Notas iniciais
Novas e novas... leia ;)

Desde quando peguei o bracelete me sinto diferente. É como se eu estivesse sujo e uma água me purificasse. Era inexplicável.

Depois de sair do sótão aquele dia, o bracelete piscara. Uma luz branca clara, emanava dele, mas devia ter sido reflexo.

Hoje é segunda- feria, o que resulta em primeiro dia de aula. Desço pela escada da casa indo a cozinha para tomar café da manhã e encontro minha mãe.

– Bom dia meu filho!- ela me dá um longo abraço e depois um beijo um tanto molhado.

– Bom dia...- disse cansado, poxa, eu estava com sono.

– Não fique assim, Mason. É se primeiro dia de aula! Ânimo!

Claro, vou entrar em uma escola onde não conheço ninguém, não conheço ninguém da cidade, não conheço nada. Uhu! Que legal.

– Que seja.- pego minha tigela e ponho um pouco de cereais e leite.

– Mason, não fique assim. Nossa vida vai melhorar! Ela está melhor. Olhe essa casa!- ela abre os braços indicando a casa.- Se quiser traga um amigo aqui depois da escola.

– Se eu tiver feito um.- resmungo.

– Você vai ter feito. Você é um cara muito legal!

Pelo menos alguém acha isso, penso. Nunca fui bom em fazer amizades devido as minhas esquisitices. Todos os garotos do colégio me implicavam ou tinham medo de mim, as poucas pessoas que tive ao meu redor, simplesmente, vão embora. Aprendi a não me apegar muito as pessoas.

Termino de comer o cereal e subo pra me arrumar pra escola. Meu quarto é incrível. Suas paredes são pintadas de azul, com detalhes dourados. Meu guarda roupas ocupa mais da metade da parede (quem teria tanta roupa?), tenho uma televisão enorme no quarto e todos os tipos de eletrônicos que se possa imaginar, para deixar um adolescente normal morfando no quarto. Minha janela tem vista pra uma casa que fica em frente e nossa, ela é tão bonita quanto a nossa, mas possui um grande C nos portões da frente. A casa tem um tom prateado legal, mas algo me intriga nela. Vejo uma sombra na outra casa e de repente um rottweiler todo preto, completamente preto, aparece e para junto ao portão e me olha. Ele fica me encarando com seus olhos castanhos sentado e imóvel. Estranho? Obviamente sim.

Volto pra minha cama e me jogo nela, sem querer sair nunca mais dela. Ela parece ser feita com asas de anjos, ela é tão macia... meu travesseiro é tão bom quanto ela, e os lençóis são de seda e macios. Me pergunto novamente se a antiga dona da casa tinha um filho ou algum parente jovem que morava aqui. Morar em uma casa de gente morta é estranho, mas eu me sinto ligado ali. Me levanto da cama relutante e abro o guarda roupas, pego o uniforme da escola da cidade a Maville Center School, era simples: a cor era preta, lisa, somente com um livro aberto e escrito "Maville Center School" em volta. Pego uma calça e tênis qualquer e visto, pego meus materiais e desço novamente.

– Mãe, estou indo já.- abraço ela e me despeço.

– Tchau filho, boa sorte.

Saio de casa e me dirijo a rua. Agora de manhã o tempo está meio frio mas é aconchegante. Decidi que andarei até a escola todos os dias, é bom que conheço a cidade e a escola não é muito longe. Passo em frente a casa com um grande C e o cachorro continua me olhando, mas sigo em frente e logo esqueço o cachorro. Passo pelo centro da cidade onde os moradores já estão acordando e trabalhando, vários restaurantes e bares estão aberto. A vegetação continua linda como sempre, as frutas aparentam ser apetitosas com suas cores fortes e o vento é puro. A cidade é calma e limpa, passo perto do bosque e ouço a vegetação mexer, com seus animais cuidando dos filhotes e habitat.

Finalmente chego a escola. Ela é de quatro andares mas simples. Tem a pintura cinza e o nome da escola na entrada. Algumas escadarias levam as portas principais de entrada e subo. Entro na escola e me deparo com um monte de pessoas, todas apressadas procurando sua salas, armários e principalmente amigos. Minha sala fica no terceiro andar então subo as escadas, mas antes passo pelo refeitório, com mesas brancas e redondas e passo por uma janela, onde posso ver o campo de futebol, de vôlei entre outros esportes. A escola era estranhamente limpa, nenhuma escola que estudei e conheço é assim. Encontro meu armário e em seguida encontro minha sala. A sala não está muito lotada, mas tem um tantinho bom de alunos. Escolho um lugar no meio, ao lado da janela. Agora o sol começa a brilhar fracamente. Fico perdido em meus pensamentos.

– Então?- alguém me cutuca.

Tenho um leve sobressalto.

– Desculpe, eu não ouvi.- um leve rubor colore minhas bochechas.

– Perguntei se tem alguém aqui.-a garota disse.

Ela era absolutamente linda. Cabelos ruivos desciam em cascatas por suas costas e seus olhos eram da cor azul, mas uma cor forte de verde contornava, como os meus olhos mas com azul e verde. Sua pele era levemente bronzeada o que a tornava, de um jeito estranho, sexy.

Me forcei a sair de meu transe e disse:

– Não não.- ela se sentou do meu lado.

– Sou Catarina Campbell.- quando ela disse "Campbell" arrepiei, mas logo se foi.

– Sou Mason, Mason Knight. Prazer.- sorri.

Por um instante seus olhos se tornaram frios, mas a expressão suavizou.

– Prazer. É novo na cidade?

– Sim e você?

– Já moro aqui há um... tempo. Está gostando de Maville?

– Claro. Aqui é...

Fui interrompido. Um cara alto e de físico bom se aproximou de Catarina, ele era tão ruivo quanto ela e seus olhos tinham o mesmo tom de cor.

– Mason esse é meu primo Joseph.- ela apontou pro cara que acabou de chegar.

– Oi Mason.- ele estende a mão.

Estendi a minha mas hesitei.

– Como você sabe meu nome? Nem me apresentei.

Ele pareceu brevemente desconfortável.

– Ouvi você falando com Cat.- ele riu.

– Não me chame assim.- ela repreendeu- o.

Rimos.

– Enfim, você é o cara que se mudou para a casa em frente a nossa?

Demorei um pouco pra responder.

– Espere ai. Vocês moram naquela casa com um grande C no portão?

– C de Campbell e, suponho que o K em sua casa é de Knight, certo?- pergunta Joseph.

– Sim.

Joseph senta na minha frente. O primeiro professor chega. Ele é professor de História. Ele começa a falar as mesmas coisas de sempre, que todo professor no início do ano fala, então o sinal bate. Mais aulas ocorrem, então finalmente é o horário livre.

Eu, Catarina e Joseph seguimos juntos e nos sentamos em um dos bancos do pátio. Conversamos sobre coisas normais de jovens conversarem e isso foi um tanto anormal pra mim, aliás, nunca tive uma conversa normal com amigos e pior, nunca tive amigos.

No final da aula Joseph me convida para ir a casa dele.

– Eu não sei... preciso falar com minha mãe.

– Você mora na casa em frente, qualquer coisa é só ela bater lá em casa.

Assenti. Ligo pra minha mãe e digo que vou na casa de alguns amigos e que a casa, por acaso, é em frente a nossa. Ela recebeu a notícia com alegria e eu fui.

Ventava um pouco quando chegamos a casa Campbell, puxei mais meu agasalho para cobrir meu corpo. A casa dos Campbell eram tão bonita e elegante quando a minha. Mobília e tecnologia quase as mesmas, a casa era pintada basicamente de vermelho e prata. A casa era do tamanho da nossa. Depois de jogarmos conversa fora, fomos lanchar na cozinha.

– Vou fazer hambúrgueres caseiros para nós, com direito a batata frita e Coca- Cola.- diz Joseph.

Catarina e eu nos sentamos nas bancadas.

– Joseph adora cozinhar, e por mais que me doa, tenho que admitir que ele cozinha bem.

– Que bom que admite Cat, pois é a verdade.- Joseph retruca.

– Que seja.

– E os seus pais?- pergunto, pois não havia ninguém na casa.

A expressão de Catarina se tornou sombria e Joseph parou de fazer barulho, tudo ficou em silêncio.

– Gente, me desculpe, eu não...

Eu sou um idiota imprestável mesmo. Quando acho pessoas que tem alguma possibilidade deu fazer amizade, estrago tudo.

– Não se preocupe Mason.- Meus... meus pais, bem... é difícil de dizer, mas os dois morreram em um acidente de carro alguns anos atrás e Joseph foi criado comigo, pois sua mãe morrera fazendo uma... uma coisa.

Me contive na hora de perguntar que coisa era, não queria estragar mais do que já estava estragado.

– E o pai de Joseph, é, digamos, mentalmente incapacitado, agora ele trabalha para nós como jardineiro, mas nem se dá conta de quem somos. Mas meus outros tios cuidam de nós e eu e Joseph somos tipo irmãos.

Aquela história era mais triste que a minha. Eu ficava cavando um buraco querendo saber porque meu pai tinha que morrer, enquanto Catarina e Joseph perderam os pais e não estão lamentando- pelo menos não aparentam.

– E os seus pais, Mason?- pergunta Catarina.

– Perdi meu pai quando ainda nem era um feto formado direito. E agora tenho só minha mãe.

Contei como viemos parar na casa da minha família.

– Que sorte a de vocês, quero dizer, tirando a parte que seu parente morreu.

Faço um gesto com a mão tipo "não se preocupe".

– Eu nem o conhecia. Nunca soube de nada da família Knight.

– Entendo.- diz Catarina.

– Combo Barriga Feliz pronto!- anuncia Joseph.

– Joseph, precisamos seriamente a achar outros nomes para suas comidas.

Comemos e realmente, estava muito bom. Joseph, aquele sujeito típico para ser galã de cinema, cozinhando.

– Estava ótimo Joseph! Parabéns!- digo.

Ele ia dizer algo, mas fiquei sem saber, pois nesse instante dei um espirro. Nojento? Claro.

– Gente me desculpe.- fico avermelhado.

– Oh meu Deus!- diz Catarina.- Mason! Você está bem?

– O que há?

Então olho para baixo e me dou conta de que acabei de espirrar sangue. Puro sangue, não tinha sujeira do nariz e nada, só sangue.

Toco o meu nariz e levanto meus dedos. Sangue. Sangue na ponta dos meus dedos.

– O que é isso?- pergunto.

Catarina me leva ao banheiro e começa a fazer um curativo, enquanto Joseph fica e limpa a bagunça.

Eu devo estar mesmo querendo perder amigos, penso.

De volta na cozinha, tudo estava limpo sem nenhum vestígio de que houvera sangue ali.

– Gente mil desculpas, eu não sei o que aconteceu, nunca fiz isso na vida!

– Relaxa cara. Deve ser alguma coisa que você respirou ou algo sujo que ingeriu.

Parei e pensei. Mas não havia nada que eu pudesse ter respirado ou ingerido que poderia causar tal acontecimento.

– Enfim, mil desculpas. Nossa, estou com tanta vergonha...

– Cara, relaxa! Já passou. Puft!- disse Joseph. Ele era um cara legal.

– Beleza, é melhor eu indo antes que fique muito tarde.

Aquilo soou estranho, pois eu morava, literalmente, a frente.

– Beleza. Te vejo na escola amanhã.- disse Joseph.

Catarina me guia a porta e nos despedimos.

Chego ao portão de casa quando um borrão passa na minha frente e sinto minha garganta sendo pressionada.

– Onde está!? Me diga ou te mato agora mesmo!

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.