Ebony olhou para a janela do seu quarto tentando desviar sua atenção do lugar que se encontrava. A luz estava apagada fazendo com que somente a luz da lua não deixasse tudo cair em profunda escuridão. Ter medo do escuro e da noite nos graus que ela sentia não era uma coisa normal para alguém de sua idade, mas a cada noite que se passava ela se sentia mais e mais insegura em estar no seu quarto.

Ela suspirou e voltou seu olhar para o criado-mudo com o abajur em cima que deveria estar do lado da sua cama (como sempre está de manhã) e que agora aparentava estar à milhas de distância. Ela já havia pensado em simplesmente andar até o criado-mudo e ascender a lampada, mas o tapete em volta de sua cama parecia criar dentes de noite e qualquer tentativa de fuga podia ser fatal.

'Mãe!!' Ela gritou com força existente em sua garganta e esperou alguns minutos, mas com o silêncio ela suspirou e tentou não chorar muito alto. Tudo a desesperava.

Ela se perguntava como a claridade podia mudar tanto o curso dos objetos sendo que na luz do dia o quarto todo era repleto de alegria e música, mas assim que o sol caia tudo parecia ficar possuído. Seu olhar pousou na prateleira de brinquedos onde as bonecas e ursos de pelúcia andavam para lá e para cá como zumbis. Até Sr Abraços havia criado dentes de vampiro e asas de morcego e a encarava como se a qualquer momento voaria até ela e ela não veria os raios do sol novamente.

'Nada é verdade' Ebony sussurrou para si mesma a mesma mentira que sua mãe lhe contava todas as noites. O problema é que era tudo real, tudo era extremamente real. De manhã quando tudo voltava ao normal Ebony tinha de recolher os livros que foram empurrados da estante, os lápis que foram parar do outro lado do quarto, arrumar a prateleira onde ela precisava de uma escada por que sua altura de 9 anos não permitia seu alcançe e finalmente embaixo da cama onde a maioria dos brinquedos eram encontrados.

Ela mudou o rumo de seus pensamentos quando um som de ciranda começou a tocar. Ela sorriu desconfiadamente, o som a faria se sentir confortável, dormir e acordar não tão abalada, mas quando seus olhos fecharam o som começou a pausar de um modo assustador e a voz feliz começou a gritar como se estivesse presa dentro do rádio que havia ligado sozinho.

–Chega.- Ela pensou e pegou a sua mochila da escola da cabeceira da sua cama. Ebony se arrastou até o final da cama onde olhou para o chão. Ao tentar pisar nele ela sentiu seu pé no vaco e quando ela olhou reparou que o chão, a cada instante que passava, ficava mais e mais distante. -Não tenho mais nada a perder.- Ela pensou encolhendo os ombros e pulou.

Ebony se viu caindo pelo que pareceram eternidades até que em fim seus pés tocaram em algo úmido, fedido e gosmento.

–Pelo menos sobrevivi a queda- Ela olhou em vollta, mas estava tudo muito escuro para ter ideia de onde ela se encontrava. -Que grande mal teria ver onde isso vai dar?- Ela pensou enquanto se afastava cada vez mais de sua cama.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.