Os Lobos de Konoha
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Lembro-me muito pouco de quando era criança. Descobri ser herdeira de sangue com três anos e comecei meu treinamento no mesmo ano. Durante anos minha vida se resumiu a dias de treinamento intensivo e aulas longas e cansativas.
Acordar antes de o sol nascer, fazer exercícios físicos e treinos de combates armados. Depois do almoço, aulas. Muitas aulas. Ter na ponta da lingua o que cada região produz, por que e como. Saber de cor todos os problemas sociais de uma região e seu passado. Falar com fluência vários ramos linguísticos perdidos com o tempo. Estudar várias possíveis estratégias em tempos de guerra e aprender a utilizá-las com perfeição. Essa era a nossa base, a política.
Quando o sol começava a se pôr, treinava técnicas de combate, jutsus, resistência. Essa era minha rotina. Sem contar é claro os dias em que assistia reuniões com lideres importantes para saber como lidar com eles quando eu assumisse o clã. Se o assumisse um dia.
Por que digo isso? Bem, tem dois motivos bem simples:
1-Sou uma mulher, dentro de um clã altamente conservador;
2-As pessoas do meu clã me odeiam.
Simples, não? Ah, não é...? Bem, eles têm suas razões. Mas acho que o principal motivo é que eu não deveria existir. Afinal, sou a filha bastarda do mais adorado, amado e admirado ex-membro do clã. Digo ex por que ele fugiu do clã logo após me entregar para sua irmã mais nova. Ele sumiu do mapa. Se você pensa que a culpa é dele, discordo de você. O casamento de meu pai foi arranjado. Casou-se com a terceira filha de um senhor feudal em decadência. Uma pessoa muito bonita, com segredos de estado que o clã ansiava.
Não posso, porém, dizer que é uma pessoa boa. Caso contrário, talvez ele a tivesse aceitado. Eu não gosto daquela mulher, e não sou a única. Ela sempre foi a que mais me odiou. Inventava apelidos, dizia que a vida dela tinha acabado por minha causa e mais um monte de futilidades. Ela diz isso, mas, logo após meu pai ter sumido do mapa, ela que se casou com outro homem, bem mais velho (e rico) que ela.
Mas ela não pode ser expulsa do clã. Trocou os votos matrimoniais sob as nossas leis. Não importa se ela não tem nosso sangue, depois disso ela se tornou uma de nós. E ao se casar novamente, seu marido também. Tenho dó de seus filhos, meus irmãos mais velhos. Yuu e Shuichii são boas pessoas. Treinaram muitas coisas comigo, nos damos bem... Mas não na frente do clã, claro. Fazer isso era a mesma coisa que pedir pra mãe deles cometer homicídio, o meu de preferência.
Meu pai foi esperto. Conheceu uma jovem cidadã de Konoha e se apaixonou. Ele foi atrás da sua felicidade e do seu amor. O fruto disso tudo sou eu. Não o culpo por ter fugido, mas o culpo de não ter voltado. Ele era amado no clã e as pessoas não gostam de sua querida esposa. Se ele tivesse falado com o décimo quinto, tenho certeza que teriam anulado o casamento. Certeza.
Mas ele não voltou e não voltará mais. Já passou tempo demais para ele ser perdoado e, nesse clã, traição se paga com sangue. Mas tudo bem. Aprendi a viver sem um pai. Acostumei-me a ser odiada. E agora, só resta seguir em frente.
Bem, deixemos isso de lado e falemos de minha vida acadêmica. Na verdade, ela quase não existiu. Entrei na Academia Shinobi aos cinco anos e me formei pouco depois. Afinal, para que gastar cinco anos da minha vida se eu já sabia jutsus infinitamente mais complexos do que os ensinados em todos esses anos?
Enfim, por ter terminado a academia fora da época normal, não existiam novos times para me encaixar. Mas por sorte (ou azar) existia um time de genins que recentemente havia perdido um integrante. Então, unindo o útil ao agradável, passei a ser o mais novo integrante do time cinco, liderado por Akira Daisuke.
O dia em que conheci minha equipe... Lembro-me dele com perfeição. Era inicio de verão e o sol já estava em seu ápice. Fui chamada a terceira área de treinamento para conhecer meus novos colegas. Quando cheguei lá o time já estava reunido.
Um jovem com cerca de 20 anos veio me receber. Tinha cabelos castanhos escuro, com mechas mais claras. Cerca de 170 cm, uma altura média. Olhos castanhos claros. E um sorriso acolhedor.
-Você deve ser Okami Yumi, estou correto?- Disse, continuando depois de um breve assentir. – Sou Akira Daisuke, seu novo mentor. É um prazer ter você no time! Esses são seus novos companheiros.
Apontou para uma arvore onde dois vultos me observavam. O primeiro tinha cabelos curtos e arrepiados, pretos como seus olhos. Usava roupas simples e escuras, com as bolsas de shurikens nos lugares de sempre. Tinha um sorriso no rosto. É um sorriso falso. O segundo tinha cabelos loiros escuros, na altura dos ombros. Belos olhos castanho-avermelhados. Usava uma blusa larga de manga curta branca e a calça shinobi comum. Preso a suas costas, era visível o cabo de uma katana longa. Ele me encarava sério. Ele te odeia. Não, ele não me conhece ainda. Mas ele te odeia. Como todos.
Ignorei a voz na minha cabeça e cumprimentei-os com um sorriso. O primeiro levantou-se e me estendeu a mão, a qual apertei ligeiramente.
-Meu nome é Tetsuo Yuji. Pode me chamar de Yuji, se quiser. –Disse o jovem sorridente. Seu sorriso é apenas uma mascara. - E aquele emburrado ali no canto é o Takeshi. Shigeru Takeshi. Ele é daquele jeito mesmo, não liga não. – Ele se aproximou um pouco de mim – Nem comigo ele fala direito, não se magoe pela frieza dele.
Assenti levemente enquanto ele se afastava. O sensei se aproximou mais de todos e começou a falar com um enorme sorriso.
-Seja bem-vinda a nossa equipe. Agora que fomos todos apresentados, vamos começar "aquele" treino! – pela cara de “você ‘tá falando sério?” dos dois, acho que isso não vai ser divertido. – O que foi? Que caras são essas? – Perguntou como se estivesse ofendido com aquela reação.
-Você vai mesmo passar aquele treino? Agora? Para ela? É apenas uma criança! Não vai aguentar! – O Yuji tentou argumentar.
-É verdade! Nós quase não sobrevivemos, imagina essa pirralha! – Pirralha? Eu? Só porque eu sou uns oito anos mais nova? Tá, deixa, eu sou uma pirralha.
-Bem, naquela época vocês tinham acabado de sair da academia e, pelo que eu saiba, ela acabou de sair da academia também. – falou o professor com um sorriso de “vocês se ferraram legal agora” – E vocês já sabem o que esperar e não fazer. – falou olhando diretamente para o takeshi, que apenas desviou o olhar.
Tá, isso tá demorando. Preciso ir logo, assim dá pra voltar para casa e terminar de ler aquele livro sobre genjutsu antes que minha mãe me mate.
-Eu consigo. Vamos começar logo esse treino. – falei atraindo todos os olhares para mim.
-Melhor você não subestimar esse treino. Mesmo sendo um prodígio que terminou a academia em tempo Recorde. – O sensei avisou. Bem, nesse momento o mais importante é terminar isso rápido. Eu já fiz cada treino intensivo, eu aguento mais um.
-Não tem problema. Explique como funciona e vamos começar logo. –Falei um pouco impaciente.
O sensei me encarou por um momento e suspirou, se dando por vencido.
-O primeiro aluno que não fica com medo do meu treino... Bem, é o seguinte: — falou tirando um lenço comprido de um bolso e amarrando-o no seu tronco. – vocês têm que tirar isso de mim. Fique claro que não irei pegar leve.
Apenas assenti observando com atenção o local. Estávamos numa clareira grande, dava uns 100 metros da mata fechada até minhas costas e mais uns 50 metros para frente. 25 para a direita e 12 para esquerda. Um pouco para trás tem três troncos em pé, um ao lado do outro, de frente para a homenagem aos MEC*. Tem um rio calmo e não muito fundo na minha frente, posso ouvir a cachoeira bem afastada de onde estamos.
O Sensei... Posso sentir seu chakra. Natureza água, com um pouco de vento também. O clã Akira... Pouco conhecido, não possui linhagem avançada, mas é especialista em luta corpo-a-corpo e técnicas de desarmamento. Que desperdício. Acho que não vou conseguir muitas tecnicas interessantes dele.
Tetsuo Yuji. Esse clã... Se não me engano é especialista em genjutsus guiados pelo som. Ou seria pelo movimento? Bem, tanto faz. São ilusões do mesmo jeito. Pelo porte dele, ele é um corredor. Faz sentido. Ele faz ilusões, confunde o inimigo por alguns preciosos segundos e foge.
Shigeru Takeshi. Um clã especialista em combate armado. Essa aura... chakra de natureza fogo e vento. Que combinação perigosa. Certamente um guerreiro de linha de frente. Um dos bons.
Que time interessante esse. Bem montado e equilibrado. Como será que era seu antigo membro? Bem, melhor não pensar nisso e se focar. Derrotar o Sensei não será tão simples, mas vou acabar antes da hora do chá.
-Eh... Yumi-chan? Você ‘ta legal? Parando do nada e encarando a gente desse jeito... – falou o Yuji.
-Ah, eu estou bem. Desculpe-me por preocupá-lo. Sensei, estou pronta para começar, mas se importa de dar cinco minutos para eu conversar com o Yuji-san e o Takeshi-san? –pedi encarando-o.
-Claro. Mas são só cinco minutos e o treino começa, ok? – falou se afastando e apoiando-se num tronco.
-Entendido – Falei me virando para minha equipe e pedindo com gestos que se agrupassem. Preciso de mais informações sobre o sensei, montar um plano rápido e simples e, por fim, tentar convencê-los a seguir esse plano. Ótimo, isso não vai ser fácil.
-E então, Yumi-chan? Algum plano? –o Yuji falou com aquele sorriso de novo.
-Isso vai depender de vocês. Como o sensei luta? – perguntei encarando-os.
-Bem. É dificil acertá-lo, esquivar dos golpes dele é quase impossivel e se marcar bobeira ele te imobiliza. Quer mesmo lutar contra ele? – foi a vez do Takeshi falar com um tom de deboche. Esse cara me irrita.
-Não tenho opção, tenho? Alem disso, quanto menos medo eu demonstrar dele, melhor. E quanto a ilusões? Ele cai nelas? – Continuei, começando a montar um plano.
-Cai, mas sai fácil. Ele nota muito rápido que algo está estranho. – O yuji falou.
-Bem, então não faça parecer estranho. É simples vencer dele, principalmente se trabalharmos juntos. Imagino que consiga fazer uma ilusão de duas camadas, não? – perguntei encarando o Yuji. Ele me olhou com espanto e confirmou com a cabeça. Antes que ele pudesse falar algo, continuei explicando o plano. Não temos tempo, afinal. – Então nós faremos assim: quando ele der o sinal do inicio, você fara a ilusão. Na primeira camada, faça algo bem óbvio, para que ele perceba logo e a desfaça. Na segunda, faça como se o Takeshi-kun estivesse correndo para a esquerda dele e eu para a direita. Enquanto isso, o Takeshi-kun vai para a direita. – Falei, terminando de passar o plano na cabeça.
-E você? Vai ficar ai parada? Ou vai para esquerda, para a ilusão se tornar apenas uma brincadeira infantil? – lá vai o Takeshi de novo com esse tom de deboche.
-Eu vou pegar a faixa. Enquanto isso, tratem de honrar o nome de seus clãs enquanto eu honro o meu. – falei firme, encarando ambos. Eles se entreolharam e assentiram. Isso vai ser divertido.
-Já estão prontos? Os cinco minutos estão acabando. – O sensei falou de longe.
-Hai! Já podemos começar. – Falei para o sensei que se aproximava.
-Ótimo. Começamos quando eu dizer “já”
Nos olhamos uma ultima vez antes do sinal. Eles estão confiantes. Entenderam o plano. Tomara que dê certo.
-Já!
Plano posto em ação. Eles tem uma boa sincronia, a ilusão se moveu junto com o real. Bem, minha vez de fazer algo. Corro para o sensei, bem mais rápido que o Takeshi ou a ilusão. Nada melhor do que alguns anos de treino pesado para aumentar a velocidade. Ótimo, o sensei caiu na ilusão. Desfez a primeira camada. Já estou quase pegando a faixa... Peguei! A tempo de ver o Takeshi atingindo o sensei e sendo jogado para longe logo depois.
-Sensei, já peguei. – Falei poucos metros atrás dele.
-Nossa, que rápido. – Disse depois de olhar para trás e me ver com o lenço.- Eu preciso te dar um premio, Yumi! Não só fez um ótimo plano como conseguiu fazer o Takeshi segui-lo! Como o esperando do gênio que terminou a academia no mesmo tempo do Copy Ninja Kakashi!
-Obrigado, sensei.
-COMO ASSIM “FEZ O TAKESHI SEGUI-LOS”?! POR ACASO EU SOU UM RETARDADO QUE SÓ FAZ MERDA?! VÊ SE PEGA ESSA PIRRALHA E VAI TO...-O Takeshi vai bater no sensei...
-Acalme-se, Takeshi!-o Yuji segura ele.
O resto do dia foi tentar acalmar o Takeshi e comemorar num restaurante. Bem, mesmo depois de tanta confusão, foi bem divertido. Foi assim que eu conheci a minha equipe. Um cara que tá sempre com um sorriso no rosto e adora irritar os outros (principalmente quando ele consegue), um cara irritadinho, mal humorado e emburrado que sempre me chama de pirralha e um sensei que se diverte com as nossa brigas. O quanto eu não daria para voltar para aquelas tardes em que ainda havia um “time 5”.
Notas finais
Bem, espero que tenham gostado. Se receber reviews penso em continuar.
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