Os Olhos Da Morte
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Maesh estava ficando velho demais para aquele tipo de coisa. Seu corpo já não aguentava mais tanto esforço, tinha mais de noventa anos e nos últimos tempos Maesh começara a perceber manchas nos braços, por isso, sempre usava túnicas de mangas compridas para esconder os sintomas claros de uma doença de pele. Ele não podia deixar que descobrissem sua debilitação, pois seria com certeza despedido do cargo de Curandeiro e Naturalista Mestre na corte de Lorde Estheror Jgai, Senhor de Elivene, e seria mandado para o templo mais próximo, Os Pilares de Ethur. E se havia uma coisa que Maesh Tyron não desejava era ir para os Pilares: o Sac’Elmior de lá era seu irmão.
O curandeiro estava em pé, examinando apenas mais um dos camponeses que vieram naquele dia pedir sua ajuda. O homem à sua frente mostrava-lhe os dedos negros, apavorado, enquanto apontava para outros locais do corpo que também estavam ficando negros.
Mais sinais de Morte Negra.
— Isso é Morte Negra.
— O que é isso? Nunca ouvi falar. — Então a dúvida foi tomada pelo terror — Eu, eu vou morrer?
O trabalho de Maesh era tratar das pessoas, mas também saber lhes dizer que não tinham mais cura, e esse era um dos terríveis casos em que Maesh era obrigado a dizer:
— Filho, saia da cidade, a sua hora está chegando.
O homem reprimiu lágrimas e saiu correndo, batendo a porta de madeira atrás de si. Maesh voltou-se para sua escrivaninha e sentou-se na cadeira. Pegou um sininho de prata que ficava em cima de sua mesa e chamou um criado. O velho pediu-lhe para chamar seu aprendiz, Sil. O rapaz fez uma reverência e foi embora.
Maesh olhou pela janela de seus aposentos na Torre Heimor, Elivene erguia-se, majestosa. A mais magnífica cidade da história, suas grandes muralhas circulares feitas mármore branco protegiam a cidade. Em cada um dos quatro cantos da cidade erguiam-se altas torres feitas de metais preciosos, criadas duzentos anos antes, após o fim da Segunda Grande Guerra. Maesh Tyron deu por si pensando na Morte Negra. Fazia anos desde de que registrara doenças como aquela, e, só nos últimos dez dias, Maesh havia visto mais casos do que em todos os seus anos de pesquisa mundo afora, 131. Se bem podia se recordar, a Morte Negra fora considerada extinta uma década atrás.
A doença letal causava manchas negras por toda a pele que aos poucos iam se alastrando, e, se a mancha chegasse ao tórax o coração e os pulmões começavam a murchar até a vítima morrer, mas o pior: não tinha cura, embora, se houvessem apenas manchas nas mãos ou nos pés, era possível amputar o membro, o que impedia a mancha de se espalhar. Não importava como, Maesh precisava impedir que a doença entrasse na cidade, se a Morte Negra atingisse um dos nobres de Elivene, logo, começariam a disputar seu posto. E tudo de que Elivene menos precisava agora era de outra guerra civil.
O homem foi interrompido pelo leve barulho de alquém batendo em sua porta.
— Senhor, posso entrar?
—Entre, Sil.
O rapaz entrou pela porta, usava a mesma roupa de sempre, uma camisa surrada e uma calça vermelha — seu pertence mas precioso — segundo ele, havia ganhado aquela calça de presente do pai, antes deste morrer. Seus olhos eram sem cor como a noite de Lua Nova, Maesh assegurara-se disso.
Quando fora convidado para trabalhar na corte de Elivene como médico, sua única condição fora: “ Quero que todos os meus aprendizes tenham olhos negros.” Lorde Estheror estranhara, mas, como os olhos de outras cores eram bem raros naquela parte do continente, o Senhor de Elivene aceitara.
— Trouxe água e poções para sono para o senhor.
— Deixe as poções aí e venha me trazer a água.
— Claro, claro.
Sil depositou os frascos de poções numa cômoda de madeira e levou o copo de cristal até a mesa de Maesh Tyron.
— Então Sil, como andam seus estudos?
— Bem, senhor, muito bem.
— Ótimo.
Maesh baixou a cabeça para bber água, desviando o olhar de Sil. Quando terminou, voltou a olhá-lo. O rapaz estava com um olhar de expectativa no rosto.
— Ah Sil, só você mesmo. — Maesh deixou um risinho escapar — Está bem, vamos começar as perguntas. Sente-se.
O rapaz sentou-se na cadeira que ficava na frente da escrivaninha e esperou. Meash disse:
— Quantos ossos têm a mão?
— 27.
—Nomeie todas as camadas da pele.
—Derme, epiderme e hipoderme.
— Quantos dentes tem um cavalo?
Sil parou para pensar por um instante.
— Bem, se for um adulto são 40, mas , se for apenas um potro, então são 24.
— Quantos telmis há em um molgu?
— 125, se não me engano.
— Quantas espécies de caramujos exigem nas ilhas Molinae?
— Se você me perguntasse isso há apenas uma semana atrás, teria lhe dito que são 2, mas recentemente li um livro mais novo que afirmou que duas novas espécies foram descobertas
— Hum, interessante, disso eu não sabia — disse Maesh com um ar pensativo.
— Bom, vamos continuar, quem foi o último imperador de Fogh?
— Riddarliel V
— Quantos reinos existiam na área de Anork antes da União?
— 47 pequenos reinos, sem contar tribos indígenas e ândalos.
— Agora a minha parte favorita, você deve me dizer onze coisas que eu ainda não saiba, claro, referente aos seus estudos.
Sil parou por vários segundos para pensar. Finalmente disse:
— Um novo grupo de nômades vêm atacando vilas nas Montanhas Khraen, eles tingem sua própria pele de branco, e caminham silenciosamente pela neve, mas, quando atacam, seus gritos são ouvidos a várias dezenas de metros de distância.
— Hum interessante, isso me lembra de uma história que ouvi à muito tempo atrás... não, não, era outra história, bem, continue.
— Novas terras foram descobertas no Sul, e tanto Golpheo como Furlien disputam as terras recém descobertas.
Maesh assentiu com a cabeça.
— Continue.
— O barão de Loikh morreu sem deixar herdeiros, e vários nobre foram até Anthora pedir ao Regente as terras do falecido.
Maesh deu um risinho sarcástico e fez um gesto para que Sil continuasse.
— Recentemente, nas viagens de Hutt, ele encontrou um nova tipo de planta, que ele apelidou de “planta carnívora”, ela tem o topo parecido com uma boca cheia de dentes, quando um inseto pousa lá, a boca se fecha e a planta digere o bicho.
Maesh o olhou com expressão cética, mas Sil disse:
— Fique tranquilo, ele trouxe um espécime para a sua estufa.
— Depois vamos descer lá para vê-la — disse Maesh.
— Ah, como pude me esquecer?, Brendorn Olhos -Azuis vol...
Sua fala foi interrompida por uma batida forte na porta.
— Entre — disse Maesh.
A porta abriu-se, revelando um guarda comum do castelo.
— Lorde Estheror Jgai o convoca para uma sessão de emergência de reunião do conselho.
— Vou ter que te deixar, Sil, mas estou ansioso pelo que você ainda tem para me contar.
Maesh desceu as escadas de sua torre e deu por si nas movimentadas ruas de Elivene, mercadores gritavam, expondo seus produtos importados. Crianças corriam pela rua cheias de gente. Volta e meia, deparavam-se com grandes cavalos e saiam da frente, com medo. Nessa parte da cidade, as casas eram altas e largas, e o espaço entre elas também. Maesh caminhou, escoltado pelo guarda até a residência do Vhalon Estheror.
O palácio era formado por um grande prédio que era a sala do trono, que ficava ao lado de uma imensa construção alta e larga que era cercada por várias torres circulares. Grandes escadarias levavam ao portão principal, que era “guardado” por duas estátuas de pedra que representavam os dois fundadores de Elivene, seus nomes há muito esquecidos.
Ao chegar na sala do conselho, Maesh sentou-se na grande mesa. O aposento era lotado de tapetes do Sul, uma paixão de Milarby, a mulher do Vhalon.
De repente, a porta e escancarou-se e entrou na sala o Vhalon de Elivene, Estheror Jgai. O homem era alto e tinha cabelo castanhos bem cortados, sua pele era alva e ele já passava dos quarenta anos, com alguns fios brancos no cabelo. Ele usava o Manto Sagrado nos ombros e segurava um grande cetro dourado com uma das mãos, suas vestes eram do mais alto tecido, vindo do Extremo Sul, da área de Tuur.
Todos na sala abaixaram a cabeça.
O homem sentou-se no cadeirão no final da mesa e disse.
— Bom dia à todos, desculpem-me pelo atraso. Lorde Sulmi Belario, Mestre da Moeda?
Sulmi era um homem que devia ter mais ou menos a mesma idade de Estheror, mas parecia muito mas novo do que realmente era. E mais, era Sithrey, a casa mais rica de toda o Leste. Sulmi havia se mudado para Elivene por um motivo desconhecido, rumores indicavam que havia brigado com o pai, outros diziam que descobriu um segredo sobre o Regente de Anthora, Guveon Ímelior. Foi quando Estheror o conheceu.
— Sim, Vossa Graça.
O Vhalon continuou:
— Notícias de Anthora?
— Sim senhor, o Duque Regente está nos enviando um grupo de guerreiros para lidarmos com os ladrões da Floresta Rubra. Também avisou que estará mandando um representante da Coroa para falar com o senhor,. Mestre Maesh, será que o senhor poderia nos ler a carta que te entreguei ontem à noite?
— Claro, aqui está:
Destinada à: Excelência Vossa Graça, Estheror Jgai, filho de Xenerhor, Vhalon da Grande Elivene , senhor do Estreito Rubro e da Península Melgariona.
Caro amigo, Estheror, escrevo-lhe esta carta pessoalmente para lhe avisar de que estou mandando o meu filho, Laxoen Ímelior para tratar de assuntos extremamente importantes com Vossa Excelência: desejo casá-lo com sua filha Alys, com a sua permissão, claro.
Duque Regente de Anthora e do Império, senhor Guveon Ímelior.
— Então quer dizer que aquele bastardo do Guveon quer casar a minha filha, de apenas sete anos com um homem de mais de trinta!? Eu me recuso! Se for para casá-la eu quero que ela se case com uma pessoa decente minimamente! Tenho amigos no Castelo Novo que já me contaram das atrocidades que esse sujeito pratica! Jamais! — Estheror estava visivelmente irritado, seu rosto estava vermelho de raiva.
—Senhor, eu não o aconselharia a fazer isso, a não ser, é claro, que o senhor deseje ver os Olhos frios da Morte.— uma voz calma e suave disse.
Ao ouvir isso Maesh gelou. Apenas uma pessoa falava desse jeito com o Vhalon de Elivene, o homem mais poderoso de todo o Leste, e esse alguém era Moulir, o Conselheiro Chefe e o Sac’Elmior de Elivene.
Por ser Sac’Elmior, Moulir tinha uma posição elevada no Conselho, além disso era conselheiro chefe, então sua voz tinha mais poder do que a voz dos Mestres. Maesh achava-o estranho. Muito estranho. Um Sac’Elmior, pelas leis de Deus, deveria ser um homem respeitado, devotado à religião, correto e dentro das leis da Coroa. Assim era na época em que Maesh era moço. Mas não hoje em dia, hoje, os Sac’Elmiores eram geralmente “feiticeiros” vindos de áreas longínquas do Sul e raramente devotos, Maesh já conhecera um, vindo de Maare que, além de ser um homem-fogo, era um ex-escravo! Um ex-escravo, era um Sac’Elmior, o posto mais elevado da Fé. Maesh não podia acreditar nisso. Moulir era do segundo tipo de sacerdote, encontrado nas longínquas terras selvagens do sul. Era careca e tinha tatuagens azuis que lhe cobria quase o corpo todo, diversos amuletos pendiam de seu pescoço e orelhas, além de usar uma grande túnica roxa. Dizia-se que podia estar completamente em chamas sem sofrer uma única queimadura, e haviam histórias circulando pela corte de que podia reviver cadáveres! O que dava raiva à Maesh era que esse tipo de gente estava em todos os lugares, como carrapatos num estábulo, fazendo a mente de diversos reis e senhores.
— Antes de protestar, senhor, gostaria de explicar-lhe minha ideia — Moulir continuou — se o senhor recusar a proposta de casamento feita-lhe pelo Regente de Anthora em pessoa, será uma grande afronta ao Duque, o que pode causar futuras hostilidades, e isso é tudo que não queremos. Então, aceite a proposta, e atraia o ratinho para a armadilha. De Anthora até aqui é um longo caminho, e o nosso príncipe terá de passar por Anork e Tnorie. Então, nossos amigos de Anork armarão uma armadilha para eliminar facilmente a companhia do príncipe e ele próprio. Não teremos nada a ver com isso, pelo contrário, mandaremos nossas condolências ao Regente, e Anork também ficará ilesa, pois o príncipe será morto durante a travessia de Gmari, que, como todos sabemos, é uma área rebelde e instável de Anork. Os anorksans irão simplesmente colocar a culpa nos rebeldes, o que fará Guveon enviar parte de seu exército para destroçá-los, que livrará Anork dessa pulga que têm atrás da orelha. O que você ganharia com isso? Bem, como o Duque precisa do apoio de Elivene, ele irá propor para que Alys se case novamente, só que dessa vez com o pequeno Rei Jairon. Isso promove Alys a rainha e, ainda mais, se Guveon morrer, te coloca no trono como Regente até o Rei atingir a maioridade, pois é pai da rainha e o sogro do rei e o mesmo só pode subir ao trono quando atingir o maioridade, e, até lá, o senhor terá consolidado a presença de Elivene na corte.
— Mas o que os anorksans ganhariam com isso, além da destruição dos rebeldes? — Estheror perguntou.
— Ah, muitas coisas. Aliança ao trono, riquezas quando o senhor for rei, vingança, e, acima de tudo, Brendorn Olhos-Azuis.
— Está decidido, por favor encarregue-se disso, Mestre Conselheiro. Ah, mas uma pergunta, não seria mais fácil para Laxoen vir pelo estreito de Lastor em vez de dar a volta em todo o Etrímil por terra?
— Sim, Vossa Excelência, mas Guveon não se arriscaria a ponto de enviar seu herdeiro por uma terra desolada e devastada pela Morte Negra.
O Vhalon fez uma expressão de espanto e falou:
— Como assim Morte Negra? Essa praga já foi eliminada há décadas!
— Lorde Maesh deve saber explicar melhor esse assunto para o senhor.
— Vossa Graça, — disse Maesh — tenho notícias de que a Morte Negra voltou nos campos de Contene e nas montanhas de Khräen
Um burburinho percorreu o salão. Sulmi e Ulmosh Ruihg se entreolharam, preocupados. Aneror deu um suspiro.
Estheror respirou fundo e olhou para Maesh, forçando uma expressão calma.
— Desde quando isso vem acontecendo, quero dizer, desde quando o senhor vem registrando casos de Morte Negra em minhas terras.
— Já fazem dez dias, Vossa Graça.
— Dez dias! Dez dias! A doença que dizimou metade da população de Tnorie em um mês há oitocentos anos atrás, a praga mais perigosa já vista sendo registrada há cinquenta quilômetros de Elivene e você demora dez dias para me avisar, a essa hora é possível que já existam infectados dentro das muralhas. Entende a gravidade do assunto, senhor Tyron? — Exclamou Estheror, roxo de raiva.
— O que devemos fazer, senhor?
— Não sei ainda, mas quero que tranquem as muralhas interiores, apenas podem passar os autorizados por mim e após serem devidamente analisados por Maesh. Lorde Ulmosh Ruihg, Mestre dos Navios? Lorde Aneron Jgai, Mestre do Exército?
Ulmosh era alto e tinha cabelos negros, tinha uma expressão séria no rosto marcado por uma cicatriz de batalha. Era de uma família nobre de Elivene, e, embora estivessem perdendo suas posses por dívidas, tinha grande influencia sobre Tnorie, pois era irmão da rainha, mas o quinto na linha de sucessão ao trono, atrás de seus numerosos irmãos.
— Estou aqui, Vossa Graça. — Disse
Já Aneron era diferente, Aneron era primo do Vhalon, tinha cabelos loiros e vibrantes olhos verdes, era muito habilidoso com a espada. Tinha um temperamento agressivo no que se tratava de assuntos militares. Ao contrário da maior parte dos nobres da cidade, Aneron defendia que Elivene passasse a usar a força bruta — e não o comércio — para conquistar terras e expandir ainda mais o território da cidade, e, na ausência de Estheror, comandava a cidade.
— Estou aqui, Vossa Graça. — Disse
— Quero que convoquem os Vhalons Menores de Sangor, Turegand, Povinat e Ganionel com urgência. Depois quero que convidem o Grasmát de Anork, Maarvek. Rápido. Depois de tudo isso feito, convidem todos os nobre de Elivene para uma reuniaão de urgência. Nessa ordem.
Sem dizer mais uma palavra, o Vhalon de Elivene saiu da sala seguido por Moulir.
Maesh deu por si pensando no sacerdote, e comparando ao primeiro Sac’Elmior que conhecera. Lembrava-se de seu pai levando-o para conhecê-lo — só o era permitido fazê-lo depois de onze anos — ele o conduzia pelas ruas da Antiga Capital à cavalo, os dois conversando e rindo alto. Quando Maesh viu o Sac’Elmior pela primeira vez ele ficou admirado com o sujeito, era forte e inteligente, como todo garoto de onze anos queria ser. Lembrou-se do dia em que seu irmão visitou-o, cinco anos mais tarde.
Meu irmão. Não, não posso pensar nele.
Mas a imagem não conseguia sair de sua cabeça, de repente, viu-se onde via-se todas as noites, em seus pesadelos, era apenas uma criança de onze anos quando isso acontecera. Numa sala escura, ele ouvia o barulho de sangue pingando no chão, gritava de medo e corria até o corpo inerte perfurado por uma adaga. O corpo de seu pai. Seus olhos ainda estavam abertos e eles o seguiam numa súplica muda. Maesh saía à rua para pedir ajuda, mas logo sentia uma mão cobrir-lhe a boca. Ele era arrastado para dentro da sala escura de novo e sentia uma dor na nuca, então tudo começava a apagar, mas antes de desmaiar, virava a cabeça para cima e olhava para o rosto de seu agressor. Mas não via nada, apenas seus olhos, grandes e sedentos de sangue, em sua íris as cores misturavam-se, nunca deixando-a igual. Hora vermelho, ora laranja, ora verdes e as vezes até roxo. Mas sempre terminava em azul, um azul frio e pálido, profundo ao mesmo tempo. Antes de apagar, Maesh pensava:
Então esses devem ser os Olhos da Morte...
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