Os Lendários Guardiões:Templo Dos Deuses
9 A Vila Orchcraft e o convite especial!!!
Notas iniciais
Os Lendários Guardiões
–Templo dos deuses-
Livro 1: Planta …......................................................................... Capítulo 9:
A Vila Orchcraft e o convite especical!!!
Ainda era noite na Floresta da Desilusão, Edward e Sophie andavam por ela, afim de encontrar a misteriosa aldeia que se localiza dentro das árvores.
–....Então você só sairá da Floresta depois que aperfeiçoar e aprender algumas coisas desse pergaminho?-perguntou Sophie observando Edward iluminado pela luz mortiça do luar.
–Eu quero sair daqui logo.-disse Edward. –Mas ainda tenho que encontrar a torre...
–Eu nunca ouvi falar de torre aqui. Mas também eu nunca saí sozinha, exceto hoje.-disse Sophie. –Se bem que, de qualquer forma, você só sairá com essa torre. Porque a Floresta de Orchcraft, ou Floresta da Desilusão fica no meio do oceano, e não tem como sair dela. Além do mais, não tem como ir nadando por dois motivos: o 1º: é muito longe e o 2º: no oceano tem criaturas que são maiores que essas árvores.
–E como você sabe?-perguntou Edward demostrando ceticismo.
–Lendas.
Edward deu um sorriso e depois abaixou a cabeça, demostrando cansaço.
–Estamos andando a um tempão e não encontramos nada.-disse Edward com seu arco armado. –Essa floresta dá medo.
–É mesmo. Eu já estou cansadinha de tanto andar.-disse Sophie. –Eu nunca saí sem meus pais. Mas eu acho que estamos no caminho certo.
Foi quando um vento frio começa a passar por entre as diversas árvores, produzindo um chiado sombrio que deu muito medo em nossos viajantes. Imediatamente Sophie agarrou-se nos braços de Edward e este esticou seu arco.
–O que será que tá acontecendo?!-surpreendeu-se Edward.
–Não sei. Deve ser só o vento.
Quando o vento acabou, pode-se ouvir o barulho de galhos se quebrando acima das árvores. E então diversas criaturas marrons, cujas as patas eram curtas mas sua mandíbula era forte o suficiente para cortar o casco de uma tartaruga marinha ao meio, começaram a cair. Edward não sabia o que fazer, mas Sophie abrigou-se junto de uma árvore.
–Que bichos são esses?!-disse Edward batendo com seu arco nas criaturas, pois com escuridão e a camuflação das mesmas, ficava difícil de mirar com as flechas.
–São Guls.-disse Sophie dando chutes nas criaturinhas que se aproximavam dela. –Cuidado com a boca delas, é muito forte.
Edward, para se proteger, manipulou algumas vinhas, mas não sabia onde as criaturas estavam. A floresta era escura demais e as criaturas eram marrons. Na cabeça de Edward, diversas vozes falavam ao mesmo tempo, a localização de cada Gul, mas Edward estava muito confuso, até que um grande raio acerta uma árvore, produzindo um enorme clarão e, na silhueta da noite, uma criatura pula em sua direção.
–Áhhhh!!!!-gritou Edward segurando um Gul, este era diferente: branco. Edward não gritou por que o Gul havia lhe mordido ou coisa assim. É que o Gul o fez cair e Edward acabou batendo as costas em um tipo de madeira. Esta o feriu profundamente em seu ombro esquerdo. Agora Edward estava ferido e Sophie cercada de monstros. Foi quando uma árvore em chamas começou a cair.
–Edward!!!-gritou Sophie dando um salto em sua direção, agarrando-o e livrando de ser esmagado pela árvore. –Você está bem?
–Estou. Árgh! Minhas costas. Acho que uma madeira me feriu.-disse Edward encostando-se no colo de Sophie. Como estavam próximos ao fogo, os Guls fugiram. Como estava quente próximo da árvore em chamas, eles ficaram por alí mesmo.
–Deixa eu ver seu machucado.-disse Sophie retirando a aljava das costas de Edward. Foi quando ele gritou.
–Áhhhh!... Tá doendo muito!
–Não foi madeira nenhuma que te machucou.-disse Sophie segurando a aljava. –Quando você caiu, quebrou sua flecha e esta te furou. Agora, eu não posso retirar a sua aljava e nem a flecha.
–Por quê?
Sophie retirou uma flecha inteira da aljava.
–A ponta da sua flecha é fina e vai ficando maior. Quando encontra a haste ela tem duas pontas laterais que impedem que a flecha se solte da presa.
–Não tem como tirar ela?-perguntou Edward sentindo muita dor.
–Tem duas opções: uma é eu ir com a flecha até o final e depois quebrá-la. Você sentirá muita dor; ou eu dar um puxão e ver se ela sai. Mas isso pode te machucar muito.
–Não tem outra opcão melhorzinha?-perguntou Edward sentindo que a ponta da flecha estava a centímetros do outro lado de seu ombro. –Acho que vou querer a primeira opção mesmo.
–Tudo bem.-disse Sophie rasgando a aljava para retirar a flecha que não estava quebrada, mas estava torta. –Fique reto, mesmo que doa. Vou contar até trê e no “já” eu vou empurrar a flecha.
–Tá bom.-disse Edward respirando fundo e sentindo sua ferida latejar cada vez mais. –Pode ir.
–3, 2, 1... Já!
–ÁHHHHHH!!!............
Com a dor, Edward desmaiou nos braços de Sophie. Agora a flecha estava agarrada e pronta para ser quebrada.
–Edward?! Edward, acorda!-chamou Sophie mesmo desesperada. –Deve estar desmaiado. Morto não está. Agora é só eu quebrar a flecha cuidadosamente....
Pronto!, pensou Sophie agora tirando as metades da flecha do ombro de Edward. De sua cintura, ela pegou um frasco que continha um líquido verde-brilhante. Colocou a água no machucado de Edward e este parou de sangrar. Já estava cicatrizando. Rasgando sua bermuda com a ponta da flecha, ela fez um tipo de atadura e colocou no machucado. Jogou a flecha no fogo.
–Ainda bem que o fogo parece durar até amanhã cedo.-disse Sophie esquentando suas mãos e passando sobre o rosto de Edward. Passava constantemente a mão entre os vermelhos cabelos de Edward que ainda estava deitado. Alisava seu rosto, até que notou que suas orelhas eram normais.
Ele não é elfo! Não posso levar ele para a aldeia!
Sophie não sabia o que fazer. A princípio, ela havia pensado que Edward fosse um elfo perdido de outra aldeia aliada pois a Floresta da Desilusão era na verdade uma ilha. Mas, como Edward não era elfo, ela não podia levá-lo para a sua aldeia. Seria quebrar a maior de todas as regras! A pequena elfa pensou muito. Ela estava se sentindo segura e não queria abandonar Edward. Foi quando pensou: “Que se dane a regra.”
Ainda com Edward deitado em seu colo, Sophie pegou alguns galhos que estavam caídos a sua volta e, com as chamas da enorme árvore que caiu, ela fez outra foqueira. Esta era para afujentar alguns animais que viessem atacar na direção contrária da árvore. Aproveitando o calor do fogo para se aquecer, Sophie deitou Edward no chão que agora estava quentinho e pegou o arco e a aljava que estavam próximos e acomodando-se ao lado de Edward, deitou-se.
Alí, ficaram até o amanhcer.
Logo de manhã, Edward acorda meio sonolento. Seus cabelos estavam bagunçados e cheios de terra. Suas roupas estavam amarrotadas e sujas de sangue e sua bermuda estava suja de terra A única coisa que estava diferente no local era a floresta: agora ela estava totalmente clara, verdinha e com um tom multicolorido provocado pelos insetos e pássaros que voam de um lado para o outro. O ar era puro e podíasse ouvir diversos animaiszinhos emitirem ruídos e sons engraçados. Talvez a floresta não fosse tão má assim.
–Bom dia, meu dorminhoco!-disse Sophie lhe entregando seu arco e sua aljava. Esta estava costurada com raízes. Além disso, ela deu-lhe umas frutas e umas plantas para que Edward comesse. Tinham uma aparência boa. Na fome, Edward deu uma grande mordida em uma fruta que mais se parecia uma maçã.
–É muuuuito boa!-disse o garoto comendo mais e mais. –Você não vai comer não, é?
Sophie estava olhando o garoto devorar as frutas e imaginando se falaria ou não o que elas fazem em grande quantidade.
–Não, obrigada.-disse ela com sua voz de criança. –Acho que devia saber que essas frutas que você acabou de comer é usada na aldeia como purgante.
Na mesma hora Edward parou de comer. O gosto da fruta era docinho e mais se parecia com pão de mel fresquinho. Quando dava uma mordida na fruta, dela saía um líquido doce que dava mais vontade de comer. Edward pensou num instante e depois voltou a comer.
Passaram-se meia hora e digamos que, ao nosso tempo, fosse cerca de 07 h: 26 min AM. Edward caminhava ao lado de Sophie e esta lhe dara a mão. Manipulando algumas raízes que estavam no local, Edward treinava para enfim conseguir sair da Floresta da Desilusão.
–Você dobra as plantas!-surpreendeu-se Sophie. –É igual ao meu papai!
–Seu pai manipula as plantas?
–Não só ele, eu também. Olha.
Sophie soltou a mão de Edward e começou a dobrar as raízes que estavam ali. Estas raízes eram 5x maior que as raízes dobradas por Edward e a quantidade era surpreendente. Foi quando Sophie manipulou algumas vinhas na direção de Edward que, conseguiu defender-se.
–Você não vai me derrotar. Há, há, há!-disse Edward sorrindo, enquanto manipulava algumas folhas e as lançava em direção à Sophie que, sem muito esforço, as manipulava de volta.
–Edward, essa é a minha floresta.-disse Sophie sorrindo. –Você não pode fugir de mim.
Foi quando diversas raízes começaram a se levantar. Indo na direção de Edward, elas o enrolaram e imobilizaram.
–Você dobra bem as plantas. Mas são somente raízes pequenas.-disse Sophie. –Se você fosse na minha aldeia, você iria ficar maluco só de ver a dobra de plantas do meu povo.-e desenrolou Edward.
–Me desculpe.-disse Edward meio sem jeito. –Não queria decepcioná-la.
Sophie deu um largo sorriso e depois lembrou-se de uma coisa:
–Você está sentindo alguma coisa? Tipo... Vontade de ir ao banheiro?
–Não. Por que?
–É que você comeu muitas frutas. E cinco delas é usadas como purgante.
–Ah! Não liga não.-disse Edward meio sério, mas querendo rir. –Quando eu era pequeno eu comi, sem querer, um cacho cheio de sementes de Jequiriti.
–Sério!!!.-surpreendeu-se Sophie. Tanto que caiu para trás. –Essa planta é letal para quem as mastiga. Mesmo sendo um sementinha. Ainda mais um cacho inteiro.
–E o pior.-disse Edward. –É que eu não senti nada. Só vontade de comer mais. Minha mãe dizia que eu sou imune às plantas e seus efeitos. Só não sei como eu pude perder para uma Roseira do Líbrio.
Sophie deu um sorriso. Mas não queria falar sobre plantas. Na verdade, ela queria era voltar para a casa. Foi quando ela viu um monstro parecido com um bisonte. Só que musculoso e bípede.
–Cuidado!-disse Sophie fazendo sinal de silêncio e se movendo lentamente. –Não olha agora.
–Olhar o que?-falou Edward se virando rapidamente. Imediatamente o bicho começou a perseguir os dois.
–Você é atolemado, hein, garoto.-disse Sophie manipulando algumas videiras e raízes.
As raízes imobilizaram a fera. Mas não por muito tempo.
–Corre!-disse Sophie vendo que tinha mais integrantes no bando. –Deve ser período de acasalamento!
O bisonte conseguiu se soltar e pôs-se a correr atrás de Edward e Sophie. Os dois estavam em uma grande distância, mas o bicho corrida constantemente. Vendo que um bisonte perseguia os dois, todo o bando começou a correr também.
–Como a gente vai se salvar?-disse Edward olhando para trás e vendo que eles já estavam próximos.
–Eles estão em terreno inimigo.-disse Sophie. –Logo, logo eles irão voltar. Mas me segue.
Sophie deu um grande impulso e passou sobre uma árvore que estava caída. Edward tentou pular, mas seu pé esquerdo prendeu-se numa raíz, fazendo com que ele batesse de testa no enorme tronco. O bisonte, vendo que Edward estava parado, deu um grande salto para pegar o garoto, mas Sophie manipulou algumas raízes que prenderam suas patas traseiras, fazendo com que caísse no chão.
–Você está bem?-perguntou Sophie socorrendo Edward rapidamente e o levando para um tipo de toca feita entre as raízes e uma árvore por um ser desconhecido.
–Esses bichos são enormes.-disse Edward pondo a mão em sua cabeça. –Minha testa está sangrando?
–Um pouco. Mas você precisa tomar cuidado aqui nessa floresta.-disse Sophie bastante séria. –Se eu disser para ficar calado, fique calado. Se não fosse por mim você estaria morto e dislacerado.
–Desculpe.-disse Edward vendo os bisontes regressarem rapidamente. –Quando você disse que a gente está em território inimigo, o que quis dizer?
–É que no início dos tempos essa floresta era apenas uma pequena parte de um imenso continete. O Orchcraft. Mas aí muitos tremores e ondas gigantes fizeram com que a terra descesse e a água subisse. Com isso, muitas criaturas que antes se diviam por todo o continete se concentraram somente aqui. Por isso que essa floresta é perigosa.
–Entendi.-disse Edward vendo muitas animais pulando de árvore em árvore, serpentes gigantes e até mesmo mamíferos que andava livremente entre a mata.
–Além do mais.-disse Sophie. –Nós estamos quase chegamos na aldeia.
–Como você sabe que estamos perto?
Sophie manteve distância e começou a sentir o cheiro. Edward começou a sentir também.
–A nossa árvore tem esse cheiro doce. Me segue.
Sophie começou a correr. Edward parecia estar gostando dessa aldeia. Nossos viajantes correram durante um bom tempo, até que avistaram uma grande árvore. Esta era larga e sua cor era marrom, só que clarinha. Suas folhas eram verdes e suas flores eram rosas, comestíveis. A sua volta, a grama extremamente verde embelezava mais o local. Diversas criaturas aparentemente selvagens estavam se alimentando dos frutos e folhas da árvore. Parecia ser o momento de união. Sophie correu ao encontro da árvore e se jogou na grama. Ficou deitada durante um bom tempo. Edward só a via. Foi quando resolveu deliciar-se com uma flor. Esta era rosada e de suas pétalas escorria um líquido rosa. Mostrando-as para Sophie, que confirmou que eram boas, ele as comeu.
–Que delícia!-disse Edward pegando mais.
Foi quando a manada de bisontes chegou. Edward logo ficou com medo, mas quando viu que os bisontes queriam apenas comer algumas folhas e flores, ele se acalmou. Dividindo a árvore com um monte de criaturas de todos os tipos e tamanhos, Edward estava gostando daquela vida onde não existiam regras e nem obrigações. Estava se sentindo livre. Olhando para Sophie deitada na grama, ele imaginou seu ideal de vida. Foi quando ele se dirigiu a ela, levando uma flor.
–Aceita?
Ela se levantou da grama e deu um largo sorriso. Pegou a flor e deu uma mordida, pondo a mão para que o néctar não escorresse.
–Olha, essa é a árvore?-perguntou Edward.
–É sim.-disse Sophie terminando de comer.
–Que horas você vai entrar?
–Temos que esperar alguém sair. É que eu sou muito nova e não consigo entrar na árvore ainda.
–Eu consegui entrar numa árvore uma vez só.-disse Edward indo na direção da árvore. –Deixa eu ver se consigo de novo...
–Sério?!-disse Sophie levantando-se e indo na direção de Edward. Este estava se concentrando.
Foi quando Edward colocou a palma da mão na árvore e tentou entrar.
–Narração de Edward-
Eu estava com uma sensação boa de que estava conseguindo. Mas alguma coisa me impedia. Foi quando um pequeno machado marrom, cuja as lâminas eram de metal acertou a árvore, passando a poucos milímetros de meu rosto. Pela minha sombra era possível ver meu cabelos falhamente cortado. Olhei surpreso para trás e vi um homem de estatura média, cabelos preto e uma enorme transa amarrada com vilhas secas. Vestia um tipo de roupa feita com longos cipós transados. Estava descalço. Ele estava parado e olhava para mim com uma expressão séria, como se eu estivesse fazendo alguma coisa de errado. Ele começou a falar:
–Saia daqui, invasor das sombras!
Eu não sabia o porquê dele me chamar de invasor das sombras, mas eu não queria saber no último momento.
–Senhor, eu estava apenas trazendo Sophie para a aldeia.-disse olhando de relance para o machado. –Não queria fazer-lhe mal.
–Saia já daqui, agora que encontrou Sophie.
–Por favor.-disse Sophie. –Deixe-no entrar. Ele é bom.
–M-Mas Sophie... Ele é estranho. Deve ser aliado das sombras.
Novamente eu não estava entendendo nada. Por que ele pensa que sou aliado das sombras?
–Tudo bem, então.-disse o homem após um longo tempo de conversa com Sophie. –Acompanhe-me, mas sem truques.
Eu concordei. Ele pegou o machado de um jeito que me mostrou sua lâmina. Como se estivesse falando: “Tome cuidado.” Eu não era telepata, mas parecia ser isso mesmo que ele disse. Andando em direção à árvore, o homem pegou Sophie e entrou. Eu toquei na árvore e vi a minha mão esquerda entrar nela. Lentamente dei passos para a frente. Enfim entrei na árvore.
Dentro da árvore havia um outro mundo. Completamente renovado, era diferente de tudo o que já vira na minha vida! As casas eram todas feitas dentro de árvores. Estas eram verdinhas e cheias de vida. As ruas eram feitas de pedras e grama. Era uma vila pequena e devia ter no máximo uns 1000 habitantes. Todos eram pessoas aparentemente normais e, até me verem, eram calmas e sorridentes. O motivo era desconhecido para mim. Sophie estava andando do meu lado, calada só olhava para frente. O homem estava andando à frente de todos e parecia muito sério.
–Liga não.-disse Sophie sorrindo para mim. –As pessoas estão assim porque você é novo por aqui.
–Deve ser, né.-disse meio sem jeito. –Quando de relance olhei para as pessoas que me olhavam, pude reparar 3 coisas: 1º: de um jeito estranho, todos tinham as orelhas pontudas e a pele estranha; 2º: comparando com as pessoas de Lockhaven, as pessoas daqui tem o rosto mais fino e cabelos longos e de cor meio cinza misturados com marrom. Até os homens possuem cabelos longos; e por último e o mais intrigante.... Por que só eu estou calçado? Isso mesmo. A “Vila das Árvores”, era muito bonita, o ar era bastante puro e muito calma, mas todos os moradores estavam descalços, além de Sophie. Talvez fosse por isso que eles me olhavam tanto.
–Narração do Autor-
Edward parecia não acreditar no que estava vendo. A vila era surpreendente. Eles estavam andando por algum tempo, mas já estavam chegando. Sophie continuava ao lado de Edward sem dizer nada e Edward estava bastante envergonhado, com os dedos dos pés encolhidos com vergonha de usar botas. Andando próximo de uma grande parede de pedras, o homem fez um sinal com as mãos para que todos parassem.
–O que ele está fazendo?-perguntou Edward à Sophie.
–Não sei.-respondeu ela. Sua respiração estava acelerada e ela parecia tremer.
–Sophie, “cê” tá bem? Tá parecendo estranha...
Sophie virou-se para Edward e deu uma risadinha. Ao virar-se, seu cabelo denunciou suas orelhas pontudas. Edward logo pensou: “Se ela é uma elfa, provavelmente desta aldeia, por que não me estranhou quando nos vimos?” A princípio pensou em diversas hipóteses, mas logo se desconcentrou. É que o guerreiro que os acompanhara começou a manipular as plantas e uma fenda se abriu no meio da parede de pedra. Acompanhando-os, Edward e Sophie seguiram por um corredor. A parede e o solo da “caverna” era toda coberta por diversas camadas de madeira. Comparando a estrutura do local com Lockhaven, a caverna era bem parecida com algum tipo de castelo. Era grande e algumas pessoas andavam de um lado para o outro, estranhando o garoto andar calçado.
Andaram durante uns quinze minutos seguindo sempre para o alto. Foi quando chegaram em um tipo de corredor que levava a uma grande porta vermelha. O guerreiro parou na frente da porta e esperou. Não demorou muito e dois guardas abriram a porta.
–Lord Plantmort aguarda a sua chegada.-disse o guerreiro dando passagem à Edward.
Edward ajeitou seus cabelos e sua roupa. Seu arco estava em suas costas, junto de sua aljava. Sua roupa estava inteira, apenas um pouco suja. Ele dirigiu-se ao encontro do rei. Passou por outra porta. Esta era verde, feita de diversas plantas. Quando cruzou as portas, a mesma se fechou. Pelo visto Edward estava preso. O local aonde estava era bem iluminado, o ar era puro e o local era bem arejado. Edward estava admirando o local, foi quando um monstro levantou de um trono feito de raízes douradas. O ser estranho era alto, tinha mais ou menos dois metros e meio, e seu corpo era formado por vinhas, folhas, galhos e sua aparência era muito estranha. Edward estava com medo da criatura que caminhava em sua direção. Diversas raízes arrastavam no chão, embora a criatura não estivesse presa ao solo. Seus olhos eram bem alaranjados, semelhante aos de Sophie na floresta.
–Ora, ora!-disse a criatura batendo palmas. Sua voz era muito semelhante a de Lord Voldemort, do Harry Potter. –A quem temos a honra?
–Meu nome é Edward Saint-Clair.-respondeu Edward com medo.
–Hum... Muito prazer em conhecê-lo, Edward.-disse a criatura estendendo às mãos. –Me chamo Lord Plantmort, rei da aldeia e também da floresta de Orchcraft.
Quando Edward apertou a mão de Plantmort, sentiu uma sensação estranha. As diversas plantas que faziam parte do corpo do rei eram soltas e difícil de segurar.
–Oh! Peço que não estranhe a minha aparência.-disse Plantmort tocando seu rosto. –A beleza é diferente para cada ser vivo. Você, por exemplo, possui cabelos vermelhos e pele clara, mas sua mana...
–Perdão.-disse Edward dando um passo para trás. –Não queria estar na sua floresta. Sincerament...
–Não, não diga nada.-disse Plantmort calmamente. –Eu não estou com raiva.-pôs a mão nos ombros de Edward enquanto caminhavam entre o corredor. –Quando Silas me disse que haviam intrusos na floresta, eu logo pensei que seriam os diversos aldasianos que contaminaram o meu reino.
Edward logo pensou que seriam os alunos que talvez estariam na floresta para encontrar a torre.
–Poderia me dizer a que reino pertence?-perguntou Plantmort.
Eu sou da aldeia de Owen, no continente de Ankara.-disse Edward começando a se sentir estranho. Sua energia parecia estar diferente. –Mas vim de Lockhaven.
–Lockhaven... Só podia ser. O que veio fazer em minha floresta?
–Eu vim para uma missão.-disse Edward mostrando o bilhete de Minerva. –Preciso encontrar a torre que fica ao lado da floresta e derroar o guardião dela.
–E o que acontece quando derrotar o guardião?-disse Plantmort.
–Eu poderei ir embora.-respondeu Edward. –Mas antes de tudo, eu preciso treinar e ficar mais forte.
Lord Plantmort deu uma risada.
–Esses aldasianos acham que minha floresta é um campo de missões.-disse Plantmort com raiva. –Como se pudessem jogar sua prole maldita aqui sem pedir permissões.
–Aldasianos? O que são?
–Nome dado à espécie que governa o continente de Ankara.
–Então eu sou um aldasiano?-perguntou Edward.
–Não!-disse Plantmort com raiva. –Não se compare com aquela raça maldita! Nós dois somos os únicos sobreviventes de um dos mais fortes clãs de todo o mundo. No início dos tempos, nós governávamos tudo e todos, até que surgiram os aldasianos. Eles destruíram nosso clã.
–Nós?-perguntou Edward confuso. –Como assim?
–Eu e você somos os herdeiros do clã de domadores das árvores. Os aldasianos nos chamam de manipuladores de plantas.-disse o rei. –Porém você é diferente. Possui uma segunda pele, pêlos e é... pálido. Sua semelhância com os aldasianos é muito grande.
–Mas como você tem essa certeza de que eu e você somos do mesmo clã?
Lord Plantmort andou até uma galeria. Edward o seguiu. Chegaram em uma enrome sala, onde continham diversos livros e escrituras na parede.
–Eu posso ver sua mana, psinergia e seus núcleos de energia.-disse o rei. –Diferente de tudo o que eu vi, você possui três deles: um verde, semelhante ao meu, um núcleo azulado e um núcleo prateado. Não sei como você consegue armazená-los sozinho, nesse corpo minúsculo e imperfeito.
Edward quando ouviu sobre os núcleos em seu corpo se achou confiante. Mas quando ouviu sobre seu corpo se intristeceu.
–Geralmente, cada clã possui um núcleo de energia de cor diferente. O nosso é verde e, observando seu núcleo, diria que você é um puro... Poderia me mostrar seus poderes?
Edward manipulou algumas videiras que estavam próximas.
–Você não domina muito bem essa técnica. Você só sabe manipular?
Edward concordou.
–Caro Edward. Fique conosco e aprenderá muito.-disse Lord Plantmort pondo as mãos nos ombros de Edward. –Você precisa desenvolver seus poderes por completo. Experiente só.
–Eu não sei direito... Preciso ir para a floresta e encontrar a torre para ir embora. Eu tenho que encontrar a minha família.
–Família? Que família?-disse a criatura. –Todos morreram. Os aldasianos mataram impiedosamente
–Não! Você está enganado.-disse Edward com seus olhos começando a ficarem verdes brilhantes. –Você não sabe nada sobre mim.-sua voz estava áspera, bastante grossa.
Com raiva, Edward joga um tipo de tronco em Plantmort, mas não surgiu efeito, já que Plantmort é o mestre das plantas daquela região.
–É incrível!-disse Plantmort parecendo reconhecer o que estava acontecendo. –Você é uma caixinha de surpresas, caro Edward! Você tem o espírito de um dos seres mais fortes do universo!
–Mentira!-falou Edward lançando Plantmort contra o teto de onde estavam. –Pare de dizer coisas sobre mim.-disse Edward tentando se controlar.
Plantmort vira que Edward era forte, e não podia desperdiçar o incrível poder do garoto. Além do mais, caso ele se descontrolasse, era melhor tê-lo como amigo do que como seu inimigo.
–Está bem.-disse Plantmort levantando cuidadosamente Edward com suas vinhas. –Se você não quer ouvir a verdade, tudo bem. Não chore, por favor.
–Não estou chorando.-disse Edward limpando discretamente as lágrimas que escorriam em seu rosto. –Poderia me deixar ir embora?
–Jovem Edward, eu estava pensando.-disse Plantmort levando Edward até uma parede. –Embora você não queira acreditar, nós somos do mesmo clã e possuímos praticamente os mesmos poderes. Fique aqui e eu lhe ensinarei a dominar seus poderes.
–Desculpe, mas eu não caio mais nesse papo.-disse Edward lembrando-se com raiva de Minerva.
–Por favor.-disse Plantmort balançando a cabeça para a direita e para a esquerda. –Não me compare com nenhum aldasiano ou sua prole imunda. Como eu ia dizendo, fique conosco. Aprenda seus poderes e domíne-os.
Edward não sabia se aceitava. A vila parecia legal, mas ele tinha medo de não terminar a sua missão e não voltar para Lockhaven a tempo. Lord Plantmort parecia estar falando a verdade, mas ele podia estar utilizando os mesmos truques que Minerva. Silenciosamente, Edward saiu das raízes de Plantmort e andou em direção à saída.
–Você poderá sair quando quiser e eu não moverei uma raíz para lhe impedir.-implorou Plantmort. –A escolha é sua. Faça a escolha certa, por favor.
Edward parou no meio do caminho. Pensou bem e regressou. Antes de chegar ao fim da saída e entrar na galeria onde estava com Plantmort, este o estendeu a mão. Desta vez no formato de mãos humanas. Edward pensou mas ainda, olhou nos olhos do rei e perguntou:
–Onde eu vou ficar?
Lord Plantmort deu um largo sorriso sincero com aquela cara feia, envolta de raízes, galhos e folhas. O dia estava partindo para dar lugar a noite, o local estava começando a ficar escuro e a imagem de Plantmort na escuridão devia ser assustadora.
–Com licença.-puxou Edward para dentro, fechando a passagem para a saída. –Eu lhe mostrarei seus aposentos.
Levando Edward para outra sala, Plantmort estava alegre. Passaram pela grande porta vermelha até que chegaram à sala de recepção, onde estavam Silas e dois guardas. Sophie havia sido levada para sua casa, ao encontro de seus pais.
–Silas!-disse a criatura enquanto alguns guardas acendiam as tochas do longo corredor até os quartos.
–Sim, my lord.-respondeu Silas.
–Leve Edward para o melhor quarto existente em minha propriedade. Não quero nenhuma reclamação.
–Está bem, senhor.-disse Silas curvando-se diante de Plantmort. –Acompanhe-me, Edward. Por favor.
–Ah! Edward, o jantar será servido daqui a pouco. Não demore.
Edward acenou com as mãos e saiu junto de Silas. Não demorou muito para que eles chegassem no quarto onde Edward ficaria. O local era grande, redondo e muito iluminado por tochas. Da janela era possível ver o oceano e um pequeno ponto luminoso no horizonte. Dentro do quarto tinha uma cama grande, macia e um armário de madeira que era bem espaçoso. Para tirar o cheiro da fumaça, tinha um grande aroma de jasmim dentro do quarto.
–Você ficará aqui, senhor Edward.-disse Silas indo para a porta. –Suas coisas poderão ficar no quarto quanto tempo quiser, mesmo se você ficar ausente. Quando quiser nossos serviços, basta chamar.
–Está bem.-disse Edward observando o ponto luminoso no oceano. –O que é aquele ponto luminoso ali?
–Ah? Ah! Perdão.-disse Silas dirigindo-se à janela. –Aquilo lá é o farol da Metrópole. Mas não é nada importante não. É para não haver acidentes no mar.
–Está bem.-disse Edward. –Obrigado, Silas. Só mais uma pergunta: onde é o banheiro?
Silas deu um sorriso discreto.
–O banheiro fica ali, naquela sala.-ele apontou para uma abertura quadrada na parede. –Para a sua privacidade, o cômodo é formado apenas por pedra, já que isso tudo é dentro da montanha. A água é abundante, vinda do mar. Mas tem pouco sal, devido ao filtro especial de algumas plantas.-ele se dirigiu para a porta. –Com licença.
Vendo Silas se retirar, Edward foi ao banheiro e fez o que tinha de fazer. Quando saiu, Edward arrumou as poucas coisas que tinha e logo foi para o banheiro para tomar banho e depois jantar.
Enquanto isso, na sala de jantar do enorme local, Lord Plantmort aguardava pacientemente Edward chegar à mesa para que comessem juntos o delicioso banquete. Foi quando Edward chegou acompanhado de Silas. Suas roupas eram as mesmas, porém o garoto estava de banho tomado.
–Oh, Edward!-disse Plantmort levantando-se da mesa e, cumprimentando o garoto, sentou-se. –Por favor, fique a vontade. Demétrio, traga o banquete.
Demétrio, o garçon, trouxe diversas bandeijas feitas de metal. Quando as abriu, o delicioso cheiro de leitão, peixes, diversas hortaliças, grãos e vegetais bem preparados com diversos temperos tomaram conta do ambiente, dando água na boca em todos no local. Lord Plantmort e Edward começaram a comer com vontade.
Horas depois, quando terminou de comer, Edward foi para seu quarto onde pegou no sono. Agora, Lord Plantmort e Silas conversavam numa sala privada.
–Senhor, sei que não sou sábio como o senhor, mas acha que Edward merece ficar entre nós? Ele conhece a nossa localização.
–Fique calmo, Silas.-disse a criatura pegando uma raíz que estava numa bandeija e começou a comê-la. –Esse garoto é forte e, além de tudo, merece ficar ao nosso lado. Mas o motivo para te chamar aqui é outro.
–Pois não, my lord.
–Gostaria de saber o que faremos com nossos prisioneiros. Vejo que entre eles há uma telepata muito bonita que talvez me sirva como uma bela esposa...
Continua
Notas finais
POR QUE É TÓXICA: porque tem sementes vermelhas com uma substância chamada abrina, que mata quando mastigada.
EFEITOS: a abrina provoca a aglutinação das células vermelhas do sangue, formando coágulos e impedindo a circulação corpórea.
Abundante nas regiões tropicais, o jequiriti ficou famoso por ser a "planta proibida" do filme A Lagoa Azul. Na produção, o casal apaixonado mastiga as sementes e acaba morrendo.
___________
Gostaram?
Deixem reviews! Façam um sonhador autor feliz! ^^
Fale com o autor