Os Lendários Guardiões:Templo Dos Deuses
49 A aldeia e a torneira
Os Lendários Guardiões –Templo dos deuses-
Livro 2: Sombra ........................................................ Capítulo 49:
A Aldeia e a torneira
Edward e Caio estavam na frente da árvore, casa do duende e sua família. Eles haviam acordado cedo e ajudado o duende com suas tarefas, enquanto a mulher dele preparava o café.
–Sigam esse caminho, até o final do bosque. -falou o duende apontando com um graveto. –Logo, logo chegarão ao fim.
–Ok, senhor. -disse Edward se despedindo, Caio foi junto.
–Até mais. -Caio deu tchau e entrou no caminho do bosque pela passagem. –Logo vamos ir pra aldeia e comprar alguma coisa...
–Não vejo a hora de chegar em um restaurante e comprar uma comida descente!-Edward, massageando a barriga. –Ai, ai... To com uma fome diferente.
–Com assim?-questionou Caio.
–Não sei... -Edward foi até uma árvore que estava próxima, diretamente para seu tronco e deu-lhe uma boa mordida em seu caule. Mastigou normalmente o pedaço de madeira e deu outra mordida. –Cara, que gostoso. -ele falou, com boca cheia.
–VOCÊ TÁ COMENDO UMA ÁRVORE?! -Caio se surpreendeu, achando esquisito. –Cara, para com isso. Dá nervoso.
–Não consigo... -Edward deu outra mordida, uma grande mordida e limpou a boca. –Acho que chega...
Caio estava surpreso, afinal de contas, era uma árvore grande, com tronco duro. Naturalmente os dentes de Edward deveriam estar quebrados agora, mas estavam perfeitamente bem, e deixaram marcas na árvore. Edward estava satisfeito, enquanto avistava a saída do bosque.
–Oba!-Caio correu até Edward que estava andando na frente. –Vê se não me faz pagar mico, por favor.
–Não é culpa minha, cara. -desculpou-se Edward. –Esse apetite começou quando me transformei. Bem, chegamos em Lancost, a aldeia do comércio!
–Nossa... Isso tá mais seco que um deserto... -Caio, olhando para o mapa. –Mas deixa pra lá, vamos contar o dinheiro.
Edward e Caio sentaram-se próximos da entrada da cidade e então se abaixaram. Caio fez uma cúpula e abriu um porta-moedas, com 10 moedas de ouro e 12 de prata.
–Nossa... Acho que não dá pra nada... -lamentou Caio. –Devo ter perdido algumas na enchente... -ele abaixa a cabeça e recolhe as moedas que estava caídas sobre a cúpula. –Vamos ter que pechinchar...
–Que nada!-falou Edward pegando três moedas de ouro. –Isso é uma feira. Deve ter alguma coisa baratinha.
...
–O QUE?!-surpreendeu-se Edward com os olhos arregalados. –300 MOEDAS DE PRATA POR ESSE IÔIÔ?!
–Lamento, é o preço... -falou o vendedor, estranhando a cara de Edward. –Mas você tem uma cara simpática, então faço por 290. -ele sorriu de orelha a orelha. –É pegar ou largar.
–Não, obrigado. -Edward se virou. –Vou procurar alguma coisa mais barata.
A aldeia Lancost era pequena, medindo pouco mais que o tamanho de dois quarteirões lado a lado. Havia tendas e armações em quase todos os lugares, junto com casas de madeira que sumiam entre as lojas. Poucas eram as casas de tijolos. A poeira estava forte, por causa do calor e clima seco.
–Vamos procurar algo de comer, pra sobreviver. -falou Caio. –O calor tá infernal!
–Eu que o diga... -Edward foi até um a fonte que estava bem na frente. –Olha, lá tem água!
Eles correm até o a fonte, mas não ficam tão felizes.
–Seca?!-falou Caio olhando a fonte sequinha, quase rachando. –Isso era pra estar com água!
–E estava. -falou um ermitão que estava numa sombra, perto de um coqueiro. –Há algum tempo essa fonte garantia a sobrevivência para a nossa aldeia. Mas quando Gaburanta, o sapo da água, chegou aqui, nossa fonte secou.
–Gaburanta?-estranhou Caio. –Não é um sapo gigante que vivia do outro lado do mundo, nos Mares de Lodo?
–Sim. -respondeu o ermitão. –Alguns navegadores trouxeram alguns para cá, e como eram raros aqui, foram comprados por nosso povo. No entanto, um deles logo fugiu e logo se reproduziu, ameaçando nossa água.
–E onde está esse Gaburanta?-perguntou Caio, decidido. –Vamos acabar com ele para vocês.
Edward concordou.
–Se fizerem isso, o nosso comércio voltará ao normal, pois as mercadorias estão caras assim para que possamos pagar a água que a Metrópole encontrou nos lados do leste.
–Ué, mas choveu ontem? -falou Caio.
–Não aqui. -falou o ermitão cansado, deitando no chão de palha. –A chuva por esses lados tem limites naturais... Chove em um lado, mas não no outro, e vice-versa.
–Estranho... -falou Edward. –Mas vamos lá derrotar esse Gaburanta. Onde fica?
–Ao leste, perto do cerrado. -respondeu um comerciante que ouvia tudo. –Tenho uma pensão, um restaurante na verdade. –Se derrotarem Gaburanta, comerão o quanto quiserem.
Edward e Caio logo foram. A aldeia tinha duas saídas além da floresta. Eles foram pela saída da direita e logo chegaram a um lugar árido, com algumas pessoas carregando galões de 5 litros de água na cabeça. Todas essas pessoas eram negras. Havia crianças, idosos e jovens com galões de água, mas eram poucos.
–Parece que estamos perto. -falou Caio olhando as pessoas com água. –Ellira faz falta aqui...
–Áquary também. -falou Edward olhando uma moça equilibrar um latão de 10 litros de água na cabeça e carregar nos braços um bebê. –Pelo menos Áquary produz água.
Eles andam mais um pouco e encontram um grande muro de metal avermelhado, onde havia um grande carro de bois e seis homens fortes protegendo um tipo de torneira. Eles se misturam na fila e então esperam mais um pouco.
–Será que é da Metrópole? -perguntou Caio baixinho. –Até aqui nesse fim de mundo eles governam...
–Deve ser, hein. -falou Edward, até ver que um senhor magro estava indo para a torneira, quando o guarda o parou.
–Auto!-ele colocou a lança na frente do guarda. –Quantos litros quer?
–Um litro, por favor. -respondeu o senhor, que devia ter uns 70 anos. –Aqui está a garrafa.
–São 1000 moedas de prata. -falou o homem autoritário. –Você tem?
–O QUE?!-surpreendeu-se Edward. –1000 moedas o litro? Isso é um roubo!
–É mesmo. -falou Caio.
–... Tenho 998... -falou o senhor após contar na frente do guarda um saco de moedas. –Não pode ser... Devo ter perdido algumas moedas.
–Não!-falou o guarda empurrando o velho para o outro lado. –Está querendo nos roubar!-o velho caiu e o guarda colocou a lança próximo do rosto do guarda.
–Não entendo... -falou o senhor desesperado. –Eu tinha 1000 moedas...
–Hey!-falou Edward indo até o guarda. –Eu pago a água desse homem!
–Parado ai seu monstro!-os guardas se reuniram, apontando as lanças para Edward. –Vai pagar a água do velho?
–Vou!-Edward mostrou uma moeda de ouro. –Vou pagar dois litros da água do senhor ali.
–Está bem, então. -o guarda pegou a garrafa do senhor que deu mais 50 moedas por outra garrafa da Metrópole e então encheu-as com água.
–Para ai!-falou Edward indo até o guarda. –A garrafa de vocês é menor!
Edward despejou a água da Metrópole no balde de outra pessoa e, colocando a água da garrafa do senhor na garrafa da Metrópole, viu que uma boa parte da água caía no chão, ao invés de preencher o espaço da garrafa. As pessoas da fila começaram a questionar isso.
–Estão vendo!-gritou Edward mostrando a garrafa. –A Metrópole rouba vocês esse tempo todo!
–Ora seu... -o guarda avança em Edward com a lança, mas Caio o acerta com um raio.
–Deixa meu amigo em paz!-Caio, suas mãos em volta de energia negra.
Os seis guardas se levantam e então se preparam para batalhar. Caio não aguentava o calor do cerrado, então estava meio fraco. Edward aguentava um pouco, mas seus poderes se limitavam, já que as plantas eram secas e quebradiças.
–Afaste-se!-Edward manipulou duas flechas de sua aljava. –Eu não quero brigar!
–Só queremos que vocês parem de roubar a água do povo!
–Não roubamos nada!-falou o guarda. –Além do mais não devemos satisfação a vocês!-o guarda avança em Edward, que se abaixa e golpeia o guarda na barriga, mas ele estava com armadura. –Caio!
Caio então acerta dois guardas com seus raios negros, enquanto Edward mira suas flechas em dois guardas que vinham até ele, mas não adiantou. Edward então atingiu o guarda na cabeça, que era móvel, retirando o capacete do homem.
–Pronto. -Caio prendeu um guarda envolvendo ele com a energia escura e então jogando ele contra outro guarda. –Não vão atormentar mais.
–Só falta uma coisa...-Edward lança suas sementes no meio deles e joga água. Ela logo se desenvolve e prende-os.
As pessoas da fila logo percebem que estão seguras e vão apressadas para a torneira do grande muro de metal. Edward então abre a torneira e toma uma grande quantidade de água em vários goles. Demora alguns minutos tomando água sem parar para respirar, até que todos ficam vendo ele, que para.
–Você não é normal, cara. -Caio, parado, olhando ele com os olhos arregalados. –Vamos logo para o tal Gaburanta.
–Ele está bem lá na frente, onde o chão é mais baixo, perto de um lago.
–Pera ai!-falou Caio, não entendendo nada. –O que necessariamente esse Gaburanta faz?
–Ele se alimenta de água para poder se proliferar. -falou um dos guardas. –Ele iria acabar com toda a água se não fosse por nós. Agora solta a gente!
–Não pode ser verdade... -falou Edward indo até os guardas. –Como vocês tem água então?
–Cavamos um poço e vendemos a água. -respondeu um guarda. –A Metrópole sempre fez tudo para o bem de todos!
–Vamos lá no lago, depois voltamos. -falou Caio pegando o carro de bois e jogando as garrafas no chão. –A pé vamos demorar muito.
–Boa ideia. -Edward subiu e eles logo foram para o lago, enquanto os guardas ficaram gritando.
...
Eles chegam rápido no lago, enquanto Caio “estacionava” o carro de bois e eles desciam um barranco. Na verdade parece até um buraco com um pequeno lago no fundo. Em uma parte do buraco haviam dois canos, bem na ponta mesmo.
–Esse cano deve ser o que leva água para a fonte. -falou Caio. –Dá pra entrar nele, se eu for encolhido...
–Não entra ai não. -falou Edward olhando para o fundo e vendo a água meio verde, mas não tinha aparência de estar ruim.
Caio então mergulha no lago.
–Cara, que água boa!-Caio fala, mergulhando mais ainda.
–Não se esqueça de que aqui pode ter Gaburanta...-Edward então entra na água aos poucos.
–Pode deixar cara. -Caio mergulha.
–Ai... Essa água mata a minha sede...-Edward, com os pés dentro d’água. –Nossa... Eu to afundando rápido. -ele tira os pés da água e mergulha, se afogando logo em seguida. Socorro!
Caio então aparece e vê Edward nadando, mas afundando como se estivesse com uma pedra amarrada nos pés.
–Edward, pera ai!-Caio nada até ele.
–Ufa... Pode deixar... -Edward coloca seus pés em algo sólido –Já to bem...
–Edward, porque você está subindo...-estranhou Caio. –Por acaso anda sobre a água?
–Ah? Do que você tá dizendo... Opa!-Edward viu que estava fora d’água, só com os pés do lado de dentro. –Vo sair daqui. -ele pula para a terra.
Foi ai que um grande monstro semelhante a um sapo verde apareceu dentro do lago. Seus olhos eram grandes e eram para frente. Tinha alguns metros de altura.
–Caio, sai daí!-gritou Edward, vendo o Gaburanta se levantar da água e atacar Caio, que estava tentando sair da água. –Ai, meu Pain!-ele pula na água.
Edward não conseguia boiar de jeito nenhum dentro d’água, mesmo sabendo nadar desde pequeno. Então ele lançou uma semente que se desenvolveu em seu braço, fazendo as vinhas enrolarem nos dentes de Gaburanta que eram curvos e expostos. Ele então subiu no monstro que estava até calmo, mas agitava a água com força. Até que ele abre a boca...
–Edward!-Caio, lançando um raio escuro no monstro-sapo. –Desce!
–Não posso!-Edward gritou, sendo sacudido, até que o sapo abre a boca e de dentro dela sai uma grande quantidade de água. Edward, por causa da força, cai na água, mergulhando fundo. Preciso sair daqui...-Edward pensou, prendendo o pouco ar que tinha.
No alto da água, era possível ouvir os gritos de Caio chamando por Edward, enquanto este estava apenas olhando a água começar a ficar azul, enquanto a lama do fundo ainda prendia em seus pés, à medida que ele tentava sair. Ele se agita mais e apaga.
...
–Onde eu estou?-perguntou Edward, abrindo os olhos e se levantando, vendo um grande lago na sua frente. –Caio?
–Oie!-ele aparece, pegando alguns galões de água. –Você não imagina o que aconteceu!
Edward se levanta, ficando de pé, pois estava sentado. Ele olha para o lado e vê algumas dezenas de garrafas cheias de água.
–O que aconteceu?-perguntou Edward indo até o lago. –E o Gaburanta?
Caio mostrou alguns buracos no chão.
–Ele está dentro do lago. -falou Caio enquanto via moradores descendo o morro em direção ao lago. –Ele não era ameaça... Só um dorminhoco. -ele começa a rir.
–Como assim?-pergunta Edward bebendo uma garrafa de 10 litros de água em menos de um minuto.
–Quando você caiu dentro do lago, notei que o Gaburanta, apesar do tamanho, não é feroz, mas sim grande e até perigoso, se ficar perto dele. -Caio bateu palmas, chamando alguma coisa. –Vem cá, vem. -e um filhote de Gaburanta apareceu da água.
–Ele diminuiu?!
–Não, palhaço. -Caio estava fazendo carinho No bicho de 1 metro. –Os Gaburanta só engolem bastante água na época da gestação e na época de dormir e quando estão acordados, transpiram e vomitam a água que consumiram, e tudo volta ao normal.
Edward estranhou, enquanto se aproximava do bicho.
–Quando a Metrópole cavou o poço, atingiu o cano central do lago, bloqueando a passagem de água do lago e colocando a culpa no Gaburanta, que só veio pra cá sem querer... -o filhote de Gaburanta pulou dentro d’água. –Traduzindo... Eles estavam aqui mesmo quando a fonte da aldeia estava cheia, mas o lago secou por causa da Metrópole, que puxava mais água que ele produzia. -ele apontou para o outro lado do lago, vendo um monte de lama. –Há uma nascente dentro do lago, que estava com tanta lama e alguns entulhos da Metrópole, que não deixaram a água subir.
–Entendi. -falou Edward. –Bom, já que está tudo resolvido, vamos embora?
–Vamos, ué. -falou Caio pegando suas coisas. –Estava só esperando você dizer...
...
Na aldeia, eles estavam em frente à pensão do homem, que estava contente em ver a aldeia com água novamente. Caio contava o que sabia sobre Gaburantas e sobre o poço da Metrópole.
–Bem, como eu disse, podem comer à vontade. -o mercador disse, logo sua esposa mostrou-lhes o refeitório, onde eles comeram muito.
–Você sabe bem sobre os Gaburantas...-elogiou Edward.
–Estudei sobre eles com minha mãe. -falou Caio sorrindo. –Não custa nada saber mais um pouquinho...
–É verdade. -falou Edward. –Bem, já acabei.
–E eu também. -falou Caio entregando o prato para a mulher.
...
–Bem, já vamos. -Caio, para o comerciante que estava na aldeia. –Sua mulher cozinha muito bem.
–Obrigado.
–Até mais!-falou Edward, se despedindo.
–Espere!-falou o senhor que eles haviam ajudado. –Aqui pra vocês.
Ele lhes entrega duas sacolas com remédios, mantimentos, poções e outras coisas úteis, além de água. Edward agradece e arruma na mochila.
–Obrigado. -disseram os dois jovens, cruzando os portões da aldeia Lancost. –Até mais!
E eles andam em outro campo, dessa vez um pouco mais arenoso, em direção ao oeste.
–Pra onde vamos, senhor Caio?-perguntou Edward.
–Aldeia das Minas. -respondeu Caio olhando um mapa. –Mas antes passaremos pelas cachoeiras e outro bosque.
–Ok então. -falou Edward enquanto olhava a paisagem ao seu redor. –Acho que teremos de acampar, caso não encontremos alguma casa. Ainda bem que tá esfriando...
–Tá bom.-Caio sorriu. –Não sabe o quanto eu gosto de dormir ao ar livre. Principalmente de noite, quando esfria.
Então Edward e Caio seguiram caminho rumo à Aldeia das Minas, não esquecendo do que aconteceu com eles no dia de hoje.
CONTINUA
Notas finais
Sei que algumas informações sobre o Gaburanta ainda ficaram confusas, mas é só falarem que eu explico nos próximos capítulos.
Obrigado pela atenção. Ah! Gostaram da imagem? Vou tentar colocar as imagens dos lugares em que o Edward passa, além de alguns monstros também, ok?
Valeu, tchau, tchau!
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