317 AMIGOS E PAIS


Os Mendozas ainda estão na casa dos pais de Ruth... Armando está no terceiro pão de queijo... seus filhos passam de mão em mão, mas esse homem perfeito só pensa na iguaria que experimenta pela primeira vez.
A- O que é isso mesmo?
C- Pão de queijo papai... não é uma comida carioca e sim mineira, porque vovó é de Minas Gerais.
A- Ah Minas Gerais... já conhecemos boa parte de lá... na verdade conhecemos bem o Brasil.
CH- Por isso que falam tão bem o português?
B- Na verdade foram nossos filhos que nos ensinaram. (risos) Tivemos que aprender quando criamos a Ecomoda aqui do Rio, mas só falávamos o básico mesmo.
T- É verdade... katinha me disse vocês são donos daquela loja lá na praia.
K- Sim vovó em Ipanema... aquela pequena loja. (risos)
Ruth resolve brincar com Armando.
R- Mas que falta de educação... não mostrei a casa... venha Armando!
Ruth sai puxando o homem da mesa que já iria para mais um pão de queijo... Edgar sorri, sabia que a mulher não deixaria de implicar com ele.
R- Bem... sala você já conhece... (levando pela cozinha) aqui é a imensa cozinha da mamãe.
A- Até que não é pequena.
E não é mesmo.
R- Esse é um quarto.
Armando pensa.. isso é um quarto ou armário... lá tem duas camas e um guarda roupa.
R- Aqui dormem meus filhos.
A- Então Leandro dorme aqui?
R- Claro, a onde seria?
A- No quartinho!
R- Não...dorme aqui.
Armando respira aliviado, o pobre e tonto homem.
R- Esse é o outro quarto... o meu.
Armando entra, também é pequeno e para piorar tem um berço de Cristina... Ruth prende o riso ao ver a cara dele.
R- E agora o do papai.
Esse é um pouquinho maior, tem moveis velhos, porem de boa qualidade.
R- Eu sei... tudo velho, né? Mas vai falar com a mamãe em trocar! Agora o único banheiro da casa.
Armando entra no banheiro e os pisos são velhos... tem azulejos até a metade da parede e uma banheira ainda mais velha.... porem é um banheiro bonito e não tão pequeno assim.
A- Com esses tamanho de quarto imaginei que o banheiro seria minúsculo.
Armando sente vergonha na hora, não era para falar e somente pensar, mas Ruth ri alto.
R- Eu sei... essa casa tem quase 100 anos Armando e mamãe não gosta que a mudem.
A- Me perdoe... (sem graça) não quero que pense que sou esnobe.
R- Mas você é! Não se preocupe... me acostumei com isso. Vamos voltar.
Ela novamente arrasta o homem para a área... todos já terminaram o lanche e Edgar está em pé perto do quartinho e Armando se aproxima dele.
E- Não demorou no tur. (sorrindo)
A- Ela fez de propósito! Porque todos acham que sou um cara soberbo?
E- Talvez pelo tamanho das casas... da quantidade de carros... (sorrindo) do veleiro, lancha, avião, helicóptero... fora as motos.
Armando revira os olhos.
A- Eu tenho seis filhos Edgar, minhas casas tem que ser grandes.
E- Estou brincando! Fique calmo.
A- Então...
Armando quer saber mais sobre o quartinho então resolve investigar.
A- Foi para o quartinho ontem?
E- Sim... (sorrindo) estou quebrado... é difícil agüentar o pique da Ruth.
A- Sei... é esse aqui, não é? (apontando para o quarto)
E- Sim... mas para você não é nada... como diz o Mario é super homem! (sorri)
A- Olha... se vocês dois não estão com nada, eu não posso fazer nada!
E- Sei. (risos) Mas ela veio direto para o quartinho ontem... ou hoje... só saímos porque escutamos barulho na cozinha... na verdade, os barulhos que dona Terezinha fazia ao acordar que tirava minha Ruth do quarto quando namorávamos... é claro que ela sabia que a filha estava comigo.
Armando lha para o quarto, afinal o que tem esse quarto de tão especial?
A- Mas é um quarto qualquer... posso olhar?
Ele vai até a porta, mas Edgar o puxa, afinal o filho poderia ter colocado algo comprometedor.
E- Que isso Armando, não pode entrar! (sem graça)
A- E por que?
E- Porque é a intimidade da minha esposa... e minha... (mais ainda)
A- Desculpe! (também sem graça) Eu não vou entrar, mas você fala tanto nele.
E- Porque temos um passado... vocês não tem um lugar em especial?
A- Sim... o hotel a onde passamos a nossa primeira noite.
E- Então... é apenas um lugar para você, mas para mim é especial.
Edgar fica arrasado por mentir para Armando, já o tem como um amigo, um irmão e não gosta de enganar desta maneira... mas o que fazer se o filho e a filha dele estão só se envolvem em besteiras.
Já por outro lado, Armando esquece o quarto vendo seus gêmeos passar de mão em mão na área.
Betty que está ao lado de Ruth percebe que ela boceja.
B- Nossa... esse quartinho ficou animado essa noite.
R- Ai menina estou quebrada! É difícil acompanhar o Edgar, principalmente no quartinho.
B- É aquele?(aponta)
Quando ela faz isso, Armando que a olha... volta seu olhar para o quartinho.
R- Sim... não é muita coisa, não é?
B- Se para você é tudo, para mim também. (sorrindo)
R- E vocês, fizeram as pazes?
B- Aiii graças à Deus! Odeio brigar com o meu amor.
R- Então ele se safou dessa?
B- Não... ele sabe que não será mais tão fácil me convencer!
Neles...
E- Está tudo bem entre vocês? Pediu perdão? Ela te perdoou?
A- Sim... foi difícil, mas estamos bem.
E- Ela deve ter sofrido em fazer aquela vingança que Ruth planejou.
A- Você está enganado meu amigo... a única participação da Ruth nessa vingança foi ir a Lapa... ficar dançando com todos os homens do Rio de Janeiro foi idéia dela... da Betty.
E- Mas... então... ela estava com raiva mesmo...
A- Você teve uma pequena idéia do que Betty é capaz para se vingar de mim!
E- Mas... então... (pensa) Ruth queria realmente ver o primo safado!
Armando percebe que falou besteira.
A- Eu não disse isso... eu...
E- Ela levou Betty a onde o primo dança! Ela sabe que ele estaria ali.
A- Edgar, afinal, ele virá para a festa da Dona Terezinha... iriam se encontrar de qualquer jeito!
E- Bem... isso é verdade!
Armando percebe que Edgar é facilmente enganado, não sabe se fica com pena ou sente inveja de ser tão calmo assim.
A- Você já perguntou a ela se aconteceu algo entre os dois?
E- Já e ela disse que não!
A- Então não se preocupe!
E- Olha quem fala! (rindo) Sua mulher já te falou milhões de vezes que nunca teve nada com o Michel e você não acredita!
A- Eu tenho os meus motivos para não acreditar... ela estava com ódio de mim!
E- Nos seus sonhos.
Mario tenta de todos os jeitos manter sua gorda quieta em casa, mas essa quer sair.
D- Mario eu não vou passar o final de semana trancada nesse quarto! Quero sair... preciso comprar roupas.
M- Para que mulher? Você vai parir... eu não sei o que posso mais fazer você entender que isso acontecerá daqui há dois dias.
D- Eu sei disso, mas preciso de uma roupa que me caiba quando eu sair do hospital sem essa barriga.
M- Jesus amado... mulher difícil essa!
D- Mario.. eu não vou sair da maternidade com essa barriga... vou sair com uma filha nos braços. (sorri)
M- Eu sei minha gorda.... mas ainda vai sair com barriga...
D- Eu não era barriguda antes Mario... bem... não muito.
M- Aii cansei... medidas extremas exigem pessoas extremas... (pega o celular e liga) namo... advinha... essa gorda louca quer passear... eu já disse a ela.
D- Com quem fala?
M- Ela não me ouve! Não sou frouxo.. olha fala com ela
Mario passa o telefone para Diana.
D- Quem é?
M- Armando!
D- E por que eu falaria com ele?
M- Toma... (entrega o telefone a ela)
D- Oi Armando... não... olha... eu... como? O que? (irritada) Olha Armando... é claro que sim... não... eu sei muito bem disso... sossega o que?? Como é que é?? Sei... eu entendo... ta... ta... tudo bem... eu fico. Beijos para Betty. (desliga)
Mario sorri.
M- Então.
D- Não sei como pode suportar um homem tão abusado como esse!
M- Ele falou alguma mentira?
D- Não...
M- Foi indelicado?
D- Muito!!
M- Foi vulgar? Falou palavrão?
D- Não... mandou eu sossegar o facho! O que é facho?
Mario ri e beija a mulher.
M- Então... aceita agora as massagens nos pés que esse seu marido canalha te oferece?
D- Sim... fazer o que? (sorrindo)
M- Volta para a cama!
D- Aiii essa cama de novo. (risos)
Diana volta para a cama e Mario faz massagens nos pés dela.
Na hora da despedidas muitos beijos e abraços, as meninas aproveitaram para apertar os músculos do pai de Camila... Todos estão no portão, menos dona Terezinha e seu Chiquinho.
K- Ta malhando tio?
A- Sim... (angustiado com as três em volta)
C- Meninas... deixem meu pai!
B- Ruth... você vem conosco? Tenho que ir ao salão.
R- Pelo contrario, você vem comigo... meu amor... vou a Ecomoda!
E- Ecomoda?
R- Sim... vou escolher um vestido para Betty!
B- Não vai ver o que eu trouxe?
R- Não querida, conheço o gosto do seu marido! (risos) Vou pegar as chaves do carro! (entra com o marido)
A- Vai para a casa delas Camila... fica lá até a festa! Não precisa aparecer por aqui!
C- Por que?
A- Porque estou mandando!
Camila não entende nada, mas Leandro olha para o sogro.
C- Ta bem.... não precisa ficar nervoso! (beija os pais)
K- Vamos prima!
As quatro saem enquanto Armando se aproxima de Leandro.
A- Quero te fazer uma pergunta!
L- Faça meu sogro. (nervoso)
A- Dormiu junto com seu irmão essa noite.
L- Sim...
A- Mas quando Camila esteve aqui no Rio... ande dormiu?
Leandro fica branco.
A- Responda.
L- No quartinho... ela ficou com o meu quarto.
O coração desse homem para.
A- Ela dormiu sozinha no quarto dela?
L- Sim meu sogro.
Betty percebe o clima e chega perto.
B- Meu amor... que interrogatório. Quer arrumar encrenca com a Ruth mesmo, não é?
Armando fica olhando para a cara de desespero de Leandro e sabe que algo vai errado na vida dele desde que esse menino feio entrou dentro da casa dele em Cartagena.
A- Tudo bem...
Nisso Ruth sai com uma bolsa na mão e Edgar atrás.
E- Não podemos nos atrasar Ruth!
R- Não vou homem! ( o beija) Vamos Betty!
Ruth arrasta a esposa de Armando sendo observado por ele.
A- Porque levou minha mulher.
E- Vão a um salão Armando, fique calmo! Leandro vai ajudar sua avó com a louça!
L- Claro papai! Até logo meu sogro!
A- Até!
Armando olha o menino entrar ainda muito intrigado e Edgar percebe.
E- O que houve?
A- Nada!
Ele vê que os meninos brigam para pegar o lugar da mãe.
A- Meninos que inferno!!
Armando junto com Edgar tenta parar com a briga.
Ruth e Betty chegam a Ecomoda, todos os funcionários vem falar com Betty que fica toda sem graça cumprimentado a todos. Uma funcionária resolve atender a presidente da empresa.
F- Dona Betty.. quer alguma coisa? Vai aos escritórios?
B- Não...
R- Viemos pegar um vestido, mas não se preocupe que estamos em casa. (risos)
F- Se quiser pegaremos os que sempre prefere!
R- Os que o marido dela prefere! (risos) Não se preocupe... que procuraremos sozinhas.
B- Obrigada pela gentileza de ontem... fiquei muito feliz.
F- Nós que estamos em tê-la aqui na Ecomoda-Rio.
Betty e Ruth botam a loja a baixo procurando uma roupa para Betty... depois vão ao salão para se preparar para a festa.
No hotel, Armando cuida dos filhos junto com dona Adriana, quando Betty chega cheia de bolsa.
B- Oi família!
A- Olha... deu um desfalque na empresa! (a beija sorrindo)
B- Aiii Ruth é louca... e meus filhos, ta tudo bem?
A- Claro Betty! Estou cuidado deles!
Dona Adriana tosse.
A- Com a ajuda delas, é claro!
Armando pega as bolsas de Betty.
B- Aiii estou morta... vou tomar um banho que acho que estamos atrasados.
A- Mais ou menos.
Os dois entram no quarto... Betty imagina que o marido iria agarrá-la, pois foi uma dificuldade de sair dos braços dele essa manha, mas ele está quieto... olhando as roupas nas sacolas.
B- O que houve?
A- Betty...você lembra de quando Camila esteve no Rio, não lembra?
B- Sim... mas... o que houve?
A- Quando ela chegou do Rio, antes do natal, ela ia passar o natal aqui e não ficou... você lembra disso.
B- Sim... me lembro... ainda não entendi.
A- Betty... ela terminou com ele quando voltou... disse para ele arrumar uma mulher.
B- Não foi bem assim...
A- Foi sim... eu estou matutando isso na minha cabeça... tem algo errado ai!
B- Errado? Meu amor... do que fala?
A- Por que ela terminou com ele? Ela não me disse, mas falou para você que eu sei!
Betty tenta lembrar...
B- Bem... (lembra) sim... ela falou.
A- Por que?
B- Meu amor... você não quis saber na época!
A- Ele a arrastou para aquele quartinho, não foi?
B- Arrastou? (confusa) Que quartinho? O da Ruth? Do que fala!
A- Eu estou falando que algo aconteceu naquele quartinho com Camila e o Leandro e por isso ela quis vir embora antes da hora e pior... terminou com ele... aquele desgraçado abusou da minha filha!
B- O que?? (pasma)
Na casa de dona Terezinha, Edgar entra no quarto de Leandro que está se arrumando para a festa... ele senta na cama serio.
E- Hoje, por você.. eu trai meus princípios, enganei um amigo... uma pessoa a quem amo como um irmão... estou com muita vergonha.
Leandro percebe a angustia do pai e senta ao lado dele.
L- Eu sei, fala do meu sogro...
E- Leandro... Armando não só nos arrumou trabalho, como nos recebeu na casa dele... ele confia a intimidade dele... já me falou coisas muito pessoais, que só contamos a irmãos... e agora eu sou obrigada a mentir para ele por causa do meu filho... menti para um pai como ele... um tão dedicado.
L- Perdão papai... eu realmente não sei o que fazer... hoje ele me perguntou a onde ela dormiu quando veio aqui... ele está desconfiado.
E- Desconfiado do que?
L- Que passei a noite com Camila no quartinho.
E- Mas é claro que não! Ele sabe que passei com sua mãe!
L- Da outra vez papai... antes do senhor chegar.
Edgar fica branco.
E- O que me diz?
L- Nós ficamos juntos no quartinho papai.
E- Quando?
L- Todas as noites!
Isso cai como uma bomba para esse bom homem... desta vez tudo mudou, a moeda mudou... agora não é ele o adolescente excitado no quartinho e sim seu filho... e ainda pior... com a filha do seu melhor amigo.
L- Papai... se ele me perguntar de novo o que faço?
E- O que você faz? Não traga essa menina aqui hoje!
L- Como papai... ela...
E- Leandro! Isso é uma ordem! Não traga Camila aqui!
Edgar fala tão alto que Ruth que passava pelo corredor ouve e entra no quarto.
R- O que houve? O que tem Camila?
Continua...

FOTO DE OLAVO NOVAES