não sabia o que falar ou pensar. Acabara de se arrepender de todas as vezes que forçara-o a falar o que tanto ele escondia.

— Ele morreu em meus braços… em meus braços por minha culpa. — Jasmine queria ser um avestruz naquele momento. Enfiar a cara dentro do chão. John ainda sofria e estava fazendo um grande esforço para não desabar ali… na frente dela

A rockeira estava com um grande alvo na mente e uma flecha apontada ao centro, pronta para ser lançada. Era engraçado como as coisas mudavam de uma hora pra outra. Queria tanto saber o que era o tal segredo... Julgava tanto as garotas que eram fofoqueiras e que tudo queriam saber… no final, acabara igual a elas. Novamente igual.

Esse seria o momento perfeito em que Jasmine Salmerón se levantaria grunhindo e socaria tudo e todos que viessem pela frente. Mas ela simplesmente deixou ocultos seus lindos olhos, fechando-os, e suspirou chateada. Havia momentos na vida que cansava gritar, quebrar ou matar. Era simplesmente mais fácil e saudável fugir da realidade. Aquele momento, Jasmine nunca havia passado a não ser com o seu pai e pensou nunca passar. Na verdade ela nunca pensara em um dia se apaixonar, nunca pensara em correr para os braços de um garoto, ficar ansiosa em ver esse mesmo garoto, não ter coragem nem de pensar em socar o tal do infeliz… nunca pensara em ser feliz… em amar. Por que agora, percebeu:

Ela o amava. Inevitavelmente, Intensamente e para sempre, ela o amava.

Jasmine foi tirada de seus pensamentos com o choro baixo desesperado de John. Mais abismada que antes, a rockeira se odiou por estar tão frágil e vulnerável.

— Por culpa, não consegui dar o recado que Will me pediu. Muito menos ir ao enterro.

Flashback on

“ — Will! Como pôde me deixar, cara?! Como?! — Eu não queria soltar do corpo gélido do meu amigo e nem podia aceitar que aquilo estava acontecendo conosco. Ouvi homens gritando ao longe. Os policias.

— Venha, John. — Era Peter atrás de mim. — Os tiras vão cuidar de tudo agora. O aperto em meu obro teria me confortado se não fosse a história da vadia da Daphine. Eu não queria acreditar no que estava acontecendo… Primeiro meus amigos e minha namorada me traem, enfiando fundo uma faca no meu coração, e agora isso… Uma pessoa que acabara de encontrar um amigo, começara a viver a vida, que se tornaria alguém importante… morre… assim… por minha culpa.

Eu não conseguia parar de pensar nisso. A culpa me tomava de forma como nunca havia tomado antes.

— Venha cara, os policiais querem o corpo… — Relutantemente me afastei de Will, fungando. Ao me virar vi que havia médicos e policiais a nossa volta. Fui revistado, e por porte de drogas e estar bêbado sendo menor, me levaram preso.

— Vamos garoto, entre no carro.

— E-espera. Meu amigo. — Senti o gélido metálico da algema cercar meu pulso e fui empurrado para dentro do carro.”

Flashback off

— Na mesma noite meus pais foram me buscar. Aflitos, preocupados, e a principio, decepcionados. Expliquei tudo. Sem esconder nada, sem mentir. Bebidas, drogas, tiros, traições, saídas, notas, tudo... Eles me entenderam. Castigaram-me pelas drogas e as bebidas, mas por mim tudo bem. Eu não gostava muito daquilo. Era só um modo de fugir da realidade. E me mudei. Eu precisava fazer isso, por que a culpa me consumia a cada hora a mais passada naquele lugar. Não é tão longe daqui, mas pelo menos ninguém me conhece por aqui... Bem, não verdadeiramente.

O silêncio tomou o quarto. John e Jassy completamente afundados em seus próprios pensamentos. Coisas giravam na mente de cada um. Dor, alegria, surpresa, decepção, traição, raiva, ódio... amor.

John olhou para Jasmine que fitava a parede atrás deles.

— A culpa é minha, Jassy. Eu sou um assassino. Esse sou eu verdadeiramente. Eu matei a única pessoa que foi verdadeira comigo. E aí? Vai me mandar embora, vai me matar... O que vai fazer, rockeirinha? — Jasmine olhou para o namorado e viu ali o que parecia do verdadeiro John: Zombaria, descrença, desafio e... solidão.

A rockeira concluíra que John só ficara daquele jeito por solidão. Ele quase não tinha os pais por perto antes do incidente, e fazia o que bem entendesse para apenas chamar atenção das pessoas. Típico e previsível. As pessoas eram assim. Mas Jass confessava que muita coisa do que ele contara, ela não esperava. Achava que iria ser uma coisa boba e tola e ao ouvir a zombaria de John, seu sangue borbulhou um pouco.

— Você não é um assassino, Viatte. Você não é o culpado. Culpado foi o idiota que atirou nele. Ele foi pra te proteger, e morreu te protegendo. Acha mesmo que ele gosta de ouvir isso? Acha que ele gosta de ver você assim? Sendo o que você não é, sofrendo, se culpando? Se era a hora dele, você estando ali ou não, isso aconteceria daquela forma ou não...

— Ele ainda tinha muita coisa para viver...

— Talvez! Mas ele pelo menos conheceu o sentido da amizade verdadeira, e foi um amigo de verdade para você. E seu último desejo você não o fez. Sabe como os pais e os avós dele podem estar precisando dessas palavras, John? Sabe como seu coração precisa ir ver a lápide, mesmo que isso não signifique que ele esteja lá? Os mortos estão em qualquer lugar, vagando entre a gente, é nisso que acredito. Eles podem ir e vir, pro nosso mundo e pro deles. Acha que William gosta de ter que vir aqui e ver isso? — As palavras da garota eram firmes e cortantes, ao mesmo tempo em que eram suaves e verdadeiras. Ela não sabia se acreditava realmente no que dizia, mas sentiu que era aquilo que tinha que falar. Não só por William, mas por seu pai. Ela precisava se conformar com sua morte.

John olhou por um momento nos olhos da garota e depois desviou o olhar. Olhou novamente e desviou. E olhou. E ficou olhando.

Novamente, verde com verde. Então, John aproximou-se, ficando a centímetros de Jasmine e sussurrou.

— Não vai me julgar, me acusar, terminar, matar? — sussurrou

— Não. – respondeu suavemente.

— Acha que ele está nesse momento aqui? — continuou sussurrando, soprando um hálito gélido no rosto de Jassy, fazendo borboletas voarem em seu estômago.

— Quem sabe.

John suspirou e recostou-se nos puffs. Então olhou pra ela com uma expressão sofrida, com lágrimas caindo como jatos de seus belos olhos.

— É MINHA CULPA, JASMINE. CULPE-ME, BATA-ME.

Jassy levantou, e pegou John pelo colarinho, arrastando-o com força ao banheiro.

Lá, colocou-o em frente ao espelho de bordas brancas de corpo inteiro que tinha no canto.

— OLHE PRA ESSE GAROTO NO ESPELHO, JOHN! O QUE VOCÊ VÊ?

Ele olhou para Jassy com resignação, mas fez o que a garota pediu. Olhou. Primeiro seu olhos com lágrimas. Não demorou muito ali, e desceu os olhos para o resto do corpo.

— Eu me vejo. Detonado e ridículo. — Foi sincero.

Jasmine estreitou os olhos.

— E por acaso vê Will?

John arregalou um pouco os olhos, surpreso e nada disse.

— HEIN?!

— NÃO!

Então, a garota ergueu sua sobrancelha direita.

— Então, John, por que não volta a ser o que é? Eu aposto que você verá mais dele em si mesmo assim.

O mais alto nada respondeu. Apenas abaixou a cabeça. Jassy, estressada, respirou fundo e começou a despir o garoto, ignorando a leve surpresa pelo corpo totalmente esculpido do nerd, e seus protestos. Deixou-o apenas de cueca, óculos e o cabelo pastado de gel.

— Vê algo de Will, aí?

John arfou um pouco surpreso. Via sim. Via um pouco do amigo nele mesmo.

— Um pouco.

Jassy sorriu por dentro. Pegou um pouco d’água com as mãos em concha, e molhou o cabelo dele, despenteando-o logo depois. Tirou os óculos, e colocou-os em cima da pia de mármore escura.

Ao olhar John, a garota se encantou, como num conto de fadas, e deu um passo involuntário pra trás. Só tinha visto-o sem toda aquelas coisas ridículas por foto, e ainda assim 3x4. Ele era lindo. Muito lindo. E ela olhou pra ele de cima a baixo, demoradamente.

Limpando a garganta, repetiu a pergunta e não se surpreendeu com a resposta.

— Vejo. Sim! Eu vejo.

John estava estupefato. Não acreditara no que estava vendo. Mas... como?

— É que ele foi seu amigo assim, nerd. Do jeito que você é de verdade. Você verá mais dele em si mesmo, assim. — com a resposta da namorada, percebeu que tinha perguntado em voz alta. Olhou para ela do reflexo do espelho e admirou mais ainda aquela bela mulher.

Infelizmente, as lágrimas ainda não haviam parado de descer e Jasmine se irritou com elas. Grunhiu e empurrou-o para o boxe, ligando o chuveiro no morno, deixando com que a água molhasse os dois.

Seus corpos estavam completamente grudados e ela sentiu o menino alquebrado a sua frente, com o rosto fora de sua visão, soluçar. Ela o abraçou apertado, e ele enterrou a cabeça em seu pescoço.

Depois de vários minutos assim, ele pareceu se acalmar, e Jassy conseguiu respirar mais calma. Naquele momento que ele estava mal, ela tinha que ser forte por ele, por mais que estivesse doendo muito ver ele assim.

John levantou o rosto do vão do pescoço da namorada e olhou pra ela. As gotas do chuveiro caindo em seu rosto e cabelo, escorrendo lentamente por toda aquela beleza.

Ele olhou pra ela em adoração, e acariciou seu rosto.

— Não foi você, John. Acredita em mim?

— Sim. — sua voz era muito baixa, e seus olhos não saiam do lindo rosto da rockeira.

Então, os dois abriram a boca para falar, em uníssono:

— Eu te amo.

Notas finais
Awwwwwwwwwwwwn. Que gostou? Reviewzando, por que eu AMEI MUITO esse capítulo, people. Beeeijos.