Claude e Renata estavam de frente para Draco e Telê. Raois e relâmpagos continuavam clareando a noite. Felizmente, não havia movimento naquela estrada.

— Vamos ver se você consegue lidar com isso! — Gritou Draco.

Draco criou uma chama em sua mão. Em seguida disparou em direção a Claude. Rapidamente, Renata entrou na frente e atirou uma rajada de fogo em direção à Draco. As chamas se chocaram.

— Olha só... Eu tenho concorrência aqui, Telê!

— Interessante... — Respondeu Telê.

Os dois continuaram mandando fogo o máximo de que podiam. Aos poucos, a chama de Renata dominava a de Draco.

— O que é isso...? Ela é mais forte do que eu!

Draco foi atingido e acabou caindo de costas para o chão. Telê resolveu entrar na frente.

— Você está perdendo a prática, Draco... Mas comigo eles não podem... — Disse Telê.

Telê colocou os dedos indicadores em sua testa e focou em Renata.

— Essa não! — Gritou Não.

Uma onda de choque voou da testa de Telê em direção à cabeça de Renata. Porém... Ela não sentiu nada.

— Ei... Eu não sinto nada...

Claude cruzou os braços e sorriu.

— Então funcionou...

— O que é isso...? Eles são imunes?! — Perguntou Telê, assustado.

Draco se levantou.

— Chega! Vamos acabar com eles na garra mesmo.

— Entendido! — Disse Telê.

Draco correu em direção à Claude, e Telê em direção à Renata. Uma briga corporal começou.

— Ei... Parece que vocês também entendem de combate corporal! — Disse Claude.

Claude e Draco trocavam socos e chutes.

— Claro! Temos que estar sempre prontos para todo tipo de luta! — Disse Draco.

— Mutantes que pensam assim são raros! — Disse Claude.

Enquanto isso, Telê e Renata também atacavam um ao outro.

— Você é forte pra uma garota!

— Hehe... Estava esperando que eu seria fácil com você?

Renata agarrou Telê pelo braço e o derrubou no chão. Rapidamente, ele rolou para o lado e se levantou.

— Draco... Precisa de ajuda aí? — Perguntou Telê.

Renata riu.

— Do que está falando?! Você é quem precisa de ajuda!

Telê se irritou e correu em direção à Renata. Os dois voltaram a lutar. Enquanto isso, Claude agarrou Draco.

— Ei, me solta! — Gritou Draco.

Claude tirou uma seringa de seu bolso e mostrou para Draco.

— Está vendo isso aqui? Se eu injetar em seu peito, você ficará apagado por horas... Você quer que eu faça isso?

Draco não respondeu. Apenas encarava a seringa. Claude ouviu um barulho. Ao olhar para o lado, notou que Renata havia derrubado Telê outra vez.

— Droga... Eles são fortes, Draco... — Disse Telê.

Claude soltou Draco, que arrumou sua jaqueta.

— Certo... Claude e Renata, não é? Nós desistimos. — Disse Draco.

— Então... O que vão fazer com a gente? — Perguntou Telê.

Claude cruzou os braços.

— Nada... Mas se vocês aprontarem mais, estaremos de olho.

— Tá bom, nós prometemos que não vão mais ouvir reclamações a respeito da gente! — Disse Draco.

Claude pensou.

— Vocês... Eram da Liga Bandida, não é?

— Pode-se dizer que somos os únicos sobreviventes. — Disse Draco.

— Uau... — Disse Renata, espantada.

Claude baixou a cabeça.

— Foi aquela Liga do Bem que dizimou vocês?

— Epa, você tem algo contra a Liga do Bem? — Perguntou Telê.

— Vamos dizer que eu não tenho simpatia por eles.

— Bem, mais ou menos... Houve muito conflito interno na Liga Bandida, o que resultou em muitos membros morrendo ou abandonando o grupo. Telê e eu quase morremos quando fomos para o túnel subterrâneo. — Disse Draco.

Telê interrompeu.

— Espera, Draco, eu fiquei curioso... Qual a sua história, afinal?

— ...Se vocês contarem para alguém estão mortos, certo? — Disse Claude.

Draco se espantou.

— Epa, não precisa ameaçar...

— Certo, me desculpe... Eu estou numa missão para matar o Cris.

Os dois não acreditaram no que ouviam.

— Espera... Está falando do Cris, o mutante super-poderoso? — Perguntou Telê.

— Aquele que exterminava qualquer mutante que entrava em sua frente? Mas por quê? — Perguntou Draco.

— ...Ele matou meu irmão. — Respondeu Claude.

Draco colocou a mão na cabeça.

— Uau, cara...

— Você sabe no que está se metendo, não é? — Perguntou Telê.

— Eu sei, e não vou parar. Por isso não posso nem chegar perto da Liga do Bem.

— Eu entendo... Eles nunca iam te deixar fazer isso. — Disse Draco.

Telê olhou para Renata.

— E você, Renata?

— Eu... Estou fugindo da polícia.

Telê se espantou.

— Da... Polícia?

Renata baixou a cabeça.

— O meu apartamento foi incendiado algumas noites atrás enquanto eu dormia... Meus pais morreram no incêndio, e estão todos pensando que eu fui a culpada...

— E a polícia está indo atrás de você? — Perguntou Draco.

— Sim... Querem me pegar a todo custo... Mas eu nunca seria capaz de...

Renata de repente começou a respirar ofegante.

— ...Renata? — Perguntou Claude, assustado.

— Epa... Calma... — Disse Telê.

Telê olhou para o posto de gasolina. Havia um pequeno mercado do lado.

— Eu vou comprar alguma coisa pra beber. Pode ajudar.

Telê correu em direção ao mercado.

— Está mais calma? — Perguntou Draco.

— Desculpe... Eu estou tentando ser forte, mas... Às vezes parece que estou só me enganando.

— Não se preocupe... Se não quiser falar mais sobre isso não precisa. — Disse Draco.

Claude olhou para Draco desconfiado.

— Estranho alguém como você falando assim... Vocês ficaram na Liga Bandida até o fim, não é?

— É... Você pode dizer que estamos tentando começar do zero, por isso decidimos nos tornar motoqueiros. Se ainda quiserem nos condenar por algo que fizemos, fique à vontade. — Respondeu Draco.

Telê voltou com uma sacola com latas de suco. Jogou uma para Renata, uma para Claude, e uma para Draco. Draco pegou perfeitamente e abriu em seguida, mas Claude e Renata quase deixaram cair.

— Isso deve ajudar. — Disse Telê.

— Obrigada. — Disse Renata.

Renata e Claude abriram suas latas. Telê fez o mesmo.

— Então... Vocês estão juntos nessas missões? — Perguntou Draco.

— Sim. Nós temos histórias semelhantes... Estamos atrás dos culpados a serem punidos. — Respondeu Claude.

Telê se impressionou.

— Vocês foram praticamente unidos pelo destino, não?

— Uma dupla perfeita, se me perguntar. — Disse Draco.

Renata olhou para Claude.

— Vocês tem uma história e tanto... Mas sabem que estão correndo perigo, não? — Perguntou Telê.

— Especialmente você, Claude... — Disse Draco.

— Eu?

— Sim... Esse mutante que você está caçando é extremamente perigoso. — Disse Draco.

— Hum... Eu prefiro esperar pra ver.

Draco olhou para Claude e Renata.

— Ei... Vocês querem fazer um passeio?

Claude e Renata estranharam.

— Um... Passeio? — Perguntou Claude.

— Mas pra onde...? — Perguntou Renata.

— Nós podemos levá-los a um lugar que pode ser interessante... — Disse Draco.

— Está falando... "Daquele" lugar? — Perguntou Telê.

— Exato!

Claude e Renata se olharam.

— ...Certo. — Disse Claude.

— Ótimo! Subam! — Disse Draco.

Draco e Telê colocaram seus capacetes de volta. Telê abriu a mochila que estava em sua moto e tirou dois capacetes, jogando um para Claude e um para Renata. Os dois colocaram.

— Prontos? Vamos! — Disse Telê.

Claude subiu na moto de Draco, e Renata na de Telê. Os dois deram a partida e saíram.

— Onde estão nos levando? — Perguntou Claude.

— Relaxa. Você vai gostar... É só um passeio de meia hora. — Disse Draco.

— Vocês não estão indo muito rápido? — Perguntou Renata.

— Não. O limite aqui é cento e vinte quilômetros, e nós estamos a... Cento e dezoito quilômetros. — Respondeu Telê.

Os dois partiram de volta em direção à cidade.