Os Novos Olimpianos

1 Capítulo 1 - Atacados por um Picolé.


Eles tentavam viver uma vida normal, pelo menos o mais normal possível para eles. Já fazia algum tempo sem “incidentes” estranhos, mas os dois sentiam que algo estava prestes a acontecer. A Natureza falava com ela, avisava que eles não estavam muito longe, e cada vez se aproximando mais. Enquanto isso, ele se lembrava das palavras ditas pelo velho Centauro no ultimo verão:

— Se vocês forem, poderão não voltar mais – Avisou Quíron – Se saírem do Acampamento, não saberemos se será possível mandar ajuda, os monstros estão cada vez mais agitados.

— Vocês são muito poderosos, o seu cheiro é forte Hélly Blue – Falou o Sr. D.

— Hélly? – A Garota riu. – Hélly é nome de garota.

— Senhor D, já falei que meu nome é Hell! Hell White!

“Mas escolhas são escolhas” ele pensou. Eles estavam na escola, com sua amiga, Kimberly, uma garota de 15 anos, com cabelos louros e curtos, olhos azuis penetrantes, e um sorriso branco como a neve. Apesar de ser uma garota “um tanto diferente”, tinha um jeito especial que encantava a todos, principalmente o amigo.

— Bianca? O que está acontecendo? Você parece tensa... – Falou Kimberly.

Porém não era só Bianca que estava tensa. Os dois Semideuses sentiam que seu cheiro ficava mais forte a cada segundo. Eles estavam na hora do recreio, o pátio estava completamente lotado. Hell era um garoto alto, com 15 anos, magrelo, de cabelo crespo. Bianca era uma garota muito linda, de 14 anos, sua pele era branca, seu cabelo era esverdeado, ao estilo emo, usava sombras coloridas nos seus grandes olhos verdes claros.

Tudo começou a piorar quando bateu o sinal para a quarta aula, Bianca olhou para o lado, e se deparou com um rosto conhecido.

— Hell, nosso amigo está aqui. – Ela apontou para a direção da secretária do colégio.

Lá estava um garoto nem tão alto e nem tão baixo, com cabelos escuros e olhos negros que pareciam muitas vezes “mudar de cor”.

— Vocês conhecem aquele cara? – Perguntou Kimberly.

O garoto vinha em nossa direção e quando chegou a poucos passos, sua expressão séria passou para um grande sorriso.

— Que Saudades! Não nos vemos desde o ultimo verão! Agora, peguem suas coisas e venham comigo, a não ser que queiram morrer aqui.

— Cell! Nós temos uma amiga aqui! – Advertiu Hell, enquanto apontava discretamente com os olhos para Kimberly.

Cell olhou para Kimberly, depois encarou o horizonte.

— Quer saber? Esqueça isso. Não da mais tempo pra fugir. Está com disposição hoje “Foguinho”?

— Kim, melhor você ir pra sala. – Indagou Bianca.

— Como assim? O que está acontecendo? Bianca? Hell? Alguém me explica isso!

— Onde está? Estão atrás “Daquilo”. – Cell dirigiu-se até Hell.

— Na minha mochila. Está na sala.

— Vá pegar, agora! Nós os seguramos.

Hell saiu correndo, sua sala não era longe, porém, enquanto estranhas criaturas pulavam o muro do colégio para entrar, e outras chegavam voando, todos os alunos começavam a se agitar, e sair das salas, dificultando a chegada até sua mochila.

Ele passou por pessoas aterrorizadas gritando algo como, “ataque de patos gigantes, salvem-se!” e “o Zoológico deixou os animais escaparem!” ou até mesmo “São os maníacos de Dead Rising! Corram!”.

Depois de muito suar, ele chegou até a mochila, abriu ela, e lá estava um cilindro prateado brilhante, pouco maior que a mão de Hell, entalhado com letras meio quadradas, escrevendo um nome em sua lateral. “Kanzano”. Ele pegou a mochila e correu novamente para o pátio, enquanto ouvia sons que poderiam ser de batalha.

Quando chegou ao pátio, se viu em meio a uma confusão. Mortais gritando enquanto vários monstros atacavam os dois Semideuses. Bianca jogava algumas folhas, que pareciam extremamente fiadas em pássaros negros com algumas penas brancas, e bicos de bronze, acho que se chamavam pássaros de Estinfália. Cell estava lutando e lançando esferas negras em Telquines e Lestridões, que logo os cercaram.

“Telquines aqui? Tão distante de forjas e de água...” Pensou Hell.

Assim que avistaram o Semideus, começaram a focar nele. Um Lestridão correu em sua direção, e Hell escorregou e passou pelo meio de suas pernas, desviando de um golpe que o Gigante tentou acertar.

Hell chegou ao lado dos outros, Kimberly estava lá com eles também, escondida olhando tudo, com uma cara de pavor.

Até que de repente, todos pararam de atacar, e fizeram uma fileira, ainda cercando os Semideuses, e abrindo uma brecha na formação, eles deixaram uma figura passar. Devia ter quase dois metros e meio de altura, sua aparência era humana, mas sua presença era fria, seus olhos e cabelo totalmente brancos. Rosto forte e penetrante, com um queixo meio quadrado e nariz fino. E por onde ele passava, uma fina camada de gelo se formava, que em poucos segundos derretia. Dirigiu-se diretamente a Hell.

— Não sei muito sobre os detalhes disso, só quero o que está na mochila, jovem Semideus, e juro pelo Rio Estige, que se me entregar, sua morta será rápida, e indolor.

— Quem é você? – Bianca Indagou.

— Vocês não precisam saber disso. – Sua voz era fria e pesada como granizo.

— Legal – Encarou Cell – Nesse caso vou te chamar de... Hãn... Picolé!

Bianca e Hell riram, enquanto continuavam Cell continuava a falar.

— Cuidado, Picolé! Pois posso ser tão frio quanto você! E tão frio como a própria noite! Sou Cell, Filho de Nyx! – Cell olhou para Hell, e ele entendeu o recado, haviam conversado há tempos sobre “frases de efeito”, e estava na hora de usa-las.

— Pode me chamar de Hell, pois as forjas de meu pai são tão quentes como o inferno! Sou Filho de Hefesto!

Depois disso a atenção foi voltada para a ultima Semideusa do grupo.

— Hãn... Oi... Eu sou a Bianca, filha de Deméter, e não tenho uma frase legal...

— Ouvi falar de vocês dois garotos, e até mesmo dessa garota – Os monstros ficavam cada vez mais agitado, enquanto que, o que parecia ser o líder deles, falava – Filho de Nyx! Um dos únicos Semideuses de um Primordial! Soube que pode ser muito poderoso... A Filha de Deméter que anda junto com o outro faz tempo, por isso também é comentada.

— Hey! – Protestou Bianca – O que quer dizer com isso?

— E é claro, o Filho de Hefesto – O “Picolé” começou a andar na direção de Hell, enquanto eles davam passos para trás – O Filho poderoso, que ganhou um presente especial, e que o entregará para não morrer dolorosamente.

— Vocês estão prontos? – Sussurrou Hell.

— Sim! – Os outros dois falaram juntos.

— Se você quer tanto isso, senhor Picolé, vem pegar!

Hell abriu sua mochila, e tirou de lá o Cilindro. Com um movimento de pulso, e como em um passo de mágica, uma lâmina branca reluzente saiu de uma das pontas. Alguns monstros recuaram, outros gritaram ao ver a lâmina.

— Peguem eles! – Gritou Picolé.

Vários monstros pularam para cima dos três, Bianca arremessava folhas cortantes pulverizando os monstros que voavam. Cell arremessava esferas negras em outros, e Hell com movimentos de espada, desintegrava multidões.

A batalha seguiu por alguns minutos, com movimentos rápidos de pulso Hell desintegrou vários Telquines girando com seu corpo. Bianca fazia grama crescer e se enrolar nos pés de Gigantes Lestridões fazendo-os cair. Cell criava esferas escuras do tamanho de sua mão, e arremessava em Pássaros de Estinfália.

Até que eles ouviram um grito, era Kimberly, estava contra a parede, e uma Dracanae impedia que ela fugisse.

— Socorro, é uma mulher-cobra! — Gritou Ela.

— Na verdade é uma mulher-dragão! – Gritou Cell de volta para ela.

Pensamentos rápidos passaram na cabeça de Hell. “Como ela sabe a verdadeira forma da Dracanae? Será que a névoa está perdendo o efeito? Ou Talvez...”.

Não houve tempo para ele terminar o raciocínio. A Dracanae investiu com seu escudo e seu cajado para cima de Kimberly. Hell Correu em sua direção, se pondo na frente de um golpe cortante com o cajado. Ele olhou para Kim.

— Você está bem? – Perguntou.

— A-acho que sim. – Gaguejou ela.

Todos os monstros pararam de lutar e olharam para o Herói. Alguns com cara de espanto, se é que monstros tem cara de espanto. Uma adrenalina subiu dos pés a cabeça de Hell, ele sentiu uma energia quente, arregalou os olhos, e correu até a direção do monstro mais próximo, que tentou correr, sem sucesso.

Hell pulou nas costas de um Lestridão, e então fincou rapidamente sua espada na coluna do monstro, transformando-o em pó após alguns segundos.

Os monstros começaram a fugir. Depois de alguns instantes, o pátio estava vazio.

Os Semideuses olharam para todos os lados, junto com os monstros, aquela figura fria também havia desaparecido.

Depois de alguns segundos de Silencio, os Semideuses se reuniram junto de Kim.

— Você conseguia ver os mons...? – Hell Caiu.

— Ai meus deuses. – Bianca se Ajoelhou e abraçou o Herói.

Os três tiveram uma reação de surpresa, havia muito sangue na blusa de Hell.

— Temos que fazer alguma coisa. – Disse Kim.

— Eu já sei o que faremos. Vamos levar ele para o Acampamento, Bianca.

— Não dá tempo, não temos um meio de transporte!

— Que acampamento? – Perguntou Kimberly.

— Eu andei treinando algumas técnicas novas – Falou Cell, ignorando a pergunta.

— Mas e ela? – Bianca apontou para Kimberly.

Hell tossiu, abriu levemente os olhos, e sussurrou.

— Levem-na junto...

— Fiquem perto um do outro, não temos muito tempo. – Falou Cell.

— Espera ai – Interrompeu Kimberly – Para onde vamos?

— Você logo verá – Respondeu Cell.

O Filho de Nyx juntou os braços ao peito, repirou fundo, depois os esticou rapidamente. Os olhos de todos se ofuscaram, não se viu nada por alguns segundos, uma escuridão tomou o local, e assim que se dissipou os Semideuses perceberam que não estavam mais na escola.

Eles estavam em um pequeno bosque, em frente a um pinheiro. No galho mais baixo do Pinheiro havia uma pele de carneiro que reluzia como ouro.

— Eu chamo isso de “viagem pela noite”. – Falou Cell, e depois disso caiu de joelhos no chão, quase exausto.

— Cell você está bem? – Perguntou Bianca.

— Não se preocupe agora eu só preciso descansar, vamos levar o Foguinho até Quíron.

Cell e Bianca levantaram Hell, e foram caminhando com dificuldade. Kimberly foi atrás deles, observando tudo a volta, tentando encontrar alguma coisa que a ajudasse a se localizar. Até que depois de alguns passos, ela avistou um arco com algo escrito. A primeira vez que ela olhou, pareciam símbolos estranhos. Ela piscou algumas vezes, pensando ter visto os símbolos se mexerem, até que depois de alguns segundos, ela conseguiu ler a escrita: “Acampamento Meio-Sangue”.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.