278 FAZENDO AS PAZES

Camila acorda no meio da noite sentindo calafrios... não se sente bem e resolve ir até o quarto dos pais... ela fica escutando na porta para saber se dormem e entra... os dois estão dormindo abraçados na posição de conchinha como sempre... ela sorri e deita atrás do pai o abraçando...

Armando sente o abraço e acorda se virando para a filha... ele se espanta em vê-la ali com aqueles olhos lindos olhando para ele...

A- O que houve? Está se sentindo bem?

C- Não... estou bem... na verdade estava com saudades... mamãe não te disse?

A- Disse...

C- Papai... quero te pedir desculpas pelo que te fale... eu não queria falar aquelas coisas.

A- Mas disse...

C- Mas o senhor sabe que jamais faria o que disse... que nunca deixaria essa casa papai... sabe que sou louca por vocês dois... e que sempre vem na frente na minha vida.

Betty acorda com a conversa e fica quieta...

A- Eu sei minha filha...

C- Papai estamos muito afastados... quero voltar a falar as minhas coisas com você... existe um abismo entre a gente.

A- Você quem me ignorou Camila... eu continuo no mesmo lugar... aqui.

C- E eu também papai... mas acho que definitivamente não sou mais sua garotinha... sinto coisas que uma garotinha não sente.

A- Eu sei que você cresceu minha filha... mas ainda é muito nova para muitas coisas... e isso tem que entender.

C- Eu entendo papai... o que o senhor quiser... mas não fique com raiva de mim...

A- Você sabe que isso jamais vai acontecer.

C- Então não está com raiva de mim?

A- Claro que não...

Esse pai beija sua filha que sorri...

C- Agora pode voltar para os braços da mulher que ama.

A- Eu já estou com ela nos braços. (abraça)

Nesse abraço ele percebe que ela está com febre.

A- Está febril.

C- Não papai... estou bem.

Nisso Betty senta na cama...

B- Está com febre?

A- Sim...

C- Não mamãe... só estou com frio... vou voltar para o meu quarto... e...

B- Nada disso... (levanta) vou pegar o remédio. (sai)

A- Minha filha não fique doente... sabe que morro quando vocês ficam assim... (nervoso)

C- Mas não estou papai...

Betty volta com o remédio na não e um copo de água e entrega a ela.

B- Beba!

C- Sim... fique calma... eu bebo. (bebe)

B- Agora deita aqui na minha frente.

C- Está bem mamãe.

Camila deita na cama abraçada por sua mãe que é também abraçada por Armando.

Na manhã seguinte na casa dos Aguilar, Ruth entra no quarto do filho e já encontra Edgar lá arrumado para ir trabalhar...

E- Ele está sem febre... graças a Deus... estava querendo desmarcar essa viagem.

R- Você sabe que não pode fazer isso... eles dependem de você... afinal foi contratado para isso... não se preocupe que cuido dele... ou não confia em mim?

E- Claro que sim. (a beija) Mas e você vai trabalhar?

R- Não... já liguei para a fabrica.

E- Fico mais tranqüilo assim... olha ele está completamente sem febre... mas está abatido e fedendo...

R- É a febre... eu o convenço a tomar banho... vai minha vida.

Eles se beijam... se abraçam forte para agüentar a saudades desses dias de ausência e ele sai.

Ruth tenta acordar seu filho, mas esse dorme pesado e sai do quarto...

Mais tarde ela retorna ao quarto e o encontra delirando de febre...

R- Ai meu Deus... meu filho... (sacudindo) está com muita febre! Leandro!!

L- Camila... Camila...

R- Que inferno!! Maria!! (sai gritando)

Ela vai até a sala a onde está a babá das crianças.

R- Por favor, fique com Leandro que já volto!!

Sai em disparada.

Na casa de Armando, esse toma café com sua esposa... os filhos já estão no colégio... quando Ruth chega gritando como uma louca.

R- Armando faça alguma coisa!!

A- O que? (se levantando assustado)

B- O que houve Ruth? (levanta também)

R- Meu filho... (chorando desesperada) está morrendo de tristeza!

A- Como?

R- Ele não come! Está delirando de febre por sua culpa! Eu sei... (tenta se acalmar) que o que ele fez errado, mas estou perdendo o meu filho!!

A- Calma... vamos resolver isso...

Nisso Camila aparece de camisola ainda fraca.

C- O que houve minha sogra?

Ruth percebe que a nora também está abatida.

R- Meu filho está doente longe de você e eu não sei mais o que fazer...

C- Papai... preciso vê-lo... quero minha aliança de volta... por favor... (chorando)

A- Mas você também está doente...

R- Ele não vai ficar bom se ela não for... ele chama por ela no seu delírio... por favor... (chorando mais ainda)

A- Claro!

B- Vamos que te ajudo a colocar uma roupa.

Betty sobe com sua filha e Armando tira a cadeira para que Ruth sente...

A- Por favor, sente...

Ela senta.

R- Eu não sei mais o que fazer... estou sozinha... hoje pela manhã Edgar viajou e eu fiquei cuidando dele... mas ele não melhora... parece que não quer mais viver sem ela.

A- Vai tudo se resolver Ruth... porque não nos falou antes?

Nisso Betty desce com Camila...

B- Vamos?

A- Você também vai?

B- Sim... quero ajudar.

A- Mas e os gêmeos... tem que alimentá-los.

B- Meu amor... desde ontem que não tenho leite... acho que é emocional...

A- Emocional? Mas nossos filhos estão muito pequenos ainda... precisa de leite materno

R- É emocional sim... eu também não tenho mais... tomara que volte.

B- Volta sim... agora vamos!

Eles logo chegam à casa de Ruth indo direto para o quarto de Leandro que ainda delira pela noiva... Camila olha para o noivo suando frio, com a boca queimada de febre chamando por seu nome e começa a chorar.... Armando quase morre ao ver o menino daquele jeito, jamais imaginou que sua recusa com o namoro acontecesse isso.

C- Ai meu Deus... mamãe...

B- Calma... gente ele está muito mal.

Armando em um rompante o pega no colo.

A- Vou levá-lo ao hospital!

Ruth abre a porta para que ele o leve... nisso Camila vê que ele deixa cair à aliança que estava em sua mão e chora ainda mais.

B- Vai Camila!!

Betty sai arrastando a filha que coloca a aliança no dedo e a beija.... Betty resolve ficar na casa.

No hospital, Armando entra gritando com todo mundo para que seu genro seja atendido logo e seus gritos surgem efeitos que logo lhe dão um quarto... os enfermeiros colocam soro nele e aplicam remédios para a febre... logo vem um medico para tendê-lo...

M- O que houve com ele? Ele não tem nenhuma infecção... houve algo emocional?

R- Terminou o namoro com a noiva...

M- Noiva? Com essa idade? E pelo jeito é essa mocinha que chora...

Camila é só choro olhando para o noivo.

C- Sou eu sim... (soluçando) não é papai?

A- Sim... é você sim...

Camila chora mais alto ainda e nisso Leandro acorda...

L- Meu amor...

C- Meu amor!

Camila praticamente sobe na cama e agarra o noivo não deixando o medico terminar o exame.

A- Minha filha... não fique em cima dele...

R- Deixe o medico examinar Camila!

M- Bem... agora ele melhora...

L- Mila... é você?

C- Sim meu amor... sou eu... (o beija)

A- Camila não o beija! Não sabe o que ele tem!

M- Ele não tem infecções... isso é amor...

A- Mas ela esteve doente também...

M- Então vamos ver isso...

Ele tenta desagarrar Camila do noivo, mas não consegue...

M- Ela tem que soltar para examiná-la.

Armando tira a filha de cima do noivo...

A- Fica quieta se não te levo agora!

C- Está bem papai... (se encolhendo)

O medico examina Camila.

Leandro olha nos olhos do sogro pedindo perdão... Armando sente uma dor no peito com aquele olhar que teve que fazer força para não chorar.

M- Ela também não tem infecções e nem febre e como pode ver... a febre dele já passou... não sei o que eles fizeram, mas façam as pazes... mas ele precisa tomar banho. (sai)

C- Sim meu amor... está fedendo.

R- Vou dar banho nele... mas não trouxe nada.

A- Eu vou buscar! (sai)

C- Pode deixar que eu o ajude a dar banho nele.

R- Nem em sonho... não se casou com ele ainda.

C- Minha sogra... eu já vi seu filho nu... (impaciente)

R- Eu não precisaria saber disso... mas isso não muda nada... não quero problemas com seu pai... vou chamar uma enfermeira.

C- Enfermeira?? Mulher??? Nem em sonho! Ou trás um homem ou eu dou banho!

R- Mas Camila...

C- Eu não quero que nenhuma outra menina o veja nu! (chorando)

R- Mas não são meninas... são enfermeiras... mas tudo bem... calma... vou chamar enfermeiros.

Ruth sai pasma enquanto Camila volta a deitar em cima de seu noivo que sorri para ela...

L- Meu amor... estava morto de saudades suas... mas não pode ficar em cima de mim... não falei com seu pai ainda... ainda estamos separados.

C- Eu falei com ele... estamos juntos.

L- Pode ser... mas preciso falar com ele primeiro ... para pedir desculpas.

C- Eu entendo... então estamos separados de novo?

L- Não... estamos nos conhecendo... prazer sou Leandro.... (sorrindo) conhecido como a criatura.

C- Prazer Leandro... sou Camila... e estou completamente apaixonada por você... (sorrindo)

L- Que bom... porque já te amo senhorita Camila... Mila...

Nisso Ruth chega com dois enfermeiros.

R- Pronto... está tranqüila agora Camila?

C- Sim minha sogra.

Os enfermeiros o levam para o banheiro e nisso Armando chega com uma sacola.

A- Me deram isso na sua casa.

R- Obrigada. (indo para o banheiro)

C- Papai... Leandro quer falar com o senhor...

A- Depois ele está doente agora... vou esperar lá fora.

Armando sai para não falar no assunto agora, porem sua filha o conhece...

Não demora muito e o banho termina trazendo um Leandro limpinho e cheiroso... assim que ele deita na cama Camila se joga em cima dele para o desespero de Ruth.

R- Minha filha... precisa realmente ficar em cima dele... ele mal respira.

C- Precisa sim minha sogra.

Camila o enche de beijo e Leandro sorri.

R- Bem... vou ficar com seu pai... precisamos nos falar. (sai)

C- Finalmente sozinhos... meu amor... essa cama é grande... podemos fazer aquilo aqui muito bem. (risos)

L- Meu amor... aqui tem câmara... (mostrando a ela)

C- Hum... (entediada) então precisa ficar bom logo... quero fazer aquilo... tem muito tempo meu amor.

Leandro sorri e a abraça...

Ruth procura Armando no hospital e o acha olhando os nenéns do berçário...

R- É aqui que se escondeu... vamos tomar um café? Estou com fome.

A- Sim... vamos...

Eles vão até a cafeteria do hospital sentam em uma mesa e pedem um café... Ruth também come pão.

R- Armando... eu quero te pedir desculpas... primeiro pelo modo como entrei na sua casa hoje... gritando.

A- Eu entendo Ruth... estava desesperada e com razão.

R- E estava mesmo... ainda estou nervosa... mas também quero te pedir desculpas pelo o que meu filho te fez... te enfrentando daquela maneira... não sei o que deu nele... eu às vezes desconheço o filho que criei... ele não é mais o mesmo desde que começou esse namoro... eu não quero colocar a culpa em sua filha... entenda isso, mas ele mudou... ele sempre foi um filho dedicado... obediente... um amor de menino e agora só mente e me apronta essas coisas.

A- Ruth... eu fiquei muito magoado com os dois... porque jamais achei que eles falariam na minha cara o que houve e ele não fez o pior... Camila me disse que ia se casar sim e que se eu não deixasse sairia de casa e ia morar com ele... imagino que na sua casa...

R- Nem em sonho que permitiria isso... mas não sabia disso... ele não me falou nada.

A- Pois ela me falou isso... olha ela também mudou... Camila sempre foi uma menina delicada, tímida, uma amiga... contava-me tudo que passava com ela, mas agora depois desse namoro infernal... tudo mudou... ela me afronta, mente... não liga mais para mim... e eu não sei o que fazer... sou ignorado... a única coisa que achei que fazia bem na vida era ser um bom pai, mas na verdade fui um fracasso com ela.

R- Não é assim... eles crescem e se desligam de nós... o mesmo acontece com Leandro... não fazemos mais parte da vida deles... e cada vez mais...

A- Então ela não vai mais ser a minha filhinha?

R- Nunca mais.

A- Então para que sirvo mais nessa vida se não for cuidar deles... Ruth meus filhos são a minha vida.

R- Você ainda tem muitos... eu tenho a metade deles...

A- O que posso fazer então?

R- Nada... nós temos que deixar nossos filhos ir... e torcer para que sejam felizes e encontre com os ame como nós... eu sei que perdi meu filho para você... ele te ama muito... demorei em entender isso.

A- Pois eu falo com você que também amamos seu filho... Betty e eu... sempre ficamos com medo que esse namoro infernal acabasse e o perderíamos de vez.

R- Eu sei que ama meu filho e isso me deixa feliz... pois sabe que também amamos sua filha como se fosse nossa... mas não creio que esse namoro termine... eles nunca vão se separar.

A- Como você e Edgar?

R- Sim... (sorrindo) eu quero que meu filho tenha um amor como o nosso.

A- Eu também quero que meus filhos tenham um amor como o meu e da Betty... a razão da minha vida... a luz dos meus dias... (sorrindo)

Ruth sorri ao ver os olhos dele brilhando ao falar da esposa... já que ele passa o resto da manhã falando no amor que sente por Betty.