Notas iniciais
Heeey pessoal!
O cap tá aqui, pra vocês desfrutarem. Boa leitura e aproveitem.
Os Lendários Guardiões –Templo dos deuses-

Livro 2: Sombra ......................................................................... Capítulo 38:

Uma noite de assombro.

Narração de Edward

Eu estava sentado na janela do meu quarto, conversando com algumas árvores que chegavam até ela. Estava de noite, um pouco tarde, e Caio e Natanael estavam dormindo. Por motivos desconhecidos, Stwart havia ordenado que cada pessoa de Lockhaven se abrigue em casa, seguros e que não saiam de casa até o amanhecer. Eu não entendi nada, afinal, estavam numa alegria total por causa da volta da gente.

Isso tá muito estranho! Preciso ir ver.

Despedi-me das plantas que me faziam companhia e peguei minha aljava, que tinham minhas flechas. Peguei o arco também. Olhei pela porta, o corredor vazio. Segundo o carvalho que salvei um dia, alguns soldados ficam de guarda durante a noite, porque muitas pessoas dizem ouvir passos de pessoas correndo, o que as deixam preocupadas. Ele disse que nunca viu ninguém.

Fui até a janela e pulei. Cai sobre um galho, me aderi nele e desci escalando, como se fosse um animal qualquer. A cidade estava escura, iluminada em algumas partes dela, mas por causa do ataque da Metrópole, algumas partes dela ficaram com pouca ou sem iluminação. Eu devo dizer que estava com medo, mas as plantas que me cumprimentavam me diriam se vissem alguma coisa.

–Por que será que não podemos mais ficar na cidade após o toque de recolher...?

Andei até uma parte da cidade que estava mais escura, mas haviam guerreiros que trabalhavam na guarda que estavam passando por ali de certa em certa hora. Andei mais um pouco e cheguei até uma parte onde tinha umas armações de barracas de feira. De dia aquilo fica cheinho de gente, mas a noite ali só fica ferros e lonas. Quando estava andando, com meu arco armado e umas flechas voando ao meu lado, prontas para serem lançadas com a minha manipulação, vi que uma silhueta me observava entre um dos corredores que estavam mais a frente.

–Hey! Pare ai!-gritei, esperando que só a tal silhueta ouvisse. –Pare!

Foi ai que a tal silhueta correu para dentro do corredor. Corri também, com medo, até que, quando estava para cruzar um corredor, ouvi um guarda.

–Ai, droga...!-disse, me escondendo dentro duns arbustos, me camuflando ao absorver os galhos e as folhas.

O guarda passou por mim assoviando, sem nem olhar para o lado. Notei que estava cambaleante, com sono.

–Trouxa!-disse, rindo, quando ele virou o corredor.

Correndo, tentando fazer menos barulho, dobrei o corredor que a tal silhueta estava. Arg! Estava vazio, mas vi uma sombra grande mais ao fundo. Por motivos engraçados, aquele corredor onde estava era o mesmo corredor onde tive a minha batalha contra uns ladrões e as partes do ataque de fogo ainda estavam lá, com um buraco agora abrigados por ratos. Isso mostra que Lockhaven não cuida muito dos seus corredores...

–AAAAAH!-ouvi um grito agudo, que acabou logo assim que começou.

–O-O que foi isso?!-perguntei-me, encostrando na parede que estava atrás de mim. Foi aí que vi uma pessoa correndo, passando pela porta do corredor. –Ai... Vou ou não vou...?

Corri até a rua e vi, numa calçada, uma pessoa encapuzada segurando alguém pelo pescoço. Tremi de medo, olhando paralisado para a cena que via, até que, por instinto, corri na direção dela.

–Largue ela, seu monstro maldito!-peguei meu arco e segurei pela extremidade dele, como se fosse uma massa e golpeei a pessoa, mas das vestes escuras, uma mão branca saiu. Era magrela e raquítica e a medida que a garota gritava sendo segurada pelo pescoço, o braço raquítico ganhava massa muscular. –Solte... Solta ela!-apoiei-me na perna esquerda e dei um chute diagonal na pessoa, que largou a garota, com um ferimento no colo e no pescoço.

Olhei para a garota e olhei para a pessoa que estava correndo. Não que eu não queria salvar a garota, mas corri atrás da pessoa encapuzada, com roupas escuras, que pareciam vários panos, um por cima do outro.

–Já venho...-falei para a garota. É. Era uma garota.

Larguei meu arco e corri só com as flechas. A essa hora a pessoa já havia se escondido, mas as plantas haviam me falado sobre alguma localização do tal monstro. Por mais que o monstro fosse grande, somente algumas plantas disseram ver vultos correndo, mas algumas diziam que não viram nada.

–AHHH...-ouvi um outro grito, dessa vez masculino, após um quebrar de janelas ou portas.

–Outro?!-me surpreendi, correndo mais, vendo uma casa com as janelas quebradas e um cara sendo arrastado pela pessoa. –Arg!–eu absorvi a madeira da parede da casa e atirei estacas no cara. As estacas pegaram na roupa dele, que se desmanchou, parecendo serem feitas de sombras, que pareciam flutuar quando batiam ao chão.

Lá vai eu de novo, com medo e com coragem. Dessa vez mais coragem que medo. Dei um salto grande e pulei no telhado, como se estivesse subindo em árvores. Corri, dando um salto entre uma casa em outra, a pessoa corria no chão. Dei mais um salto em direção a pessoa, para cair em cima dela, mas ela levantou a cabeça e eu pude ver, rapidamente, sua cara branca, meio deformada, magra. De sua boca, um tipo de raio escuro, desnorteado saiu e me atingiu, me jogando para cima.

–Aaaaaaaaaargh!-gritei, ao cair em cima do telhado de uma casa, que quebrou e eu cai lá dentro. –Ai, minha cabeça...

O mais engraçado é que a energia ainda estava em cima de mim, se desfazendo. Queimando meu corpo. Era possível ver umas luzinhas verdes cintilantes em cima de mim, a medida que a sombra pairava.

–Ai, isso tá pegando minha energia...-estava com sono, até que um homem, refugiado com a família em um dos cômodos, me jogou um tipo de pó branco, que desfez aquela sombra. –O que é isso?-perguntei, olhando encabulado para o cara, que estava com medo.

–É pó de chifre de unicórnio.-falou ele, gaguejando. –Não faça nada com a minha família...-ele, com medo, abraçado com a filha. –Por favor.

–Ai.-eu me levantei, cambaleando, com a mão na cabeça. –Minha cabeça dói muito...-eu me apoiei na parede da casa. –Podem ficar tranquilos que eu não vou fazer mal algum.-olhei para a família. –Só não deixem portas abertas e nem janelas. Tem um monstro por ai.

–Mas seu rosto... Seu corpo...-disse a filha do homem, segurando um potinho. –Dá medo.

Eu olhei para meu corpo e vi minhas mãos. Foi quando me dei conta que parte do meu corpo que estava com madeira foi protegido do ataque do cara, mas algumas partes estavam sem proteção, principalmente na barriga, que estava queimada. Retirei a proteção e eles viram que eu era humano. Só estava vestido agora com uma calça meio rasgada e com a manga esquerda da minha camisa e a gola dela, pois a energia havia destruído o resto. As queimaduras ardiam fortemente, mas dava para aguentar, contando que nada toque nelas.

–Por favor, onde conseguiram o pó de unicórnio?

–Vem de nossa família a anos.-ele disse, mas calmo. –Meu tetravô deixou de presente com nossa família, dizendo que afasta demônios e coisas ruins.

–E vocês tem mais disso, por favor, acho que esse monstro que tá por aqui é um demônio.-pedi, enquanto flashes do que vi hoje passavam pela minha cabeça e terminavam com os braços magros do monstro, que sem dúvidas não era humano.

–Aqui.-disse a mulher do homem, me entregando um frasco de 15 centímetros, que continha um pó meio branco azulado. –Não temos muito, porque usamos para vedar as janelas e portas, além de distribuir para alguns vizinhos.

–Ah! Obrigado.-disse, vedando o telhado que era feito de madeira. –Até mais.

–Vai aonde?

–Vou atrás dele.-falei, passando pela porta. –Ele tá por ai, matando mais gente.

–Então está bem.-o homem disse, apertando minha mão.

Passei pela porta e corri até onde estava. Naquela parte da cidade não havia concreto, então havia um rastro de terra que terminava mais a frente. Corri, com medo, percebendo que havia esquecido minha aljava na casa do cara.

–Ali.-disse, correndo para alguma coisa que estava debruçada no chão. –Ai, meu Pain!

O homem que havia sido pego pelo monstro estava a minha frente, extremamente magro, seco e morto. Usava uma calça e um pé de sandália. Não sabia a cor, porque estava escuro. Era irreconhecível. Estava com uma parte do corpo faltando, na barriga e no pescoço. Curiosamente, estava com o braço de uns sete centímetros de “grossura” esticado, apontado com o dedo indicador para uma parte de árvores, ainda na cidade, onde não haviam muitas casas.

–O que tem por ali?-perguntei, caminhando, olhando para os lados, com medo. –Edward, você não vai pra lá!-ordenei a mim mesmo.

Cadê que eu me obedeci?! Andei para uma árvore e absorvi a madeira dela. Estava frio. Senti um cheiro meio esquisito e andei até a fonte do cheiro. Me deparei com um rio, meio poluído que eu não fazia ideia que existia. Corri mais pra cima até que pisei em algo que estalou.

–Não.... Uma cabeça?!-disse, chutando o crânio em decomposição, continuando andando. –Que coisa é essa?!

Disse, caindo no chão e vomitando, de pavor. Estava num local cheio de corpos de pessoas mortas que estavam estirados as margens do rio, que, seguido o curso, não ia para o abastecimento de água da cidade Lockhaven, saindo por uma parte dela. Olhei para eles e vi duas coincidências: todos estavam extremamente magros e com partes do corpo faltando. Mais acima, vi pegadas recentes na lama provocada pela água e dos corpos em decomposição e vi sete grandes túneis (três em cima e quatro em baixo), formados por tubos de concreto de 2 metros de diâmetro.

–Então é por ali que a água passa...-disse, vendo a água sair por três dos canos.

Engolindo a seco, corri até o rio e pulei na água, subindo diretamente por uma das vigas lançando cipós e escalando o rio. Quando estava subindo para o segundo túnel de cima para baixo, vi a uns 2 metros de distância da saída, dois olhos vermelhos que me encavam, cada vez mais se distanciando de mim, andando para trás, de costas.

–Seus olhos laranjas brilhantes não me assutam.-a pessoa sussurrou para mim, com uma voz meio rouca e fraca. –Eu vou conseguir mais... Venha me impedir.

Eu estava com medo, vulnerável, apoiado nos dois braços enquanto minhas pernas eram molhadas pelo rio.

–E seus olhos vermelhos não me assustam.-disse, percebendo que ele já estava mais longe. –Pra que você quer esses corpos?

–São corpos imperfeitos, que só servem para me alimentar...-a criatura disse, seus olhos não piscavam. –Venha ver o que eu estou fazendo...

–Você quer que eu vá ai, não é?-eu perguntei, vendo os olhos subirem e descerem, lentamente, como se a criatura dissesse “sim” –Mas eu não vou... Seu demônio!

–Se você quer assim...-os olhos estavam indo para o lado, como se ele estivesse virando os túneis. –Um dia você vai vir... Eu estarei esperando.-e ele sumiu.

Eu sai da boca do túnel e corri para longe, em direção ao centro comercial da cidade, onde estava a escola. Correndo mais e mais, vi que tinha andado mais de 2 quilômetros atrás da criatura, se não mais! Passei pela casa do cara que me ajudou e vi minha aljava na porta, pendurada.

–Hey!-o cara me chamou na porta.

–O que tá fazendo aqui?-perguntei.

–Demônios simples não suportam o chifre puro de um unicórnio.- o cara disse, da porta. –Meu tetravô estudou muito isso e escreveu um livro que está na sua aljava. Eu sei que você é do bem e vai estudá-lo. Tanto é que eu o coloquei o original na sua aljava. O ruim é que tá em uma língua que não entendo e nunca vou entender.

–Tá bem.-eu agradeci, sem ver na aljava. –E mais o que?

–Eu tenho comigo um chifre de unicórnio ao qual eu fiz quatro colares: um meu, da minha filha, da minha esposa e o outro era o chifre do unicórnio que meu antepassado colocava no pescoço. Tome o meu.-ele me deu o colar dele, que coloquei no meu pescoço. –Vai protegê-lo.

–Obrigado, cara.-eu peguei o colar, que era a ponta do chifre em espiral. –Mas assim, que língua está escrita no livro, sabe dizer?

–Não sei...-ele disse, com sono. –Ele dizia que era a tal Língua dos Anjos.

–Língua dos Anjos...-eu disse, pensando em quem falava a tal língua angelical. –Então está bem.-eu falei ao cara. –Vou indo que não dormi nada.

–Está bem.-ele disse. –Eu o mesmo. Ah! Só uma coisa: esse livro está comigo a anos e ninguém sabe dele. Guarde-o com cuidado, pois ninguém de coração duvidoso pode ler ele.

–Está bem.-falei, pegando minha aljava e colocando-a nas costas, quando ela passou pela queimadura e ardeu muito. Fui andando, aos poucos.

“Só magia podia lhe ferir desse jeito.”–Pain disse, sumindo de repente.

–É eu sei.-disse, enquanto corria.

Parece que eu corri uma eternidade, até que cheguei bem próximo de onde a garota estava. Bem, não havia mais ninguém lá. Procurei mais um pouco e vi um guarda que me disse que queriam falar comigo na escola. Eu agradeci e corri até a cidade e passei pelo portão.

–Stwart, Stwart.-eu gritei, a medida que o medo e as lembranças vinham à tona. –Minerva!

Os alunos saíam dos seus quartos e vinham até a porta. Eu passei pelo portal do corredor e cheguei ao corredor próximo de onde eu estava. Com o barulho, Natanael, Ícaro, Áquary, Fléreri, Ellira, Larienne, Helleonora e Caio saíram de seus quartos, com sono, para me ouvir também.

–O que está fazendo, garoto?!-perguntou Hajad, o professor.

–Demônio!-disse, para o assombro de todos.

–O que está dizendo, Edward?-perguntou Éric, acompanhado de Nora, Callisto, Minerva, Stwart Icy e muitos outros professores.

–Tem um demônio aqui em Lockhaven!-disse, percebendo que não estavam entendendo. –Os sumiços, principalmente aquela garota, aquela que esqueci o nome, todos foram por causa de um demônio.

–Tomou o que, Edward?-perguntou Natanael debruçado no corrimão. Notei que todos estavam me vendo, sendo rodeado por professores. Todos riram com a piada de Natanael.

–Eu não tomei nada!-estava com raiva. –Eu sei onde ele está. Eu vi ele. Ele me fez isso!-eu desfiz minha proteção e mostrei a queimadura que estava horrível por estar abafada. Todos torceram a boca. –Ele é meio estranho e parece que a medida que ele toca numa pessoa ela emagrece e ele ganha músculos! Me entendam, pessoal!

–E aí, ele voou com asas de morcego?-perguntou um garoto qualquer. –Vai dormir, garoto.

–Ah! Qualé, gente!-pediu Ícaro. –Ele tá dizendo a verdade!

–Eu sei onde ele está! Eu falei com ele...

–Tomou chá também?-perguntou o mesmo garoto. Todos riram.

–Aff!-disse, já sem paciência. –Eu sei onde ele está! Perto de um rio, próximo a uma parte da cidade sem casa e sem chão de concreto. Tem um cara lá que me deu isso.-mostrei o colar de unicórnio.

–O que você está falando é verdade, Edward?-perguntou Minerva, confiando em mim.

–Sim, ou acha que fiz isso em mim por brincadeira?!

–Senhor Stwart!-interrompeu um homem, que estava portanto meu arco. –Achamos estacas e um arco próximo a um corpo sem identificação, mas consciente. –Agora fraco.

–É o meu arco e as estacas são de quando ataquei ele. Eu golpeei o demônio com ele.-falei. –Me entendam! Tinham muitos corpos por lá e ninguém sabia de nada!

–Silêncio! Silêncio!-gritou Stwart a todos que começavam a comentar. –Éric, prepare uma equipe e mande para lá ao amanhecer...

–Não! Tem que ser agora.-interrompi ele. –Ele pode matar mais gente.. A essa hora ele tá fraco e...-fui interrompido.

–SILÊNCIO!!!-ele gritou comigo. –Minerva, leve esse garoto para curar seus ferimentos.

Minerva já ia me levar a enfermaria quando o guarda intervém.

–Senhor, a garota ainda está viva e pode falar sobre o que aconteceu. Ela deixou cair isso.-ele mostrou um medalhão, que tinha uma pedrinha branca.

–Ótimo.-disse Stwart. –Icy, Nora. Vá até a enfermaria e obtenha informações de...

–Hey! Pera ai.-gritou Caio, correndo até onde estávamos. –Esse medalhão eu dei pra Mary quando pedi ela em namoro.-ele se lembra de alguma coisa. –Hey! Cadê a Mary?

–Falando nisso...-Ellira desceu até onde estávamos, também. –Cadê o Oliver?!



Continua no próximo Episódio...


Notas finais
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