Os Legados De Katie
6 Capitulo 6 – Eu Nunca desisti de você.
Notas iniciais
Diana acelera o carro por uma estrada em direção a cidade de Vidalia. Olho para fora da janela e me sinto uma fora da lei, correndo e fugindo. Aos poucos a cidade de Orlando vai ficando menor no retrovisor e sinto um aperto no peito. Penso em tudo que estou deixando para trás, penso no colégio, nos meus amigos, nos meus pais; minha mãe vai ficar desesperada quando eu não voltar para casa. Uma angustia aperta meu peito e algumas lagrimas rolam no meu rosto. Diana coloca a sua mão na minha perna.
— Vai ficar tudo bem. – ela diz tentando me confortar
Encosto minha cabeça no encosto do banco do carro e fecho meus olhos e imediatamente vejo o rosto de Wes e abro meus olhos outra vez assustada. Wes era para mim um príncipe encantado, ele era gentil, atencioso e sem contar que ele era lindo, mas o que ele fez foi horrível. Todo o amor que eu sentia por Wes se transformou em medo e tristeza, eu nunca me senti tão impotente, tão fraca, tão superada quando ele estava em cima de mim.
Eu nunca mais quero me sentir assim outra vez!
A maneira que aquelas pedras estavam levitando e me obedecendo faz-me pensar no que sou capaz de fazer e aquela fraqueza, aquela debilidade se acaba e uma força que nem sabia que tinha me envolve.
A estrada não tem muitos carros. Diana não fala nada, talvez ela queira me dar um espaço para aceitar minha nova vida. Olho para fora da janela do carro e vejo o brilho de alguns grilos nas plantações que nos cercam.
As lagrimas são inevitáveis. Eu não quero chorar, mas tudo isso me assusta. Fico assustada por perder o contato com meus pais, meus amigos e minha antiga vida. Não quero acreditar que sou uma alien, que meu planeta foi totalmente destruído, que fui trazida para a Terra junto com oito crianças iguais a mim, que essas três cicatrizes que tenho em meu tornozelo são três de nós que já morreram, restam apenas seis.
Sinto meu celular vibrar e vejo uma que há quarenta e três chamadas perdidas da minha mãe e vinte cinco do meu pai, há doze mensagens de voz e trinta mensagens de texto.
— Preciso ligar para meus pais. – digo
— Quando chegarmos à próxima cidade ligaremos de um telefone publico. – responde Diana – É melhor você se livrar do seu celular.
— Por quê?
— Por que a policia e os mogs podem nos rastrear. – Anote o telefone dos seus pais adotivos em um papel e jogue o telefone pela janela, depois compramos outro.
Anoto o telefone em um pequeno papel que encontrei no porta luvas do carro e jogo meu telefone pela janela.
Olho no retrovisor e vejo um baú no banco detrás onde Diana tirou a pedra que curou a ferida do Wes. Ela é um pouco menor que forno micro-ondas e está cheio de símbolos que não consigo entender.
— O que é aquilo?
— Aquilo é sua herança. – diz Diana – Ela foi deixada pelos Anciões do nosso planeta.
— Ainda não me acostumei quando você diz “nosso planeta”.
Diana encosta o carro no acostamento e me encara.
— A culpa foi minha. – ela diz chorando
— Por quê?
— Quando nós chegamos aqui na Terra, eu estava aterrorizada. Você era muito novinha e eu era muito inexperiente com crianças. – ela chora mais forte – Eu fui descuidada... foi somente por um minuto.
— Do que está falando?
— Nós estávamos em um parque na cidade de Blackburn na Inglaterra, esse dia estava fazendo muito calor. Você estava brincando na areia e eu estava com muita sede. Eu havia feito uma amiga humana, o nome dela era Hayle. Os mogadorianos já nos haviam achado, mas não queriam fazer um escândalo, então eles se aproximaram com cautela. Hayle não era humana, aquela vadia era uma maldita mogadoriana.
— Como você não percebeu? – digo – Os mogadorianos que vi nos meus sonhos eles eram horripilantes.
— Nem todos são assim. – responde Diana com a cabeça baixa – Ela me enganou direitinho, ela queria uma oportunidade para ficar sozinha com você. E quando eu comprar um refrigerante...
— Ela me roubou? – tento adivinhar
— Pior. – Diana diz seca – Ela tentou te matar. Havia uma fonte de agua no meio de parque e ela “acidentalmente” te empurrou e você começou a se afogar.
— E o que aconteceu?
— Você estava protegida pelo feitiço, nada poderia te machucar. – ela diz – Eu corri o máximo que pude e quando cheguei à fonte Hayle vomitava agua, até que morreu e logo se transformou em cinzas. Foi ai que descobri que ela era uma mogadoriana.
— E você me deixou na fonte? – digo brincando
— Não... – ela responde no mesmo tom de brincadeira – Quando eu cheguei para te salvar, parecia que você não havia saído da caixa de areia. Você estava brincando com a agua.
— E depois? – pergunto curiosa
— Eu te peguei no colo e te coloquei na cadeirinha no banco detrás do carro e acelerei o mais que podia, mas... – ela faz uma pausa – eles nos encontraram... eles estavam preparados para tudo! Eles fecharam as ruas e os carros deles eram mais potentes que os nossos. Eu tentava despista-los mas eles...
— Capotaram nosso carro. – digo
Diana me olha com seus olhos ternos.
— Você se lembra?
— Já tive alguns sonhos com esse acidente. – digo – Essa parte meu pai já me contou, nós fomos levadas para o hospital mais próximo e os mogadorianos atacaram o hospital e meu pai me levou com ele.
— Desculpa. – diz Diana – mas ele roubou você de mim. Depois que saí daquele hospital sem você, eu pensei que você foi tivesse sido levada pelos mogs. Eu nunca tive dias tão terríveis como aqueles. Eu estava acabada, mas no fundo eu sabia que você ainda estava viva. No dia seguinte eu comecei a procurar por você em todos os cantos e acabei hackeando as câmeras do hospital e vi seu “pai” saindo com uma garotinha nos braços e desde aquele dia eu estava procurando por você e seu pai. – ela pega na minha mão e chora muito – Eu nunca desisti de você, mesmo quando tudo parecia perdido eu não perdi minhas esperanças. Eu te amo!
Começo a chorar e sinto que tudo que Diana está me falando é extremamente sincero e puro e a abraço e me sinto segura assim como quando minha mãe me abraça.
Fale com o autor