354 APENAS UM LANCHE

Armando olha em seu relógio e percebe que essa é a hora que sua esposa cuida dos gêmeos e resolve ir ao seu quarto, mas não acha Betty e também percebe que os berços não estão lá... então ele vai até o quaro de dona Adriana e elas estão lá com as crianças.
A- Meu amor... você que pediu para que os berços estivessem aqui?
B- Não meu amor... sua mãe.
A- Mas ela sabe que lá em casa eles ficam no nosso quarto.
B- Sim... sabe...
DA- Mas ela deve ter pensado que vocês estão de férias e que gostariam de ficar sozinhos.
A- Férias de ser pai? Eu nunca faço isso!
DA- Na verdade ela acha que as crianças não devem ficar com os pais, sabe bem disso.
B- Mas é verdade que as crianças precisam de um quarto só delas...
A- Não na minha casa... os meus filhos vão para os quartos deles assim que fazem 1 ano... Betty você não pode deixar minha mãe controlar sua casa.
B- Essa casa não é minha é dela.
A- Não senhora... essa casa é sua, afinal qual nome tem na escritura?
B- O nosso...
A- Então... faça valer a sua vontade... vou ver a Aninha. (sai)
DA- Ele está certo minha filha... você domina um super empresário ou o mais genial dos banqueiros, mas não consegue controlar a sogra.
B- Não é isso... ela mal vê os netos... eu penso se eu falar alguma coisa ela some e não a vejamos mais.
DA- Se isso acontecer, pior para ela estará perdendo uma família maravilhosa.
B- Armando fala, mas não gosta de brigo com a mãe dele.
DA- E quando você brigou com ela querida?
B- Nunca...
DA- Vamos fazer o seguinte... da próxima vez, você mesma liga para os empregados e diga a onde quer que seus filhos fiquem e também os convidados... assim não ficaremos feitos bobos procurando quarto.
B- Eu sei... tomarei rédeas de minhas casas. (risos)
DA- Sim minha filha, demostre o seu príncipe que você é a rainha da vida dele.
B- Príncipe... (sorri) há muito tempo que não o chama assim, quando nos conhecemos o chamou de príncipe.
DA- E não é isso que ele é na sua vida... um príncipe?
B- Sim... e eu sou a gata borralheira dele.
DA- Você é a princesa que o libertou de uma vida vazia e sem nenhuma emoção... hoje esse homem deixa a sua emoção falar, ele deixa que o mundo saiba que ele ama uma mulher... que ama você.
B- Mas ele tinha uma vida boa... (sorri)
DA- Se era tão boa assim, porque se tornou completamente obcecado por você... me lembro que quando estavam brigados... não, quando você viajou... ele chegava em casa e perguntava... Betty ligou? Eu falava, meu filho, ela tem seu telefone?
Betty se emociona...
DA- Ele me dizia, ela tem do celular, mas não sei se tem da minha casa... ele ficava como louco nessa casa... ligando e ligando para o seu celular.... minha filha, como você não via que aquele homem te amava?
B- Estava cega... era muito orgulhosa e estava muito ferida... meu coração doi em pensar tudo que ele passou quando eu viajei... até hoje fico pensando quando o encontrei na porta do meu quarto em Cartagena... ele estava muito mal... estava deformado... seu rosto... não sei como deixaram embarcar daquele jeito.
DA- Ele me disse que arrumou briga em um bar... mas que estava tudo bem que tinha te recuperado.
B- Ele te disse porque foi a esse bar?
DA- Não...
B- Para que o matassem. (chora)
DA- Meu Deus!
Dona Adriana abraça Betty.
DA- Que isso minha filha... já passou... olha aquele lindo rosto, não existe marcas de briga e sim de amor... muito amor.
B- É verdade... vamos esquecer isso, afinal estamos em festa. (limpando o rosto)
DA- Tome leve Fernandinho para o pai antes que ele entre aqui de novo atrás da prole.
Betty sorri, beija a delicada senhora e sai.
Betty vai até o quarto de Camila com Fernandinho no colo e a encontra abraçada ao noivo olhando a torre na sacada... essa mãe olha o casal que não dizem nada apenas querem curtir o momento... ela pensa que a filha tem uma vida diferente do que foi a sua, não pelo dinheiro, mas por ter 17 anos e um namorado... coisa que ela nunca teve... Camila olha para trás e vê a mãe.
C- Oi mamãe... precisa de mim para cuidar dos gêmeos?
B- Não ia te chamar para o lanche.
Betty chega perto dos dois.
L- Deixa que eu seguro para a senhora! (pega Fernando no colo) Seus filhos são lindos minha sogra.
B- Os seus também serão.
L- Posso levar para Cristina brincar com ele?
B- Pode meu filho.
Leandro beija as duas e sai... nisso Camila abraça a mãe e as duas ficam ali olhando a torre.
C- Sabe mamãe... ainda estou chateada...
B- Com o que?
C- Ter estragado o sonho da minha sogra de conhecer Paris na lua de mel.
B- Minha filha.... minha preciosa filha... (beija o rosto dela) lua de mel é realmente lindo, mas realizar um sonho ao lado de quem amamos é ainda melhor... o que Ruth disse no carro foi verdadeiro e não apenas para te deixar feliz.
C- As pessoas têm tantos sonhos que para nós são normais...
B- Por que? Não tem sonhos?
C- Sim... mas sei que todos posso fazer.
B- Você está me dizendo que o dinheiro as vezes atrapalha?
C- Não... não sei, mas quem não tem, sonha mais daquele que tem... mas também se não tivesse todo esse dinheiro não poderia realizar o sonho de tantas pessoas que amo.
B- É verdade.
C- Na minha idade a senhora sonhava com Paris?
B- Não muito.... eu sonhava em ter namorado... um namorado... sua vida é tão diferente da vida que tive.
C- Eu sei mamãe... a senhora foi pobre.
B- Não por isso e nem por ser feia. (risos) Mas eu sempre tive medo de que você não tivesse amigos como eu, porque seu pai era tão super protetor quanto o meu... eu, na verdade ainda acho que você tem poucos amigos... olha esse aniversario... não veio nenhuma amiga do colégio.
C- Eu não gosto muito delas... elas são pedantes... nariz empinado... não gosto de gente assim, mas eu tenho amigas... a Lilu, só não veio porque a mãe não deixou.
B- E a Tatiane? Vocês não têm se falado?
C- Sim... mas ela tem muito ciúmes das primas, não daria certo com ela aqui e além do mais ela está de castigo.
B- O que ela fez?
C- Fugiu para ir para a balada.
Nisso Armando chega com Armandinho no colo e segurando Aninha outra mão.
A- Betty, Aninha está com fome, vamos descer?
AN- É a neném ta com fome.
B- Minha bonequinha, a mamãe já te falou agora já é uma mocinha tem que falar direito...
AN- Estou com fome!
Betty bate palminha junto com Aninha e Camila.
B- Que linda!! Minha bonequinha sabe falar direitinho!
Camila escuta uma confusão conhecida vindo do salão e desce sorrindo.
A- As primas chegaram! (revira os olhos)
B- Meu amor... estamos felizes por elas estarem aqui, não é?
A- Sim... na verdade, estou me acostumando com elas na minha casa.
B- Porque é o homem mais generoso do mundo. (o beija) Vamos descer.
A- E o Fernandinho?
B- Está com seu genro!
A- Betty!! Não gosto dos meus filhos de mão em mão.
B- Mas você passou um dos gêmeos para ele hoje. (descendo as escadas)
A- Estava tentando evitar uma tragédia. (atrás dela)
Quando chegam lá... as meninas e Camila pulam abraçadas em um círculos enquanto os meninos fazem uma fila para receber os beijos... cada prima dá um Celinho neles que sorriem satisfeitos.
B- Meu amor... tem que resolver isso.
A- Meu amor... é a única coisa que eles têm delas... não posso brigar com eles.
B- Então, está ensinando seus filhos a serem taradinhos?
A- Eu não ensinei nada... aprenderam sozinhos...
B- Sei...
Betty se aproxima e fica feliz em ver que estão também os pais dela, junto com os de Armando e Nicolas com a família.
B- Me contem... o que lhe parece Paris?
K- Aiii tia tudo de bom!
Todos se cumprimentam felizes por se verem e também pela ocasião.
DM- Vamos para a sala de jantar que oferecemos um lanche antes do jantar...
Armando olha para Betty que fica sem graça, afinal ela deveria dizer isso... na sala de jantar todos se sentam... a mesa está lindamente decorada e com todas os lanches franceses, geleias, queijos, bolos, sucos, café e é claro diversos pão francês.... katinha olha a mesa intrigada.
DM- O que foi Katia? Algo não agrada?
K- Não... que isso... é que finalmente estamos livres da dieta que mamãe nos obriga e achei que comeria coxinha no lanche... afinal disseram lanche e não café da tarde.
DM- Coxinha? (intrigada)
Ana- Por isso que mamãe diz que você tem ranço de pobre... aonde se viu em Paris, pensar em coxinha.
DM- Ranço de pobre? (mais ainda)
H- Coxinha... desconheço essa comida.
R- Coxinha é uma comida tipicamente brasileira... inventada pelos paulistas quando houve a industrialização para sustentar os trabalhadores... antes era uma coxa de frango mesmo com uma massa cozida por fora, mas à medida que os trabalhadores foram aumentando, ou seja, os povos saíram do interior para a Capital eles passaram a fazer com frango desfiado, no intuito de diminuir o custo.
A- Ahh eu sei o que é... são aquelas bolinhas que comemos no aniversário de sua mãe.
R- Sim... salgadinhos... ali com vários outros sabores e não só de frango, mas a coxinha na verdade é anterior a isso... o filho da princesa Izabel já comia coxinha. (risos)
DM- Eu nunca comi... mas se vocês gostam poderei...
B- Não se preocupe com isso minha sogra... depois quem sabe, Ruth me ensina... sabe fazer a massa?
LU- Mamãe sempre disse que a massa dela é ruim... mas eu sei tia e te ensino.
Dona Margarida olha para Roberto não gostando da possibilidade da nora ir para a cozinha.
DM- Mas vamos falar da programação de aniversário... hoje teremos o jantar... Marcela, Ugo e Daniel já estão na cidade e...
B- Jantar com eles?
DM- Sim...
B- Minha sogra... achei que o jantar seria amanhã no aniversário de Camila.
DM- Sim... e será, por isso essa noite será aqui!
Betty olha para Armando que abaixa a cabeça e se enche de coragem...
B- Dona Margarida, eu agradeço muito por tudo que fez... eu jamais conseguiria planejar tudo com tantas coisas acontecendo e tudo com tanto carinho e cuidado, mas o jantar de hoje será apenas com a família... ou seja quem está aqui.
DM- Mas... devo desmarcar, então? (pasma com o topete da nora)
B- Não... eu mesma farei isso.
DM- Pensei que gostasse deles.
B- E gosto, muito, mas estamos em família e se tiver que sair para cuidar dos meus filhos, todos aqui entenderam... ou for me deitar, mas com eles tenho que me preocupar mais.
RT- Como desejar Betty... hoje será um jantar perfeito, a família e amigos.
A- Não meu pai... essa gente... (olhando para o genro) são da família.
RT- Claro! (sorrindo)
P- Mas vamos jantar aqui Betty? Com tantos restaurantes maravilhosos por ai!
A- Vá Patrícia! Me faça esse favor!
P- A Betty acabou de dizer que sou da família Armando, me respeite.
B- Isso mesmo meu amor, mas Patrícia, por que não quer ficar aqui conosco?
P- Como Betty? Se essas meninas falam o tempo todo em brasileiro e rindo de mim.
Armando revira os olhos.
A- Elas falam em português Patrícia!
P- Não seja burro Armando, elas não são portuguesas e sim brasileiras.
Os adolescentes todos riem.
P- Vê... agora juntaram com os seus filhos para rirem de mim.
Dona Julia observa os netos e percebem que eles estão arranhados e Leandro tem uma pequena mordida na mão.
J- Betinha... o que houve com essas crianças?
A- O que minha sogra? (assustado olhando para Edgar)
J- Caíram da escada?
Dona Margarida resolve ver de perto.
DM- Não acredito nisso! Brigaram!
Betty resolve olhar de perto.
B- Eu não acredito nisso!! Armando!!
A- O que foi? Eu não fiz nada!
B- E também não impediu nada!
A- Meu amor... eu não sei de nada... deixei o Edgar cuidando deles, se aconteceu alguma coisa a culpa é dele.
E- Minha?? (pasmo com a traição)
R- Normal!! Todas as vezes que eu deixava Edgar cuidar do Leandro ele aparecia ralado.
E- O que?? Gente... meu filho é uma criança normal... sempre brincava muito.
J- Betinha minha filha... não pode deixar isso acontecer! O menino foi mordido!
L- Não se preocupe vovó... foi a Aninha e os dentinhos dela não...
B- Aninha você mordeu??
A menina que estava se deliciando com um Bolinho corre e senta no colo do pai.
A- Meu amor... assustou a menina...
DM- Isso é inaceitável!
RT- Margarida... deve ser por um bom motivo, afinal quem começou a briga?
Ninguém fala nada.
RT- Então, de quem é a culpa?
Ninguém diz nada e Roberto sorri...
RT- Como eu previa, são irmãos... se amam... foi apenas um desentendimento.
N- Eu nunca tive irmão para brigar... então não posso dizer nada! Só tinha a Betty para gritar comigo! (risos)
P- O que ela faz até hoje!
B- Quando você faz besteiras!
N- Eu? Sou um santo!
B- Sei...
As primas acham que isso vai longe e resolve mudar o papo.
Ana- Mas afinal, e depois do jantar, para aonde iremos?
A- Para a cama, é logico!
LU- Como assim? Estamos em Paris tio!
E- E?
K- E que vamos conhecer a balada francesa!
A- Vem esse papo de balada de novo! Eu quero dormir cedo!
E- Estou cansado!
C- Não precisa ir conosco... apenas nos diga aonde ir!
L- Claro! Iremos sozinhos... apenas Camila é menor.
JO- Já estamos fora disso!
AL- Que facilidade nos descartam!
R- Gente... elas estão certas... podem ir para a balada sim.
A- Não podem nada!
C- Papai estamos em Paris!
N- Sim homem! Deixe a menina sair pelas ruas de Paris com seu noivo! (risos)
H- Não se atreva homem deixar isso! Uma menina de família não sai por ai, pergunta se Betty ia para esses lugares como discotecas? Ela jamais foi!
C- Foi sim com o papai!
B- Camila!!! (menina dedo duro)
H- Como assim?? Que conversa é essa mocinha?
B- Papai... eu...
R- É claro que eles saiam seu Hermes, estavam namorando... o que tem de errado nisso?
H- Ela era uma menina caseira... não ia para discotecas! Deve ter ido depois de casada, como esse homem não sabe o que é moral e bom costume levou a menina para o mundo das danças imorais.
J- Que besteira Hermes!!
N- Não foi casada não, foi solteirinha da Silva! (risos)
Betty olha furiosa para o irmão.
N- Ficava lá de rostinho colado!
B- Nicolas!! Papai... olha...
L- Mas isso foi no passado. (tentando aliviar as coisas) Hoje são casados e felizes.
H- Quando que foi isso se controlei todos os horários dela (pensando)
P- Oras... quando ele ainda era noivo da Marcela!
A- Cala a boca peste!!
H- Ainda tem isso!! Betty!
B- Papai...
RT- Se me permitem dizer... isso já passou há muito tempo, não é mesmo.
H- Então quer dizer que levava minha filha para as discotecas homem?
A- Seu Hermes... eu...
H- Como pode dizer que agora sua filha não pode ir?
C- É verdade papai!
A- Caladinha!
H- Isso é tudo culpa sua Julia!
J- Minha?
H- Sim... sempre escondeu as saidinhas de sua filha com o Armando!! Agora tenho que ouvir isso!

LU- Olha... pouco me importa o que vocês fizeram nos anos 70, mas eu quero sair hoje!
L- Não foi nos anos 70 Lurdinha.
LU- Mas ele disse discoteca!
Leandro sorri para a prima, pois na Colômbia essa expressão ainda foi usada por muitos anos depois dos anos 70.
A- Ninguém vai sair hoje.
E- Armando... são jovens... você deve conhecer algum lugar aqui que eles possam ir que não tem problema.
A- Eu? (sem graça, Armando não saia da cama cada vez que veio a Paris)
J- Sim... meu filho...
A- Mas...
R- Ele não conhece nada porque passa as noites na cama! (risos)
A- Olha isso é... uma... verdade... (abaixa a cabeça e faz seu melhor biquinho)
Edgar sorri.
E- E vocês conhecem, Roberto e Margarida? Conhecem a noite de Paris?
DM- Nós conhecemos restaurantes... não casas noturnas!
B- Só quem conhece são Marcela e Ugo meu amor... acho que mais o Ugo.
N- Esse só conhece boates gays! (risos)
P- Aiii que implicância Nicolas! Ugo é um homem muito culto.
N- Nem homem ele é! (risos)
B- Meninas, prometo que amanhã eu pesquisarei alguma coisa e amanhã sairemos.
C- Amanhã não! (mais que depressa) Tenho compromisso depois do meu jantar de aniversário.
A- Como assim?
C- Sim... com o meu amor... e sinto muito primas, mas não incluem vocês!
Os quatro se olham... Armando, Betty, Edgar e Ruth...
H- E podemos saber por que mocinha?
C- Não vovó... não sou a mamãe... isso é assunto meu e do meu noivo! (risos) Mas não fique triste que te conto tudo depois.
Leandro olha o pai que está nervoso e para o sogro que rosna para ele.
H- Homem... não vai dizer nada? É uma vergonha para mim ter um genro tão inútil como você!
RT- Senhor Pinzon, eu não fico à vontade quando fala assim do meu filho, ele sim fez errado em sair às escondidas com sua filha enquanto estava com Marcela, mas ele é um pai maravilhoso com essas crianças…. um pai muito melhor do que eu fui e olha que ele tem seis filhos.
H- Mas tem que ter mais pulso!
RT- Não concordo com isso!
Os adolescentes vêm que essa conversa vai longe pegam umas comidinhas e vão para a varanda olhar a torre e conversar sobre a vida.

FOTO DA DECORAÇÃO DA MESA