Notas iniciais
Olá e sejam bem-vindos a minha nova fic. Os capítulos serão postados duas vezes por semana, potencialmente sábado e quarta-feira. Aproveitem!

Acordei naquele dia ensolarado que só acontece no Texas. Nada novo sob o sol.

Eu estranhei o lugar que estava por alguns segundos até que meus olhos se acostumassem com a iluminação vinda da janela e pudesse reconhecer o quarto de Emma. Ela havia pintado as paredes recentemente e eu ainda não havia me acostumado com a cor. A mãe dela gritava no andar de baixo:

—Pessoal, acordem! Vão se atrasar para a aula.- Cocei os olhos e olhei no relógio. Sete e meia.

Merda, não podia me atrasar. Não hoje. A primeira aula era de física, com um professor que achava que as escolas ainda deveriam ser mais rígidas como antigamente. Ajoelhei no colchão e comecei a chacoalhar minha melhor amiga.

—Emmy, acorda. Estamos muito atrasadas. — Ela emitiu um som não identificável e virou para o outro lado. O habitual sono pesado dela estava trabalhando ainda menos ao meu favor hoje.

Eu peguei meu travesseiro e joguei nela com força, abrindo minha mochila para, em seguida, pegar a minha roupa, e corri para o banheiro. Tentei abrir a porta. Trancada. Bufei:

—Cam, por favor. — Gritei para o irmão gêmeo da minha melhor amiga do outro lado da porta enquanto batia na mesma.- Preciso me arrumar para o colégio.

—Ninguém mandou ficarem acordadas até tarde. Se vira.- Gritou ele do outro lado. Eu grunhi em resposta. Como ele era irritante!

Voltei para o quarto da minha amiga e me troquei lá mesmo. Dobrei o cobertor e fechei a bicama num estrondo. Emma deu um pulo assustada e, em seguida, olhou o celular:

—Eu não acredito que você não me acordou. — Disse ela e eu revirei os olhos brincando.- Estamos muito atrasadas.

-Você fala como se eu não soubesse. — Retruquei.

A vi entrar no closet e sair vestida enquanto eu penteava meu cabelo. Fiz um rabo de cavalo e voltei para o banheiro, batendo na porta novamente:

—Cameron, por favor. Só preciso escovar os dentes.- Disse e aguardei a resposta.

Ele saiu de lá apenas de calça jeans e com o cabelo molhado. O dono do corpo que arrancava suspiros pela escola poderia até ser aparentemente bonito, mas por baixo do jogador de basquete de cabelos castanho claros, olhos amendoados e corpo definido, habitava uma personalidade pior que o capeta.

-Se você ou a minha irmã demorarem para chegar lá embaixo, vou deixar vocês aqui.- Disse ele, sem olhar muito para mim, logo antes de bater a porta do seu quarto.

Eu entrei no banheiro, escovei os dentes e lavei o rosto, ficando pronta para sair. Voltei para o quarto de Emma, que ainda se admirava no espelho enquanto aplicava cada um dos produtos de maquiagem espalhados pela cama como se o tempo não estivesse correndo.

—Em, seu irmão já está quase pronto. Precisa se apressar. — Ela olhou para mim enquanto pincelava o rosto de blush. — Você não precisa disso, é linda naturalmente.

—Você também é, mas podia passar uma base de vez em quando. — Ela olhou pra mim como se avaliasse cada fio de cabelo fora do lugar, mas não soubesse por onde começar. — E um corretivo... suas olheiras estão enormes.

Peguei a mochila dela e a minha colocando uma em cada ombro, desci as escadas e saí pela porta da frente da casa, parando na frente do carro. Conhecia Cameron o suficiente para saber que ele partiria sem hesitar se não estivéssemos do lado de fora quando ele destravasse o carro.

O jogador apareceu rodando as chaves na mão direita e Emma apareceu logo atrás, ofegante. Entramos no carro, os dois nos bancos da frente e eu no banco de trás, como era o usual.

Em algum ponto do trajeto a música do Shawn Mendes começou a tocar no rádio. Me empolguei. Comecei a cantarolar junto com a melodia. Foi quando mudaram a estação de rádio.

—Porque você é assim? — Perguntou Emma.- Você viu que a Sam estava aproveitando a música. — Ele deu de ombros.

—Não queria ouvir essa baboseira essa hora. Ainda bem que não tomei café da manhã, teria vomitado. — Eu revirei os olhos. Custava ser educado?

Chegamos na escola em poucos minutos. Ele saiu do carro rapidamente, emitindo a frase que eu o ouvia verbalizar todas as manhãs há mais de um ano:

—Finjam que não me conheçam. As duas. — Argh! Que raiva desse babaca.

Me virei para Emma:

—Como que sua mãe pariu vocês dois no mesmo dia? — Ela riu.- Vocês são tão diferentes.

—Ele já foi um cara legal. Não sei o que houve com ele conforme a puberdade o atingiu.- Ela pensou por alguns segundos.- As vezes acho que namorar alguém legal faria bem pra ele.

—Seu irmão já tem namorada. E é alguém bem a cara dele. — A relembrei, olhando para a garota que se agarrava a ele na porta da escola.

—Todo mundo sabe que a Ashley traí o meu irmão com o Jason. Só ele não percebe.- Emma olhava a cena e negava com a cabeça.- Ou finge que não. — Ela respirou fundo. — Além disso, eu falei alguém legal. A capitã das líderes de torcida não se enquadra nessa categoria. Cam é tão clichê.

Na hora do almoço, estava tentando identificar a mesa que Emma estava, já que não a encontrara em lugar algum. A avistei sentada com Ally, que sempre almoçava com a gente, e mais dois garotos que eu nunca tinha visto.

—Oi.- Disse colocando minha bandeja na mesa e ocupando o espaço vazio entre Emma e Ally.

—Sammy, — Disse Em. — Esses são Nickolas e Nathan. Eles chegaram hoje na escola. Estão na segunda aula comigo.

—Prazer, eu sou Samantha. — Respondi estendendo minha mão para apertar a dos garotos.

—Pode me chamar de Nate.- Os dois eram bem bonitos e até parecidos. Encarei os dois por um tempo, tentando identificar todas as semelhanças, então sorri e apertei sua mão.- Somos gêmeos. Fraternos.- Completou ele, quase como se adivinhasse minha dúvida.- Começamos a conversar com Emma na sala por conta disso.

Ambos eram atraentes, mas cada um tinha sua particularidade. Enquanto Nate era mais solto e despojado, Nickolas parecia mais sério e tímido. Ambos tinham o mesmo par de olhos azuis, mas o formato do nariz e a cor do cabelo eram diferentes, assim como os lábios de Nate eram mais carnudos e os de Nickolas, mais finos. Olhei profundamente nos olhos de Nate, que me olhava de volta. Sorri mais uma vez. Ok, Nate, você é meu mais novo crush.

Conversávamos os cinco animados sobre coisas aleatórias, como os filmes que estavam em cartaz e qual era o cardápio da semana na cantina, quando ouvi alguém pigarreando atrás de mim:

—Vim avisar que terão que voltar de ônibus hoje. — Era a voz do capiroto mais perto do que eu gostaria, atrapalhando a minha conversa com Nate. Na verdade, qualquer distância que ele estivesse dentro do sistema solar ainda seria perto demais.

—Tudo bem, Cam. — Respondeu Em.- Só lembre de avisar a mãe. Caso contrário, ela inferniza o meu ouvido atrás de você quando eu chego em casa.

—E você, encosto?- Retrucou ele com o apelido carinhoso que havia criado para mim no passado.- Não vai falar nada? — Virei de leve e lentamente a cabeça por cima do ombro para encará-lo.

—Está falando comigo? — Perguntei cínica.- Achei que era pra fingir que eu não te conhecia.- Emma riu de leve, como se estivesse se contendo. Continuei encarando seus olhos verdes, que me devolviam o olhar com raiva. Depois de respirar fundo, ele deu de ombros e saiu.

O sinal bateu e descobri que eu e Nate teríamos aula juntos no período da tarde. Estávamos caminhando em direção ao laboratório de biologia enquanto continuávamos nos conhecendo:

—Onde você mora? — Perguntou ele.

—Cinco Ranch. Não fica muito longe daqui.

—Que coincidência. — Retrucou surpreso.- Se quiser, eu e Nick podemos te dar uma carona até em casa, moramos por lá também.

—Seria incrível. — Respondi com sinceridade, sorrindo.- Obrigada.

Na aula de biologia, ganhei um presente. Nate seria meu novo parceiro, o que foi ótimo, porque eu não aguentava mais carregar Nathalie Lowe, minha antiga parceira nas costas. Ele se demonstrou bem inteligente e prestativo, itens que só agregavam na lista mental de qualidades dele que eu estava montando.

Cam também estava nessa aula, mas, como sempre, simplesmente ignorávamos a presença um do outro alí, o que era um alívio considerando as frequentes desavenças que tínhamos o costume de demonstrar publicamente.

***

Ao final do dia, Nate e Nick deram carona para Emma e eu. Nick foi, aos poucos, começando a se soltar e interagir um pouco mais na conversa, o que foi interessante de presenciar.

—Obrigada, meninos. — Dissemos descendo do carro ao mesmo tempo.

Sim, eu e Emma éramos vizinhas. E não, nós quase nunca éramos vistas separadas. Desde que Emma mudou com sua família para a cidade, três anos e meio atrás, ficamos muito amigas e não nos desgrudamos mais.

Entramos na minha casa, que estava vazia e silenciosa, como sempre. Deixamos as mochilas no meu quarto e descemos para a cozinha. Eu pulei no balcão, me sentando neste e Emma foi assaltar a geladeira. Ela pegou uma tigela de morangos e colocou ao meu lado:

—Hey, o que achou dos meninos novos?- Disse Emma começando o assunto. — Já posso dizer que eu quero o tímido e misterioso?

—Pode ficar, estou de olho no irmão dele. — Rimos.- Continuo aumentando minha lista de qualidades de Nate. Quanto ao Nick, não sei se saquei a dele ainda.

—Ele é tímido. — Emma respondeu colocando um morango na boca.- Achei fofo.- Eu levantei uma sobrancelha.

—Se eu bem te conheço, vai tentar sugar toda a timidez do coitado fazendo respiração boca-a-boca. — Ela gargalhou antes de responder.

—O que eu posso fazer? É um dom. Eu tenho lábios mágicos.

Emma ficou até o final do dia na minha casa. Mesmo que não tivéssemos as mesmas matérias, gostávamos da companhia uma da outra quando estávamos estudando. Ficávamos em silêncio, concentradas, mas sabendo que a outra estava ali. Era um momento de conforto. Ocasionalmente, trocávamos comentários sobre a matéria ou coisas triviais.

***

Já passava da meia noite quando meu pai chegou. Ele passou reto pela porta no meu quarto no caminho para o seu, mas percebeu que eu estava acordada e voltou para falar comigo:

—Oi, Querida.

—Oi, Pai. Como foi seu dia?

—Produtivo e o seu?- Sempre o trabalho. O tema preferido dele.

—Interessante. Fiz amigos novos. — Disse empolgada. Não era algo muito comum para mim. Todos os meus amigos estudavam há anos comigo. A minha amiga mais recente, incrivelmente, era Emma.

—Isso é ótimo, mas o que faz acordada a essa hora? — Disse ele levantando uma sobrancelha.

—Ops.- Disse forçando um sorriso.- Se estiver com fome, eu e Em fizemos lasanha.

—Muito obrigado, filha, vou pegar um pedaço antes de tomar banho. Agora boa noite, você precisa descansar. — Disse ele apagando a luz.

—Boa noite, pai.

Meu pai trabalhava no centro, em uma indústria de petróleo, assim como muitos na região, mas, por conta disso, quase não ficava em casa ou sequer na cidade. As vezes, como hoje, eu ficava acordada até mais tarde, apenas para ter o prazer de ouvir a sua voz. Mesmo em conversas rápidas como essa, conseguimos nos entender bem.

Notas finais
Eai, o que acharam? Me contem! Conversem comigo!