Os Lendários Guardiões:Templo Dos Deuses
18 Um dia nada normal
Notas iniciais
O capítulo ficou um pouco grande, mas peço que leiam até o final. O próximo não será desse mesmo tamanho.
Boa leitura.
Livro 1: Planta ......................................................................... Capítulo 18
Um dia nada normal
Contagem dos dias restantes para a fuga dos alunos: 05 dias.
–Narração de Edward-
Eu acordei ainda de madrugada tendo sonhos horríveis. Eu via pessoas correndo desesperadas e uma grande claridade vinda de uma parte de alguma floresta desconhecida. Vi também um bebê chorando. Era bonitinha a criaturinha. Deu-me até saudade dos meus pais. Pessoas que me amaram incondicionalmente e me protegeram da chuva, do frio e das criaturas.
Lembro-me de um dia em que havia chovido muito e o laguinho que tinha lá em casa alagou o nosso quintal e uma serpente muito grande invadiu nossa casa e minha mãe ficou doida de medo. Meu pai queria de toda forma matar a serpente, mas ela só queria ajuda para salvar seus ovos. Acabou que eu tive que salvar os ovos da serpente. Nós rimos muito no final.
Nestes dois dias que se passaram, eu fiz um monte de coisas. Visitei meus amigos, treinei com Sophie e Vëloci e visitei o Templo de Pain e vi um labirinto enorme. Não sei dizer, mas alguma coisa me atrai naquele labirinto e já até sonhava com ele antes mesmo de vê-lo. Só que eram sonhos rápidos, como se fossem flashbacks. Será que realmente o Fauno, filho de Pain, vive nele? Eu gostaria muito de vê-lo.
Agora estou em cima de um pinheiro lendo o livro que Plantmort me deu. O livro até que é legal e diz muita coisa sobre Pain. Infelizmente tem poucas páginas completas, pois o tempo e as pessoas erradas não cuidaram direito dele. O autor é desconhecido, mas o livro conta a história da criação do mundo e em um trechinho minúsculo cita Pain como o deus que criou as plantas, a agricultura e deu a vida às plantas, fazendo com que elas multiplicassem o mundo todo. Infelizmente não tem mais nada para ler sobre Pain no livro. Pois tem uma boa quantidade de páginas faltando e algumas estão manchadas.
–Edward! Desce aqui rapidinho! -gritou uma voz familiar. –Eu quero falar com você!
Tenho razão. Era Sophie montada em Vëloci. Ela estava diferente. Seus cabelos loiros, antes soltos ao vento, estavam presos com um rabo-de-cavalo e flores enfeitavam sua cabeça. Estava com um short pequeno, mas confortável, e uma blusa de alcinha preta, para combinar com o short que era na cor rosa. Eu acenei dizendo que já ia descer e então peguei meu livro. Marquei a página e me preparei.
–Até mais tarde, senhor Pinheiro!
Até logo, Edward. Não se esqueça de me contar mais sobre esse tal de Pain, hein.
–Pode deixar senhor. -disse para o pinheiro. –Té logo!
Desci rapidamente do pinheiro que media uns seis ou sete metros de altura. Vëloci estava muito feliz em me ver. Pulava para todos os lados e produzia um som que se parecia mais com o de alegria do que o de tristeza. Eu o acariciei.
–Pois não, Sophie. -disse enquanto acariciava Vëloci até que reparei que ele estava diferente. –O que aconteceu com o bicho?
–Você não sabe da novidade! -disse Sophie super contente. –Vëloci tem poderes!
–O que?! -me surpreendi enquanto via o Vëloci com uma coloração avermelhada. –Não... Como você tem essa certeza?
–Não é bem uma coisa que se diz “Minha nossa, que poderes ele tem!” Mas Vëloci tem uma velocidade incrível.
Isso até poderia ser verdade. Vëloci era, visivelmente, menor que os outros velocifoots, que se caracterizam por sua extrema velocidade, mas embora fosse menor que os outros, suas pernas eram mais fortes e mais resistentes. Eu olhei para Vëloci, que estava comendo capim e então tive uma ideia.
–Vamos apostar uma corrida? -perguntei para Sophie. –Assim eu vejo a velocidade desse garotão aqui.
Vëloci parecia gostar da minha ideia, mas Sophie estava me olhando estranho. Eu tentava disfarçar, mas ela cada vez mais ficava com aquele cenho franzido.
–Você, um garoto aparentemente “normal”, quer correr contra um animal feito para fugir de enormotauros?
–É! -disse sorrindo enquanto fazia uma cara sarcástica. –Vai-me dizer que está com medo de perder para mim, um garoto aparentemente “normal” que quer correr contra um animal feito para fugir de enormotauros?
Sophie pareceu um pouco pensativa. Talvez pelo fato de eu ter usado suas próprias palavras para fazê-la aceitar meu desafio.
–Aceitamos seu desafio! -disse Sophie confiante. –Mas com uma condição: você só poderá correr se tiver um parceiro animal.
–E quem disse que eu não tenho? -disse enquanto olhava para o alto e via minha libélula dourada voar sobre mim. –Eu tenho tudo para correr contra você... E te ganhar também.
–Está bem, espertinho. -disse Sophie enquanto Vëloci batia as patas fortemente no solo, como os touros fazem. –Vamos correr até onde?
–Até o Templo de Pain... Próximo do Labirinto do Fauno. -respondi após pensar durante alguns poucos minutos. –Você pode ir até lá?
–Poder, Vëloci e eu podemos, mas o ruim é ter que esperar um tempão até você e esse mosquitinho pintado de ouro chegar lá. -disse Sophie rindo muito. –Na real, posso sim. Meu priminho e minha mamãe foram para lá para comprarem um florete no meu tio.
–... Florete... Foi o que me meteu nessa confusão toda...
–O que disse Edward? -perguntou Sophie. –Você tá resmungando o que?
–Nada... -disse enquanto tentava esquecer o dia em que conheci Helleonora nos Campos Suspensos Del’ Orence. Vamos começar?
–Espera! Pra ficar mais divertido... O perdedor não poderá usar a manipulação de plantas até o equinócio de primavera.
–Sophie, por que até o equinócio de primavera? -perguntei enquanto pensava o que acontecia no equinócio. –O que tem nele?
–Vai me dizer que não sabe?-disse Sophie surpresa. –No Equinócio de Primavera os poderes dos dobradores de plantas aumentam ao máximo, o que nos deixam super fortes. Nossa manipulação fica cerca de 100% mais forte e fazemos uma grande cerimônia para agradecer à Pain essa dádiva.
–Puxa vida... -disse parecendo triste. –Sophie, você vai aguentar ficar sem manipular as plantas durante cinco dias?
Sophie ficou com um pouquinho de raiva, mas depois deu uma gargalhada sinistra e então propôs:
–Então... Para ficar emocionante, no meio da corrida poderemos usar qualquer tipo de estratégia para vencer, mas temos que chegar ao templo junto de nosso companheiro animal... Ou Pet.
–Então tá. -disse me preparando para correr, já que a libélula não podia me carregar. –3, 2, 1...
–Narração do Autor-
–COMEÇEM! -disse Nigazat Nara para seus escravos. –O vento está em sentido contrário e as super-navegações não terão força suficiente para navegar em sentido contrário ao do vento.
–Senhor Nara, como o senhor disse anteriormente, o vento está muito forte e provocará a exaustão de nossos escravos caso precisarmos de sua força para remar. -disse Isaías, um guerreiro-escrivão.
Nigazat Nara é um homem forte e seu uniforme era em estilo fascista. Seus cabelos eram presos por um rabo-de-cavalo e havia uma trança que chegava à altura dos ombros. Nigazat era famoso por matar sem piedade e ser rígido o bastante para amedrontar seus inimigos apenas com o olhar. Sua estatura era normal. Tinha 1, 74m, e raramente fica calmo. Quero dizer, quando NÃO está perto de Flamareon, raramente fica calmo.
Quando ouviu as palavras de Isaías, Nigazat andou furiosamente para a direção do guerreiro que estava amolando sua espada.
–Você está querendo dizer que não sei o que estou fazendo?
–Apenas estou lhe dando um conselho! -disse Isaías levantando-se, para ficar na mesma altura que Nigazat. Se quiser mesmo que o navio navegue depressa, por que não rema você mesmo?
Isso bastou para Nigazat desembanhar sua espada e golpear Isaías pela barriga, mas Isaías puxou seu escudo e defendeu-se tão depressa que Nigazat ficou impressionado com a agilidade do guerreiro.
–Parem de remar! -disse Nigazat para os escravos. –Você, Isaías, não venha me desafiar, entendeu?!
–Entendido. -disse Isaías dando um leve sorriso. –Se os ventos continuarem desse jeito iremos nos atrasar, senhor Nigazat.
–Não. Isso não irá acontecer. -disse Nigazat Nara olhando para o céu e para as sete caravelas que acompanhavam o navio de Nigazat. –Abasteçam a caravela! Joguem mais carvão no forno!
Os escravos então começaram a jogar carvão no grande forno de metal. Rapidamente as grandes caravelas começaram a pegar mais velocidade, chegando ao ponto de alcançarem o “navio” de Nigazat e o exército de Adolph. O vento já não tinha tanto efeito assim e o sol forte estava ajudando muito.
A frota de Nigazat Nara e Adolph Valença era composta por sete grandes caravelas de madeira e metal. Essas sete caravelas transportavam escravos que, na ausência de carvão, remavam para contribuir para a boa velocidade das caravelas. Os escravos eram pagos para isso. O preço? Alguns conquistavam a liberdade enquanto outros ganhavam alguns “trocados”.
–Se continuarmos assim chegaremos a Lockhaven logo, logo. -disse Adolph, para Nigazat. –Geralmente eu fico feliz quando vou para uma guerra... Mas não estou.
–Isso é apenas fraqueza!-disse Nigazat virando-se para Adolph com cara de nojo. –Somente os inimigos fracos se sentem assim. — e se retirou.
–Esse Nigazat... -disse Adolph enquanto olhava para o mar. — Se soubesse o que o espera no final da viagem... Não ousaria me desprezar tanto assim.
–Então essa é a velocidade de um garoto treinado por Plantmort?-disse Sophie enquanto passava de Edward. –Se você correr mais um pouco talvez consiga chegar antes da primavera...
–Já que é assim... -disse Edward pulando em cima de uma árvore e indo de galho em galho. –Já que pode tudo... -Edward enrolou algumas videiras nos pés de Vëloci. –Eu trapaceio.
A libélula perseguia Edward a todo tempo. Isso não era novidade. Edward e Sophie já estavam no Bosque de Pan e ninguém parecia ter perdido. Atingir Sophie com plantas era como jogar pingos de água em uma pessoa molhada, ou seja, nem Edward e nem Sophie poderiam ser atingidos por plantas. No início da corrida, Vëloci e Sophie estavam ganhando, pois Edward não era feito para correr longas distâncias. Mas, no decorrer da corrida, Edward foi ganhando terreno e conseguiu-os alcançar.
–Vamos, Vëloci!-disse Sophie acariciando seu amiguinho. –Precisamos chegar ao Templo de Pain logo.
–Só se for depois de mim. -disse Edward enquanto pulava no chão e puxava as raízes do solo. –Isso talvez atrase vocês.
As raízes funcionaram como quebra-molas, ou seja, com a velocidade de Vëloci e a quantidade de raízes, Sophie teve que reduzir a velocidade. Edward e sua libélula começaram a correr nas árvores. Sophie e Vëloci reagiram e então começaram a correr.
–Está na hora, Vëloci!-disse Sophie se segurando. –Use sua velocidade extrema.
Imediatamente Vëloci esticou o pescoço e, com a cabeça levantada, deu um rugido para cima. Imediatamente seus pés começaram a brilhar e Vëloci começou a ganhar uma coloração azulada. Rapidamente Vëloci começou a correr. Vëloci corria tão rápido que atrás de si era possível ver rodamoinhos de vento formar-se na poeira. Quando Vëloci passou por Edward, este foi atingido por uma forte ventania. Sua sorte foi ter se aderido a um jequitibá e não ter voado para longe.
–Então é verdade... -disse Edward para si mesmo. –Vëloci tem poderes!
E não é só ele... –disse uma voz misteriosa, mas que Edward já havia ouvido. Você não faz ideia do quão forte é o seu poder!
–Essa voz... É Pain! -disse Édward enquanto olhava para os lados, procurando. –Onde você está?
Eu estou em você. O sonho que você teve era apenas uma de minhas manifestações. Para que possamos conversar, necessito que vá para um lugar calmo e medite.
Edward tentou chamar Sophie, mas ela estava muito longe. Se corresse para encontrá-la, poderia perder a oportunidade de falar com Pain. Vendo que o Bosque de Pan era calmo, Edward começou a meditar nele. Sentou-se no chão e tentou entrar em contato com Pain. Rapidamente foi envolvido por uma grande corrente de energia.
–Pode falar agora. -disse Edward calmamente. –Pode me explicar como estou fazendo isso?
Sim, mas antes preciso lhe dizer que corre perigo.
–Como assim?! Eu corro perigo por quê?
–Não poderei lhe explicar aqui, mas poderei fazer isso quando você for ao meu Templo.
Edward, quando ouviu essas palavras, começou a tremer e a suar frio. Não conseguia ordenar seus pensamentos e muito menos se concentrar direito. As palavras de Pain soaram como um estrondo produzido por um trovão. Tentando ficar mais calmo, Edward tirou sua jaqueta preta e ficou apenas com a blusa azul que estava por baixo. Tirou seus tênis pesados e ficou descalço. Se sentindo mais fresco, Edward então falou.
–O Templo de Pain... Perdão... O seu Templo fica a alguns quilômetros daqui...
Eu sei. -respondeu Pain Preciso que você vá para lá e não conte nada para ninguém. Quando chegar lá, você deve subir no meu altar e aguardar os meus comandos. Lá direi o que vai fazer. Agora vá!
Imediatamente Edward começou a correr. Seus cabelos, ruivos e naturalmente voltados para trás, estavam totalmente esverdeados. Parecia um verde-florescente! Com energia envolta dos membros, Edward começou a correr por cima das árvores. Sua libélula, embora fosse rápida, não conseguia alcançá-lo. Seu ki era tão forte que onde Edward pisava, a pressão da energia empurrava o solo para baixo, contudo, onde Edward pisava a grama crescia. No horizonte era possível ver Sophie correndo junto com Vëloci. Não estavam usando a velocidade extrema, mas corriam muito rápido.
–Olhe Sophie!-gritou Edward enquanto dava um mortal e caía com as mãos no chão. –Isso você talvez nunca veja!
Quando Edward encostou-se ao chão, puxou as raízes do solo e essas se levantaram, criando um tipo de “pista de decolagem”. Edward, segundo a manifestação de Pain, começou a correr e, quando estava no final da pista, deu um grande salto. Sophie ficou impressionada com o que Edward fez.
–Ele conseguiu fazer isso... Então conseguiremos também! -disse Sophie enquanto ia, junto com Vëloci, para a “pista de decolagem” de Edward. –Velocidade extrema, Vëloci!
Vëloci também começou a correr. Quando deu seu grande salto, Vëloci esticou seu corpo e evitou a resistência do ar. Edward, depois do grande salto, caiu na direção de algumas árvores, mas rapidamente usou sua agilidade e se aderiu nos galhos. Sophie, vendo que estavam para cair, tentou fazer uma “pista de aterrissagem” para Vëloci, mas não conseguia fazer isso sem tocar no solo. Se Sophie e Vëloci caírem no chão, poderiam se ferir gravemente. Edward, vendo o que ia acontecer, fez um tipo de torre de folhas. Sophie e seu velocifoot caíram nela e nem se machucaram.
–Sophie, tenho que fazer uma coisa no Templo. -disse Edward enquanto andava na direção da pilha de folhas. –Desculpe, mais é muito importante.
–O que é? -perguntou Sophie.
–Não posso lhe dizer. Não agora. Vamos para o Templo e lá eu direi.
–Está bem, então. –Mas você pode me explicar no caminho?
...
–.... Puxa! Você falou com Pain?! -disse Sophie enquanto corria em cima de Vëloci. –Queria ver Pain pessoalmente. Pode ficar tranquilo que eu não falarei isso para ninguém... Olhe! Lá está o Templo!
O Templo de Pain era uma construção feita à base de mármore e madeira. Havia diversas colunas jônicas e dóricas que, esculpidas em relevo, lembravam as estátuas de Pan e Fauno. O Templo era imenso e, no salão principal, havia uma escultura de cinco metros de Pain. Na verdade, havia a escultura de um homem vestindo um mando que lembrava madeiras e folhas secas, segurando uma balança e uma flauta. No interior do templo era possível ver diversas imagens em relevo de folhas e árvores, como se o Templo fosse esculpido em cima delas. Era lindo! O chão, ao invés de puro concreto, ou rocha, era feito a partir de grama. Havia um altar dentro do templo, onde haviam as oferendas. Todos os dias, pela manhã, os moradores das redondezas visitam o Templo e deixam as melhores frutas e verduras. Faziam orações para agradecer a boa colheita e pedir proteção contra as pragas. Sabe como é, né.
Edward entrou no Templo de Pain como todos os outros. Como já havia tirado os sapatos, ficou descalço e se dirigiu à Sala das Lamentações. Uma sala reservada para fazer pedidos e pedir desculpas. O Templo não era de ninguém, como as Catedrais. O povo entrava e saía à hora que quisesse, mas havia pessoas que se dedicavam a cuidar do templo e mantê-lo limpo e cheiroso. Ainda é um mistério envolvendo quem poderia ter criado um templo tão imenso.
Na Sala das lamentações, Edward se ajoelhou e entrou em contato com Pain. Quando fez isso, imediatamente a sala começou a brilhar. Edward ficou um pouco assustado, até que as árvores que estavam nas paredes começaram a ganhar a coloração normal. Edward então foi levado para um lugar escuro. O mesmo lugar onde viu Pain pela primeira vez.
Demorou, hein. –disse Pain das grades do enorme portão. Agora, poderemos conversar melhor.
–Desculpe, mas eu não pude chegar mais cedo. -disse Edward. –Por favor. Me explique tudo o que eu preciso saber sobre você, Pan e Fauno, os meus sonhos estranhos e tudo mais.
Está bem, caro pupilo... Eu, como você sabe, sou o Pain, o deus das plantas e bosques. Junto com meus irmãos, fui o fundador da Terra e tudo nela existente.
–Você e os outros? -questionou Edward. –Existem mais?
Sim. Eu não sou o único. -respondeu Pain após uma gargalhada. Eu represento o elemento Planta. Cada um dos meus irmãos representa um elemento essencial entre si: Água, Fogo, Ar, Luz, Sombra e Tempo.
–Mas, se eles são os deuses, por que não vieram te ajudar a sair daqui? -perguntou Edward. –Já que possuem poderes para isso.
Eles até tentaram... Mas eu não permiti. -respondeu Pain.
–Falando nisso... Por que você disse no meu sonho que estava dentro de mim?
É que eu estou aprisionado em você.
Aprisionado? -perguntou-se Edward. –Como assim?
Eu estou selado em você. -respondeu Pain. Este portão que você vê não está aqui para enfeitar sua mente. –Pain tocou no portão e este começou a brilhar. Isso aqui é o selo que me aprisiona. Se eu tento fugir, ele brilha.
–Entendi. -respondeu Edward meio curioso. –Por que você foi aprisionado, já que é o criador das plantas e tudo que as envolve? Isso não é uma coisa boa.
Caro Edward... Você é tão curioso e sábio que, se um dia fosse um de nós, seria o deus da astúcia e da interrogação. Para eu te responder isso, preciso contar uma coisa.
–Pode começar. -disse Edward enquanto sentava no chão e ouvia.
Para isso, eu preciso que você ouça cuidadosamente, pois só explicarei uma vez...
–Está bem.
Eu sou Pain. O deus das plantas, florestas e bosques. Fui eu quem deu forma às plantas e suas propriedades e também foi eu quem as organizou e as ordenei que cobrissem o mundo. -disse Pain enquanto olhava Edward com os olhos fechados, imaginando. –Eu tenho mais seis irmãos e deles, eu sou o segundo mais forte.
–Se é o mais forte. -Edward fez uma pausa. –Por que está preso... Dentro de mim?
É que, no passado muito distante, houve uma guerra entre meus irmãos e, como eu era um dos membros essenciais, eu tive que ser convocado.
–Essenciais? -perguntou Edward. –Como assim “essenciais”?
Indispensáveis. -disse Pain enquanto escondia seu rosto e falava do escuro. Por exemplo, a água, elemento de minha irmã, é indispensável para a vida. Sem ela, muitos não existiriam. O tempo, elemento de meu irmão, é fundamental para todos. Assim, eu sou responsável pela sustentação da Terra, pela alimentação e pela vida nela contida.
–Entendi. -respondeu o garoto já interessado no assunto. –Continue dizendo o motivo de estar preso.
Continuando... Houve uma forte discussão entre meus irmãos de massas opostas. Água e fogo, luz e sombra entraram em guerra para saber quem era o mais forte. O mundo mais uma vez voltou à destruição.
–Como assim? Você está me dizendo que por causa de seus irmãos o mundo foi destruído?
Sim. -respondeu Pain, enquanto tocava as grades e o selo era ativado. Água e fogo, luz e sombra entraram em guerra durante séculos. Se não fosse por mim e meus dois irmãos o mundo que conhece hoje jamais existiaria.
–Isso que você está me dizendo... Não faz o menor sentido, Pain. -disse Edward enquanto pensava mais um pouco. –Se tudo isso era bom e houve uma guerra por poder, por que nosso mundo existe? Deveria estar tudo acabado, não?
Pain aproximou-se mais uma vez da grade, sem tocá-la. Seu hálito estava quente e a neblima estava quase tomando conta do corredor.
Estaria tudo acabado se meu irmão, Kronus, não tivesse impedido a batalha. -disse Pain enquanto assoprava a neblina para longe, produzindo um ar quente. Ele voltou ao tempo, na Era em que meus irmãos começaram a discussão. Não pôde impedir muita coisa, mas ele os fez entender que eles são os melhores no que faziam.
–Eu estou entendendo um pouco... -disse Edward com a cabeça abaixada, tentando entender o motivo de estarem presos. –Você me explicou tudo, mas não me disse como você veio parar dentro de mim.
No início eu e meus irmãos criamos tudo o que existe em nosso universo. Meus irmãos tiveram filhos gerados por sua vontade e de acordo com todos. -disse Pain enquando olhava Edward imaginando. Cada “ramo” de nossa geração era responsável por cada item da formação da Terra. Começando com sabedoria, vontade e emoção. Meus sobrinhos eram lindos.
–Prossiga. -disse Edward quase chorando.
Depois que demos forma ao universo, nós criamos os planetas e tudo que nele existe. -explicou Pain enquanto se levantava e falava do alto, para afastar a neblina causada pela sua respiração quente e o ar frio. Muito tempo depois, quando vimos que a Terra, uma obra boa, não merecia ser habitada somente por deuses, criamos os humanos e as criaturas existentes.
–Isso tudo é bom. Qual o problema nisso tudo?
Os Humanos. No início eles eram as mais belas obras de nossa criação. Dominavam toda a nossa arte, desde a água até o ar. Eram praticamente perfeitos. O que era ruim, pois não se lembravam de nós, os criadores de tudo. Kronnus, meu irmão, então decidiu criar a maior fraqueza para os humanos: a velhice. Pois os humanos de nossa primeira criação viviam para sempre.
–Puxa... -disse Edward sem palavras. –Não sabia que eles eram imortais. Por isso que foi preso?
Não. -respondeu Pain. Depois que os primeiros humanos vieram a morrer, sua segunda geração foi mais criativa e sabia, pois se espalharam pelo mundo a fora. Foi quando meus irmãos decidiram que não era justo somente Kronnus e alguns irmãos terem filhos. Criou então a Morte, filha de Trevor, o deus das Sombras. Meus irmãos acharam justo, pois as almas dos mortos vagavam pelo mundo. Resolvemos então ter filhos...
–Você teve Pan e Fauno? -perguntou Edward ancioso pela resposta.
Luna, a deusa da Luz, criou a Vida, pois os humanos não se reproduziam espontâneamente. Nós decidíamos quem nasceria. A Vida fez com que o mundo fosse mais povoado, nos dando mais calma. Criei Pan e Fauno apenas por criar. Dei a Pan, os bosques como sua morada e dei a meu filho, Fauno, os labirintos.
Edward estava prestando atenção a tudo o que Pain dizia. Tentava memorizar a tudo. Pain falava de maneira clara e objetiva. Dava prazer em ouvir sua voz.
Os deuses, durante vários milênios, viveram em harmonia com os humanos, foi quando decidimos criar o ser da beleza, Daphne, para que percorra todo o mundo, dando mais beleza a nossa criação.
–Por que criaram o ser da beleza se o mundo era belo? -perguntou Edward após pensar muito. –Não faz sentido.
Criamos o ser da beleza para ser uma obra fundamental. Os humanos tinham a vontade, o desejo, a sabedoria e as emorções. A beleza fortalecia o amor. Não só a beleza externa, mas sim a interna.
–Está tudo ótimo, mas por que você está aprisionado em mim? -perguntou Edward olhando para Pain.
É que meu irmão, Trevor, o deus das sombras, tentou tomar o trono de meu irmão, Kronnus, o deus do tempo. Como não conseguiu, Trevor criou uma legião malígna, formada por demônios, seres sombrios e tenebrosos. Criou o medo e deu poder às criaturas.
–Ele te aprisionou? -perguntou Edward. –O que aconteceu?
Trevor ensinou a arte das trevas para os humanos que queriam ter poder. Os humanos, contaminados por Trevor, resolveram se voltar contra os deues e, com a ajuda dos demônios, fizeram uma guerra.
–Mas vocês reagiram? -perguntou Edward olhando a silhueta de Pain. –Vocês são deuses. Automáticamente são mais fortes que os humanos.
Sim. Nós reagimos. Só que Trevor se aliou aos Titãs e por pouco não nos venceram.
–Os Titãs... -perguntou-se Edward, curioso. –Os titãs não foram extintos?
Não. Nós, deuses, somos frutos dos titãs. -respondeu Pain Nós, deuses, batalhamos com os titãs há muitos milênios atrás, pois Gaia, meu pai, queria fazer do universo morada somente dos deuses.
–Igual era antes, não é? -perguntou Edward.
Sim
–Mas, após a batalha contra os titãs e Trevor, você foi aprisionado, não é?
Sim. -respondeu Pain.
–Como?
Quando os doze titãs batalharam conosco, a situação estava crítica. -disse Pain enquanto assoprava novamente a neblina. Muitos de nós quase morreram. Eu fui um deles. A minha única salvação era me auto-aprisionar em um corpo. Eu, rapidamente, escolhi você.
–Escolheu a mim? Por quê?
Imagina a situação: seu pai estava prestes a te desintegrar para toda a eternidade e mais seis meses e você ainda quer que eu pense?! Eu desci a terra e então habitei em um menino. Você, mas meu pai viu isso.
–Mas não te matou, pois está vivo. -disse Edward.
Isso mesmo. Ele ia nos matar, mas achou melhor me castigar. Ele então me aprisionou em você, para que eu nunca mais saísse.
–E você pode sair daqui? -perguntou Edward pondo a mão em sua cabeça.
Meus irmãos tentaram diversas vezes, mas, se me libertassem, talvez você não resistisse e viesse a óbito. Eu escolhi te salvar e me manter vivo. Sabe como é, eu passei a gostar de você.
Edward estava emocionado. Por alguns instantes chorou levemente, mas Pain continuou.
Eu estou preso em você, mas minha sorte é que você tem meus poderes. Como você era ainda um feto quando meu pai me aprisionou em você, durante a sua formação, você absorveu os meus poderes e se adaptou a eles. Por isso que você tem esse núcleo verde, que representa o meu poder.
–Eu sei. -respondeu Edward. –Mas, por que no bosque você disse que corro em perigo?
Após a batalha contra os Titãs, nosso mundo ficou dividido entre o bem e o mal. Há aquelas pessoas que são dos dois lados, mas são poucas. Quando a guerra acabou, com a derrota de Gaia, Kronnus se tornou o deus-rei. Isso já era decidido por nós, mas foi definitivamente concluído na guerra.
–Sei, mas se você é o segundo mais forte... Você só perde para Kronnus?
Sim. Para selar nossa aliança e acabar com as guerras, Kronnus se aliou a Gaia e juntos criaram o ser do Tempo e o ser do Espaço. Daí surgiu a lenda do espaço-tempo.
–Uma vez me contaram a história de que os deuses tiveram filhos com humanos. -disse Edward. –É verdade?
Sim. -disse Pain após uma gargalhada. –Isso não é história. É pura verade. Meus irmãos tiveram inúmeros filhos, entre si e entre os humanos. Muitos deles nasceram com poderes e outros com habilidades especiais. Os dobradores de água, por exemplo, foram frutos de Atlanta, minha irmã.
–Por isso os núcleos de energia? -perguntou Edward lembrando-se de Ellira.
Foi bom você ter tocado no assunto. Quando eu fui selado em você, você absorveu os meus poderes e o próprio selo. Em outras palavras, você tem os meus poderes. Não pode ficar perdendo tempo fazendo coisas bobinhas, como controlar pequenas folhas. Aperfeiçoe seus poderes e fique mais forte.
–Desculpe Pain, mas eu treino todos os dias... -disse Edward vendo que tudo estava começando a ficar claro. –O que está acontecendo?
Eu não posso falar com você a sua vida inteira, jovem Edward. –a voz de Pain estava começando a ficar mais longe. Treine e faça bom uso de meus poderes. Encontre-me aqui no equinócio, daqui a cinco dias... Meu pupilo.
–Edward. -disse Sophie enquanto dava umas batidinhas de leve nos ombros de Edward. –Acorda!
–Ah? O que aconteceu? -perguntou Edward se levantando do chão. –Pain...
–Já é de tardinha e você ficou aqui o dia todo. -disse Sophie sorrindo. –Você perdeu Edward. Alguns segundos depois que você entrou no Templo, as árvores e as estátuas começaram a brilhar. Foi lindo!
–Puxa. Deve ter sido mesmo. -respondeu Edward olhando para os lados e vendo que ainda estava na Sala das Lamentações. –Vamos embora?
–Vamos sim. -respondeu Sophie. –Meu priminho e minha mamãe estão nos esperando na porta do Tempo. Vamos logo!
–Então tá. -disse Edward se levantando e saindo da sala. –Vamos
Enquanto isso, no esconderijo secreto de Edward, Ellira dormia tranquilamente em sua cama. Como não tinha nada para fazer, Caio, Oliver e ela se deitaram. Ellira sonhava com Oliver e ela correndo alegremente em um campo florido, deitando na grama e se beijando. Foi quando ela sente alguém passando a mão em seu rosto. Ela não abriu os olhos. Apenas sorriu graciosamente e então disse:
–Ai, Oliver... Nós namoramos o dia todo. Eu vou dormir um pouquinho e depois agente toma banho de piscina, tá bom?
Vendo que a mão ainda estava acariciando seu rosto, decidiu então se levantar e dar um beijo em Oliver, para ele ir se deitar, mas quando levantou e deu o beijo...
–AHHHHH!!! -Ellira deu um salto da cama.
–O que aconteceu, Ellira? -perguntou Oliver e Caio se levantando rapidamente, cada um em cama separada. –Por que o grito?
–A planta... -disse Ellira abraçando Oliver, apavorada. –A planta me acariciou.
Continua
Notas finais
Façam com que essa fic fique cada vez melhor!
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