Os Novos Heróis Do Olimpo
3 Falo Com Um Homem Cavalo Usando Um Arco-íris.
Notas iniciais
Enfim, aqui está. Espero que gostem.
Entro em casa, faço as malas e saio correndo de lá. É um alívio para mim saber que não precisaria mais passar tanto tempo naquela casa. Ethan e Chloe me esperavam do lado de fora. Chloe também havia feito malas, já que Ethan sabia que ela era uma semideusa — ele dizia que ela tem uma aura forte demais para uma criança mortal — e também queria levá-la para o acampamento. Na mala, eu levava roupas, um par extra de sapatos, uma loção de repelente para insetos, um saco de dormir (caso seja necessário), alguns livros e um leãozinho de pelúcia (é, eu sei, ridículo. Mas ganhei-o do meu pai com quatro anos de idade, e não vou deixá-lo para trás). Eu quis levar alguma arma, mas Ethan disse que qualquer arma não mataria monstros ou seres mitológicos. Quando estávamos quase saindo, Isabelle apareceu na porta de casa:
— Para onde estão indo? — Ela perguntou, com um tom inocente fingido na voz.
— Não é da sua conta, Isabelle! Volta pra dentro de casa! — Respondi, sem medir a grosseria nas palavras.
Ethan parecia intrigado olhando para ela. Ele se aproximou de mim, e sussurrou em meu ouvido:
— Traga essa menina conosco.
— O QUÊ? — Disse sem me importar se ela tinha escutado ou não — Não me diga que ela também é...
Eu mal terminei de falar, Ethan concordou com a cabeça. Ótimo. Aquela menina irritante era uma semideusa. Meu dia estava sendo bom, claro que algo tinha que acontecer para estragá-lo.
— Isabelle... — Ethan se aproximou dela — Vamos para um acampamento. Quer ir com a gente?
— Pode ser.
— Então faça suas malas. Estamos saindo em alguns minutos!
Ela entrou em casa e fez as malas. Voltou com uma mochila e um ursinho de pelúcia nas mãos, meio sujo e rasgado.
— Você tem certeza que vai levar esse bicho? — Perguntei
— Eu vou, e você não tem nada com isso! — Ela me respondeu, e me deu língua.
— Então seu nome é Isabelle, é? — Chloe perguntou, com um tom de voz amigável, como se falasse com um bebê.
Isabelle avançou em cima dela, derrubando-a no chão de costas, puxou-lhe a cabeça pelos cabelos, subiu nas costas de Chloe e disse:
— Não fale comigo assim! Eu não sou mais um bebê!
Eu tive que beliscar Isabelle para ela sair de cima da Chloe.
— Nossa! Que menina mais violenta!— Chloe disse, e tossiu. Ethan concordou com a cabeça, e começamos a caminhar.
— Onde fica esse Acampamento, Ethan? Como ele é? O que faremos lá? Para que ele serve? — Chloe pareceu ter ativado "o botão perguntar " em seu cérebro.
— O Acampamento Meio-Sangue fica em Long Island, Nova York. Ele é um espaço projetado para os semideuses. É composto de chalés, e cada chalé representa um deus, ou deusa, e é ocupado por seus filhos ou filhas. Os chalés tem aparência inspirada nos seus deuses e seus símbolos. Cada chalé tem seu conselheiro-chefe. Vocês vão gostar de lá, tenho certeza. No Acampamento, temos atividades que preparam vocês para uma vida de perigos e missões, que algum dia podem se apresentar diante de vocês.
— Parece interessante. Mas imagino que esse acampamento seja frequentemente atacado por seres mitológicos ou monstros, já que, como você disse, a concentração de semideuses lá é grande. — eu disse.
— Na verdade, não é. Existem barreiras mágicas em torno do Acampamento, que protegem-no contra esses problemas, e contra mortais também. — Ethan disse.
— Mas... — Perguntei — E se os mortais virem os semideuses treinando ou lutando lá dentro?
— Em volta do Acampamento, existe uma mágica que chamamos de névoa. A névoa impede os mortais de verem as coisas como elas realmente são, e distorce elas para que pareçam "acreditáveis" aos olhos mortais. A névoa envolve também armas, monstros, equipamentos... Tudo que retém a antiga magia grega. — Ethan respondeu.
Eu tinha gostado das explicações, e fiquei realmente muito curiosa para conhecer tal Acampamento. Estávamos em Manhattan, e a viagem para Long Island não ira ser muito longe. Já estávamos a caminho da rodoviária, e a cada passo que eu dava, eu me alegrava mais.
Depois de alguns minutos de caminhada, algo começou a me intrigar. Se éramos semideusas, o que Ethan era?
— Ethan, o que você é? — Perguntei.
— Como assim? — Ele perguntou de volta.
— Somos semideusas. E você?
— Sou um sátiro. Fui enviado para aquela escola, para saber se havia algum semideus ali. Os sátiros fazem isso. Eles se infiltram nas escolas para achar semideuses. Percebi que sua aura e a de Chloe eram fortes demais para crianças mortais, e concluí que tinha achado as semideusas dali. Sátiros são protetores, e cada semideus deve ter um. Ou terá, se ainda não tem.
Ethan era um sátiro. Me calei, digerindo o que acabei de ouvir. As palavras e explicações dadas por Ethan se encaixavam como peças de um quebra-cabeça. Até que meu raciocínio foi interrompido por Ethan, que se dirigiu a um lava-jato.
— Ethan, o que vai fazer aí? — perguntei.
Ele ligou uma mangueira, apontou o jato para o alto, na direção da luz do sol, tirou uma moeda — bem, parecia uma moeda. — e jogou para o alto. Logo, disse:
— Íris, ó deusa do arco-íris, aceite minha oferenda. Mostre-me Quíron, Acampamento Meio-Sangue.
Uma imagem estremeceu sobre o arco-íris formado pelo sol na água, e a imagem de um homem — parecia ter cinquenta, sessenta anos — com barba se definiu.
Chloe, eu e Isabelle nos aproximamos da imagem, e o homem nos viu.
— Quíron — Ethan disse — essas são as semideusas que encontrei. Estou a caminho do Acampamento.
— Ótimo. — O homem disse. Logo após dele dizer isso, muitas pessoas usando uma camisa laranja se aglomeraram atrás dele. Alguns acenavam, e outros diziam coisas como "olha só!" ou "há, uma ruiva! Eu sabia que ele traria uma ruiva!"
Mas dessas pessoas, as que mais me chamaram atenção foram uma loira (cabelo ondulado preso por um rabo de cavalo, com os mesmos olhos cinzentos que eu), ela sorriu e acenou, um menino (bronzeado, alto, forte. Cabelos castanhos lisos, olhos verdes), que abraçava uma outra menina (ela parecia uma versão feminina dele, mas com os olhos azuis), e um outro menino, no cantinho da imagem, distante (olhar sombrio, olhos escuros e cabelo preto bagunçado. Ele não usava a camisa laranja como as demais pessoas.), que quando notou que eu olhava para ele, sumiu em névoa preta. Me chame de maluca, mas eu o vi sumir em algo que parecia uma névoa preta.
O homem — já tinha percebido que seu nome era Quíron — andou até um canto da sala em que estava, e pude vê-lo por completo. Ele era homem até a cintura, e tinha as pernas de um cavalo branco. Deduzi que ele era um centauro. Seria esse Quíron que treinou tantos heróis gregos dos mitos? Impossível, ele já estaria morto... Ou não?
Ele voltou para frente da "tela", e disse:
— Já arrumei tudo para vocês virem para cá. A van estará na rodoviária, com Argos dirigindo. Boa sorte. Esperamos vocês aqui.
A imagem tremulou e desapareceu, e nós retornamos a caminhar.
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